quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Ambientalistas celebram acordo da UE que proíbe importação de produtos do desmatamento, mas alertam para pressão no Cerrado

 








Ambientalistas celebram acordo da UE que proíbe importação de produtos do desmatamento, mas alertam para pressão no Cerrado

Nos últimos três anos, o Brasil registrou o pior desmatamento em 15 anos, o maior número de focos de incêndios em 10 anos e a maior taxa de emissão de gases poluentes em 16 anos. — Foto: Reuters

O Parlamento Europeu e os Estados-membros da União Europeia (EU) chegaram, na madrugada de terça-feira (6), a um acordo para proibir a importação para o território do bloco de produtos que contribuem para o desmatamento. Apesar de ser considerado como uma vitória para a proteção das florestas, ambientalistas temem que a nova regra aumente ainda mais a pressão sobre o Cerrado, não incluído no texto.

O documento foi celebrado por ONGs como um marco histórico para a proteção das florestas. Além de ampliar a lista de produtos que podem ser barrados, o texto inclui itens que contenham ou que sejam provenientes de animais que tenham sido alimentados com commodities produzidas em áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020.A lei também inclui a ideia de desmatamento zero, já que não faz diferença entre áreas desmatadas legal ou ilegalmente.

“A gente acredita que essa legislação, como foi aprovada, é incrível”, diz Katia Favilla, secretária executiva da ong Rede Cerrado. “É uma vitória da sociedade civil e das negociações esse reconhecimento da União Europeia, de que há um problema no Brasil e de que eles precisam cuidar e olhar para isso de uma forma específica”, reconhece.

Kátia lamenta, no entanto, a não inclusão do cerrado no texto e teme o aumento do desmatamento do bioma e o risco de conflitos e de ameaças à vida de lideranças de povos indígenas e comunidades tradicionais.

Para o economista do meio ambiente e pesquisador Alain Karsenty, do Centro de cooperação internacional e pesquisa agroeconômica para o desenvolvimento (CIRAD), o mais importante no novo texto é a não distinção entre desmatamento legal e ilegal.

“Desde o fim de 2021, os britânicos têm um texto equivalente, com uma diferença notável: o texto britânico proíbe a entrada de produtos vindos de desmatamento ilegal”, destaca. “O texto europeu não faz diferença entre desmatamento legal ou ilegal. Assim, produtos que tenham origem de desmatamento considerado ‘legal’ segundo o texto de alguns países, serão impedidos de entrar na Europa”, explica.

Sobre a forma de fiscalizar as novas regras, o especialista diz que “toda a responsabilidade vai recair sobre os importadores. São esses operadores econômicos que terão de controlar os fornecedores para saber se o produto colocado no mercado não vem de desmatamento”, afirma. “Todas as terras que serviram para a produção devem ser geolocalizadas com as coordenadas”, especifica. Karsenty lembra ainda que haverá “mecanismos de sanções financeiras e controles aleatórios, porém rígidos” para verificar o cumprimento das normas.

O especialista também destaca que os países enfrentam situações muito diferentes e que às vezes é difícil contemplar todas as ameaças numa legislação ampla. O Parlamento Europeu deixou o prazo de um ano para refletir sobre a inclusão de “outras áreas arborizadas”, como o cerrado, que se estende pelo Brasil, Paraguay e Bolívia.

“O que vale para o Brasil, não vale para outros países na África”, alerta Karsenty. “O Brasil tem espaço de pastagens degradadas para plantio de culturas, tem alternativas. Já a África não, e as plantações avançam sobre a savana ou as florestas. A regulamentação terá que olhar caso a caso, pois senão pode haver problemas de aplicação” da lei, conclui.

Paris pede implementação rápida

A França saudou nesta terça-feira o “texto inovador” adotado pela União Europeia. Paris pediu a sua “implementação o mais rapidamente possível” por meio da abertura de um diálogo com os países produtores e consumidores de todo o mundo.

“Trabalhamos para isso e a França mostrou o caminho: a União Europeia proíbe a importação de produtos resultantes do desmatamento. Somos os primeiros no mundo a fazer isso! A batalha pelo clima e pela biodiversidade continua acelerada”, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, em sua conta no Twitter.

