terça-feira, 16 de maio de 2023

Mapeamento inédito é realizado em manguezais da Grande Reserva da Mata Atlântica

 https://conexaoplaneta.com.br/blog/mapeamento-inedito-e-realizado-em-manguezais-da-grande-reserva-da-mata-atlantica/#fechar




Mapeamento inédito é realizado em manguezais da Grande Reserva da Mata Atlântica

Pela primeira vez, pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento se reúnem para entender como está a saúde dos manguezais na linha de costa, na área conhecida como Grande Reserva Mata Atlântica. O monitoramento envolve trabalho de campo, nos bosques de mangue, e um mapeamento aéreo feito por drones equipados com câmeras altamente tecnológicas e imagens de satélite. Os indicadores apontam as áreas mais conservadas e as mais impactadas pela presença humana e pela poluição.

A parceria envolve cientistas do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (REBIMAR)* e pesquisadores do Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais da Universidade Federal do Paraná (LAGEAMB/UFPR).

O resultado são novos mapas, mais precisos, e que indicam também o vigor da vegetação, com uma precisão inédita da região que vai do nordeste de Santa Catarina, passando pelo Paraná, até o sul de São Paulo.

“É um produto inovador. Todos os mapeamentos que foram feitos até então usavam uma escala média, mais generalizada. Desta vez, estamos fazendo um mapeamento bem mais refinado dos manguezais”, explica Otacílio Paz, geógrafo do LAGEAMB. “O tempero adicional é aplicar os índices de qualidade dessa vegetação, para saber como está a saúde desse manguezal e comparar por setores em cada região da Grande Reserva Mata Atlântica”, completa o pesquisador.

A geógrafa Laura Beatriz Krama é responsável pelo processamento digital de imagens de satélite e pelo aerolevantamento com drones. “Utilizamos as imagens do satélite CBERS 4A, disponibilizadas gratuitamente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Trabalhando com elas, chegamos numa resolução espacial de 2m. Essas imagens são utilizadas tanto no mapeamento, quanto para obtermos valores referentes aos índices de vegetação dos manguezais”, explica Laura.

Mapeamento inédito é realizado em manguezais da Grande Reserva da Mata Atlântica

Ao todo, foram mapeados 48.861,391 hectares de manguezal, sendo 41% encontrados no Complexo Estuarino de Paranaguá, 31% na região de Cananéia-Iguape, 16% na Baía de Babitonga e 12% na Baía de Guaratuba.

A especialista explica que o drone utilizado no mapeamento possui uma câmera multiespectral acoplada, ou seja, além de alcançar detalhes visíveis aos olhos humanos, como as câmeras convencionais, também é capaz de realizar a leitura do espectro infravermelho próximo da vegetação. “A tecnologia permite maior detalhe e precisão nos locais de monitoramento. Conseguimos ter exatidão de centímetros”, detalha.

Mapeamento inédito é realizado em manguezais da Grande Reserva da Mata Atlântica

Laura Krama realiza aerolevantamento de drone em Guaraqueçaba, Paraná
(Foto: Gabriel Marchi)

As técnicas aplicadas avaliam e caracterizam a cobertura vegetal em uma determinada área de acordo com a sua reflectância, ou seja, como a luz solar é refletida pela vegetação. Assim é possível medir o Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI), que corresponde ao vigor vegetativo, e o Green Leaf Index (GLI) – em tradução livre: Índice Folha Verde – que demonstra o teor de clorofila da vegetação. Os valores variam de -1 (para matéria morta) a 1 (vegetação em saúde ideal).

“Os resultados apontam que os manguezais da Baía de Guaratuba, do Complexo Estuarino de Paranaguá (PR) e da região de Cananéia-Iguape (SP) possuem valores médios de cerca de 0,52. A maior diferença foi apresentada na Baía de Babitonga (SC), que resultou num valor de aproximadamente 0,48, indicando ser a região de manguezal menos saudável da Grande Reserva Mata Atlântica”, avalia Laura.

Um resultado surpreendente surgiu ao separar a área entre setor sul (mais impactado pela presença urbana e portuária) e norte (mais preservado, no município de Guaraqueçaba).  Os índices de vegetação indicaram que manguezais do setor norte apresentaram valores inferiores ao setor sul, contrariando a hipótese inicial de que os manguezais da região de Guaraqueçaba apresentariam maior vigor vegetativo.

Ainda serão feitas análises mais aprofundadas para identificar fatores como o fluxo e tipo de sedimento de cada setor que podem ter influenciado nos resultados.

