quarta-feira, 23 de abril de 2014

Brasil rumo à argentinização. Com a inflação estourando o teto de 6,5%, Dilma Kirchner quer tirar alimentos do cálculo.

quarta-feira, 23 de abril de 2014


 
 
Depois de aparelhar o IPEA e censurar o IBGE, o governo Dilma incentiva técnicos a estudarem fórmulas mágicas, entre as quais tirar os alimentos do cálculo do índice inflacionário. É maquiagem pesada para esconder o botox econômico. Na Argentina, a inflação real é de 30%, enquanto a oficial é dada como 10% ao ano. 

Preocupados com o impacto da alta dos alimentos na inflação, alguns técnicos do governo começaram a defender nos bastidores mudanças polêmicas na formulação da política econômica. Diante dos frequentes choques nos preços de produtos in natura por causa de problemas climáticos, eles acreditam que esses itens deveriam simplesmente ser retirados do cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). 

A ideia não é novidade e tem a simpatia da equipe econômica, pois tornaria o indicador mais realista. No entanto, todos os técnicos ouvidos pelo GLOBO são unânimes em afirmar que isso teria que ser feito com cuidado e num momento de inflação baixa, para que o governo não seja acusado de mais uma maquiagem.

Economistas do mercado financeiro estimaram na terça-feira, pela primeira vez, que a inflação vai estourar o teto da meta do governo em 2014. Analistas ouvidos pela pesquisa Focus, do Banco Central, pioraram suas estimativas e esperam agora que a inflação oficial medida pelo IPCA encerre o ano em 6,51% — ante uma projeção de 6,47% na semana passada. Esta foi a sétima alta consecutiva na previsão para a inflação.

O argumento dos defensores da mudança na formulação da política econômica é que as altas de alimentos, como o tomate e o chuchu, por exemplo, não deveriam influenciar o IPCA total, uma vez que não são produtos insubstituíveis. Os consumidores costumam deixar de comprá-los quando os preços sobem demais em função do clima. Eles afirmam que inflação teria de ser medida por itens que não podem ser trocados por outros, como combustíveis ou alimentação fora de casa.

— Nos Estados Unidos, por exemplo, não há alimentos no índice oficial de inflação por uma questão simples: se você vai ao mercado e vê o tomate caro, você pode substituir por outra coisa. A gente faz isso com morango. Ninguém come morango o tempo inteiro — argumentou um técnico do governo. — Essa é uma discussão interessante e oportuna. Será que o IPCA é o melhor índice para o Brasil guiar a política monetária? — questionou outra fonte da área econômica.

A inflação acumulada em 12 meses até março está em 6,15%, muito próxima do teto da meta de 6,5% fixada pelo governo para o ano. Grande parte dessa alta é resultado do aumento dos preços de alimentos. Só o preço do tomate já subiu 31,72% em 2014. A batata inglesa teve alta de 17,27% no mesmo período.

Os economistas do mercado financeiro afirmam que qualquer alteração no índice seria vista com muita desconfiança. Segundo o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman, não há nada de honesto no argumento que os alimentos que contaminaram o IPCA e provocaram a persistência da inflação que, por sua vez, acomodou-se perto do teto da meta. — (A ideia) tem um alto nível de cretinice. Acho surpreendente que as pessoas voltem a debater isso neste momento, porque parece que elas não prestam atenção nos números — disse.

Schwartsman se referia aos dados do núcleo da inflação, ou seja, o número que despreza a alta dos alimentos e das tarifas de serviços públicos. Nos últimos 12 meses, esse núcleo está ainda maior que o IPCA geral: 7,36%. Ou seja, a culpa não está apenas nos alimentos. A inflação sofre também com outros fatores, como altas nos serviços.

— Seria trocar seis por meia dúzia e ainda na hora errada. O único resultado seria mais um arranhão na credibilidade do país. Se olharmos os dados do passado, a inflação brasileira não tem um histórico de pressão por alimentos — disse o ex-secretário do Tesouro Nacional Carlos Kawall, economista-chefe do Banco Safra.

Para 2014, o governo espera que os alimentos deem uma trégua à inflação nos próximos meses. Em apresentação feita ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, o secretário de Política Econômica, Márcio Holland, informou que o IPCA deve subir menos a partir de agora, por causa da entrada da safra no mercado.

