segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Dilma vence: PTitanic só afunda com impeachment?

domingo, 26 de outubro de 2014




Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A maré de lama vermelha derrotou a onda azul. Dilma Rousseff foi reeleita por 51,59% dos votos. Aécio Neves perdeu por insignificante diferença (48,41%). A elevada abstenção, sobretudo no Norte-Nordeste, tirou votos do PT, mas não prejudicou o resultado final. Por ironia, os votos decisivos para a derrota de Aécio vieram dos mineiros e dos cariocas. 

As burradas finais dos petistas, como o ataque à Veja, irritaram o eleitorado, mas não foram suficientes para detoná-los. As revelações bombásticas do doleiro Alberto Youssef, garantindo que Lula e Dilma sabiam de tudo de errado na Petrobras, também não foram decisivas para jogar uma pá de cal no nazicomunopetralhismo. Pouco mais da metade do eleitorado brasileiro não tem vergonha na cara e é ignorante!

O Brasil acabou. A Governança do Crime Organizado foi novamente vitoriosa. Os negócios vão parar a partir desta segunda-feira. Investidores internacionais não vão apostar um centavo em um governo absolutamente desmoralizado. 


Ao contrário do que o chefão Lula proclamou ontem, que “quem ganha governa”, Dilma terá precárias condições de governabilidade. Será tragada pelos escândalos da Petrobras. A não ser que o incomensurável poder da reeleita consiga fabricar a maior pizza nunca antes enfiada goela abaixo dos brasileiros. 

Aécio foi campeão moral. Encarou de frente os petistas, sem medinhos. Se azar fatal foi ter perdido a eleição em Minas Gerais, na Bahia, no Rio de Janeiro e em Pernambuco. Apesar da derrota, será uma referência de oposição – que não pode desanimar. Os petistas fariam de tudo para sabotar o eventual governo tucano. Os petistas conseguiram vencer aparelhando a máquina administrativa – vítima da incompetência gerencial e da roubalheira que ficará impune (até quando?).

Na oposição, o senador Aécio agora não pode cair na conversinha falsamente conciliatória da cúpula petista – que fez o diabo na campanha de maior baixaria da História. Eles tentarão negociar uma trégua para evitar ataques aos corruptos comprovados – como os que serão denunciados na safadeza da Lava Jato. 


Agora, será preciso que o “coração valente” do doleiro Alberto Youssef não enfarte, e que o Supremo Tribunal Federal não se transforme em uma pizzaria de décima terceira categoria, para aliviar a barra dos políticos corruptos com direito ao absurdo foro privilegiado para crimes.

Agora, é aguardar a campanha de Lula para a Presidência em 2018 – a não ser que problemas de saúde o impeçam. Dilma, Lula e os petistas têm todos os motivos para comemorar. O Brasil está rachado ao meio. O mapa da vitória mostra o Brasil dividido numa diagonal. 


De MG para cima, deu Dilma. Da terra de Aécio, passando pelo centro-oeste, para baixo, o vencedor moral foi o neto de Tancredo Neves. 

Esta semana, teremos o símbolo dos mensaleiros, José Dirceu, tecnicamente soltinho da silva, cumprindo sua pena em casa. Este será o grande deboche com a cara dos brasileiros honestos. 

O sentimento de indignação nacional foi claro. No entanto, o modelo nazicomunopetralha de propaganda comprovou ser arrasador. A oposição perdeu, fragorosamente, a batalha da comunicação. Nada custa ressaltar: perdeu de novo.

  
Pêsames a Dilma Rousseff. 


Que a soberba de uma vitória apertadinha não faça ela radicalizar o processo político – irresponsabilidade já cometida por seu chefão Luiz Inácio Lula da Silva -, iniciando uma onda de perseguição contra os opositores – considerados pelo ódio nazicomunopetralha como inimigos a serem destruídos. A imprensa de oposição que se cuide, porque Dilma vem com mão pesada para perseguir opositores.

Os brasileiros honestos estão de luto. O Brasil não aguentará mais quatro anos do fracassado modelo capimunista de desgovernar - que privilegia a ineficiência, o clientelismo, a vagabundagem e a corrupção sistêmica, para a permanência no poder. O Reich Nazicomunopetralha segue na programação para 16 anos... 


O PTitanic afundará em impeachment? A probabilidade de afundamento fica adiada para data indefinida.

Uma regra histórica vai se confirmar: os stalinistas vêm com tudo... 

Releia o artigo: Brasil tem futuro? Com Dilma, não! Com Aécio...

SOBRE A MENTIRA. OU: UM “RACIOS-SÍMIO”

26/10/2014
às 15:08

Acabo de receber este texto-imagem. Fala por si. Passem adiante.
O poema da Mentira
Por Reinaldo Azevedo

CAMPANHA DO ÓDIO, DA VIOLÊNCIA E DA MENTIRA OBTÉM A MAIORIA NAS URNAS: DILMA SE REELEGE COM QUASE 52% DOS VOTOS. À SUA FRENTE, UMA ECONOMIA ESTAGNADA E O FANTASMA DO IMPEACHMENT. PODE CONTAR COM A GENTE (RE)GOVERNANTA: PARA VIGIÁ-LA



Dilma Rousseff, do PT, que vai fazer 67 anos no dia 14 de dezembro próximo, reelegeu-se presidente da República. Aos 96,24% dos votos apurados, ela tem 51,18% dos votos, contra 48,82% de seu oponente, Aécio Neves, do PSDB. 



