quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

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Orca achada morta no Espírito Santo tinha resíduos, sacolas plásticas e o que parecia ser um tapete de carro no estômago

Orca achada morta no Espírito Santo tinha resíduos, sacolas plásticas e o que parecia ser um tapete de carro no estômago

No começo da semana um vídeo feito por alguns mergulhadores no litoral do Espírito Santo chamou a atenção nas redes sociais: uma orca se aproximava do barco em que eles estavam e permitiu que houve uma interação entre os mesmos, que tocaram no animal e ficaram surpresos com a aparente calma da baleia.

Todavia, especialistas acreditam que o comportamento da orca era na verdade um pedido de socorro. Um dia depois do registro na região de Nova Almeida, em Serra, na Grande Vitória, a baleia, com aproximadamente 5 metros, apareceu morta.

A carcaça foi então recolhida pela equipe do Instituto Orca para que fosse feita uma necropsia e coleta de amostras para análise em laboratórios.

Segundo reportagem do portal de notícias G1, exames preliminares já demonstraram que o animal tinha ingerido uma grande quantidade de resíduos plásticos. Foram encontrados em seu estômago pedaços de vários dejetos, sacolas e um objeto com cerca de 80 centímetros.

“Encontramos algo como se fosse um tapete de carro, um plástico duro. Também tinha tampa de vasilha plástica, vários tipos de plástico. Não encontramos mais nada dentro do animal além desse material, o que significa que ele não estava conseguindo se alimentar”, revelou  João Marcelo Ramos, gestor ambiental do instituto.

Orca achada morta no Espírito Santo tinha resíduos, sacolas plásticas e o que parecia ser um tapete de carro no estômago

Objetos encontrados no estômago da orca
(Foto: Instituto Orca)

A suspeita é que, quando encontrou com os mergulhadores, a orca já estava bastante debilitada. O corpo apresentava mordidas de tubarão e parasitas sobre a pele.

“Essa grande quantidade de sacolas plásticas [no estômago] significa que esse animal já não vinha conseguindo se alimentar há bastante tempo. O que pode justificar o estado de letargia e o fato dela estar mais magra”, explica Lupércio Barbosa, diretor do Orca. “É uma coisa que vem nos preocupando há algum tempo, não só a questão de macroplásticos, mas principalmente o microplástico. Mesmo que não cause diretamente a morte do animal, esse material pode desencadear vários problemas que levam ao óbito. O plástico inteiro, uma grande quantidade de material plástico, pode ocasionar uma obstrução digestiva”.

Estima-se que os oceanos do planeta estejam contaminados com 300 milhões de toneladas de plástico, ou mais precisamente, 5 trilhões de pequenas (ou grandes) partículas plásticas boiando pela água ou no fundo do mar. Ao confundi-las com alimentos, como foi o caso dessa orca, muitos animais encontram a morte.

Apesar de ser chamada de “baleias”, a orca (Orcinus orca) pertence à família dos golfinhos – o maior deles. Recebeu o apelido em inglês de killer whale (baleia assassina) porque cientistas observaram que além de se alimentar de peixes, lulas, focas, golfinhos, toninhas, pinguins e tartarugas-marinhas, também caça grandes baleias, assim como tubarões.

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Foto de abertura: reprodução redes sociais

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

O árduo e lindo trabalho de pesquisadores brasileiros para proteger a nossa maior ave de rapina, a harpia

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O árduo e lindo trabalho de pesquisadores brasileiros para proteger a nossa maior ave de rapina, a harpia

harpia

*Por Sibélia Zanon

“Manter a árvore do ninho em pé e proteger um pequeno entorno daquela árvore é uma das nossas metas”, diz Tânia Sanaiotti, fundadora do Projeto Harpia, que completou 25 anos. “Se deixar só a árvore do ninho lá no meio do nada, o filhote não vai conseguir alçar o primeiro voo. É muito importante manter algumas árvores altas em que o filhote vai poder desenvolver sua musculatura”.

Considerada vulnerável pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), a harpia ou gavião-real (Harpia harpyja) é uma das maiores aves de rapina do mundo. Desde o século 19, ela perdeu mais de 40% de seu território, que abrange desde o México até a Argentina. No Brasil, a ave ocorria em todos os biomas. Atualmente, populações grandes, funcionais e diversas são encontradas apenas na Amazônia.

