sábado, 7 de agosto de 2021

PF deflagra operação para investigar mortes de onças-pintadas (uma delas, monitorada) por envenenamento, no Pantanal, MS

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PF deflagra operação para investigar mortes de onças-pintadas (uma delas, monitorada) por envenenamento, no Pantanal, MS

PF deflagra operação para investigar mortes de onças-pintadas (uma delas, monitorada) por envenenamento, no Pantanal, MS

Em 10 de maio, os pesquisadores da organização Instituto Reprocon – Reproduction 4 Conservation. que atua no sul do Pantanal, estranharam o registro da localização de uma das onças-pintadas que monitoravam, desde setembro do ano passado: o macho batizado por eles como Sandro, de 4 anos e 120 kg.

O sinal emitido por seu colar de radiotelemetria indicava mortalidade. Quando isso acontece, significa que o GPS está parado no mesmo local por muito tempo e, neste caso, os pesquisadores trabalham com base em duas hipóteses: o animal está parado mesmo – e pode ter morrido – ou o colar se soltou de seu corpo.

A falta de recursos impediu que eles fossem ao local rapidamente, o que só ocorreu três dias depois e foi possível graças ao colar de GPS. Chegando na região do Passo do Lontra, em CorumbáMato Grosso do Sul, não só encontraram Sandro, como mais uma onça-pintada (um macho, de 140 kg, que foi batizado pelos pesquisadores como Taurus), um gavião carcará, um cachorro do mato, uma vaca e 14 urubus. No total, 19 animais, todos mortos.

Assim, as primeiras suspeitas – levantadas pelos pesquisadores, na ocasião – apontavam para envenenamento provocado por seres humanos. A desconfiança veio da situação em que os animais foram encontrados e do fato de que nenhum deles apresentava qualquer marca de violência, briga ou tiro. Mas também porque é sabido que, na região, há fazendeiros que matam as onças que atacam seu gado.

“Devido às circunstâncias dos animais, suspeitamos que tenham sido envenenados”, explica Antonio Carlos Csermak Jr., veterinário do Reprocon e um dos pesquisadores que os encontrou.

“Acreditamos que a vaca – que estava envenenada – tenha sido abatida por uma das onças. Em geral, a onça preda um animal e volta para comê-lo por um, dois ou três dias. Outras onças podem acessar a mesma carcaça. Neste caso, todos os animais que se alimentaram da vaca morreram. Os urubus estavam ao lado dela, o carcará também. O cachorro do mato a 10 metros, Sandro a 50 metros. A outra onça – que foi a primeira que encontramos – a 150 metros”. E ainda havia insetos na carcaça da vaca, também mortos.

Csermak ainda acrescenta: “Pessoas da região disseram que pode ter sido usado um agrotóxico cujo princípio ativo é o carbofurano, que está proibido no Brasil desde 2017“. Pode ser contrabandeado da Bolívia ou do Paraguai.

A morte por envenenamento é muito rápida, mas depende do tamanho do animal. Por isso, certamente, os urubus e o carcará – que são leves e têm metabolismo rápido -, estavam mais próximos da vaca.

O corpo de Sandro em decomposição. Perda irreparável para o Pantanal e os pesquisadores
Foto: Jocilany Giuleatte
/Reproducao do Facebook
Sandro, uma onça-pintada jovem, de 4 anos, que pesava mais de 120 quilo, era monitorada desde setembro pelos pesquisadores do Reprocon / Foto: Pedro Nacib Jorge Neto

A investigação avança

Depois de encontrar os animais mortos, os pesquisadores voltaram à sede da Reprocon e denunciaram o caso à Polícia Federal (PF) e ao Ibama.

Como os pesquisadores encontraram duas onças mortas próximas uma da outra e numa mesma região, a PF solicitou que eles os acompanhassem até o local com dois peritos e dois fiscais do Ibama. No dia da pericia os pesquisadores deram apoio técnico aos dois órgãos e seguiram os rastros de Sandro até a morte, 600 metros da margem do rio.

