terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Brasil se torna referência em programas de reprodução de animais

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Bichos  

Brasil se torna referência em programas de reprodução de animais

*Por Welyton Manoel

Por muito tempo, acreditou-se que fauna, flora e recursos hídricos fossem infinitos. Este pensamento fez com que o homem explorasse a natureza sem oferecer nada em troca. Pior que isso. O desmatamento, a poluição e a caça foram fatores que contribuíram para que nosso país perdesse grande parte de sua riqueza natural.

Mas, felizmente, ainda existem pessoas tentando consertar todo esse estrago. No Brasil, os exemplos vêm de três locais que tem a vida animal como atração principal: o Zooparque Itatiba, em São Paulo, e o Refúgio Biológico Bela Vista e o Parque das Aves, ambos em Foz do Iguaçu (PR), que desenvolvem programas de reprodução com espécies ameaçadas de extinção. O trabalho árduo já rendeu algumas conquistas.

Parque das Aves – Beleza e vida

Embora seja vizinho das Cataratas do Iguaçu, o Parque das Aves não fica muito atrás no quesito beleza e visitação, com suas 1.300 aves de 143 espécies. Mas o que ainda é desconhecido pelos quase 800 mil turistas que visitam o local todos os anos, é que cerca de 43% das aves que estão lá são advindas do programa de reprodução desenvolvido pelo parque.

O médico-veterinário Mathias Dislich, chefe do departamento de pesquisa, conta como tudo começou.
“O parque, desde a sua fundação, tem trabalhado com algumas espécies ameaçadas, e ao longo dos anos, a gente buscou a reprodução das mesmas. Mais recentemente, nos últimos quatro ou cinco anos, iniciamos uma segunda fase, que foi participar dos programas de cativeiro coordenados pelo ICMBio e pelo IBAMA. É o caso, por exemplo, do mutum-de-alagoas e do cardeal amarelo.”

Mathias Dislich alimentando um urutau, pássaro raro e ameaçado de extinção

O veterinário conta ainda que as evoluções do programa ao longo dos anos o credenciou para fazer a reprodução de mais espécies. A relação com o ICMBio se tornou mútua – um buscava o outro para garantir a sobrevivência das aves. Dislich comenta com orgulho um dos principais resultados obtidos. “Um dos melhores casos foi com o mutum-de-alagoas, que em um ano, conseguimos mais de 20 filhotes. E inclusive, aprimorarmos algumas técnicas de reprodução e protocolos.”

reprodução de araras

Proteção da vida no Parque das Aves

Refúgio Biológico Bela Vista – A proteção do oeste paranaense

A energia que impulsiona o Refúgio Biológico Bela Vista é a mesma gerada pela sua mantenedora: a Itaipu Binacional. Há 32 anos, o local foi criado em Foz do Iguaçu (PR) com o objetivo de resgatar e proteger a fauna e a flora da região. Com o tempo, ele também se tornou mais um ponto de visitação na fronteira. São trilhas em meio à natureza e animais em recintos confortáveis, que proporcionam uma experiência única para os visitantes.

Mas saindo do percurso turístico, encontramos a unidade de proteção ambiental, que também desenvolve diversos programas para a conservação da biodiversidade. A equipe composta por mais de 30 pessoas tem à disposição uma grande estrutura que conta com laboratórios médicos e de pesquisa, farmácia, incubadoras, cozinha e recintos específicos para espécies no programa de reprodução. Das quase 50, cerca de oito estão nele.

Quem conta a história do programa é Marcos José de Oliveira, biólogo do Refúgio. “Temos este grande objetivo que é a conservação de espécies ameaçadas da região. Trabalhamos com a fauna regional, e depois ampliamos mais as atividades, como por exemplo a instalação do hospital veterinário aqui do refúgio, que atende os animais feridos da região, que os órgãos encaminham para cá. Fazemos a reabilitação de algumas espécies e mantemos no zoológico a exposição de animais e algumas espécies são reproduzidas.”

O biólogo também comemora os resultados do trabalho, principalmente, com as harpias. O local foi um dos pioneiros na América Latina a conseguir a reprodução em cativeiro da espécie, ameaçada de extinção. Já nasceram 26 filhotes desde 2009.

