quarta-feira, 2 de julho de 2014
Fifa lança música para encerramento da Copa. Confira!
"DAR UM JEITO"
Participaram do vídeo oficial da composição Alexandre Pires, Santana, Wyclef e Avicii
O vídeo oficial da música conta com a participação do brasileiro Alexandre Pires, de Santana, além dos músicos Wyclef e Avicii.
O clipe foi gravado no Rio de Janeiro e mostra algumas favelas e praias da cidade maravilhosa, além de momentos gravados em um estúdio. Os artistas se apresentarão juntos na cerimônia de encerramento da Copa, no Maracanã.
Copa: Integrantes de seleções desviavam ingressos para quadrilha
Por Folhapress
RIO - Pelo
menos três comissões técnicas de seleções desviavam ingressos da Copa
do Mundo para uma quadrilha de cambistas, segundo informou nesta
terça-feira a Polícia Civil do Rio. Investigadores afirmam que cada
comissão repassava 50 ingressos por partida aos criminosos. Esses
bilhetes eram vendidos no mercado paralelo a 1 mil euros cada - e
resultavam num faturamento de 50 mil euros.
As investigações foram conduzidas pela 18ª DP, na Praça da Bandeira, próximo ao Maracanã, e tiveram o auxílio do Ministério Público do Rio e do Juizado do Torcedor. Mais cedo, 11 pessoas envolvidas no esquema fraudulento foram presas - nove delas no Rio e outras duas em São Paulo.
O cabeça da quadrilha foi identificado como Mohamadou Lamine Fofana, 57, argelino de origem com nacionalidade francesa, que seria conhecido por jogadores de futebol brasileiros.
"Nós apreendemos ingressos nas mãos desses cambistas que eram destinados à comissão técnica de futebol, portanto, nós temos elementos que seleções desviam ingressos para esses cambistas através de alguém que se beneficia com essa venda.
Estamos investigando as seleções, mas já temos o depoimento de um indiciado que trabalhava para essas três seleções", afirmou o delegado titular da 18ª DP (Praça da Bandeira), Fabio Baruk, responsável pela investigação, em coletiva de imprensa nesta terça.
Baruk não informou quais são as seleções. Os 11 presos foram indiciados por cambismo, associação criminosa e lavagem de dinheiro e podem pegar até 18 anos de prisão. A polícia disse que chegou até eles quando buscava ingressos em mercados paralelos no Rio. O grupo vendia bilhetes verdadeiros cedidos pela Fifa a comissões técnicas de seleções, patrocinadores, jogadores e ONGs.
Os cambistas agiam através de três agências de turismo, em Copacabana, zona sul carioca - sendo uma delas de fachada. Os nomes das empresas não foram divulgados.
R$ 200 milhões
De acordo com a polícia, os presos confessaram que já venderam ingressos em outras três Copas do Mundo. Onde tem Copa do Mundo, a organização vai ao país sede. Investigação aponta que eles chegaram a faturar R$ 200 milhões em um Mundial.
"Há possibilidade deste grupo trabalhar apenas nas Copas. O lucro é tão grande que eles podem esperar de uma Copa para outra", disse Baruk.
Investigação mostra que o grupo chegou a movimentar aproximadamente R$ 1 milhão por jogo do Mundial, no Brasil. Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão nesta terça. A polícia encontrou planilhas de contabilidade da quadrilha, mais de cem100 ingressos e documentos que comprovam o envolvimento nos crimes, além de cerca de R$ 20 mil em espécie - distribuídos em euros, dólares e reais.
"Essa investigação é uma forma da Polícia Civil colaborar com a Fifa para que os ingressos distribuídos sejam identificados. Assim, ficaria mais fácil de levantar a procedência deles", disse o chefe da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso.
A ação da polícia contou com escutas telefônicas e filmagens da venda dos bilhetes. O delegado afirmou ainda que com o progresso da seleção brasileira no campeonato, os valores dos ingressos ficavam mais valorizados. Uma entrada para a final no Maracanã poderia chegar a R$ 35 mil.
"Descobrimos que vendiam os ingressos acima do preço através dessas agências de turismo, que traziam turistas para o nosso país. A rentabilidade ia de 200% a 1.000%, valor maior ao de qualquer atividade lícita", disse o delegado.
Baruk afirmou que as contas correntes de todas os indiciados foram bloqueadas. Os bancos foram comunicados e a quebra de sigilo bancário solicitada.