Monogâmicas, as harpias utilizam o mesmo ninho por décadas, tendo um filhote a cada três anos. Sumaúmas, castanheiras, jatobás e angelins são suas árvores favoritas, as mais altas da mata e também as mais cobiçadas por madeireiros. Dotadas de uma grande forquilha, as árvores eleitas precisam dar espaço às chegadas e partidas dos ninhos, que chegam a 2,5 metros de diâmetro. Lá, o filhote se desenvolve por cinco meses antes de arriscar o primeiro voo, de 15 a 30 metros de distância. Desenvolvida a musculatura, Tânia conta que uma ave adulta alcança 200 ou 300 metros em duas batidas de asas.

A espécie topo de cadeia, que pode chegar a 9 quilos, tem especial importância na manutenção da saúde do ecossistema, mas apresenta exigência peculiar: carnívora, precisa de cerca de 800 gramas de alimento por dia. Serpentes, lagartos e pássaros são bons petiscos, mas macacos, cotias e preguiças são as iguarias mais apreciadas.

Pesquisa, monitoramento, fotografia, turismo e educação ambiental têm sido ferramentas para proteger a maior ave de rapina do Brasil contra a perda de habitat e os desafios que emergem da devastação: a proximidade com comunidades humanas aumenta perseguições, caça e colisões com fios de alta tensão.

filhote de harpia

Filhote de harpia em ninho Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus, no Amazonas
(Foto: Olivier Jaudoin/Projeto Harpia)

Primeiros ninhos da harpia

O início do monitoramento de gaviões no Brasil se deu na década de 1980, quando pesquisadores do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), centro de pesquisas fundado pelo biólogo Thomas Lovejoy, começaram a monitorar ninhos de gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) e de uiraçu-falso (Morphnus guianensis) nas reservas do projeto, no Amazonas. Em 2011, o primeiro ninho de harpia foi encontrado e atualmente são dois os ninhos da espécie monitorados dentro de uma das unidades, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Projeto Harpia.

O Projeto Harpia começou em 1997 na Amazônia. “A gente fez cartazes e colocou em barcos em várias rotas”, conta Tânia sobre o início, quando buscavam os primeiros ninhos para pesquisa, proteção e monitoramento. “Todo mundo sabia que tinha um grupo de pessoas estudando gaviões.”

Hoje são mais de 60 ninhos monitorados na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, contando com o apoio de pesquisadores parceiros, voluntários e estudantes que coletam dados, promovem atividades de educação ambiental e divulgam informações para proteger o entorno dos ninhos.

Além das pesquisas e atividades feitas em campo, o Projeto Harpia criou recentemente o Programa Ex-Situ. Como estratégia para trabalhar a conservação de forma integrada, o programa estuda a situação das aves em cativeiro que foram removidas da natureza por captura ilegal, destruição de árvores com ninhos ou outros conflitos. A maior população de harpias fora de seu ambiente natural está no Brasil, com 139 indivíduos em 40 instituições.

Segundo a pesquisadora do Inpa, a reprodução da espécie em cativeiro para reintrodução na natureza como estratégia de conservação precisa ainda ser analisada com cuidado e não é prioridade do Projeto Harpia.

“Uma das vertentes do projeto é devolver para a natureza tudo que tem condições de não ir para cativeiro permanente. Essa é uma das bandeiras”, explica Tânia. “É muito sofrido para nós a hora que dizem que tem um bicho baleado. Quando você descobre a curva do rio em que ele está, já sabe que não vai chegar socorro em 24 horas. Se não atendeu em 24 horas, o tipo da lesão é quase irreversível. Muitas vezes o tratamento fica prejudicado pela imensidão e pela forma da rede hidrográfica da Amazônia.”

harpia

Pesquisador do Projeto Harpia escalando árvore na Floresta Nacional de Carajás, no Pará,
para coleta de dados
(Foto: João Marcos Rosa/Projeto Harpia)

Curiosidade mata

“Aqui neva floresta incinerada todo mês de agosto. Eu moro no Arco do Desmatamento, não moro num lugar fácil para um biólogo”, diz o pesquisador Everton Miranda, que hoje reside no norte de Mato Grosso. “As pessoas me perguntam como é que eu continuo tendo esperança. O que me recarrega a esperança é quando aparecem fotos de ovos [de harpia] nos ninhos nas armadilhas fotográficas. Eu sempre fico muito feliz. Eu acho que tem uma chance de ir adiante”.