A meta do governo para o IPCA é de 4,5% ao ano, com margem de tolerância de dois pontos percentuais. Se não atingir a meta, o BC precisará explicar, oficialmente, por que não conseguiu, além de informar as providências que serão tomadas. Para 2015, a estimativa de inflação no Boletim Focus foi mantida em 6% ao ano. O grupo de economistas que mais acertam as projeções já havia projetado uma inflação acima do teto da meta para este ano. A mediana das projeções do chamado “top 5” chegou a 6,57% há cerca de um mês e, agora, está em 6,59%.

O economista da LCA Consultores César Esperandio, destacou que o resultado recente do IPCA-15, a prévia da inflação, ficou abaixo do esperado — com percentual de 6,19% em 12 meses — o que contribuiria para uma redução na estimativa dos analistas. No entanto, observou, os reajustes recentes das tarifas de energia elétrica pressionaram as projeções. Na semana passada, a AES Sul Distribuidora Gaúcha de Energia S/A, por exemplo, foi autorizada a reajustar em 28,86% a tarifa de consumidores residenciais.

Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, ressaltou que, embora o IPCA-15 tenha vindo abaixo do esperado pelo mercado, ele trouxe expectativa de reajuste elevado da alimentação no domicílio. — Com isso, nós elevamos nossa expectativa de inflação para abril de 0,70% para 0,77%. Nossa projeção para o ano, de 6,3%, passa a ter viés de alta — afirmou Alessandra. (O Globo)
 

Pasadena e Gemini desmoralizam Conselho da Petrobras

PF ameaça investigar patrimônio de US$ 4,77 bilhões de pessoa muito próxima a Lula da Silva


quarta-feira, 23 de abril de 2014




Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Uma das cinco “tendências” na Polícia Federal arma uma desagradável surpresa para uma pessoa muito próxima do Presidentro Luiz Inácio Lula da Silva. A equipe de um delegado pertencente a uma banda anti-governista da PF, com atuação consistente em combate à corrupção e lavagem de dinheiro, ameaça abrir um procedimento investigatório para acompanhar suspeitas de crimes na evolução patrimonial incompatível com a renda declarada à Receita Federal pelo personagem ligadíssimo a Lula. A fortuna familiar do investigável é estimada em US$ 4 bilhões 770 milhões de dólares.

O patrimônio é impressionante. Usando “laranjas” (familiares, amigos pessoais e empresários parceiros), o alvo da PF é, ocultamente, um dos maiores pecuaristas do Brasil. Em três fazendas - em São José do Rio Preto e Botucatu (SP) e no Mato Grosso, em sociedade com um famoso cantor romântico) -, o investigável cuida de 4 milhões e 800 mil cabeças de gado. Também ostenta dois jatos (cada um avaliado em US$ 8 milhões). As aeronaves operaram em nome de empreiteiras amigas, para chamar menos a atenção, como se isso fosse possível, pelas tantas viagens que faz pelo Brasil e para paraísos fiscais, principalmente o Panamá.

O próspero negociante, em que a PF está de olho, tem participações em seis grandes hotéis (três no Distrito Federal, dois em Recife e um resort na Bahia). O agora alvo da PF – e provavelmente da Receita e da Justiça Federal – fez muitos investimentos em imóveis, o que chama a atenção e acaba facilmente rastreado. Tem um prédio avaliado em US$ 12 milhões e um terreno gigantesco, em áreas valorizadas na Zona Sul de São Paulo. Empenhou muita grana na construção de lucrativos mini-shoppings, onde fatura alto com aluguéis. Também injetou dinheiro em uma incorporadora e numa empreiteira que atua na região do Grande ABC. 

   
Em tempos de problemas na Petrobras, chama atenção que o investigável seja detentos de lotes de 650 mil ações preferenciais da estatal de economia mista – em baixa no mercado. Além de muitas ações da Vale e Usiminas, o investidor também tem 10% de participação em uma grande companhia aérea e 20% de uma poderosa empresa de telecomunicações. Também tem ações de um grande grupo universitário em São Paulo, e uma lucrativa participação na Ambev. Em função da criação bovina, é acionista minoritário de vários frigoríficos.

O empreendedor pródigo conseguiu uma representação para negociar jatos da Embraer na França, no Canadá e nos EUA. Além das aplicações na hotelaria nacional, junto com outro brasileiro, controla um hotel na França. Para facilitar os negócios, tem um apartamento em seu nome em Paris, a partir de onde opera suas contas correntes na Europa. O empresário brasileiro transita facilmente pela Itália, onde tem cidadania.  Em sociedade com os Irmãos Castro, recebe dividendos, em dólares, de hotéis em Cuba. Sempre que pode, viaja para lá junto com Lula.

