quinta-feira, 4 de junho de 2015

O mesmo esquema de gastança desenfreada está sendo repetido nas Olimpiadas ( orçamento de 37,7 BILHÕES!) e ninguém faz nada!



18/03/2013

Pão e circo: o descontrole de gastos do governo de Agnelo Queiroz no DF começa pelo Estádio Nacional Mané Garrincha

O descontrole de gastos na obra do Estádio Nacional de Brasília é só mais um exemplo do descaso com o dinheiro público (Foto: Ademir Rodrigues / Ministério do Esporte)
O descontrole de gastos na obra do Estádio Nacional Mané Garrincha, de Brasília, é só mais um exemplo do descaso com o dinheiro público (Foto: Ademir Rodrigues / Ministério do Esporte)


 Reportagem de Hugo Marques, publicada na edição da VEJA que está nas bancas
PÃO E CIRCO


Em Brasília, as suspeitas de superfaturamento de preços atingem da suntuosa obra do Estádio Nacional à compra de alimentos básicos que compõem a merenda escolar
O Estádio Nacional de Brasília sediará em junho a abertura da Copa das Confederações, torneio organizado pela Fifa que serve de aperitivo para a Copa do Mundo de 2014. Localizado no centro da capital federal, o estádio é a mais vistosa obra do governador Agnelo Queiroz, do PT.
A mais vistosa e — sabe-se agora — uma das mais recheadas de irregularidades. Com orçamento inicial de 696 milhões de reais, o projeto já custou 1,3 bilhão de reais aos contribuintes. Essa explosão de gastos chamou a atenção até mesmo do Tribunal de Contas do Distrito Federal, um órgão tradicionalmente benevolente com os poderosos locais.


Ao analisar a execução da obra, a corte identificou superfaturamento, duplicidade de serviços executados e pagamentos antecipados, irregularidades que já provocaram um prejuízo de pelo menos 72 milhões de reais aos cofres públicos. Constatou-se, por exemplo, que o projeto executivo da cobertura do estádio foi feito pelas mesmas empresas que participaram da elaboração do projeto básico e do fornecimento da própria cobertura.


A raposa planejou e cuidou do galinheiro. Além disso, as empresas reformularam com frequência os projetos, encarecendo-os, obviamente. Agnelo nega as irregularidades, assim como rechaçou, no passado, a existência de um esquema de desvio de recursos públicos para ONGs vinculadas ao PCdoB quando ele era filiado a esse partido e comandava o Ministério do Esporte.
Auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) já comprovaram que os comunistas transformaram o Programa


Segundo Tempo, sob responsabilidade do ministério, em um duto clandestino de verbas para correligionários. O governador foi acusado de participar desse esquema e é investigado em dois inquéritos no Superior Tribunal de Justiça
(STJ).
COMBO BÁSICO -- O governador Agnelo Queiroz: falta de planejamento e compras emergenciais a preços mais altos que os de mercado (Foto: Cristiano Mariz)
COMBO BÁSICO -- O governador Agnelo Queiroz: falta de planejamento e compras emergenciais a preços mais altos que os de mercado (Foto: Cristiano Mariz)


O descontrole de gastos na obra do Estádio Nacional de Brasília é só mais um exemplo do descaso com o dinheiro público. Um descuido — sempre rentável aos parceiros do governo — que se repete inclusive nas pequenas compras realizadas pelo poder local.

É o caso da merenda escolar dos alunos da rede pública de ensino. Os preços pagos pela administração petista estão bem acima dos cobrados pelos supermercados. Um absurdo completo, uma vez que as compras são feitas em grandes quantidades justamente para baratear o preço das mercadorias.

É o que reza a mais elementar cartilha da economia e da administração. Em setembro e outubro do ano passado, o governo Agnelo comprou a lata de óleo de soja por 4,99 reais, enquanto o varejo a vendia por 3 reais. Um quilo de milho verde custou 8,90 reais, contra 4,08 reais no varejo. A mesma história se repetiu no caso de 1 quilo de arroz, que saiu por 2,28 reais para o governo do Distrito Federal e custava 1,59 no mercado.

Parecem pequenas diferenças, mas, quando considerado o volume total de mercadoria adquirida, o prejuízo supera a casa dos milhões de reais. A secretária adjunta de Educação do Distrito Federal, Maria Luiza Vale, admite que pagou preços acima dos praticados pelos supermercados. Para ser preciso, até 118% acima.

Para se justificar, ela recorreu à velha cantilena dos perdulários: a pasta foi obrigada a realizar uma compra emergencial. “E no emergencial o preço sai mais alto, com certeza”, diz Maria Luiza.
Segundo as notas de empenho publicadas pelo governo do Distrito Federal, foram compradas 59 000 latas de óleo de soja. Se o governo tivesse recorrido aos supermercados, teria poupado 117 000 reais só nessa operação. A economia seria ainda maior em outros itens.

Na compra de 710 000 quilos de leite em pó, chegaria a 5,2 milhões de reais. Somados todos os itens, o governo do DF terá um prejuízo de 7 milhões, segundo um relatório do Tribunal de Contas do DF. O governo Agnelo gasta por ano 70 milhões de reais com merenda escolar e alega que não conseguiu comprar todos os itens por licitação, sendo obrigado a recorrer à compra emergencial.


O problema é que o governo nem sequer deu publicidade às operações emergenciais. A Secretaria de Educação só enviou e-mail a vinte fornecedores. Desses, apenas quatro se interessaram pelo negócio.


O principal deles, uma pequena fábrica de pão que funciona no subsolo de um centro comercial nos arredores de Brasília.