Com a perda de habitat e a o agravamento das mudanças climáticas, a harpia tem tido a sua distribuição constantemente reduzida. “No cenário atual de mudanças climáticas, a tendência é de que essas populações ao longo do Arco do Desmatamento venham a desaparecer”, alerta Everton.

A proximidade com comunidades humanas também faz da harpia uma vítima da caça, de perseguições e de choques nas linhas de transmissão com mortes já registradas.

“As pessoas matam esses bichos aqui no Arco do Desmatamento sobretudo por curiosidade, como eles dizem: ‘para ver com as mãos’”, conta Everton. “Esse tipo de abate representa uma taxa de 2.6 indivíduos mortos a cada 100 km² por ano aqui no sul da Amazônia. Oras, se a gente está falando de uma espécie que conta apenas com 9.7 indivíduos a cada 100 km², essa é uma taxa de mortalidade extremamente alta.”

Ao entrevistar proprietários de terra numa área de 3 mil km² dentro do chamado Arco do Desmatamento, no norte de Mato Grosso, Everton concluiu que 80% dos 181 abates de harpias na região ocorreram por curiosidade. Apenas 20% das aves foram mortas como retaliação por predarem animais de criação, como galinhas, cabras, porcos ou ovelhas.

Everton é também autor de um estudo que monitorou 16 ninhos ativos de harpia numa área de 429 mil km² no norte de Mato Grosso. Três harpias jovens morreram de fome em paisagens que perderam de 50 a 70% da floresta, mostrando que as extinções de predadores de topo ocorrem, em grande parte, pela ausência de presas. O estudo concluiu que, no Arco do Desmatamento, é necessária uma cobertura florestal de pelo menos 50% para possibilitar a sobrevivência das aves. Um  terço da região não tem condições para dar suporte à reprodução da espécie.

harpia fazendo ninho

Casal de harpias na Floresta Nacional de Carajás, no Pará
(Foto: João Marcos Rosa/Projeto Harpia)

Desde 2017, o biólogo vem contando com o ecoturismo como estratégia de conservação da harpia e da floresta por meio da colaboração com uma empresa de turismo que instala torres de observação perto dos ninhos das águias. Ter a harpia como espécie-bandeira para a conservação da floresta tem sido uma estratégia para mudar a mentalidade e trazer fonte de renda adicional aos moradores.

Os ninhos da região passaram a ser mapeados com a ajuda dos moradores locais, mediante oferta de dinheiro por ninho localizado. As propriedades com ninhos de harpia recebem torres de observação.

“A gente oferece ao dono da terra um contrato em que ele recebe 20 dólares por turista por dia de visita na propriedade dele. Ele não conta com nenhum tipo de custo”, explica Everton. “Por outro lado, ele tem que cumprir com uma série de obrigações relacionadas à conservação daquela propriedade.”

Além dos proprietários de terra receberem uma renda, a população local também é beneficiada por meio da prestação de serviços como a construção das torres, a limpeza de trilhas e alimentação para turistas e funcionários, entre outros.

“O que encanta mais o proprietário rural não é o dinheiro. Quando ele vê uma pessoa que cruzou o mundo, deu a volta na face da Terra para ver uma coisa que ele tem no quintal dele, aí é que acontece a mudança no coração, porque é como se ele tivesse a Torre Eiffel no quintal dele”, diz o biólogo. “Ele passa a dar muita importância e esse senso de orgulho que o proprietário passa a ter em relação à floresta é muito importante.”

harpia e filhote

Harpia com seu filhote em área de floresta no município de Rolim de Moura, em Rondônia
(Foto: Carlos Tuyama/Projeto Harpia)

Fotografia como aliada

“É como uma rede de metrô. Ela vai numa linha e volta, vai em outra linha e volta”, conta Tânia sobre o itinerário da harpia pelos céus de Rondônia. “Tem harpia vivendo em tirinhas de mata ao longo de um rio, em fragmentos bem pequenos, de um hectare às vezes. Então, ela tem que se deslocar muitas vezes sobre as pastagens para chegar numa outra matinha. Quanto mais fragmentada a mata, mais a espécie se expõe ao risco  — tanto do tiro, quanto do choque com rede elétrica”.