Devido às provas circunstanciais, o Ibama autuou e multou o arrendatário da fazenda onde ocorreram as mortes. De acordo com Csermak, a multa foi calculada em função das espécies mortas: R$ 5 mil reais por cada onça (por serem de espécie ameaçada) e R$ 500 por cada um dos demais. O total foi de R$ 18.500.

E a PF abriu inquérito com base em tudo que viu no local, nas declarações dos pesquisadores e no material colhido na perícia. “Os Policiais Federais realizaram diligências preliminares na propriedade rural, sendo realizados exames periciais de local e coleta de material com a finalidade de determinar as causas das mortes dos animais”, declarou o órgão, em nota.

“Se o resultados dos exames laboratoriais provarem que houve envenenamento, aí o responsável terá que responder criminalmente”, salientou Csermak.

Ontem, 4 de agosto, finalmente, a Polícia Federal deu notícias, e as investigações estão em curso.

Quase três meses depois a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão – três em fazendas do Pantanal, na região de Corumbá, e um em Campo Grande, todas no Mato Grosso do Sul -, que integram a Operação Yaguareté, deflagrada para o caso,

Yaguareté ou Jaguareté, em Guarani, quer dizer onça-pintada.

Menos um crime invisível

As cabeças de Taurus (nome dado pelos pesquisadores ao encontra-lo) e de Sandro e o radio-colar que este usava e garantiu que eles fossem encontrados e o crime investigado pela Polícia Federal / Foto: Pedro Nacib Jorge Neto/Instituto Reprocon

Como Csermak contou, acima, o abate de onças por fazendeiros não é incomum devido aos ataques ao gado, que causam prejuízos. Mas, ele contou também que, até acontecer este crime, havia apenas rumores de que os animais eram envenenados. Tratava-se, portanto, de um crime invisível.

Se Sandro não estivesse usando um colar de GPS e sendo monitorado diariamente pelo Reprocon, este seria mais um crime contra animais silvestres e ameaçados de extinção, que ficaria no ar, sem investigação.

Graças ao trabalho de pesquisa cientifica, o caso da morte das onças-pintadas virou noticia e se espalhou como um alerta para fazendeiros que adotam tal recurso como solução para acabar com os ataques das onças.

Mas Csermak esclarece que essa conduta não é adotada pela maioria dos pecuaristas da região, que conhece e apoia projetos de conservação no Pantanal.

“Eles são nossos parceiros. O colar de monitoramento do Sandro, por exemplo, foi doado por um deles. E foi graças a esse colar que chegamos até o Sandro, que soubemos de seu paradeiro e a investigação está sendo possível”.

E acrescentou: “Muito importante que o assunto esteja sendo divulgado pela mídia para que aqueles que matam onças-pintadas saibam que podem ser rastreados”.

Campanha: mais colares para as onças!

Reprocon é um instituto idealizado e mantido por pesquisadores, que monitora e estuda o comportamento e a reprodução da onça-pintada (Panthera onca) em área livre através de colares de radiotelemetria e GPS

Trabalha com recursos próprios e doações esporádicas e depende de novos apoios porque os custos são altos e é imprescindível aumentar a proteção desses e de outros animais silvestres que vivem no sul do Pantanal.

Por isso, em alguns momentos, a organização lança campanhas de arrecadação de recursos, como a que está ativa na plataforma Kickante. A meta é arrecadar R$ 28 mil reais para a compra de material de monitoramento. Até agora, foram doados R$ 16.785, portanto falta 60% dos recursos almejados e apenas 44 dias para o término da campanha.

Os valores indicados variam de R$ 20 (o doador recebe e-mail de agradecimento com selo) a R$ 15 mil (o preço de um colar; dá direito a uma saída a campo com um acompanhante e a equipe do Reprocon) ou R$ 25 mil (saída a campo com dois acompanhantes e hospedagem incluída).

Quando Sandro morreu, havia três onças-pintadas monitoradas com colares de GPS pela Reprocon. Agora, só tem uma. É imprescindível ampliar esse trabalho para a preservação.

