segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Gilmar Mendes: “O Distrito Federal não tem sequer dignidade para ter autonomia política”



A frase dura, pronunciada pelo ministro Gilmar Mendes, durante sessão do TSE que barrou o registro do candidato Arruda ao governo do DF, reflete a opinião média que prevalece em todo o país, com relação à emancipação política de Brasília, fixada de maneira ligeira e oportunista na Constituição de 1988. ...

Gilmar Mendes foi impiedoso e certeiro com relação à política do Distrito Federal. Durante a leitura de seu voto, o ministro classificou o tipo de política que vem sendo feita aqui de rastaquera, expressão que tanto pode ser usada como fuleira e baixa, como relativa a ostentação, própria dos novos ricos, no caso no DF.

E ao fazer uma reflexão, me veio a cabeça a entrevista concedida por José Roberto Arruda em 28/09/2010 no Correio Braziliense.  De pouca educação ou delicadeza, oportunista ou não, falando a verdade ou não, mentindo ou não, Arruda foi enfático “Eleger Roriz é mostrar que o crime compensa”. 

Naquela dia ao ler a entrevista, diante de um amigo, o clã da família, Joaquim Roriz chorou. O mesmo Roriz que hoje dá apoio a candidatura de Arruda. Sua filha Jaqueline Roriz nada falou. Arruda, em 2010 declarou apoio a Agnelo Queiroz. 

No governo de Arruda, não foram poucos os rorizistas que reclamaram que eram perseguidos e ameaçados. Segundo eles, Arruda queria destruir a todos. Se Arruda, naquela oportunidade, tinha razão, ninguém sabe. Hoje Arruda diz que é o único com condições de unir todos os grupos e juntou-se outra vez a família Roriz. Hoje ele, Arruda, fala mal de Agnelo.

Na entrevista concedida ao jornalista Marcelo Tokarski, o ex-governador Arruda rompia o silêncio de quase um ano depois da Operação Caixa de Pandora, que o levou a prisão. 

Arruda afirmou em 2010 que votar em Weslian Roriz significaria dizer que o crime compensa, “é a vitória do coronelismo, a vitória das piores práticas políticas que o Brasil já assistiu. A vitória do clã Roriz significa dizer: o crime compensa..” Além disso, chamava Roriz de quadrilheiro, de atrasado, de incompetente, de destruidor de Brasília.

Para quem não sabe o ministro Gilmar Mendes, é umas das maiores autoridades em Direito Público de nosso país. Sabe tanto o que fala, que divide os seus conhecimentos por meio do IDP - Instituto de Direito Público, e  ao pronunciar a frase que sintetizou a política do DF, talvez nem se recordasse da entrevista concedida por Arruda, que transcrevemos abaixo, caso contrário, "rastaquera" teria soado como elogio aos podres poderes.
Entrevista abaixo.

Às vésperas de completar um ano do escândalo político que abalou o Distrito Federal, o ex-governador José Roberto Arruda, que ficou preso por dois meses e teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, decidiu romper o silêncio.


Ao justificar o fim da “reclusão”, como classifica seu isolamento, Arruda argumenta que não poderia se omitir diante do cenário eleitoral do DF. “Pensei muito antes de romper esse silêncio e essa reclusão a que me impus. Mas chegou um momento que eu cheguei à seguinte conclusão: Ou eu falo agora ou mais tarde poderei ser acusado do pior dos atos, que é a omissão”, afirmou.


Para o ex-governador, a eleição de Weslian Roriz (PSC) nada mais seria do que uma manobra para a volta de seu marido, Joaquim Roriz, ao poder. “Meu voto é contra o Roriz e tudo o que ele representa. Contra essa tentativa desesperada de indicar alguém da família para continuar no poder, contra esse nepotismo atrasado que tenta dissimular uma ambição sem limites”, afirmou.


Na avaliação de Arruda, uma eventual vitória do clã Roriz nas urnas representaria a volta do coronelismo. “A eleição do Roriz é a eleição do Durval (Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais e pivô do escândalo), é a eleição do (Édson) Sombra (jornalista envolvido na suposta tentativa de suborno que levou o Superior Tribunal de Justiça a decretar a prisão de Arruda), é a vitória do coronelismo, a vitória das piores práticas políticas a que o Brasil já assistiu. A vitória do Roriz significa dizer o seguinte: o crime compensa”, afirmou.


Questionado se estaria defendendo o voto no petista Agnelo Queiroz — que tem como vice em sua chapa Tade Filippelli (PDMB), ex-aliado de Roriz e do próprio Arruda —, o ex-governador preferiu contemporizar.

“Acho que o Agnelo está longe de ser o candidato dos meus sonhos. Mas a eleição é plebiscitária. Depois de toda a tristeza que se abateu sobre a cidade, e eu sou em grande parte responsável por isso, depois de toda a frustração, eu não tenho o direito de induzir ou pedir voto para ninguém, mas eu tenho a obrigação moral de dizer o meu: eu voto contra o Roriz.”


Durante uma hora e meia em que recebeu o Correio em sua casa, onde diz só sair a cada 15 dias para ir ao médico ou resolver alguma questão pessoal, Arruda relembrou, sempre ao lado da mulher, Flávia, os dias na prisão, se disse vítima de um complô executado pelo ex-secretário de Relações Institucionais — mas “arquitetado” por Joaquim Roriz — e afirmou estar retomando aos poucos sua vida, mas longe da política.


 “Quero voltar a ser engenheiro. Estou me preparando para isso, devagar, me reciclando. Tenho 56 anos. Quero viver de maneira mais simples, mais tranquila, longe do poder.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida com exclusividade ao Correio.


“A eleição da mulher do Roriz é a eleição do Durval”


O que mudou na sua vida? Como o senhor viveu nos últimos meses?
É a primeira vez que eu falo, depois de 60 dias preso e cinco meses e tanto em casa. Estou rompendo o silêncio. O que eu estou passando é a terapia da dor, do sofrimento. Eu não desejo para ninguém, mesmo para os meus algozes, ter que passar pelo que eu, a Flávia e a minha família temos passado.


Em primeiro lugar, fiquei 60 dias preso num cubículo menor do que essa mesa em que estamos, sem janela, sem banheiro. Eu, para usar o vaso sanitário, era escoltado por dois guardas fortemente armados e não podia sequer fechar a porta do box. Sofri todas as humilhações, todas as pressões psicológicas que um ser humano pode sofrer. Comecei a sentir dores no coração e picos de pressão muito fortes, e só 12 dias depois é que foi permitida a presença de um cardiologista.



E aí eu fui submetido a um cateterismo. Depois repousei na UTI até as 5h da manhã e fui levado de volta ao cárcere. Nos cinco dias seguintes sequer conseguia levantar da cama. Como tinha uma cama-beliche, e como a luz não apagava nem de noite, a maneira que eu tinha de dormir, poucas horas por noite, era colocando um cobertor na parte de cima da beliche para tentar tampar pelo menos a incidência direta da luz.


E mesmo com medicamentos era muito difícil eu dormir. Eu tinha apenas 15, 20 minutos por dia de oxigênio, quando a Flávia me levava o almoço. Era o tempo que ela podia estar comigo. E é o único contato que eu tinha com o mundo externo. Era proibido de ler jornal, de ver televisão, de qualquer comunicação com o meio externo.
 


E como foi quando saiu da prisão?
Depois que eu voltei para casa, tanto eu quanto a Flávia, e a nossa família, que me deu muito apoio, e os poucos amigos, poucos e verdadeiros amigos que restaram, eu me impus a uma reclusão. Então, há mais de cinco meses que eu praticamente não saio de casa, com raríssimas exceções, para ir ao médico, resolver algum assunto, mas passo 10, 15 dias sem sair de casa. E tudo isso faz parte da terapia do sofrimento. Acho que a dor ensina mais do que a alegria, a derrota ensina mais do que a vitória.


 


O que aprendeu com tudo isso?
Em primeiro lugar, estou num processo de aprimoramento humano, de dar mais valor às questões espirituais. Para mim, a política, a vida profissional, a ambição, a vaidade, tudo isso era minha prioridade. Hoje, minha prioridade é minha família, minha vida pessoal, a saúde. Estou aprendendo a conviver com o abandono, com a ingratidão, com a traição, sem raiva, sem mágoa, sem julgar ninguém. De cada 100 amigos que eu imaginei que tinha, um apareceu para me dar um abraço.


Não fico contando os outros 99. Fico apenas relacionando aqueles poucos e verdadeiros que estão presentes num momento tão difícil. E também não fico julgando aqueles que não vieram — uns por medo, outros por covardia, outros por oportunismo. Cada um tem suas razões. Não julgo ninguém. Eu, que era tão cartesiano, materialista, hoje sou uma pessoa muito mais próxima de Deus. Vou fazer uma figura de imagem que talvez não seja de bom gosto, mas é a que melhor representa o que eu sinto: Deus está me dando o privilégio de assistir ao meu próprio velório. E aí eu vejo quem apareceu, quem chorou de verdade, quem gosta de mim, quem foi apenas para cumprir uma missão social, os que foram com ironia, os que não apareceram, os que fingiram que não me conheciam.