Obtém o segundo mandato de forma legítima, segundo as regras do jogo, mas é importante destacar que apenas cerca de 80% do eleitorado (até este momento não há os números do Acre) , composto de 142.822.046 de brasileiros, lhe conferiram esse passaporte. Nada menos do que cerca de 28 milhões e brasileiros  deixaram de comparecer às urnas. Os brancos e nulos ultrapassam 6,37%, e há, como se mencionou, os quase 50 milhões que queriam Aécio presidente. 


E assim é com o absurdo instituto do voto obrigatório. Um presidente é ungido, note-se, com o voto de uma minoria. Parece-me que um de seus deveres é tentar atrair a adesão daqueles que preferiram outro caminho. E é nesse ponto que as coisas podem se complicar para Dilma.

Vamos ser claros? O PT não se caracteriza exatamente por fazer campanhas limpas. Gosta de dossiês e de montar bunkers para destruir reputações; adere com impressionante presteza às práticas mais odientas da política; transforma adversários em inimigos; não distingue a divergência legítima da sabotagem e o oponente de um alvo a ser destruído; julga-se dotado de um exclusivismo moral que lhe confere o suposto direito de enlamear a vida das pessoas. Não foi diferente desta vez. Ou foi: a violência retórica e as agressões assumiram proporções inéditas. Nunca se viram tanta baixaria, tanta sordidez e tanta mentira numa campanha.

Vejam de novo o placar: Dilma vai vencer Aécio por diferença pequena. Quantos desses votos são a expressão do terror, do medo, do clientelismo mais nefasto? Não! Não se trata, e evidente, de tachar os eleitores de Dilma de “desinformados” — até porque, felizmente, a democracia ainda não inventou um mecanismo que distinga os “bons” dos “maus” votos. Mas é preciso ser um pilantra para ignorar que pessoas economicamente vulneráveis, que estão à mercê do Bolsa Família, acabam decidindo não exatamente com menos informação, mas com menos liberdade.

Multiplicaram-se aos milhares as denúncias de chantagens aplicadas contra as pessoas que recebem benefícios sociais do Estado brasileiro. Cadastrados do Bolsa Família e do Minha Casa Minha Vida passaram a receber torpedos e a ser bombardeados com panfletos afirmando que Aécio extinguiria os programas, como se estes pertencessem ao PT, não ao Brasil. De própria voz, Dilma chamou os tucanos de inimigos do salário mínimo — que teve ganho real acima de 85% no governo FHC, superior, proporcionalmente, aos reajustes concedidos pela própria Dilma. 


E daí? As mentiras sobre o passado foram constrangedoras: FHC teria entregado o país com uma inflação maior do que a que recebeu; tucanos teriam proibido a construção de escolas técnicas; o governo peessedebista teria sido socialmente perverso… E vai por aí. Sobre o futuro do Brasil, não disse uma miserável palavra a não ser um daqueles miraculosos programas — agora é a vez do “Mais Especialidades”…

Quanto dos cerca de 52 milhões de votos que Dilma obteve a mais do que Aécio se consolidaram justamente no terror? Ora, esbarrei em São Paulo com peças verdadeiramente sórdidas de terror e de agressão à honra pessoal de Aécio. Estatais foram usadas de maneira vergonhosa na eleição, como se viu no caso dos Correios. Em unidades de bancos público, como CEF e BB, houve farta distribuição de panfletos contra o candidato tucano.

É claro que o medo, ainda que por margem estreita, venceu a esperança. Dilma assumirá o novo mandato, no dia 1º de janeiro, com boa parte dos brasileiros sentindo um certo fastio de seu governo. Pior: o país parou de crescer, os juros estão nas nuvens, e a inflação, raspando o teto da meta. Dilma também não tem folga fiscal para prebendas, e o cenário internacional não é dos mais hospitaleiros. Não será fácil atrair aqueles que a rejeitaram porque vão lhe faltar os instrumentos de convencimento.

Petrolão
Mais: Dilma já assumirá o novo mandato nas cordas. Além de todas as dificuldades com as quais terá de lidar, há o estupefaciente escândalo do Petrolão. A ser verdade o que disse sobre ela o doleiro Alberto Youssef, não vai terminar o mandato; será impichada — e por boas razões.

O escândalo não vai se desgrudar dela com tanta facilidade. Youssef pode estar mentindo? Até pode. Mas ele deve conhecer as consequências de fazê-lo num processo de delação premiada. Ele pode não servir para professor de Educação Moral e Cívica, mas burro não é. E que se note: em meio a crises distintas e combinadas, a governanta promete engatar uma reforma política, com apelo a plebiscito. Vêm tempos turbulentos por aí, podem esperar.
Dilma venceu por um triz porque o terrorismo funcionou. Sua campanha foi bem além do limite do razoável. Seu governo já nasce velho, com parcela considerável do eleitorado a lhe devotar franca hostilidade. E, por óbvio, seus “camaradas” à esquerda não vão lhe dar folga.

A petista assumirá o novo mandato no dia 1º de janeiro tendo à frente o fantasma do impeachment e a realidade de uma economia estagnada. Não a invejo. E creio que Aécio também não porque, por óbvio, se ele tivesse vencido, isso teria ocorrido segundo as suas circunstâncias, não as dela, que são muito piores.

O Brasil vai acabar? Não! Países não acabam. Eles podem entrar em declínio permanente. Mas Dilma pode ficar tranquila: nós nos encarregaremos de lembrar que ela foi eleita para governar um país segundo regras que estão firmadas pelo Estado de Direito. Ela pode contar com a nossa vigilância. Agora, mais do que nunca.

