quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Teste da Anvisa encontra agrotóxicos acima do permitido em alimentos

Teste da Anvisa encontra agrotóxicos acima do permitido em alimentos

A agência encontrou resíduos que foram usados de forma equivocada em 23% das amostras de alimentos avaliadas entre 2017 e o ano passado no Brasil

Teste da Anvisa encontra agrotóxicos acima do permitido em alimentos
Notícias ao Minuto Brasil
11/12/19 07:00 ‧ Há 2 mins por Estadao Conteudo
Brasil Alerta!
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) encontrou resíduos de agrotóxicos em níveis acima do permitido ou usados de forma equivocada em 23% das amostras de alimentos avaliadas entre 2017 e o ano passado no Brasil. Os resultados são parte do Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos e foram divulgados nesta terça-feira, 10.

Conforme a Anvisa, no entanto, os resultados estão dentro do esperado e não há motivo para alarde.

Os alimentos são seguros para consumo. "Não há nenhum alarde, os alimentos são seguros, dentro do que esperávamos", afirmou o diretor-adjunto da Anvisa, Bruno Rios, durante a divulgação do levantamento.

Nas amostras em que foram encontradas inconformidades, 17,3% tinham resíduos de ingredientes ativos não permitidos para aquela cultura. Outros 2,3% tinham ingredientes ativos acima do limite permitido. Segundo o levantamento, 0,5% apresentaram ingrediente ativo de uso proibido no País. E 2,9% tinham mais de um tipo de inconformidade.

A agência também checou o risco à saúde representado por tais alimentos segundo dois critérios: agudo ou crônico. Das amostras analisadas, apenas 0,89% apresentaram potencial de risco agudo. Ou seja, seriam capazes de causar reações como dor de cabeça e náusea num período de 24 horas. Não foi constatado risco de problemas crônicos em nenhuma amostra.

Na rodada anterior do levantamento, referente a 2013 e 2015, o porcentual de amostras consideradas insatisfatórias foi um pouco mais baixo, 19,7%. A Anvisa informa, no entanto, que não é possível comparar os dois levantamentos, porque a metodologia da pesquisa foi alterada desde a última edição.

A Anvisa avaliou 4.616 amostras de 14 legumes, cereais e frutas encontrados em supermercados de 77 municípios de todo o Brasil. Foram testados 270 diferentes agrotóxicos em amostras de abacaxi, alface, arroz, alho, batata-doce, beterraba, cenoura, chuchu, goiaba, laranja, manga, pimentão, tomate e uva. Esses alimentos equivalem a cerca de 30% da dieta vegetal dos brasileiros.

O levantamento constatou que 77% das amostras estavam dentro dos padrões. Metade delas não apresentava nenhum resquício de agrotóxico. A Anvisa sugeriu que o consumidor lave e esfregue com bucha os alimentos antes de consumi-los e que dê preferência àqueles cuja procedência é informada. Outra recomendação é optar sempre por produtos da estação.

Estudo mostra que não há dose segura de uso do produto
Uma análise de dez agrotóxicos de largo uso no País encomendada pelo Ministério da Saúde e realizada pelo Instituto Butantã revela que os pesticidas são extremamente tóxicos ao meio ambiente e à vida em qualquer concentração - mesmo quando utilizados em dosagens equivalentes a até um trigésimo do recomendado pela Anvisa.

Para esse trabalho, os cientistas usaram a Plataforma Zebrafish - que usa a metodologia considerada de referência mundial para testar toxinas presentes na água, com os peixes-zebra (Danio rerio). Eles são 70% similares geneticamente aos humanos, têm ciclo de vida curto (fácil de acompanhar todos os estágios) e são transparentes (é possível ver o que acontece em todo o organismo do animal em tempo real).

Os pesquisadores testaram a toxicidade de dez pesticidas largamente utilizados no País. São eles: abamectina, acefato, alfacipermetrina, bendiocarb, carbofurano, diazinon, etofenprox, glifosato, malathion e piripoxifem. As substâncias são genéricas, usadas em diversas formulações comerciais.

Pantanal é o alvo do novo desastre ambiental no Brasil


Brasil

Pantanal é o alvo do novo desastre ambiental no Brasil

Bioma enfrenta os piores incêndios dos últimos anos, porém, não atrai a mesma visibilidade que as queimadas na Amazônia. Em meio à situação crítica, Bolsonaro libera plantio de cana-de-açúcar em ambas as regiões.
Brasilien Pantanal Waldbrände (AFP/Mato Grosso do Sul State Government) Ambientalistas falam em 1,5 milhão de hectares queimados no Pantanal

No Brasil, novamente um bioma está em chamas. Depois das queimadas de grande proporção na Amazônia terem chocado o mundo em agosto e setembro, agora é a vez do Pantanal. A maior planície alagada do planeta está entregue ao fogo.

Só na região das cidades de Corumbá e Miranda, no Mato Grosso do Sul, o fogo consumiu, nos últimos dias, uma área de 122 mil hectares, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Mas, ao contrário da Amazônia, as queimadas ali estão longe dos holofotes da mídia.

"Agora, a chuva deu uma amenizada, diminuindo os incêndios. Mas há regiões onde ainda não choveu que estão queimando neste momento", conta Felipe Dias, diretor-executivo da ONG ambiental Instituto SOS Pantanal, em Campo Grande.

Neste ano, os incêndios no Pantanal alcançaram cifras nunca antes vistas. O número de focos de calor (temperatura acima de 47°C) – indícios de queimadas – aumentaram quase 100% em relação à média dos últimos dez anos. Já são mais de 8 mil incêndios registrados. O governo do Mato Grosso do Sul estimou a área total destruída em 1,3 milhão de hectares e decretou estado de emergência.

Dias trabalha com números ainda maiores. Ele estima que, desde agosto, o fogo já consumiu 1,5 milhão de hectares. "Ter incêndios é normal. Mas anormal foi a proporção e a quantidade de área queimada." Um dos motivos, segundo o ambientalista, foi a estiagem extrema deste ano. Em 2018, com as muitas chuvas, muita biomassa se acumulou no bioma, e esta está queimando agora.

Em alguns casos, foram raios que causaram incêndios na planície alagada. "No Pantanal, o fogo é uma coisa que acontece até naturalmente. Há uma resiliência da própria vegetação a esses incêndios", relata Dias. "Mas neste ano, a quantidade foi extremamente fora do contexto."

O ambientalista atribui parte dos incêndios à situação nos outros dois países que fazem parte do bioma. Houve queimadas provenientes de Estados vizinhos, migrando da Bolívia e do Paraguai para o Pantanal brasileiro.
Brände im Amazonas-Gebiet (Getty Images/AFP/A. Raldes) Incêndios em países vizinhos, como aqui na Bolívia, se alastraram para Pantanal brasileiro

"Os incêndios naturais não acontecem nessa escala", avalia Carlos Rittl do Observatório do Clima.

