Mais uma vez os adversários pinçam, maliciosamente,
uma frase do presidente para criticar.
No caso, a sua observação de que é
chato ser rico. Pois eu entendi a intenção do presidente. Ele estava
falando para pobres e preocupado em prepará-los para o fato de que não
vão ficar menos pobres e podem até ficar mais, no seu governo, e que
isso não é tão ruim assim. E eu concordo com o presidente.
Ser pobre é
muito mais divertido do que ser rico. Pobre vive amontoado em favelas,
quase em estado natural, numa alegre promiscuidade que rico só pode
invejar. Muitas vezes o pobre constrói sua própria casa, com papelão e
caixotes.
Quando é que um rico terá a mesma oportunidade de mexer assim
com o barro da vida, exercer sua criatividade e morar num lugar que pode
chamar de realmente seu, da sua autoria, pelo menos até ser despejado?
Que filho de rico verá um dia sua casa ser arrasada por um trator? Um
maravilhoso trator de verdade, não de brinquedo, ali, no seu quintal!
Todas as emoções que um filho de rico só tem em videogame o filho de
pobre tem ao vivo, olhando pela janela, só precisando cuidar para não
levar bala. Mais de um rico obrigado a esperar dez minutos para ser
atendido por um especialista, aqui ou no exterior, folheando uma
National Geographic de 1950, deve ter suspirado e pensado que se fosse
pobre aquilo não estaria acontecendo com ele.
Ele estaria numa fila de
hospital público desde madrugada, conversando animadamente com todos à
sua volta, lutando para manter seu lugar, xingando o funcionário que vem
avisar que as senhas acabaram e que é preciso voltar amanhã, e ainda
podendo assistir a uma visita teatral do Serra ao hospital, o que é
sempre divertido, em vez de se chateando daquela maneira.
E pior. Com
toda as suas privações, rico ainda sabe que vai viver muito mais do que
pobre, ainda mais neste modelo, e que seu tédio não terá fim. Éfe Agá
tem razão, é um inferno.
• São dois financiamentos de longo prazo (R$ 652 milhões
para complexo no CE e R$ 273 mi a outro no RN) e um empréstimo-ponte de
R$ 145 mi ao RS
• Os empreendimentos terão, juntos, potencial de 480 MW e devem gerar
7,6 mil empregos diretos e indiretos na construção e operação
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
aprovou três operações, no valor total de R$ 1,07 bilhão, para três
complexos de energia eólica nos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte e
Rio Grande do Sul.
São dois financiamentos de longo prazo: R$ 652,5 milhões ao Complexo
de Itarema (CE) e R$ 273 milhões para o complexo Vamcruz, em Serra do
Mel (RN). Ambos os projetos, estruturados na modalidade de project
finance, integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O projeto de Itarema terá potencial instalado de 207 MW. Ele é
composto de nove parques eólicos que serão concluídos em duas fases. A
primeira, com quatro parques, entra em operação em fevereiro e a
segunda, com cinco, em setembro de 2016.
Cada parque é uma sociedade de propósito específico (SPE), atendendo
ao especificado na linha BNDES Project Finance. Para cada uma foi feita
uma operação nessa modalidade, em que o pagamento é calculado com base
no fluxo de caixa das empresas.
Todas as SPEs pertencem à Itarema Geração de Energia S.A., controlada
integralmente pela Rio Energy Fundo de Investimento, braço para
investimento em energias renováveis da Denham Capital, gestora de
private equity sediada nos EUA.
Durante a construção devem ser criados 2,4 mil empregos diretos e 2,5
mil indiretos. No empréstimo foram previstos R$ 3,5 milhões para
aplicação em projetos sociais no entorno do complexo eólico. Os projetos
ainda serão definidos.
Já o Complexo Vamcruz, em Serra do Mel (RN), é controlado por uma
holding de mesmo nome dona de quatro parques eólicos que devem gerar, no
total, 93 MW. A holding é formada pela Centrais Hidroelétricas do São
Francisco (Chesf), que tem 49%, pelo francês Grupo Voltalia, que tem
25,6%, e pela Encalso Construções Ltda, do Ceará, com 25,4%. Na
construção, devem ser criados 60 empregos diretos e 605 indiretos.