Mas o mais interessante é que Deus está me dando ainda outro privilégio. Terminando o velório, ele está dizendo: ‘Agora você levanta e pode continuar vivendo um pouquinho mais’. São raras as pessoas que conseguem ter alegrias tão grandes quanto eu tive e tristezas tão profundas. É um grande aprendizado.



 

Estamos a poucos dias da eleição. Como o senhor avalia a candidatura de Weslian, mulher de Roriz?
Em primeiro lugar, quero dizer que pensei muito antes de romper essa reclusão a que me impus. Há quase nove meses me impus a esse silêncio. Mas chegou um momento, face à questão política e às questões jurídicas envolvidas, que cheguei à conclusão: ou falo agora ou me calo para sempre. Ou falo agora ou mais tarde poderei ser acusado do pior dos atos, a omissão. O que eu penso, e aí não vai nenhum sentimento de vingança, de ódio, com todo o respeito por todas as pessoas, inclusive pelo Roriz, eu acho que a eleição da mulher dele é a eleição do Durval, é a eleição do Sombra, é a vitória do coronelismo, a vitória das piores práticas políticas que o Brasil já assistiu. A vitória do clã Roriz significa dizer: o crime compensa.


Qual foi o seu grande erro?
O grande erro do meu governo foi ter permitido que não apenas o Durval, mas alguns outros rorizistas, que vinham no poder há 20 anos, de forma oportunista, quando viram que eu ia ganhar, quando viram que a derrota da Abadia era inevitável, pularem para o meu barco na última hora, e eu, generosamente, ingenuamente, os mantive depois no governo. Para você ter uma ideia, os mesmos deputados distritais que quando eu ganhei a eleição me fizeram pressão para eu deixar o Durval no governo, porque eu não queria deixá-lo — embora ele tivesse me ajudado na campanha —, fizeram pressão e eu acabei cedendo. E aí cometi um erro. Mesmo tendo deixado ele num cargo assim meio honorífico, sem gestão financeira, a verdade é que eu deixei ele no meu governo. Vendo hoje o filme, eu tinha que ter cortado o mal pela raíz.





 

Essa pressão dos distritais incluiu cobrança de mensalão?
Hoje fica claro por que tantos deputados gostavam dele (Durval). Parece evidente que houve mensalão em Brasília, mas foi o mensalão do Roriz, e não meu. As imagens (dos vídeos) são todas anteriores ao meu governo.


Esses rorizistas que o senhor deixou no governo já tinham a intenção de miná-lo depois?
Você acha que é por acaso que, na única vez em que eu fui ao gabinete desse Durval, em 2005, a única vez em que eu o visitei, fiquei lá (no gabinete da Codeplan) 20 e poucos minutos, será que é coincidência o Roriz ter me ligado? Exatamente naquela hora? E eu pergunto: por que cortaram isso da fita? Graças a Deus, agora, um ano depois, é a Polícia Federal, é a perícia oficial que vem confirmar o que dissemos antes, que as fitas foram editadas, manipuladas para enganar a opinião pública. Fitas de 2003, 2004, 2005 e 2006, quando o governador era o Roriz, foram apresentadas de maneira violenta na mídia como se tivessem sido no meu governo. Será que era eu que tinha que ter sido preso?


O Durval responde a 32 processos por corrupção, todos, eu repito, todos, sem exceção, corrupção praticada no governo Roriz, quando ele era presidente da Codeplan. O que eu tenho com isso? Ele não responde a nenhum processo no meu governo. Até porque, embora eu tenha cometido o erro de ter deixado uma figura com esse tipo de formação, de deformação de caráter, eu não posso esquecer que ele (Durval) tem um irmão deputado (Milton Barbosa), aliás candidato à reeleição com uma campanha caríssima. Eu cedi a essas pressões, esse foi o meu grande erro. E ele ficou no governo, sorrateiro, bajulador, até o momento de dar o golpe. Foi na verdade uma armação bem arquitetada. Há uma frase interessante, que é bíblica, que os filhos das trevas são mais perspicazes que os filhos da luz. Então, essas pessoas que se dedicaram a arquitetar o mal o fizeram com tal competência que convenceram a sociedade, através da mídia, com aquele bombardeio de imagens agressivas, que toda aquela corrupção que se passou no governo Roriz na verdade teria sido no meu governo. Porque não aparecia a data (nos vídeos).


Mas por que essa “armação”? Por quem ela foi arquitetada?

Vínhamos num projeto de governo com ampla aprovação, tínhamos duas mil obras em execução, tínhamos tirado as vans irregulares da cidade, tirado os camelôs, acabado com as invasões. Eu fazia um governo de ruptura, colocava ordem na cidade. E quando tudo isso estava indo tão bem, quando Brasília estava garantindo o privilégio de fazer a abertura da Copa de 2014, quando tinha 200 escolas de educação integral, as vilas olímpicas aí, o maior conjunto de obras no sistema viário desde a construção da cidade, quando tudo isso estava dando certo, vem essa armação dos interesses contrariados.


O Roriz é um grande líder dos interesses contrariados. O Roriz reúne hoje todos aqueles que invadiam terras, que operavam o transporte irregular, que faziam o comércio irregular, que desejam aumentar a área de Brasília para fazer mais loteamentos, para acabar mais com a qualidade de vida. Ele reúne todos esses interesses que o meu governo contrariou.


O Roriz diz que o suposto esquema operado pelo Durval pode ter começado no governo dele, mas que ele não sabia. É possível?

Quem sou eu para julgar os outros? O que eu tenho absoluta certeza, e parece que sobre isso não paira dúvida na cidade, é que Durval e Sombra são braços armados do Roriz. Vão lá, armem uma arapuca para tirar esse Arruda da minha frente. Será que se eu fosse candidato à reeleição o quadro político era esse? Ele sabia que não.


Por que então manter o Durval no seu governo?
A pressão política que eu aceitei foi manter o Durval num cargo sem gestão financeira. Ele não responde a nenhum processo por ato que praticou no meu governo, porque no meu governo ele não praticou ato nenhum. No meu governo ele era aspone mesmo, é isso. Toda vez que eu precisava do voto do irmão dele eu pedia para ele. Agora, ninguém me pediu para manter esquema de corrupção porque não tiveram coragem de fazê-lo.


Mas então ele manteve à revelia algum esquema de corrupção?

Acho que o Durval manteve, residualmente, algum poder. Primeiro, pelo dinheiro que acumulou nos oito anos do governo Roriz. Segundo, pelos grandes empresários que ele representava. Você acha que ele estava sozinho? Imagine uma empresa que faturava R$ 100 milhões por ano e que no meu governo passou a faturar zero. Eu estou dizendo uma coisa que naquele momento da comoção ninguém conseguia ver. Há uma coisa interessante: a ligação do Durval e do Roriz é muito mais antiga. Foi o Durval quem fez o vídeo da Estrutural que derrotou o Cristovam (Buarque) em 1998.


Ele era o (delegado) titular da 3ª DP do Cruzeiro, foi ele que filmou o que se intitulou depois de “massacre da Estrutural”, que, exibido no programa eleitoral, foi responsável pela derrota do Cristovam. Em 2002, o Durval foi o braço armado do Roriz para mais uma vez derrotar o (Geraldo) Magela com as urnas da Linknet, ou nós já esquecemos disso? Quem armou a farsa das urnas da Linknet? Doutor Durval. Em 2006, quando eles viram que não conseguiam ganhar com a Abadia, vêm para o meu lado de maneira oportunista e preparam o golpe para me derrubar em seguida para asfaltar a volta do Roriz. Quer dizer, estas pessoas que se reúnem em torno do Roriz, não é a primeira vez em que eles atacam alguém, não sou a primeira vítima.


Mas e a prisão do senhor?
Foi a armação mais clara possível. Eles viram que, apesar de toda a delação que tinham feito, não estavam conseguindo me derrubar, e eu continuava bem avaliado pela sociedade, que no mínimo desejava que eu terminasse o meu governo, que eu concluísse as obras. Quando eles viram que estavam perdendo, inventaram então o segundo golpe. Chega a ser ridículo: duas pessoas que compartilhavam o mesmo escritório, que trabalhavam juntas. Um era o diretor comercial e outra era o presidente do mesmo jornal, aliás, um veículo de informação pouquíssimo conhecido, mas sempre muito bem aquinhoado com verbas públicas.


Essas duas pessoas, que trabalhavam no mesmo escritório, resolvem um entregar propina para o outro, e em vez de fazê-lo no escritório que ambos frequentavam, ou de fazer na casa de um deles, que ambos frequentavam — como está fartamente documentado em vídeos feitos por ele (Sombra) mesmo —, eles resolvem se encontrar numa lanchonete no Sudoeste.