"A maior parte deles é fogo colocado por fazendeiros ou decorrente de outras ações humanas, e faz meses que o Pantanal enfrenta incêndios em maior número. Mas isso tem menos visibilidade do que na Amazônia. Só que a situação é muito, muito grave agora", acrescenta.

Rittl atribui a falta de visibilidade do Pantanal às enormes dimensões da Amazônia. Por essa região ter uma biodiversidade maior, como também mais desmatamento e mais incêndios, a Amazônia costuma se tornar sempre manchete.

A falta de visibilidade não só atinge a cobertura da imprensa, mas, também, as ações do governo, avalia Dias. "O governo não está muito preocupado. O Pantanal é uma região que poucas pessoas conhecem e acaba se dando menos valor a esse ambiente. A reação do governo federal aos incêndios foi um pouco demorada. É preciso ainda uma política de controle preventivo, e o governo deveria contribuir com isso."

Rittl concorda que o grande número de queimadas tem relação com o atual governo. "É reflexo do discurso de tolerância perante crimes, e que a legislação seria mudada, que um incêndio ilegal não será punido. A cada hora, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, estão se encontrando com aqueles que cometem crimes ambientais, seja na Amazônia, seja no garimpo, e sempre criam expectativa de que aquilo que é ilegal vai ser legalizado. Existe essa impressão de que este governo permitirá tudo", aponta.

Pantanal e Amazônia
Enquanto o Pantanal vive momentos de muita apreensão devido ao grande número de incêndios, a situação na Amazônia se acalmou. Entre os dias 24 de agosto e 24 de outubro, cerca de dez mil militares combateram os incêndios na Região Amazônica. A ação contribuiu para a queda nos atuais números de queimadas.

"Na Amazônia, a situação mudou quando se tornou um escândalo internacional e passou a virar notícia ruim para o agronegócio no Brasil", lembra Rittl. "Foi também nesse momento que o governo resolveu mandar as forças militares para combater os incêndios. Isso não aconteceu no Pantanal." Segundo o pesquisador, a menor visibilidade do bioma contribui para que as pessoas se sintam à vontade para colocar fogo e cometer crimes.

Para Dias, o bioma merecia um esforço maior de preservação. "O Pantanal é um ambiente singular, extremamente diferente de tudo, com uma biodiversidade menor que a da Amazônia, mas com um diferencial: na Amazônia, os animais não são facilmente visíveis como no Pantanal. O potencial para o turismo é extremamente grande."

O Pantanal ainda é um paraíso natural, conclui Dias, apontando que 83% da vegetação nativa está preservada.

Mas esse ambiente poderá sofrer grandes transformações em breve. "Haverá mudanças na legislação de zoneamento agroecológico para cana-de-açúcar no Brasil, que afetarão também o Pantanal. Além disso, a pecuária é outro vetor importante do desenvolvimento econômico na região", alerta Rittl.
Ernte Zuckerrohr in Brasilien (AP) Liberação do plantio de cana-de-açúcar é outra ameaça para o Pantanal

As mudanças mencionadas por Rittl foram alavancadas nesta semana por Bolsonaro. Na última quarta-feira (06/11), o presidente revogou o decreto que proibia o cultivo da cana-de-açúcar em áreas sensíveis do país, como a Amazônia e o Pantanal.

O decreto havia sido aprovado em setembro de 2009, durante o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o intuito de regulamentar a expansão sem controle do cultivo da cana de açúcar para produção de etanol em áreas de vegetação nativa.

A iniciativa de Bolsonaro foi condenada pelo ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, um dos iniciadores do decreto. Segundo ele, a decisão do presidente "mancha" a imagem do etanol no mercado mundial.

"O decreto que [Bolsonaro] revogou foi a maior vitória que obtive no Ministério do Meio Ambiente em defesa do Pantanal e da Amazônia contra a expansão descontrolada da cana de açúcar. É incrível!!!", escreveu o ex-ministro em sua conta no Twitter.

Os impactos da liberação da cana na Amazônia e no Pantanal

Mulher corta cana-de-açúcar em plantação em Guariba, no estado de São Paulo O cultivo de cana para etanol se concentra atualmente na região Centro-Sul do país, sobretudo no Sudeste

Bolsonaro revogou um decreto de 2009 que impedia a expansão da cana-de-açúcar para áreas sensíveis. Enquanto indústria minimiza efeitos da medida, especialistas expressam preocupação com impactos ambientais e econômicos.

O governo federal revogou, na semana passada, um decreto de 2009 que estabelecia o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar e impedia a expansão do cultivo para áreas sensíveis. A decisão gerou preocupação pelos possíveis efeitos em biomas como a Amazônia e o Pantanal, mas também pelo viés econômico, já que esse mecanismo de proteção ambiental impulsionou a aceitação do etanol de cana brasileiro no mercado internacional.

Sob o decreto extinto em 6 de novembro, havia sido delimitada uma área de 64 milhões de hectares como apropriada para o plantio de cana-de-açúcar, correspondente a 7,5% da superfície do país e quase oito vezes maior que a atual área plantada para fins energéticos.

O cultivo de cana para etanol se concentra atualmente na região Centro-Sul do país, sobretudo no Sudeste. A área ocupada para essa finalidade na Amazônia corresponde a apenas 144 mil hectares, 1,5% do total permitido, concentrada no sul do Mato Grosso.

Especialistas apontam que a Amazônia e o Pantanal, biomas protegidos pelo zoneamento, não apresentam condições favoráveis para o desenvolvimento da cana-de-açúcar.

Em artigo publicado na revista Science, principal periódico científico internacional, os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Lucas Ferrante e Philip Fearnside esmiuçaram os possíveis efeitos ambientais do fim do zoneamento da cana.

O texto chamava atenção para o chamado efeito de borda desse cultivo. Mesmo que realizado em áreas degradadas, seus danos podem se estender por até um quilômetro dentro de áreas florestais adjacentes aos locais de produção, com impactos negativos sobre a flora e a fauna.

Com base no que se observou pela expansão da soja, que substituiu pastagens e outros cultivos, os cientistas também alertaram para o potencial risco de desmatamento, visto que, com a chegada da cana, a pecuária e outras atividades seriam deslocadas para outras áreas. Sendo a Amazônia a última fronteira agrícola do país, o avanço se daria sobre o bioma.

O artigo foi publicado na Science em março do ano passado, mesmo mês em que o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) apresentou um projeto de lei que visava a liberação do cultivo na Amazônia. À época, a própria União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) se posicionou contra a medida.
Na ocasião, a entidade manifestou preocupação com o impacto que o fim do zoneamento poderia ter sobre a imagem do etanol no exterior, já que o decreto de 2009 era tido como um selo de sustentabilidade da produção brasileira.