No rastro da Operação Lava Jato, o estouro deste escândalo, caso realmente se confirme, tende a superar, em impacto político negativo para o PT, o Mensalão (que rendeu condenações para apenas 24 dos 40 denunciados, sendo 13 milagrosamente absolvidos, poupando, principalmente, Lula da Silva). Também deve causar mais estrago que outras broncas que também chegaram próximas, mas ainda não afetaram Lula, como a Operação Porto Seguro – que rende um processo, que corre em estranho sigilo, contra a ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa Noronha, amiga a apadrinhada e ex-assessora de confiança do ex-Presidente.  

As cúpulas do PSDB e DEM sabem de quem é o alvo da provável investigação que vai abalar o corrupto modelo capimunista da República Sindicalista do Brazil. A eleição presidencial deste ano promete ser um abatedouro de políticos – principalmente do lado governista da pocilga. Existem dossiês em profusão para alimentar a guerra suja pela sucessão de Dilma Rousseff. A ordem, dos investidores de fora, que gastaram centenas de milhares de dólares em espionagem, é destronar o PT do Palácio do Planalto. 

No marketing policial, a ação programada para ser deflagrada a qualquer momento pode ser batizada de “Operação Famíglia” – numa alusão direta a como a máfia costuma ser conhecida no idioma italiano, além do termo “Cosa Nostra”. Grandes lobistas de Brasília já comentavam, na noite de ontem, do alto risco político desta operação. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, comandado pelo General de Exército José Elito, já sabe deste risco explosivo. A Presidenta Dilma e o Presidentro Lula, meio brigados por causa das confusões na Petrobras, também sabem do perigo à vista. A petralhada está mais aloprada que nunca.


Aviso aos especuladores de boatos


Antes que alguém tire conclusões precipitadas, uma advertência.
O alvo bilionário dessas investigações não será o empresário Eike Batista – também grande amigo de Luiz Inácio Lula da Silva.
A atuação de Eike no mercado de capitais, por causa dos problemas na petrolífera OGX, já é investigada pela Polícia Federal, o Ministério Público e, por ações de investidores prejudicados, também com a Justiça.


Grão de Areia na Itália


Afinal, Francisco Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil condenado no Mensalão, será ou não extraditado? 

E o chefão?

Até agora, sobre as negociações de Pasadena, a oposição não focou no ponto principal.
Os hoje inimigos José Sérgio Gabrielli (então presidente da Petrobras) e Dilma Rousseff (na época presidente do Conselho de Administração da empresa), junto com os demais diretores e conselheiros, não tomariam qualquer decisão bilionária de comprar uma velha refinaria texana sem a aprovação, também, do Presidente da República, que comanda a o Governo da União – acionista majoritário da estatal de economia mista.
Portanto, Luiz Inácio Lula da Silva, que marketou aos investidores estrangeiros a imagem de um Brasil maior que uma Arábia Saudita com o pré-sal, também deve satisfações públicas sobre o caso Pasadena.


Leia, abaixo, os artigos de João Vinhosa – Pasadena e Gemini desmoralizam Conselho da Petrobras – e de Paulo Duque - O Febeapá e a Petrobras


Anti-herói até o fim



Unanimidade burra


O imortal Nelson Rodrigues, que assistiu e comentou o primeiro Fla-Flu antes de Deus criar o mundo, costumava proclamar que a “unanimidade era burra”.
Ontem, por unanimidade, o Senado aprovou o famigerado Marco Civil na Internet.
Dilma vai sancioná-lo correndo, a tempo de apresentá-lo na NETMundial – evento que reúne representantes de 85 países nesta quarta e quinta-feira em São Paulo, para discutir e governança global da internet, e criticar a espionagem na rede de computadores.


Valhei, São Jorge!

 Graças ao deputado estadual petista Jorge Babu, desde quinta-feira passada, os cariocas curtem o maior clima de feriadão prolongadíssimo – que ameaça seguir até domingo que vem.

Quando vereador, Babu propôs um feriado municipal para São Jorge, no dia 23 de abril, mesma proposição aceita a nível estadual, quando se elegeu para a Assembleia Legislativa.