Como parte da operação, foram aprovados R$ 3 milhões que devem ser
usados em iniciativas sociais no entorno do empreendimento. Uma parcela
desses recursos apoiará a expansão de projeto de abastecimento de água
para consumo humano e agricultura de subsistência na zona rural dos
municípios de Areia Branca e Serra do Mel, realizado com apoio da
Embrapa.
Empréstimo-ponte – O BNDES também aprovou empréstimo-ponte no valor
de R$ 144,9 milhões para a implantação de 12 usinas eólicas e o sistema
de transmissão do Complexo de Hermenegildo, nos municípios de Santa
Vitória do Palmar e Chuí, no Rio do Grande do Sul.
O empréstimo-ponte visa agilizar a realização de investimentos por
meio da concessão de recursos no período de estruturação da operação de
longo prazo. Os pedidos de empréstimos-ponte foram apresentados pelas
quatro SPEs constituídas pela Eletrosul em sociedade com a Renobrax para
construir e operar as usinas.
As SPEs do Complexo de Hermenegildo venceram o Leilão de Energia
Nova, de novembro de 2013. Com isso, podem firmar Contratos de
Comercialização de Energia no Ambiente Regulado (CCEAR) que garantem
compra por 20 anos. Esses contratos são reajustados anualmente pelo
IPCA.
As usinas terão potencial de 180,79 MW e utilizarão 101 equipamentos
cadastrados seguindo os critérios da Nova Metodologia de Credenciamento
de Aerogeradores, lançada pelo BNDES em dezembro de 2012.
A metodologia visa aumentar progressivamente o conteúdo local das
unidades geradoras, por meio da fabricação no País de componentes com
alto conteúdo tecnológico e uso intensivo de mão de obra. Durante a
construção, serão gerados 700 empregos diretos e 1.200 indiretos. Após a
conclusão serão 50 diretos e 100 indiretos.
Meia Itaipu – Entre 2003 e agosto deste ano, os recursos do BNDES
ajudaram a acrescentar 70% da capacidade de geração eólica do Brasil,
hoje estimada em 6,5 MW. A cifra equivale a quase meia usina de Itaipu.
Informações do BNDES, in EcoDebate, 10/09/2015 [
O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído,
desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à
fonte primária da informação ]
Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate
Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim
diário, basta enviar um email para
newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . O seu e-mail será
incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a
inscrição.
O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail
de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por
terceiros.
Tânia Monteiro e Sandra Manfrini - O Estado de S. Paulo
10 Setembro 2015 | 10h 18
Com
a correção, competência para atos relativos a pessoal fica delegada ao
ministro da Defesa, mas está permitida a 'subdelegação aos comandantes
das Forças Armadas'
Brasília - O governo publicou no
Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira, 10, uma retificação do
Decreto 8.515, publicado na sexta-feira, 4, da semana passada. O decreto tirou poder dos comandantes das Forças Armadas
de editar atos relativos a pessoal militar, como transferência para a
reserva remunerada de oficiais superiores, intermediários e subalternos,
reforma de oficiais da ativa e transferências para o exterior.
Com a
correção de hoje, a competência para esses atos fica delegada ao
ministro da Defesa, mas está permitida a "subdelegação aos comandantes
das Forças Armadas", o que na prática devolve aos titulares do Exército,
Marinha e da Aeronáutica o poder de editar esses atos, conforme o Estado antecipou ontem.
Dilma Rousseff durante desfile do 7 de setembro
A publicação do texto no Diário Oficial na última sexta-feira
causou enorme insatisfação entre os militares. Esse "conserto" de hoje
atende ao anseio das Forças, mas não deixou de lado a desconfiança que
tomou conta de todos, principalmente pela forma “inábil” como foi
conduzido.
Publicar um decreto deste teor, tirando poderes da cúpula
militar, sem comunicar aos comandantes foi considerável “inaceitável”.
Nem mesmo o titular da Marinha, almirante Eduardo Bacelar, que assinava o
texto com Dilma, por estar exercendo interinamente o cargo de ministro
da Defesa, foi informado que endossaria o decreto.
Em momento de grave
crise na política e na economia, a presidente e seus auxiliares diretos
consideraram “absolutamente desnecessário” criar uma aresta deste tipo
com a área militar.
