quinta-feira, 5 de março de 2020

“Nos tornamos muito desconectados do mundo natural”, diz Joaquin Phoenix, no Oscar, em mais um discurso inesquecível

“Nos tornamos muito desconectados do mundo natural”, diz Joaquin Phoenix, no Oscar, em mais um discurso inesquecível

"Nos tornamos muito desconectados do mundo natural", diz Joaquin Phoenix, no Oscar, em mais um discurso inesquecível
O ator americano Joaquin Phoenix ganhou todos os principais prêmios do cinema neste começo de ano por sua atuação como o personagem principal do filme Coringa. E em cada uma das celebrações, em que foi escolhido como Melhor Ator, como no Globo de Ouro e no Bafta, ele fez questão de usar a oportunidade para falar de questões sociais e ambientais. O mesmo aconteceu ontem (09/02), quando recebeu o Oscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.


Em mais um discurso memorável, Phoenix falou sobre racismo, direitos indígenas, igualdade de gêneros, entre outros temas.


Confira sua fala, na íntegra, abaixo:

“Temos que continuar usando nossa voz para os que não têm voz. Eu tenho pensado muito sobre alguns dos problemas angustiantes que estamos enfrentando coletivamente. Acho que às vezes sentimos, ou fomos feitos para sentir, que defendemos causas diferentes, mas, para mim, vejo um senso comum. Acredito que, se estamos falando de desigualdade de gênero, racismo ou direitos queer, direitos indígenas ou direitos dos animais, estamos falando sobre a luta contra a injustiça. Estamos falando da luta contra a crença de que uma nação, um povo, uma raça, um gênero ou uma espécie tem o direito de dominar, controlar e usar e explorar outra com impunidade.

Nos tornamos muito desconectados do mundo natural e muitos de nós somos culpados por termos uma visão de mundo egocêntrica – a crença de que somos o centro do universo. Entramos no mundo natural e o saqueamos por seus recursos. Temos o direito de inseminar artificialmente uma vaca e, quando ela dá à luz, roubamos seu bebê, mesmo que seus gritos de angústia sejam inconfundíveis. Depois, pegamos o leite dela, destinado ao bezerro, e o colocamos no café e no cereal. 

Tememos a ideia de mudança pessoal porque pensamos que temos que sacrificar algo. Mas os seres humanos, no nosso melhor, são tão inventivos, criativos e engenhosos, e acho que quando usamos o amor e a compaixão como nossos princípios orientadores, podemos criar, desenvolver e implementar sistemas de mudança que são benéficos para todos os seres sencientes e o ambiente.

Eu fui um canalha em diversos momentos da minha vida. Eu fui egoísta. Fui cruel às vezes, difícil de trabalhar e ingrato, mas muitos de vocês nesta sala me deram uma segunda chance. E acho que é quando estamos no nosso melhor, quando nos apoiamos, não quando nos anulamos por erros passados, mas quando nos ajudamos a crescer, quando nos educamos, quando nos orientamos para redenção. Esse é o melhor da comunidade.

Quando meu irmão tinha 17 anos, ele escreveu essa frase ‘Corra para o resgate com amor e a paz seguirá'”. 

O irmão a que ele se referiu é River Phoenix, que também foi ator e um defensor dos animais. Morto em 1993, aos 23 anos, era considerado um dos mais talentosos de sua geração.

Depois de anos tendo uma fama de “ator problema”, como Joaquin Phoenix tem admitido há algum tempo, ele tornou-se um ativista, assim como o irmão. É vegetariano e constantemente usa sua fama para falar sobre assuntos vitais, como a crise climática. Em janeiro, foi detido pela polícia, em Washington D.C., ao participar de um protesto, junto com Jane Fonda, contra as mudanças climáticas.

Diversos outros atores e apresentadores do Oscar 2020 também aproveitaram a festa para mostrar sua indignação pela falta de nomeações a mulheres e negros (leia mais aqui).

Leia também: Astros de Hollywood erguem a voz contra a crise climática e exigem mais ações

“Somos a última geração que pode fazer a diferença entre a vida e a morte do planeta”, diz Jane Fonda

Jane Fonda apoia a desobediência civil pelo clima – “mesmo com o risco de sermos presos” – e convida os brasileiros a aderir

Foto: divulgação Oscar 2020/reprodução oscar.go.com
 
Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora emWashington.

Com audição ruim e movimentos lentos, tamanduá-bandeira é uma das principais vítimas de atropelamentos no Cerrado

Com audição ruim e movimentos lentos, tamanduá-bandeira é uma das principais vítimas de atropelamentos no Cerrado