A oceanógrafa e coordenadora de flora de manguezais no REBIMAR, Sarah Charlier Sarubo, explica que esse mapeamento facilita muito os estudos de flora, da saúde e dos estoques de carbono dos manguezais. “Ele consegue mapear a biomassa aérea, que é toda aquela parte das árvores acima do solo, com troncos e folhas. O trabalho de geoprocessamento serve como uma ferramenta para nós, por apresentar os dados de forma mais visual e permitir uma escolha mais assertiva dos locais para monitoramento”. 

Mas ela lembra que há ainda a biomassa abaixo do solo, que são as raízes e o estoque de carbono dentro do solo do manguezal que é muito grande. Para isso, as equipes de pesquisa do REBIMAR continuam o trabalho em solo, estabelecendo parcelas de monitoramento, identificando e medindo as árvores, registrando imagens da fisionomia do bosque, assim como coletando amostras do sedimento para avaliar a salinidade.

“Com estes dados é possível avaliar a condição de saúde do bosque, além de calcular as estimativas do estoque de carbono contido na biomassa aérea. Nosso próximo objetivo é avaliar o estoque de carbono presente no solo para ter um panorama mais completo da contribuição dos manguezais da Grande Reserva na mitigação das mudanças climáticas”, explica Sarubo.  

Mapeamento inédito é realizado em manguezais da Grande Reserva da Mata Atlântica

A pesquisadora Sarah Sarubo colhe amostras de sedimentos de manguezal
(Foto: Gabriel Marchi)

Para Otacílio Paz, a ideia é dar ferramentas e gerar dados de baixo custo para a tomada de decisão em gestão territorial. “Identificar, por exemplo, áreas que precisam ser recuperadas, monitoradas ou de outra estratégia como educação ambiental para que a comunidade conheça e valorize esses locais. Ao produzirmos esses dados, podemos dar suporte para as melhores decisões por parte dos gestores”, diz ele.

O mapeamento também inclui questões socioeconômicas como vias de acesso como rodovias e ferrovias, divisas estaduais e limites municipais. Recentemente, a equipe fez um trabalho de Cartografia Participativa que incluiu um levantamento de espécies em colaboração com pescadores. “Levamos mapas para cada um deles, em locais estratégicos, e pedimos para os próprios pescadores marcarem onde eles encontram determinadas espécies da fauna aquática, para uma análise de biodiversidade”, acrescenta o geógrafo.

Por que monitorar os manguezais?

A união de esforços do Programa REBIMAR e do LAGEAMB se justifica pela importância desse ecossistema. Os manguezais são como pântanos que ficam na região de transição entre o mar e a costa, espaços sensíveis que abrigam uma vegetação típica com muitas raízes aparentes e subterrâneas.

Esses ambientes úmidos são fundamentais para proteger a costa brasileira frente a eventos climáticos cada vez mais extremos. A vegetação em bom estado impede a erosão e estabiliza a linha de costa, protegendo contra tempestades e o aumento do nível do mar.

 “Comunidades que estão atrás do manguezal se beneficiam dessa proteção. Proteger esses ecossistemas é proteger também as pessoas e as espécies. Vários estudos mostram que, no sudeste asiático, onde aconteceram os tsunamis, as populações protegidas por manguezais preservados sofreram muito menos impactos do que em áreas que já não tinham essa vegetação”, afirma Sarah.

Ela reforça ainda que os manguezais armazenam mais carbono do que qualquer outro tipo de floresta, ou seja, absorvem em grande quantidade o gás responsável pelo aquecimento global e pelo agravamento das mudanças climáticas. “Também é importante lembrar que são filtros potentes de água e de ar, retendo a contaminação gerada por portos e pela urbanização”.

Manguezal na comunidade de São Miguel, Baía de Paranaguá, litoral do Paraná
(Foto: Gabriel Marchi)

*O REBIMAR é uma iniciativa patrocinada pela Petrobras e pelo Governo Federal

Leia também:
Por que proteger os manguezais é proteger a nós mesmos?
Estudo revela potencial gigantesco mas ainda pouco explorado de estoque e sequestro de carbono dos manguezais brasileiros
Berçários da vida marinha e protetores das regiões costeiras, os manguezais precisam da nossa proteção

Foto de abertura: Gabriel Marchi (Parque Nacional de Superagui/Guaraqueçaba)

sábado, 13 de maio de 2023

150 caminhões a hidrogênio prontos para rodar nas estradas europeias

 https://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=caminhoes-hidrogenio-estradas-europa&id=010170230510&ebol=sim#.ZF8exHZBxhE