A deputada Celina Leão, uma das poucas vozes  e oposição ao PT na Câmara Legislativa do Distrito Federal, diz que a compra emergencial é, na melhor das hipóteses, um sinal de falta de planejamento. “Os valores pagos pelo governo são abusivos.


Uma pesquisa mínima mostra que há superfaturamento. É uma vergonha”, diz Celina. A parlamentar vai requisitar as cópias dos processos de aquisição para pedir a investigação de todas as compras de merenda escolar. Uma precaução para impedir que o leite das crianças sirva para engordar os bolsos de fornecedores amigos.

Celina Leão deixa base de apoio ao governo do DF e pede mudanças

Ao declarar postura "independente" na Câmara, Celina reclamou da quantidade de servidores da gestão passada que permanecem no governo e atribuiu a isso sua decisão

millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br



"Eu não quero continuar em um projeto no qual não acredito". Foi com essa frase que a presidente da Câmara Legislativa do DF, Celina Leão (PDT), anunciou que não faz mais parte da base do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) na Casa.


Um golpe para a atual gestão, que conta com a aprovação de um pacote de projetos para incrementar a arrecadação do Distrito Federal.  "Eu quero ajudar, eu vou ajudar, mas eu quero ajudar com liberdade", disse, antes de pedir que o governador faça um “choque de gestão”.


Ao declarar postura “independente” na Câmara, Celina reclamou da quantidade de servidores da gestão passada que permanecem no governo e atribuiu a isso sua decisão. "É muito complicado estar à frente desta Casa e ainda tendo de conviver com os petistas que continuam neste governo. É inadmissível para mim isso", discursou.

Citou nomes de servidores lotados na Casa Civil, "centro de comando de decisões", que, segundo ela, foram indicados por Swedenberger Barbosa, chefe da pasta na gestão de Agnelo Queiroz. "Quero fazer um apelo ao governador do Distrito Federal, em quem eu confio e acredito, para que mude a gestão. Ele tem que fazer uma reforma", pediu.

Ela não descartou a volta  para a base aliada, com a resolução dos problemas apontados, repetindo que ajudou a eleger o governo e que acredita nas boas intenções de Rollemberg.


Exoneração de indicados
A presidente da Câmara disse que já  pediu ao governador a exoneração do administrador de Sobradinho II, Estevão Reis,  e de “40 servidores, mais ou menos” lotados na administração. Todos foram indicados por ela.


Celina disse que “várias coisas” a levaram a tomar a decisão, embora entenda os riscos que envolvam sua saída da base aliada. “Minha vida pública pode terminar em 2018, mas eu vou sair daqui de cabeça erguida”, afirmou, declarando que apoiará os projetos encaminhados pelo governo “que forem bons para a população”.


Em seu pronunciamento na tribuna da Casa, Celina citou o “afastamento total do PDT” como uma das  razões para sua saída da base. “Nossos senadores - Reguffe e Cristovam Buarque - nem sequer são consultados. Desde o governo de transição, isso foi colocado: que o nosso lugar era longe”, destacou, para criticar que o “governo de técnicos”, como sempre vem pregando  a atual gestão, “não respeita a classe política, não respeita os deputados e não resolvem os problemas da cidade”.


Aumenta resistência a pacote do GDF
Causou surpresa aos deputados da base aliada a declaração de Celina Leão. O líder do governo na Casa, deputado Júlio César Ribeiro (PRB) destacou que a decisão deve dificultar a votação do pacote enviado recentemente pelo Executivo à Câmara Legislativa, com o objetivo de aumentar receitas.
“Quem perde com isso é Brasília”, citou o líder, para destacar que ontem deveria ser votado, em plenário, o projeto que trata da securitização da dívida ativa, além de outros créditos. A tendência, nas palavras dele, é de que a votação fique somente para terça-feira.


A “falta de clima” foi alegada pelos deputados para que não houvesse votação. Rodrigo Delmasso (PTN) e o bloco do PMDB chegou a anunciar que obstruiriam a pauta, até que o governo pague os atrasados das cooperativas de ônibus do transporte coletivo e de caminhoneiros, que lotaram a tribuna da Casa, ontem.


Os deputados aprovaram  um requerimento solicitando ao governador providências para o pagamento imediato das dívidas.

Boa vontade
Júlio Ribeiro  disse confiar na boa vontade de Celina em “querer ver o bem da cidade” e dos demais distritais  para conseguir aprovar o pacote do Executivo. “O GDF não tem dinheiro para pagar todos os compromissos herdados da gestão passada”, lembrou.

Ribeiro acredita, no entanto, que, quando Celina se declara “independente”, ela pode voltar, “a qualquer momento” para a base. “Sem dúvida alguma, a presidente é muito importante para  a base de governo”, disse, antes de explicar que deve conversar com ela, para “ver o que é possível atender” nas solicitações dela.

A reivindicação da deputada  de que os petistas devem sair do governo  é considerada “justa” pelo líder, que arriscou dizer que “o governador deve tomar essa atitude”.

Versão oficial
Para o Governo do Distrito Federal, a presidente da Câmara Legislativa foi precipitada. “Celina tomou uma decisão que poderia aguardar um pouco mais. Cabia mais conversa”, afirmou o secretário de Relações Institucionais do DF, Marcos Dantas (foto). Ele lamentou o gesto, já que ela seria “uma figura importante nesse momento e poderia nos ajudar a enfrentar todos os problemas”. Foi uma surpresa,  reconheceu Dantas, já que ela “sempre foi parceira”. Mas destacou que a posição dela será de independência. E não de oposição à atual gestão.