Mas, agora, bem que o Santo Guerreiro podia dar uma ajudazinha para combater tanto dragão da maldade que infesta o Rio de Janeiro, promovendo ações de terror e violência, para inviabilizar qualquer política de segurança – realmente eficiente e eficaz ou meramente marketeira.

Não tem remédio...




Sarney, forever?



Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.



O desmascaramento dos salvadores do Brasil. PT um governo "do povo" que tira desse povo - ROBERTO DAMATTA

Onde Estamos?

O Estado de S.Paulo - 23/04

Transcrevo, com as omissões devidas, uma carta que recebi do professor Richard Moneygrand.

Um estado de transição tem um pouco do agora e do depois sem, entretanto, ser nenhum dos dois. Vocês não sabem onde o vendaval (ou a "tempestade perfeita" como alguns chamam) vai desabar, mas não podem deixar de pressenti-lo. Ela tem a sua própria realidade, a qual demanda posicionamentos e atitudes nem sempre confortáveis porque todo drama exige confronto entre liberdade e determinismo.

Alguns sugerem examinar as contradições e paradoxos vividos; outros, querem uma revalidação de princípios e valores que marcaram os erros desta fase histórica, os quais faliram precisamente porque as pessoas e o partido que administrou o país são os principais atores deste momento indeciso. Indecisões, acentue-se, promovem a crítica a valores ditos como indiscutíveis. No caso do Brasil, uma história transcendental que iria libertar os oprimidos e os miseráveis e os diretores dessa fase tidos como politicamente invencíveis.

Uma das dimensões deste momento liminar tem a ver com o desmascaramento dos salvadores do Brasil. A era inaugurada faz mais de uma década pelo governo de "esquerda" revelou teimosamente personagens tão ou mais ávidos de enriquecimento pessoal do que os velhos e abomináveis mandões do mal dos filmes de Glauber Rocha. A revelação cínica de que o sujeito é honesto até chegar ao poder, quando se transforma num canalha, é um dos dados mais fortes deste "onde estamos" de vocês.

Afinal, há ou não uma boa noção de quem fez alguma diferença, liquidando a inflação e governando com competência e bom senso? Entre a administração de FHC (acentuada pelo reestabelecimento do dinheiro como um valor estável); e a era do absolutismo petista de Lula e de sua invenção, a gerentona Dilma, se desmascara ou não - pergunto - o viés acentuado pelos arranjos políticos e por um ruidoso aparelhamento do Estado em benefício de um projeto de poder contrário ao regime liberal em qualquer manifestação de capitalismo? Sobretudo desse capitalismo sem peias como o vosso? O sono do Brasil não teria como base a crença numa resolução messiânica para todos os seus problemas; daí a atração pelo conceito de "revolução" em toda a latinidade americana, quando - agora - acho que vocês começam a desconfiar que nada neste mundo de Deus pode ser resolvido paulatinamente, a não ser por todos e cada um? E com a descoberta de que para se viver num país igualitário é preciso dizer não aos amigos e, acima de tudo, a si mesmo?

As crises marcadas pelo enriquecimento pessoal rápido, absurdamente ganancioso e ardiloso dos políticos no poder em carreiras que confundem o técnico e o político, não foram inventados pelos vossos jornais e cronistas reacionários e antigovernistas. Não é a mídia que inventa o desaparecimento do avião, os assassinatos de meninos por meninos nas escolas americanas, os escândalos da Petrobrás, o desacerto do gerenciamento e de um Brasil alarmantemente desconsertado. São os fatos inexoráveis nas suas contradições - um governo do povo que tira desse povo - que engendram interpretações, promovem vergonha e demandam apurações.

Contemplar a liberdade sem nenhuma contrapartida de responsabilidade produz - ao lado de estruturas mal discutidas como o estilo aristocrático de vida do Brasil onde uma pequena camada pode usar o proibir definitivo do proibido proibir - uma poderosa demanda de igualitarismo que ninguém tem a coragem de conter. Sobretudo, num ano eleitoral. Trata-se de um drama em que movimentos geram movimentos de movimentos, cada qual o mais extremado e contraditório.

Vocês estão passando do "não pode" ao "tudo pode". Quem vai tirar o Brasil do seu leito de gigante adormecido?
Vai ser um programa baseado na consciência de que não é mais admissível usar o Estado como instrumento de enriquecimento pessoal? Vai ser o uso mais consciencioso do bom senso que impede o emprego partidariamente motivado de dois pesos e medidas como tem ocorrido nesta era lulo-petista? Ou será um jogo com regras que todos conhecem e aceitam como ocorre nos esportes?