Com audição ruim e movimentos lentos, tamanduá-bandeira é uma das principais vítimas de atropelamentos no Cerrado
*Por Clarissa Beretz
“Se tem uma coisa que acaba com meu dia é atropelar um animal. É triste demais, uma das piores coisas da profissão. Porque não tem o que fazer se o bicho aparece na frente. Frear ou desviar com um caminhão desse tamanho, cheio de carga, é perigoso para mim e para os outros. Aí, o bicho é quem paga.”
A declaração acima foi extraída de uma pesquisa feita com mais de 300 caminhoneiros em quatro rodovias federais que atravessam Mato Grosso do Sul, as BRs 262, 040, 267 e 163. A BR-262, cujos 2.295 km de extensão conectam Vitória (ES) a Corumbá (MS), são recordistas em colisões de veículos e animais no Brasil.
A enquete, feita de forma anônima, é parte do Bandeiras e Rodovias, um projeto do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas) que há três anos investiga o impacto das colisões rodoviárias na saúde e na população do maior mamífero insetívoro do mundo, o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla).
O último relatório acaba de ser concluído e traz importantes indícios sobre as causas das colisões, que só tendem a crescer com a fragmentação do ambiente onde vivem esses animais. Um estudo preliminar já havia sido publicado em outubro de 2019, com dados de 2013/2014.
Com audição ruim e movimentos lentos, tamanduá-bandeira é uma das principais vítimas de atropelamentos no Cerrado
O biólogo Arnaud Desbiez e um dos tamanduás monitorados pela pesquisa
Segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a frota de caminhões no Brasil cresceu a uma taxa média de 2,8% ao ano entre 2011 e 2017, alcançando quase 2 milhões de veículos em circulação. Embora a frota tenha permanecido estável desde então, a década terminou com 20% a mais de caminhões nas estradas brasileiras.
Se levarmos em conta que o Cerrado é o maior produtor de grãos no Brasil (mais da metade da soja brasileira vem dali), não é difícil constatar porque esta é uma das áreas mais perigosas para a fauna silvestre. Além do alto tráfego de veículos de carga, há também a perda de habitat impulsionada pela monocultura, particularmente por meio de desmatamento e queimadas.
De acordo com o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), da Universidade de Lavras (MG), o Cerrado é o segundo bioma com mais registros de mortes por atropelamento, atrás apenas da Mata Atlântica – o que é esperado, já que se trata do bioma com maior densidade populacional do país.
Com audição ruim e movimentos lentos, tamanduá-bandeira é uma das principais vítimas de atropelamentos no Cerrado
Tamanduá-bandeira e filhote atropelados na MS-040,
em Mato Grosso do Sul

O impacto humano

Entre os mamíferos de grande porte, o tamanduá-bandeira é um dos que mais sofre atropelamentos: seus olhos, além de muito pequenos, não refletem a luz do farol do carro. O animal ainda ouve mal, tem movimentos lentos, pelagem escura e transita à noite. Tudo isso aumenta as chances de colisão ao atravessar uma rodovia.

Além disso, há riscos também para o motorista, conforme explica o biólogo Arnaud Desbiez, que encabeça o projeto Bandeiras e Rodovias: “Antes de tudo, este é um trabalho de segurança pública, porque quando um veículo colide com um animal de grande porte, como um tamanduá, que tem cerca de 35 quilos, as pessoas se machucam. Muitos morrem colidindo com um bicho ou tentando desviar dele”.

É daí que veio a ideia de incluir a dimensão humano no estudo, como forma de identificar os fatores psicológicos que afetam a decisão do motorista quando um animal aparece na pista.

A partir de entrevistas com caminhoneiros, conforme citado no início da matéria, foi possível constatar, por exemplo, que é raro um motorista atropelar um animal silvestre de propósito, conforme sugere a crença popular. “A maior parte acaba colidindo com os animais porque não tem muita escolha, já que frear ou desviar acaba sendo muito perigoso”, diz Mariana Catapani, a pesquisadora do Icas responsável pelas entrevistas.

“Sem contar que a colisão também causa danos ao caminhão, e isso é perda de tempo e prejuízo financeiro”, acrescenta a bióloga. “Os motoristas dizem que atropelar um bandeira, por exemplo, além do dano psicológico, pode lhe custar cerca de R$ 3 mil”.
Com audição ruim e movimentos lentos, tamanduá-bandeira é uma das principais vítimas de atropelamentos no Cerrado
O tamanduá-bandeira é o maior mamífero insetívoro do mundo:
pode comer até 30 mil formigas e cupins por dia

11.199 animais atropelados

Além das entrevistas com os caminhoneiros, a equipe liderada por Arnaud Desbiez monitorou 92.364 km de rodovias, com o intuito de registrar acidentes com as principais espécies de tatus e tamanduás.

Entre janeiro de 2017 e dezembro de 2019, os pesquisadores detectaram 11.199 mortes por atropelamento, incluindo 1.812 tatupebas, 750 tatus-galinha, 725 tamanduás-bandeira, 586 tamanduás-mirim, 65 tatus-de-rabo-mole e 9 tatus-canastra.

O estudo também acompanhou a movimentação de 44 tamanduás-bandeira por meio de GPS contido em um colete acoplado no corpo dos bichos. Como o sistema indicava a localização de cada animal a cada 20 minutos, foi possível entender quando e como os tamanduás interagiam com as rodovias. Os coletes também eram refletores, para sinalizar uma travessia noturna.

Batizados com nomes como Chester, Yoki, Rodolfo e Pequi, esses animais foram acompanhados por três anos. Além do monitoramento por GPS, os tamanduás também eram capturados com regularidade para ter amostras de pelo, sangue e carrapatos coletadas e, assim, identificar possíveis doenças. Todos os coletes já foram removidos, e o projeto agora avança para a fase de análise desses dados.

Segundo Arnaud, o cruzamento de informações colhidas na pesquisa permitiu identificar um dado interessante: a taxa de crescimento da população de tamanduás – cerca de 5% ao ano – diminui pela metade (2,5%) quando se considera o impacto das rodovias.