Em seu Facebook, o Reprocon publicou um infográfico animado que mostra os trajetos percorridos por Sandro no último mês, antes de morrer. Ele percorria uma área de cerca de 100 km2. Clique aqui para assistir.

Siga o Reprocon nas redes sociais – Facebook e Instagram – para acompanhar suas ações e o monitoramento dos animais. E também sobre o crime contra Sandro e outros 18 animais do Pantanal.

Foto: Gustavo Fonseca/Instituto Reprocon

Leia também:
– Onça-pintada é morta com mais de 50 tiros de espingarda e jogada de ponte em região de serra de São Paulo
– Única população de onças que cresce na Mata Atlântica é ameaçada por projeto de reabertura de estrada no Parque do Iguaçu

– Caçadores matam onça-pintada no Pantanal e penduram cabeça em arvore

Biden anuncia meta de 50% dos novos carros vendidos nos Estados Unidos até 2030 serem elétricos

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Biden anuncia meta de 50% dos novos carros vendidos nos Estados Unidos até 2030 serem elétricos

Biden anuncia meta de 50% dos novos carros vendidos nos Estados Unidos até 2030 serem elétricos

O presidente americano Joe Biden assinou ontem (05/05) uma ordem executiva estabelecendo uma meta de que 50% dos novos carros comercializados no país até o final desta década tenham emissões zero de carbono. Ao lado de fabricantes de veículos e representantes de sindicatos da indústria automobilística, ele afirmou que “o futuro da indústria é elétrico e não há mais volta”.

Em abril, Biden apresentou o plano de reduzir em 50% as emissões de carbono dos Estados Unidos até 2030. Para isso, está investindo fortemente na chamada “economia verde”, que tem como principal foco as fontes renováveis e a independência dos combustíveis fósseis – no setor automobilístico, entenda-se aí os veículos movidos a gasolina e diesel.

O desafio não será nada fácil. Carros, principalmente os grandes e bastante poluentes, são uma paixão entre os americanos. No ano passado, apenas 2% dos automóveis novos comprados nos Estados Unidos eram elétricos. Entretanto, as vendas desse segmento estão aumentando e as fabricantes apostando na mudança. Em janeiro, a maior montadora americana, a General Motors, afirmou que só terá modelos elétricos a partir de 2035.

“A questão é se vamos liderar ou ficar para trás na corrida pelo futuro. Costumávamos liderar nessa tecnologia e podemos liderar novamente, mas precisamos agir rápido. O resto do mundo está avançando, só precisamos dar um passo à frente”, disse Biden durante um evento na Casa Branca, em Washington D.C., em que dirigiu um carro elétrico.

Outra medida para combater a crise climática e atingir a meta proposta pelo governo Biden foi anunciada pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês). Ela estabelece uma nova exigência em relação ao padrão de eficiência de veículos. A partir de 2023, os carros novos deverão emitir 10% menos gases de efeito estufa em comparação com o ano anterior, com reduções adicionais de 5% ao ano até 2026.

Leia também:
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Foto: reprodução Facebook White House

Em um ano, 8.712 km2 foram desmatados na Amazônia: este é o segundo pior registro desde 2016, segundo o Inpe

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Em um ano, 8.712 km2 foram desmatados na Amazônia: este é o segundo pior registro desde 2016, segundo o Inpe

Em um ano, 8.712 km2 foram desmatados na Amazônia: este é o segundo pior registro desde 2016, segundo o Inpe

Ainda falta calcular os alertas do dia 31 de julho para que o Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais possa fechar o ciclo medido do primeiro dia de agosto de um ano até o último dia de julho do ano seguinte, pelo sistema Deter. Mas esse dado certamente mudará muito pouco a realidade do acumulado de alertas nesse período. Sendo assim, já dá pra afirmar que, em um ano, o desmatamento na Amazônia atingiu uma área de 8.712 km².

Isso significa que esta é a segunda pior temporada de devastação em cinco anos, que só perde para outro recorde registrado no governo Bolsonaro, no ano passado. Na verdade, os três recordes da série de registros sobre desmatamento na Amazônia foram batidos neste governo, e os alertas são 69,8% maiores que a média dos anos anteriores.