A França fez da luta contra o desmatamento uma de suas prioridades durante o período em que esteve na presidência da UE. Poucos dias antes do fim de seu mandato de seis meses, o país obteve, em 28 de junho, a concordância dos 27 Estados-membros durante o Conselho de Ministros Europeus do Meio Ambiente para proibir a importação para a UE de seis produtos (soja, carne bovina, óleo de palma, madeira, cacau, café) que contribuíssem para o desmatamento, mas não incluía a borracha ou outros ecossistemas ameaçados.

A poucas horas do início da COP15 centrada na biodiversidade que começa em Montreal (7 a 19 de dezembro), o texto “pioneiro e ambicioso” aprovado pelo Parlamento Europeu “constitui um grande passo à frente na luta contra a deflorestação e a degradação florestal”, reagiu o ministro da Transição Ecológica da França, Christophe Béchu, em um comunicado à imprensa.

Fonte: G1

Brasil assume o compromisso de recuperar 50% de todas as embalagens plásticas produzidas

 ATÉ 2040

Brasil assume o compromisso de recuperar 50% de todas as embalagens plásticas produzidas

Ministro Joaquim Leite defendeu que os demais países também se comprometam com metas ambiciosas contra a poluição de plásticos nos oceanos
Publicado em 01/12/2022 17h06 Atualizado em 01/12/2022 17h08
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OGoverno Brasileiro assumiu o compromisso de recuperar, até 2040, 50% de todas as embalagens plásticas geradas, evitando o descarte no meio ambiente. O anúncio foi feito pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, durante o encontro do Comitê Intergovernamental de Negociação (INC, na sigla em inglês) da ONU, que se reuniu pela primeira vez nesta terça-feira (29), em Punta del Leste, no Uruguai.

Todos os anos, milhões de toneladas de plásticos acabam sendo despejadas no mar. O descarte inadequado de embalagens criou um dos maiores desafios ambientais da atualidade: os microplásticos, que representam grave ameaça à vida aquática e saúde dos rios, mares e oceanos. Uma medida sugerida pelo ministro foi a redução do uso de microesferas de plástico de origem petroquímica em cosméticos.

"O Atlântico Sul é a porção oceânica mais limpa do planeta e queremos preservar essa importante contribuição que damos ao mundo e, ao mesmo tempo, incentivar os demais países a virar o jogo em relação à poluição plástica. Deixamos esse compromisso como forma de incentivar as demais Partes a assumirem compromissos ambiciosos em relação à poluição plástica e emissões de gases de efeito estufa", defendeu Joaquim Leite.

A partir das discussões promovidas na Conferência dos Oceanos, que ocorreu entre junho e julho deste ano, o ministro propôs ações concretas no monitoramento das fontes de poluição plástica, produtos químicos, impactos no meio ambiente, saúde e outros aspectos.

Segundo o ministro, a reciclagem é uma ferramenta importante no combate à poluição e na promoção da eficiência energética. O uso de plástico reciclado, por exemplo, reduz o impacto ambiental da energia e das emissões em mais de 50%. Para outros materiais recicláveis, como papel, isso pode chegar até 80%.

Apenas em 2021, no Brasil, foram recicladas 33 bilhões de latas de alumínio, cerca de 99% do total comercializado, um recorde mundial. A lata feita a partir da reciclagem usa 70% menos energia e emite 71% menos gases de efeito estufa. A logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas também é destaque e exemplo para o mundo. O índice brasileiro chega a 94%, bem acima dos segundos colocados, França e Alemanha, com 70%.

"Assim, os resíduos retornam para o ciclo produtivo. Isso gera empregos verdes, preserva os recursos naturais, evita a poluição, além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. É a economia circular na prática", explicou o ministro.

A destinação ambientalmente correta é aliada na luta pelo fim dos lixões. O Recicla+ criou o inovador crédito de reciclagem, permitindo que empresas comprem esses créditos para cumprirem as metas de logística reversa. Iniciativas como a Escolas +Verdes atuam na formação do indivíduo, promovendo a educação ambiental na prática. Até o momento, o programa Lixão Zero já fechou mais de 800 lixões em todo o país.

Confira a íntegra do discurso do ministro Joaquim Leite:

ASCOM MMA

Meio Ambiente e Clima

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Os incríveis materiais não vivos que têm memória, aprendem e reagem ao ambiente

 Materiais Avançados

Os incríveis materiais não vivos que têm memória, aprendem e reagem ao ambiente

Redação do Site Inovação Tecnológica - 06/12/2022

Os incríveis materiais não vivos que têm memória, aprendem e reagem ao ambiente
O sistema baseado no óxido de níquel, que demonstra comportamentos de aprendizado e é facilmente implementável em memórias RRAM, já foi usado para controlar uma pequena tela (embaixo).Materiais que imitam a vida

Está havendo uma verdadeira revolução em uma área de pesquisa pouco conhecida, envolvendo o que os pesquisadores chamam de materiais não vivos, que vão dos materiais que imitam como o cérebro armazena memórias até redes neurais mecânicas, que aprendem e reagem ativamente ao ambiente.