Sobre o PDT, Marcos Dantas disse que, “com carinho”, discorda de Celina Leão, já que o governo teria uma excelente relação com o PDT. “Temos mantido diálogo permanente com os senadores, com a bancada do PDT. O PDT está no governo e não tenho dúvidas de que vá continuar, por entender o momento que esta cidade atravessa e por entender  que ele pode contribuir muito com as soluções do problema”, minimizou.

O secretário de Relações Institucionais disse que “há disposição” do governo em manter o diálogo e a boa relação com a presidente da Câmara. E repetindo que “as portas não se fecharam”, afirmou que, nos próximos dias, o governo deve sentar e conversar com Celina Leão. Dantas diz que não crê na exoneração dos indicados da deputada. “Vamos trabalhar para que isso não aconteça”, concluiu.



Fonte: Da redação do Jornal de Brasília


20/12/2014 às 15:30 \ Política & Cia

VÍDEO ARRASADOR: Programa “CQC” mostra como funciona esquema do governador do DF para caluniar adversários pela Internet — COM DINHEIRO PÚBLICO. Acovardado, o governador Agnelo Queiroz foge do repórter em cenas grotescas

Agnelo Queiroz foge de repórter quando questionado sobre esquema de perfis falsos (Foto: Antonio Cruz / ABr)
Agnelo Queiroz, governador do DF: no vídeo abaixo, ele foge de repórter quando questionado sobre esquema de perfis falsos e caluniosos na internet. Não foi sequer capaz de negar seu envolvimento no esquema (Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)
Post publicado originalmente a 9 de outubro de 2013
Campeões-de-audiênciaTrata-se de um “jogo canalha”, denuncia o em geral sereno e gentil senador e ex-governador Cristovam Buarque (PDT-DF). Uma “quadrilha virtual” que funciona “com recursos públicos” e cujo objetivo é espalhar mentiras e calúnias contra adversários, acusa a deputada distrital Celina Leão (PDT), chefiada pelo governador Agnelo Queiroz (PT).
O promotor de Justiça Mauro Faria de Lima, que investiga o caso, diz que o esquema montado pelo governador, ex-ministro do Esporte e ex-integrante do Partido Comunista do Brasil tem como missão “produzir notícias favoráveis ao governador e, ao mesmo tempo, atingir a honra de seus adversários”.
Essas acusações, e cenas grotescas do governador fugindo do repórter Oscar Filho, do programa CQC, da Rede Bandeirantes, para não responder a perguntas nas quais cabia uma simples negativa, conferem uma importância extraordinária à reportagem.
Celina Leão, deputada distrital (PDT): "O Agnelo é chefe de uma quadrilha especializada em dilapidar os recursos públicos" (Foto: Divulgação)
Celina Leão, deputada distrital (PDT): “O Agnelo é chefe de uma quadrilha especializada em dilapidar os recursos públicos” (Foto: veja.abril.com.br)
E mostram como figurões do PT não hesitam em lançar mão de quaisquer recursos, legais ou não, para atingir adversários e manter-se a qualquer custo no poder. A sequência em que os seguranças do governador empurram e tentam impedir o trabalho do repórter, enquanto Agnelo segue em silêncio diante do microfone para o carro oficial, por si só é uma confissão.
Em tempo: a atitude do governador lembra a de políticos truculentos, inclusive da ditadura militar, que ele alega haver combatido.

Vejam o vídeo:



Marketing da INFRAMERICA (leia-se LAVA JATO) para "justificar" o desmatamento do cerrado para construir concessionarias de automoveis.Agora pergunto: O que concessionarias de automoveis tem a ver com fluxo de turistas? Desde quando turista vai ao aeroporto para comprar automoveis?Porque um aeroporto tem de ter lojas de vendas de automóveis?



Aeroporto de Brasília deve receber 306 mil pessoas durante o feriado de Corpus Christi

De acordo com a Inframérica, o movimento diário do Terminal deverá ficar em torno de 51 mil passageiros
 
Cerca de 306 mil pessoas devem passar pelo Aeroporto Internacional de Brasília no feriado de Corpus Christi. Segundo a Inframérica, administradora do Terminal, a movimentação aérea estimada para o período é de 2.796 voos, com maior fluxo a partir das 18h desta quarta (3) e no domingo (7), a partir das 17h.

De acordo com a concessionária, o movimento diário do Terminal deverá ficar em torno de 51 mil passageiros. O Aeroporto de Brasília é o segundo maior em movimentação de passageiros do Brasil e o primeiro em capacidade de pista.


Objetos esquecidos
Em nota, a Inframérica lembra aos passageiros que os objetos esquecidos no Aeroporto são enviados para o departamento de Achados e Perdidos. Já os pertences esquecidos dentro das aeronaves são de responsabilidade das companhias aéreas. A sala está localizada próximo ao desembarque internacional (ao lado da sala da Polícia Federal), e funciona das 7h às 23h (fechado nos intervalos de 12h às 13h e das 19h às 20h). O telefone de contato é: 3214-6109.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

Comentario

Não acredito que o aeroporto de Brasilia tenha todo esse movimento.Como moro lá perto estou sempre entrando  e dando uma olhad no movimento e só vejo lojinhas

O morador de rua, símbolo e meta do século XXI





Agência Boa Imprensa



 




O morador de rua, símbolo e meta do século XXI



Gregorio Vivanco Lopes  



Antigamente, falar em morador de rua era falar de uma situação de extrema miséria, própria a suscitar compaixão. De uns tempos para cá, porém, o conceito mudou. Morar na rua tornou-se não uma necessidade, mas uma opção.