A bem sucedida reprodução de harpias

“Já faz dois anos que a alcançamos um número de mais de mil animais reproduzidos em cativeiro. E das espécies trabalhadas, sempre foram destaques as espécies mais ameaçadas da região. Inicialmente, trabalhávamos com os felinos, em parceria com outros órgãos de estudos”, revela Oliveira. “Utimamente, temos focado bastante na reprodução no projeto das águias harpias e das onças-pintadas.”

Zooparque Itatiba – Um zoológico diferente 

Na década de 90, surgiu no interior de São Paulo um zoológico com uma proposta inovadora. A ideia do Zooparque Itatiba era reproduzir da forma mais real possível o habitat natural de diversas espécies de animais.

Os anos passaram, mas os ideais permaneceram. Tanto que o local também passou a realizar programas de reprodução com espécies ameaçadas de extinção. E o reconhecimento foi tão grande que um zoológico da Áustria enviou um casal de girafas em risco de extinção para o Zooparque. O objetivo era nobre: resgatar a espécie.

O veterinário responsável, Alexandre Resende, dá mais detalhes desse trabalho: “O Zooparque faz parte de vários programas de conservação de espécies ameaçadas de extinção. Tanto espécies de animais silvestre nativos, como exóticos. No caso das girafas vindas da Áustria, o intuito deles é repassar para entidades que eles confiam, para que consigamos reproduzir também e manter esse backup genético. Aqui no Brasil, ela vai ter um conforto térmico muito melhor do que ela tinha na Áustria. Embora tenha nascido em cativeiro e já tivesse acostumada com o clima de lá, onde há uma variação térmica e uma amplitude muito maior. Na África, o animal pega temperaturas muito mais altas e muito mais baixas também. Então, quanto ao clima, aqui é excelente para a girafa.”

Alexandre Resende, alimentando uma das girafas, da espécie Rothschild,
também conhecida como girafa do norte

Além das girafas, o zoo também atua na reprodução de outros animais. Cerca de 70% das 320 espécies, fazem parte do programa. Lêmure-catta, lemurê branco e preto e pato-mergulhão são exemplos de sucesso do projeto. Segundo Resende, o objetivo é estabelecer uma população de segurança para esses animais, e então, soltá-los na natureza.

O pato-mergulhão está na lista das dez aves aquáticas mais ameaçadas de extinção no mundo

“Tem várias espécies que reproduzimos em cativeiro para dominar a técnica e usar em algumas outras espécies que estão ameaçadas de extinção. No caso do pato-mergulhão, fomos indicados porque já trabalhamos há um bom tempo com espécies aquáticas de reprodução, espécies raras. Hoje temos um trabalho de coletar ovos deste pato na natureza, trazendo para o zoológico, sob a orientação do Instituto Chico Mendes, que cuida das espécies ameaçadas de extinção. E acabamos de incubar e criar os filhotes. Hoje possuimos cinco casais, dez animais.”

Satisfação

Três locais, três equipes, três projetos e um só objetivo: tentar devolver para a natureza a vida que ela nos dá. Satisfação, orgulho, responsabilidade, proteção e respeito são palavras que eles utilizam, mas que talvez não definam totalmente a dimensão e a importância do trabalho que fazem.

Mas para quem vê de fora, uma define: gratidão!

*Texto publicado originalmente em 21/06/2017 no site da Web Radio Água (*com a supervisão dos jornalistas Vacy Álvaro e Poliana Côrrea)

Fotos: divulgação

Mutum-de-alagoas será reintroduzido na natureza depois de extinto há mais de 40 anos

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Bichos  

Mutum-de-alagoas será reintroduzido na natureza depois de extinto há mais de 40 anos

Depois de 30 anos extinto, mutum-de-alagoas é reintroduzido na natureza

mutum-de-alagoas (Pauxi mitu) é a ave de maior porte encontrada em toda a Mata Atlântica da região Nordeste. Ele mede entre 80 e 90 centímetros de comprimento e tem uma plumagem em tons de preto e azul.

Conhecido como o grande pássaro negro, significado do nome da espécie na mistura entre o espanhol e o tupi-guarani, originalmente ele podia ser encontrado ao longo dos estados de Pernambuco e Alagoas.