Embora sejam inspirados no modo como os seres vivos funcionam, esses materiais não têm nada de biológico - e, muitas vezes, nem mesmo de orgânico -, mas ainda assim se comportam como se fossem capazes de aprender e repetir comportamentos, algumas vezes de forma surpreendente.

Veja, a seguir, três pesquisas mostrando mais novidades na área, cada uma usando uma abordagem diferente.

Habituação e sensibilização

Sandip Mondal e colegas da Universidade Purdue, nos EUA, acreditam que é possível criar uma nova geração de supercomputadores usando materiais que apresentam comportamentos similares ao aprendizado.

Mondal aplicou pulsos elétricos muito curtos em um óxido de níquel deficiente em oxigênio e observou duas respostas elétricas diferentes, só vistas em seres vivos.

A primeira resposta, uma espécie de habituação, ocorre quando o material "se acostuma" a ser levemente eletrocutado: Embora a resistência elétrica do material aumente após um choque inicial, ele logo se acostuma com o estímulo elétrico, e passa a não mais reagir a ele. A outra resposta, uma sensibilização, ocorre quando uma dose maior de eletricidade é administrada: Quando o choque é intenso, a resposta do material cresce em vez de diminuir com o tempo.

"Praticamente todos os organismos vivos demonstram essas duas características. Elas realmente são um aspecto fundamental da inteligência," disse o professor Shriram Ramanathan, cuja equipe tem desenvolvido diversos tipos de componentes neuromórficos, que imitam o comportamento do cérebro.

E, como o comportamento do material é controlado eletricamente, ele se torna uma nova alternativa para a construção de circuitos inspirados no cérebro.

"Ser capaz de manipular materiais dessa maneira permitirá que o hardware assuma parte da responsabilidade pela inteligência," propõe Ramanathan. "Usar propriedades quânticas [o comportamento do material não pode ser explicado pela física clássica] para obter inteligência em hardware representa um passo fundamental para a computação com eficiência energética."

Os incríveis materiais não vivos que têm memória, aprendem e reagem ao ambiente
Essa "homeostase mecânica" foi usada para controlar uma mola que pode fazer trabalho útil.
[Imagem: Hang Zhang et al. - 10.1038/s41565-022-01241-x]

Material não vivo com homeostase

Hang Zhang e colegas da Universidade de Aalto, na Finlândia, por sua vez, desenvolveram um sistema sintético que responde a variações nas condições ambientais do mesmo modo que os seres vivos.

O sistema usa um circuito de retroalimentação para manter suas condições internas, assim como nosso corpo usa o suor para manter nossa temperatura, um processo conhecido como homeostase e que, na natureza, é exclusivo dos seres vivos - embora o feedback seja importante em alguns sistemas artificiais, como os termostatos, eles não têm a adaptabilidade dinâmica ou a robustez dos sistemas vivos homeostáticos.

O novo sistema consiste em dois géis, com propriedades diferentes, postos lado a lado. As interações entre os dois géis fazem com que o sistema responda homeostaticamente às mudanças ambientais, mantendo sua temperatura dentro de uma faixa estreita quando estimulado por um laser.

O laser é disparado através do primeiro gel e, em seguida, reflete em um espelho para o segundo gel, onde aquece as nanopartículas de ouro suspensas nele. O calor se move do segundo gel para o primeiro, elevando sua temperatura. O primeiro gel só é transparente quando está abaixo de uma temperatura específica; quando fica mais quente, torna-se opaco. Essa mudança impede que o laser atinja o espelho e aqueça o segundo gel. Os dois géis então esfriam até que o primeiro fique transparente novamente, momento em que o laser novamente consegue atravessar e o processo de aquecimento começa novamente.

Em outras palavras, esse arranjo de laser, géis e espelho cria um ciclo de retroalimentação que mantém os géis em uma temperatura específica.

"Os tecidos dos organismos vivos são tipicamente macios, elásticos e deformáveis," disse Zhang. "Os géis usados em nosso sistema são semelhantes. Eles são polímeros macios inchados na água e podem fornecer uma variedade fascinante de respostas a estímulos ambientais."

