terça-feira, 10 de agosto de 2021

Mudanças climáticas têm impactos irreversíveis, alerta IPCC

 


Mudanças climáticas têm impactos irreversíveis, alerta IPCC

SEM AÇÕES IMEDIATAS PARA REDUZIR EMISSÕES, MUNDO DEVE DESCUMPRIR META DE LIMITAR AQUECIMENTO GLOBAL A 1,5 °C JÁ NA PRÓXIMA DÉCADA, DIZ PAINEL DA ONU. NÍVEL DO MAR DEVE SUBIR DRASTICAMENTE, E AMAZÔNIA PODE VIRAR SAVANA.

Incêndio florestal na Turquia: mudanças climáticas tornam ondas de calor e incêndios mais intensos e frequentes

A poluição por carbono alcançou níveis tão extremos que uma meta fundamental na luta para deter as mudanças climáticas – limitar o aquecimento global a 1,5 °C até o final do século – será descumprida dentro dos próximos 15 anos a não ser que ações imediatas, rápidas e de grande escala sejam tomadas para reduzir emissões de efeito estufa.

Essa é uma das principais conclusões de um relatório histórico aprovado por representantes de 195 países e publicado nesta segunda-feira (09/08) pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

A análise, que vem em meio a temperaturas e chuvas recordes que abalaram tanto países ricos quanto pobres, baseia-se em mais de 14 mil estudos para avaliar a ciência das mudanças climáticas induzidas pelo homem.

Ao queimar combustíveis fósseis e liberar gases que aquecem a Terra como uma estufa, a humanidade fez a temperatura média do planeta subir 1,1 °C nos últimos cerca de 150 anos. Mundo afora, isso fez com que ondas de calor e chuvas torrenciais ficassem mais intensas e mais frequentes. Em muitas regiões, as secas estão mais intensas e duram mais tempo. Desde o último grande relatório do IPCC, de 2014, cientistas também ganharam mais certeza de que as mudanças climáticas tornaram incêndios, enchentes e tempestades mais fortes.

Há uma solução simples para evitar que as condições climáticas piorem: parar de queimar combustíveis fósseis – mas governos, empresas e indivíduos estão falhando em fazê-lo com rapidez suficiente, aponta o IPCC.

“Quando olho para os resultados que encontramos sobre os extremos climáticos, diria que estamos em uma crise climática”, disse Sonia eneviratne, cientista do Instituto de Ciência Atmosférica e Climática o Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, e coautora do relatório. “Nós realmente temos um problema muito grande.”

Quão rápido as mudanças climáticas estão aquecendo o planeta?

Em 2015, líderes mundiais se comprometeram no âmbito do Acordo de Paris a limitar o aquecimento global até o final do século a bem abaixo de 2 °C – idealmente 1,5 °C – em um esforço global para evitar catástrofes. Mas, em vez disso, estão seguindo políticas que colocam o planeta a caminho de um aquecimento de 3 °C, de acordo com o grupo de pesquisa Climate Action Tracker, sediado na Alemanha.

Enquanto a meta de 1,5 °C deverá ser quebrada já na próxima década, as temperaturas poderiam ser reduzidas novamente até o final do século sob o cenário mais ambicioso apresentado no relatório para reduzir a poluição. Além de descarbonizar rapidamente a economia global, seria necessário remover enormes quantidades de CO2 da atmosfera. Mas a tecnologia para fazer isso é cara, e há poucas evidências que sugerem que poderia funcionar na escala necessária.

“É muito mais fácil evitar as emissões agora do que ultrapassar nosso orçamento de carbono e ter que retirar muitas emissões da atmosfera novamente”, disse Malte Meinshausen, cientista do Instituto Potsdam de Pesquisa de Impacto Climático e coautor do relatório.

O que as mudanças climáticas farão com o planeta?

Em todo o mundo, as chuvas extremas serão 7% mais intensas para cada grau Celsius de aquecimento global. Mais ciclones tropicais serão classificados nas categorias mais altas, 4 e 5. As chuvas de monções asiáticas cairão com mais intensidade e em períodos diferentes.

“Com cada incremento adicional de aquecimento global, as mudanças nos extremos [climáticos] continuam a se tornar maiores”, escreveram os autores do relatório do IPCC.