Agora, nesta nova etapa do debate, o setor reviu sua posição. Segundo o novo entendimento da Unica, a salvaguarda oferecida pelo decreto já é contemplada no Código Florestal de 2012 e nas exigências de desmatamento zero do programa RenovaBio – política instituída em 2018 e que visa aumentar a produção e consumo de biocombustíveis no Brasil a fim de cumprir os objetivos ambientais do Acordo de Paris até 2030.

"A revogação do zoneamento em nada vai mudar as práticas sustentáveis do setor. É prioridade para as empresas representadas pela Unica seguir os altos padrões de sustentabilidade exigidos por nossos compradores", garante Evandro Gussi, presidente da organização.

"Da parte das empresas associadas à Unica, nada muda. Continuaremos produzindo na região Centro-Sul, a mais de 2 mil quilômetros do bioma Amazônia, preservando a mata e os recursos hídricos dentro de nossas propriedades, em linha com o estipulado pelo RenovaBio e as demais leis."
A linha de argumentação é a mesma adotada pelo Ministério da Agricultura (Mapa), que associou a medida ao objetivo de desburocratizar e simplificar o plantio de cana-de-açúcar.

No final de agosto, quando a Amazônia registrou uma grave onda de queimadas, o presidente Jair Bolsonaro chegou a falar que atenderia a um pedido da ministra Tereza Cristina para ampliar as áreas de plantio e que estava ciente da possibilidade de haver uma repercussão negativa.

"Medida beneficia 1,5% da produção e coloca em risco 98,5%"

Dadas as condições desfavoráveis para a cana na Amazônia, a adoção da medida gerou inquietação entre especialistas. Entre eles, Raoni Rajão, professor associado de Gestão Ambiental e Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

"A partir do momento que você vincula a cadeia da cana-de-açúcar com o desmatamento na Amazônia – mesmo que seja, inicialmente, uma percentagem pequena ­–, a cadeia é poluída e exposta a pressões que não existiam anteriormente. Você beneficia 1,5% da produção de cana e coloca em risco 98,5%. Não faz sentido, do ponto de vista econômico", avalia.

"Como o Brasil está competindo, nesse caso, com o etanol de milho dos Estados Unidos, isso certamente nos coloca em uma situação mais frágil ante alguns mercados. O mesmo ocorre com o açúcar, que concorre com o de beterraba europeu e de milho dos Estados Unidos", complementa.
Rajão, que já atuou como consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), lembra que o fim do zoneamento implica a revogação dos pressupostos pelos quais a União Europeia (UE) calculou a cota de exportação sul-americana de etanol para o bloco europeu nas tratativas do Acordo de Paris.

O pesquisador aponta fragilidades nos argumentos do governo e do setor sucroalcooleiro. Embora reconheça a importância do RenovaBio, Rajão lembra que a adesão ao programa é voluntária.
Além disso, as exigências do programa recaem sobre a produção, e não sobre o imóvel rural como um todo. Ou seja, é possível que um produtor desmate ilegalmente desde que preserve a área destinada ao etanol.

"Caso haja uma grande expansão ilegal da cana na Amazônia, daqui a dois ou cinco anos, bastará uma canetada muito simples do ministro para permitir que essas áreas possam vender e obter crédito do RenovaBio, o que expõe a fragilidade desse instrumento. Finalmente, se o setor não quer expandir a cana na Amazônia, por que o decreto foi revogado?", indaga o pesquisador.

A medida também é questionada por Luiz Augusto Horta, coordenador do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen) e consultor em assuntos energéticos para a Comissão Econômica das Nações Unidas para América Latina e Caribe (Cepal).

O cientista acredita que os mecanismos previstos no Código Florestal e no RenovaBio serão eficazes para restringir a expansão dos canaviais em áreas sensíveis. Porém, lembra que o zoneamento foi elaborado sob diversos critérios após estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que levaram em conta clima, solo, topografia, outros usos e áreas protegidas.

"Não conheço estudos revisando esses critérios e tampouco há necessidade de novas fronteiras para a cultura da cana. Considero essa medida inadequada, principalmente na forma intempestiva e pouco articulada em que foi decidida", avalia Horta.

"Se existem fundamentos para que novas áreas sejam abertas, o Mapa deveria ter apresentado seus estudos e resultados, eventualmente ajustando o zoneamento, que foi um sinalizador importante para o mercado global dos requisitos de sustentabilidade na expansão da cultura da cana."
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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

COP 25: Conheça cinco destaques da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática

COP 25: Conheça cinco destaques da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática
BR

Pnud Mauritania/Freya Morales
 
Mundo já está 1.1ºC mais quente do que no início da revolução industrial.
30 novembro 2019
 
Encontro começa em 2 de dezembro, em Madri, na Espanha; níveis de gases de efeito estufa na atmosfera alcançaram uma nova alta recorde; se as tendências atuais persistirem, temperaturas globais podem subir de 3.4 a 3.9ºC ainda neste século.

As mudanças climáticas são uma realidade. O mundo já está 1.1ºC mais quente do que no início da revolução industrial. E isso tem um impacto importante no globo e na vida das pessoas. E se as tendências atuais persistirem, as temperaturas globais podem subir de 3.4 a 3.9ºC ainda neste século. Este cenário causaria impactos destrutivos sobre o meio ambiente.

Este alerta parte da comunidade internacional pouco antes da Conferência da ONU sobre o Clima, COP 25, que começa em 2 de dezembro, em Madri, na Espanha. Apenas dois meses antes do evento, o secretário-geral da ONU convocou o Encontro de Cúpula sobre Ação Climática, em Nova Iorque, para chamar a atenção de líderes internacionais sobre a gravidade da situação. Mas o que esperar da COP 25?

1.  Acaba de acontecer a Cimeira de Ação Climática em Nova Iorque. Qual a diferença para a COP 25?

O Encontro de Cúpula em setembro foi uma iniciativa do secretário-geral da ONU, António Guterres. O foco era a atenção da comunidade internacional sobre a emergência do clima e sobre acelerar ações para reverter a mudança climática. A COP 25, realizada em Madri, é a Conferência das Partes da Convenção sobre Mudança Climática, UNFCCC, que tem como alvo assegurar que a Convenção (e agora o Acordo de Paris 2015), que reforça a Convenção sejam implementados.



2. Mas por que tanta atenção da ONU no clima?

Existem mais provas dos impactos da mudança climática, especialmente em eventos extremos de temperatura, e esses impactos estão cobrando um preço ainda mais alto.  A ciência mostra que as emissões (de dióxido de carbono) estão subindo e não baixando.  

De acordo com o relatório da Organização Mundial de Meteorologia 2019, os níveis de gases de efeito estufa na atmosfera alcançaram uma nova alta recorde.  Estas tendências a longo prazo e contínuas indicam que as gerações futuras serão confrontadas com um aumento severo de impactos incluindo a subida de temperaturas, padrões meteorológicos mais extremos,  escassez de água e subida no nível do mar além da ruptura dos ecossistemas marinhos e terrestres.