"Materiais inspirados na vida oferecem um novo paradigma para materiais dinâmicos e adaptativos que provavelmente atrairão pesquisadores nos próximos anos," acrescentou o professor Olli Ikkala. "Sistemas cuidadosamente projetados, que imitem alguns dos comportamentos básicos dos sistemas vivos, abrirão o caminho para materiais verdadeiramente inteligentes e robótica macia interativa."

Os incríveis materiais não vivos que têm memória, aprendem e reagem ao ambiente
A memória pode ser escrita e apagada, como em um computador.
[Imagem: Keim/Medina - 10.1126/sciadv.abo1614]

Material com memória

Os materiais com memória de forma, que transicionam entre diferentes fases sólidas, já são bem conhecidos e vêm sendo explorados para diversos usos, inclusive como memórias em sistemas computacionais.

Nathan Keim e Dani Medina, da Universidade do Estado da Pensilvânia, nos EUA, agora descobriram como usar e apagar memórias em materiais macios e desordenados, incluindo emulsões, materiais com consistências como as do sorvete, maionese, cremes de beleza etc.

A dupla criou uma pasta derramando óleo sobre água em um prato e, em seguida, espalhando uma camada bem compactada de 25.000 partículas microscópicas de plástico no limite entre os líquidos. As partículas são carregadas eletrostaticamente e, portanto, se repelem, o que lhes permite formar um sólido macio semelhante à maionese. Esse sólido macio pode ser deformado de forma controlada, e o movimento das partículas é rastreado usando um microscópio.

"Nós deformamos nosso material por cisalhamento, que envolve mover um lado do material em relação ao outro, como puxar o canto de um retângulo para o lado para que ele se torne um paralelogramo," explicou Keim. Esse tipo de deformação é conhecido como recozimento mecânico, e realizá-lo reduz a energia geral da estrutura. Repetir esse recozimento na mesma magnitude muitas vezes cria no material uma memória da deformação, que afeta sutilmente como o material responde à deformação de outras magnitudes no futuro.

E também dá para apagar a memória, bastando aplicar distorções de magnitudes cada vez menores, o que lembra um pouco o método de apagamento nas memórias ferromagnéticas, onde um forte campo magnético é aplicado e sua direção alternada, tornando gradualmente o campo mais fraco.

Segundo a equipe, isso pode ser útil para dar capacidades neuromórficas aos materiais e estruturas, permitindo monitorar intensidades de forças, lembrar de tensões a que a estrutura foi submetida ou realizar análises de falhas.

Bibliografia:

Artigo: All-Electric Nonassociative Learning in Nickel Oxide
Autores: Sandip Mondal, Zhen Zhang, A. N. M. Nafiul Islam, Robert Andrawis, Sampath Gamage, Neda Alsadat Aghamiri, Qi Wang, Hua Zhou, Fanny Rodolakis, Richard Tran, Jasleen Kaur, Chi Chen, Shyue Ping Ong, Abhronil Sengupta, Yohannes Abate, Kaushik Roy, Shriram Ramanathan
Revista: Advanced Intelligent Systems
Vol.: 8, Issue 40
DOI: 10.1002/aisy.202200069

Artigo: Feedback-controlled hydrogels with homeostatic oscillations and dissipative signal transduction
Autores: Hang Zhang, Hao Zeng, Amanda Eklund, Hongshuang Guo, Arri Priimagi, Olli Ikkala 
Revista: Nature Nanotechnology
DOI: 10.1038/s41565-022-01241-x

Artigo: Mechanical annealing and memories in a disordered solid
Autores: Nathan C. Keim, Dani Medina
Revista: Science Advances
DOI: 10.1126/sciadv.abo1614

Bioplástico de casca de coco é realmente bio

 

Bioplástico de casca de coco é realmente bio

Redação do Site Inovação Tecnológica - 24/11/2022

Bioplástico de casca de coco é realmente bio
O processo é simples, mas ainda é preciso lidar com a variabilidade da matéria-prima.
[Imagem: Yihao Leow et al. - 10.1016/j.compositesb.2022.110031]

Pesquisadores de Cingapura desenvolveram um processo que transforma resíduos de coco em bioplásticos fortes e biodegradáveis.

E com um adicional mais do que bem-vindo: O novo processo descarta completamente a necessidade de materiais não-degradáveis, que ainda entram na composição de muitos materiais chamados de bioplásticos.