Foi um falso flagrante que me levou à prisão. E, tendo me levado à prisão, me calaram a boca. E enquanto eu estava amordaçado, os mesmos que haviam me pedido a nomeação do Rogério Rosso para o lugar do Durval na Codeplan, os mesmos que elegeram o Rosso como preposto do Durval e do Roriz, me agrediam no Legislativo. Fácil, né, chutar cachorro morto? Todo este plano diabólico deu certo. Vamos reconhecer a competência deles. São pessoas capazes, acostumadas a trafegar nos subterrâneos da política. E que portanto, lá, são imbatíveis.


Como o senhor avalia o fato de Roriz ter renunciado e colocado a mulher no lugar?

Como é triste ver pessoas que sempre tiveram o meu respeito naquela imagem melancólica, fraudulenta, tão bem traduzida pela filha do casal: “Meu pai indicou minha mãe”. É a oligarquia consciente, o contrabando da candidatura, o abuso da confiança dos cidadãos, o desrespeito à Justiça. Mas, vindo do Roriz, nada mais assusta, pela sua capacidade infinita de trapacear, de jogar sujo.


E ela pode ganhar nas urnas?

Claro. Na política, com as atuais regras, o poder econômico, o jogo sujo é ferramenta da maior utilidade no processo eleitoral. Não é à toa que o coronelismo sobrevive em vários estados e até na capital do país. Não vai aqui no meu coração nenhum sentimento de vingança, de ódio, nada pessoal. Eu estou apenas cumprindo uma responsabilidade que tenho, uma responsabilidade pública, como ex-governador.


O que está em jogo são dois projetos diferentes para Brasília. Um projeto que eu liderava, que era um projeto de mudança, de ruptura. Demiti 15 mil servidores sem concurso. Vocês se lembram dos camelódromos no Setor Comercial? Se lembram dos esqueletos que implodi, das 5 mil vans que tirei das ruas? Vocês sabem que o meu governo foi o único na história de Brasília que nunca deu aumento na passagem de ônibus, e ainda assim eu obriguei os empresários a comprar 1.950 ônibus novos? O meu governo terminou a obra do metrô de Ceilândia, parada há 13 anos.


O meu governo fez mil salas de aula, 200 escolas integrais. Este governo de ruptura, que proibia as invasões, que prendeu grileiros, regularizava os condomínios, colocava ordem na cidade. E com isso eu contrariei objetivamente os interesses daqueles que querem a bagunça, e que são liderados pelo Roriz. O Roriz está aí em campanha, e ele não esconde de ninguém.


Ele é a favor das vans, do comércio irregular, nunca coibiu as invasões de terra, as construções irregulares, e é por isso que Brasília vem se tornando essa bagunça. Eu dei uma freada de arrumação e, quando tudo isso estava sendo feito, alguém nos derruba. São projetos diferentes. O que está em jogo não é nada pessoal. O que está em jogo é o seguinte: Brasília quer voltar ao passado da bagunça e da desordem ou quer insistir na organização da cidade?


O Agnelo leva essa bandeira?
O Agnelo está longe de ser o candidato dos meus sonhos. Mas a eleição é plebiscitária. Depois de toda a tristeza que se abateu sobre a cidade, e eu sou em grande parte responsável por isso, não tenho o direito de induzir ou pedir voto para ninguém, mas tenho a obrigação moral de dizer o meu: eu voto contra Roriz.


A delação de Durval começou em setembro de 2009, época em que havia o movimento para tirar Roriz do PMDB. Foi a gota d’água?
Não tenho dúvida de que a saída dele do PMDB foi a gota d’água, até as datas coincidem. Ele saiu do PMDB em 16 de setembro e a delação foi feita no dia 19. E um dia antes o TJDFT tinha aceitado uma denúncia contra o Durval.


Não fosse a saída de Roriz do PMDB o senhor acha que eles teriam levado adiante esse plano a que o senhor se refere?
É difícil saber, porque eu não sei pensar com a cabeça deles. Eu estou dizendo o que eu penso do Roriz abertamente. Ele nunca diz, ele usa os braços armados para me atacar. O Roriz nunca teve coragem de me enfrentar diretamente. Em 1994, eu tinha sido secretário de Obras do governo dele, ele não me queria candidato a senador. Escolheu a Márcia Kubitschek e o Pedro Teixeira. Eu tive que bater voto na convenção para ganhar a disputa e depois ser candidato ao Senado. Em 1998, disputei a eleição contra ele, que nunca compareceu a um debate onde eu estava, nunca teve coragem de debater comigo. Em 2002, ele apoiou fortemente outros candidatos para tentar ver se eu não seria eleito deputado federal e eu fui o mais votado. Em 2006, ele também se acovardou. Quando viu que eu estava com a candidatura mais forte do que a da Abadia, se afastou dela. Ele nunca me enfrenta diretamente, ele escala esses seus braços armados para fazer um tipo de jogo sujo que não tem coragem de fazer.


Dizem que o senhor teria muita coisa contra Roriz e que implodiria a candidatura do grupo ligado a ele. É verdade?
Primeiro, não tenho. Segundo, todas as vezes em que tentaram me oferecer, eu rechacei. Não tenho vídeo, não faço gravação de ninguém, acho isso hediondo, uma prática terrivelmente suja. Não tenho absolutamente nada, nenhum tipo de arma, nem contra o Roriz nem contra ninguém. A minha diferença com o Roriz não é apenas na forma de governar. Eu tentei fazer um governo de ruptura, que organizava a cidade. O Roriz tem uma visão diferente: é o governo da desorganização, da bagunça, da invasão de terra, da ilegalidade. Essa é uma diferença. Mas as nossas diferenças não param aí, as nossas diferenças também são na maneira de fazer política. O Roriz usa todas as armas, acha que os fins justificam os meios. Se há um obstáculo intransponível, destrói-se o obstáculo. Ele só decidiu me destruir quando descobriu que, fora do PMDB e com o nível de aprovação que eu estava, teria dificuldades para voltar ao poder.


Em depoimento ao Ministério Público Federal, o senhor falou que foi achacado pela promotora Deborah Guerner. E depois o próprio Durval confirmou que entregou dinheiro a Deborah a mando de Roriz. Essas pressões vinham também do MP do DF?
Vinham. E nunca passou pela minha cabeça que esses 20 anos de desmandos que o Roriz comandou em Brasília tivessem criado raízes nos outros poderes. As coisas que eu encontrava erradas no governo eu tomava a medida que me cabia, que era enviá-las ao MP. E lá elas paravam, sei lá por que.


Só no fim soube-se a razão. Então, infelizmente, e a constatação não é minha, é deles próprios: se o Durval confessa que entregava dinheiro a uma procuradora a mando do Roriz, e se ela própria me diz que recebia esses recursos, em função disso três anos depois da renúncia do Roriz no Senado ele não havia sequer sido processado. Então o assunto é muito mais grave do que se imagina. Sinceramente, nunca passou pela minha cabeça que esses tentáculos do poder de corrupção do Roriz tivessem penetrado tanto em outras esferas. Infelizmente, tenho que reconhecer que isso ocorreu.


Mas Durval agia sozinho?
Seria ingenuidade da minha parte, a essa altura da vida, dizer que o Durval estava sozinho nisso. Ele é apenas um bem mandado de um esquema muito maior, liderado pelo Roriz, que tem braços no poder econômico. E que desejam que as facilidades voltem. Eu acabei com elas. É verdade que eu errei ao aceitar pressões. Agora, o Durval tem um irmão que é deputado, tinha voto. E tinha outros deputados que eram muito gratos a ele, hoje se sabe até porque. Tive que aceitar isso, mas confesso que aí cometi um erro. E não por falta de aviso de que deveria tirá-lo do governo.


Logo no início?
Antes de tomar posse. E eu, depois das pressões políticas, tomei uma medida que julguei muito salomônica: deixo ele num cargo no governo, mas tiro dele o poder de presidir a Codeplan. Só que minha ingenuidade foi grande. O mesmo grupo que apoiava o Durval me traz alguns nomes para eu analisar para a Codeplan. O primeiro era do atual governador, que tinha recebido 54 mil votos (como candidato a deputado) no PMDB, um homem muito educado, bem preparado, e eu aceitei. E o que os fatos hoje demonstram? Que ele foi para a Codeplan como preposto do Durval. Hoje ele é um governador que, por melhores que sejam suas intenções, tem uma limitação, é refém do Durval. Não é segredo para ninguém das ligações das pessoas mais próximas ao Rogério Rosso hoje que despacham com o Durval, que obedecem as suas ordens. Brasília pode até não saber, mas o governador de fato hoje é o Durval. E eleger o Roriz é outra vez eleger o Durval, o Sombra e esse grupo de pessoas que tanto mal tem feito a Brasília. E agora tudo isso se confirma, quando o Rosso vem apoiar a mulher do Roriz.