Por Reinaldo Azevedo

PSDB governará quase 45% do PIB; em segundo lugar, vem o PMDB, com 22,4%

27/10/2014
às 2:33


Abaixo, fiz um levantamento da distribuição dos Estados segundo os partidos, mas usando, para hierarquizar o poder das respectivas legendas, o PIB que elas governarão, segundo os números de 2011, do IBGE. O PSDB continuará a governar quase 45% do Produto Interno Bruto: dos atuais 43,8%, passará para 44,4%. É claro que São Paulo faz toda a diferença: sozinho, representa 32,6% do Produto Interno Bruto brasileiro. O que falta para chegar a 44,4% vem de Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Pará. O partido governava cinco Estados e com cinco ficará.


Em segundo lugar no PIB vem o PMDB, com 22,4%, quase a metade do que terão os tucanos. O partido ficou com o maior número de unidades da Federação: ao todo, serão sete, o mesmo de agora: Rondônia, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Dos 22,4%, o Rio responde por 11,2%, e o Rio Grande do Sul, por 6,4%.


O partido que governará o terceiro maior PIB na soma dos Estados é o PT, com 16,1% — hoje em dia, 14,6%. É quase um terço do que terão os tucanos. Perdeu 6,4% do Rio Grande do Sul, mas ganhou os 9,3% de Minas e conseguiu manter os 3,9% da Bahia. Governava quatro estados e vai governar cinco: além de Minas e Bahia, também Acre, Piauí e Ceará.


O PSB governava quatro unidades da Federação e terá apenas três: Distrito Federal, Paraíba e Pernambuco, mas o seu PIB passou de 6% para 7,4%. Desse total, 4% pertencem ao Distrito Federal. Com Santa Catariana e Rio Grande do Norte, o PSD governará 5% do PIB — 4,1% são dos catarinenses. PDT e PCdoB não governavam estado nenhum. O primeiro conquistou o Mato Grosso e o Amapá (juntos, 1,9%), e o segundo, o Maranhão: 1,3%. O PROS tinha apenas o Amazonas, com 1,6%, e, a partir de 2015, terá também o Ceará, somando 3,7%.


O PP passou a governar Minas — 9,3% do PIB — com a renúncia do tucano Antonio Anastasia, que resolveu disputar o Senado. A partir do ano que vem, o Partido Progressista terá apenas 0,2% do PIB nacional, que corresponde a Roraima, único estado em que venceu. DEM e Solidariedade não governarão Estado nenhum. O primeiro ficará sem os dois que tem hoje — Rio Grande do Norte e Roraima —, e o outro, sem Tocantins.


O PT obteve nas urnas o quarto mandato consecutivo para a Presidência, mas não conseguiu, como deseja, quebrar a espinha tucana. Na verdade, o PSDB, por muito pouco, não lhe tira também a Presidência da República.


Vejam a lista:

PSDB – Governa hoje cinco estados e continuará com cinco.
A partir de 2015 – 5: São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Pará. 44,4% do PIB.
Em 2014 – 5: São Paulo, Paraná, Goiás, Alagoas e Pará. 43,8% do PIB


PMDB – Governa hoje sete estados e com sete continuará.
A partir de 2015 – 7: Rondônia, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. – 22,4 do PIB
Em 2014 – 7: Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia e Sergipe. – 17,3% do PIB


PT – Governa hoje quatro Estados e ficará com cinco.
A partir de 2015 – 5: Acre, Piauí, Ceará, Bahia e Minas. 16,1% do PIB
m 2014 – 4: Acre, Bahia, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. 14,6 do PIB


PSB – Governa hoje quatro estados e terá três.
A partir de 2015 – 3: Distrito Federal, Paraíba e Pernambuco. 7,4% do PIB
Em 2014 – 4: Amapá, Espírito Santo, Paraíba e Pernambuco. 6% do PIB


PSD – Governa um estado e passará a ter dois
A partir de 2015 – 2: Santa Catarina e Rio Grande do Norte. 5% do PIB
Em 2014 – 1: Santa Catarina. 4,1% do PIB


PDT – Não governa nenhum estado e passará a ter dois.
A partir de 2015 – 2: Mato Grosso e Amapá. 1,9% do PIB
Em 2014 – Nenhum – 0% do PIB


PROS – Governa hoje dois Estados e ficará com um.
A partir de 2015 – 1: Amazonas. 1,6% do PIB
Em 2014 – 2: Amazonas e Ceará. 3,7% do PIB


PCdoB – Não governa nenhum e terá um.
A partir de 2015 – 1: Maranhão. 1,3% do PIB
Em 2014 – Nenhum.0% do PIB


PP – Governa um estado e terá um.
Em 2014 – 1: Minas Gerais. 9,3% do PIB
A partir de 2015 – 1: Roraima – 0,2% do PIB


Democratas – Governa hoje dois estados e não terá nenhum.
A partir de 2015 – Nenhum – 0% do PIB
Em 2014 – 2: Rio Grande do Norte e Roraima. 1,1% do PIB


Solidariedade – Governa 1 estado e não terá nenhum.
A partir de 2015 – Nenhum. – 0% do PIB
Em 2014 – Tocantins – 0,4% do PIB


Por Reinaldo Azevedo

Guilherme Fiuza e o PT: jornalista não quer conciliação com quem o persegue. Que bom!