O passo adiante vai dizer. E quem vai dar esse passo são vocês.
Take care,

Crise? Que crise? - ELIO GASPARI


O GLOBO - 23/04

Arma-se mais uma bolsa, resta saber se é a Bolsa Montadora, a Bolsa Metalúrgico, ou um mimo híbrido


A repórter Cleide Silva revelou que a Casa Civil da Presidência da República, as montadoras e os sindicatos estão discutindo um socorro para os trabalhadores ameaçados com a perda do emprego por causa da queda nas vendas de veículos. No ano passado elas caíram 0,9%, e, no último trimestre, mais 2,1% em relação ao mesmo período de 2013. Cerca de 1.500 operários já perderam seus empregos.

As empresas e os sindicatos discutem a importação de um mecanismo eficaz, usado na Alemanha. Nele, o trabalhador reduz sua carga horária, mantém seus benefícios e, durante um período de seis meses a dois anos, recebe até 67% do que lhe é devido. No limite, recebe mesmo sem trabalhar. Um pedaço dessa conta vai para a Viúva. Aí está o primeiro problema.

O segundo está no exemplo. O mecanismo alemão foi acionado pela primeira vez no século passado, quando a banda federal engoliu a comunista. Depois, em 2009, diante da crise financeira mundial, quando a venda de veículos caiu 30% e o PIB do país sofreu uma contração de 4%. Nada a ver com o que sucede no Brasil, onde a taxa desemprego é baixa, mas o ministro Guido Mantega repete a marchinha: “Este ano não vai ser igual àquele que passou.”

Ninguém quer ver trabalhadores desempregados e as montadoras, com razão, preferem preservar sua mão de obra qualificada. Contudo, do jeito que as empresas e os sindicatos formularam-na, a proposta assemelha-se mais a uma empulhação do que a um programa social. Mais um caso em que a sacrossanta “destruição criadora” do capitalismo é reciclada no Brasil destruindo a Bolsa da Viúva para criar puxadinhos de cartórios. A redução dos impostos cobrados às montadoras permitiu que vendessem 3,8 milhões de veículos em 2012. Seus operários mantiveram os empregos, mas não viram a cor desses lucros. Essa mesma desoneração resultou em menos arrecadação e, portanto, em menos dinheiro de volta para quem paga impostos. (Admitindo-se que o dinheiro pago volta, o que é uma licença poética.)

Se os empresários e sindicalistas estão diante de uma crise, devem botar a boca no mundo, expondo as razões pelas quais as vendas de veículos caíram. É verdade que isso não faria bem à campanha eleitoral da doutora Dilma e de seu comissariado. Coisas da vida. O que não se pode é viver num país sem problemas, importando-se um mecanismo de amparo social usado na Alemanha quando ela estava engolindo uma nação sucateada ou quando o mundo estava se acabando.

Resta também discutir o tamanho da conta. É uma Bolsa Metalúrgico ou uma Bolsa Montadora? Num aspecto, o problema deriva da rigidez das leis trabalhistas nacionais. Lula entrou na política dizendo que a Consolidação das Leis do Trabalho era “o Ato Institucional nº 5 dos trabalhadores”. O PT está no Planalto há 11 anos, refestelado no conforto que essa legislação dá a quem tem a chave do cofre do Ministério do Trabalho.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, diz que “esse é o momento para retomarmos a discussão sobre um plano de estabilização dos empregos, mas pensamos no longo prazo, e não apenas na situação atual”. Ótimo, para todos os setores da economia e para todos os trabalhadores.
 


Tudo junto e misturado - JOSÉ NÊUMANNE


O Estado de S.Paulo - 23/04

Ultimamente no Brasil tudo vira Fla-Flu. E terminada a refrega, tudo vai para o forno de pizza, que a todos é servida sem parcimônia nem pudor. Neste escândalo da Petrobrás, estamos em plena disputa, em que ninguém dá bola para a torcida e os jogadores brigam com o árbitro e entre si em campo, enquanto torcedores "organizados" se matam na plateia.