O senhor teve seu julgamento político. Como lida com a Justiça?
Num primeiro momento, com o bombardeio de vídeos, com o tamanho do escândalo que se montou, eu entendo as decisões que foram tomadas, tanto no âmbito do Ministério Público quanto no Poder Judiciário. Mas a gente não pode subestimar nem o MP e nem a Justiça. O aprofundamento das investigações está levando, naturalmente, a outros caminhos. E cada vez mais essa armação está ficando clara. É a Polícia Federal que, um ano depois do episódio, dá a público a primeira perícia. E qual o resultado? Que a fita foi cortada, editada criminosamente para proteger alguém. Os meus advogados me pedem que não entre no detalhe dessas questões, mas o que eu posso dizer é que hoje já existem provas contundentes da edição, do corte. Vocês sabem que o dinheiro na meia, o dinheiro na bolsa, o dinheiro sei lá mais aonde aconteceu no governo do Roriz, e não no meu. E mais: se eu tivesse cedido às chantagens do Durval, ele teria me denunciado?


Ele estaria feliz da vida comigo. Ele buscou montar essa denúncia no momento em que seus interesses foram contrariados. E não apenas o interesse dele, o interesse dele era contrariado no mesmo momento em que o interesse político do grupo que o Roriz representa era contrariado, que interesses econômicos poderosos eram contrariados. Infelizmente, eu tenho que constatar que todos esses interesses econômicos estão aí com as suas candidaturas para domingo que vem. O irmão do dono de Linknet é candidato, o irmão do Durval é candidato. São dezenas de candidatos com chances grandes de eleição que representam interesses econômicos claros, contratuais com o GDF. Grande parte do nosso poder político busca eleição para defender interesses econômicos e contratuais diretos com o GDF.


O senhor fala de atuais deputados que são candidatos…
Atuais… (Falo) de personagens da política local. Os grupos econômicos de Brasília começam pequenininhos, vão crescendo e, na hora em que querem dar um pulo para ficar enormes, elegem um deputado. Para defender o quê? Os seus interesses. Essa mistura da vida política com os contratos do GDF é explosiva, muito ruim para a vida da cidade. Procurei combater, com muitas dificuldades. Hoje eu entendo por que demorei mais de dois anos para fazer a concorrência do lixo. E por que todo edital que eu mandava para o MP não servia.


Além de Deborah, que o senhor já citou, o Leonardo Bandarra, ex-procurador-geral do MP do DF, tinha participação nesse esquema?
Não julgo ninguém. A única coisa que eu constato é que forças internas do MP atuavam no sentido de que eu não conseguisse fazer a licitação do lixo, porque, quando consegui, o preço diminuiu 17%. Portanto, alguém era beneficiado antes, enquanto os contratos eram emergenciais. Forças internas no MP pegaram o processo da bezerra de ouro e colocaram na gaveta por três anos. Forças internas não analisaram a auditoria de Corumbá IV, que é o megawatt/hora mais caro da história do Brasil. Tudo isso está lá no Ministério Público local, devo dizer. Então, alguma coisa acontecia. Como e por que eu não sei responder. Quanto ao Bandarra, ele foi um dos que me avisou que eu deveria tirar o Durval e sempre se houve comigo com toda a correção.
O senhor fez delação premiada com o MP Federal?
Não existe essa possibilidade. Só faz delação quem é criminoso, quem tem culpa. Eu não tenho. Não faço nada escondido de ninguém. Tudo o que tenho que falar eu estou falando aqui, com gravador ligado, pode ser publicado no jornal. Agora, o que eu sinto, nos poucos depoimentos que tive, no âmbito do Ministério Público Federal e no próprio Poder Judiciário, é que há um desejo muito claro de esclarecer a situação como um todo, fora daquele clima de comoção dos dias do escândalo.


E daqui para a frente?
Só consigo ver nesse momento o curto prazo. Nossas prioridades aqui em casa são: primeiro, retomar a minha saúde. Hoje eu tenho um artéria entupida, estou com uma carga de medicamentos muito grande, estou voltando a fazer meus exercícios físicos de maneira ainda muito lenta. Enfim, a primeira prioridade é recuperar a saúde. A segunda é recuperar a cabeça. E o que envolve essas duas prioridades é a vida familiar. A minha prioridade é ser feliz com a minha mulher, a minha filha. Isso é muito mais importante do que vida pública, do que qualquer outra coisa. Eu cumpro aqui esse meu dever de dizer as coisas que penso com muito respeito às opiniões divergentes, mas louco para virar essa página e voltar para a minha reclusão, porque, com essas regras, não volto para a política. A política hoje não exerce sobre mim nenhum fascínio.


E o poder?
O poder… Eu experimentei os dois lados do poder. Graças a Deus, quando fui governador, não mudei para a casa oficial, continuei dirigindo meu carro nos fins de semana, poucas vezes usava gravata. Não tirei os pés do chão. Sob esse aspecto, o baque não é grande. Agora, o lado negativo do poder dói muito. O lado do abandono, da ingratidão… Há dois tipos de sofrimento. Um é o pessoal, nosso. Nós dois aqui (referindo-se a ele e a mulher, Flávia) somos pessoas comuns. Há um ano a gente não vai a um restaurante, a um cinema. Sabe por quê? A gente tem vergonha na cara. Nós nos impusemos essa reclusão, em respeito a tudo o que aconteceu. Eu não saio de casa, recebo pouquíssimas pessoas, não interferi no processo político, fiquei quieto. Sofri todas as traições e os abandonos, as ingratidões que um homem público pode sofrer. O meu partido nacional, eu era o único governador, eu os ajudei sempre em tudo o que me pediram, e me abandonaram na primeira curva. Sofri todo tipo de execração pública, de humilhação. Mas esse é o meu, o nosso sofrimento pessoal. Mas ele é muito pequeno, e menos importante, do que o sofrimento da cidade. Nas poucas vezes que saio dirigindo o meu carro… Eu vou confessar uma coisa: me dá um nó na garganta. Eu às vezes choro de tristeza, porque é duro ver obras paradas. É muito duro ver obras concluídas sem terminar. Aquelas marginais que eu fiz ali perto do zoológico, não conseguiram fazer uma graminha no canteiro central nem postes de iluminação. Há pistas de 8km duplicadas que falta uma ponte de 10 metros e eles não conseguem fazer. A Linha Verde era para ter inaugurado em junho e está aí até hoje, enrolando. As vilas olímpicas estão prontas e com cadeado no portão. À exceção da de Samambaia, que eu tive tempo de inaugurar. As crianças podiam estar fazendo esportes, nadando, fugindo das drogas. Me dói muito ver as invasões de terra voltarem, nas nossas barbas. As vans piratas na rua. Os camelôs voltando para o centro da Ceilândia, para o Conic. Isso me dói. Era um projeto de cidade que estava sendo construído e aprovado e que está sendo destruído. Essa é uma dor muito profunda. Mas volto a dizer: não acredito em crime perfeito.


O senhor sofreu algum tipo de hostilidade na rua?
Não, graças a Deus, não.


E manifestações positivas?
Muitas. Mas eu também tenho tido, nós dois temos tido, muito respeito pela opinião pública. Uma pessoa que passa o que eu passei não pode ficar se exibindo. Eu me impus a uma reclusão. Eu raramente vou a algum lugar. Esses dias eu fui a um enterro de um amigo querido e falaram mal do morto… Então é melhor não ir a lugar nenhum. Estou aprendendo a ter paciência, tranquilidade. Tem uma frase de um personagem do Guimarães Rosa que diz assim: “a esperteza quando é muito vira bicho e come o dono”. Tem muito esperto pela cidade comemorando o crime perfeito antes da hora.


Essa primeira entrevista é o início de uma saída desse período de reclusão?
Não, eu volto para a reclusão. Porque eu acho que a reclusão a que nós nos impomos é respeitosa em relação às investigações. É saudável para nossa vida pessoal, nós precisamos voltar a ter paz. Eu tenho lido muito, escrito, pensado, conversado muito, e faço hoje uma constatação. Agora, em 15 de novembro, faço 35 anos como formado de engenheiro. Vai ter até uma festa lá na minha escola de engenharia em Itajubá (MG), que eu também não vou. Nesses 35 anos, a metade do tempo eu fui engenheiro. Na outra metade entrei na política. Fui muito mais feliz profissionalmente como engenheiro. E eu quero voltar a ser engenheiro. Estou me preparando para isso, devagar, me reciclando. A partir do ano que vem quero retomar minha vida de engenheiro. Tenho 56 anos, uma filha de 2 anos. Quero viver de maneira mais simples, mais tranquila, longe do poder.