As investigações foram conduzidas pela 18ª DP, na Praça da Bandeira, próximo ao Maracanã, e tiveram o auxílio do Ministério Público do Rio e do Juizado do Torcedor. Mais cedo, 11 pessoas envolvidas no esquema fraudulento foram presas - nove delas no Rio e outras duas em São Paulo.
O cabeça da quadrilha foi identificado como Mohamadou Lamine Fofana, 57, argelino de origem com nacionalidade francesa, que seria conhecido por jogadores de futebol brasileiros.
"Nós apreendemos ingressos nas mãos desses cambistas que eram destinados à comissão técnica de futebol, portanto, nós temos elementos que seleções desviam ingressos para esses cambistas através de alguém que se beneficia com essa venda.
Estamos investigando as seleções, mas já temos o depoimento de um indiciado que trabalhava para essas três seleções", afirmou o delegado titular da 18ª DP (Praça da Bandeira), Fabio Baruk, responsável pela investigação, em coletiva de imprensa nesta terça.
Baruk não informou quais são as seleções. Os 11 presos foram indiciados por cambismo, associação criminosa e lavagem de dinheiro e podem pegar até 18 anos de prisão. A polícia disse que chegou até eles quando buscava ingressos em mercados paralelos no Rio. O grupo vendia bilhetes verdadeiros cedidos pela Fifa a comissões técnicas de seleções, patrocinadores, jogadores e ONGs.
Os cambistas agiam através de três agências de turismo, em Copacabana, zona sul carioca - sendo uma delas de fachada. Os nomes das empresas não foram divulgados.
R$ 200 milhões
De acordo com a polícia, os presos confessaram que já venderam ingressos em outras três Copas do Mundo. Onde tem Copa do Mundo, a organização vai ao país sede. Investigação aponta que eles chegaram a faturar R$ 200 milhões em um Mundial.
"Há possibilidade deste grupo trabalhar apenas nas Copas. O lucro é tão grande que eles podem esperar de uma Copa para outra", disse Baruk.
Investigação mostra que o grupo chegou a movimentar aproximadamente R$ 1 milhão por jogo do Mundial, no Brasil. Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão nesta terça. A polícia encontrou planilhas de contabilidade da quadrilha, mais de cem100 ingressos e documentos que comprovam o envolvimento nos crimes, além de cerca de R$ 20 mil em espécie - distribuídos em euros, dólares e reais.
"Essa investigação é uma forma da Polícia Civil colaborar com a Fifa para que os ingressos distribuídos sejam identificados. Assim, ficaria mais fácil de levantar a procedência deles", disse o chefe da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso.
A ação da polícia contou com escutas telefônicas e filmagens da venda dos bilhetes. O delegado afirmou ainda que com o progresso da seleção brasileira no campeonato, os valores dos ingressos ficavam mais valorizados. Uma entrada para a final no Maracanã poderia chegar a R$ 35 mil.
"Descobrimos que vendiam os ingressos acima do preço através dessas agências de turismo, que traziam turistas para o nosso país. A rentabilidade ia de 200% a 1.000%, valor maior ao de qualquer atividade lícita", disse o delegado.
Baruk afirmou que as contas correntes de todas os indiciados foram bloqueadas. Os bancos foram comunicados e a quebra de sigilo bancário solicitada.
Balança tem superávit de US$ 2,365 bi em junho. Dessa forma, no ano, o déficit comercial caiu para US$ 2,490 bilhões.
01/07/2014 às 14h10
2
Valor Econômico
BRASÍLIA - A
balança comercial brasileira terminou junho com superávit de US$ 2,365
bilhões. Esse número é a diferença entre os US$ 20,468 bilhões
exportados e os US$ 18,103 bilhões importados no mês.
Dessa forma, no ano, o déficit comercial caiu para US$ 2,490 bilhões. No primeiro semestre de 2013, o déficit acumulado na balança comercial era de US$ 3,092 bilhões.
Apenas a quarta semana de junho teve um superávit de US$ 224 milhões, resultado de US$ 5,160 bilhões em exportações e US $ 4,936 bilhões em importações.
A quinta semana, composta apenas por ontem, teve um déficit de US$ 7 milhões, com exportações de US$ 948 milhões e importações de US$ 955 milhões.
Dessa forma, no ano, o déficit comercial caiu para US$ 2,490 bilhões. No primeiro semestre de 2013, o déficit acumulado na balança comercial era de US$ 3,092 bilhões.
Apenas a quarta semana de junho teve um superávit de US$ 224 milhões, resultado de US$ 5,160 bilhões em exportações e US $ 4,936 bilhões em importações.