A agência Meio Ambiente da ONU, Pnuma, alertou em seu relatório de 2019, que as emissões de gases que causam o efeito estufa teriam de ser reduzidas numa média de 7,6 por cento ao ano de 2020 a 2030.  Somente assim, o mundo poderia alcançar a meta de 1.5°C de aumento das temperaturas sobre níveis pré-industriais.  Os cientistas concordam que esta é uma meta ambiciosa, e que as chances de alcançá-la estão diminuindo.


Um fazendeiro nas Filipinas inspeciona sua colheita de arroz após uma enchente. Prevê-se um aumento das inundações devido às mudanças climáticas. Foto: Banco Mundial/Nonie Reyes

3. O que o Encontro de Cúpula sobre o Clima, em setembro, conseguiu?

O encontro serviu como uma espécie de trampolim para os prazos cruciais de 2020, que foram estabelecidos no Acordo de Paris sobre mudança climática. A Cimeira também ajudou a chamar a atenção do mundo para a emergência do clima e a necessidade urgente de aumentar as ações de mitigação por parte dos governos e do setor privado. E os líderes internacionais, de muitos países, demonstraram com ações o apoio ao apelo.

Mais de 70 nações se comprometeram com uma de zero emissão de carbono até 2050. Mesmo que os grandes emissores de CO2 não tenham feito seus compromissos ainda. Mais de 100 cidades também anunciaram suas medidas incluindo várias das maiores capitais do globo.

Pequenos Estados-Ilhas juntaram-se para alcançar neutralidade em carbono e a direcionarem-se 100% para a energia renovável até 2030. E países do Paquistão à Guatemala, da Colômbia à Nigéria, da Nova Zelândia a Barbados prometeram plantar mais de 11 bilhões de árvores.

Mais de 100 líderes do setor privado comprometeram-se a acelerar ações na economia verde.  Um grupo dos maiores proprietários de ativos do mundo, que controlam US$ 2 trilhões, anunciaram que vão partir para investimentos e carteiras de neutralidade em carbono até 2050. A medida é adicional ao chamado recente de gerentes de ativos que concentram US$ 34 trilhões, ou quase metade do capital investido, para que os líderes globais atribuam um preço significante ao carbono e eliminem os subsídios fósseis e o poder do carvão térmico em todo o mundo.


Crianças no Chade plantam uma árvore de acácia. Foto: Pnud Chad/Jean Damascene Hakuzim

4. Espere: Pnuma, OMM, Ipcc, Unfccc, COP por que tantos acrônimos e siglas?

É verdade que a ONU é um local de muitas siglas. Todas elas representam as ferramentas internacionais e agência que, sob a liderança da ONU, foram criadas para ajudar a avançar com o tema da ação climática, em nível global. E mostramos aqui como elas se coordenam e cooperam nesta mesma luta.

O Pnuma é o Programa da ONU para o Meio Ambiente, a agência líder e uma autoridade ambiental que estabelece a agenda do setor e serve como uma defensora para o meio ambiente global. A OMM é a Organização Mundial de Meteorologia, a agência da ONU para cooperação internacional em áreas como previsão da meteorologia, observação de mudanças no clima e o estudo dos recursos hídricos.

Em 1988, a Assembleia Geral da ONU pediu ao Pnuma e à OMM que estabelecessem um Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, IPCC, que é composto de centenas de especialistas  que avaliam os dados e fornecem evidência, com base científica, para ações de negociação climática.
Todas as três agências publicam relatórios que, nos anos recentes, têm frequentemente chegado às manchetes internacionais, à medida que a preocupação com o clima aumenta.

E sobre a Convenção Quadro sobre Mudança Climática, UNFCCC, o documento foi adotado em 1992 durante a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, no Brasil. Neste tratado, as nações concordaram em “estabilizar as concentrações de emissões de CO2 na atmosfera” para evitar uma interferência perigosa da atividade humana sobre o sistema climático.

Hoje, 197 países têm parte no tratado. Todos os anos, desde que entrou em vigor em 1994, a “conferência das  partes” ou COP é realizada para discutir o caminho adiante. A próxima COP começa em Madri, em 2 de dezembro.

5. E o que é importante sobre a COP?

O UNFCCC não tem poder vinculatório sobre as emissões de CO2 para países individualmente, e tampouco mecanismos de aplicação, várias extensões e renovações deste tratado foram negociadas durante as últimas COPS incluindo ao Acordo de Paris, adotado em 2015. Ali, todos os países acordaram em aumentar seus esforços para limitar o aquecimento global em 1.5ºC sobre os níveis de temperatura pré-industriais além de acelerar o financiamento da ação climática.

A COP25 será a última antes de o mundo entrar no ano determinante de 2020, quando muitas nações submeterão seus planos de ação climática. Dentre muitos elementos que precisam de um ajuste está o financiamento do clima em nível mundial.

Atualmente não tem sido feito o suficiente para alcançar os três objetivos do clima: redução de 45% das emissões de CO2 até 2030; alcançar a neutralidade em carbono até 2050 (o que representa uma pegada de zero carbono) e estabilização do aumento da temperatura global em 1.5% até o fim do século.

E porque o tempo não espera, e o relógio continua a correr quando o tema é mudança climática, o mundo não pode se dar ao luxo de perder mais tempo. É preciso acordar um caminho decisivo, ousado e ambicioso que gere os resultados necessários.

 

Na véspera da abertura da COP 25, Guterres alerta que “guerra contra a natureza deve parar”








Na véspera da abertura da COP 25, Guterres alerta que “guerra contra a natureza deve parar”
BR

Foto: Unfcc flickr
Chefe da ONU disse que a mensagem dele “é de esperança, não de desespero”.

1 dezembro 2019
Secretário-geral cita progressos na questão climática, mas diz que “falta vontade política”;  últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados; Conferência da ONU sobre o Clima inicia nesta segunda-feira em Madri, na Espanha.

Falando a jornalistas em Madri, na Espanha, um dia antes da abertura da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, COP 25, o secretário-geral disse que “por muitas décadas, a espécie humana tem estado em guerra com o planeta” e que agora,  “o planeta está revidando.”

António Guterres mencionou dados de um novo relatório sobre o estado do clima produzido pela Organização Mundial de Meteorologia, OMM, e que será divulgado durante a conferência. Ele destacou que de acordo com o estudo, “os últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados” e o “o nível do mar é o mais alto da história da humanidade.”


Biodiversidade

O chefe da ONU apontou que “a biodiversidade na terra e no mar está sob ataque severo” e que “desastres naturais relacionados ao clima estão se tornando mais frequentes, mais mortais, mais destrutivos, com crescentes custos humanos e financeiros.”

Guterres explicou que uma das dimensões  da COP 25 é relacionada às negociações entre os Estados-membros para a aprovação das linhas de diretrizes do artigo seis do Acordo de Paris. Mas para ele, o grande objetivo da conferência é outro.