Na semana passada, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, foi ao Senado e lá reconheceu que a compra da refinaria da Astra Oil belga em Pasadena, no Texas, foi "um mau negócio". Trata-se de um evidente passa-moleque, similar ao eufemismo da chefona geral Dilma Rousseff, que costuma chamar ladroeira de "malfeito". Mas pouco se importaram os senadores que a inquiriram. Ela convenceu os governistas. Para os oposicionistas, o depoimento tornou indispensável a comissão parlamentar de inquérito (CPI) entalada no Supremo Tribunal Federal (STF). 
 
No dia seguinte, o bode expiatório Nestor Cerveró, ex-diretor internacional da estatal, jurou que não quis enganar a presidente do Conselho de Administração da maior empresa brasileira, à época a atual presidente da República. Governistas deixaram tudo passar em brancas nuvens. Oposicionistas voltaram a clamar por CPI. Domingo passado, este Estado publicou entrevista do ex-presidente José Sérgio Gabrielli, que assumiu a responsabilidade pelo negócio, segundo ele, "bom", mas transferiu parte desta para Dilma, o mais ululante dos óbvios de Nelson Rodrigues. E os oposicionistas insistiram na CPI.

Enquanto se joga o Fla-Flu, que poderá ser prorrogado pela CPI afora, se o STF surpreender o País e não obedecer a quem nomeou seus membros, todos se esquecem daquilo que Antoine de Saint-Exupéry cunhou em O Pequeno Príncipe, leitura predileta das misses, espécime em extinção: "O essencial é invisível para os olhos".

No caso em tela, o essencial é simples. A Petrobrás gastou ao todo, segundo cálculos confiáveis, US$ 1,2 bilhão na aquisição e operação da refinaria de Pasadena. Informações também confiáveis dão conta de que tentativa recente de vender o ativo podre desta resultou em avaliações feitas por instituições de boa reputação, segundo as quais a refinaria, construída em 1920 e nunca reformada, sucatada e com sérios problemas ambientais (apud Veja nas bancas), não seria vendida por mais de US$ 200 milhões. Ou seja, a estatal brasileira teve prejuízo de, no mínimo, US$ 1 bilhão. Para bajuladores dos poderosos de plantão, "troco de pinga". Para o pobretão que paga as contas em impostos escorchantes, uma fortuna incalculável. Com a sem-cerimônia com que burocratas de altos escalões tratam recursos públicos e baseada em informações às quais só ela tem acesso, Foster reduziu tal rombo a US$ 500 milhões. Continua sendo uma fortuna. No entanto, ninguém, das bancadas leais ao governo ou das adversárias, lhe perguntou no Senado o que foi feito de tanto dinheiro. A ninguém interessa saber se os belgas pagaram dezenas ou centenas de milhões de dólares pelo mico oito meses antes de a Petrobrás resolver salvá-lo da extinção. Importante é saber para onde foi tal prejuízo.

Perguntaram-lhe, sim, por que Cerveró não foi punido por ter tentado enganar o Conselho de Administração, composto por Dilma e por pétalas da fina-flor da burguesia nacional do porte de Gerdau Johannpeter, Fábio Barbosa e Claudio Haddad, entre outros agraciados pela aliança pete-peemedebista. Mas premiado com a direção financeira da Braspetro, distribuidora dos combustíveis da Petrobrás. Ela fez pouco-caso, dizendo que o emprego não tem importância. Ninguém se interessou em perguntar para informar ao favelado que vive de bicos e paga a conta em quanto importaram os salários e benefícios pagos ao desatento servidor desde o relatório incompleto até a demissão sem desonra.

Enquanto Foster e Cerveró eram tratados com deferência nos interrogatórios no Congresso, a Polícia Federal (PF) continuava seu trabalho, a Operação Lava Jato, que já desmascarou o doleiro do poder, Alberto Youssef. E pôs em maus lençóis o influente vice-presidente da Câmara dos Deputados e ex-secretário de Comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT), André Vargas (PR). O distinto público pode avaliar, então, por que este senhor provocou o presidente do STF em público, em defesa dos colegas condenados pela cúpula do Judiciário, e combateu com tanto denodo a liberdade de informação, de braços dados com o presidente petista, Rui Falcão. Por que não o deixaram fazer seu "malfeitozinho" em paz, ora? A PF vasculhou até escritórios da sede da maior empresa brasileira em busca de provas contra o ex-diretor Paulo Roberto Costa, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamava carinhosamente de Paulinho.