Esse número representa queda de 5,4% na área de alertas em relação a 2020, mas nem o vice-presidente, general Hamilton Mourão – que dirige o Conselho da Amazônia – conseguiu celebrar o recuo pífio. E declarou que não cumprirá a meta declarada semanas antes: ele havia prometido à imprensa que o desmatamento cairia 10%. Pior: no ano passado, declarou a embaixadores estrangeiros que a queda seria de 15%.

Na verdade, esse declínio apenas reflete a dinâmica do crime ambiental, como observou o Observatório do Clima, “enquanto o governo que enterrou plano de combate vende ação do Exército como cloroquina”.

Destruição garantida

Em um ano, 8.712 km2 foram desmatados na Amazônia: este é o segundo pior registro desde 2016, segundo o Inpe
Área recém desmatada e queimada em Porto Velho, Rondônia / Foto: Christian Braga, Greenpeace Brasil (julho 2021)

Temos um governo sem credibilidade, que, desde janeiro de 2019, se empenha em desmontar a governança ambiental e estimular o crime. Abandonou o plano de controle do desmatamento criado em 2004, aniquilou a estrutura dos órgãos de fiscalização – Ibama e ICMBio -, paralisou o Fundo Amazônia, travou a cobrança de multas ambientais e apoiou invasores, só para contar um pouco.

“O destino da floresta está nas mãos de quadrilhas de grileiros, madeireiros ilegais e garimpeiros“, destaca Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Hoje, são eles que determinam qual será o dado oficial de desmatamento. Na Amazônia, o crime ambiental atua livremente, e conta com a parceria do atual governo”.

E parece que tudo continuará dessa forma ou vai piorar. Em 23 de junho, Joaquim Leite, assumiu o Ministério do Meio Ambiente no lugar de Ricardo Salles – acusado de montar um escritório do crime no ministério para favorecer madeireiros – e, até agora, não tomou nenhuma medida contrária ás políticas de seu antecessor.

Em um ano, 8.712 km2 foram desmatados na Amazônia: este é o segundo pior registro desde 2016, segundo o Inpe
Queimada em área degradada no Parque Nacional Mapinguari, em Lábrea, Amazonas
Foto: Christian Braga, Greenpeace Brasil (julho 2021)

Além disso, com o deputado federal Arthur Lira – que lidera o chamado ‘Centrão’ (bloco de deputados conservadores, desenvolvimentistas e corruptos) – na presidência da Câmara dos Deputados, a destruição está garantida. Em poucas semanas, ele aprovou dois projetos de lei criminosos: pelo fim do licenciamento ambiental (PL 3729) e que anistia a grilagem de terras (PL 2633), que é a principal causa do desmatamento na Amazônia.

“A expectativa de anistia com a aprovação do PL da Grilagem é um estímulo para os desmatadores e tende a tornar muito mais difícil o controle da destruição”, explica Astrini. “Os altos índices de desmatamento e o desmonte da legislação ambiental têm repercussão mundial e prejudicam imensamente a imagem do país. É neste cenário que o Brasil chegará, daqui a alguns meses, na conferência do clima da ONU”.

Aliás, a discussão do PL 2633, na Câmara, aconteceu no momento em que o presidente da COP26 (próxima conferência climática da ONU), Alok Sharma, se reunia com membros da sociedade civil em Brasília para tratar justamente do aumento da ambição das metas de corte de emissões de gases de efeito estufa do Brasil.

Fracasso anunciado e previsão sombria

Ações do Exército no combate ao desmatamento foram anunciadas por Mourão com euforia – também para governos estrangeiros preocupados com o impacto do desmatamento sobre a meta do Acordo de Paris -, mas só têm registrado fracassos.

A única coisa que a Operação Verde Brasil fez foi gastar dinheiro como nunca! O custo de dois meses dessa operação foi quase o dobro do orçamento anual do Ibama para ações de fiscalização.