"Nós vemos as tecnologias avançar numa boa direção, vemos as cidades. Vemos muitas empresas. O setor financeiro cada vez mais atento a ação climática. Mas falta vontade política. E os principais países emissores, embora tivéssemos tido 70 países em Nova Iorque, a concordar e a compromete-se com a neutralidade de carbono até 2050, os principais países emissores ainda não o fizeram. E se não fizerem, os nossos objetivos não são alcançáveis. Há portanto aqui, uma necessidade de aumentar a ambição. Uma necessidade de aumentar a responsabilidade coletiva e a COP 25 é uma oportunidade excelente para que essa responsabilidade possa ser exercida.”

Crise

António Guterres acrescentou que “as mudanças climáticas não são mais um problema de longo prazo” e que o mundo está “diante de uma crise climática global.” Ele destacou que “o ponto de não retorno não está mais no horizonte” e que este “está à vista e avançando”.

Local em Madri onde acontece a COP 25 até 13 de dezembro, by ifema feria de madrid
No entanto, o chefe da ONU disse que a mensagem dele  “é de esperança, não de desespero”.


Guterres disse que a “guerra contra a natureza deve parar” e que todos sabem “que isso é possível”.
Para isso, o secretário-geral diz que é preciso vontade política para colocar um preço no carbono, para interromper os subsídios aos combustíveis fósseis, parar de construir usinas de carvão a partir de 2020 e mudar a tributação da renda para a poluição do carbono.


Guterres disse que espera que a COP 25 seja uma “demonstração clara de maior ambição e comprometimento, mostrando responsabilidade e liderança.” Para ele, o mundo está num “buraco profundo” e cavando ainda mais e em breve,  este buraco “será muito profundo para escapar.”

 

A cada 5 segundos, mundo perde quantidade de solo equivalente a um campo de futebol

 

A cada 5 segundos, mundo perde quantidade de solo equivalente a um campo de futebol

BR

Pnud Chad/Jean Damascene Hakuzim
 
Nesta região junto do Lago Chade, o plantio de Acácias pode ajudar a recuperar solos degradados
5 dezembro 2019
 
Esta terça-feira, dia 5 de dezembro, marca o Dia Mundial do Solo; setor de uso da terra representa quase 25% do total de emissões globais de gases de efeito estufa.

A cada 5 segundos, o mundo perde uma quantidade de solo equivalente a um campo de futebol. No ritmo atual, mais de 90% de todos os solos da Terra podem ser degradados até 2050.

Esses são alguns dos fatos que as Nações Unidas estão destacando esta quinta-feira para marcar o Dia Mundial do Solo. O tema da campanha desse ano é “Pare a erosão do solo, salve nosso futuro”.

Campanha

Agricultores nas Filipinas, combatendo uso excessivo dos solos, Pnud Filipinas
 
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, “à medida que a população da Terra continua se expandindo, esse é um problema crescente.”

Com a campanha, a agência pretende envolver pessoas, governos e organizações de todo o mundo na proteção desse recurso. Segundo a FAO, “a fertilidade do solo continuará sendo afetada de forma negativa num ritmo alarmante, ameaçando a cadeia global de alimentos e a segurança alimentar.”

Causas

Vento, chuva e agricultura industrial aceleram a erosão do solo, mas a ONU diz que seus efeitos podem ser reduzidos antes que o mundo enfrente perdas calamitosas de produtividade agrícola e funções importantes de vários ecossistemas.

Atividades como lavoura, monocultura, pastoreio, expansão urbana, desmatamento e atividades industriais e de mineração podem cortar pela metade o rendimento dos solos.

A cobertura vegetal dos solos, incluindo arbustos, árvores e outros, pode reduzir a erosão do vento em mais de 80%. Também pode aumentar a capacidade de absorção de água, reduzindo a compactação do solo e impedindo a criação de ravinas que impedem o trabalho agrícola. Práticas reduzidas de agricultura ou plantio direto também são eficazes, especialmente em regiões mais secas.

Controle

Para muitos agricultores, as medidas de controle da erosão levam muito tempo a ter resultados. Além disso, seus impactos podem ocorrer muito longe dos locais degradados, quando o escoamento de águas com agroquímicos contamina fontes de água.

O setor de uso da terra representa quase 25% do total de emissões globais de gases de efeito estufa. A ONU enfatiza que a sua reabilitação e gestão sustentável é fundamental para combater as alterações climáticas.

Na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, a meta de número 15 estabelece o objetivo de deter e reverter a degradação da terra.

O Dia Mundial do Solo foi aprovado pela Assembleia Geral em 2013 e marcado, pela primeira vez, em 2014.

Moro autoriza envio da Força Nacional para terra indígena no Maranhão

Moro autoriza envio da Força Nacional para terra indígena no Maranhão

O ministério ainda vai definir o número de servidores enviados para a operação

Moro autoriza envio da Força Nacional para terra indígena no Maranhão
Notícias ao Minuto Brasil
09/12/19 18:15 ‧ Há 11 Horas por Estadao Conteudo
Justiça Índios
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, autorizou nesta segunda-feira, 9, o uso da Força Nacional de Segurança Pública para atuar na Terra Indígena Cana Brava Guajajara, no Maranhão, onde dois índios foram assassinados no último fim de semana após ataques a tiros.

O texto informa que o objetivo é apoiar o trabalho da Fundação Nacional do Índio (Funai) nas ações de segurança pública por 90 dias, a partir de 10 de dezembro. O prazo pode ser prorrogado caso seja necessário.

O ministério ainda vai definir o número de servidores enviados para a operação.

No domingo, 8, o secretário de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular em exercício no Maranhão, Jonata Galvão, afirmou que o governo federal deveria adotar medidas efetivas para proteger os territórios indígenas do Estado, e não agir apenas após os ataques acontecerem. "São só respostas reativas às barbaridades que têm acontecido. Queremos saber se o governo federal vai ficar reativo aos atentados ou se vai estruturar uma medida concreta e agir para combater esses crimes", disse.

"Não temos medidas efetivas do ponto de vista da proteção no âmbito federal dentro das terras indígenas no Estado do Maranhão. Os territórios indígenas no Brasil e no Maranhão estão pedindo socorro", disse Galvão à reportagem.

O caso
No início da tarde de sábado, 7, dois índios da etnia guajajara morreram após atentado a balas às margens da BR-226, no município de Jenipapo dos Vieiras, no Maranhão, 500 quilômetros ao sul da capital São Luís. Segundo a Funai, os indígenas foram atingidos por tiros disparados por ocupantes de um veículo Celta, de cor branca e com vidros espelhados.

Antes, em 1º de novembro, Paulo Paulino Guajajara foi morto em uma emboscada na Terra Indígena Arariboia (MA) quando realizava uma ronda contra invasões.

