sexta-feira, 5 de agosto de 2022
No 1º semestre, desmatamento na Amazônia é o maior desde 2016
Por WWF-Brasil
A Amazônia teve 3.988 km² desmatados nos seis primeiros meses de 2022, de acordo com o sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O valor é o maior já registrado para esse período desde o início da série histórica em 2016 - praticamente o triplo do valor registrado em 2017 (1.332 km²).
É o quarto ano consecutivo com recordes de desmatamento no período. O aumento em comparação aos primeiros seis meses de 2021 foi de 5%. No primeiro semestre de 2022, o municipio de Formosa do Rio Preto (BA) foi o campeão de alertas de desmatamento com 261 km².
O mês de junho também teve a pior marca da série historica. Foram devastados 1.120 km2 no mês na Amazônia, 10,1% a mais que em junho de 2021 (1.061 km²). Os Estados mais desmatados em junho de 2022 foram o Amazonas (401 km²) e o Pará (381 km²).
"O desmatamento da Amazônia no primeiro semestre de 2022 foi alarmante e coloca o bioma cada vez mais perto do ponto a partir do qual a floresta não conseguirá mais se sustentar, nem prover os serviços ambientais dos quais nosso país depende. Perdemos 3.988 Km² na Amazônia Legal em apenas seis meses, confirmando a tendência de intensificação do desmate dos últimos três anos", diz Mariana Napolitano, gerente de Ciência do WWF-Brasil.
No Cerrado, foram desmatados 1.026 km² só no mês de junho. O valor é mais que o dobro do registrado em 2021 (485 km²) e 2020 (427 km²), um aumento de 111,5% em comparação a junho do ano passado. Em junho de 2022, mais uma vez, os Estados mais devastados estão no Matopiba: Maranhão (400 km²) e Tocantins (193 km²).
No acumulado do ano, entre o início de janeiro e o fim de junho, foram devastados 3.638 km² no Cerrado, o que representa um aumento de 44,5% em comparação aos seis primeiros meses de 2021, quando foram detruídos 2.518 km².
"Quando perdemos floresta, colocamos em risco nosso futuro. A Amazônia é chave para a regulação das chuvas das quais dependem nossa agricultura, nosso abastecimento de água potável e a disponibilidade de hidroeletricidade. O roubo de terras públicas e o garimpo ilegal, que não geram riqueza ou qualidade de vida, está destruindo nosso futuro”, analisa Napolitano.
Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 25 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática. Site: wwf.org.br/doeQueimadas aumentaram na Amazônia e no Cerrado nos sete primeiros meses de 2022
01 agosto 2022
Amazônia teve perto de 13 mil focos entre janeiro e
julho, um aumento de 14% em comparação ao mesmo período em 2021
Por WWF-Brasil
Nos sete primeiros meses de 2022, o número de queimadas aumentou 14% na
Amazônia e 6% no Cerrado, em comparação ao mesmo período no ano passado, de
acordo com o Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(INPE). Além da tendência de aumento substancial do número de focos de
queimadas, há também uma tendência de crescimento da área queimada.
Na Amazônia, foram detectados 12.906 focos de queimadas entre
o início de janeiro e o fim de julho, um aumento de 14% em comparação ao mesmo
período de 2021. Houve um aumento de 9% em relação à média dos últimos 10 anos
para o período.
Em relação à área queimada, os dados estão disponíveis até o fim de Junho .Nos
primeiros seis meses de 2022, o fogo afetou 7.625 km2 no bioma, um aumento de
53% em comparação aos seis primeiros meses de 2021.
Apenas no mês de julho de 2022 foram detectados 5.373 focos de queimadas, 8%
mais que em julho do ano passado. A área queimada em junho foi de 2.679 km2, um
aumento de 4% em comparação ao mesmo mês em 2021.
No Cerrado, foram detectados 17.582 focos de queimadas entre o
início de janeiro e o fim de julho - um aumento de 6% em comparação ao mesmo
período no ano passado. Esse valor também representou um aumento de 24% em
relação à média dos últimos 10 anos. Entre janeiro e junho deste ano, a área
queimada no Cerrado foi de 21.346 km2, um aumento de 16% em comparação a junho
de 2021. A área queimada em junho foi de 11.701 km2, um aumento de 16% em
comparação a junho do ano passado.