“Isso significa que as estradas não levam à extinção pelos acidentes, mas diminuem a taxa de crescimento dos tamanduás, porque outras ameaças – como doença, fogo, perda de habitat, ataques de cães ferozes – terão impacto mais forte para chegar ao nível próximo da extinção. A combinação das mortes nas rodovias torna a população de tamanduás-bandeira mais frágil às outras ameaças”, diz o biólogo.

Arnaud chama a atenção também para o fato de que o risco de extinção do tamanduá-bandeira pode causar impactos na própria agricultura, desencandeando um estado de desequilíbrio ambiental. O animal cumpre importante função no controle de insetos e pragas: calcula-se que um indivíduo chegue a comer cerca de 30 mil cupins e formigas por dia com sua língua imensa, que pode medir até 40 centímetros de comprimento.

“Seu papel é muito valioso. Evita, inclusive, que os agricultores tenham de gastar em produtos para o controle de pragas, que além de tudo, contaminam o solo”, explica Desbiez.
A equipe do Bandeiras e Rodovias em campo

Ações de conservação em prol do tamanduá-bandeira

Os resultados obtidos até agora estão sendo usados para elaborar as normativas do Plano Nacional de Ação para a Conservação de Tamanduás-bandeira e Tatus-canastra, aprovado em julho de 2019.
O Icas contribuiu com 26 das 31 estratégias definidas como prioritárias para a conservação de animais próximos à extinção. Elas incluem a implantação de radares nas estradas, placas de limite de velocidade, campanhas de conscientização, construção de túneis subterrâneos para a travessia animal e a instalação de cercas, para evitar que entrem na pista.

O trabalho do Bandeiras e Rodovias abrange ainda uma atuação multidisciplinar para a conscientização no âmbito educacional, médico, ecológico e social. O Icas proporciona educação ambiental para cerca de 2.500 alunos de 50 escolas em Mato Grosso do Sul, incluindo sete escolas rurais, capacitação de 20 educadores da Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande e a distribuição de mais de 3 mil livros didáticos em municípios de Minas Gerais cujas fazendas aderiram ao projeto ASAS (Área de Soltura de Animais Silvestres), para onde alguns filhotes de tamanduá foram transferidos depois que a mãe morreu.

O Bandeiras e Rodovias ainda tem o apoio de concessionárias de estradas, como a CCR MS. Em junho de 2019, a veterinária Debora Yogui treinou 223 funcionários da rodovia BR-163, que atravessa verticalmente todo o estado ao longo de 850 km. Além de receber informações sobre a fauna brasileira, cuidados com animais peçonhentos e leis ambientais, eles também aprenderam como registrar um atropelamento e como lidar com animais vivos ou feridos na estrada.

Outro aliado que tem ajudado a quantificar o número de atropelamentos e a mapear os pontos mais vulneráveis é o aplicativo Sistema Urubu, criado em 2014 pelo CBEE.  A ferramenta conta com o envio de fotos e informações dos viajantes. A localização de onde foi feita a imagem de um animal morto ou ferido é identificada pelo GPS do celular e assim é possível mapear e chamar ajuda, caso o animal ainda esteja vivo.

“Em um momento de polarização política, onde os interesses das bancadas ruralistas e ambientalistas divergem, o trabalho em equipe, envolvendo todos esses agentes, é fundamental”, atesta o pesquisador.

*Texto publicado originalmente em 06/02/20 no site Mongabay Brasil

Leia também: 

Cidade do Mato Grosso do Sul pinta ‘Capifaixas’ para chamar atenção de motoristas e evitar atropelamentos de capivaras

Sistema de radar detecta animais e alerta motoristas para evitar atropelamentos
Pará ganha primeiro viaduto para travessia de animais do Brasil
Antas ganham coleiras luminosas para evitar atropelamentos no Cerrado

Fotos: Miguel Ranger Jr./Creative Commons/Flickr (abertura), Gregoire Dubois (banner e tamanduá com cupinzeiro ao fundo), Aurélio Gomes (biólogo e tamanduá), Bandeiras e Rodovias (tamanduás atropelados)  


quarta-feira, 4 de março de 2020

Ararinhas-azuis chegam ao Brasil para início do processo de reintrodução na natureza


Ararinhas-azuis chegam ao Brasil para início do processo de reintrodução na natureza



Ararinhas-azuis chegam ao Brasil para início do processo de reintrodução na natureza
Finalmente, de volta ao lar: a caatinga baiana! De onde elas nunca deveriam ter sido levadas – roubadas, traficadas. Hoje pela manhã, 52 ararinhas-azuis, chegaram ao aeroporto de Petrolina, em Pernambuco, vindas de Berlim, e de lá seguiram para um centro de reintrodução, construído especialmente para elas, em Curaçá, dentro de uma Unidade de Conservação.

As ararinhas que estão agora na Bahia nasceram em cativeiro na Europa, parte de uma parceria entre o governo brasileiro e a Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), na Alemanha, e também, a Pairi Daiza Foundation, na Bélgica.

A viagem de retorno foi longa. Depois de decolar do aeroporto alemão, foram onze horas de voo até aterrissar em solo brasileiro. Durante todo o trajeto, as ararinhas foram acompanhadas de perto por um veterinário. Após o desembarque em Petrolina, elas foram levadas, de carro, por cerca de 1h30, até Curaçá.