Fortes chuvas que costumavam ocorrer uma vez por década já se tornaram 30% mais prováveis. Mas com mais 3 °C de aquecimento, elas ocorrerão duas ou mesmo três vezes por década, e farão cair um terço a mais de água. Secas que costumavam ocorrer uma vez a cada dez anos deixarão o solo infértil quatro vezes por década. Ondas de calor – que já são 2,8 vezes mais prováveis e 1 °C mais quentes do que antes da Revolução Industrial – serão 9,4 vezes mais prováveis e ficarão 5 °C mais quentes.

“O relatório expõe claramente a evidência da urgência da ação”, disse Veronika Eyring, cientista de sistemas terrestres do Centro Aeroespacial Alemão e coautora do documento.

Estrago causado por enchente em Erftstadt, na Alemanha: mudanças climáticas tornaram incêndios, inundações e tempestades mais fortes

Impactos irreversíveis

Algumas das mudanças climáticas estimularão um aquecimento ainda maior. Os sumidouros naturais de carbono no oceano e em terra tornam-se menos eficazes à medida que o planeta se aquece. Temperaturas mais altas degelarão ainda mais o chamado permafrost (solo permanentemente congelado) – liberando grandes quantidades de metano na atmosfera – e derreterão neve e camadas de gelo que refletem o calor para fora do planeta. É provável que o Ártico fique praticamente sem gelo marinho no mês de setembro pelo menos uma vez antes de 2050.

Cientistas dizem que o derretimento do permafrost não é suficiente para levar a uma aceleração dramática e que se retroalimenta das mudanças climáticas, mas isso tornaria a luta para estabilizar o clima mais difícil. Níveis mais altos de poluição atmosférica significam processos de retroalimentação (feedback loops) mais fortes e que se tornam mais difíceis de prever.

Também já tiveram início alguns processos que devem ser irreversíveis “por séculos ou milênios”, mesmo que emissões sejam dramaticamente reduzidas. Entre elas estão o degelo do Ártico e aumento do nível do mar, que, segundo as previsões, deve ser de mais de meio metro neste século, o que já começou a tornar as inundações costeiras mais intensas e mais prováveis, mas continuará a fazê-lo no futuro.

Cientistas dizem que as incertezas na forma como as camadas de gelo respondem ao aquecimento global significam que extremos muito piores –  2 metros de aumento do nível do mar até 2100 e 5 metros até 2150 em um cenário de emissões “muito altas” – não podem ser descartados.

Outro possível impacto catastrófico das mudanças climáticas que não pode ser descartado é a transformação da Floresta Amazônica em savana, aponta o IPCC.

Cada esforço de proteção climática ajuda, afirma Douglas Maraun, cientista do Centro Wegener para o Clima e Mudanças Globais na Áustria e coautor do relatório. “Cada grau – ou décimo de grau – de aquecimento que é evitado reduz o risco de eventos extremos. “

Acabar com o uso de combustíveis fósseis

As maiores fontes de emissões de gases de efeito estufa que impulsionam as mudanças climáticas são carvão, petróleo e gás. Mas um resumo de 43 páginas do relatório elaborado para decisores políticos, um documento preparado primeiro pelos cientistas e depois aprovado linha por linha pelos representantes dos governos, não contém as palavras “combustíveis fósseis”.

Os autores do relatório do IPCC não estão autorizados a comentar a reunião de aprovação do texto em si, que é confidencial, mas “no material que os cientistas escreveram, absolutamente, os combustíveis fósseis são mencionados”, disse o cientista climático Meinshausen. Mas “mesmo perdendo algumas palavras, é uma conquista notável ter no final um acordo com todos os governos. Nenhum governo do mundo pode agora dizer que não acredita no que o IPCC escreveu.”

“A ciência não foi enfraquecida no processo”, acrescentou Friederike Otto, cientista climática da Universidade de Oxford e coautora do relatório.

O relatório do IPCC é a primeira de três partes e foi divulgado antes da cúpula climática COP26, a ser realizada no Reino Unido em novembro. Líderes mundiais discutirão soluções para parar de queimar carvão até 2030 e cumprir uma promessa feita pelos países ricos de pagar aos mais pobres 100 bilhões de dólares por ano para se adaptarem às mudanças climáticas até 2020. Algo que até agora eles não fizeram.