Uma opção que tem seus problemas, é verdade, mas também suas vantagens para os que a escolhem: refeições grátis oferecidas por ONGs e igrejas, privilégios concedidos pelo Poder Público, não pagam impostos nem arcam com os inconvenientes da manutenção de uma casa, inviolabilidade de sua situação garantida por lei, não se dedicam a nenhum trabalho fixo (exceção feita, talvez, dos que puxam carrocinhas com material reciclável).


Não ignoro, é claro, que continuam existindo os que são atirados a essa triste situação por necessidades prementes e involuntárias. Merecem eles toda a nossa comiseração e o nosso auxílio para que possam sair dela. Mas é preciso reconhecer que estes vão se tornando minoria dentre os moradores de rua.
Vários fatores morais contam-se entre as causas dessa “moderna” opção. 



Entre eles o vício avassalador do uso de drogas, que não se quer deixar por preço algum; a embriaguez inveterada, que leva a ficar abraçado à garrafa como parte integrante do próprio ser; o hábito de pequenos (ou grandes) furtos; a preguiça persistente, pela qual o indivíduo (de ambos os sexos) prefere ficar estendido nas calçadas a fazer qualquer esforço de maior monta; e assim outros.



Espalhados por toda parte, ao menos nas grandes cidades, “habitam” entretanto certos pontos de preferência a outros. É o caso, por exemplo, do centro velho de São Paulo, onde é deprimente a paisagem humana que ali se escancara. Corpos estendidos nas ruas, nas praças, dormindo com ou sem coberturas improvisadas, em meio à imundície mais repugnante, à rudeza mais soez, ao esquecimento mais brutal de que possuem uma alma humana que os coloca, ou deveria colocá-los, em situação superior à dos animais.
Até na Avenida Paulista, cartão postal da cidade, já há um morador de rua estabelecido e que não quer ser incomodado (cfr. “O Estado de S. Paulo”, 3-12-14).


Por essa mesma avenida transito habitualmente, e posso constatar a existência de indivíduos que, se não são diretamente moradores de rua, poder-se-ia talvez qualificá-los de quase tais. Homens e mulheres aparentando ser hippies, afincadamente dedicados, ao que parece, a economizar a água do banho, com roupas esmolambadas, sentados no chão, eles com a barba desgrenhada como os cabelos delas, tendo diante de si um pano estendido, pouco limpo, sobre o qual esparramam colares estranhos, miçangas e amuletos vários, à espera que algum passante pare e compre algo. 


E são numerosos, sendo que alguns deles, sem cerimônia, estendem-se na calçada e dormem a sono solto, sem cuidar de que alguém possa furtar alguma de suas quinquilharias, muito pouco atraentes, as quais eles próprios parecem não ter muito interesse em vender.
*   *   *
Esse fenômeno dos moradores de rua — ou quase —, por mais que seja aviltante, note o leitor, não é isolado. Ele é o rés-do-chão, a parte talvez mais aparentemente repulsiva de uma decadência geral do padrão humano no mundo de hoje.


Se permanecer como morador de rua pode chegar a ser, para uma camada da população, uma opção, é porque existe outra camada, um pouco superior, que não se propõe a morar nas ruas, mas vive no desleixo de si mesma, nas maneiras cada vez mais vulgares, no vestir-se do modo mais relaxado e tendente ao nudismo, com um vocabulário cada vez mais grosseiro, na imoralidade mais abjeta, e nada disso por pobreza.


E assim sucessivamente, subindo de camada em camada, até as mais altas, poderíamos constatar um rebaixamento geral do padrão civilizatório e cultural. Com as devidas e honrosas exceções, é claro.


Vejam-se, por exemplo, as fotos e gravuras do século XIX ou anteriores, ou mesmo as do início do século XX; a comparação com os modelos humanos atuais se torna gritante.


O bonito agora é, por exemplo, assistir a uma aula na rua, como a proporcionada por Guilherme Boulos, guindado pela imprensa a coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. Em 11 de dezembro último ele “lecionou” na praça Roosevelt, centro de São Paulo, defendendo a palavra de ordem do momento: o “direito à cidade” contra “o discurso hipócrita” do direito de propriedade.


Essa “aula pública”, à qual compareceram estudantes de arquitetura, grupos de sem-teto e artistas, foi organizada pelo “Coletivo Arrua” (o nome diz tudo), que também convida para festas na rua (cfr. “Portal Ponte”, mantido por conhecidos jornalistas, 11-12-14). O título da reportagem é sintomático da mistura (feita no andar de baixo) que se tem em vista: “Líder dos sem-teto reúne ricos e pobres em ‘aula pública’ no centro de SP”.


*   *   *
Essa situação tão anormal faz pensar. O que levou a esse deslizamento do padrão humano? Procurar uma resposta para tal indagação interessa a mim, interessa ao leitor e interessa a todos, pois, como dizia o filósofo romano Terêncio (+159 a.C.), “eu sou homem, e nada do que é humano me é estranho”


Como foi possível que nossa civilização, que se jacta de tão adiantada e alcançado grande avanço científico, venha a produzir como um de seus frutos característicos esse rebaixamento generalizado da condição humana? E isso ao contrário de outras épocas, cuja índole foi de procurar elevar a humanidade, quer do ponto de vista espiritual, quer moral ou material.