A cerca de um mês, a Verde Brasil foi substituída por outra operação, batizada de Samaúma em homenagem à maior árvore da Amazônia, mas os satélites mostram que a nova ação também está falhando em sua missão.

No fim do ano, serão divulgados os dados oficiais de desmatamento do sistema Prodes, do Inpe. Mas os alertas do Deter já ajudam a projetar o tamanho da destruição. Para o Observatorio do Clima, pela terceira vez, o desmatamento anual deverá ficar próximo de 10 mil km2.

Greenpeace flagra avanço do fogo

Em um ano, 8.712 km2 foram desmatados na Amazônia: este é o segundo pior registro desde 2016, segundo o Inpe
Área desmatada e queimada já recebe gado em Porto Velho, Rondônia
Foto: Christian Braga, Greenpeace Brasil (julho 2021)

Entre os dias 29 e 31 de julho, o Greenpeace Brasil sobrevoou a Amazônia em missão de monitoramento e registrou o avanço do fogo em regiões de Porto Velho, em Rondônia, e no Parque Nacional Mapinguari, em Lábrea, Amazonas. Neste post estão algumas das imagens divulgadas pela organização.

Ao divulgar as imagens em seu site, destacou que as queimadas são ilegais porque acontecem após o Decreto nº 10.735, vigente desde 28 de junho, que proíbe o uso do fogo no Brasil. De acordo com dados do Inpe Queimadas, o mês de julho registrou 4.977 focos de calor na Amazônia.

Na mesma data, o governo federal também autorizou o uso das tropas militares para combater queimadas. “É a terceira vez que o governo Bolsonaro utiliza o dispositivo da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no combate ao crime ambiental”, salientou a organização.

“É importante analisar os focos de calor considerando também o desmatamento ocorrido recentemente na Amazônia. Muitas áreas foram derrubadas e degradadas e devem ser queimadas ilegalmente nos próximos meses, quando a vegetação remanescente fica mais seca e suscetível ao fogo”, alerta Cristiane Mazzetti, da campanha Amazônia do Greenpeace.

E ela diz que o pior ainda está por vir, porque temos órgãos de fiscalização completamente enfraquecidos e os próximos meses serão os mais secos no bioma. E destaca a atuação do Legislativo nessa escalada de destruição. “Além disso, o Congresso Nacional tem como uma de suas prioridades aprovar alterações na lei que incentivam ainda mais destruição ambiental e invasão de terras públicas”.

As imagens e os dados do Inpe são a prova da ineficiência das ações do governo – com suas Forças Armadas e a GLO – e de que a Amazônia continua sob intensa ameaça da ilegalidade, que devasta grandes áreas de vegetação sem nenhum pudor ou receio.

Para saber mais, leia a reportagem do Greenpeace.

Com informações do Inpe, Observatório do Clima e Greenpeace Brasil

Foto (destaque): Christian Braga/Greenpeace Brasil (queimada sobre área desmatada sobre floresta pública não destinada, em Porto Velho/Rondônia)

Como capturar água do ambiente dia e noite, sem gastar energia

 

Como capturar água do ambiente dia e noite, sem gastar energia

Redação do Site Inovação Tecnológica - 05/08/2021

Novo equipamento captura água do ambiente dia e noite, sem gastar energia
O protótipo é pequeno, mas a ideia é construir dezenas deles lado a lado, como se fossem painéis solares.
[Imagem: ETH Zurich / Iwan Hächler]

Água dia e noite, sem gastar energia

Pesquisadores suíços construíram a primeira solução de energia zero para coletar água da atmosfera ao longo do ciclo diário de 24 horas.

O sistema se baseia em uma superfície de resfriamento automático e um escudo especial de irradiação térmica.

Tem havido um grande esforço de desenvolvimento no campo do resfriamento radiativo, da refrigeração passiva e da coleta de água do ambiente, todas opções com consumo zero de energia ou baseados em energias renováveis.

Na maior parte das regiões que mais precisam de água, a única opção é condensar a umidade atmosférica por meio do resfriamento, seja por meio dos processos tradicionais, intensivos em energia, seja pelo uso destas novas tecnologias passivas, que exploram a variação de temperatura entre o dia e a noite.