Edegar de Oliveira, diretor de conservação e restauração do WWF-Brasil alerta
para a tendência crescente de destruição, em especial no bioma Cerrado.
"Os altos números de queimadas representam a falta de ações concretas de
controle, tanto para a Amazônia quanto para os demais biomas. Importante
salientar que embora o aumento percentual no Cerrado tenha sido menor que
na Amazônia, a área queimada é maior e em níveis muito elevados, muito
preocupante para um bioma que tem área igual a metade da Amazônia. Este bioma,
já perdeu mais de 50% da vegetação original e continua sofrendo pressão de
várias frentes, impactando diretamente nos níveis de água do País e na perda
das espécies únicas da região", afirma.
Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 25 anos atua
coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas
em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das
pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca
soluções urgentes para a emergência climática. Site: wwf.org.br/doe
Meio Ambiente https://conexaoplaneta.com.br/blog/quase-destruida-pelo-turismo-praia-da-tailandia-eternizada-em-filme-com-leonardo-dicaprio-e-prova-da-necessidade-de-respeito-a-natureza/#fechar
Quase destruída pelo turismo, praia da Tailândia eternizada em filme com Leonardo DiCaprio, é prova da necessidade de respeito à natureza
A Baía de Maya faz parte do Parque Nacional Hat Noppharat Thara-Mu Ko Phi Phi, em Krabi, na Tailândia. O lugar é considerado o que muita chama costuma chamar de “um pedaço do paraíso na Terra”. Escondida no meio de uma parede de montanhas rochosas fica uma pequena praia, de areia branca e fina, banhada por uma água cristalina, e onde recifes de corais servem de habitat para diversas espécies de vida marinha.
Localizada na ilha de Phi Phi Leh, no Mar de Andaman, a baía fica a aproximadamente duas horas de barco da província de Phuket, no sudeste do país. E foi nos anos 2000 que ela ficou internacionalmente conhecida após ser cenário da parte mais importante do filme “A Praia”, estrelado pelo ator Leonardo DiCaprio.
Todavia, com a notoriedade ganha nas telas do cinema, milhões de turistas do mundo inteiro começaram a visitar o lugar. Até então, ele era basicamente um destino para viajantes tailandeses.
Depois de chegar à Hollywood, cerca de 200 barcos aportavam na baía diariamente, deixando ali, em média, 5 mil pessoas por dia, 150 mil por mês – quase 1,5 milhão por ano.
O impacto sobre a biodiversidade foi arrasador. Os recifes de corais foram destruídos e a vida marinha gravemente afetada.
Em 2018, como eu contei nesta outra reportagem, o governo da Tailândia anunciou o fechamento da Baía de Maya ao turismo. Desde então várias medidas foram tomadas para tentar recuperar o ecossistema local.
Imagem da baía quando embarcações ainda eram permitidas no local
A recuperação da Baía de Maya, na Tailândia
Há 30 anos, quando foi feito um monitoramento da saúde dos corais na Baía de Maya, entre 70% e 80% deles estavam intactos. Com a explosão do turismo na ilha, décadas depois, menos de 10% eram considerados em bom estado.
Para especialistas, como o biólogo marinho Thon Thamrongnawasawat o ideal seria fechar o local definitivamente ao turismo. Mas a Tailândia depende dele economicamente. Aproximadamente 20% da renda do país vem desse setor.
A solução então é investir no ecoturismo, que tem como componente principal a preservação e o respeito à natureza.
Thamrongnawasawat trabalhou junto com o Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Tailândia no plano de recuperação da baía. Dentre as ações implementadas está o plantio de novas mudas de corais.
O paraíso escondido pelas rochas, mas desvendado ao mundo pelo filme “A Praia”
Nos últimos quatro anos, com ajuda de voluntários, foram replantados 30 mil pedaços de corais, vindos da ilha vizinha de Koh Yung.
Segundo entrevista dada à jornalista Karla Cripps, da CNN Internacional, o biólogo afirma que 50% deles “vingaram”, mas o restante sofreu com branqueamento. Ainda segundo ele, sem a ajuda humano, o crescimento natural para restaurar o ecossistema levaria entre 30 a 50 anos.