Apenas para exemplificar, falemos do campo da cultura. Tenha-se em mente a chamada arte moderna com seus rabiscos incompreensíveis; as atuais grafitagens que poluem os muros e paredes de nossas cidades; a “música” constituída de berros e gritos; as danças do pula-pula insano e pornográfico.
No campo da política, onde estão os Churchills, os De Gaulles, os Adenauers? 


Onde as visões e os planos de grandes estadistas? Política virou quase sinônimo de corrupção, de mediocridade, de possibilidade de galgar cargos e posições.
Na religião, dói-nos dizê-lo, onde estão os Mindszentys, capazes de enfrentar de peito aberto, por amor de Deus, os carrascos comunistas, em lugar de se dobrar covardemente diante deles a pretexto de diálogo? Onde os grandes apóstolos como Santo Inácio de Loyola, os grandes teólogos como Santo Tomás de Aquino? Em lugar deles um irenismo malsão vai dissolvendo num magma nauseabundo todas as doutrinas, todas as convicções, e mesmo todas as religiões. 


Outro dia, um amigo me dizia que se sentiu constrangido a sair de uma igreja onde fora rezar, devido ao ambiente de promiscuidade religiosa e moral que lá encontrou. Preferiu ir rezar na rua!


Tudo decaiu, tudo baixou de nível. O ímã da condição humana não atrai mais para o alto, para o sublime, para Deus; ele puxa para baixo, para a degradação, para a sujeira e o desleixo, dos quais o morador de rua é símbolo e meta.
Diz um ditado popular que o demônio nunca dá o que promete. Ele prometeu aos homens que, se abandonassem a civilização cristã e aderissem à liberdade total e sem freios, a um igualitarismo absoluto e sem hierarquia, a um laicismo sem Deus nem religião, teriam então o progresso humano e a perfeita fraternidade. O que vemos?


Um progresso científico real, mas que o homem não sabe mais utilizar para evitar a degradação. Uma fraternidade que não mais se realiza na pujança das individualidades ricas e complementares, mas na ausência de personalidades autênticas, afundadas cada vez mais no pântano de uma espécie de não-ser coletivo.
Por fim, uma observação prudencial se impõe. Falando do vasto panorama desvendado na terceira parte de seu livro “Revolução e Contra-Revolução”, diz Plinio Corrêa de Oliveira: “Bem sabemos quanto são passíveis de objeções, em muitos de seus aspectos, os quadros panorâmicos, por sua natureza vastos e sumários como este. Necessariamente abreviado pelas delimitações de espaço, este quadro oferece seu despretensioso contributo para as elucubrações dos espíritos dotados daquela ousada e peculiar finura de observação e de análise que, em todas as épocas, proporciona a alguns homens prever o dia de amanhã”. Fazemos nossa essa ponderação.



(*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM
  





Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)

ATEUS, MAS ADORAM O DEMÔNIO


 
  13-03-2015
 
 
 