Os primeiros registros da observação do mutum-de-alagoas, também chamado de mutum-do-nordeste, são do século XVII, feitos pelo naturalista alemão George Marcgrave, um dos membros da comitiva holandesa de Maurício de Nassau.

Assim como outros animais, o desmatamento (no caso do mutum, para o plantio da cana-de-açúcar na região) e a caça ilegal fizeram com que ele desaparecesse. Além disso, a carne do Pauxi mitu também é saborosa, o que contribuiu ainda mais para sua extinção.

Os últimos registros de indivíduos observados livres na natureza foram feitos nos anos de 1978, 1984 e 1987. Desde então, sobraram pouquíssimas aves no Brasil, e apenas, em cativeiros.

Mas ao longo das últimas décadas, diversas organizações realizaram um belíssimo trabalho de reprodução e assim, aumentar o número dessa população de mutuns – atualmente, existem cerca de 80 aves da espécie em cativeiro no Brasil -,  e poder, finalmente, reintroduzí-los na vida selvagem.

E é exatamente isso que acontecerá nos próximos dias, quando três casais de mutum-de-alagoas, vindos de um criadouro em Minas Gerais, serão soltos na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Mata do Cedro, no município de Rio Largo, próximo à cidade de Maceió.  

Mutum-de-alagoas será reintroduzido na natureza depois de extinto há mais de 40 anos

Caixas em que os mutuns-de-alagoas foram transportados

Na última sexta-feira (13/09), os seis mutuns deixaram a Crax Brasil*, em Belo Horizonte, e foram transportados, por avião, para Alagoas. Durante doze dias, eles ficarão em um viveiro feito na mata, em uma fase de aclimatação, para só depois, serem liberados na reserva, que tem aproximadamente 1 mil hectares.

“Depois da soltura, as aves serão monitoradas, permanentemente, por um rádio transmissor, instalado nelas. Haverá pessoas se revezando no trabalho até que tenhamos as principais informações sobre a biologia da espécie e, também, para evitar a caça e ou captura”, revela Roberto Azeredo, da Crax Brasil.

De volta a seu habitat original

O mutum-de-alagoas, a exemplo de outras espécies, tem uma função importante no equilíbrio de seu ecossistema. “Ele é um grande dispersor de sementes na mata. Come frutas e espalha na floresta as sementes através das fezes. Com isso, não só está protegendo espécies da flora, como também, garantindo alimento para as suas gerações atuais e futuras e de outras animais que também utilizam nas suas dietas as mesmas frutas”, explica o criador.

Paralelamente à soltura em Alagoas, o trabalho de reprodução em criadouros continua. “Nosso objetivo é formar um banco genético viável  em cativeiro para produzir aves em condições de serem soltas em reservas legalmente estabelecidas na sua área de ocorrência (estado de Alagoas). A ideia é soltar o maior número possível de mutuns até que tenhamos a segurança de realmente ter salvo a espécie da extinção”, ressalta Azeredo.

Depois de 30 anos extinto, mutum-de-alagoas é reintroduzido na natureza

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Em 2017, nós noticiamos aqui, no Conexão Planeta, o que teria sido a reintrodução do mutuam-de-alagoas na natureza. Segundo Roberto Azeredo, o que aconteceu, na época, foi a transferência de um casal da espécie para um viveiro dentro do Centro de Educação ambiental Pedro Nardelli, em Maceió.

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*A Crax-Brasil é uma organização não-governamental, que tem como foco a reprodução e conservação em cativeiro de espécies de aves ameaçadas.

Fotos: divulgação

Cerca de 48 espécies de mamíferos e aves são salvas da extinção graças a esforços de conservação, entre elas, algumas brasileiras

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Cerca de 48 espécies de mamíferos e aves são salvas da extinção graças a esforços de conservação, entre elas, algumas brasileiras

 

Cerca de 48 espécies de mamíferos e aves são salvas da extinção graças a esforços de conservação, entre elas, algumas brasileiras

Nem tudo é má notícia. É preciso darmos espaço também para aquilo que vem sendo bem feito e dado resultado. Um exemplo é a determinação e o trabalho de profissionais da área de conservação do mundo inteiro. Um levantamento feito por uma equipe de pesquisadores internacionais, liderada por cientistas da Universidade de Newcastle e da BirdLife International, no Reino Unido, revelou que até 48 espécies de mamíferos e aves foram salvas da extinção desde 1993.