19/10/2014
às 11:33

Fiuza: sem conciliação com perseguidores
Guilherme Fiuza: sem conciliação com perseguidores
Em julho de 2013, o jornalista Guilherme Fiuza escreveu um texto intitulado “Lula privatizou a si mesmo”. O Ministério Púbico pedira, então, que a Polícia Federal abrisse um inquérito para investigar denúncia de Marcos Valério, segundo quem Lula — sim, o Babalorixá de Banânia — havia intermediado o repasse de R$ 7 milhões de uma empresa de telefonia portuguesa para o PT. A informação era pública, e Fiuza fez considerações a respeito. O partido decidiu processá-lo por danos morais, com pedido de indenização de R$ 60 mil.
Pois é…

Agora o PT pediu sabem o quê? Uma audiência de conciliação! Aconteceu depois que o advogado de Fiuza apresentou em juízo a lista negra elaborada pela legenda, da qual, como vocês sabem, faço parte. Segundo o senhor Alberto Cantalice, vice-presidente do partido, Fiuza integra a súcia de homens que fazem mal ao Brasil: além de nós dois, compõem o rol dos perigosos Diogo Mainardi, Augusto Nunes, Demétrio Magnoli, Marcelo Madureira, Arnaldo Jabor, Lobão e Danilo Gentili. Sabem como é… Somos pessoas más. As boas estavam reunidas na Petrobras, fazendo um Brasil melhor.

Pois é… Só que Fiuza quem não quer conciliação. Quer que o processo siga até o fim. Afinal havendo ainda juízes em Berlim e no Brasil, é ele quem está sendo molestado pelo PT, não o contrário. O texto que motivou a ação do partido integra o excelente livro “Não é a Mamãe”, publicado pela Editora Record.
*
Não é a Mamãe - livro
Lula privatizou a si mesmo
O Ministério Público pediu à Polícia Federal abertura de inquérito contra Lula. A base do pedido é a denúncia de Marcos Valério, que o acusa de ter intermediado um repasse de R$ 7 milhões de uma telefônica para o PT. Valério afirmou que foi a Portugal em 2005 para preparar essa operação.

O Ministério Público parece que bebe. Será possível que os procuradores ainda não entenderam? Lula não sabia. Tanto não sabia, que até outro dia afirmava, para quem quisesse ouvir, que o mensalão não existiu. A condenação de seus companheiros mensaleiros, aliás, deve ter sido um choque para ele. Se é que ele já sabe o que aconteceu no Supremo Tribunal Federal.

É uma injustiça essa suspeita de armação petista para sugar milhões de uma empresa privada de telefonia. Todos sabem que o PT prefere extorquir empresas públicas. Até porque as estatais são coisa nossa (deles). Com tanto trabalho para chegar ao poder e passar a ordenhar os cofres do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, do BNDES, por que Lula e sua turma perderiam tempo achacando uma telefônica portuguesa?

Ao receber a notícia sobre o inquérito contra Lula por suspeita de envolvimento com o valerioduto, José Dirceu reagiu imediatamente. E disparou o argumento fulminante: o mensalão não existiu. Se existe alguém com autoridade para afirmar isso, esse alguém é José Dirceu. Condenado a dez anos de prisão, ele sabe que essas coisas que não existem podem dar uma dor de cabeça danada. Se Lula não sabia de algo que não existiu, nada melhor do que ser defendido pelo lendário Dirceu, guerreiro do povo brasileiro – personagem que também não existe.

Enquanto o filho do Brasil espera esfriar a denúncia do pedágio colhido com a telefônica, recebe a solidariedade dos fiéis por seu trabalho com as empreiteiras. Sabe-se agora que Lula fez uma série de viagens internacionais bancadas por algumas grandes construtoras brasileiras. Ele explicou que isso foi um ato patriótico – foi ajudar empresas nacionais a fazer negócios no estrangeiro, para o bem do Brasil. Não restam mais dúvidas: a vida é bela. E é feita de gestos nobres como este: um ex-presidente aproveita seu tempo livre para fazer boas ações, ajudando empresários a ganhar dinheiro no exterior, porque país rico é país sem pobreza empresarial.

Aí surge um comovente coro de progressistas, éticos e crédulos para afiançar as turnês lulistas, gritando que Lula não fez nada demais. De acordo com a nova moral da república companheira, não fez mesmo. Qual o problema de o líder máximo do partido que governa o país desenvolver uma relação particular (ou patriótica) com grandes empreiteiras que têm o governo como cliente? Que mal haveria na ajuda de Lula a empresas decisivas no jogo político, com suas doações às campanhas eleitorais? Qual o problema de Lula ter viajado para a Venezuela para arrancar de Hugo Chávez US$ 1 bilhão, devido a uma dessas empreiteiras, que pagou a viagem de Lula? E se essa empresa for a mesma que realizará seu sonho de construir o estádio do seu clube de coração para a Copa do Mundo, fazendo a alegria de milhões de torcedores-eleitores fiéis?

Não tem problema nenhum. Esse é o Brasil moderno, onde as coisas acontecem às claras, inclusive o tráfico de influência. A não ser quando o ministro do Desenvolvimento declara secretos os documentos de financiamentos do BNDES a Cuba e Angola, para obras dessas mesmas construtoras amigas de Lula. Deve ser para a imprensa burguesa não meter o bedelho – sempre uma boa causa. Por acaso, o ministro do Desenvolvimento é Fernando Pimentel, amigo de Dilma que prestou consultorias milionárias à indústria de Minas Gerais. Como se sabe, essas consultorias nunca foram demonstradas. Devem ter sido também apenas um ato patriótico, nova definição para o velho ditado “uma mão lava a outra”.