Ararinhas-azuis chegam ao Brasil para início do processo de reintrodução na natureza
O processo de soltura das aves na natureza ainda levará algum tempo. Durante as próximas semanas, elas ficarão em quarentena, para garantir que sua saúde está boa e não nenhum risco de transmitirem doenças para as espécies locais, que já vivem na região.

Após essa primeira etapa, as ararinhas serão transferidas para um novo recinto, onde começaram a se adaptar ao clima da caatinga e à alimentação disponível na mata.

A previsão inicial é que só no ano que vem, os primeiros indivíduos sejam reintroduzidos na vida selvagem. Testes para solturas serão feitos, inicialmente, com outra espécie, o papagaio conhecido como Maracanã.

Todos os custos com o projeto de repatriação da ararinha-azul estão sendo pagos pela ACTP. Segundo Martin Guth, seu proprietário, valor da obra da construção do centro de Curaçá foi de US$ 1,4 milhão e anualmente, serão necessários cerca de US$ 180 mil para manter em operação o programa.

Cromwell Purchase, diretor científico e zoológico da associação alemão será o coordenador científico do projeto, juntamente com os biólogos do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade – ICMBio, órgão vinculado ao ministério do Meio Ambiente, responsável pelo Plano de Ação Nacional a Conservação da Ararinha-azul.

A extinção na natureza

Espécie endêmica do Brasil, ou seja, ela só existe em nosso país e em nenhum outro lugar do mundo, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) foi vítima do tráfico ilegal de aves e a cobiça de grandes colecionadores europeus. Fascinados pelo sua beleza e azul vibrante, eles não economizaram esforços (e muito dinheiro) para poder ter um exemplar da famosa arara brasileira.

Com isso, a ararinha-azul acabou sendo extinta de seu habitat natural. O último indivíduo voando livre, na natureza, foi observado por volta do ano 2000.

Ararinhas-azuis chegam ao Brasil para início do processo de reintrodução na natureza
Durante as últimas duas décadas, as únicas ararinhas-azuis existentes estavam em cativeiro. Em outubro do ano passado, o ICMBio declarou que eram 177 Cyanopsitta spixii no mundo – 22 em solo brasileiro e as demais na Alemanha (no site do Pairi Daiza Zoo, na Bélgica, há a informação que existem quatro ararinhas no local).

————————————————————————————-
*Nós, do Conexão Planeta, torcemos muito pelo sucesso de reintrodução da ararinha-azul no Brasil! Mas por uma questão de ética jornalística e coerência com nosso trabalho, não podemos deixar de mencionar que a volta da espécie ao país envolve diversas acusações ao proprietário da ACTP, Martin Guth. 

Em 2018, uma denúncia do jornal britânico The Guardian levantou uma série de fatos sobre Guth e Association for the Conservation of Threatened Parrots. De acordo com a reportagem, o alemão, que ficou preso durante 5 anos por crimes de extorsão e sequestro, poderia ter envolvimento com tráfico ilegal de aves.

O Conexão Planeta repercutiu a denúncia no Brasil e fez várias matérias sobre o assunto. Descobriu que muitos biólogos e criadores no país já tinham ouvido falar sobre a má fama de Guth, mas todos relataram medo em denunciar o criador (leia mais aqui). 

Há uma petição internacional, que já tem 55 mil assinaturas, que pede uma investigação ao governo alemão sobre o criador de aves ameaçadas. Mas segundo o Bundesamt für Naturschutz (BfN), Agência Federal para a Conservação da Natureza da Alemanha, não há indícios de ilegalidade no trabalho da associação. 
 
Procurado pelo Conexão Planeta, o ministério do Meio Ambiente, ainda sob a gestão de Edson Duarte e atualmente sob o comando de Ricardo Salles, nunca se posicionou sobre as denúncias.
Recentemente, em entrevista por e-mail, Martin Guth disse que sua ficha criminal está limpa e prefere não envolver sua vida pessoal com o projeto das ararinhas. 

Entretanto, entidades de conservação internacional, como a Rare Species Conservatory Foundation, dos Estados Unidos, alegam falta de evidências e cooperação científica, além de transparência no trabalho da ACTP, principalmente porque não se sabe a origem do dinheiro que o financia.

Leia também:
Avião com pintura especial celebra chegada, em breve, das ararinhas-azuis ao Brasil
Extintas na natureza, ararinhas-azuis nascem em cativeiro, em Minas Gerais
Traficantes internacionais oferecem ararinha-azul, por WhatsApp, com entrega na porta de casa
Mutum-de-alagoas será reintroduzido na natureza depois de extinto há mais de 40 anos
Oito aves já foram extintas neste século, quatro delas são brasileiras

Fotos: reprodução Facebook ACTP/ICMBio

Pesquisa revela que o herbicida Roundup contamina ecossistemas de água doce e prejudica a biodiversidade



Pesquisa revela que o herbicida Roundup contamina ecossistemas de água doce e prejudica a biodiversidade



O herbicida Roundup é feito à base de glifosato
O herbicida Roundup é feito à base de glifosato. Foto: Agência Pública/Repórter Brasil

Estudo examina a resiliência de ecossistemas de água doce contaminados pelo herbicida Roundup

McGill University*

Um dos herbicidas mais utilizados no mundo, à base de glifosato, o Roundup, pode desencadear a perda de biodiversidade, tornando os ecossistemas mais vulneráveis à poluição e às mudanças climáticas, afirmam pesquisadores da Universidade McGill.


