
Alguns não gostaram do termo “lepra política”. Eu não criei esse
termo, que já era usado por Horowitz desde seus escritos iniciais
focados em estratégia política para os republicanos.
Essencialmente, uma lepra política é um comportamento ou discurso que
só serve a um único fim: tirar sua capacidade de obter qualquer
resultado político e ainda por cima dar munição ao seu oponente. É um
título de capitalização onde você só perde e ele só ganha.
Lepra política não existe apenas os republicanos, como também para os
bolivarianos. Por exemplo, os petistas expurgaram gente como Heloísa
Helena apenas para se livrar de discursos classificados como lepra
política.
Não podemos também desconsiderar o
zeitgeist (espírito do
tempo). Algo que é uma lepra política hoje pode não ser amanhã. Por
exemplo, eu já defendi o estado mínimo.
Hoje, ao menos temporariamente,
eu não vejo que esse é o assunto sob discussão. Reconheço que este tipo
de discurso, já adotado por mim, também é uma lepra política. Portanto,
não se ofendam com o termo. Identifiquem apenas se é fácil marginar um
discurso seu hoje em dia, ou se ele é viável como proposta política. (Eu
não estou dizendo para você abandonar seus ideais, mas pensar em
propostas políticas e ações políticas mais viáveis de acordo com nosso
cenário, ou o
zeitgeist)
Veja o vídeo abaixo, feito pelo Estadão. Uma verdadeira peça de ataque à todas as manifestações contra o PT.
Vamos ver os discursos principais que configuram as lepras políticas neste caso:
- “Trabalho e não quero sustentar vagabundo”
- “Queremos o exército”
- “Cuidado com a ideologia comunista”
- “Devemos separar São Paulo do resto do país”
- “Não devemos aceitar nortistas e nordestinos”
Em relação ao item 1, o que estas pessoas querem dizer é que todos
recebedores de assistencialismo não devem votar no candidato dele.
Simples assim. E ainda é fácil para um oponente posicioná-lo como
mesquinho, despreocupado com os desafortunados.
Em relação ao item 2, já falei suficientemente do assunto. Não
preciso me estender no momento, mas fica claro que ele promove o símbolo
pelo qual seu oponente (o PT, acredite) é a “democracia, a ser esmagada
por uma ação ditatorial”. Gênios!
No item 3, há uma certa polêmica, já que comunismo não existe. O que
existe é socialismo. Popularmente, o regime russo foi chamado de
comunismo, por ser 100% totalitário, com base na força militar. Por isso
mesmo, quando hoje em dia alguém diz que o PT quer “o comunismo”, o
oponente usará o símbolo da Rússia e irá tachá-lo de “paranóico” e “fora
da realidade”. Ele não poderá fazer isso diante do termo
bolivarianismo.
O item 4 não apenas expande o item 1 (desapego com outros estados
menos favorecidos economicamente), como também levanta a ameaça de
guerra civil, o que assusta muita gente. Lembre-se que os símbolos da
guerra política são medo e esperança. É claro que as pessoas vão temer
os separatistas.
O item 5 também segue no desprezo pelos oprimidos, além de ser um
discurso extremamente ofensivo e preconceituoso. Já não basta Dilma ter
ganho com larga vantagem no Nordeste, parece aqui que ele queria que
fosse 100% no mínimo. Que serviço!
Para piorar, jornalistas mal intencionados vão naturalmente pegar
esses discursos para expor como a representação da manifestação. Daí não
surpreende que o PSDB tente fugir de se associar às manifestações,
pois, como sabemos, a “lepra” é contagiosa.
O detalhe é que chegamos a um momento onde pode não ser possível
evitar que essas pessoas participem. As duas manifestações parecem que
vão se unificar. E, então, ser tornará inevitável a participação de
pessoas com esses discursos.
O que pode ser feito para mitigar esse problema?
A primeira sugestão é deixar claro, com linguagem afirmativa, a posição da organização da manifestação:
- A manifestação é para desempregados e empregados, é para pobres e ricos, é para quem recebe Bolsa Família e não recebe.
- A manifestação é exclusivamente democrática, portanto não queremos bolivarianismo nem militarismo.
- A manifestação foca no mal maior: o bolivarianismo. Essa é a
verdadeira ameaça. Esqueçam o discurso de “comunismo”. O bolivarianismo é
muito mais perigoso, pois é muito mais dissimulado que aquele
“comunismo” russo. Se vocês não conhecem seu inimigo, não lutarão contra
ele. O inimigo é um só.
- A manifestação é para todos os brasileiros, de todos os estados. Não
é para paulistas, pernambucanos, cariocas ou cearenses. É para todos.
Quem se interessa em nos dividir é o inimigo. Não caiam nesse jogo!