Pelo visto, a mão que nenhuma outra lavou no final das contas foi a do companheiro Valério – logo ele, que lavou tanto para tanta gente. Agora, o operador do mensalão que não existiu quer mostrar a mão grande do chefe. Será mais um susto. Ele não sabia.


Por Reinaldo Azevedo

domingo, 26 de outubro de 2014

O Brasil perdeu.


Blog do Coroneldomingo, 26 de outubro de 2014

O Brasil perdeu.

Basta olhar o mapa das eleições. O Brasil perdeu. O Brasil escravizado pela Bolsa Família, que é a eternização da miséria. O Brasil perdeu. Perdeu para a sordidez, a calúnia, a mentira, a injúria. O Brasil perdeu. Perdeu para a corrupção e a roubalheira do dinheiro público. Há muito a lamentar. Mas o Brasil é este país assim. Vamos continuar na oposição, mas, por favor, a partir de agora uma oposição de verdade, sem negociação. É o que tenho a dizer, além de cumprimentar Aécio Neves, que foi um grande candidato. Um verdadeiro herói. Amanhã é outro dia. Estaremos aqui ao lado de vocês. Como sempre. Um abraço e viva o Brasil. Mesmo esse Brasil. 
 

Youssef foi envenenado?A morte do prefeito Celso Daniel, de Santo André, responsável pela coordenação da campanha de Lula, nunca foi esclarecida.

PF nega envenenamento do doleiro que acusa Lula e Dilma de saberem de tudo sobre a roubalheira na Petrobras.

A Polícia Federal divulgou nota na noite desde sábado na qual diz que são "infundadas as informações de possível envenenamento" do doleiro Alberto Youssef, delator do esquema de corrupção na Petrobrás. Ele passou mal na manhã de sábado e foi transferido da superintendência da PF no Paraná, onde esta preso, para a UTI do hospital Santa Cruz em Curitiba, Paraná. 
Na nota, a PF informa que o doleiro teve uma "forte queda de pressão arterial causada por uso de medicação no tratamento de doença cardíaca crônica". Esta é a terceira vez que ele necessita de atendimento médico de urgência após sua prisão pela Operação Lava Jato. 
Essa última internação ocorre depois de a revista Veja revelar que o doleiro acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff de terem conhecimento do esquema que desviou R$ 10 bilhões da Petrobrás. 

JOEDSON ALVES/Estadão
Youssef está preso acusado de envolvimento em lavagem de dinheiro descoberto nas investigações da Operação Lava Jato

O Estado teve acesso a documento que seria o boletim médico da internação de Youssef no início da tarde de sábado. O documento informa que o paciente, de 47 anos, foi encaminhado ao hospital após apresentar "episódio de síncope ao descer do beliche onde estava deitado, evento precedido de tonturas e turvação visual." No boletim não há menção ao termo envenenamento. Esta escrito: "sincope à esclarecer; hipertensão arterial, arritmia cardíaca? e DAC com IAM prévio de parede anterior e presença detrombo fixo VE."
O Estado não conseguiu contato com o advogado de Youssef. O jornal apurou que a nota da PF foi redigida a pedido do Ministério da Justiça para estancar boatos de que a causa seria envenenamento. Segundo a nota, Youssef "permanecerá hospitalizado para a adequação da medicação e retornará a carceragem após seu pleno restabelecimento."

Sensus fecha última pesquisa: Aécio 52,1% x Dilma 47,9%



Será que dá?

Na última pesquisa, Sensus (a exemplo do MDA) aponta virada de Aécio
Publicado: 25 de outubro de 2014 às 19:51 - Atualizado às 21:25

dilma aecio debate record by divulgacaoO Instituto Sensus realizou a última pesquisa de intenção de votos para presidente, fechada há pouco, indicando liderança do candidato do PSDB, Aécio Neves, com 52,1% dos votos válidos. A sua oponente Dilma Rousseff (PT), segundo o Sensus, soma 47,9% dos votos válidos. Contratado pela revista IstoÉ, o levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob nº 01193/2014.


Ao contrário de todos os demais institutos de pesquisa do País, como Datafolha, MDA e Ibope, que apontavam para Marina Silva (PSB) disputando o segundo turno com a candidata do PT, o Sensus foi o único a captar o crescimento de Aécio, na reta final, sobretudo após o debate da Rede Globo, indicando que ele estaria no segundo turno, como de fato aconteceu.


Computando-se todas as intenções de voto, inclusive brancos e nulos, Aécio tem 45,7%, contra 42% de Dilma. Indecisos, brancos e nulos somam 12,4%. As entrevistas foram realizadas nesta sexta-feira (24) e hoje, e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais e para menos.


O levantamento do Sensus confirma outra pesquisa, divulgada mais cedo pela CNT/MDA, segundo a qual Aécio Neves passou à frente da candidata petista. Ele agora somaria 50,3% das intenções de votos válidos contra 49,7% de Dilma. Na última pesquisa CNT/MDA, divulgada no dia 20 de outubro, Dilma aparecia com 50,5% dos votos válidos, contra 49,5% de Aécio.


A intenção de votos espontânea mostra os candidatos empatados tecnicamente. Aécio tem 44,4% dos votos e Dilma, 43,3%. Na pesquisa estimulada os números vão a 45,3% para o tucano e 44,7% para a candidata à reeleição.

Governo injetou, só em 2014, mais de R$ 17, bilhões “na veia” do eleitor


Em 2014
Bolsa Família distribui R$ 17,7 bilhões em 2014

Publicado: 26 de outubro de 2014 às 0:37

Bolsa familia 2
Durante a campanha, governo gastou em média R$ 2,5 bilhões/mês

O governo Dilma distribuiu neste ano eleitoral, até setembro, quase R$ 18 bilhões a beneficiários do Bolsa Família, segundo dados do Portal Transparência. 