O uso generalizado do Roundup em fazendas despertou preocupações sobre possíveis efeitos ambientais e à saúde em todo o mundo. Desde os anos 90, o uso do herbicida cresceu, quando a indústria agrícola adotou as sementes geneticamente modificadas “Roundup Ready” que são resistentes ao herbicida. “Os agricultores pulverizam seus campos de milho e soja para eliminar ervas daninhas e aumentar a produção, mas isso levou à lixiviação do glifosato no ambiente ao redor. No Quebec, por exemplo, foram encontrados vestígios de glifosato nos rios Montérégie”, diz Andrew Gonzalez, McGill professor de biologia e Presidente da Liber Ero em Biologia da Conservação.


Para testar como os ecossistemas de água doce respondem à contaminação ambiental pelo glifosato, os pesquisadores usaram lagoas experimentais para expor as comunidades fitoplanctônicas (algas) ao herbicida. “Essas minúsculas espécies na parte inferior da cadeia alimentar desempenham um papel importante no equilíbrio do ecossistema de um lago e são uma fonte importante de alimento para animais microscópicos. Nossos experimentos nos permitem observar, em tempo real, como as algas podem adquirir resistência a glifosato em ecossistemas de água doce “, afirma o pesquisador de pós-doutorado Vincent Fugère.


Ecossistemas se adaptam, mas à custa da biodiversidade

 

 

Os pesquisadores descobriram que os ecossistemas de água doce que experimentam contaminação moderada pelo herbicida se tornaram mais resistentes quando mais tarde expostos a um nível muito alto dele – funcionando como uma forma de “vacinação evolutiva”. Segundo os pesquisadores, os resultados são consistentes com o que os cientistas chamam de “resgate evolutivo”, que até recentemente só haviam sido testados em laboratório. Experiências anteriores do grupo Gonzalez haviam demonstrado que o resgate evolutivo pode impedir a extinção de uma população inteira quando exposto a uma contaminação ambiental grave por um pesticida, graças à rápida evolução.


No entanto, os pesquisadores observam que a resistência ao herbicida teve um custo com a diversidade de plâncton. “Observamos uma perda significativa de biodiversidade em comunidades contaminadas com glifosato. Isso pode ter um impacto profundo no funcionamento adequado dos ecossistemas e diminuir a chance de que eles possam se adaptar a novos poluentes ou estressores. Isso é particularmente preocupante, já que muitos ecossistemas estão lutando com os ameaça crescente de poluição e mudança climática “, diz Gonzalez.


Os pesquisadores apontam que ainda não está claro como a evolução rápida contribui para a resistência a herbicidas nesses ecossistemas aquáticos. Os cientistas já sabem que algumas plantas adquiriram resistência genética ao glifosato em campos agrícolas que são pulverizados fortemente com o herbicida. Para descobrir mais, serão necessárias análises genéticas atualmente em andamento pela equipe.
Referência:
Fugère, V., Hébert, M., da Costa, N.B. et al. Community rescue in experimental phytoplankton communities facing severe herbicide pollution. Nat Ecol Evol (2020). https://doi.org/10.1038/s41559-020-1134-5

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/03/2020

Pesquisa revela que o herbicida Roundup contamina ecossistemas de água doce e prejudica a biodiversidade, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 3/03/2020, https://www.ecodebate.com.br/2020/03/03/pesquisa-revela-que-o-herbicida-roundup-contamina-ecossistemas-de-agua-doce-e-prejudica-a-biodiversidade/.

Terras protegidas reduzem a perda de habitat e protegem espécies ameaçadas, diz estudo


Terras protegidas reduzem a perda de habitat e protegem espécies ameaçadas, diz estudo


floresta amazônica

Perda de habitat significativamente maior ocorre em terras privadas, indicando a necessidade de esforços de conservação mais uniformes

Tufts University*
Usando mais de 30 anos de imagens de satélite terrestre, cientistas da Universidade Tufts e da organização de conservação sem fins lucrativos Defenders of Wildlife descobriram que a perda de habitat para espécies ameaçadas nos EUA esse período foi duas vezes maior em terras privadas não protegidas do que em terras protegidas pelo governo federal.

Como os animais selvagens enfrentam uma série de ameaças à sobrevivência, que vão desde a destruição de habitats até as mudanças climáticas globais, o estudo, publicado hoje na revista Frontiers in Ecology and the Environment, fornece evidências de que a proteção federal da terra e a listagem sob a Lei de Espécies Ameaçadas dos EUA são ferramentas eficazes para conter perdas no habitat das espécies.

A perda e modificação de habitats são os principais impulsionadores das perdas globais em biodiversidade, levando a reduções no tamanho da população e nas taxas de reprodução de muitas espécies comuns e ameaçadas de extinção. Os cientistas trabalharam para identificar os mecanismos mais eficazes para prevenir futuras perdas de habitat em todo o mundo, mas a maioria dos estudos teve escopo geográfico limitado ou focou apenas em uma ou em uma variedade limitada de espécies.

Com o objetivo de entender em nível nacional como as jurisdições fundiárias e as políticas de conservação se traduzem em proteções de habitat no local, os autores do estudo coletaram dados em larga escala sobre a extensão do habitat nos EUA para 24 espécies de vertebrados, escolhidas dentre as listadas na lista de espécies ameaçadas de extinção. Act (ESA) ou a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. As espécies examinadas têm faixas que incluem terras de propriedade federal e não federal, cobrindo 49% do país de costa a costa e incluindo todos os principais ecossistemas do continente americano.