- A manifestação rejeita o discurso de ódio do PT feito para dividir
nordestinos e paulistas. Quem tentar usar esse tipo de divisão aqui será
considerado ingênuo, mal intencionado ou infiltrado!
Em seguida, é importante transmitir esse tipo de vídeo na
manifestação, para deixar claro que os desviantes (de acordo com os
cinco exemplos acima) podem em alguns casos até serem pessoas bem
intencionadas, mas não passam de vítimas nas mãos de jornalistas do PT,
extremamente dissimulados e mal intencionados. (Recomendo apenas cortar
os discursos de negação do bolivarianismo, que já foram refutados
aqui e
aqui)
Volto a citar o excelente vídeo do discurso de Cyrus, do filme Warriors (de 1979):
Ali a coisa fala da unificação de pessoas de objetivos diferentes (e o
filme é sobre gangues de rua). E deixo claro que a questão aqui não
envolve violência, como no filme, mas alinhamento de objetivos.
O que significa é que a manifestação é a unificação de ricos e
pobres, de paulistas e nordestinos, de sulistas e nortistas, de
beneficiários do Bolsa Família e pessoas que não precisam, de homens e
mulheres, de heterossexuais e homossexuais. E daí por diante.
A união é que faz a força, e não o discurso divisionista. Isso deve
se tornar uma bandeira. A rejeição ao totalitarismo bolivariano do PT
compreende a todos os cidadãos bem intencionados e que já conheçam as
regras do jogo bolivariano.
Aquilo que citei como exemplo de lepra política, no fim, não passa de
um comportamento que só serve para nos dividir e ajudar unicamente o
PT.
A coisa pode ser explicada dessa forma:
Aos poucos que ainda manifestam discursos como raiva de
nordestinos, pedido por separatismo, gritos por intervenção militar e
raiva de quem recebe Bolsa Família, será que vocês não conseguem parar
com isso?
Será que não percebem que juntos somos muito mais fortes? Será
que vocês não conseguem largar uma sensação de liberação de endorfina,
que só dura alguns minutos, em prol de um objetivo maior que é a
liberação do Brasil do jugo do Foro de São Paulo?
Será que vocês não
conseguem parar de falar essas coisas para jornalistas mal intencionados
do PT que estão aqui para destruir toda nossa manifestação? É tão
difícil entender que quanto mais desunidos, melhor é para eles? As
pessoas que recebem Bolsa Família são vítimas de um país que não gera
empregos.
Não são inimigos. As pessoas que não conseguem seu sustento
são vítimas de um governo que afugenta investidores. Alguns estados são
muito pobres por causa do coronelismo, que hoje é representado pelo PT.
Eles são vítimas que precisam ser ajudadas por nós. Voltem para o tempo
da segunda guerra: vocês como os aliados, norte-americanos ou franceses,
pobres e ricos, empregados e desempregados, etc.
Mas todos focados em
derrubar Hitler. É a mesma coisa. Briguinhas internas e discursos
separatistas, elitistas, só serve para ajudar o PT. É por isso que somos
contra discursos como militarismo, separatismo, desprezo pelos pobres e
coisas do tipo. Vocês conseguem entender isso?
Por fim, deve ser criada uma conscientização de que os desviantes,
que não aceitarem as regras, ao menos devem assumir uma obrigação moral
de se comportarem em prol de um objetivo comum.
A partir daí, e com a
criação dessa conscientização, devemos buscar criar mecanismos de
proteção da manifestação como um todo, criando cartilhas para proteger
as pessoas de caírem no jogo do oponente. E marginalizando pessoas que
tenham falado para jornalistas, dando munição a eles.
Recomendo também a leitura do ótimo blog
Cartilha Anti-Tirania, do amigo Rodrigo Carmo, que dá ótimas dicas de como organizar manifestações. Sigo também sugerindo os
7 itens de uma agenda republicana para destruir o projeto de ditadura perfeita do PT.
Lembrem-se: o inimigo é um só. Existem prioridades. E um objetivo
único. O objetivo não é o impeachment, que deve surgir apenas quando
surgirem evidências do Youssef, por exemplo. O objetivo não é reverter o
resultado das urnas (embora seja útil propor que para as próximas
eleições não tenhamos mais urnas eletrônicas, principalmente pela nossa
falta de confiança neste processo). O objetivo não é propor
libertarianismo, liberalismo, conservadorismo ou mesmo coisas do tipo. O
objetivo é derrubar os projetos que sustentam uma ditadura bolivariana.
Sem a censura de mídia, sem os coletivos não-eleitos, sem todas os
policiais respondendo para Dilma, sem a Assembléia Constituinte, sem
tanta facilidade para aparelhar o estado (por que nosso poder de
denúncia sobre o aparelhamento aumentou), sem tanta facilidade para
saquear o estado e sem tanta tranquilidade para usar as alianças com os
países do Foro de São Paulo, o governo petista naturalmente sucumbirá.