Em três meses foram injetados “na veia” dos assistidos R$ 2,5 bilhões ao mês, em média. A Bahia, onde o PT obteve sua mais importante vitória no 1º turno, é o estado que mais recebeu verbas do programa: R$ 2,28 bilhões. São Paulo, o maior do País, R$ 1,5 bilhão.

No último ano do governo Lula, o ex-presidente distribuiu R$ 14,3 bilhões com o Bolsa Família, bem menos que Dilma.

Desde que assumiu a Presidência em 2011, os valores gastos com a Bolsa Família cresceram em média 17% ao ano. Em bilhões, claro.

Em 2013, o governo distribuiu um total de R$ 24,9 bilhões. Se o ritmo deste ano continuar, o total de 2014 deve passar dos R$ 27 bilhões. Leia na Coluna Cláudio Humberto.




  • José Benedito Tintori ·
    Assim se dá a cooptação do povão. Culpa-se a elite, passa-se advesários no processador, desvia-se dinheiro público a rodo. São escândalos em cima de escândalos e o povo brasileiro fica hipnotizado. De tanto ver mal feitos, perdeu a capacidade de se indignar. Os companheiros adotam, para os outro,s o mandamento chavista: "SER RICO ÈS MALO" e em lugar não muito longe daqui... a nova elite socialista se delicia com os prazeres do capitalismo, mantendo, inclusive suas "continhas" nos paraísos fiscais. É semelhante à tática da Roma antiga: PÃO E CIRCO. Não é criado programa para capacitar esses benefiários para ganhar seu próprio sustento. Esse volume de gente será sempre crescente. É uma bola de neve cuja única finalidade será a perpetuação do PT no poder.

  • Claudio Roberto Costa · 
    Olha as proposta dos candidatos mentirosos para governador, bolsa universitário, Bolsa floresta, bolsa prostituta, bolsa vagabundo, bolsa coçar saco, este país não existe.

  • Francisco Machado · 
    É assim que eles querem ganhar: comprando votos!
    Mas, apesar de tudo e de todos, Deus está no comando. Creia nisso.

  • Irineu De Liberali ·
    Eita boa vida ! Para poucos trabalharem e muitos viverem de papo para o ar!

Um voto pela reconciliação nacional - EDITORIAL O ESTADÃO

domingo, outubro 26, 2014



O ESTADO DE S.PAULO - 26/10

A responsabilidade que a eleição presidencial de hoje coloca sobre os ombros dos cidadãos brasileiros se estende para muito além dos quatro anos do novo mandato do chefe de governo. Ao cabo de 12 anos do PT no poder e de uma campanha eleitoral em que predominou o mais inescrupuloso marketing em prejuízo do embate de ideias, o Brasil se acha dividido. Por enquanto, apenas em termos eleitorais.

Mas o terreno está ameaçadoramente preparado para fazer germinar a cizânia social. Mais quatro anos de PT podem significar a transformação da cada vez mais aguda hostilidade da polarização "nós" versus "eles" num conflito social escancarado cuja primeira vítima será a democracia.

Essa perspectiva assustadora será a consequência natural da política de deliberada divisão da Nação sobre a qual o lulopetismo tenta consolidar seu projeto de poder. O PT, criado há 35 anos com a generosa ideia de promover o fim das injustiças sociais, perdeu-se ao longo da jornada. Seus melhores quadros, plenos de idealismo político, abandonaram a legenda ou foram dela descartados ao sabor das conveniências dos donos do partido.

O PT transformou-se numa enorme máquina que, para permanecer no poder, se aliou àqueles que antes combatia ferozmente como inimigos do povo. E, nessa linha, não tem o menor escrúpulo de focar sua ação, tanto na vida partidária como no exercício do poder, tão somente naquilo que rende votos. O discurso petista, do qual Lula é o principal mentor e melhor exemplo, tem três matrizes: dizer exclusivamente o que as pessoas desejam ouvir; quando na defensiva, assumir o papel de vítima; e, na ofensiva, tratar os adversários como inimigos a serem destruídos.

Em sua defesa, o PT não pode nem mais alegar que a mudança de rota em relação ao curso originalmente traçado ocorreu por imposição das circunstâncias e da necessidade de garantir com pragmatismo a governabilidade em benefício dos despossuídos. A tal história dos fins que justificam os meios.

Esse argumento desmorona quando todos os indicadores sociais e econômicos revelam que os últimos quatro anos de governo petista, sob o comando de Dilma Rousseff, significaram retrocesso. O Brasil está hoje muito pior do que quando a atual candidata à reeleição assumiu o poder.

Nessas circunstâncias, manipular importantes realizações petistas dos últimos 12 anos - pois é claro que existem, principalmente na área social - como se fossem obras do incompetente governo Dilma é um dos embustes a que o marketing eleitoral companheiro recorreu durante a atual campanha. Mas a peça de resistência da campanha eleitoral petista é aquela estocada no departamento dos recursos escusos. Primeiro, a tentativa - que contra Marina Silva deu certo no primeiro turno - de destruir a imagem do adversário com ataques infames e mentirosos. A tática foi insistentemente repetida agora contra Aécio Neves.

O mais infame da campanha lulopetista, no entanto, é o discurso em que os dirigentes do partido, imitando Lula, se especializaram: a instigação do conflito social, colocando "nós" contra "eles", e situando o PT como o último bastião de resistência do povo oprimido contra a ambição desmedida e a insensibilidade das "elites".