Usando bancos de dados nacionais de habitat de vida selvagem, os pesquisadores mapearam as 24 faixas de espécies e acompanharam as mudanças de habitat nessas faixas ao longo do tempo usando o algoritmo LandTrendr do Google Earth Engine. Os dados revelaram que as espécies ameaçadas perderam o menor habitat (3,6%) em terras protegidas pelo governo federal e perderam o maior habitat (8,6%) em terras privadas sem proteção. As terras do estado e as terras protegidas por organizações não-governamentais tiveram perdas de habitat de espécies semelhantes entre si (4,6% e 4,5%, respectivamente), mas ainda maiores que as perdas em terras federais.

Como o estudo cobriu mais de 30 anos de dados (1986 a 2018), os pesquisadores também foram capazes de observar outros efeitos residuais ao longo do tempo, como o impacto relativo de terras protegidas versus não protegidas antes e depois de uma espécie ser colocada no ESA ou Lista Vermelha. Os autores encontraram evidências de que a ESA contribuiu para a proteção de habitats em terras federais, com espécies perdendo menos habitat após serem listadas do que antes.

Os autores observaram que as diferenças em como as leis e proteções de conservação são aplicadas em diferentes contextos podem não servir ao objetivo pretendido pela ESA de preservação de espécies. As espécies não apenas habitam áreas gerenciadas pelo governo federal, como também podem se estender a terras estatais e privadas, e até mesmo as terras pertencentes ao estado não eram tão eficazes quanto as terras federais na proteção de espécies contra a perda de habitat.

Mesmo que a variedade de uma espécie esteja contida em terras protegidas pelo governo federal, essa proteção pode ser comprometida. “Sabemos de pesquisas realizadas por outros cientistas que o desenvolvimento em áreas protegidas pode reduzir a eficácia dessas proteções para animais”, disse Adam Eichenwald, estudante de biologia no laboratório do professor Michael Reed da Tufts e primeiro autor do estudo. “Não apenas isso, mas a mudança climática global pode forçar as espécies a se moverem, o que nos preocupa pode resultar em áreas projetadas para proteger espécies sem nenhum de seus ocupantes protegidos”.
Referência:
US imperiled species are most vulnerable to habitat loss on private lands
Adam J Eichenwald Michael J Evans Jacob W Malcom
Front Ecol Environ 2020; doi:10.1002/fee.2177
https://doi.org/10.1002/fee.2177

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/03/2020

Terras protegidas reduzem a perda de habitat e protegem espécies ameaçadas, diz estudo, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 4/03/2020, https://www.ecodebate.com.br/2020/03/04/terras-protegidas-reduzem-a-perda-de-habitat-e-protegem-especies-ameacadas-diz-estudo/.

Pobre Planeta: os humanos estão explorando 100 bilhões de toneladas de riqueza ao ano



 

Pobre Planeta: os humanos estão explorando 100 bilhões de toneladas de riqueza ao ano, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

“Terra!
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã”.
(O Sal da Terra, Beto Guedes)

O mundo consome 100,6 bilhões de toneladas de materiais por ano

[EcoDebate] A humanidade está retirando riqueza do Planeta a uma taxa crescente para produzir bens e serviços em benefício de um padrão elevado de consumo que beneficia um enorme número de habitantes que, desafortunadamente, devolvem esgoto, poluição e resíduos sólidos para a natureza. Esta lógica de retirar riquezas ecossistêmicos e devolver lixo para o meio ambiente é adotada, de maneira geral, por toda a população mundial, diferindo apenas em grau, dependendo do nível de renda de cada indivíduo.

O relatório “Global Resources Outlook 2019, da UNEP (United Nations Environment Programme), divulgado ano passado, constata: “Desde a década de 1970, a população global dobrou e o Produto Interno Bruto global quadruplicou. Essas tendências exigiram grandes quantidades de recursos naturais para impulsionar o desenvolvimento econômico e as consequentes melhorias no bem-estar humano. No entanto, esses ganhos têm um custo tremendo para o meio ambiente, impactando, em última instância, no padrão de vida da população e exacerbando as desigualdades dentro e entre os países”.

O relatório informa que, entre 1970 e 2017, a extração global de materiais cresceu de 27 bilhões de toneladas para 92 bilhões de toneladas, triplicando nesse período e continuando a crescer. Desde 2000, o crescimento das taxas de extração acelerou para 3,2% ao ano, impulsionado em grande parte por grandes investimentos em infraestrutura e padrões de vida materiais mais elevados países em desenvolvimento, especialmente na Ásia.

Portanto, a extração per capita de recursos está aumentando e o sonho do desacoplamento entre crescimento econômico e uso de recursos naturais está cada vez mais distante.

Em janeiro de 2020, o Instituto “Circle Economy”, lançou o relatório “The Circularity Gap Report 2020”, pouco antes do início do Fórum Econômico Mundial em Davos, mostrando que o uso insustentável de recursos naturais está destruindo o planeta e agravando a crise climática.

O relatório mostra que a quantidade de material consumido pela humanidade já ultrapassa 100 bilhões de toneladas a cada ano e, apesar deste alto volume de exploração da natureza, a proporção de reciclagem está caindo. Os autores do relatório alertam que tratar os recursos do mundo como ilimitado está levando a um desastre global, com aumento da taxa de extinção de espécies e com o agravamento da emergência climática.