Repercussão internacional
O caso ganhou projeção internacional. A jovem sueca Greta Thunberg, ativista contra os efeitos das mudanças climáticas, criticou o ataque e disse que os povos indígenas do Brasil estão sendo atacados por proteger as reservas naturais. "Os povos indígenas estão sendo literalmente assassinados por tentar proteger as florestas do desmatamento. Repetidamente. É vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso".

Presidente da Comissão Europeia apresenta pacto para o clima

Presidente da Comissão Europeia apresenta pacto para o clima

Para a líder do executivo comunitário, a proteção do clima "é uma questão existencial, tanto para a Europa como para o resto do mundo".

Presidente da Comissão Europeia apresenta pacto para o clima
Notícias ao Minuto Brasil
09/12/19 15:30 ‧ Há 13 Horas por Notícias ao Minuto Brasil
Mundo Comissão Europeia
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, vai apresentar na quarta-feira o "Pacto Ecológico Europeu", uma das bandeiras do seu mandato, durante uma sessão extraordinária do Parlamento Europeu (PE), em Bruxelas.

O objetivo do pacto ecológico é que a União Europeia (UE) assuma a liderança mundial no combate às alterações climáticas e fixe os padrões globais para uma transição energética justa e inclusiva, nomeadamente a motivada pela ambição de tornar a Europa no primeiro continente a assegurar a neutralidade carbônica em 2050, segundo um comunicado.

No centro do pacto está uma estratégia industrial que capacite as empresas da UE, grandes e pequenas, para a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias.

No seu discurso de tomada de posse, em sessão plenária do PE em Estrasburgo em novembro, von der Leyen salientou que "quanto mais depressa nos mexermos, melhor será para os nossos cidadãos e para as nossas empresas".

Para a líder do executivo comunitário, a proteção do clima "é uma questão existencial, tanto para a Europa como para o resto do mundo".

"Como poderia não ser existencial quando vemos Veneza inundada, as florestas portuguesas a arder e as colheitas da Lituânia reduzidas a metade por causa da seca?", questionou.

O caminho a seguir passará por "investimentos maciços na inovação, na pesquisa, na infraestrutura, na habitação e na qualificação das pessoas", sendo que as verbas terão que ser também captadas no setor privado e a nível nacional, para além do europeu.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Entomofagia, o consumo de insetos por seres humanos,



Entomofagia, o consumo de insetos por seres humanos, artigo de Roberto Naime



O consumo de insetos grelhados no Laos faz parte da cultura gastronômica do país. Flickr
O consumo de insetos grelhados no Laos faz parte da cultura gastronômica do país. 
Foto: Flickr / RFI

[EcoDebate] Entomofagia é o consumo de insetos por seres humanos. A entomofagia é praticada em muitos países ao redor do mundo, principalmente em partes da Ásia, África e América Latina.
Insetos complementam o cardápio de aproximadamente dois bilhões de pessoas e tem sido parte da dieta humana desde tempos remotos.

Consta que os organismos dos insetos, são enriquecidos em Nitrogênio. Se alimentar de insetos é mera questão cultural e histórica.

Contudo, apenas recentemente a entomofagia tem atraído a atenção da mídia, instituições de pesquisa, chefes de cozinha e outros membros da indústria de alimentos, além de legisladores e agências de regulamentação na área alimentícia.

O Programa de Insetos Comestíveis da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) também tem examinado o potencial de aracnídeos (aranhas e escorpiões) para a alimentação animal e humana, uma vez que, por definição, estes não são considerados insetos.

O uso de insetos como alimento, tanto para humanos quanto na nutrição animal, conferem muitos benefícios ao meio ambiente, à saúde, à sociedade. Insetos têm altas taxas de eficiência na conversão alimentar pelo fato de serem animais de sangue frio.

A razão de quantidade de alimento por produção de carne (quanto de alimento é necessário para produzir o aumento em 1 kg no peso do animal) varia grandemente dependendo da classe do animal e das práticas de produção utilizadas, sendo que os insetos são extremamente eficientes nessa questão.

Em média, insetos podem converter 2 kg de alimento em 1 kg de massa corporal, em comparação a bovinos que necessitam de 8 kg de alimento para produzir 1 kg de ganho de peso.

Produzem menos gases de efeito estufa do que a pecuária convencional. Por exemplo, suínos produzem de 10 a 100 vezes mais gases de efeito estufa por quilograma de peso.

Podem se alimentar de resíduos orgânicos, como restos de alimento e dejetos humanos, compostagem e esterco animal, podendo transformá-los em proteína de alta qualidade, inclusive para utilização na alimentação animal.

Insetos utilizam muito menos água que a pecuária convencional. Besouros, por exemplo, são mais resistentes à seca do que o gado.

A criação de insetos é muito menos dependente de extensões de terra que a pecuária convencional.
O conteúdo nutricional dos insetos depende de seu estágio de desenvolvimento ou estágio metamórfico, habitat e dieta. No entanto, é amplamente aceito que insetos são fontes de nutrientes e proteínas de alta qualidade se comparados à carne bovina e ao pescado.

Insetos são particularmente importantes como suplemento alimentar para crianças que sofrem de má nutrição, pois a maioria das espécies tem alto teor de ácidos graxos (comparáveis ao pescado). Também são ricos em fibras e micro-nutrientes como cobre, ferro, magnésio, manganês, fósforo, selênio e zinco.

Insetos são considerados animais de baixíssimo risco em relação a zoonoses (doenças transmitidas de animais para humanos) como o vírus H1N1 (gripe aviária) e o mal da vaca louca.

A coleta e a criação de insetos podem se colocar como uma importante estratégia na diversificação dos meios de subsistência. Insetos podem ser diretamente e facilmente coletados na natureza. Para tal atividade se requer um mínimo de conhecimento técnico e pouco investimento para a aquisição de equipamentos básicos de coleta e criação.

Os estamentos mais pobres da sociedade, incluindo mulheres e pessoas sem terra, seja em áreas urbanas ou rurais, podem se encarregar de coletar os insetos diretamente do ambiente, de cultivar, processar e vender.

Essas atividades além de melhorar diretamente a alimentação, podem servir como opção de renda por meio da venda do excedente da produção em mercados livres de rua.

A coleta e criação de insetos pode também oportunizar ações empreendedoras sejam em economias desenvolvidas, em transição ou em desenvolvimento.

O processamento de insetos para a alimentação humana ou animal é algo que pode ser feito com relativa facilidade. Algumas espécies podem ser consumidas inteiras. Podem também vir a ser processados em pasta ou moídos como farinha, além disso, suas proteínas podem ser extraídas.


Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Aposentado do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

Referência:
http://www.fao.org/3/d-i3264o.pdf

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/12/2019
Entomofagia, o consumo de insetos por seres humanos, artigo de Roberto Naime, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 5/12/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/12/05/entomofagia-o-consumo-de-insetos-por-seres-humanos-artigo-de-roberto-naime/.