Qual o sentido de Lula declarar, desnudando sua natureza, que ao "agredir as mulheres" nos debates eleitorais Aécio Neves demonstrou que é capaz também de "pisar nos pobres"? Ou ao classificar o candidato tucano de "filhinho de papai"? E de equiparar seus adversários eleitorais a nazistas? É assim que se dissemina o ódio entre pessoas que deveriam, civilizadamente, apenas expor firmemente suas divergências programáticas com adversários políticos.

Quando a divergência se transforma em ódio, o caminho está aberto para o agravamento de tensões sociais e elas podem se tornar explosivas.

Hoje, cada brasileiro tem a oportunidade de conter essa ameaça, votando no candidato que se propõe - e está credenciado para a tarefa - a reconciliar o Brasil consigo mesmo: Aécio Neves.


 

Um voto pelo Brasil - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR



domingo, outubro 26, 2014

Um voto pelo Brasil - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 26/10


Reconstruir pontes derrubadas por um discurso de animosidade, recuperar uma economia cambaleante e fortalecer as instituições são prioridades de quem vencer hoje



Neste domingo, os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) disputam o voto de dezenas de milhões de brasileiros no segundo turno da eleição presidencial. A campanha girou em torno de avaliações de desempenho – Dilma disputa a reeleição, e seu partido ocupa o Planalto há 12 anos; o PSDB esteve na Presidência entre 1995 e 2001, e Aécio foi governador de Minas Gerais – e teve lá seus pontos baixos, como o terrorismo eleitoral petista, que mereceu resposta enérgica do tucano, recebida com vitimismo de gênero. Mas hoje queremos propor aos eleitores três pontos que, acreditamos, todo brasileiro concordará que são parte de um plano para que o Brasil seja um país melhor nos próximos anos.

Quem ocupar o Palácio do Planalto entre 2015 e 2018 precisa ter plena consciência de que está governando para todos os brasileiros. Esta campanha presidencial mostrou que o país está altamente polarizado, e de uma maneira prejudicial à busca do bem comum. O brasileiro, tradicionalmente tolerante e cordial, mostrou grandes doses de uma incomum agressividade ao longo destes meses, seja em defesa de seu candidato, seja contra o adversário (e seus eleitores). Mas tal situação não surge do nada: ela foi sendo cultivada ao longo de anos de discurso de “nós contra eles” – discurso esse cultivado especialmente pelo partido que está no poder desde 2002 –, criando diversas clivagens na sociedade brasileira: brancos e negros, homens e mulheres, ricos e pobres, empresários e assalariados, homossexuais e heterossexuais, locais e imigrantes, nordestinos e sulistas... bem sabemos que algumas dessas categorias são importantes na criação da identidade pessoal ou de grupo. Mas o problema começa quando se coloca na cabeça de determinada categoria que seu “antagonista” é um inimigo que só quer destruí-lo e humilhá-lo. Cortam-se, assim, as pontes que permitiriam um trabalho conjunto por um país melhor. Reconstruí-las é obrigação do vencedor de hoje.

Outro compromisso do presidente da República precisa ser o de fortalecer as instituições e as liberdades democráticas. Aqui, falamos especialmente da independência entre os poderes e das liberdades de expressão, de associação e de imprensa. Temos exemplos muito próximos de países que ou já vivem em ditaduras ou se encaminham para tal, e todos têm aspectos em comum: Legislativos e Judiciários subservientes ao Executivo, imprensa sufocada e hostilizada pelo governo, a introdução cada vez mais frequente de novos “crimes de opinião”, que vão da crítica pura e simples ao governo até a divulgação de estatísticas independentes de inflação. Essas tentações seguem presentes no Brasil, que mal saiu de um regime autoritário e tem uma democracia ainda jovem, chegando aos 30 anos.

A economia deve ser outra preocupação prioritária de quem for eleito neste domingo, especialmente no que diz respeito à inflação, ao crescimento e ao emprego. O IPCA acumulado em 12 meses já está acima do teto da meta do Banco Central, e isso sem considerar aumentos de preços controlados pelo governo, que terão de vir mais cedo ou mais tarde. A inflação corrói especialmente os rendimentos dos mais pobres, que não veem seu dinheiro sobrar no fim do mês e não têm como se defender da desvalorização da moeda por meio de investimentos. O crescimento do PIB em 2014 muito provavelmente ficará abaixo de 1%, e situações como as prolongadas suspensões de contratos de trabalho nas montadoras mostram que já não é mais possível seguir insistindo na estratégia do aumento do PIB por meio do consumo. É preciso buscar outras alternativas, especialmente com o estímulo à poupança e ao investimento.

Que neste domingo os eleitores possam refletir com serenidade e escolher o candidato que, na sua avaliação, é o mais capaz de cumprir essas tarefas – a de reconstruir pontes derrubadas por um discurso violento de animosidade social, a de recuperar uma economia cambaleante e a de fortalecer nossas instituições e liberdades democráticas.


A tragédia petista - ZANDER NAVARRO

domingo, outubro 26, 2014

O ESTADO DE S.PAULO - 26/10


Peço licença, inicialmente, para um breve relato pessoal. Nos anos 1980 contribuí mensalmente com parte do meu salário para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os depósitos duraram de dois a três anos, quando a campanha foi encerrada, por falta de adesão. Com sacrifício, cheguei a oferecer até 10% do meu ganho e ainda guardo os recibos. Por que fiz isso? Naqueles anos, saindo do ciclo militar e ansioso pela democracia, ingenuamente entendi ser o MST uma força que renovaria a oligárquica política rural. Como os seus militantes passaram a ameaçar as famílias em assentamentos, o sonho desmoronou e retornei à vida universitária.