Embora o relatório tenha anotado que algumas nações estão dando passos em direção a economias circulares nas quais a energia renovável sustenta sistemas onde o lixo e a poluição são reduzidos a zero, o executivo-chefe da Circle Economy, Harald Friedl, disse: “Arriscamos um desastre global se continuarmos a tratar os recursos do mundo como se fossem ilimitados. Os governos devem adotar urgentemente soluções de economia circular se quisermos alcançar uma alta qualidade de vida para cerca de 10 bilhões de pessoas até meados do século, sem desestabilizar processos planetários críticos”.

O principal autor do relatório, Marc de Wit, chamou atenção para a questão demográfica (tão negligenciada pelas políticas públicas) e disse: “Ainda estamos alimentando nosso crescimento populacional e a afluência das pessoas pela extração de materiais virgens. Não podemos fazer isso indefinidamente – nossa fome de material virgem precisa ser interrompida”.

Os números apresentados são impressionantes. A exploração das riquezas da Terra chegou a 100,6 bilhões de toneladas de materiais, sendo metade do total constituída por areia, argila, cascalho e cimento usados na construção, somado a outros minerais extraídos para produzir fertilizantes. Carvão, petróleo e gás compõem 15% e minérios metálicos 10%. Cerca de 25% são culturas agrícolas e árvores usadas como alimento e combustível (conforme pode ser visto na figura acima). São 13 toneladas para cada habitante do globo.

O relatório mostra que a maior parte dos materiais (40%) é transformada em habitação. Outras categorias importantes incluem alimentos, transporte, saúde, comunicações e bens de consumo, como roupas e móveis. Quase um terço dos materiais anuais permanece em uso após um ano, como edifícios e veículos. Mas 15% são emitidos na atmosfera como gases de aquecimento climático e quase um quarto é descartado no meio ambiente, como plástico em cursos d’água e oceanos. Um terço dos materiais é tratado como lixo, a maioria vai para aterros sanitários e a mineração. Apenas 8,6% é reciclado.

O relatório afirma que o aumento da reciclagem pode tornar as economias mais competitivas, melhorar as condições de vida e ajudar a cumprir as metas de emissões e evitar o desmatamento. Ele informou que 13 países europeus adotaram roteiros de economia circular, incluindo França, Alemanha e Espanha, e que a Colômbia se tornou o primeiro país da América Latina a lançar uma política semelhante em 2019.

O Banco Mundial havia lançado, em 2018, o relatório “What A Waste 2.0 : A Global Snapshot on Solid Waste Management to 2050” onde mostra que o volume global de descarte de lixo e de resíduos sólidos deve aumentar em cerca de 70% até 2050, quando chegará a 3,4 bilhões de toneladas, frente a 2,01 bilhões de 2016.

Desta forma, tem sido uma ilusão a proposta de conciliar os imperativos gêmeos da sustentabilidade e do desenvolvimento. A ideia do “desenvolvimento sustentável” tem sido apenas um bordão cada vez mais difícil de ser vendido aos cidadãos (transformados em consumidores) do mundo. O desenvolvimento sustentável virou uma contradição em termos e o tripé da sustentabilidade virou um trilema.

Ou se muda o estilo de vida da população mundial ou haverá um grande desastre ambiental e a vida na Terra será afetada, por um lado, pela montanha de lixo e resíduo sólido que cresce em ritmo acelerado e, por outro, pelas consequências dramáticas do aquecimento global que se tornou um perigo existencial à civilização e uma ameaça concreta à sobrevivência da vida humana e não humana.

Somente com um rápido decrescimento demoeconômico será possível reduzir significativamente a exploração dos recursos naturais e suas consequências, evitando ou mitigando um grande colapso ecológico.

José Eustáquio Diniz Alves

Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382


Referências:

WORLD BANK. What A Waste 2.0 : A Global Snapshot on Solid Waste Management to 2050, 09/2018
https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/30317
UNEP. Global Resources Outlook 2019: Natural Resources for the Future We Want, United Nations Environment Programme, 2019
https://www.resourcepanel.org/reports/global-resources-outlook
Circle Economy. The Circularity Gap Report 2020, Circularity Gap Reporting Initiative, Jan 2020
https://www.circularity-gap.world/

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/03/2020


Pobre Planeta: os humanos estão explorando 100 bilhões de toneladas de riqueza ao ano, artigo de José Eustáquio Diniz Alves, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 4/03/2020, 

terça-feira, 3 de março de 2020

Grubs up: a third of Britons think we'll be eating insects by 2029

Grubs up: a third of Britons think we'll be eating insects by 2029

This article is more than 5 months old

Research finds belief that scoffing crickets or worm burgers will be commonplace
Fried crispy silkworms on sale at a street food stall in Thailand. Photograph: Engdao Wichitpunya/Alamy




Nearly a third of Britons believe insects will eventually be part of mainstream human diets in the UK amid mounting challenges in food production, new research reveals.

With UK farmers facing pressure from the climate crisis, pests and plant diseases – alongside the need to boost productivity and compete with imports – research released on Monday claims that 32% of British adults think that regularly tucking into cricket snacks and buffalo worm burgers will become commonplace within 10 years.