“Quando fechamos a baía, depois de apenas três meses, os tubarões-galha-preta voltaram, eles continuam acasalando, alguns deles dão à luz… Então há muitas coisas acontecendo, não apenas o recife de coral”, diz Thamrongnawasawat.
A volta do turismo, mas com regras rígidas
No final de 2021, o Departamento Tailandês de Parques Nacionais anunciou a reabertura da famosa praia. A partir de 1o de janeiro de 2022 os turistas voltaram a ser bem-vindos na ilha. Mas não como antes.
Embarcações não podem mais adentrar a baía. Elas aportam num deque construído na parte de trás de Phi Phi Leh, e dali faz-se uma pequena caminhada até a praia. As visitas têm duração máxima de uma hora e só são permitidos 375 turistas no local, por vez, e não mais que 4,125 por dia.
Quem chega nos dias atuais ao paraíso onde esteve DiCaprio há 20 anos não pode mais nadar na água transparente, apenas caminhar pela areia. Um guarda, com apito, garante que ninguém desobedeça as novas regras. Os infratores são obrigados a pagar uma multa na hora.
E sempre que necessário, a baía será fechada novamente. É que está acontecendo agora, desde o último dia 1o de agosto até 30 de setembro, período das monções (chuvas intensas e enchentes) daquele lado do mundo.
Além disso, as autoridades pretendem assegurar ainda mais a preservação da biodiversidade e garantir um “respiro” à vida que habita ali.
Pouco a pouco, a vida marinha volta a se fortalecer na Baía de Maya
*Com informações da CNN Internacional
Fotos: reprodução Facebook Amazing Thailand
quinta-feira, 4 de agosto de 2022
Água de chuva no mundo todo está contaminada com ‘poluentes eternos’, mostram estudos
Água de chuva no mundo todo está contaminada com ‘poluentes eternos’, mostram estudos

Novas pesquisas mostram que a água da chuva na maioria dos locais da Terra contém níveis de produtos químicos que “excedem muito” os níveis de segurança.
Essas substâncias sintéticas — poli e perfluoroalquil, conhecidas pela sigla PFAS em inglês — são usadas em produtos como panelas antiaderentes, espuma de combate a incêndio e roupas impermeáveis.
Apelidados de “produtos químicos eternos”, eles persistem por anos no meio ambiente.
Tal é a sua prevalência agora que os cientistas dizem que não há mais lugar na Terra onde se possa evitá-los.
Pesquisadores da Universidade de Estocolmo dizem que é “de vital importância” que o uso dessas substâncias seja rapidamente restringido.
Preocupações de segurança sobre a presença dessas substâncias duradouras na água potável também foram levantadas.
Os cientistas temem que os PFAS possam representar riscos à saúde, incluindo câncer, embora a pesquisa até agora tenha sido inconclusiva. Eles estão cada vez mais preocupados com a proliferação de PFAS nos últimos anos.
Existem cerca de 4.500 desses compostos à base de flúor e são encontrados em quase todas as residências da Terra em centenas de produtos de uso diário, incluindo embalagens de alimentos, capas de chuva, adesivos, papel e tintas.
Riscos ainda incertos
No início deste ano, uma investigação da BBC encontrou PFAS em amostras de água na Inglaterra em níveis que excederam os níveis de segurança europeus, mas não excederam o nível de segurança atual na Inglaterra e no País de Gales.
Uma nova pesquisa publicada na revista Environmental Science & Technology analisa quatro produtos químicos específicos da classe e indica que os níveis das substâncias na água da chuva em todo o mundo muitas vezes “excedem muito” os níveis recomendados para água potável nos EUA.
O solo em todo o mundo está contaminado da mesma forma, sugerem evidências.
As descobertas do estudo levam os autores a concluir que uma fronteira planetária foi ultrapassada – simplesmente não há espaço seguro na Terra para evitar essas substâncias.
“Argumentamos aqui que não estamos mais dentro desse espaço seguro, porque agora temos esses produtos químicos em todos os lugares”, disse o professor Ian Cousins, principal autor do estudo feito na Universidade de Estocolmo.