"Os bioplásticos de hoje são geralmente feitos de cargas de biomassa em uma matriz de plástico convencional, o que lhes confere propriedades semelhantes aos plásticos à base de petróleo," explicou o professor Dan Kai, do Instituto de Pesquisa e Engenharia de Materiais. "No entanto, esses bioplásticos ainda não são totalmente biodegradáveis e geram uma quantidade substancial de microplásticos."

Isso acontece porque os bioplásticos feitos inteiramente de fibras de celulose vegetal ainda não se comparam aos plásticos tradicionais à base de petróleo em termos de resistência mecânica e impermeabilidade.

Em busca de um bioplástico que mereça o nome, Kai e seus colegas encontraram a solução nos cocos, cujas cascas são descartadas, mas são fortes e totalmente biodegradáveis.

Compressão a quente

A nova uma técnica começa processando as cascas de coco em uma reação química que remove a lignina, o componente que dá aos tecidos vegetais sua estrutura rígida.

O resultado é uma massa de fibras macias e flexíveis, que são mais fáceis de trabalhar e que podem ser facilmente aglomeradas por compressão a quente.

A equipe agora pretende trabalhar na melhoria das propriedades físicas do seu bioplástico, de forma a eliminar um entrave que ainda resta para o uso disseminado de sua técnica: O fato de que as condições de armazenamento alteram muito as fibras do coco. E essa variação na matéria-prima dificulta a obtenção de um bioplástico com qualidade homogênea.

"Também estamos interessados em processar outras fontes de alimentos e resíduos agrícolas, como borra de café, cana-de-açúcar e cascas de laranja, para acelerar o desenvolvimento sustentável," finalizou Kai.

Bibliografia:

Artigo: A tough, biodegradable and water-resistant plastic alternative from coconut husk
Autores: Yihao Leow, Veronica Sequerah, Ying Chuan Tan, Yong Yu, Eric Charles Peterson, Changyun Jiang, Zheng Zhang, Le Yang, Xian Jun Loh, Dan Kai
Revista: Composites Part B: Engineering
DOI: 10.1016/j.compositesb.2022.110031

Paraná será o primeiro estado no Brasil a ter um programa de conservação de grandes felinos como a onça-pintada e a onça-parda

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Paraná será o primeiro estado no Brasil a ter um programa de conservação de grandes felinos como a onça-pintada e a onça-parda

Uma boa notícia para as onças pintadas e pardas que vivem no Paraná e para quem luta por sua conservação! 

O Projeto de Lei 486/2022, que prevê o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a conservação de grandes felinos, foi aprovado na Assembleia Legislativa do Estado, em 29 de novembro – Dia Internacional da Onça Pintada! – e, agora, só depende da sanção do governador. 

O projeto institui a criação de um programa estadual de conservação voltado para a onça-pintada (Panthera onca) e da onça-parda (Puma concolor), os maiores felinos da América Latina. 

As duas espécies estão ameaçadas de extinção no Paraná – devido à perda de áreas naturais e à caça: a pintada é classificada como “em grande perigo” e a parda, “em situação vulnerável”.

“A aprovação tem valor simbólico inestimável porque hoje é o Dia Internacional e Nacional da Onça-Pintada, instituído pela ONU e pelo Ministério do Meio Ambiente, em 2018, e confirmado na COP 14 da Biodiversidade, no mesmo ano”, celebrou o deputado estadual Goura Nataraj, presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais e responsável por encaminhar a reivindicação na assembleia. 

Trata-se de uma iniciativa inédita e pioneira no Brasil, resultante de um esforço coletivo, que inclui organizações da sociedade civil – como o Projeto Onças do Iguaçu, o Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, a Rede Nacional Pró Unidades de Conservação (Rede Pró UC) e o Instituto Água e Terra -, em parceria com o CENAP – Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, do ICMBIo, e a Secretaria Estadual do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo (Sedest).

“Tivemos uma reunião com o deputado Goura, aqui no Parque Nacional do Iguacu, em 2021, perto do dia da onça-pintada, e comentei sobre a importância de termos um plano estadual de conservação”, conta Yara Barros, presidente do Projeto Onças do Iguaçu. 

“Ele já queria promover uma audiência pública com a Sedest sobre as onças. O encontro foi marcado, apresentamos a proposta e conseguimos fazer acontecer: o Paraná, agora, é o primeiro estado a ter um plano para os grandes felinos”.