The research from the Agricultural Biotechnology Council (ABC), an industry group promoting the use of controversial genetically modified (GM) crops in the UK, also suggests that 72% of people support increased emphasis on technology, such as new plant breeding techniques including gene editing, to tackle crop shortages.

Manufacturers, supermarkets and restaurants are all scrambling to cash in on a changing food landscape in the UK as consumers embrace flexitarian diets – where a largely vegetable-based diet is occasionally supplemented with meat – and experiment with meat alternatives and plant-based eating.
The damaging environmental impact of global meat production has spurred interest in edible bugs as an alternative, sustainable food source. Unlike cows or pigs, insects can be bred in significant numbers without taking up large amounts of land, water or feed.

Insects are also nutritious, containing essential proteins, fats, minerals and amino acids. Bugs for consumption are typically bred in large-scale factory conditions.

In the new YouGov poll of 2,093 adults, nearly two in five (37%) of respondents said they thought the consumption of insects would increase in the next 10 years, rising to nearly half (48%) among the 18-24-year-old age group.

Mark Buckingham, chair of the ABC, said: “We are delighted to see UK consumers embrace innovation as the future of farming. Using cutting-edge technology and growing techniques will enable the UK to deal with the serious challenges of keeping our farmers competitive, maintaining a safe, affordable food supply, and protecting our natural environment.”

The global edible insect market is set to exceed $520m (£430m) by 2023, according to recent research. The UN Food and Agriculture Organisation says at least 2 billion people regularly consume insects. But while more than 1,000 species are eaten around the world, they hardly feature in the diets of many rich nations.




In the UK, crickets and other insects have so far been predominantly limited to quirky pop-ups or sales through online outlets, while they also feature on a few restaurant menus.
Last November, Sainsbury’s became the first major UK grocer to stock edible crickets, selling the roasted insects as snacks in small bags from the UK brand Eat Grub in 250 of its stores.

Helen Browning, chief executive of the organic food and farming group the Soil Association, said: “Insects can be used to convert waste food very efficiently and there are a few large ‘insect farms’ now established across the world, targeted at animal and fish diets.
“There is clearly interest in insects for humans too, but how quickly these markets will develop remains to be seen. For many people in the UK, there is a bit of a ‘yuck’ factor, though of course in many cultures they are a normal part of the diet.”
''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''

Pesquisadores belgas substituem manteiga por gordura de larvas em waffles

Os tradicionais waffles belgas vão ganhar uma nova cobertura em vez de mel - Getty Images/iStockphotoPesquisadores belgas substituem manteiga por gordura de larvas em waffles 


.
Por Jakub Riha

GHENT, Bélgica (Reuters) - Os waffles belgas podem estar prestes a se tornar mais ecologicamente corretos.

Cientistas da Universidade de Ghent, na Bélgica, estão testando gordura de larvas para substituir a manteiga em waffles, bolos e cookies, já que dizem que a gordura dos insetos é mais sustentável do que os laticínios.

Usando aventais brancos, os pesquisadores encharcam larvas de mosca soldado negra em um recipiente com água, batem tudo em um liquidificador para criar uma massa lisa acinzentada e depois usam uma centrífuga de cozinha para separar a manteiga de inseto.

"Há várias coisas positivas em se usar ingredientes de insetos", disse Daylan Tzompa Sosa, que supervisiona a pesquisa.

"Eles são mais sustentáveis, porque (os insetos) usam menos terra (do que o gado), são mais eficientes na conversão de alimento... e também usam menos água para produzir manteiga", explicou Tzompa Sosa, mostrando um bolo de manteiga de inseto recém-assado.

De acordo com os pesquisadores, os consumidores não notam diferença quando um quarto de manteiga de leite é substituído por gordura de larva em um bolo – mas percebem um gosto incomum quando a medida é 50% e dizem que não comprariam o bolo.

Os alimentos à base de insetos têm níveis altos de proteína, vitaminas, fibra e minerais, e cientistas de outras partes da Europa os estão cogitando como uma alternativa mais ecologicamente correta e barata do que outros tipos de produtos de origem animal.


(Por Jakub Riha, Ciara Luxton e Christian Levaux)

Neuer Inhalt

Horizontal Line




There’s a fly in my waffle! Scientists experiment with larva fat to replace butter

Fat from larvae could be a more sustainable alternative to dairy, say researchers
Black soldier fly larvae, extracted fat and a piece of cake at Ghent University. Photograph: François Lenoir/Reuters



Scientists at Ghent University in Belgium are experimenting with larva fat to replace butter in waffles, cakes and cookies, saying using grease from insects is more sustainable than dairy produce.
The researchers soak black soldier fly larvae in a bowl of water, put it in a blender to create a smooth greyish dollop and then use a kitchen centrifuge to separate out insect butter.

“There are several positive things about using insect ingredients,” said Daylan Tzompa Sosa, who oversees the research.

“They are more sustainable because [insects] use less land [than cattle], they are more efficient at converting feed … and they also use less water to produce butter,” Tzompa Sosa said as she held out a freshly baked insect butter cake.

According to the researchers, consumers notice no difference when a quarter of the milk butter in a cake is replaced with larva fat. However, they report an unusual taste when it gets to 50-50 and say they would not want to buy the cake.

Insect food has high levels of protein, vitamins, fibre and minerals and scientists elsewhere in Europe are looking at it as a more environmentally friendly and cheap alternative to other types of animal products.


 Black soldier fly larvae, extracted fat and a piece of cake at Ghent University.