Fonte: Deutsche Welle

Com vídeos de seus “visitantes” na varanda, australiana conquista milhões de fãs no TikTok




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Com vídeos de seus “visitantes” na varanda, australiana conquista milhões de fãs no TikTok

Com vídeos de seus "visitantes" na varanda, australiana conquista e encanta milhões de fãs no TikTok

Quando o número de casos de Covid-19 começou a aumentar na Austrália, no ano passado, a gerente de marketing Katrina Smith que morava em Melbourne resolveu alugar uma casa longe da cidade e rumou para a costa da região de Victoria, próximo a uma floresta.

A Austrália possui uma diversidade enorme de aves. O país é o habitat de cerca de 830 espécies e quando levado em conta as ilhas vizinhas, quase uma em cada dez das 10 mil espécies de aves vivas do mundo estão naquele lado do mundo. E aproximadamente 45% delas são endêmicas dali, ou seja, só existem lá e em nenhum outro lugar do planeta.

Então, não foi muito surpresa quando Katrina começou a receber a “visita” simpática e colorida de alguns pássaros em sua varanda. Diariamente eles apareciam ali, sem mostrar timidez nenhuma, e parecendo bem felizes com a companhia humana.

A australiana decidiu então gravar os encontros e compartilhar esses momentos no TikTok. E o resultado foi surpreendente, como ela contou à rede BBC (assista vídeo abaixo, em inglês).

Em seu perfil nesta rede social, o Birds of Oz, Katrina já conquistou quase 650 mil seguidores. Alguns vídeos têm mais de 1,5 milhão de visualizões. Este aqui, logo a seguir, já foi assistido por 20 milhões de internautas.

Katrina conta que nunca tinha usado o TikTok antes. Não acreditou quando percebeu que seus vídeos estavam fazendo tanto sucesso. À medida que ela vai conhecendo as aves, dá nomes a elas. Cada uma tem uma cor diferente, uma característica marcante, como suas vocalizações, por exemplo.

A australiana que tinha mudado temporariamente para outra cidade e planejava voltar para Melbourne, agora não sabe bem ao certo quais são os planos para o futuro. “Descobri que somos muito privilegiados de morar aqui”, diz.

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Fotos: reprodução Instagram Birds of Oz

Fotógrafo flagra a imagem comovente de um “pai” cisne que carrega filhotes após morte da fêmea

 



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Fotógrafo flagra a imagem comovente de um “pai” cisne que carrega filhotes após morte da fêmea

Fotógrafo flagra a imagem comovente de um "pai" cisne que carrega filhotes após morte da fêmea

Desde abril, os moradores que passavam ao longo da Esplanada do Rio Charles, na cidade de Boston, nos Estados Unidos, acompanhavam a chegada de seis filhotes de cisne. O ninho tinha sido feito bem próximo da margem e era possível ver a mãe e o pai tomando conta dos ovos. Há poucas semanas os filhotinhos nasceram, mas qual não foi a surpresa de todos quando dias depois a fêmea faleceu.

Autoridades locais recolheram o corpo do cisne e realizaram uma necropsia, mas relataram que não havia nenhum problema aparente com a saúde da ave.

Com a morte da mãe, um dos filhotes acabou morrendo afogado e outro precisou ser resgatado. Todavia, apesar de toda a tragédia e tristeza do caso, uma imagem feita pelo fotógrafo Matthew Raifman comoveu milhares de pessoas e viralizou nas redes sociais.

Raiffman fez um flagrante do macho cisne carregando três de seus filhotes em seu corpo, e logo atrás, mais um deles, seguindo a família.

Em seu perfil no Instagram, ele fez o relato a seguir:

“Uma das histórias mais emocionantes e comoventes dos últimos tempos… Esse papai cisne, que ficou sozinho, está enfrentando o desafio. Hoje, eu finalmente tive a chance de fotografá-lo e encontrei três dos quatro filhotes restantes pegando uma carona com o pai enquanto o quarto vinha logo atrás. Corri para uma ponte bem a tempo de pegá-los entrando na lagoa Esplanade. Se tudo der certo, nossa mais nova família de cisnes ficará bem, e toda Boston está torcendo por eles! ❤️”.