Inspiração para outros planos estaduais

No dia da votação, Goura disse que, com a aprovação do projeto de lei, certamente seria possível avançar na proteção dos grandes felinos não só no Paraná, como no Brasil, já vislumbrando que seria um projeto inspirador. Yara também acredita que a criação do Programa Estadual de Conservação de Grandes Felinos do Paraná pode inspirar outros estados a seguirem o mesmo caminho.

“Existe um plano de ação nacional para grandes felinos, coordenado pelo ICMBio, só que ele foca nas espécies nacionalmente ameaçadas e a onça-parda, por exemplo, saiu dessa lista. Ela não é mais considerada ameaçada em nível nacional, mas continua ameaçada em vários estados, como é o caso do Paraná”. E completa:

“Com planos estaduais, conseguimos mirar nas especificidades das espécies em cada estado e, assim, influenciar políticas públicas, que garantam a destinação de recursos para a implementação de estratégias para essas duas espécies, por exemplo, o que não é possível num plano nacional. Ou seja, os planos estaduais atendem mais as especificidades do estado e ajudam muito mais na conservação das espécies”. 

A partir da sanção do governador – que ainda não aconteceu –, o próximo passo é reunir todos os envolvidos para a elaboração do plano de ação, do Programa de Conservação. 

“Num plano como esse, elencamos quais são as ações necessárias, quem são os atores que vão implementá-las, quanto custa cada uma delas, qual o prazo. E, a partir daí, será feita uma monitoria anual da implementação dessas ações”, explica Yara, que acrescenta:

“Um plano de ação e conservação não é um documento! Ele é uma estratégia de conservação, que é multistakeholders, por isso, precisa contar com todos que fazem parte do processo: governo, organizações ambientais e de conservação, o CENAP/ICMBio, as universidades, os especialistas nas espécies e em políticas públicas relacionadas ao meio ambiente. Todos devem escrever esse plano e depois tocar essa implementação”. 

“Super ferramenta de conservação”

Um dos argumentos para a elaboração de um projeto de lei como o 486/2022 destaca os benefícios resultantes de um Programa Estadual de Conservação para os Grandes Felinos para todas as espécies, visto que foca nos animais do topo da cadeia alimentar, são espécies vitais para o equilíbrio ecológico e contribui para o “fortalecimento das unidades de conservação e a ampliação dos corredores ecológicos”. 

Além disso, o programa pode ajudar a barrar qualquer proposta de projeto antiambiental para o estado, que tramite tanto na Assembleia Legislativa do Estado como no Congresso Nacional. 

“Tendo um plano com ações muito claras, podemos tentar barrar ações que prejudiquem a conservação das espécies como, por exemplo, cortar ao meio um parque nacional, onde está a população mais significativa de onça-pintada do estado”. 

Yara se refere ao PL 984/2019, defendido pelo deputado federal paranaense Vermelho, que continua ‘em tramitação’ na Câmara dos Deputados (a última tentativa de levá-lo ao plenário foi em junho de 2021, quando diversas instituições e personalidades se manifestaram contra). 

Esse projeto prevê a reabertura da Estrada do Colono – fechada há mais de duas décadas por decisão judicial -, cortando o Parque Nacional do Iguaçu ao meio, o que não só facilitaria o acesso de caçadores e outros criminosos, como abriria precedentes para “rasgar” outras áreas protegidas em qualquer bioma brasileiro.

“Espero que o programa seja uma super ferramenta de conservação para o Paraná! É um marco! Foi super simbólico, pra nós, o PL ter sido aprovado no Dia da Onça-Pintada, que foi criado em 2018 justamente pra chamar a atenção pra necessidade de conservação dessa espécie. É um marco muito bacana e espero que isso sirva de modelo para outros estados”. 

“Ficamos muito felizes de ter começado essa conversa com Goura há um ano e já termos o projeto de lei aprovado. É uma conquista incrível!”, finaliza.

Como o final do ano está próximo, o mais certo é que as reuniões para a elaboração do Programa Estadual de Conservação para Grandes Felinos sejam realizadas no início de 2023 (assim que a Sedest responder à minha solicitação, complementarei o texto com informações mais precisas).

Leia também:
– Quem é o deputado Vermelho?  
– Bolsonaro reforça apoio a deputado que quer reabertura de estrada que corta o Parque Nacional do Iguaçu

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Fonte: Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP)

Fotos: Leonardo Barros/Wikimedia Commons (onça-pintada) e domínio público (onça parda)