A quinta semana, composta apenas por ontem, teve um déficit de US$ 7 milhões, com exportações de US$ 948 milhões e importações de US$ 955 milhões.
(Lucas Marchesini e Lorenna Rodrigues | Valor )
Tema de casa: Aécio inverte 2010 e abre 1,5 milhão de votos sobre Dilma em Minas.
Clique na imagem para ampliar. Se em 2010 Dilma abriu 1,8 milhão de votos de vantagem sobre Serra em Minas Gerais, agora Aécio já aparece com no mínimo 1,5 milhão de votos à frente da petista. E a campanha nem começou.
Se dependesse somente do votos dos mineiros, o senador Aécio
Neves (PSDB) estaria eleito presidente do Brasil pelos próximos quatro anos. A
primeira rodada da pesquisa MDA/EM Data, encomendada pelo Estado de Minas,
mostra o tucano na dianteira da disputa presidencial, com 43,8% das intenções
de voto, seguido da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), com
31,9%. O ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) aparece na terceira
colocação, com 4,3%. Pastor Everaldo (PSC) recebeu a indicação de 1,8% daqueles
que responderam ao levantamento. Brancos, nulos e indecisos somam 16,8%. Outros
candidatos somaram 1,3%.
A pesquisa registrada sob o número 00188/2014 foi realizada
entre 22 e 26 de junho e ouviu 2.002 eleitores. A margem de erro é de 2,2
pontos percentuais para mais ou para menos. Na modalidade espontânea – quando
não são apresentados os nomes dos candidatos –, o senador Aécio Neves continua
na frente, mas com uma vantagem bem menor: o tucano foi apontado por 27,1% dos
eleitores, seguido de perto por Dilma Rousseff, citada por 24,7%. Eduardo
Campos recebeu a menção de 1,9%. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT), que não é candidato, foi citado por 1,2%. Marina Silva, que compõe a
chapa de Eduardo Campos como candidata a vice-presidente, recebeu 0,9% das
indicações.
Em uma simulação de segundo turno, Aécio Neves vence nos
dois cenários em que aparece. No primeiro deles, contra Dilma Rousseff, o
tucano derrota a petista por 49,7% a 35,5%. Brancos, nulos e indecisos somaram
14,8%. Em uma disputa com Eduardo Campos, o tucano venceria com mais folga
ainda: 63,7% a 14,4%. Brancos, nulos e indecisos somaram 21,9%. Em um terceiro
cenário em que a disputa ficaria com Dilma Rousseff e Eduardo Campos, a petista
leva vantagem por 45,3% a 30,9%. Indecisos e aqueles que pretendem votar em
brancos ou anular o voto totalizaram 23,7%. (Estado de Minas)
Aécio começa "Caravana Muda Brasil" pelo Nordeste.
Candidato do PSDB à Presidência, o senador Aécio Neves (MG)
vai realizar uma "caravana" pelo Nordeste no início de sua campanha
ao Palácio do Planalto, em agosto, como tentativa de fortalecer seu nome na
região –reduto político do PT desde o governo Lula. O tucano pretende visitar
três Estados do Nordeste por dia para apresentar seu programa de governo, que
terá como foco obras de infraestrutura para a região.
O senador vai se licenciar do mandato no início de agosto
para se dedicar integralmente à campanha, que vai começar pelo Nordeste.
O foco na região também tem como objetivo desconstruir a
imagem de que o PSDB é contrário a programas sociais criados pelo ex-presidente
Lula, como o Bolsa Família. Aécio quer disseminar no Nordeste seu projeto de
transformar o Bolsa Família em programa de Estado, atingindo a parcela do
eleitorado alvo dos programas de transferência de renda. O projeto tramita no Senado, mas não foi aprovado depois de
sucessivas manobras de senadores aliados da presidente Dilma Rousseff para
adiar sua análise.
Em seu programa de governo que será entregue à Justiça
Eleitoral no final desta semana, o tucano vai dedicar um capítulo ao Nordeste.
Aécio vai detalhar obras a serem implementadas na região se for eleito, como a
conclusão da rodovia Transnordestina e da transposição do rio São Francisco. O candidato quer mostrar "gargalos" de obras na
região, apontando o que considera "erros" de governos do PT. O tucano
vai mencionar obras de infraestrutura realizadas no período em que governou
Minas Gerais como modelo para serem repetidos na região.