150 caminhões a hidrogênio prontos para rodar nas estradas europeias

Redação do Site Inovação Tecnológica - 10/05/2023

150 caminhões a hidrogênio prontos para rodar nas estradas europeias
Os maiores fabricantes europeus de caminhões participam do projeto.
[Imagem: H2Accelerate]

Caminhões movidos a hidrogênio

Ao contrário do que aconteceu nos EUA, onde bilhões de dólares gastos em programas governamentais de incentivo à economia do hidrogênio não surtiram efeitos práticos no final da cadeia produtiva, a Europa se prepara para colocar o hidrogênio nas estradas.

O primeiro de um total de 150 caminhões pesados movidos a hidrogênio começará a rodar nas estradas europeias no próximo ano.

Alguns dos maiores fabricantes de caminhões do mundo, incluindo Daimler, Volvo e Iveco, se uniram para apoiar um projeto de pesquisa chamado H2Accelerate Trucks, liderado pelo instituto de pesquisas Sintef, da Noruega.

O projeto envolve colocar para rodar essa primeira frota de caminhões livres de emissões, todos movidos a células de combustível.

Para abastecê-los, um total de oito postos de abastecimento de hidrogênio estão sendo construídos ao longo das rotas onde os primeiros caminhões irão rodar.

"Este projeto nos oferece a oportunidade de coordenar o desenvolvimento da tecnologia de caminhões ultramodernos com a necessária infraestrutura," disse Steffen Moller-Holst, líder do projeto. "Isso nos permitirá ir ao encontro das ambições de mitigação das alterações climáticas de inúmeras empresas europeias que procuram conseguir um transporte das suas mercadorias sem emissões."

150 caminhões a hidrogênio prontos para rodar nas estradas europeias
Os caminhões são elétricos, com o hidrogênio sendo usado para produzir a eletricidade.
[Imagem: Volvo]

Caminhões elétricos a hidrogênio

O projeto H2Accelerate Trucks apostou alto, e foi direto para a tecnologia mais futurista para o uso do hidrogênio nos transportes, ainda que ela não fosse considerada aquela com maior nível de prontidão tecnológica.

O hidrogênio é armazenado em tanques, o que tem-se mostrado tecnicamente problemático, e alimenta células a combustível, que geram eletricidade diretamente, produzindo apenas água como subproduto - não há qualquer emissão de carbono ou outro poluente.

Essa eletricidade é usada para alimentar os motores elétricos do caminhão, o que parece uma opção interessante porque a indústria pode se concentrar na produção do sistema de propulsão dos caminhões elétricos sem se preocupar se a eletricidade será suprida por células a combustível ou por baterias.

Os caminhões a hidrogênio também têm um banco de baterias de reserva, para suprir energia nos momentos de maior demanda, como nas subidas. Quando a demanda dos motores é estável, o excesso de energia gerada pelas células a combustível é usada para recarregar as baterias. Elas também recebem um suprimento do sistema regenerativo do sistema de freios do caminhão.

Até o final do projeto, o objetivo é criar uma plataforma para aumentar a capacidade de produção para milhares de caminhões a hidrogênio por ano.

Os caminhões colocados em operação nesta primeira fase terão capacidade de carga de até 44 toneladas e autonomias entre 600 e 1.000 quilômetros.


Rodrigo Pacheco retira ‘PL do Veneno’ do plenário do Senado e envia para a Comissão de Meio Ambiente








 https://conexaoplaneta.com.br/blog/rodrigo-pacheco-retira-pl-do-veneno-do-plenario-do-senado-e-envia-para-analise-da-comissao-de-meio-ambiente/

Rodrigo Pacheco retira ‘PL do Veneno’ do plenário do Senado e envia para a Comissão de Meio Ambiente

Desde que o Projeto de Lei nº 1.459/ 2022 – também conhecido como PL do Veneno – foi encaminhado em fevereiro do ano passado, diferentes organizações e movimentos têm se manifestado para solicitar ao presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, que ele tire o texto da pauta do plenário.

Uma das mobilizações mais contundentes (realizada contra um pacote de 7 projetos de destruição) – foi o Ato pela Terra, liderado em 9 de março de 2022 por Caetano Veloso, acompanhado por 40 artistas, chefs de cozinha e outras personalidades, além de mais de 230 organizações e movimentos socioambientais, que reuniu mais de 15 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios.