“Não estou dizendo que todos vamos morrer desses efeitos. Mas estamos em um momento no qual você não pode viver em nenhum lugar do planeta e ter certeza de que o meio ambiente é seguro.”
Embora isso seja, sem dúvida, motivo de preocupação, existem algumas ressalvas.
Muitos desses níveis de segurança em vigor são consultivos, o que significa que não são legalmente aplicáveis.
Outros cientistas consideram que a ações contra esses produtos químicos não devem ser tomadas até que os riscos à saúde sejam mais claramente comprovados.
Muita pesquisa foi realizada sobre os riscos à saúde representados pelos PFAS, e os cientistas dizem que a exposição a altos níveis pode estar associada a um risco aumentado de alguns tipos de câncer, problemas de fertilidade e atrasos no desenvolvimento em crianças.
No entanto, tais associações não provam causa e efeito e outros estudos não encontraram conexão entre PFAS e doenças.

Mas para aqueles que passaram anos trabalhando em funções que os faziam ter contato com PFAS, as evidências no novo trabalho de pesquisa sublinham a necessidade de uma abordagem preventiva.
“Na chuva, os níveis já são mais altos do que os critérios de qualidade ambiental. Isso significa que, com o tempo, teremos um impacto estatisticamente significativo desses produtos químicos na saúde humana”, disse Crispin Halsall, da Universidade de Lancaster. Ele não está envolvido com o estudo sueco.
“E como isso vai se manifestar? Não tenho certeza, mas veremnos com o tempo, porque estamos excedendo as concentrações que vão causar algum dano, por causa da exposição de humanos em sua água potável.”
A remoção dos produtos químicos do estudo da água potável nas estações de tratamento é possível, embora dispendiosa.

Mas ficar abaixo dos níveis de aconselhamento dos EUA é extremamente desafiador, de acordo com os autores.
À medida que os cientistas obtiveram mais conhecimento sobre PFAS nos últimos 20 anos, os avisos de segurança foram continuamente reduzidos.
O mesmo aconteceu com a presença desses produtos químicos no solo – e isso também está causando problemas.
Pressão econômica
Na Holanda, em 2018, o ministério da Infraestrutura estabeleceu novos limites para as concentrações de PFAS no solo e no material de dragagem.
Mas isso fez com que 70% dos projetos de construção envolvendo remoção de solo ou uso de material escavado fossem interrompidos. Após protestos, o governo relaxou as diretrizes.
De acordo com o novo estudo, esse tipo de relaxamento dos níveis de segurança provavelmente também acontecerá com a contaminação da água.
“Se você aplicasse essas diretrizes em todos os lugares, não seria capaz de construir em qualquer lugar”, disse o professor Ian Cousins.
“Acho que eles farão a mesma coisa com os avisos de água potável dos EUA, porque não são práticos de aplicar. Não é porque há algo errado com a avaliação de risco. É apenas porque você não pode aplicar essas coisas. É simplesmente impossível, do ponto de vista econômico, aplicar qualquer uma dessas diretrizes.”

O principal desafio com esses produtos químicos é sua persistência, e não sua toxicidade, dizem os autores do estudo.
Embora alguns PFAS prejudiciais tenham sido eliminados pelos fabricantes há duas décadas, eles persistem na água, no ar e no solo.
Uma maneira pela qual os PFAS percorrem o ambiente é na forma de pequenas partículas transportadas em spray do mar para o ar e depois de volta à terra.
Essa incapacidade de se decompor no meio ambiente significa que os PFAS agora são encontrados mesmo em áreas remotas da Antártida, conforme relatado pelo Halsall recentemente.
Embora haja movimentos a nível europeu para restringir o uso desses produtos químicos e encontrar substitutos mais benignos, também há esperanças de que a indústria afaste-se rapidamente do uso de PFAS.
“Precisamos de produtos químicos e substâncias persistentes, queremos que nossos produtos durem muito tempo enquanto os usamos”, disse o professor Cousins.
“E embora existam vozes conservadoras na indústria, também existem atores progressistas. Fico muito otimista quando vejo essas indústrias progressistas trabalhando juntas.”
Fonte: BBC