Política nunca mais?
Com essas regras políticas que estão vigentes eu não mais serei candidato. Tem que mudar muita coisa: financiamento público de campanha, voto facultativo, voto distrital misto. Sem isso, é loucura. Não sou eu que estou deixando a política não. Pimenta da Veiga, um dos grandes políticos de Minas Gerais, não disputou mais eleição. Roberto Brant não quis mais disputar eleição. O ministro Nelson Jobim me disse uma vez que o exercício correto do mandato era impeditivo para uma nova eleição. Ser candidato com as atuais regras é quase uma roleta russa. Não há campanha política, em nenhum estado brasileiro e em nenhum partido, que seja imune a uma verificação séria das suas contas. Com as atuais regras, você pega alguma coisa errada ali ou alguma coisa errada aqui. Mas em todo lugar tem coisa errada. Basta ver a atual campanha em Brasília. É tudo claro, não vê quem não quer. É só sair contando as placas na cidade que você vê quanto custa. Já fui senador, deputado, governador, e eu tenho uma responsabilidade pública que independe do mandato. Por isso estou falando. Essa responsabilidade pública não me dá o direito de pedir voto para ninguém nem de induzir voto para ninguém, mas ela me dá a obrigação de dizer o que penso. Por isso o meu voto é contra tudo o que o Roriz representa. Não é nem contra ele ou sua mulher, mas contra tudo o que eles representam.


O senhor está escrevendo um livro?
Dizem que sim…




Fonte: Edson Sombra, com informações do blog do ARI CUNHA e do Correio Braziliense - 31/08/2014 - - 16:55:38


Exorcizando Brasília

Há 28 anos acompanho as eleições do Distrito Federal. Como repórter, seguindo os candidatos; como colunista e, depois, dentro das redações, na função de editora. Vi Joaquim Roriz ser governador três vezes. Vi o crescimento fenomenal de Cristovam Buarque durante a campanha que o elegeu governador. 

Vi e revi a capacidade de argumentação ilimitada de José Roberto Arruda, que conseguiu a proeza de não concluir dois mandatos, um de senador e um de governador, e ainda assim estar liderando as intenções de voto para o governo da capital. Vi políticos poderosos de Brasília nascerem, renascerem e serem execrados publicamente, e continuarem interferindo na política local. Brasília foi com eles. Para o bem e para o mal...
 
A capital viveu e vive uma campanha delicada, como boa parte do Brasil — algumas são mais sujas; outras nem tanto. Não posso deixar de concordar com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, quando ele diz que a política no DF é rastaquera — às vezes, mais do que isso. Tanto concordo que entendo ter ele todo direito de criticar a autonomia política da cidade ao tomar conhecimento de mais um vídeo comprometedor, que retrata uma conversa de Arruda com o advogado Eri Varela a respeito de especulações sobre o julgamento no TSE. Gilmar, no entanto, foi voto vencido no julgamento que colocaria uma pá de cal na candidatura até agora preferida do eleitor brasiliense, a despeito de todas as acusações.
 
Essa Brasília subterrânea e suja de fato, seja qual for ou de que partido for o personagem gravado ou grampeado, é abjeta. Mas a cidade que vive e respira, que tem direito a voto, que vai além das cercanias da Esplanada dos Ministérios e da Praça do Buriti, nada tem a ver com as “sacanagens” que lhe são impostas dia a dia. A Brasília limpa, que execra políticos descomprometidos e desonestos, quer honrar o direito ao voto. Tirar esse direito da capital não vai melhorar a qualidade de seus políticos.
 
É uma questão de tempo e depuração, tanto em Brasília quanto no resto do país. Quanto mais educado e informado o cidadão, mais consciente do valor do voto ele será. E mais exigente quanto à lisura dos governantes ele será. Sejam azuis, vermelhos, amarelos, verdes ou brancos. Se errarem, terão de ser punidos, com cadeia, inclusive. Portanto, agora é hora de exercer nossa autonomia. 
 
À população, resta o apelo: assista aos programas eleitorais, exerça uma postura crítica e acompanhe os debates. Um deles será promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília, na próxima terça-feira, 2 de setembro, às 22h30, com transmissão também ao vivo pelo site www.correiobraziliense.com.br e pelas redes sociais. Participe usando a hashtag #debateCorreioTVBSB. Um bom momento para brindar a democracia.


Fonte: Por ANA DUBEUX, Correio Braziliense - 31/08/2014 - - 12:18:30


BLOG DO SOMBRA


Opinião: Miro Teixeira comenta ataques de Aécio Neves à Marina Silva


Durante a visita à favela da Rocinha, Zona Sul do Rio, Miro Teixeira, candidato do PROS a deputado federal, conversou com o Jornal do Brasil. 

Marina Silva e Miro foram à comunidade acompanhados pelo deputado federal Romário (PSB) e do candidato a vice presidência Beto Albuquerque (PSB). 

O grupo chegou às 13h para cumprir a agenda eleitoral, mas devido a quantidade de pessoas, não conseguiu transitar pela favela e se retirou antes do previsto.
 
Em entrevista ao Jornal do Brasil, Miro comentou os ataques de Aécio Neves, candidato do PSDB, à candidatura de Marina. Sobre a candidata, o tucano disse que "o Brasil não é para amadores", alegando que Marina não teria experiência para assumir o governo do Brasil. 




"Campanha eleitoral tem esses momentos mesmo [ataques dos tucanos], conforme vai se aproximando as eleições, há tensões. Se cada um tiver coisas sobre a vida do outro tem que falar mesmo, para o povo conhecer e decidir sabendo a verdade sobre cada candidato. A Marina tem o estilo que não a permite fazer isso, mas, se tem outros que têm esse estilo, que faça e o povo avalia. Por que, se uma pessoa está na vida pública e conhece mal feitos de outro candidato, espera o processo eleitoral para revelar? Tem que encaminhar logo para o Ministério Público. Fica muito mal o discurso 'agora vou bater'. É um aproveitador, mas estamos prevenidos e vamos enfrentar qualquer adversário", declarou...
 
Sobre a mudança no programa de governo, referente ao casamento LGBT, o candidato disse que "a expressão casamento está sempre ligada a uma questão religiosa. Programa de governo não tem que entrar nesse mérito, tem que haver a liberdade de expressão, o estado laico. Isso acaba afastando outras discussões que têm que acontecer, como a corrupção".
 
Outra mudança no programa de governo foi referente à energia nuclear. Miro também comentou o caso dizendo que "a Marina nunca disse que vai reduzir os investimentos no pré-sal no plano de política energética. Ela quer sim aprofundar a exploração de energia renovável, é o etanol. Ela quer explorar a energia eólica. A Marina me disse isso agora há pouco, vindo para cá [comunidade da Rocinha]. Ela não disse que vai parar o pré-sal, o mundo não vive sem o petróleo. A exploração de energia renovável tem investimento em pesquisa no mundo inteiro, o petróleo acaba em algum momento. O mundo inteiro aproveita a exploração de petróleo hoje".
 
 
Miro falou também sobre Maria Alice Setubal (Neca Setubal), socióloga e filha do fundador do Banco Itaú. Conselheira e amiga de Marina, Neca coordena a elaboração do programa de governo da chapa, enquanto Eduardo Campos ainda era o candidato à presidência. "A Neca só tem a ajudar a nossa campanha. Ela é uma grande conhecedora da área da educação, uma pessoa muito aplicada às pesquisas publicadas na Rede Sustentabilidade. Só acessar as páginas da Rede que vai notar que o grande número de trabalho é da Neca, e não é de hoje que ela faz isso". 
 
 
Por fim, o candidato comentou sobre a inflação e a ausência de números no plano de governo. "Se você conversar com as pessoas que estavam trabalhando na campanha de Eduardo Campos você terá os números que quiser. Uma publicação de plano de governo é algo mais ligado aos compromissos. Agora, o detalhamento você poderá obter, eu posso obter para você, o Giannetti [economista Eduardo Giannetti da Fonseca, assessor econômico de Marina] pode ver isso. O Giannetti tem visto isso para a Rede Sustentabilidade", finalizou.


Fonte: Jornal do Brasil - 31/08/2014 - - 21:54:33

Debate: Aberta a temporada de ataques, presidenciáveis fazem 2º debate



Encontro desta segunda será o primeiro desde que Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) apareceram empatadas com 34% em pesquisa Datafolha


Os três principais candidatos ao Planalto se encontram nesta segunda-feira pela primeira vez desde que a candidata do PSB, Marina Silva, apareceu empatada com a presidente Dilma Rousseff (PT) em primeiro lugar, com 34% das intenções de voto, em pesquisa Datafolha. 


Se no primeiro debate entre os presidenciáveis Dilma e Aécio Neves (PSDB) polarizaram as discussões, desta vez o alvo de ambos deve ser Marina – a petista e o tucano, afinal, passaram a atacar abertamente a postulante do PSB, o que vinham evitando fazer. Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves (Reuters/EFE//Estadão Conteúdo). ...
 