Veja na íntegra o discurso de Greta Thunberg nas Nações Unidas





Veja na íntegra o discurso de Greta Thunberg nas Nações Unidas

Foto ONU/Cia Pak
Ativista sueca Greta Thunberg discursa na sede das Nações Unidas


23 setembro 2019
Ativista Greta Thunberg discursou esta segunda-feira na abertura do Encontro de Cúpula sobre Ação Climática; jovem sueca, de 16 anos, diz que "o mundo está despertando" para o problema da mudança climática.

"Minha mensagem para os líderes internacionais é de que nós estaremos de olho em vocês.
Isto está completamente errado.

Eu não deveria estar aqui. Eu deveria estar na minha escola, do outro lado do oceano.
E vocês vêm até nós, jovens, para pedir esperança. Como vocês ousam?

Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. E ainda assim, eu tenho que dizer que sou uma das pessoas com mais sorte (nesta situação).

As pessoas estão sofrendo e estão morrendo. Os nossos ecossistemas estão morrendo.
Por mais de 30 anos, a ciência tem sido muito clara. Como vocês se atrevem a continuar ignorando isto?
Nós estamos vivenciando o começo de uma extinção em massa. E tudo o que vocês fazem é falar de dinheiro e de contos de fadas sobre um crescimento econômico eterno.

Como vocês se atrevem?

Por mais de 30 anos, a ciência tem sido muito clara. Como vocês se atrevem a continuar ignorando isto?

E como se atrevem a vir aqui e dizer que estão fazendo o suficiente? Quando sabemos que as políticas e as soluções necessárias não são sequer vistas?

Vocês dizem que estão nos escutando e que compreendem a urgência (deste tema).
Mas não importa tão triste e furiosa eu esteja, eu não quero acreditar no que dizem. Se vocês realmente entendem o que está acontecendo e continuam falhando em agir, vocês seriam um mal. E eu me recuso a acreditar nisso.

A proposta de cortar as nossas emissões pela metade em 10 anos, apenas nos dá uma chance de 50% de ficar abaixo da marca de 1.5ºC e existe um risco de desencadear reações irreversíveis em cadeia que fogem do controle humano.

50% pode ser aceitável para vocês. Mas estes números não incluem outros pontos como feedback, lacunas e um aquecimento adicional causado pela poluição tóxica do ar ou aspectos de equidade e justiça climáticos. Estes números também fazem com que a minha geração seja obrigada a ter que retirar centenas de bilhões toneladas de dióxido de carbono do ar, causadas por vocês, e usando tecnologia que sequer existem. Então, 50% simplesmente não são aceitáveis. Nós teremos que viver com as consequências.

Para ter uma chance de 67% de continuar abaixo da marca de 1.5ºC do aumento global temperatura, no melhor cenário do (relatório) do IPCC, o mundo teria ainda 420 toneladas giga de emissões de dióxido de carbono para emitir, em 1 de janeiro de 2018. Hoje, este número já caiu para 350 toneladas giga.


Vocês estão falhando conosco. Mas os jovens já começaram a entender sua traição.
Como vocês se atrevem a pensar que isto pode ser resolvido sem mudar nada? Ou através de algumas soluções técnicas? Com os níveis atuais de emissões de hoje, o orçamento de emissões de dióxido de carbono acabaria inteiramente em apenas 8 anos e meio.

Não haverá nenhuma solução ou planos apresentados com base nestes números que trago aqui hoje. Porque estes números são bem desconfortáveis e vocês não têm a maturidade suficiente para abordar este tema como ele realmente é.

Vocês estão falhando conosco. Mas os jovens já começaram a entender sua traição.
Os olhos de uma geração futura inteira estão sobre vocês.

E se vocês escolherem fracassar. Eu lhes digo: nós jamais perdoaremos vocês.
Nós não vamos deixar vocês fazerem isso.

É aqui e agora, que nós colocamos um limite. O mundo está despertando. E a mudança está chegando, quer vocês queiram ou não.

Obrigada."


Foto ONU/Loey Felipe
Assembleia Geral durante Encontro de Cúpula para a Ação Climática
Acompanhe aqui a cobertura especial da 74ª sessão da Assembleia Geral da ONU

 

Confira a programação do IPAM na 25ª Conferência do Clima das Nações Unidas

Confira a programação do IPAM na 25ª Conferência do Clima das Nações Unidas

27.11.2019Notícias
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O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) participa neste ano da 25ª Conferência do Clima da ONU, ou COP 25, com uma programação voltada a propostas de caminhos para que o Brasil siga uma economia de baixo carbono, com sustentabilidade e desenvolvimento econômico.

Um dos destaques é o apoio institucional ao Brazil Climate Action Hub, que contará com uma agenda ampla, onde governos subnacionais, sociedade civil, parlamentares e setor empresarial poderão promover discussões sobre soluções e desafios da ação climática no contexto brasileiro e latino-americano. Toda a programação pode ser conferida em https://www.brazilclimatehub.org/.
Confira os demais eventos com participação de representantes do IPAM:

4 de dezembro

Side event, Room 6, 11h30 – 13h

POVOS INDÍGENAS DA AMAZÔNIA: VULNERABILIDADES DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E ESTRATÉGIAS

Os povos indígenas são essenciais para a estabilidade da floresta amazônica e para o clima global. No entanto, aumentos recentes do desmatamento, incêndios e degradação ameaçam seus territórios e seus meios de subsistência. Este evento apresentará novas tecnologias que auxiliam na proteção florestal e nos direitos indígenas.

5 de dezembro

Brazil Climate Action Hub, Pavilhão 8, 13h30 – 14h30

POVOS TRADICIONAIS E FERRAMENTAS DIGITAIS
Plataformas e aplicativos fornecem informações para populações tradicionais administrarem seus territórios. Neste evento, alguns exemplos serão apresentados, como a plataforma Climate Source e o app Alerta Clima Indígena.

6 de dezembro


Brazil Climate Action Hub, Pavilhão 8, 14h30 – 15h30

A TEMPORADA DE FOGO NA AMAZÔNIA EM 2019: UMA HISTÓRIA DE DESMATAMENTO

As primeiras semanas de agosto deste ano registraram 32.728 focos de queimadas na Amazônia, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O número foi 60% mais alto dos apontados nos três anos anteriores. Considerando esses fatos, o IPAM apresentará uma análise abrangente da temporada de fogo em 2019 e suas causas.

Brazil Climate Action Hub, Pavilhão 8, 15h30 – 16h30

ÁREAS PROTEGIDAS DA AMAZÔNIA & MITIGAÇÃO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

As áreas protegidas na região amazônica sequestram o carbono da atmosfera, diminuindo o efeito estufa e mitigando as mudanças climáticas. Contudo, essas áreas têm sido alvo constante de desmatamento. Diante disso, discutiremos estratégias para a consolidação e a proteção dessas áreas.