Rondônia é um dos estados mais desafiadores para a sobrevivência da harpia na Amazônia. “A harpia desaparece numa proporção até maior do que a taxa de desmatamento. Alguns ninhos que a gente vai acompanhando há 10 ou 12 anos vão desaparecendo da região”, diz Carlos Tuyama, coordenador do Projeto Harpia em Rondônia. “A região em que eu vivo [o município de Rolim de Moura] tem hoje 10% da cobertura florestal. O resto foi transformado em pastagem, em áreas de agricultura. E, logicamente, toda a fauna que existia nessa região foi afetada”.

A expansão da ocupação e a consequente supressão da floresta, que ocorreu a partir da década de 1980 na região, se repete em outras cidades amazônicas, como Paragominas e Altamira, ambas no Pará. Com a fragmentação da mata, muitas vezes a ave fica restrita às áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. “A gente já viu em Reservas Legais ninhos de harpias em castanheiras que foram pro chão”, diz Tânia.

Desde 2015 o empresário e fotógrafo Carlos Tuyama trabalha como voluntário do Projeto Harpia e encontrou na fotografia uma ferramenta para coleta de dados científicos e educação ambiental.

Harpia em voo em trecho de Floresta Amazônica em Rondônia
(Foto: Carlos Tuyama/Projeto Harpia)

“A fotografia e o vídeo obtidos por camera traps [armadilhas fotográficas] têm uma importância enorme porque você obtém informações e conhecimentos que, se você estiver lá o dia todo presente, você provavelmente não vai conseguir”, conta Carlos. “Como divulgação, é muito importante também para você criar uma empatia das pessoas. Nem todo mundo conhece um bicho desses e é importante ter um material para trabalhar com educação ambiental, principalmente nas comunidades próximas a esses ninhos.”

Salvar os ninhos é um dos principais objetivos dos pesquisadores que protegem a espécie. “Deveria ser uma lei, na hora preliminar de levantamento num plano de manejo, assinalar quais árvores têm ninhos”, diz Tânia Sanaiotti, ao mencionar as concessões florestais feitas pelo Serviço Florestal Brasileiro. “Quem está autorizando o corte tem ferramentas na mão que podem minimizar o impacto sobre essa espécie. Esse é um desafio para 2023.”

*Texto publicado originalmente em 19/12/22 no site do Mongabay Brasil

Leia também:
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Foto de abertura: João Marcos Rosa/Projeto Harpia

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Espécies endêmicas na fauna marinha de Alagoas serão objetos de estudos nos Estados Unidos

 https://www.defesaemfoco.com.br/especies-endemicas-na-fauna-marinha-de-alagoas-serao-objetos-de-estudos-nos-estados-unidos/

Espécies endêmicas na fauna marinha de Alagoas serão objetos de estudos nos Estados Unidos

A identificação de novas espécies é resultado das ações do Grupo de Comunidades Bentônicas, coordenado pela professora Mônica Dorigo

Por

Redação Defesa em Foco

 -

19 de dezembro de 2022 08:12

Recifes no litoral norte de Maceió

Alagoas é conhecida no Brasil pelas belezas naturais, mas poucos sabem que depois do Sul da Bahia, é o estado que concentra a maior quantidade de recifes por área em seus 230 quilômetros de litoral. Para a ciência, sob o aspecto da biodiversidade, Alagoas é um oásis em ecossistemas recifais.