O encontro, promovido pelo SBT em parceria com Folha de S. Paulo, UOL e rádio Jovem Pan, começa às 17h45. No primeiro debate, promovido pela Rede Bandeirantes na última terça-feira, Dilma e Aécio ainda estudavam quem criticaria primeiro – e como criticariam – a nova adversária. 


Mas não foi preciso: insuflada pelos números da pesquisa Ibope, divulgada horas antes, foi Marina quem assumiu a artilharia mais pesada e sempre direcionada aos dois rivais simultaneamente. Foram diversas frases, como: "A relação de vocês, PT e PSDB, aparta o Brasil". Ou: "Essa polarização já deu o que tinha que dar" e "nos governos do PT e do PSDB, cada um tem um apagão para chamar de seu".
 
Ao longo dos últimos dias, Dilma e Aécio adotaram um tom mais agressivo em relação a Marina: o tucano chegou a dizer que o Brasil não é país para “amadores”, enquanto a petista insinuou que o programa de governo da candidata do PSB podem provocar desemprego. Aécio tem 15% da preferência do eleitorado, segundo o Datafolha. 


Em um eventual segundo turno entre Dilma e Marina, a ex-senadora venceria a presidente-candidata com vantagem de dez pontos porcentuais. Como informa a coluna Radar, de Lauro Jardim, uma equipe no Palácio do Planalto foi escalada para analisar o programa de governo de Marina. A ordem é encontrar contradições e contas que não fecham para que Dilma possa usar hoje no debate.
 
Também participam do encontro os candidatos nanicos Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL) e Levy Fidelix (PRTB).



Fonte: Revista Veja - 01/09/2014 - - 09:35:52 BLOG do SOMBRA

Política: A aposta




A campanha de Aécio Neves acredita que fatos novos podem recolocar o tucano no jogo. A delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e a história dos aviões que serviam a Eduardo Campos podem levar a nova reviravolta. 
 
A crença é que teriam potencial para desestabilizar a presidente Dilma e Marina Silva. ...
 
A palavra de ordem é resistir, porque a eleição não será amanhã, nem a campanha, um mar de rosas.

Fonte: Por ILIMAR FRANCO, blog do RICARDO NOBLAT - 01/09/2014 - - 00:13:25

DF: Futuro jurídico. Será que tudo piorou?


A situação de José Roberto Arruda no Supremo Tribunal Federal é incerta. Com um ministro a menos, depois da aposentadoria de Joaquim Barbosa, o quórum hoje é de 10 magistrados. Significa que pode haver um empate, e consequentemente, um impasse com a candidatura do ex-governador, como ocorreu há quatro anos com Joaquim Roriz, também enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Entre os ministros, dois — Luiz Fux e Dias Toffoli — votaram contra o registro. 


Marco Aurélio Mello é abertamente contrário aos argumentos da defesa de Arruda. Celso de Mello e Carmen Lúcia são contundentes defensores da Lei da Ficha Limpa. Faltaria apenas um voto para encerrar a candidatura de Arruda. O ex-governador, no entanto, tem um eloquente defensor de sua tese no plenário. O ministro Gilmar Mendes chegou a dizer que o TSE agiu como um tribunal nazista ao negar o registro do representante do PR. ...
 
Será que tudo piorou?

Ao chamar a política do DF de “rastaquera” na sessão do TSE que negou o registro da candidatura de José Roberto Arruda, o ministro Gilmar Mendes defendeu uma intervenção na capital do país. Ele disse que a cidade não tem sequer dignidade para manter a autonomia política. 


Há quatro anos, no entanto, no auge da crise da Operação Caixa de Pandora, o magistrado votou contra um pedido de intervenção do então procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Na ocasião, Gilmar disse que a medida seria um “salto no escuro” e foi seguido pela maioria do plenário. Apenas Ayres Britto acatou o requerimento do Ministério Público.

Fonte: Por ANA MARIA CAMPOS e HELENA MADER, Correio Braziliense - 31/08/2014 - - 23:54:59 
 
BLOG do SOMBRA

Acre. Governo quer controle rigoroso na entrada de senegaleses. Surto de ebola preocupa governo acreano



Publicado: 31 de agosto de 2014 às 18:38




Surto de ebola preocupa autoridades
Surto de ebola preocupa autoridades
O crescente número de senegaleses que têm cruzado as fronteiras do Brasil com o Peru nas últimas semanas e a preocupação com o surto de ebola que assusta a população de países africanos e autoridades de saúde de todo o mundo levou o governo do Acre a pedir ao governo federal um controle mais rígido sobre o estado de saúde dos imigrantes que chegam aos postos de fronteira acrianos.

O pedido do governo estadual para que o Ministério da Saúde desloque especialistas para orientar o trabalho dos servidores da Polícia e da Receita Federal que atuam nos postos de fronteira foi feito à ministra da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, Ideli Salvatti, na última sexta-feira (29) – mesmo dia em que autoridades do Senegal confirmaram o primeiro caso de um senegalês infectado pelo vírus da doença. Trata-se de um universitário de 21 anos, que está internado em um hospital da capital Dakar.

Segundo a assessoria da Secretaria de Direitos Humanos, os ministérios da Saúde e da Justiça já foram informados sobre as demandas das autoridades acrianas. 


Representantes do governo federal devem se reunir esta semana para analisar a necessidade de providências para garantir a segurança da população e dos profissionais que trabalham na fronteira.

Na sexta, ao viajar para Rio Branco, a ministra visitou um abrigo onde mais de 100 imigrantes, a maioria vinda do Haiti e de países africanos, aguardavam para regulamentar sua situação e, assim, poder trabalhar. Ao menos 20 senegaleses faziam parte do grupo.

No início do mês, a Secretaria de Assistência Social minimizou as chances de alguém infectado pelo vírus ebola chegar ao Brasil nas condições a que estão sujeitos os imigrantes que cruzam a fronteira terrestre com os países vizinhos, em busca de trabalho.

Também na sexta-feira, o Ministério da Saúde fez uma simulação de resposta a um eventual caso de ebola em um turista estrangeiro.(Alex Rodrigues/AE)



  • Djalma Foster · 
    O que ocorre com o Acre nessa imigração ilegal de Senegaleses, é o mesmo que acontece até hoje, com brasileiros nos Estados Unidos da América, pelo famoso Rio Grande, que faz divisa com o México. Lá os agenciadores desse tipo de invasão ilegal, são os coiotes que recebem em dólares. Para entrar no Brasil, recebem o bolsa família do governo brasileiro.

    • Mario Fernandes Testoni · 
      Exatamente Djalma Foster! Já parou pra pensar, poder chegar num país onde de cara te recebem com tudo o que procura? inclusive documentação?! E deixo aqui mais uma pergunta: Quem esta pagando a passagem para toda essa gente e porque fazem esse percurso mais longo quando seria muito mais perto o caminho, entrar pelo nosso nordeste?! Com a palavra o governo do Acre!!

    • Graziella Born · 
      Mario Fernandes Testoni porque aí é governo PT, que, por sinal, os coloca em longa viagem de onibus fretado e os despeja no desafeto, aqui em São Paulo.;

  • Marco Mesquita · 
    Saiu nos jornais que a Marina recebeu só esse ano , 1600.000,00 dando palestras, tudo bem, mas como ela declarou para a justiça eleitoral possuir só 125.000,00 de bens??????????? Pra onde foi essa diferença? Quanto ela ganhou nos últimos 4 anos dando palestras?

  • Luiz Solano ·
    Na sexta-feira passada vi pelo menos 5 em Brasília, precisamente no Setor Comercial Sul, vendendo mercadoria. Não sabia falar e olhava par todos os lados.Fiquei com pena, porém preocupado.

  • Graziella Born ·
    Meses atrás esse governador do PT encheu ônibus de tudo o que era clandestino e mandou sem cerimônia para o desafeto tucano em S Paulo. Agora ele está preocupado?????????

MG: governo paga shows de marqueteiro tucano Marqueteiro do PSDB já recebeu mais de R$2 milhões do governo mineiro



Eleições 2014

Publicado: 1 de setembro de 2014 às 0:30 - Atualizado às 8:37

Teatro Caravana Magica
Um dos shows de mágicas produzidos por Pedro Guadalupe. Foto: 27º Inverno Cultural
Pedro Guadalupe
Pedro Guadalupe

O marqueteiro Pedro Guadalupe, espécie de coordenador informal de mídias digitais da campanha de Aécio Neves (PSDB), recebeu nos últimos quatro anos mais de R$ 2,3 milhões do governo tucano de Minas Gerais. O governo mineiro bancou projetos de teatro e até de  ilusionismo de Pedro Guadalupe. Só os dois últimos repasses, em 2013, pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura, custaram R$ 669 mil.

O marqueteiro Guadalupe atuava antes no PT, assessorando a campanha de Patrus Ananias. Hoje mantém o site “Dilma Mente”.