No entanto, com as tecnologias passivas atuais, a água pode ser extraída apenas à noite porque o Sol aquece as películas durante o dia, impossibilitando a condensação.

Novo equipamento captura água do ambiente dia e noite, sem gastar energia
Esquema de funcionamento do coletor de água passivo.
[Imagem: Iwan Haechler et al. - 10.1126/sciadv.abf3978]

Tecnologia passiva

Os pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia (ETH) de Zurique desenvolveram agora uma tecnologia que, pela primeira vez, permite coletar água 24 horas por dia, sem entrada de energia, mesmo sob Sol escaldante.

O novo dispositivo consiste essencialmente em um painel de vidro especialmente revestido, que reflete a radiação solar e também irradia seu próprio calor através da atmosfera para o espaço sideral. Assim, ele se resfria até 15º C abaixo da temperatura ambiente. Enquanto isso, na parte inferior deste painel, o vapor de água do ar se condensa em água pelo mesmo processo que faz os vidros fechados de um carro embaçarem.

O vidro é revestido com camadas de polímero e de prata com espessuras bem definidas. Este revestimento faz com que a vidraça transmita a radiação infravermelha diretamente para o espaço ao usar uma faixa de comprimento de onda para o qual a atmosfera é transparente.

Outro elemento-chave do dispositivo é um novo escudo de radiação em forma de cone, que desvia a radiação de calor da atmosfera e protege a vidraça da radiação solar que entra, ao mesmo tempo permitindo que o dispositivo irradie o calor para fora e, assim, resfrie a si mesmo de forma totalmente passiva.

Novo equipamento captura água do ambiente dia e noite, sem gastar energia
A água condensa na janela 24 horas por dia.
[Imagem: Iwan Haechler et al. - 10.1126/sciadv.abf3978]

Colheita de água da atmosfera

Os testes do novo coletor de água em condições reais - no telhado de um prédio da Universidade - mostraram que a nova tecnologia pode produzir pelo menos o dobro de água por área por dia do que as melhores tecnologias passivas atuais baseadas em folhas. O pequeno protótipo, com 10 centímetros de diâmetro, coletou 4,6 mililitros de água por dia.

Sob condições atmosféricas ideais, seria possível colher até 0,53 decilitro de água por metro quadrado de superfície do painel por hora. "Isto está próximo do valor máximo teórico, de 0,6 decilitro por hora, que é fisicamente impossível de exceder," disse o pesquisador Iwan Haechler.

De modo semelhante ao que ocorre com a energia solar, onde vários painéis são instalados lado a lado, vários condensadores de água também poderão ser posicionados lado a lado para montar um sistema em grande escala.

A equipe espera que outros pesquisadores possam integrar a tecnologia com seus próprios métodos, permitindo atender também outras necessidades, como a dessalinização de água, por exemplo.

Bibliografia:

Artigo: xploiting radiative cooling for uninterrupted 24-hour water harvesting from the atmosphere
Autores: Iwan Haechler, Hyunchul Park, Gabriel Schnoering, Tobias Gulich, Mathieu Rohner, Abinash Tripathy, Athanasios Milionis, Thomas M. Schutzius, Dimos Poulikakos
Revista: Science Advances
Vol.: 7, no. 26, eabf3978
DOI: 10.1126/sciadv.abf3978
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Reinventando a hidroeletricidade: Turbinas de correnteza dispensam represas

 

Reinventando a hidroeletricidade: Turbinas de correnteza dispensam represas

Redação do Site Inovação Tecnológica - 03/08/2021

Reinventando a hidroeletricidade: Turbinas de correnteza dispensam represas
Estas turbinas são projetadas para aproveitar a correnteza dos rios, sem a necessidade de represas.
[Imagem: Natel Energy Inc.]

Turbinas de correnteza 

A hidroeletricidade é a maior fonte de energia renovável do mundo, responsável hoje por cerca de metade de toda a produção de energia renovável.