Antes do show, o grupo visitou o Supremo Tribunal Federal (STF) e esteve com Rodrigo Pacheco e Randolfe Rodrigues no Salão Negro do Senado (abaixo) para fazer reivindicações, entre elas, não deixar o PL ser pautado no plenário. Em junho, Pacheco descumpriu a promessa.

Caetano Veloso com os senadores Rodrigo Pacheco e Randolfe Rodrigues lê manifesto / Foto: Mídia Ninja

Demorou, Pacheco permitiu a tramitação no plenário do Senado, mas, finalmente, em 8 de maio, determinou que o texto seja debatido na Comissão de Meio Ambiente (CMA), presidida pela senadora Leila Barros. 

Hoje, de acordo com tramitação descrita na página do PL, ele está em poder do senador Fabiano Contarato para elaboração de relatório.

O envio do PL do Veneno para a referida comissão é um avanço para o aprofundamento do debate em torno da proposta, Mas o que as organizações socioambientais, entre elas a Campanha contra os Agrotóxicos, defendem é que o texto também passe por outras comissões como as de Assuntos Sociais (CAS) e Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Em março de 2022, o senador Humberto Costa, apresentou dois requerimentos fazendo essa solicitação e destacou que, “ao flexibilizar e acelerar a liberação de componentes e novas moléculas, o PL 1459/2022, abre brechas e aumenta ainda mais as pressões pelo registro de agrotóxicos, com consequências extremamente danosas para a saúde”.

Em tese, a Câmara dos Deputados foi a casa revisora do PL, portanto, não é atribuição dos senadores e das senadoras alterar a redação. No entanto, segundo nota da Campanha contra os Agrotóxicos, o PL 1459/2022 é completamente divergente do projeto original (PL 526/1999), que tinha a proposta de alteração de apenas um artigo da lei vigente de agrotóxicos. 

“O que está sendo discutido agora é a revogação da legislação em 16 artigos, que não apontam nenhum avanço para a sociedade brasileira, mas, sim, atende aos interesses da indústria agroquímica, contando com apoio de setores do agronegócio”, salienta.

“Por defendermos a vida, seguiremos cobrando que o Pacote do Veneno seja amplamente debatido no Senado Federal e com a sociedade que já não aguenta mais esse modo de produzir que gera adoecimento, insegurança alimentar e tantas outras violências. Cobramos também que o governo federal adote medidas para a urgente redução de agrotóxicos”, finaliza o movimento.

O que propõe o PL do Veneno 

O texto do relator Senador Acir Gurgacz, que agora é apreciado pela Comissão de Meio Ambiente:

– prevê alterações importantes na legislação, inclusive com a revogação da lei atual de agrotóxicos. Ele transfere o poder de decisão de aprovação de um novo agrotóxico para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tornando praticamente consultivas partes fundamentais do processo de avaliação e aprovação, como Ministério do Meio Ambiente e Anvisa; 
– facilita a liberação de substancias cancerígenas ao considerar que qualquer ingrediente pode ser liberados desde que não apresentem “risco inaceitável”, sem se quer definir o que seria aceitável ou inaceitável, nem quem determinaria isso; 
– muda o termo “agrotóxico” para “pesticida” mascarando a nocividade dessas substâncias; e 
– confere registro temporário sem avaliação para os pesticidas que não forem analisados no prazo estabelecido pela nova Lei.

Resquícios marcantes do tempo do governo Bolsonaro….

A tramitação desde 1999

De autoria do senador Blairo Maggi (PLS 526/99), o projeto tinha, inicialmente, apenas dois artigos e havia sido aprovado na CAS (Comissão de Assuntos Sociais) de forma terminativa em 2002. 

Ficou anos sem movimentação, até que, em 2015, sofreu profundas modificações e foi aprovado na Comissão Especial em 2018, presidida pela então deputada Tereza Cristina (hoje, senadora, integrante da Comissão de Meio Ambiente, entre outras) e sob relatoria do então deputado Luiz Nishimori (que é dono de empresas de agrotóxicos, veja só).

Em 2021, enquanto o projeto estava parado no Congresso, Bolsonaro acelerou o processo de liberação de agrotóxicos via decreto, em um texto que permitia a liberação dos pesticidas caso exista um “limite seguro de exposição” e que criava um rito de “tramitação prioritária” para aprovação de novos produtos. 