Os incentivos do governo de Minas para Pedro Guadalupe foram sempre generosos, e em 2012 o valor liberado foi de R$ 750 mil.

O ilusionista Pedro Guadalupe teve seu nome associado à rumorosa negociação para o autor da página “Dilma Bolada” aderir aos tucanos.

Guadalupe é citado como colega de trabalho, nos comitês do PSDB, mas oficialmente o partido nega qualquer relação com ele. Leia na Coluna Cláudio Humberto.

Na 14ª queda seguida, mercado baixa para 0,52% previsão de alta do PIB

1/09/2014 08h29 - Atualizado em 01/09/2014 09h02


Nova revisão para baixo aconteceu após IBGE apontar recessão técnica.
Analistas projetam manutenção dos juros em 11% ao ano nesta semana.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília
 
Após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ter informado que a economia brasileira teve retração de 0,6% no segundo trimestre deste ano e que estaria em "recessão técnica" - que se caracteriza por dois trimestres seguidos de queda - o mercado financeiro revisou novamente para baixo sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.


O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia.


De acordo com a pesquisa com economistas dos bancos divulgada nesta segunda-feira (1) pelo Banco Central, a expectativa para o crescimento da economia do país em 2014 recuou de 0,70% para 0,52% na semana passada.


Trata-se da décima quarta redução consecutiva do indicador. O relatório divulgado pelo BC é fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras na semana passada.


Para 2015, a previsão do mercado para a expansão do PIB recuou de 1,2% para 1,1%. Na última divulgação, antes de sair o PIB do segundo trimestre, o governo manteve a projeção de alta de 3% no ano que vem.


Para conter a inflação, o BC subiu os juros entre abril do ano passado e maio deste ano, influenciando também o ritmo de atividade. Com taxas maiores, há redução do crédito e do dinheiro em circulação, assim como do número de pessoas e empresas dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços caiam ou parem de subir.
Inflação

 
Já a expectativa do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do pais, ficou estável, na semana passada, em 6,27% para este ano. Para 2015, a previsão avançou de 6,28% para 6,29%.



Pelo sistema que vigora atualmente no Brasil, a meta central tanto para 2014 quanto para 2015 é de 4,5%, mas com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.


Taxa de juros estável nesta semana
A previsão do mercado financeiro para a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira, por sua vez, foi mantida em 11% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que acontece nesta semana. A decisão será anunciada na próxima quarta-feira (3) após as 18h.



A expectativa dos analistas dos bancos é de que a taxa permaneça em 11% ao ano até o fechamento de 2014. Para o fim de 2015, a previsão dos analistas para o juro básico recuou de 12% para 11,75% ao ano.


Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2014 ficou estável em R$ 2,35 por dólar. Para o término de 2015, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio permaneceu em R$ 2,50 por dólar.



A projeção para o superávit da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2014 recuou de US$ 2,50 bilhões para US$ 2,17 bilhões na semana passada. Para 2015, a previsão de superávit comercial ficou estável em US$ 8 bilhões.


Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2015, a estimativa dos analistas para o aporte caiu de US$ 56 bilhões para US$ 55 bilhões.

Falta d'água em cidades tem a ver com devastação desenfreada da Amazônia


31/08/2014 22h31


Chuvas que recarregam reservatórios da região Sudeste são oriundas da Amazônia. Árvores são ‘toque final’ da máquina biológica que produz chuvas.





O chão foi o destino de 20% das árvores da Floresta Amazônica original. Que isso vem acontecendo há anos, todos sabem. O que você provavelmente não sabe é que esse crime ambiental tem a ver com a falta d'água na maior cidade da América Latina. 

É que a Amazônia bombeia para a atmosfera a umidade que vai se transformar em chuva nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Quanto maior o desmatamento, menos umidade e, portanto, menos chuva. E sem chuva, os reservatórios ficam vazios e as torneiras, secas.


É guerra contra a cobiça. No coração da Amazônia, o exército formado pelo Ibama, pela Funai e pela Polícia Federal atinge mais um alvo. Garimpeiros presos, madeireiros multados, equipamentos destruídos. E a prova do crime apreendida. Esse é o front de um conflito que já dura pelo menos quatro décadas no Brasil. Desde que as primeiras estradas rasgaram a floresta para permitir a colonização. Caminhos que acabaram facilitando também o acesso de exploradores gananciosos e sem escrúpulos. Um crime ambiental que ainda está longe do fim.


Uma árvore que leva mais de 100 anos para crescer. E que em menos de um minuto, já pode estar derrubada. E o pior é que a madeira nem é aproveitada. Nesse tipo de desmatamento, o objetivo é simplesmente derrubar tudo, tocar fogo e transformar a área em pastagem para a criação de gado. Um crime ambiental que geralmente só é notado pelos fiscais tarde demais, quando a floresta já virou carvão.


Clareiras somam área maior que França e Alemanha juntas
“Isso aqui é roubo de terras da União. Grileiros furtam a terra da União, praticam o desmate multiponto, vários pontos embaixo da floresta, dificultando o satélite de enxergá-lo.”, explica Luciano de Menezes Evaristo, diretor de proteção ambiental do Ibama.


O que os olhos poderosos dos satélites não veem, a floresta, lamentavelmente, sente: 20% das árvores da Amazônia original já foram para o chão. Restaram imensas clareiras que somam uma área maior que a França e a Alemanha juntas.


O Fantástico acompanhou, com exclusividade, a maior operação contra grileiros na Amazônia neste ano. Em uma conversa gravada pela Polícia Federal com autorização da Justiça, um dos presos admite que o interesse dos criminosos é apenas nas terras.
“Como a floresta lá é muito bruta, os troncos são muito grossos, então o custo é muito grande. São árvores antigas, árvores velhas”, ele diz.


Consequências da devastação estão próximas de todos
Derrubadas e garimpos deixam uma cicatriz gigantesca na mata que pode parecer um problema exclusivo de árvores e bichos, distante da maioria das pessoas. Mas a ciência e as novas tecnologias comprovam que as consequências da devastação estão muito mais próximas de todos nós.


Nascentes que já não vertem mais água. Represas com menos de 10% de sua capacidade original de armazenagem. Uma delas, por exemplo, perto de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, deveria ter em um ponto uma profundidade de pelo menos cinco metros. Está agonizando. 


Mas o que a falta de água nesta região do país tem a ver com a Amazônia que fica a mais de 2 mil quilômetros de distância? Tudo, absolutamente tudo, segundo cientistas que estudam as funções da floresta e as variações climáticas na América do Sul.


“Essas chuvas que ocorrem principalmente durante o verão, a umidade é oriunda da Amazônia. E essa chuva que fica vários dias é que recarrega os principais reservatórios da Região Sudeste.” explica Gilvan Sampaio, climatologista do Inpe.


Fantástico tem acesso exclusivo a relatório sobre futuro climático
O Fantástico teve acesso exclusivo ao relatório sobre o futuro climático da Amazônia que só vai ser divulgado oficialmente na Conferência Sobre o Clima em Lima, no Peru, no fim deste ano. 


O trabalho desenvolvido em parceria por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Inpa, que investiga a Amazônia, reúne mais de 200 estudos e traça um minucioso roteiro das chuvas no continente sul-americano.


“Está mudando o clima. A gente vê isso acontecendo na Amazônia. Tem muitos trabalhos mostrando que a extensão da estação seca está se prolongando”, diz Antônio Nobre, pesquisador do Inpa.


De acordo com esse relatório, nos últimos 400 milhões de anos, a umidade que evapora dos oceanos é empurrada naturalmente pelos ventos para dentro dos continentes. Uma parte desse vapor vira chuva e cai, principalmente, sobre as grandes florestas na altura do Equador. O excesso de umidade segue empurrado pelos ventos, atravessa os continentes e acaba indo para o mar. Um ciclo que ao redor da Terra só tem uma exceção: a Amazônia.


Diferencial da Amazônia
O que torna a Amazônia diferente de todas as grandes florestas equatoriais do planeta é a Cordilheira dos Andes. Um imenso paredão, de 7 mil metros, que impede que as nuvens se percam no Pacífico. Elas esbarram na Cordilheira e desviam para o Sul.


“Esses ventos viram aqui e se contrapõem à tendência natural dessa região aqui de ser deserto. É uma região que produz 70% do PIB da América do Sul - região industrial, agrícola, onde está a maior parte da população da América do Sul”, explica Antônio Nobre, pesquisador do Inpa.


Mas de onde vem tanta água? Como funciona a fantástica máquina biológica que faz chover? Segundo os cientistas, o toque final cabe às árvores.


Fincadas a até 20 ou 30 metros de profundidade, as raízes sugam a água da terra. Os troncos funcionam como tubos. E, pela transpiração, as folhas se encarregam de espalhar a umidade na atmosfera.


Diariamente, cada árvore amazônica bombeia em média 500 litros de água.