Na época, quase todos nós apoiávamos o PT, mesmo não sendo filiados. Imaginávamos que o partido também forçaria transformações em alguma direção positiva. Ou a reforma social ou, ao menos, a democratização da sociedade. Vivíamos então um período febril de debates plurais e de experiências práticas. Lembram-se do "modo petista de governar"? Era simbolizado pelo orçamento participativo, que prometia a livre participação dos cidadãos em decisões públicas sobre os orçamentos municipais. Na campanha de 2002, contudo, o candidato petista mal falou do assunto e, no poder, o tema se esfumaçou.

O assombroso escândalo da Petrobrás, que nos deixa estupefatos, é apenas o efeito inevitável da história do Partido dos Trabalhadores. A causa original é um mecanismo que o diferencia das demais agremiações partidárias. Trata-se de um processo de mobilidade social ascendente, inédito em sua magnitude. Movimento que poderia ser virtuoso, se aberto a todos, pois seria a consequência do desenvolvimento social. Mas, na prática, vem sendo uma odiosa discriminação, pois é processo atado à filiação partidária.

O núcleo pioneiro do PT recrutou segmentos das classes baixas e mais pobres, mobilizados pelo campo sindical, pelos setores radicalizados das classes médias, incluindo parte da intelectualidade, e pela esquerda católica, ampliando nacionalmente o grupo petista inicial. À medida que o partido, já nos anos 90, foi conquistando nacos do aparato estatal, vieram os cargos para os militantes e, assim, a chance arrebatadora de ascender às vias do dinheiro, do poder, das influências e do mando pessoal. Esse foi o degenerativo fogo fundador que deu origem a tudo o que aconteceu posteriormente.

Inebriados, cada vez mais, pelo irresistível prazer do novo mundo aberto a essas camadas, até mesmo impensáveis formas de consumo, todos os sonhos fundacionais de mudança foram sendo estilhaçados ao longo do caminho, incluídos a razoabilidade e os limites éticos. O PT gerou dentro de si uma incontrolável ânsia de mobilidade, uma voragem autodestruidora inspirada na monstruosa desigualdade que sempre nos caracterizou. Conquistado o Planalto, não houve nem revolução nem reforma e o fato serviu, particularmente, para saciar a fome histórica dos que vieram de baixo.

Instalou-se, em consequência, o arrivismo e a selva do vale-tudo: foi morrendo o padrão Suplicy e entrou o modelo Delúbio-Erenice. Logo a seguir, ante a inépcia da ação governamental, também foi necessário impor a mentira como forma de governo. Por fim, o PT mudou de cabeça para baixo o seu próprio financiamento. Abandonou o apoio miúdo e generoso dos milhões que o sustentaram na primeira metade de sua história, pois se tornara mais cômodo usar o atacado para ancorar-se no poder. Primeiro, o mensalão e, agora, os cofres da Petrobrás.

Nessa espiral doentia de mudanças, a partir de meados dos anos 1990 o partido enterrou o seu passado. Sua capacidade de reflexão, por exemplo, deixou de existir e o imediatismo passou a prevalecer. Assim, um projeto de nação ou uma estratégia de futuro não interessavam mais. O pragmatismo tornou-se a máxima dessa nova elite e sob esse caminho o subgrupo sindical e seus militantes vêm pilhando o que for possível dentro do Estado. Examinados tantos escândalos, invariavelmente a maioria veio do campo sindical. E foi assim porque da tríade original dos anos 80, a classe média radicalizada e os religiosos abandonaram o partido. Deixaram de reconhecê-lo como o vetor que faria a reforma, sobretudo moral, da política brasileira.

Entrando neste século, o PT não tinha nada mais para oferecer de distintivo em relação aos demais partidos. A aliança com o PMDB ou Lula abraçando Maluf foram decorrências naturais. Também por tudo isso, o campo petista reivindicar o monopólio da virtude é o mesmo que fazer de idiotas todos os cidadãos. No primeiro turno, a fúria das urnas demonstrou a reação indignada dos eleitores à falsidade.

O que vemos atualmente é a soma dessa descrição com as nossas incapacidades políticas de construção democrática em favor do bem comum. O PT é hoje uma neo-Arena que promove, sobretudo, o clientelismo nos grotões. Não aqueles definidos geograficamente, mas os existentes nos interstícios sociais, confundindo as pessoas por meio da mentira, do bolsismo e das mistificações de toda ordem. É uma trajetória vergonhosa para um partido que prometeu a lisura republicana, o aprofundamento democrático, a reforma de nossas muitas iniquidades e, especialmente, prometeu corrigir a principal deformação de nossa História, que é um padrão de desigualdade que nos infelicita desde sempre. É ação que igualmente vem abastardando o Estado, atualmente tornado disfuncional e semiparalisado em inúmeros setores.

Por todas essas razões, incluindo o benéfico aperfeiçoamento que, fora do poder, sofrerá o próprio PT, é preciso mudar. E com urgência, pois o Brasil se esfarinhará sob outros quatro anos dessa gigantesca manipulação política, o desprezo pela democracia, o primado da lealdade partidária sobre a meritocracia e a fulgurante incompetência técnico-administrativa do campo petista no poder.

SOCIÓLOGO, É PROFESSOR APOSENTADO DA UFRGS (PORTO ALEGRE) EMAIL: Z.NAVARRO@UOL.COM.BR