Em um artigo científico publicado no jornal Conservation Lettersos pesquisadores afirmam que se nada tivesse feito, as taxas de extinção dessas espécies teriam sido de três a quatro vezes mais altas. Os pesquisadores estimaram que 21 a 32 extinções de espécies de ave e 7 a 16 de mamíferos foram evitadas nos últimos 27 anos.

“É animador que algumas das espécies que estudamos tenham se recuperado muito bem. Nossas análises, portanto, fornecem uma mensagem surpreendentemente positiva de que a conservação reduziu substancialmente as taxas de extinção de pássaros e mamíferos. Embora extinções também tenham ocorrido no mesmo período de tempo, nosso trabalho mostra que é possível prevení-las”, ressalta Rike Bolam, principal autor do estudo.

Entre as espécies citadas pelos cientistas, que deixaram de ser extintas, estão o lince-ibérico (Lynx pardinus)-, o condor da Califórnia, o porco-pigmeu da Índia, o cavalo-de-przewalski da Mongólia (Equus ferus), o papagaio amazônico de Porto Rico (Amazona vittata) e as brasileiras choquinha-de-alagoas (Myrmotherula snowi), a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) e o mutum-de-alagoas (Pauxi mitu), que aparece na foto que abre este post.

As 32 espécies de aves cuja extinção foi evitada entre 1993 e 2020 vivem em 25 países, incluindo seis na Nova Zelândia, cinco no Brasil e três no México.

Um filhote de lince-ibérico

Para chegar às suas conclusões, a equipe analisou dados sobre o tamanho da população, tendências, ameaças e ações tomadas para proteger algumas aves e mamíferos mais ameaçados do planeta, que fazem parte da Lista Vermelha, da União Internacional para a Conservação da Natureza. Os especialistas então estimaram a probabilidade de que cada espécie tivesse sido extinta em um cenário hipotético em que nenhuma ação teria sido tomada.

Exemplos bem-sucedidos

O estudo destaca quais são as ações que foram colocadas em prática e acabaram tendo bons resultados. Vinte e uma espécies de aves se beneficiaram do controle de espécies invasoras, 20 da conservação em zoológicos e refúgios de vida silvestre e 19 da proteção de seu habitat. Quatorze espécies de mamíferos foram beneficiadas pela legislação e nove pela reintrodução e conservação de espécies em zoológicos e refúgios.

O exemplo do papagaio de Porto Rico é emblemático. No passado abundante naquele país, a pequena ave chegou a ter apenas 13 indivíduos na vida selvagem em 1975. Em 2006, começou-se então a fazer a reintrodução da espécie no Parque Estadual Rio Abajo. Há três anos, um furacão devastou a ilha e matou os papagaios soltos na natureza, mas os reintroduzidos no parque sobreviveram. Graças a esse projeto, o Amazona vittata não foi extinto.

Algo semelhante aconteceu com o cavalo selvagem da Mongólia. Declarado extinto na década de 60, nos anos 90 foi realizada a reintrodução do Equus ferus e em 1996 nascia o primeiro filhote na natureza. Hoje já são 760 indivíduos.

“Costumamos ouvir más histórias sobre a crise da biodiversidade e não há dúvida de que estamos enfrentando uma perda sem precedentes por meio da atividade humana – mas a perda de espécies inteiras pode ser interrompida se houver vontade suficiente para fazê-lo. Este é um apelo à ação”, Phil McGowan, outro especialista envolvido na pesquisa.