Descontente com a decisão da
Câmara que, nesta quarta-feira, restabeleceu a doação de empresas a
partidos e políticos, o ex-presidente do STF joga a responsabilidade
para Dilma: ‘Um presidente com lucidez política e clara visão do Estado e
da sociedade, não hesitaria em exercer o poder de veto’
Joaquim Barbosa. Foto: Fábio Motta/Estadão
Por Fausto Macedo e Julia Affonso
Em quatro mensagens no Twitter, postadas na noite desta quarta-feira,
9, e na manhã desta quinta-feira, 10, o ex-presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa atacou duramente os deputados
que aprovaram texto mantendo doações eleitorais de empresas.
Na noite desta quarta-feira, 9, a Câmara aprovou texto que restabelece o
repasse de pessoas jurídicas a partidos e políticos, que havia sido
proibido pelo Senado. O ex-ministro jogou a responsabilidade para a
presidente Dilma Rousseff (PT).
“Um presidente com lucidez política e clara visão do Estado e da
sociedade, não hesitaria em exercer o poder de veto”, afirmou Joaquim
Barbosa.
Em seu último post, às 10h42 desta quarta, o ex-ministro arrematou. “Mas como todos nós sabemos, é sonhar demais, não é mesmo?”
Joaquim Barbosa começou a tuitar seu descontentamento às 23h25, pouco
depois de os deputados derrubarem a decisão dos senadores, na véspera.
“Pois é. Em poucos dias os ilustres deputados derrubaram a saudável
proibição do desvio de dinheiro das empresas para políticos e partidos.
Agora está tudo muito claro, né? Vc já sabe: o que a maioria dos
políticos (não todos, claro) quer é: dinheiro, dinheiro, dinheiro!!!”.
Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo - O Estado de S. Paulo
13 Setembro 2015 | 03h 00
Entidades
ligadas à moradia, educação, cultura e estudantes estão descontentes
com possibilidade de cortes em programas das áreas
Discurso
que mesclou a defesa da democracia, críticas ao ajuste fiscal e pedidos
da saída do presidente da Câmara guiou o Grito dos Excluídos, ato
organizado pela Central de Movimentos Populares (CMP), em São Paulo
Os
movimentos sociais que foram às ruas defender o governo contra o
impeachment da presidente Dilma Rousseff ameaçam agora mudar de postura e
partir para a ofensiva contra o Palácio do Planalto caso a atual gestão
corte programas sociais, reduza investimentos em áreas estratégicas e
elimine ministérios, como defendem aliados da presidente no Congresso.
A ameaça vem no momento em que o ministro da Fazenda, Joaquim
Levy, defende intensificar os cortes e a criação de impostos para cobrir
o rombo de R$ 30,5 bilhões no Orçamento de 2016. Na quarta-feira, Dilma
reafirmou seu compromisso de cumprir o superávit primário, o que
contraria a “pauta popular”.
As pressões dos movimentos sociais, base do PT, englobam
descontentamentos de setores ligados à moradia, estudantes, educação e
cultura. Com isso, Dilma vê ainda mais reduzida sua margem de manobra
para sair da crise, espremida entre as reivindicações dos empresários,
do Congresso, que exige corte de gastos para negociar novos impostos, e
agora de seus aliados históricos - únicos a ocupar as ruas neste ano
para defendê-la e atacar o que chamam de “golpe”, os protestos
pró-impeachment. Em momentos agudos, como no escândalo do mensalão, em
2005, o governo do PT recorreu, com sucesso, aos movimentos sociais.
Resolução divulgada na sexta-feira, 11, pelo MST dá o tom de
como será a postura dos movimentos: “Reconhecemos a existência de uma
crise econômica mundial, mas não admitimos que trabalhadoras e
trabalhadores paguem essa conta. Somos contra o ajuste fiscal e
consideramos que o governo está implementando medidas de ajuste
neoliberal, que ferem direitos dos trabalhadores e cortam investimentos
sociais. Exigimos que a presidente implemente o programa que a elegeu”.
Em reunião de três horas na quinta-feira com a presidente,
líderes de movimentos de moradia avisaram que não aceitarão cortes no
programa Minha Casa Minha Vida, uma das principais bandeiras de Dilma. O
governo já avisou que a nova etapa do programa será “ajustada à
disponibilidade orçamentária”. “Dissemos que não aceitamos cortes. Ela
(Dilma) prometeu preservar o programa, mas queremos ver isso na
prática”, disse Raimundo Bonfim, coordenador-geral da Central de
Movimentos Populares (CMP).