 
De Jacinto Flecha
 
 
ATEUS, MAS ADORAM O DEMÔNIO
 
         Na transição do século XIX para XX, um conhecido escritor francês estava curioso para ver uma cerimônia satânica de missa negra, e conseguiu que um amigo o levasse ocultamente para presenciar o que se passava em um desses antros secretos. Durante a cerimônia sacrílega, chamou-lhe a atenção o empenho, a fúria, a obstinação dos participantes competindo entre si para ofender e espezinhar a hóstia consagrada. O raciocínio dele foi simples e perfeito:
         — Não é racionalmente possível tanto ódio contra um pedacinho de pão. Se eles fazem isso, é porque sabem e acreditam que ali está muito mais do que pão. Eles o ofendem, desafiam, pois sabem que não reagirá. Demonstram assim um poder ilusório, prometido por quem eles julgam detentor de poder maior.
         Em viagem pouco depois disso, a graça divina conduziu o escritor a encontrar Mugnier, sacerdote à moda antiga, zeloso pela salvação das almas. Ele esclareceu pacientemente todas as dúvidas e lhe deu atenção diligente durante o processo de conversão. Em 1907, pôde apresentar a Deus a alma de Georges Charles Huysmans, que falecera com 59 anos como oblato de um mosteiro. Todo o seu processo de conversão está relatado por ele mesmo em suas últimas obras: Là-bas; Em route; La cathédrale; L’oblat; Les foules de Lourdes. Excelente leitura.
         Outro fato semelhante se deu com uma dama da corte, que não só assistiu mas também participou ativamente de uma missa negra. Madame Montespan desejava tornar-se a concubina favorita de Luís XIV, e para isso expôs o próprio corpo no altar de uma missa negra. Conseguiu o que queria, mas depois se arrependeu e passou os últimos anos de vida como penitente em um convento.
         Se lhe interessam exemplos de quem escolhe essa via para obter fama, dinheiro, leia sobre a vida de ídolos do rock, onde missas negras e outros cultos satânicos comparecem aos montes. Também não faltam entre as sumidades do Vale do Silício, entre os magnatas endinheirados, entre políticos famosos ou famigerados. A propósito destes, foi anunciado o lançamento de um livro de Rosane Malta, ex-mulher de Collor, relatando rituais de magia negra na casa da Dinda. Pesquise um pouco na vida dos engalanados colegas e parceiros desses, e não lhe faltarão surpresas espantosas. Em nível mundial, está em pleno curso uma propaganda de cultos satânicos como a missa negra, e gente “esclarecida” dentro de universidades dedica-se a isso.
Para quem, como eu, nasceu em família católica e passou toda a vida em meios católicos, é difícil compreender que pessoas mentalmente sadias não acreditem na existência de Deus. Mais ainda, que muitos desses disponham-se a praticar cultos satânicos onde explicitamente se adora o demônio. São ateus porque não querem prestar culto a Deus, mas aderem às piores abominações para cultuar esse outro “deus”. É possível imaginar posição mais contraditória?
Qual motivo os leva a isso? Melhor seria perguntar quais motivos. São muitos e de características as mais diversas, movendo as pessoas por meio de inúmeras atrações ou repulsas. Uns podem ter como objetivo tornar-se ricos ou famosos, por exemplo; outros podem julgar dura demais a sentença de ganhar o pão com o suor do próprio rosto. E assim por diante, quase ao infinito.
Variam os motivos, mas os caminhos confluem para dois objetivos situados nos pontos extremos de uma estrada: de um lado Deus, do outro o demônio; no ponto mais alto o bem, no mais baixo o mal; o convite suave de Deus na extremidade sadia, na outra a insistência agressiva do demônio. Nenhum dos dois se manifesta diretamente, e sim por meio de pessoas, coisas, sensações, atrações, punições e prazeres diversos.
O processo de descida ao abismo satânico pode começar pelo consentimento a um desejo veemente proibido por um Mandamento, portanto vedado aos amigos de Deus. A tentação pode ser vencida, devolvendo a tranquilidade à alma, e sucessivas vitórias consolidam a fidelidade a Deus e a felicidade de situação. Uma transgressão ao Mandamento pode ser seguida de arrependimento e retorno ao caminho do bem. Mas o mais provável é essa transgressão tornar-se o primeiro passo para outras, reforçando a adesão aos inimigos de Deus e tornando cada vez mais difícil o retorno. O demônio exige cada vez mais, oferecendo cada vez menos.
De degrau em degrau até o extremo do processo, qualquer tipo de culto satânico se torna possível e até provável. Chega-se ao fundo do abismo, e là-bas (lá longe, bem no fundo) completa-se o “caminho fácil” de adoração ao demônio. Este nem se dá a conhecer, mas poucos resistem às suas ofertas. Não voltam ao caminho de Deus na condição de penitentes, ao contrário de Huysmans e Montespan. A grande maioria aceita parcial ou totalmente as exigências do demônio, podendo incluir ou não os cultos satânicos. Ele conhece o caminho mais adequado a cada vítima.
         As primeiras derrapadas geralmente conduzem a pessoa a ficar descrente, porque Deus não ajuda, só proíbe. Em seguida começa a procurar facilidades, com a ajuda de quem parece amigo de outro “todo-poderoso”. Daí a fazer pacto com ele e ceder em tudo o que ele quer, inclusive a adoração explícita, é só questão de tempo. Muitos percorrem o caminho de volta, mas infelizmente a maioria não retorna.
         De pecador a inimigo de Deus, depois amigo e adorador do demônio, o caminho do ateu pode ser curto ou longo, rápido ou demorado, mas está aberto a qualquer um que nele entre e aí permaneça voluntariamente.
(*) Jacinto Flecha é médico e colaborador da Abim
 
 
 

 
 
 
Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)
 
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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Contaminação de petróleo matou mais de mil golfinhos nos EUA




Cinco anos após o vazamento da BP, golfinhos ainda sofrem com contaminação de petróleo

BRUNO CALIXTO
21/05/2015 - 15h25
Golfinho morto na Louisiana, Estados Unidos, em foto de maio de 2015 (Foto: Cain Burdeau/AP)




Desde 2010, a NOAA, a agência americana que cuida dos oceanos, identificou 1.395 golfinhos encalhados em suas praias no sul dos Estados Unidos, na região do Golfo do México.



Desses, 96% morreram. Por muito tempo, ambientalistas acusaram a BP, empresa responsável por um vazamento de petróleo gigante na região, mas a ciência não tinha provas conclusivas de que as mortes eram causadas pelo petróleo.


Agora tem. Um novo estudo publicado na quarta-feira na revista científica PLOS One liga diretamente a contaminação de petróleo com a morte dos animais.



O estudo analisou a causa da morte dos golfinhos do Golfo do México, e descobriu que a maioria deles tinha lesões nos pulmões e rins. Esses tipos de lesões são raras em golfinhos da espécie, mas são completamente consistentes com os danos causados em mamíferos marinhos pela exposição ao petróleo.



Os pesquisadores também descobriram que a exposição ao petróleo deixou os golfinhos mais vulneráveis a doenças causadas por bactérias. Normalmente, apenas 2% deles morrem por pneumonia causada por bactéria, mas nos golfinhos contaminados, essa porcentagem subiu para 20%.



Um dia após a publicação dos resultados, os Estados Unidos enfrentam um novo vazamento de petróleo, desta vez no litoral da Califórnia, mas não tão grande quando o da BP. O Brasil também sofre com vazamentos com alguma frequência - como o da Petrobras, em 2013, e o da Chevron, em 2011.


O impacto desse tipo de contaminação na vida marinha ainda não é totalmente conhecido pela ciência.

Maximização de supostas agressões raciais viram forma de aparecer - nas próximas eleições teremos 'vitimas' de racismo candidata a cargos eletivos


"Transformei xingamento em luta", diz jovem vítima de racismo na internet

[primeiro passo é as 'vitimas de racismo' aprenderem a diferenciar RACISMO de INJÚRIA RACIAL.
O desconhecimento do significados dos dois termos, ou mesmo a má fé, faz com que pessoas xingadas em uma discussão que nada tem a ver com racismo, transformem INJÚRIA RACIAL em RACISMO.
E os "supostos agressores" e as "supostas vitímas" aceitarem o FATO que só existe uma raça: a HUMANA.]