A sustentabilidade desta fonte de energia, contudo, está cada vez mais sendo questionada por causa das represas. O dilema é que não construir represas tem sido quase sinônimo de construir termoelétricas, que queimam combustíveis fósseis, sendo muito piores.

Mas pode existir uma terceira via: Uma reinvenção da hidroeletricidade, aproveitando a energia das águas em movimento, sem precisar represá-las.

Uma equipe da Universidade de Michigan, nos EUA, acaba de avaliar essa alternativa em termos técnicos e econômicos. Para isso, eles compararam uma técnica chamada "turbinas de correnteza" com a controversa usina de Belo Monte, no rio Xingu.

"A tecnologia usa turbinas de correnteza, que podem ser colocadas nos canais dos rios e não alteram significativamente os sistemas de fluxo natural," disse o pesquisador Suyog Chaudhari.

Hidroeletricidade sem represas

Os pesquisadores desenvolveram um modelo hidrológico que faz estimativas sobre a energia elétrica gerada pelos dois tipos de hidroeletricidade aproveitando toda a bacia hidrográfica.

Para o caso específico de Belo Monte, os pesquisadores concluíram que dois terços da energia produzida pela usina poderiam ser produzidos usando turbinas colocadas na correnteza do rio, sem a necessidade da construção da represa.

Em outras localidades, dependendo da geografia, os resultados são ainda melhores.

"Na verdade, em cinco locais selecionados, onde grandes barragens estão planejadas para serem construídas em um futuro próximo, descobrimos que a totalidade da energia poderia ser gerada usando turbinas de correnteza. Mais importante, também descobrimos que a geração de energia a partir de turbinas de correnteza pode ser ainda mais barata do que com grandes barragens, em parte por causa dos custos sociais e ambientais muito menores associados às turbinas na corrente do rio," detalhou Chaudhari.

Reinventando a hidroeletricidade: Turbinas de correnteza dispensam represas
O conceito híbrido prevê a instalação de pequenas usinas híbridas, que podem integrar sistemas maiores, aproveitando outras fontes de energia renovável.
[Imagem: Natel Energy Inc.]

Hidroeletricidade híbrida com lagoas

Os engenheiros do Laboratório Nacional de Energia Renovável dos EUA, por sua vez, também construíram seu próprio modelo para estudar a questão, e já estão pondo a mão na massa, em uma colaboração com a empresa Natel Energy.

Neste caso, a abordagem é mais ampla, mas híbrida, incluindo pequenas usinas hidrelétricas e lagoas de armazenamento em cada cachoeira, de forma a criar um sistema integrado para atender à demanda de energia regional e garantir um fornecimento estável.

"[Abordamos a questão] em ambas as frentes - sustentabilidade econômica e ecológica - construindo um modelo que nos ajudou a quantificar e compreender as compensações entre receitas e impactos do fluxo a jusante. Esse trabalho mostrou que a redução de receita das mudanças operacionais necessárias para atingir nossos objetivos ambientais é pequena, menos de 4%," contou a pesquisadora Gia Schneider.

A equipe está trabalhando em turbinas de pequeno porte, que possam ser usadas em série para aproveitar os fluxos de corrente dos rios sem a necessidade de represas e, portanto, preservando a conectividade da bacia hidrográfica para os peixes, sedimentos e para a navegação.

Usando controles e sistemas eletrônicos de potência, a pequena planta hidroelétrica e os "tanques" em cada ponto de correnteza podem ser gerenciados em conjunto com os outros nós para atender à demanda de energia. Essa flexibilidade permite que a planta produza energia renovável confiável, com armazenamento de energia despachável sob demanda, permitindo que os operadores do sistema integrem na rede recursos de energia renovável mais variáveis e menos flexíveis, como eólica e solar, defende a equipe.

Bibliografia:

Artigo: In-stream turbines for rethinking hydropower development in the Amazon basin
Autores: Suyog Chaudhari, Erik Brown, Raul Quispe-Abad, Emilio Moran, Norbert Müller, Yadu Pokhrel
Revista: Nature Sustainability
DOI: 10.1038/s41893-021-00712-8