A Amazônia inteira é responsável por levar 20 bilhões de toneladas de água por dia do solo até a atmosfera, 3 bilhões de toneladas a mais do que a vazão diária do Amazonas, o maior rio do mundo.



“Se você tivesse uma chaleira gigante ligada na tomada, você precisaria de eletricidade da Usina de Itaipu, que é a maior do mundo em potência, funcionando por 145 anos para evaporar um dia de água na Amazônia. Quantas Itaipus precisaria para fazer o mesmo trabalho que as árvores estão fazendo silenciosamente lá? 50 mil usinas Itaipu”, explica Antônio Nobre.


“Rio voadores” cruzam o Brasil
Esse imenso fluxo de água pelos ares é chamado de "rios voadores". O Fantástico chamou a atenção para a importância desses rios já em 2007. Imagens feitas de um avião do projeto "rios voadores" revelam nuvens densas, carregadas de água, cruzando todo o Brasil.


Testes feitos em laboratório comprovaram: mais da metade da água das chuvas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e também na Bolívia, no Paraguai, na Argentina, no Uruguai e até no extremo sul do Chile vem da Amazônia.


Para os cientistas, uma prova irrefutável do papel dos Andes e da Floresta Amazônica no ecossistema do cone-sul é a inexistência de um deserto nessa região. Basta olhar o globo para constatar que na mesma latitude em volta do planeta tudo é deserto. Menos na América do Sul.


Os pesquisadores não têm dúvida: sem a Amazônia, os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul fatalmente seriam desertos também.
“Para quem está no Brasil, seja Porto Alegre ou Manaus ou São Paulo tem que saber que a água que consome em sua residência, uma parte dela vem da Amazônia e que por isso temos que preservar”, alerta Gilvan Sampaio.

Devastação bloqueia “rios voadores” em São Paulo

As imagens dos satélites que acompanham a movimentação das nuvens de chuva comprovam que a grande seca que assola as regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, em parte, está relacionada aos desmatamentos. 

No estado de São Paulo, por exemplo, a devastação da Mata Atlântica permite a formação de uma massa de ar quente na atmosfera. Tão densa que chega a bloquear os “rios voadores”, já enfraquecidos por conta do desmatamento na Amazônia. 

Represados no céu, eles acabam desaguando no Acre e em Rondônia, onde, este ano, foram registradas as maiores enchentes da história.

MP e Receita Federal entram na luta contra o desmatamento


Na luta contra o desmatamento, o Ibama, a Funai e a Polícia Federal acabam de ganhar mais um aliado: o Ministério Público, que passou a juntar dados da Receita Federal para poder enquadrar as quadrilhas também por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, falcatruas que podem levar a mais de 10 anos de cadeia.

Pelas contas da Procuradoria da República no Pará, só a quadrilha presa na última operação desviou dos cofres públicos R$ 67 milhões em impostos. Um crime que mistura ganância e ignorância.


Fantástico: Quando você mete a motoserra em uma árvore que levou 100 anos para chegar daquele tamanho, não dá dó?


 

Homem: Não tem como a gente ter dó das coisas. Ninguém tem dó da gente também, né? Tem que desmatar para viver, né?


“Eu não sei se tá errado, não. Pra mim, está certo porque eu estou trabalhando. Enquanto os vagabundos ficam soltos na cidade, a gente tem que trabalhar escondido. Aí é difícil”, diz uma mulher.


Reflorestar áreas desmatadas antes que seja tarde

Um comportamento que bate de frente com os interesses de quem depende da Amazônia para produzir alimentos de forma legal.

“É do interesse do próprio agricultor ou produtor de gado ou de quem está querendo produzir energia que a floresta seja mantida. Porque ela é o que garante que tenha água necessária para essas atividades econômicas poderem existir”, diz o engenheiro florestal Tasso Azevedo.

Os gráficos do Inpe revelam que os desmatamentos na Amazônia já caíram aos níveis mais baixos das últimas duas décadas, mas ainda que tivessem sido completamente zerados, os cientistas não estariam tranquilos. Eles alertam que é preciso também reflorestar as áreas desmatadas antes que seja tarde.

“Existe um fato simples: se você tira floresta, você tira fonte de umidade, muda o clima. E nós tiramos floresta. Isso foi o que a gente fez nos últimos 40 anos. O clima é um juiz que sabe contar árvores, que não esquece e não perdoa”, afirma Antônio Nobre.

Polícia apura fraude no Minha Casa em Minas Gerais

A Polícia Civil de Minas Gerais investiga fraudes no Minha Casa Minha Vida em Ipatinga, no Vale do Aço mineiro. Pelas investigações, um vereador do município e outras cinco pessoas teriam montado um esquema para cobrar mensalidades de famílias carentes interessadas em obter um imóvel por meio do programa do governo federal, assim como de pessoas já beneficiadas, que renderia R$ 100 mil anuais ao grupo. 
 
 Os suspeitos também teriam recebido imóveis por meio do programa, apesar de terem salários bem acima da faixa de renda da modalidade do Minha Casa Minha Vida que operam.


O esquema foi revelado neste domingo, 31, pelo jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, que teve acesso ao inquérito. Pelas investigações, o vereador Saulo Manoel da Silva (PT), que é conselheiro do Ministério das Cidades, é fundador da Associação Habitacional de Ipatinga, que promove reuniões periódicas com interessados em adquirir imóveis por meio do programa. 


Segundo o inquérito, as famílias tinham que pagar valores entre R$ 3 mil e R$ 10 mil para terem o nome incluído na lista do programa. Nos casos de pessoas já beneficiadas, de acordo com a polícia, a ameaça era de que perderiam o imóvel caso não continuassem pagando.


Para comprovar a fraude, agentes se infiltraram em reuniões e constataram que os encontros eram presididos pela chefe de gabinete do vereador, Uzânia Aparecida Gomes - que também é presidente do diretório local do PT -, pela irmã do parlamentar, Salvina Maria Silveira Cardoso, ou pelo próprio Saulo Silva. 


Várias testemunhas já ouvidas pela Polícia Civil confirmaram as exigências de pagamento. Além disso, a associação fundada pelo vereador recebeu subvenção de R$ 240 mil dos cofres municipais. O repasse dos recursos foi aprovado pela Comissão de Urbanismo da Câmara de Ipatinga, presidida pelo próprio Saulo.


A reportagem tentou falar com o vereador ontem, mas ele não foi encontrado. No dia anterior, o parlamentar e os demais suspeitos negaram qualquer ilegalidade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Estadão Conteúdo  Jornal de Brasília

Caetano e Gil reafirmam apoio à candidata do PSB



Os músicos Caetano Veloso e Gilberto Gil voltaram a declarar apoio à candidatura de Marina Silva (PSB) nestas eleições. A dupla já havia apoiado a ex-ministra do Meio Ambiente em 2010, quando ela disputou o Palácio do Planalto pelo PV.
 
 No sábado, 30, Caetano postou em seu perfil oficial no Facebook um longo depoimento no qual ressalta o fato de que a vitória de Marina representaria a "chegada de evidentes fenótipos negros no posto da Presidência da República. Isso não é pouco", diz o cantor. Ele afirma ainda se orgulhar deste fato.


No texto, ele também destacou "o tom digno" com que Marina vem defendendo os legados de FHC e Lula e como ela tem seguido sua "coerência interna". O depoimento foi até reproduzido no perfil oficial da candidata com uma foto em que Caetano aparece ao lado da ex-ministra.


Gilberto Gil, por sua vez, reiterou seu apoio a Marina quando questionado sobre o vídeo que circula nas redes sociais desde quinta-feira, 28, com uma compilação de depoimentos de artistas favoráveis a ela.


'Fraudulento'
Responsáveis pela imagem da ex-ministra chegaram a rechaçar na semana passada o vídeo que foi publicado por um perfil não ligado à campanha de Marina. Por meio de nota, a coligação Unidos pelo Brasil chamou a montagem de "tosca e fraudulenta".
"Expediente dessa ordem contraria os princípios éticos que caracterizam a candidata Marina Silva e os partidos que integram nossa coligação", afirmava a nota da campanha do PSB. A coligação disse ainda que vai acionar a Justiça para identificar os responsáveis. 


Independentemente do episódio, Gilberto Gil confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que viu o vídeo e que sabia que iriam usar sua imagem. Ele permitiu o uso e já declarou que seu voto será em Marina Silva. Outro que apoiou a ex-ministra em 2010 e vem se mantendo como entusiasta da candidata é Marcos Palmeira, que chegou a se filiar ao PSB no ano passado. Na ocasião, ele afirmou ser um "ato simbólico" de apoio à Rede, sigla que Marina tentou criar, sem sucesso.


A página de campanha da ex-ministra mantém 17 vídeos, todos com depoimentos feitos por famosos ou intelectuais em apoio a Marina em 2010. Nos vídeos aparecem o logo do PV e o de Marina na época. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Fonte: Estadão Conteúdo  Jornal de Brasilia