Tucano achado com bico quebrado em jardim de casa no DF (Foto: Gabriella Terra/Arquivo Pessoal)
A gente colocou fruta. Ele estava em uma mangueira e desceu para comer
as frutas, estava desesperado, faminto. Ele pulou para uma árvore mais
baixa, um pé de acerola. Quando ele fechou um pouco os olhos – ele
estava muito cansado–, peguei uma coberta, joguei em cima dele e já
agarrei"
Gabriella Terra,
veterinária
Um grupo de veterinários tem se desdobrado para dar assistência e
encontrar os donos de um tucano-toco resgatado com o bico quebrado do
jardim de uma casa no Park Way, no
Distrito Federal.
Magra e assustada, a ave se abrigou em uma mangueira na quadra 15 no
final de semana. Exames apontaram que ela está desidratada, mas passa
bem.
Mulher de um dos sobrinhos dos donos da casa, a veterinária Gabriella
Terra usou uma coberta para tirar o animal da árvore. “A gente colocou
fruta. Ele estava em uma mangueira e desceu para comer as frutas, estava
desesperado, faminto. Ele pulou para uma árvore mais baixa, um pé de
acerola. Quando ele fechou um pouco os olhos – ele estava muito
cansado–, peguei uma coberta, joguei em cima dele e já agarrei.”
O tucano foi encaminhado para a casa de um colega dela, que cria araras
e tem um viveiro, para tratamento. O bicho toma analgésico,
anti-inflamatório e antibiótico uma vez por dia. Além disso, é
constantemente alimentado.
Tucano achado com bico quebrado em jardim de casa no DF (Foto: Gabriella Terra/Arquivo Pessoal)
Aquela lesão ali [do bico], creio que tem mais de uma semana. Ele pode
ter fugido há pouco tempo e já ter acontecido o acidente, que não deu
tempo de ele ficar em uma situação tão ruim. Se ele estivesse nessa
situação há muito tempo, ele não teria sobrevivido. Estaria muito mais
magro, estaria mais desidratado"
Gabriella Terra,
veterinária
“Acredito que é uma fêmea por causa do tamanho, o bico é um pouco
menor”, diz Gabriella. “Aquela lesão ali [do bico], creio que tem mais
de uma semana. Ele pode ter fugido há pouco tempo e já ter acontecido o
acidente, que não deu tempo de ele ficar em uma situação tão ruim. Se
ele estivesse nessa situação há muito tempo, ele não teria sobrevivido.
Estaria muito mais magro, estaria mais desidratado.”
Com base no registro na anilhada usada pelo tucano, a veterinária conta
ter conseguido identificar o local onde o bicho nasceu, em Goiás, a
empresa para o qual foi vendido e o possível dono. A mulher conta com a
ajuda de colegas para contatá-lo. Ela também soube, desde que postou o
caso em redes sociais, que há faixas no Park Way sobre a procura de um
casal de aves. Os cartazes não foram localizados.
“Estamos fazendo com que ele fique mais forte para poder passar por
procedimento [de prótese, por exemplo]. Nesse tempo, estamos atrás de
localizar o proprietário. Se esse animal tem um dono, a gente precisa da
autorização para fazer alguma coisa”, explica.
Veterinários examinam tucano achado com bico quebrado no jardim de casa do DF (Foto: Gabriella Terra/Arquivo Pessoal)
Tucano-toco e resgate
Também conhecido como tucanuçu, o tucano-toco (Ramphastos toco) tem 56
centímetros de comprimento e pesa cerca de 540 gramas. É o maior entre
todos os tucanos e vive em média 40 anos. Eles são uma espécie de
símbolo das aves do continente sul-americano.
A plumagem é preta da coroa ao dorso e no ventre. Ao redor dos olhos
tem a pele nua amarela. As pálpebras são azuladas. O papo é branco e a
plumagem sob a cauda é avermelhada. O bico alaranjado tem uma mancha
preta e pode medir 22 centímetros. Nos filhotes o bico é curto e
amarelo, sem a mancha preta.
O animal se alimenta de frutos, insetos, lagartos, ovos e filhotes de
outras aves. Em razão do desmatamento, o tucano procura comida em áreas
próximas às cidades. A ave vive em pares ou bandos de duas dezenas de
indivíduos que voam em fila indiana.
Para Gabriella, a lesão no bico pode ter a ver com disputa por
território ou impacto com vidro de alguma casa. “Não creio na hipótese
de maus-tratos, como algumas pessoas me perguntaram.”
Os donos da residência notaram o tucano na sexta e acionaram o Batalhão
de Polícia Militar Ambiental, que alegou não poder ajudar na captura
por estar com baixo efetivo. A recomendação teria sido para que a
família pegasse o bicho e então acionasse a equipe. Em nota, a PM negou
existir a orientação.
“A equipe do BPMA é que recolhe animais da fauna, principalmente com
animais feridos, pois estão melhor preparados do que a população. O que
acontece é que por se tratar de animais que não são domesticados,
acostumados ao livre transito, principalmente aves, o cidadão liga para
fazermos a apreensão e quando a equipe chega ele já fugiu. Ele pode
pousar e permanecer por algum tempo e ir embora ou apenas passar pelo
local”, declarou.