Filiado ao PT, Bonfim diz que o movimento “está frustrado” com
o governo. “Atuamos muito fortemente na campanha pela reeleição da
presidenta. Esses movimentos têm se manifestado e ido em massa nas
manifestações contra o golpe. Se o programa (Minha Casa Minha Vida) for
tocado de forma lenta, isso pode contribuir para um desgaste maior do
governo.” A CMP integra a Frente Brasil Popular, que reúne entidades
sociais, sindicais e partidos políticos que atuam contra o movimento
pelo impeachment.
Membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores
Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos diz que já foi elaborada agenda de
manifestações contra o governo com mobilizações de rua, ocupações e
bloqueios de rodovia. Os locais e datas não foram divulgados.
Racha. Em outra frente, a redução das verbas
para universidades federais e programas de apoio à pós-graduação causou
um racha na União Nacional dos Estudantes (UNE). Liderada
majoritariamente pelo PC do B, a entidade tem sido a mais aguerrida
defensora de Dilma desde o acirramento da crise política.
“Hoje, defender os interesses dos estudantes é colocar-se
contra as medidas adotadas por este governo que têm impactado de forma
extremamente negativa o cotidiano das universidades”, afirmou, em
manifesto intitulado Não estamos com Dilma, a estudante Camila Souza,
diretora da entidade. “Durante o encontro da presidente com os
movimentos sociais, a presidente da UNE, Carina Vitral, declarou que a
entidade é a melhor amiga da Dilma. Essa é uma fala que não representa
toda a entidade”, disse Camila.
O ajuste fiscal também causa reflexos no berço do PT, o
movimento sindical. “Todas as centrais estão criticando muito o governo,
inclusive a CUT, que está adotando uma postura cada vez mais dura em
relação ao arrocho. Não há uma central que não esteja criticando a
política econômica”, afirma o senador Paulo Paim (PT-RS).
Outro foco de pressão é o corte de ministérios. Artistas e
ativistas culturais que apoiaram Dilma em 2014 lançaram petição
defendendo que o Ministério da Cultura não seja extinto. O grupo fez um
“tuitaço” com o lema #ficaMinc. “Diante da proposta de reforma
ministerial, orquestrada com o objetivo de agradar bases aliadas,
reconquistar popularidade no governo e na Casa Civil e dissolver o
embrião de movimento informal pró-impeachment que se forma na Câmara,
reivindicamos a permanência da pasta da Cultura na reforma”, diz a
petição.
Comentário
O povo não queria a Copa no Brasil.Lutamos para que o evento não fosse realizado no Brasil.Preferíamos que a verba fosse aplicada em mais escolas e escolas de melhor qualidade, mais hospitais, melhor atendimento medico.Mas o Governo sabia que a Copa traria muita corrupção que é o nutriente básico do PT. Não contente com as dezenas de bilhões gastos com a Copa (roubados)resolveu gastar outras dezenas com as Olimpíadas.Resultado: O pais faliu e provavelmente a Dilma vai cair por causa disso.Quem mandou não ouvir o povo que gritou nas ruas dizendo que não queriam a Copa?Quem mandou Dilma? Anonimo
Natuza Nery e Mariana Haubert Folha
A Câmara deve começar a tratar formalmente do processo de impeachment
de Dilma Rousseff nesta semana, quando deputados de oposição
apresentarão requerimentos ao presidente da Casa, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), para que ele se posicione sobre os 13 pedidos em espera.
Cunha já avisou que pretende negar, se não todas, boa parte das ações
exigindo o impeachment. Com as demais, ele continuaria protelando.
O roteiro dos defensores do afastamento é então apresentar recursos
questionando uma das recusas de Cunha. Assim, o caso precisaria ser
submetido ao plenário. Se for aprovado por maioria simples (257
deputados), o processo é deflagrado.
Os partidos PPS, Solidariedade, DEM e PSDB encomendaram estudos para
embasar o rito desse processo. Provocarão Cunha com as chamadas questões
de ordem. A partir delas, o presidente da Câmara terá de informar como
será a tramitação desses atos, bem como prazos para recursos e
parlamentares autorizados a promovê-los.
QUESTÕES DE ORDEM
Se as questões de ordem forem submetidas na terça (15), como é a
intenção, o comando da Câmara deve demorar uma semana para apreciá-las,
segundo a Folha apurou.
As denúncias contra Dilma começaram a entrar na Câmara em fevereiro.