A revista Época desta semana publicou outras explicações para a queda pela metade do valor do patrimônio da Petrobrás, que, de acordo com o Financial Times (agora, na certa, incluído na lista dos membros do Partido da Imprensa Golpista, PIG, porco em inglês), passou de 12.º para 120.º no ranking das empresas mundiais. E mais: mostrou evidências de que "está tudo junto e misturado" no propinoduto do escândalo do momento. 
 
As conexões do doleiro estendem-se a Carlinhos Cachoeira, o bicheiro que derrubou Valdomiro Diniz, factótum de José Dirceu, réu número um do mensalão, e o senador Demósthenes Torres, "varão de Plutarco" da oposição, indo, portanto, do Paraná do casal Gleisi Hoffman-Paulo Bernardo a Goiás do bicheiro. 
 
No mesmo embrulho cabem a Delta de Fernando Cavendish, amigo de Sérgio Cabral, e a sabedoria estratégica de Pedro Paulo Leoni Ramos, companheiro de farras de juventude do aliado senador alagoano Fernando Collor, que o PT ajudou a apear da Presidência da República em escândalo similar. Se, em vez de Fla-Flu e pizza, houvesse investigação pra valer, muita gente fina nesta República estaria perdendo o sono em celas infectas, reservadas apenas às prostitutas, aos pretos e aos pobres de sempre, salvo desonradas exceções.

Em um país sério, a Papuda já teria um puxadinho novo para guardar tanto petista ladrão.


Jorge Oliveira
Se gritar ‘pega ladrão’…
Publicado: 15 de abril de 2014 às 8:17  Diario do Poder

Alemanha, Hamburgo – Eu não sei se você compartilha da mesma opinião, mas acho que o país atravessa uma das suas maiores crises morais. A corrupção está tão impregnada no dia a dia do brasileiro que o noticiário dos escândalos, na verdade, já não escandaliza ninguém. As empresas estatais foram tomadas de assalto por sindicalistas petistas; símbolos até então de resistência no mundo, como o braço erguido e os punhos fechados, viraram a marca dos mensaleiros presos na Papuda; e  o maior orgulho dos brasileiros, a Petrobrás, é hoje uma casa de tolerância, o maior foco de corrupção do país.

A presidente Dilma assiste a tudo isso como uma múmia, sem reação, paralisada. Teme demitir seus auxiliares com medo de melindrar o ex-presidente Lula, responsável pelo lixo que se transformou o Brasil. A Graciosa, coitada!, uma burocrata de carreira da Petrobrás, só abre a boca pra dizer besteira. É outra que tem medo de confrontar os sindicalistas incompetentes e medíocres que se apoderaram da empresa para fazer negócios escusos com diretores e ex-diretores envolvidos com doleiros e com criminosos de colarinho branco.

Nunca a música de Bezerra da Silva “se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão…” esteve tão atualizada. Essa geração de jovens que vai às ruas protestar só conhece o PT dos escândalos, da prisão dos mensaleiros e do desleixo com o país. É difícil explicar a esses rebeldes que o PT que comanda o país outrora também foi às ruas com seus militantes para protestar contra o abuso de poder, a corrupção, a inflação, o FMI. Como explicar também que o líder maior, Luis Inácio Lula da Silva, ofendeu a Câmara dos Deputados que abrigava, segundo ele, mais de 500 picaretas.

Não se passaram dez anos e o que se vê no Brasil hoje é uma quadrilha extorquindo empresários, roubando as empresas estatais e deteriorando a economia com falsos números e maquiagem nas contas públicas. Não se passa um dia sem que a Polícia Federal realize uma blitz para prender servidores públicos. No Ministério do Trabalho, por exemplo, onde o rombo foi de mais de 200 milhões de reais, a PF só não prendeu o porteiro.

No escândalo da Petrobrás, meu Deus!, o descaramento é tanto que o ex-presidente José Sergio Gabrielli teve a cara de pau de ir ao Congresso Nacional defender a imbróglio como um bom negócio para a estatal. Em um país sério, a Papuda já teria um puxadinho novo para guardar tanto petista ladrão. 

O ultimo deles, André Vargas, licenciado da Câmara, que responde a processo na Comissão de Ética, justificou as suas viagens no avião do doleiro, de quem é sócio, como um “equívoco”. Acha que nós, os brasileiros, somos idiotas. Aliás, é o que o PT tem feito ao longo dos últimos 12 anos: tratar os brasileiros como dementes, babacas e incapazes de reagir a esse assalto às empresas públicas.