Aécio também espera contar com o que chama de
"exército" de militantes no Nordeste depois dos palanques que
construiu na região. No Ceará, por exemplo, o senador conseguiu o apoio de
Eunício Oliveira (PMDB), candidato ao governo do Estado, que terá como candidato
ao Senado o tucano Tasso Jereissati. No âmbito nacional, Eunício é líder do
PMDB no Senado, partido que é principal aliado do governo.
O senador diz ter palanques "sólidos" em todos os
Estados do Nordeste, especialmente na Bahia, Sergipe, Ceará, Paraíba, Rio
Grande do Norte e Piauí. O modelo de "caravanas" foi adotado pelo
ex-presidente Lula na década de 90, durante campanha ao Palácio do Planalto. O
petista realizou "caravanas da cidadania" pelo país para se aproximar
do eleitorado e defender suas propostas de governo.
SÃO PAULO
Além do Nordeste, Aécio vai priorizar São Paulo na campanha
presidencial. Depois de escolher o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)
como vice em sua chapa, o tucano vai explorar o mote da "força" do
PSDB no Estado.
Aécio vai investir em estratégias de comunicação específicas
para o eleitorado paulista, mostrando que tem ao seu lado o governador Geraldo
Alckmin (PSDB), Aloysio e o ex-governador José Serra (PSDB) –que vai disputar
uma vaga ao Senado na chapa de Alckmin.
Em conversas com aliados, Aécio disse que a decisão de Serra
de disputar o Senado será "crucial" em sua campanha, mostrando
unidade do PSDB no Estado. O candidato tucano disse a interlocutores que a
"construção" feita por Alckmin foi decisiva para garantir a vaga a
Serra, mesmo perdendo o apoio de siglas como o PTB, que disputavam a indicação
ao Senado. O senador disse a aliados que Alckmin agiu com
"desprendimento" ao permitir um resultado de consenso no PSDB.
A articulação dos tucanos inclui a indicação de Serra para
um ministério, caso Aécio seja eleito, abrindo caminho para o deputado José
Aníbal (PSDB-SP) assumir a cadeira no Senado –já que o tucano será suplente de
Serra. Aníbal pleiteava a vaga ao Senado dentro do PSDB.
Mesmo com a escolha de Márcio França (PSB) para vice de
Alckmin, Aécio avalia nos bastidores que não haverá divisão de palanques em São
Paulo, sem a possibilidade de seu adversário Eduardo Campos (PSB) ganhar
visibilidade com Alckmin.
Os tucanos trabalham com o cenário da disputa direta com
Paulo Skaf (PMDB) em São Paulo porque consideram que a candidatura do petista
Alexandre Padilha não decolará ao ponto de ameaçar o PSDB no Estado. (Folha Poder)
FHC celebra 20 anos do real e chama Lula de “descrente”
O presidente Lula dizia que o real não era sonho, era pesadelo, se enganou"; e a presidente Dilma Rousseff, ao dizer que "estamos vendo dificuldades com a estabilização"
1 de Julho de 2014 às 14:46 Brasil 24/7
"O País estava cansado da inflação, 20, 30 % ao mês. Não havia salário que fosse suficiente para fazer frente a carestia, ao aumento dos preços. Quando estabilizamos a moeda, quando a inflação começou a ceder, imediatamente houve redução da pobreza de 40% para 30%, porque as pessoas podiam confiar que não precisavam sair correndo para fazer compra mal recebesse o salário", disse FHC.
O tucano aproveitou para criticar seu sucessor, o ex-presidente Lula, a quem chamou de "descrente". "Houve os descrentes. O presidente Lula dizia que o real não era sonho, era pesadelo, se enganou. Se enganou tanto que depois se esforçou como presidente para manter a moeda estável", afirmou.
Fernando Henrique disparou também contra a atual presidente, Dilma Rousseff, que em sua avaliação, tem dificuldades para manter a estabilidade da moeda. "Mais recentemente estamos vendo dificuldades com a estabilização, mas estamos sentindo que o povo todo estará a espera de medidas que mantenham a moeda estável porque o povo aprendeu que a inflação a carestia é seu pior inimigo".
Leia abaixo a íntegra da fala de FHC:
No dia 1º de julho de 1994, lançamos uma moeda nova no Brasil: o real, fruto de esforço enorme de equipe econômica, que eu liderava como ministro da Fazenda, e tinha o apoio do presidente Itamar Franco como presidente da República.
O País estava cansado da inflação, 20, 30% ao mês. Não havia salário que fosse suficiente para fazer frente a carestia, ao aumento dos preços.