Em geral, quando há falhas na documentação, como não ter firma
reconhecida ou o denunciante não mostrar provas ou indicar onde
encontrá-las, elas são encaminhas para o arquivamento.
Em julho, a cúpula da Casa, porém, optou por notificar os autores de
alguns pedidos solicitando que corrigissem os erros. A prática é
considerada inusual.
“A oposição não quer adotar um caminho que seja questionado juridicamente”, disse o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE).
CUNHA VAI IMITAR TEMER
Eduardo Cunha já confidenciou a interlocutores que pretende seguir os
passos do hoje vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP),
quando este chefiava a Câmara.
Em 1999, ele indeferiu um pedido de impeachment contra o presidente
Fernando Henrique Cardoso.
À época, o então deputado petista José
Dirceu, hoje preso pela Operação Lava Jato, apresentou um recurso contra
o arquivamento. O recurso foi derrotado no plenário por 342 votos,
contra 100 a favor da abertura do processo. Se, no caso de Dilma, esse
recurso for eventualmente aprovado, Cunha criaria, então, uma comissão
especial com a participação de todos os 28 partidos com representação na
Casa.
Na etapa seguinte, Dilma seria notificada sobre o processo e teria
dez sessões para apresentar a sua defesa. Segundo cálculos internos, um
processo como este demoraria cerca de um mês de tramitação. Só então
seria possível saber se a denúncia seguiria adiante, devendo, ainda,
passar pelo plenário da Câmara e, depois, pelo Senado, que executaria o
julgamento em si.
### NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Muita gente não acredita
no impeachment de Dilma, mas a possibilidade existe, tem muita chance de
se concretizar e depende diretamente de Eduardo Cunha. Como ele detesta
Dilma e a culpa por suas agruras, é claro que Cunha vai tocar o
processo. A estratégia é primeiro recusar e depois agir nos bastidores
para derrubar a recusa em plenário, por maioria absoluta. Podem apostar.(C.N.)
Mercadante vai ficando, Dilma vai saindo, o empresariado vai desembarcando, até Lula está fugindo…
Se
a presidente Dilma Rousseff não sabe, informo. O clima é de
desembarque. Não importa para onde se olhe. Recente nota-manifesto
assinada pela Fiesp e pela Firjan traduziu o que anda pensando o
empresariado. Lideranças de outros setores da economia já buscam
interlocuções de olho no pós-impeachment. Se a situação já era muito
difícil antes de a Standard & Poor’s pôr o guizo no pescoço do gato,
piorou bastante agora. Ninguém vê saída para a presidente — e isso
inclui os petistas.
Não sei se
notam, mas o próprio Lula começa a buscar um lugarzinho no pós-Dilma. É
ele, não outro, quem está por trás de uma tal Frente Brasil Popular,
que busca resistir ao governo pela esquerda.
Por
enquanto, somos governados pela paralisia. O Planalto ainda não fez
anúncio de corte nenhum nem deixou claro quem pretende tungar para
aumentar a receita. Seus cinco milhões de coordenadores políticos
anunciaram para esta sexta um esboço ao menos de resposta para a crise
terminal, mas não veio nada. Estamos falando de uma gente que se
especializou em dar tiro no próprio pé. Em vez disso, o dia foi tomado
pela negativa enfática de que Aloizio Mercadante vá deixar a Casa Civil,
embora Dilma busque alguém para a… Casa Civil.
Conforme o
esperado, conforme o sabido, conforme o óbvio, o PT não quer entregar a
pasta. Ficará feliz se ela sair das mãos de Mercadante, que é,
primeiro, mercadantista e, secundariamente, petista. O partido insiste
em manter o ministério que, em tese, ao menos, faz a coordenação geral
do governo. Estamos diante de uma natureza. Ainda que sob o risco de
perder tudo, a legenda não aceita abrir mão de um pedaço. E, assim,
Dilma vai caminhando para o abismo.
Não sei se
há tempo, a esta altura, de fazer alguma coisa. A presidente conta em
seus quadros com políticos com mais trânsito do que as pastas às quais
estão confinados. Há Gilberto Kassab (Cidades), do PSD, um bom
articulador. O problema, nesse caso, são as resistências que enfrentaria
em alas do PMDB.