Brazil Climate Action Hub, Pavilhão 8, 16h30 – 17h30

TERRA DE NINGUÉM: ÁREAS NÃO-DESIGNADAS DA AMAZÔNIA & O EQUILÍBRIO CLIMÁTICO

Terras não-designadas na Amazônia correspondem a 27% do total desmatado entre agosto de 2018 e julho de 2019. Em um planeta cada vez mais quente, é fundamental que esses 65 milhões de hectares de áreas públicas federais e estaduais sejam conservados como florestas.

10 e 11 de dezembro

Novotel Madri Center, Calle de O’Donnell, 53, 8h30 – 18h40 (10) e 8h30 – 13h10 (11)
AMAZON-MADRID

Programação completa em https://sites.google.com/view/amazonmadrid

O objetivo do evento, conduzido pelo Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, é apresentar as perspectivas, as metas e os compromissos políticos dos governadores da Amazônia brasileira, e discutir com a comunidade internacional oportunidades de cooperação para o estímulo a uma economia de baixo carbono na região.

10 de dezembro

Brazil Climate Action Hub, Pavilhão 8, 9h – 10h
O BRASIL VAI CUMPRIR SUAS METAS NO CLIMA?

Este evento apresentará os dados mais recentes de duas iniciativas pioneiras da sociedade civil, o SEEG e o MapBiomas. Os dados mostram as emissões brasileiras de carbono em 2018 e as mudanças no uso da terra no Brasil entre 1985 e 2017. Os autores discutirão a trajetória de emissões do país, os desafios e as oportunidades no caminho da NDC.

12 de dezembro

Side event, Room 5, 16h45 – 18h15
O FUTURO DA AMAZÔNIA BRASILEIRA: CENÁRIOS ATUAIS E MUDANÇAS POLÍTICAS NECESSÁRIAS EM UMA CRISE CLIMÁTICA

O desmatamento e os incêndios na Amazônia atraíram a atenção internacional em 2019. Discutiremos os impactos das recentes políticas brasileiras no cumprimento da NDC, mostrando que o país precisa de mudanças significativas em direção a uma verdadeira economia de baixo carbono, com conservação e desenvolvimento econômico.

35% do desmatamento na Amazônia é grilagem, indica análise do IPAM


35% do desmatamento na Amazônia é grilagem, indica análise do IPAM

20.11.2019Notícias
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Uma análise realizada pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) mostrou que 35% do desmatamento ocorrido na Amazônia entre agosto de 2018 e julho de 2019 foi registrado em áreas não-designadas e sem informação.

“Isso é grilagem de terras”, afirma o diretor- executivo do IPAM, André Guimarães. “Essas florestas são públicas, ou seja, é patrimônio de todos os brasileiros, que é dilapidado ilegalmente para ficar na mão de alguns poucos.”

Se o desmatamento ocorrido em áreas protegidas for adicionado à conta, o índice chega a 44%. Os números baseiam-se no Prodes, sistema oficial de monitoramento do desmatamento na Amazônia, divulgado ontem pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e divididos por categoria fundiária pelo IPAM.

“A grilagem tem se mantido na Amazônia ano a ano, com um incremento recente em terras não-designadas”, explica a diretora sênior de Ciência do IPAM, Ane Alencar. “Precisamos preservar essas florestas para garantir que as chuvas continuem a alimentar o campo brasileiro e a geração de energia. Isso se dá com fiscalização eficiente e constante, além da destinação dessas áreas para conservação.” 
Outra categoria fundiária que se destaca são os assentamentos. Segundo análise do IPAM, em 2019 confirma-se um padrão de desmatamento nessas regiões que têm pouco a ver com a produção familiar – a tônica dessa categoria: dos 2,83 mil km2 derrubados nessa categoria, 1,54 mil km2, ou 55% da área, estão concentrados em 57 assentamentos, que representam somente 6% dos 917 projetos que registraram retirada de árvores.

Zerar desmate em terras não-designadas reduziria em um terço a taxa anual


Zerar desmate em terras não-designadas reduziria em um terço a taxa anual

28.11.2019Notícias
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Se o desmatamento em terras públicas da Amazônia fosse combatido, a taxa de derrubada de floresta cairia em mais de 3 mil quilômetros quadrados somente no último ano. O dado foi apresentado hoje em Brasília pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) durante seminário na Câmara dos Deputados.

De acordo com análise do instituto, a participação dessas categorias fundiárias no desmatamento registrado no último ano chega a 36%. No total, 9.762 km2 de floresta foram destruídos entre agosto de 2018 e julho de 2019, de acordo com o sistema Prodes, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). A média dos anos anteriores é similar.

“Acabando com o desmatamento em terras públicas não-designadas e sem informação, haveria redução de pelo menos um terço do desmatamento nos últimos anos. Isso é patrimônio dos brasileiros, não é patrimônio privado”, explicou a pesquisadora sênior e diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar.

Outras terras públicas também necessitam de atenção. No mesmo seminário, o WWF Brasil divulgou uma análise mostrando como pelo menos 15 das 20 unidades de conservação mais desmatadas neste ano foram objeto de algum processo de alteração de seu limite ou grau de proteção. As terras indígenas sofrem igual pressão: segundo análise do IPAM, uma única TI, no Pará, respondeu por 26% da derrubada registrada nesse tipo de área protegida em 2019 – como ainda não foi homologada, há indicação de disputa por aquela terra.

Esses grandes maciços verdes são fundamentais para o equilíbrio do sistema climático regional. Estudo de 2015 em Mato Grosso, com autoria de pesquisadores do instituto, mostrou que a produção ao redor do Parque Indígena do Xingu é beneficiada pela floresta ali mantida, tanto pelo controle da temperatura quanto pelas chuvas.


Temporada de fogo
Alencar também destacou no seminário que, apesar de o fogo ter sido controlado nos últimos meses, há muita floresta derrubada em 2019 que ainda não foi queimada, o que pode acontecer no próximo ano.

Além disso, o agravamento das mudanças climáticas aumenta a probabilidade de incêndios acontecerem na região, em florestas e em terras cultivadas. “A mudança da paisagem, com aumento do desmatamento e degradação, tem um impacto importante na incidência do fogo. Há mais casos de fogo acidental e incêndios florestais, num efeito de retroalimentação que pode levar a mais perdas de floresta e de áreas agrícolas”, afirmou.

Apesar da importância da manutenção das florestas, somente R$ 15 mil dos R$ 253 mil autorizados de orçamento federal dedicado a políticas e estratégicas de prevenção e controle do desmatamento e de manejo e recuperação florestal em 2019 foram gastos até agora, segundo levantamento divulgado no evento pelo Inesc.

O seminário “Desmatamento e queimadas na Amazônia: tendências, dinâmicas e soluções” foi uma realização da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados e do GT Infra.