Cerca de 48 espécies de mamíferos e aves são salvas da extinção graças a esforços de conservação, entre elas, algumas brasileiras

O papagaio que vive na ilha de Porto Rico

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Fotos: divulgação Crax-Brasil (abertura), Frida Bredesen on unsplash (lince) e ©Tom Mackenzie / USFWS (papagaio)

Em duas décadas, mais de 200 jacutingas são reintroduzidas na natureza, graças a cooperação de criadores particulares

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Em duas décadas, mais de 200 jacutingas são reintroduzidas na natureza, graças a cooperação de criadores particulares

Em duas décadas, mais de 200 jacutingas foram reintroduzidas na natureza, graças a cooperação de criadores particulares

Em 2000, três criadouros de aves, CRAX – Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre (Minas Gerais), Guaratuba (Paraná) e Tropicus (Rio de Janeiro), assinaram um acordo de cooperação técnica para trabalhem em conjunto para reintroduzir as jacutingas (Aburria jacutinga) em áreas da Mata Atlântica, onde a espécie foi praticamente extinta no passado.

Com cerca de 70 cm de altura, a jacutinga possui penas predominantemente negras em tons arroxeados pelo corpo, um bico azulado e um papo vermelho e azul. Quando em estado de alerta, ergue uma crista branca. Classificada como “em perigo” pela Lista de Espécies Brasileiras Ameaçadas de Extinção, a espécie é uma das principais aves dispersoras das sementes do palmito-juçara, também em risco de desaparecer de nossas matas.

Todavia, graças ao trabalho árduo dos profissionais desses três criadores nos últimos 22 anos, a reintrodução da jacutinga na natureza se tornou uma história de sucesso dos esforços de conservação em nosso país.

Desde a primeira soltura de indivíduos, em 2003, na Fazenda Macedônia, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) situada no município de Ipaba, em Minas Gerais, 220 jacutingas já foram soltas na vida selvagem, sempre em áreas protegidas.

Além de Minas, as aves foram reintroduzidas ainda em reservas nos estados do Rio de Janeiro e do Paraná. Neste último, recentemente 30 delas, todas nascidas em cativeiro, foram levadas para o Parque Ecológico Klabin, em Telêmaco Borba, a pouco mais de 230 km de Curitiba. 

Elas se somam a outras dez jacutingas que chegaram ali em abril deste ano. Há anos a espécie não era avistada em vida livre naquela região. Na área de quase 10 mil hectares, dos quais 91,6% são compostos por floresta nativa, já vivem outros 180 animais de 50 espécies diferentes – 13 delas ameaçadas de extinção no estado (leia mais aqui).

Ao atingir esse marco, os criadores envolvidos no projeto comemoram as conquistas das últimas duas décadas. “A jacutinga é uma ave símbolo de resistência que ainda habita a Mata Atlântica e muito ajuda a natureza”, ressaltam.

Entre esses criadores, está o mineiro Roberto Azeredo, que há 40 anos se dedica à reprodução em cativeiro de diversas espécies de aves do Brasil (contamos sua história nesta outra reportagem).

Em duas décadas, mais de 200 jacutingas foram reintroduzidas na natureza, graças a cooperação de criadores particulares

Após o nascimento, os filhotes permanecem com os pais entre oito a dez meses. Após esse tempo são “expulsos” da convivência familiar para que se inicie um novo período reprodutivo
(Foto: Edgar Fernandez)

Infelizmente, ainda há muito trabalho a ser feito. Não basta apenas a reintrodução da espécie. Após essa fase as aves continuam a monitoradas.

O desmatamento na Mata Atlântica, a degradação e a perda de habitat no bioma, além da caça ilegal, são ameaças constantes a esses belíssimos animais. Mesmo em reservas protegidas por lei, eles são alvo de criminosos.

Mas apesar disso, a luta segue em frente. E nos brinda com excelentes resultados. Fruto deles são os nascimentos 55 filhotes oriundos das aves que foram soltas ao longo dos últimos anos.

“O objetivo da equipe é ampliar a criação do que chamamos de “ilhas de bancos genéticos” da espécie, em todo área de ocorrência original da jacutinga”, revela Azeredo.

Em duas décadas, mais de 200 jacutingas foram reintroduzidas na natureza, graças a cooperação de criadores particulares

A espécie não costuma fazer voos longos. Permanece a maior parte do tempo na copa das árvores. Quando vai ao chão, é sempre por pouco tempo
(Foto: Edgar Fernandez)

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Foto de abertura: Edgar Fernandez