Jornalista alvo de ofensas racistas ao postar foto em rede social fala com exclusividade ao Correio. Ela não apagou a imagem e, até hoje, recebe mensagens de ódio

Em 2015, já foram registrados 46 casos denúncias de injúria racial e racismo no Distrito Federal. Entre eles, dez ocorreram em maio. Os dados são do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação (NED), referentes a cidades como Ceilândia, Águas Claras, Plano Piloto, Núcleo Bandeirante, Lago Norte, Gama e Taguatinga. 

Cristiane falou com exclusividade ao Correio sobre as agressões que sofreu. Ela disse que se sentiu abalada à época, mas que transformou os xingamentos em motivos para lutar contra o racismo. Um grupo de desconhecidos deixou comentários ofensivos, como “quanto custa essa escrava?”, e chamando-a de “macaca”. A jornalista decidiu não apagar a foto e, até hoje, recebe mensagens de ódio. “Para nós, mulheres negras, lutar contra o racismo não é uma opção. Eu não tenho como seguir minha vida sem que isso esteja na minha história. Tenho transformado o que passei em algo concreto, pois é minha responsabilidade. Depois do que aconteceu, ouvi vários relatos, do Brasil todo, e tenho que continuar lutando contra o racismo”, declarou. [a suposta vítima do racismo ora comentado, por ter formação superior, jornalismo, área que certamente a torna conhecedora do real significado das palavras, também quando do registro da queixa junto a 26ª DP,  foi orientada sobre a prática que deve ser tipificada como RACISMO e a que é tipificada como INJÚRIA RACIAL.
Mas, não adianta, ser vítima de racismo parece mais atraente - será por receber maior divulgação ou até mesmo motivar indenização?  - e permanece a insistência, absurda e infundada, em mudar a infração penal porventura ocorrida.]

O caso da jornalista foi registrado na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia) como injúria racial, embora ela acredite que se trate de um caso de racismo (leia O que diz a lei). “As pessoas não me conheciam. Mas a escolha delas não foi aleatória. Escolheram uma mulher negra e atacaram a imagem dela. Isso também aconteceu em Minas Gerais, com uma mulher negra que postou uma foto com o namorado”, relatou. No caso da estudante do IFB, a agressão aconteceu via celular, após um desentendimento entre colegas. Com medo de sofrer alguma represália, por conviver diariamente com a agressora, a mulher preferiu não se identificar. 

DIFERENÇA ENTRE RACISMO e INJÚRIA RACIAL

Dos dez casos registrados de maio, apenas um foi caracterizado como racismo, conduta discriminatória dirigida a um determinado grupo ou coletividade. Pela lei, a ação é imprescritível, inafiançável e incondicionada, ou seja, não há necessidade de representação da vítima. Nos demais, segundo o Ministério Público do Distrito Federal, os suspeitos responderão por injúria racial, que consiste em ofender a honra de alguém pela raça, cor, etnia, religião ou origem.

Fonte: Correio Braziliense 

 

Imigração transparente - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE






CORREIO BRAZILIENSE - 03/06

Pasquale Scotti, 56 anos, condenado à prisão perpétua por ligação com a máfia, foi preso no Recife no fim do mês passado, mais de 20 anos depois de ser sentenciado pela Justiça de seu país. O caso serve para os brasileiros repensarem a lei de imigração nacional. Uma coisa é o país, formado por imigrantes, não negar receptividade humanitária para estrangeiros que buscam aqui sobrevivência e vida digna. Outra é garantir acolhida eficaz e organização, sobretudo no que diz respeito a melhor filtragem de quem quer entrar no Brasil.

A chegada crescente de haitianos - em apenas 10 dias de maio, aportaram em São Paulo 40 ônibus vindos do Acre - e africanos é exemplo disso, exigindo mobilização efetiva das autoridades para que a legislação seja cumprida, os imigrantes tenham oportunidades concretas e não venham apenas para engrossar os bolsões de miséria que vicejam nas grandes cidades.

O tema é complexo. Não pode ser encarado com simplismo. Urge acionar os mecanismos internacionais e os organismos policiais para controlar o tráfico humano e a clandestinidade. O ingresso de estrangeiros precisa ser efetivamente fiscalizado. Por trás de imigrante ilegal, podem estar armas, drogas e afins. Não é justo que estrangeiros sejam levados de um lado para o outro, sem a proteção assegurada pela legislação trabalhista, para que não sejam explorados por empregadores mal-intencionados.

Certo é que, se as autoridades não agirem logo, com organização e sem improvisos, poderá crescer o já refratário sentimento de rejeição e xenofobia que começa a aflorar nas redes sociais, num momento em que brasileiros disputam vagas no retraído mercado de trabalho do país. Ajuda humanitária é atitude relevante para qualquer governo, mundo afora, mas nada deve ser feito de afogadilho.

O Brasil tem 15.735 quilômetros de fronteiras terrestres, com 10 países da América do Sul - só com a Bolívia, são 3.126 - e 7.367 quilômetros de fronteiras marítimas. Conclui-se que, sem mais rigor na vigilância, a imigração ilegal tende a crescer, levando o país a abrigar pessoas de passado nada recomendável, como é o caso de Pasquale Scotti, que vivia como cidadão brasileiro acima de qualquer suspeita na capital pernambucana, embora estivesse condenado desde 2005 à prisão perpétua. Ele entrou no país em 1986, pela Região Norte, e passou por vários estados antes de fixar residência no Recife. 