Em fevereiro de 2022 foi votado e aprovado no plenário da Câmara dos Deputados e retornou ao Senado Federal. Tramitou a partir de junho e foi despachado por Rodrigo Pacheco exclusivamente para a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). Lá foi aprovado sem passar por um debate ampliado e voltou para o plenário, onde foi rejeitado em dezembro de 2022

Foto: 342Artes e 342Amazônia

Desafio da Natureza Urbana recebe mais de 1,8 milhão de imagens incríveis, que revelam a vida selvagem nas cidades

 https://conexaoplaneta.com.br/blog/desafio-da-natureza-urbana-recebe-mais-de-18-milhao-de-imagens-incriveis-que-revelam-a-vida-selvagem-nas-cidades/#fechar


Desafio da Natureza Urbana recebe mais de 1,8 milhão de imagens incríveis, que revelam a vida selvagem nas cidades

Desafio da Natureza Urbana recebe mais de 1,8 milhão de imagens incríveis que revelam a vida selvagem nas cidades

Em apenas quatro dias, mais de 1,8 milhão de fotos, de 57.200 espécies de animais e plantas foram enviadas para o City Nature Challenge, o Desafio da Natureza Urbana, iniciativa internacional realizada há quase duas semanas. São imagens incríveis e inusitadas, como este flagrante acima, de uma doninha com sua presa ainda na boca, enviada por Adam Olsen.

Criado em 2016 como um desafio entre as cidades norte-americanas de São Francisco e Los Angeles, como contei nesta outra reportagem, o projeto se tornou global e a cada ano envolve mais pessoas e países. Nesta edição de 2023, foram cerca de 65 mil participantes, em 450 cidades, incluindo algumas brasileiras.

Este ano a grande campeã do desafio foi La Paz, na Bolívia, com mais de 126 mil observações de fauna e flora.

A “competição”, que visa estimular uma melhor interação entre seres humanos e natureza nos centros urbanos, bem como promover a chamada ciência cidadã, em que cidadãos comuns ajudam pesquisadores no trabalho de proteção e identificação da fauna e da flora do planeta, é promovida pela Academia de Ciências da Califórnia e o Museu de História Natural de Los Angeles.

“Fico sempre muito feliz de ver novas cidades participando do City Nature Challenge”, diz Alison Young, codiretora de Ciência Comunitária da Academia e cofundadora do Desafio. “Este ano, ficamos entusiasmados em receber participantes de Baku, no Azerbaijão, Maputo, em Moçambique, Nairóbi, no Quênia, bem como várias cidades da Índia, Ruanda e Tailândia”.

Dos 1,8 milhão de registros feitos, 2.500 eram de espécies raras, em risco ou ameaçadas de extinção.

Entre os destaques do Desafio da Natureza Urbana 2023 estão uma raia elétrica gigante com albinismo ou leucismo perto da Ilha Socorro, no México, um golfinho jubarte do Indo-Pacífico na costa de Hong Kong, uma espécie criticamente ameaçada de extinção, o buchu, na África do Sul, e um corpulento sapo-com-chifres-do-Pacífico, no Equador.

“Desacelerar e realmente ver quantas espécies diferentes estão ao seu redor, não importa onde você esteja – talvez até mesmo encontrar algo que você não fazia ideia que vivia ao seu redor – ajuda a construir uma apreciação mais profunda do mundo natural”, acredita Alyson.

Abaixo algumas dessas images que foram consideradas como destaque:

Desafio da Natureza Urbana recebe mais de 1,8 milhão de imagens incríveis que revelam a vida selvagem nas cidades

Uma garça-real-de-coroa-amarela
(Foto: Joe Manthey)

Desafio da Natureza Urbana recebe mais de 1,8 milhão de imagens incríveis que revelam a vida selvagem nas cidades

Bolor limoso cor-de-rosa, que mais faz lembrar um algodão doce
(Foto: Ryan Person)

Desafio da Natureza Urbana recebe mais de 1,8 milhão de imagens incríveis que revelam a vida selvagem nas cidades

A raia elétrica branca fotografada no México
(Foto: Hector Hernandez)

O sapo-de-chifres-do-Pacífico
(Foto: Mario Muñoz)

Leia também:
Sem ser vista por quase 100 anos, espécie de magnólia é redescoberta em florestas do Haiti
Considerada extinta há quase 40 anos, planta é redescoberta em Parque Estadual de Cabo Frio, no Rio de Janeiro
Espécie de orquídea considerada extinta há 120 anos é redescoberta
Novo aplicativo de fotos identifica espécies de plantas e animais