Quando estabilizamos a moeda, quando a inflação começou a ceder, imediatamente houve redução da pobreza de 40% para 30%, porque as pessoas podiam confiar que não precisavam sair correndo para fazer compra mal recebesse o salário, porque confiavam que a moeda poderia ser estável. Graças a isso não só houve a possibilidade de novas politicas sociais, econômicas, como que, tão importante quanto, reganhamos a crença no futuro do Brasil.
Houve os descrentes. O presidente Lula dizia que o real não era sonho, era pesadelo, se enganou. Se enganou tanto que depois se esforçou como presidente para manter a moeda estável. Mais recentemente estamos vendo dificuldades com a estabilização, mas estamos sentindo que o povo todo estará a espera de medidas que mantenham a moeda estável porque o povo aprendeu que a inflação a carestia é seu pior inimigo.
Portanto, há muito o que comemorar pelos 20 anos do real.
Abaixo, reportagem da Agência Brasil sobre os 20 anos do Plano Real:
Plano Real, que acabou com hiperinflação, completa duas décadas
Wellton Máximo – Em meio a um misto de expectativa e de desconfiança, a economia brasileira experimentava uma revolução há exatamente 20 anos. Em 1º de julho de 1994, entrava em vigor o real, moeda que pôs fim à hiperinflação que assolou a população brasileira nos 15 anos anteriores.
Apenas no primeiro semestre daquele ano, a inflação totalizou 757%, média de 43% ao mês de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Nos seis meses seguintes, o índice desabou para 18,6%, média de 2,9% ao mês.
Em vez de cortes de zeros na troca de moedas, o caminho para domar a inflação passou pela Unidade Real de Valor (URV). Cada real equivalia a uma URV, que, por sua vez, valia 2.750 cruzeiros reais, moeda em vigor até o dia anterior. Definida como uma quase-moeda, a URV funcionava como uma unidade de troca, que alinhava os preços seguidos de vários zeros em cruzeiros reais a uma média de índices de inflação da época.
Em vigor por quatro meses, de março a junho de 1994, a URV, na prática, promoveu a dolarização da economia sem, de fato, abrir mão da moeda nacional. Como cada URV valia US$ 1, o real iniciou sua trajetória também cotado a um dólar. O mecanismo uniformizou todos os reajustes de preços, de câmbio e dos salários de maneira desvinculada da moeda vigente, o cruzeiro real, sem a necessidade de congelamentos e de tabelamentos, como nos planos econômicos anteriores.
Um dos economistas que desenvolveu o Plano Real, o ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) Edmar Bacha acredita que a transparência foi o grande diferencial que levou o plano a ter sucesso depois de tentativas fracassadas de conter a inflação.
"Todos os outros planos foram feitos em segredo e surpreendendo a população. Esse foi feito às vistas da população, em etapas, e com total aprovação prévia do Congresso Nacional", diz Bacha, atualmente diretor da Casa das Garças, instituto dedicado a estudos e debates de economia.
O Plano Real, na verdade, começou a ser pavimentado um ano antes. Em agosto de 1993, o então ministro da Fazenda do governo do presidente Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, comunicou o corte de três zeros no cruzeiro e o lançamento do cruzeiro real. Naquela ocasião, já estava acertada a criação do real, embora os detalhes do plano só tenham sido anunciados em março do ano seguinte, quando passou a vigorar a URV.
O plano foi implementado em duas fases para permitir, sem congelamento de preços, a transição entre o cruzeiro real e o real. A URV uniformizou todos os reajustes de preços, de câmbio e dos salários de maneira desvinculada da moeda vigente, o Cruzeiro Real (CR$). A cada dia, o Banco Central fixava uma taxa de conversão da URV em CR$, com base na média de três índices diários de inflação – os bens e serviços continuavam a ser pagos em CR$, mas passaram a ter referência numa unidade de valor estável.
O lançamento do real, em 1º de julho de 1994, deu início à segunda fase do plano. À frente do Ministério da Fazenda à época estava Rubens Ricupero. A conversão e os cálculos baseados na URV saíram de cena para a entrada do real.
A partir de então, os juros altos e o dólar barato, com câmbio praticamente fixo, passaram a ser os principais instrumentos do governo para controlar a inflação. Em 1999, após a crise da Rússia, o governo adotou modelo em três pilares em vigor até hoje: superávit primário (esforço fiscal), câmbio livre e metas de inflação.
A Agência Brasil procurou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Franco e Pérsio Arida – membros da equipe que desenvolveu o Plano Real – mas não conseguiu retorno.
*Colaboraram Daniel Lima e Alana Gandra
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