Há Kátia
Abreu (Agricultura), peemedebista ainda recente, é verdade, mas com
abrangência suprapartidária em razão de ser também uma liderança do
único setor da economia que não está no vermelho — o agronegócio. Até
Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia), do PCdoB, seria uma alternativa para
tentar ampliar o diálogo. E, quando escrevo, “até”, refiro-me ao fato
de que seu partido é pequeno. Sua interlocução no Congresso, no entanto,
é bem maior. Afinal, já presidiu a Câmara.
Mas não
tem jeito. O PT insiste em ter o controle da máquina — máquina
sabidamente desgovernada, que atira para todo lado. O petista Jaques
Wagner (Defesa), em razão de sua fala fácil, aparecia como cotado para a
função, mas se desmoralizou com o episódio do decreto que tentou
destituir os comandantes militares de atribuições… militares! A porcaria
foi redigida por sua secretária-executiva sem que ele soubesse. A tal
continua no cargo. Não me parece que isso o credencie para a Casa Civil.
O governo
chegou a emitir nesta sexta uma nota negando que Mercadante vá deixar o
cargo, destacando, adicionalmente, seus relevantes serviços ao governo.
Soou como piada nos meios políticos porque se sabe que não há serviço
relevante nenhum.
Encerro com um trecho da minha coluna de ontem na Folha: “Algum entendimento terá de ser feito
para convencer a sociedade de sacrifícios adicionais, além daqueles que
já estão em curso. Ou é isso, ou vem por aí uma espiral negativa de
longuíssima duração. E a arena desse pensamento não é o Ministério da
Fazenda. A Joaquim Levy, ou a outro, entregar-se-á uma máquina de
calcular números. A realidade exige alguém que seja bom no cálculo
político.
Ocorre que
isso não se faz sem uma relação de confiança, que não existe mais. É
preciso saber identificar o momento em que todos os bares se fecham e as
virtudes se negam. Tá bom, presidente! Eu a deixo com o seu Riobaldo.
Mas com um outro –aquele que cobra da senhora é coragem.”
Lula está se posicionando na oposição, começa a criar
a imagem de que está defendendo os pobres, que não está a favor do
reajuste.
Está montando a estratégia de ir para a oposição.
Acho que vai
chegar o momento em que o PT e o Lula vão convencer a Dilma a renunciar
e voltam para a oposição, fingindo que estão defendendo os pobres e que
não tem nada a ver com o que aconteceu no Brasil nos últimos anos.
Merval: PT e Lula vão convencer Dilma a renunciar
Durante participação nesta sexta-feira, 11, no
programa CBN Brasil, apresentado por Carlos Alberto Sardenberg, o
jornalista Merval Pereira afirmou que a crise do governo federal levará o
PT e o ex-presidente Lula a pedir que a presidente Dilma Rousseff
renuncie ao mandato;
"Eu acho que vai chegar o momento que o PT e o Lula
vão convencer a presidente Dilma a renunciar", afirma Merval; segundo
ele, Lula já estaria "na oposição" ao governo, ao criticar a política de
ajuste fiscal; "Ela não pode prejudicar os trabalhadores, os mais
pobres, e aí o PT vai para a oposição junto com o Lula, e ficam fingindo que
estão defendendo os pobres, e que não têm nenhuma relação com o que está
acontecendo no Brasil", afirma
O jornalista disse também que caso a presidente dê força ao ministro
da Fazenda, Joaquim Levy, e leve adiante a política de ajuste fiscal e
aumento de impostos, ela ficará desgasta com o seu partido. "Ela vai
ficar muito mal, e vai ser difícil aprovar qualquer tipo de medida no
Congresso", afirmou.
Soubemos, pelo Estadão, que Lula procurou Michel Temer, há oito
dias. De acordo com o jornal, "Lula pediu ajuda a Temer por avaliar que,
se o PMDB abandonar Dilma, o processo de impeachment será
deflagrado"...
Investigado por tráfico de influência e também pelo
petrolão, Lula se comporta como um pedinte nos bastidores, enquanto
bota banca de líder popular em eventos organizados por sindicalistas.
Os "movimentos sociais" afirmam que vão abandonar a defesa do
mandato de Dilma Rousseff se ela cometer alguma racionalidade econômica.
Guilherme
Boulos, chefão da facção criminosa MTST, que invade propriedades
privadas em São Paulo, disse ao Estadão que "se prevalecer no governo
essa posição de ampliar a crise social para solucionar a crise fiscal, o
MTST vai para o enfrentamento".
Dilma Rousseff e os seus miquinhos amestrados correm contra o
tempo. Mas não pensem vocês que o motivo é o bem do país ou algo que o
valha.