Professores Mônica Dorigo e Hilda Helena em um dos mergulhos realizado em julho deste ano, após o 12 Simpósio Internacional de Recifes de Corais realizado em Cairns, Austrália. O local deste recife da foto é a ilha Heron que sedia uma estação de pesquisa




Pesquisas em desenvolvimento pelo Grupo de Comunidades Bentônicas da Universidade Federal de Alagoas, sob a coordenação da professora Monica Dorigo, identificaram organismos da fauna de invertebrados consideradasatualmente endêmicas das áreas recifais brasileiras, tendo sido publicadas algumas novas espécies com a localidade-tipo no litoral de Alagoas. Entre elas, a esponja Mycale alagoana e os briozoários Vasigynella ovicellata, Beania correiae, Bugula alba, Bugula bowiei e Bugula gnoma. Briozoários são pequenos animais invertebrados que formam colônias em pedras e sedimentos no mar. Essas pesquisas são realizadas em cooperação com os pesquisadores do Museu Nacional da UFRJ e o CEBIMAR da Universidade de São Paulo.




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A identificação dos organismos da fauna de invertebrados considerados endêmicos do Brasil é um dos resultados da pesquisa A Importância da Taxonomia em Estudos de Biodiversidade e vai ser comparado com o material do Caribe e Sul da Flórida através das análises morfológicas e moleculares, duranteum ano do pós-doutorado de  Monica Dorigo Correia, a partir de janeiro de 2013, nos Estados Unidos. “Este ano de estudos comprovará se as espécies identificadas são endêmicas ou não”, enfatiza a coordenadora da pesquisa.

Ela destaca que mesmo depois de duas décadas de estudos apenas 50% fauna dos invertebrados nos ecossistemas recifais estão identificados pelos pesquisadores, o que comprova o quanto é vasta a biodiversidade marinha em Alagoas. “Entre os principais grupos de invertebrados nos recifes estão as esponjas, corais, moluscos, poliquetas, crustáceos, briozoários, equinodermas e ascidias”, frisa Monica Dorigo que integra o corpo docente do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS).

Degradação ambiental

Mônica acrescenta que o estudo científico realizado pelo Grupo de Comunidades Bentônicas tendo como foco a fauna marinha alagoana faz a identificação e classificação dos organismos da fauna de invertebrados bentônicos e se desenvolve em todo o litoral do Estado, mas com maior concentração nos ecossistemas recifais. Isto porque, aproximadamente, 90 por cento da fauna dos manguezais dos nossos ambientes costeiros já estão identificados pelos pesquisadores.

“A fauna dos invertebrados existentes nos ecossistemas recifais têm representantes de todos os grupos marinhos porque a vida começou no mar, a diversidade é enorme e fazem parte da base da cadeia alimentar marinha. Por isso e é fundamental haver o equilíbrio natural e a preservação das espécies, mas lamentavelmente há uma degradação nesses ambientes”, destaca Monica.

Como exemplo de degradação ambiental ela cita as piscinas naturais, como os ambientes costeiros da Pajuçara, Maragogi e Praia do Francês, pontos turísticos bastante visitados. “As piscinas naturais sofrem com os lançamentos de âncoras de lanchas particulares e de turismo sem nenhum controle, como também a produção do lixo. Essa situação se configura como crime ambiental, conforme a Lei 9.605 de 12 de fevereiro de 1998, (conhecida como Lei da Vida) que trata de Crimes Ambientais”, enfatiza a pesquisadora.

Mônica reforça que os crimes ambientais nos ambientes costeiros de Alagoas são também provocados pela pesca predatória, navegação e ancoragem incorreta, turismo inadequado, dejetos da atividade de carcinicultura (cultura de crustáceos), destruição de manguezais e restingas, lançamentos de esgotos e principalmente falta de consciência ambiental.

Bastante atuante e considerada uma das referências local, nacional e internacional em pesquisas da fauna marinha, Mônica Dorigo é a representante titular da Ufal no Conselho Consultivo da maior Área de Proteção Ambiental (APA) costeira marinha do Brasil, a Costa dos Corais.   Essa APA vai do Rio Meirim, localizado no Povoado de Pescaria, litoral norte de Alagoas, à Tamandaré, no vizinho Estado de Pernambuco. “A APA abrange nove municípios alagoanos e foi criada para preservação dos ecossistemas recifais e redução dos impactos já existentes, além da promoção de ações voltadas principalmente ao setor público e as pessoas que têm como meio de subsistência a pesca”.