A questão não é fechar os portos, aeroportos e fronteiras a imigrantes, mas acolhê-los com estrutura e transparência, para que o Brasil se livre de uma vez por todas da pecha de paraíso para procurados da Interpol.


 

Nossa agremiação recebeu propinas pagas a obras não realizadas e contratos superfaturados, mas tudo impecavelmente aprovado pelos tribunais da Terra e dos céus



Tudo dentro da lei... - ROBERTO DAMATTA

O GLOBO - 03/06


Nossa agremiação recebeu propinas pagas a obras não realizadas e contratos superfaturados, mas tudo impecavelmente aprovado pelos tribunais da Terra e dos céus
Somos legalizantes, legalistas, legalóficos e legalomaníacos. Cremos que a vida social e seus costumes mais arraigados; ou os seus laços mais sagrados, mudam com a lei. Mudamos a lei para não mudar o nosso conforto e a nossa perene má-fé. Em outras palavras, para não segui-la.

Vivemos recessão, inflação e depressão causadas pelos nossos projetos onipotentes, mas tudo dentro da lei. Ficamos imensamente ricos roubando contratos e emitindo notas falsas, mas de acordo com um programa e, é lógico, dentro da lei. Ultrapassamos todos os limites dos nossos papéis de administradores temporários dos bens públicos e confundimos nossas vidas com instituições do partido e do Estado, mas de acordo com a lei.

A mentira em nome do povo tem sido a nossa moeda corrente, mas tudo dentro da lei. Preferimos dar cargos públicos a gente nossa, gente boa, gente do nosso coração, alijando pessoas capacitadas, mas tudo dentro da lei. Encorajamos a confusão entre o pessoal e o público, o local e o nacional, o nacional e o internacional, mas tudo dentro da lei. Tentamos controlar a maquina pública naquilo que ela pudesse nos prejudicar e em tudo que ela pudesse nos ajudar, mas tudo dentro da lei.

A lei nos agasalha, protege, guia e nos ajuda a acusar, a patrulhar e a perseguir os nossos inimigos.

Somos, acima de tudo, legais.

Bons companheiros e camaradas. Amigos de cofre e de mesa, de boa arte e comidas. Tudo dentro da lei. Transformamos interesses pessoais e partidários em leis e instituições, dentro da lei.

Combatemos o bom combate eleitoral usando tudo o que estava e não estava ao nosso alcance, mas dentro da lei. Rigorosamente dentro da lei. Nossa agremiação recebeu propinas pagas a obras não realizadas e contratos superfaturados, mas tudo dentro da lei. Tudo impecavelmente aprovado pelos tribunais da Terra e dos céus.

Aliás, antes de existir o mundo, as pessoas, os bichos, o vasto oceano, as montanhas, as tempestades; os terremotos, as cheias e as secas; a neve, a chuva e o sol de rachar. Antes da praia e do mar azul que poluímos; antes do arroz com feijão, da pipoca, do pirão, do peixe frito e da empada. Antes do cachorro-quente, do circo, da novela, da bossa nova e do carnaval. Antes da guerra, das grandes e pequenas batalhas, inclusive as de confete. Antes da tortura e da Abolição da Escravatura. Aliás, antes mesmo da Linha de Tordesilhas que dividia o mundo entre Espanha e Portugal; e antes do Brasil, havia a lei.

Ela nasceu de um buraco negro e criou a realidade. Construindo-a, ela permite desfazê-la. A nosso gosto e prazer, é claro. Sem amor ou ódio, sem proposito ou alvo, pois a lei é paras todos. Mas, como diz a própria lei, ela é mais para nós do que para eles.

Nossa fraternidade — há quantos anos eu te conheço? — é melhor e, sejamos legais, muito mais honesta e correta do que a deles. A lei pende sempre para o nosso lado, mesmo que ela tenha essa mania estúpida e liberal de ser para todos.

Seria ilegal tratar o querido companheiro como todo mundo. Como reza a lei, a igualdade não é possível. A honestidade, então, nem é bom falar. Ambas são um ardil liberal-capitalista desenhado pelo mercado. Ouça uma coisa e espalhe outra. Assim criaremos um mundo mais justo e perfeito. A boa-fé e a verdade são para o outro mundo.

No mundo do poder pode-se até mesmo esquecer e anular os crimes e a História, desde que seja dentro da lei. A prescrição como figura legal é uma engenhosa máquina do tempo. Com ela, fazemos o tempo retornar para anular crimes. Até Hitler teria sua prescrição especial e compreensiva entre nós.

Lei, lei, lei e lei. Contra a verdade, a lei. Contra a ingenuidade, a lei. Contra o outro, a lei. Contra a boa vontade, a lei. Não insistam: nosso maior adversário não são o crime e a ausência de responsabilidade pública encapsulados imbecilmente como um moralismo barato e de direita: é a lei. Vamos revoga-la? Jamais. Vamos, isso sim, reformá-la e usá-la em nosso benefício como sempre temos feito. O legal é maior que o justo e o real. Adoramos a lei em sua majestade paragrafada, subdividida em sentenças claras, escrita por linhas tortas, mas sempre certas quando nós a temos nas mãos e a aplicamos. Na mentira, na hipocrisia e, acima de tudo, na desfaçatez, fiquem sempre com a lei e pela lei. Somos por todas as legalidades, inclusive e sobretudo pela legalidade da ilegalidade.

Somos um dos países mais corruptos, injustos e desiguais do mundo, mas temos um orgulho: estamos sempre dentro da lei!