Os petistas querem apenas melhorar a posição de Dilma
Rousseff na próxima pesquisa que será feita pelo Ibope, na semana que
vem. A ordem, até lá, é transmitir a imagem de que ela está no comando
da situação econômica (daí o verbo "ordenar", bovinamente repetido pelos
jornais) e inundar as emissoras de TV e rádio com propaganda oficial.
O PT ainda acha que pode varrer todas as suas sujeiras e incompetências para debaixo da propaganda falaciosa.
A imprensa estrangeira, até agora, ignorou a posse de Dilma
Rousseff.
New York Times, Washington Post, La Repubblica, Corriere della
Sera, Le Monde, The Guardian, Financial Times: silêncio constrangedor.
Os únicos chefes de Estado que vieram a Brasília para prestigiar a
presidente, excluindo os latino-americanos, foram os de Guiné-Bissau,
Guiné Equatorial e Gana.
O Brasil sempre contou pouco, agora conta menos
ainda.
A defesa das pedaladas que o governo apresentou ao TCU tem mil páginas.
Pode jogar tudo fora.
O
Globo, hoje, publica que a Caixa Econômica Federal cobra na Justiça
274,4 milhões de reais da União por conta de “pedaladas” dos ministérios
das Cidades e da Agricultura.
"As duas pastas deixaram de pagar
taxas de administração por serviços prestados pelo banco público na
execução, por exemplo, do PAC, no caso de Cidades, e de projetos
financiados com emendas parlamentares, no caso da Agricultura".
Dilma Rousseff inventou a pedalada. Agora ela inventou também a pedalada da pedalada.
A Folha de S. Paulo está perfeitamente alinhada com o cartel de empresários que ainda impede o impeachment de Dilma Rousseff.
Hoje, em seu editorial, o jornal também deu seu ultimato:
"Às
voltas com uma gravíssima crise político-econômica, que ajudou a criar e
a que tem respondido de forma errática e descoordenada; vivendo a
corrosão vertiginosa de seu apoio popular e parlamentar, a que se soma o
desmantelamento ético do PT e dos partidos que lhe prestaram apoio, a
administração Dilma Rousseff está por um fio.
A presidente abusou
do direito de errar. Em menos de dez meses de segundo mandato, perdeu a
credibilidade e esgotou as reservas de paciência que a sociedade lhe
tinha a conferir. Precisa, agora, demonstrar que ainda tem capacidade
política de apresentar rumos para o país no tempo que lhe resta de
governo.
É imprescindível conter o aumento da dívida pública e a
degradação econômica. Cortes nos gastos terão de ser feitos com
radicalidade sem precedentes, sob pena de que se tornem realidade
pesadelos ainda piores, como o fantasma da inflação descontrolada.
A
contenção de despesas deve se concentrar em benefícios perdulários da
Previdência, cujas regras estão em descompasso não só com a conjuntura
mas também com a evolução demográfica nacional. Deve mirar ainda
subsídios a setores específicos da economia e desembolsos para parte dos
programas sociais.
Embora drásticas, tais medidas serão
insuficientes para tapar o rombo orçamentário cavado pela inépcia
presidencial. Uma vez implementadas, porém, darão ao governo crédito
para demandar outro sacrífico –a saber, alguma elevação da já obscena
carga tributária, um fardo a ser repartido do modo mais justo possível
entre as diversas camadas da população.
Não há, infelizmente, como
fugir de um aumento de impostos, recorrendo-se a novas alíquotas sobre a
renda dos mais privilegiados e à ampliação emergencial de taxas sobre
combustíveis, por exemplo.
Serão imensas, escusado dizer, as
resistências da sociedade a iniciativas desse tipo. O país, contudo, não
tem escolha. A presidente Dilma Rousseff tampouco: não lhe restará,
caso se dobre sob o peso da crise, senão abandonar suas
responsabilidades presidenciais e, eventualmente, o cargo que ocupa".
Tudo muito sensato. Exceto
por um detalhe: como é que uma presidente "inepta", sem "apoio popular e
parlamentar", e diretamente envolvida no "desmantelamento ético do PT"
pode realizar esse programa?
A editorial da Folha de S. Paulo é
intitulado "Última chance". De fato, esta é a última chance para a Folha
de S. Paulo reconhecer que, para Dilma Rousseff, não há mais última
chance.