Espaço de aprendizado

O Grupo Comunidades Bentônicas é registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq e criado em 1990. Desde então, vem realizando suas atividades no Setor de Comunidades Bentônicas, nos Laboratórios Integrados de Ciências do Mar e Naturais (LABMAR), órgão ligado ao Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS), da Universidade Federal de Alagoas.

Os estudos científicos envolvem alunos do curso de Biologia (bacharelado e licenciatura) e do mestrado em Diversidade Biológica e Ensino em Ciências. As pesquisas realizadas em Alagoas têm alcançado outros centros de referência nessa área, tanto nacional como internacional com a pós-graduação de pesquisadores. Os estudos vêm também proporcionando o intercâmbio entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

As ações do grupo têm resultados em vários trabalhos científicos. Um deles é o livro “Ecossistemas Costeiros de Alagoas”, lançado em 2009 de autoria de Mônica Dorigo e da pesquisadora Hilda Helena Sovierzoski. “O livro fornece uma visão detalhada com inúmeras informações sobre os ecossistemas costeiros existentes ao longo do Estado de Alagoas e proporciona ao leitor uma opção para conhecer como também preservar as maravilhas que a natureza nos reservou”, afirmou a pesquisadora.

Mais informações no site

 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Nascimento de oito filhotes de lobos após um século é esperança para retorno da espécie levada à extinção na Califórnia

 

Nascimento de oito filhotes de lobos após um século é esperança para retorno da espécie levada à extinção na Califórnia

Nascimento de oito filhotes de lobos após um século é esperança para retorno da espécie levada à extinção na Califórnia

Assim como em outros estados americanos, os lobos-cinzas (Canis lupus) foram dizimados na Califórnia e a espécie foi levada à extinção há um século. Visto como ameaça em áreas rurais, em muitos lugares, sua caça foi, inclusive, incentivada por órgãos governamentais. Na década de 70, entretanto, leis federais e estaduais foram implementadas para garantir a proteção dos poucos indivíduos que restaram e nos últimos anos houve uma grande campanha de conscientização para mostrar que é possível uma co-existência harmônica entre esses animais e os seres humanos e ressaltar a importância deles para seus ecossistemas.

E a notícia do nascimento de oito filhotes numa alcateia na Califórnia traz nova esperança para a volta desses canídeos à vida selvagem. A celebração se deve também porque é atípico nascer esse número grande de filhotes e isso é um indicativo da boa saúde de todos e do ambiente onde vivem. Lobas podem dar à luz a entre duas e dez crias, mas em geral, o mais comum é cinco ou seis.

Os filhotes foram registrados por armadilhas fotográficas durante a primavera na região de Siskiyou, ao norte do estado, mas só agora o Departamento de Pesca e Vida Selvagem divulgou as imagens.

Os novos filhotinhos fazem parte da alcateia batizada de Whaleback, documentada pela primeira vez em 2020, e que no ano passado já tinha se reproduzido. Há outros grupos na Califórnia, mas este é o que apresenta o maior número de indivíduos.

Nunca houve um processo de reintrodução do lobo-cinza na Califórnia. Os animais observados atualmente por lá são originários do Parque Nacional de Yellowstone, que depois seguiram para o Oregon e então, acabaram rumando para as florestas californianas, onde encontraram um ambiente seguro para viver, com fartura de alimentos (veados e outras presas).

Segundo o International Wolf Center, existem duas espécies de lobos amplamente reconhecidas no mundo, o vermelho e o cinza. No entanto, cientistas suspeitam sobre a existência de outras possíveis subespécies do lobo cinzento. Há também um canídeo pouco conhecido, que vive nas terras altas da Etiópia, chamado Canis simensis, que se acredita ser um parente muito próximo do lobo.

Os lobos são os maiores membros da família canídeos, a mesma a que percentem os cães de estimação. Há muitas décadas, os lobos eram os mamíferos terrestres selvagens mais amplamente distribuídos no Hemisfério Norte.

Infelizmente, em muitos estados americanos a caça ao lobo ainda é permitida, mas para o chamado “controle da população”, todavia, por várias vezes já, mais animais do que o permitido foram mortos.

No vídeo abaixo, flagrante dos filhotes de outra alcateia, a Lassen, em 2020, e divulgado pelo Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia:

*Com informações da reportagem do jornal The Guardian