sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Cuidar do Meio Ambiente, um remédio que funciona

Por Vandré Fonseca
Manter a floresta em pé também beneficia a saúde humana. Acima, Seringal Cachoeira, Xapuri, AC. Foto: Nanda Melonio
Manter a floresta em pé também beneficia a saúde humana. Acima, Seringal Cachoeira, Xapuri, 
AC. Foto: Nanda Melonio


Manaus, AM -- Depois de analisar dados de 700 municípios da Amazônia Brasileira, um grupo de pesquisadores apresentou evidências científicas de que cuidar dos ecossistemas contribuiu também para a saúde pública. A afirmação parece não trazer novidades, mas segundo os autores do estudo, publicado esta semana na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o artigo é o primeiro a unificar fatores que antes haviam sido analisados em modelos separados.


O estudo revela que a incidência de malária, infecções respiratórias agudas e diarréia foram significativamente menores perto de áreas estritamente protegidas, depois dos autores analisarem informações sobre doenças, clima, demografia, serviços de saúde e mudanças no uso do solo.


O estudo demonstrou também que a malária tem um comportamento diferente de outras infecções.


A proximidade de Unidades de Conservação de Proteção Integral ajuda a reduzir os números dessa doença. No entanto, os casos de malária tendem a aumentar em Unidades de Uso Sustentável e áreas protegidas para a extração de produtos florestais.


A equipe é formada por pesquisadores de universidades americanas e asiáticas, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O professor Subhrendu Pattanayak, da Universidade Duke, Carolina do Norte (EUA).


"Nossos resultados sugerem que as áreas estritamente protegidas podem servir como uma barreira para a transmissão da doença", afirma o professor Pattanayak. "Embora essas relações sejam complexas, acreditamos que através da proteção e preservação da biodiversidade obtemos uma dupla vitória, com os benefícios para a saúde pública”.

A Amazônia foi escolhida para o estudo porque a região tem sofrido uma rápida mudança no uso do solo e também é alvo de esforços significativos em favor da proteção ambiental.

Hipótese do Efeito de Diluição
Na mesma revista, outro grupo de pesquisadores, da Universidade do Sul da Flórida, encontrou evidências de a riqueza de espécies reduz a incidência de doenças infecciosas. O estudo testava a hipótese do Efeito de Diluição, que adverte para o risco da perda da biodiversidade resultar em maior risco de doenças em seres humanos.

Os autores do artigo analisaram mais de 200 registros que relacionavam biodiversidade e doença e concluíram que o Efeito Diluição foi robusto em todos os contextos ecológicos analisados. Os resultados demonstram que tanto parasitas quanto pragas herbívoras podem ser reduzidos com a manutenção da biodiversidade.

"Isto sugere que a manutenção da biodiversidade na natureza poderia reduzir a abundância de muitos parasitas de seres humanos e de animais selvagens", explica o professor David Civitello, do Departamento de Biologia Integrativa na Universidade do Sul da Flórida. "Por outro lado, declínios induzidos pelo homem na biodiversidade podem contribuir para aumento das doenças humanas e de animais selvagens."

Os pesquisadores advertem, porém, que a manutenção da biodiversidade não tem um efeito global. Quando se analisa uma doença individualmente, o resultado pode não ser o mesmo e a manutenção da biodiversidade pode não ter o mesmo efeito positivo.

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