Em entrevista a sites de Boston, o fotógrafo contou que sentiu uma certa conexão com o cisne porque ele também é um pai jovem: tem um bebê de quase 2 anos em casa.

“Me senti uma espécie de alma gêmea com este papai cisne que está apenas tentando ser resiliente em face de uma vida bastante desafiadora”, afirmou.

“Acho que devido ao que estamos passando, como sociedade, por esse momento realmente desafiador nos últimos dois anos … E há algo sobre o elemento agridoce dessa experiência, que esse cisne que foi desafiado dessa forma. Ele superou, apesar de ter perdido um membro da família. É algo com que realmente podemos nos identificar “, disse Raifman em entrevista ao Local12.

A nova família tem sido vista com frequência no rio e todos parecem bem. Em geral, o macho e a fêmea cuidam de seus filhotes por aproximadamente um ano. Mas agora esse trabalho ficará todo por conta do cuidadoso papai cisne.

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Graças ao esforço de voluntários durante seis horas, orca encalhada em maré baixa consegue voltar ao mar

 



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Graças ao esforço de voluntários durante seis horas, orca encalhada em maré baixa consegue voltar ao mar

Graças ao esforço de voluntários durante seis horas, orca encalhada em maré baixa consegue voltar ao mar

O trabalho conjunto de velejadores, moradores locais e especialistas da Agência Nacional de Oceano e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) conseguiram salvar uma baleia orca que ficou encalhada, durante aproximadamente seis horas, na ilha de Príncipe de Gales, no Alaska. Pesquisadores que estavam num barco da agência americana foram os primeiros a encontrar o animal, preso entre as rochas.

Logo outros voluntários chegaram ao local para poder manter a orca molhada e aves afastadas até que maré voltasse a subir e ela conseguisse retornar ao mar.

Não se sabe como a baleia ficou encalhada, se ela teria ido atrás de focas ou leões marinhos para se alimentar. Durante todo o tempo em que o animal ficou ali, várias outras orcas foram observadas nas imediações.

Graças ao esforço de voluntários durante seis horas, orca encalhada em maré baixa consegue voltar ao mar

Em alguns vídeos divulgados no Tik Tok por uma das pessoas envolvidas no resgate da orca, Aroon Melane, é possível ver os esforços dos voluntários.

A organização de proteção animal canadense, Bay Cetology, que atua na região identificou a orca como um dos indivíduos que ela monitora. Ele é um macho, com cerca de 13 anos e seis metros de comprimento. 

Felizmente, quando a maré subiu, o animal conseguiu voltar ao mar e segundo os pesquisadores da NOAA, se juntou novamente a seu grupo.

Muito bacana ver que graças à boa vontade de tanta gente, a orca foi salva. 

“Muito agradecida por ter estado lá para ajudar e feliz por ela estar de volta, segura com seu grupo!”, escreveu Aroon em seu perfil no Tik Tok. 

Quem é a orca?

Entre os leigos, ela é mais conhecida como orca. Já para os cientistas, é a killer whale (baleia assassina, em inglês). A origem deste último nome é baseada na observação de cientistas, que notaram que o animal caça baleias.

Apesar de ser chamada de “baleia”, a orca (Orcinus orca) é um cetáceo, que pertence à família dos golfinhos – o maior deles, por isso mesmo, suas características físicas são bastante semelhantes com a de seus primos. Como outros cetáceos, elas podem ser identificadas individualmente pelos cientistas por causa de marcas naturais e diferenças no tamanho e formato das nadadeiras.

Os machos geralmente são maiores que as fêmeas. As orcas chegam a medir entre 5 a 9 metros de comprimento e podem pesar até 5.400 kg. Até hoje, o maior macho já achado media 9,8 metros e tinha mais de 9 kg.

*Com informações da CNN

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Fotos: Chance Strickland e equipe do M/V Steadfast/NOAA (aérea/abertura), reprodução vídeo (meio) e Thomas Lipke on Unsplash (última)