Não à toa, a última pesquisa divulgada no Distrito Federal mostra que caiu de 87% para 78% os que se orgulham de ser brasileiros; que 63% acham que a situação está cada vez pior; e que 64,8% desaprovam a presidente Dilma, número próximo dos que pedem mudança.

Primeiro comício Força Sindical torna festa de 1º de Maio palanque para Aécio



Centrais sindicais se unirão no Dia do trabalho para ouvir Aécio Neves
Publicado: 23 de abril de 2014Diario do Poder

Aecio Paulo Pereira
Encontro é para falar mal do governo. Foto: Leo Martins / Estadão Conteúdo

Aspirante ao Palácio do Planalto, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) já confirmou presença na festa anual da Força Sindical pelo 1º de Maio, Dia do Trabalhador, que espera reunir este ano 2 milhões de pessoas na Praça Campo de Bagattele, na zona norte de São Paulo. Segundo o presidente do Solidariedade, Paulo Pereira, líder da Força, “outras centrais” foram excluídas “para evitar gente puxando saco do governo”. 

A Força Sindical espera mobilizar dez milhões de pessoas em atos por todo o País, no 1º de Maio, para falar mal do governo Dilma.
O ex-governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE) também foi convidado para o ato em São Paulo, mas ainda não informou se vai. Leia mais na Coluna Cláudio Humberto

Eleições 2014 Jereissati cede a pressão e decide disputar o Senado


Publicado: 23 de abril de 2014 às 0:24 -Diário do Poder

tasso jereissati
Tasso Jereissati diz se sentir “obrigado” a disputar o Senado

No dia em que senador Aécio Neves (PSDB-MG) obteve publicamente o apoio unânime de todos os diretórios estaduais do partido para ser o candidato tucano à Presidência, o tucano recebeu outra boa notícia: conseguiu garantir um palanque competitivo no Ceará. Finalmente convenceu o ex-governador e empresário Tasso Jereissati a se candidatar ao Senado pela legenda.

Tasso foi três vezes governador do Ceará e uma vez senador da República, mas estava afastado da vida pública desde 2010, quando seus 1,7 milhão de votos foram insuficientes para reconduzi-lo ao parlamento. Desolado, na época jurou que sua vida política terminava ali e passou a se dedicar apenas a suas empresas.

Durante reunião da executiva nacional do PSDB nesta terça-feira, 22, em Brasília, Jereissati não pareceu muito entusiasmado com a nova empreitada, mas diz que aceitou a missão como uma “obrigação”: “Não que eu não esteja animado, mas eu ainda acredito que encontrar um nome novo (para disputar o Senado pelo PSDB) era bom para o País, para o partido, para a política”, desabafou. “Mas eu sinto como uma obrigação, até por causa da vida que eu tive com meu partido e com meu Estado. 

E esse compromisso, mesmo que eu já esteja enveredando para um outro tipo de vida, de projeto pessoal, tem determinados momentos que a gente não pode fugir deles, a gente tem que saber enfrentar a realidade da vida”, concluiu Jereissati.

A insistência de Aécio, que durou meses, tem motivo: precisava de um nome forte para garantir-lhe um palanque competitivo no Ceará, o terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste, com cerca de 6 milhões de votos. A disputa pelo governo cearense está uma confusão e sem Jereissati o cenário seria trágico para Aécio. O atual governador, Cid Gomes, deve indicar um nome de seu partido, o Pros, para sua sucessão, mas exige o apoio da presidente Dilma Rousseff (PT), de quem é aliado. O senador Eunício Oliveira, do PMDB, também disputará o governo do Ceará e faz a mesma exigência à presidente, já que é igualmente integrante da base aliada nacional da petista.

A Aécio coube inventar a candidatura ao Senado para Jereissati, praticamente o único tucano ainda influente no Estado. A cabeça de chapa deve ser fechada com Roberto Pessoa, do PR, que é ex-prefeito de Maracanaú.

Argumento.

Um dos motivos decisivos para Jereissati quebrar a promessa e voltar à corrida eleitoral foi o fato de que não irá concorrer diretamente com Cid ou Ciro Gomes. A pessoas próximas, o empresário afirmou que não entraria na disputa se corresse alto risco de não ser eleito, pois não suportaria mais uma derrota em seu Estado.