segunda-feira, 11 de abril de 2016

Super emocionante!Cisne usa o pescoço para abraçar o homem que salvou sua vida

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Cisnes não são particularmente animais afetuosos ou gentis. Eles são territoriais e podem ser muito intimidantes. É por isso que é tão chocante ver um cisne ferido abraçando Richard Wiese, o apresentador do programa de televisão “Born to Explore”.
Alguns anos atrás, Wiese foi visitar uma colônia de cisnes quando ele se deparou com o cisne que tinha sido ferido após voar em uma cerca de arame. Wiese ajudou a segurar e a examinar o pássaro
“Quando eu o colocava perto de mim eu podia sentir seu coração batendo e ele relaxou seu pescoço e o envolveu em torno do meu”, disse Wiese. “É um momento maravilhoso quando um animal confia totalmente em você.”
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Fonte: Mistérios do Mundo

Prazo para projetos no Cerrado termina dia 25


Sexta, 08 Abril 2016 15:30


Paulo de Araújo/MMA 
 
 
Indígenas: edital contempla comunidades
Serão destinados até R$ 4 milhões para as iniciativas de entidades representativas dos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.  

LUCAS TOLENTINO
Termina, em 25 de abril, o prazo para inscrição de projetos que evitem o desmatamento e a degradação do bioma e que promovam a proteção, a conservação dos recursos naturais e a inclusão social. Destinado aos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais do Cerrado, o edital disponibilizará até R$ 4 milhões para financiar essas iniciativas.


A chamada integra o Mecanismo de Doação Dedicado a Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais do Brasil (DGM Brasil) e o DGM Global. Tem por objetivo fortalecer a participação desses povos e comunidades na discussão sobre mecanismo Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD+) e ampliar a conservação, o manejo e os estoques de carbono florestal em nível local, nacional e global.


Essa estratégia faz parte do Programa de Investimento Florestal (FIP), que compõe o Fundo Estratégico do Clima (Strategic Climate Fund – SCF), iniciativa global em execução no Brasil e em outros sete países.


BENEFICIADOS
Podem participar as organizações representativas dos povos indígenas, comunidades quilombolas e comunidades tradicionais, inseridas total ou parcialmente no Cerrado ou ainda Organizações Não Governamentais (ONG) de assessoria a esses povos.

O objetivo é potencializar a participação dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais na promoção do uso sustentável das suas terras, além de restaurar os ecossistemas, para redução da pressão sobre os recursos naturais e redução dos efeitos das mudanças climáticas. A iniciativa pretende, ainda, beneficiá-los por meio de ações demandadas por eles, fortalecer as organizações representativas e qualificar as políticas de conservação florestal.


COMO PARTICIPAR DO EDITAL
Para se inscrever, o proponente deve preencher formulário de acordo com o tipo de projeto: gestão de recursos naturais (até R$ 195 mil), produtivos orientados para o mercado (até R$ 156 mil) e de resposta a ameaças imediatas (até R$ 78 mil). Ao todo, são 13 linhas temáticas prioritárias. Entre elas, estão o cultivo de espécies florestais, manejo de vegetação nativa, apoio às comunidades agroextrativistas, gestão territorial e ambiental e fomento a inovações de tecnologias sociais de adaptação às mudanças climáticas.


A inscrição é gratuita e deve ser enviada por correio com postagem até 25 de abril. São exigidas cópias simples dos seguintes documentos: Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), estatuto social, ata de constituição e ata de posse da atual diretoria da organização e carta de anuência das comunidades beneficiárias no caso de propostas feitas por entidades de apoio. Também são necessárias cópias simples do Cadastro de Pessoa Física (CPF) e carteira de identidade do responsável legal do projeto.

SERVIÇO
Edital com linha de apoio para o fortalecimento dos povos tradicionais do Cerrado
Inscrições até 25 de abril.
Informações: www.dgmbrasil.org.br
Proposta e documentação devem ser encaminhadas para Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas - CAA/NM - Rua Doutor Veloso, 151, Centro, Montes Claros (MG) CEP: 39400-074.


Edição: Alethea Muniz
Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA): (61) 2028-1165

O Rio de Sangue que sai do Cerrado

Por Everton Miranda
 Restos de luz na noite do Cerrado. Foto: Luiz Navarro
Restos de luz na noite do Cerrado. Foto: Luiz Navarro


Dia bom. Cerrado, céu azul. Recém acordado, abro a janela para ver a música do mundo. Aqui há sempre passarinhos cantando, todos, muitos, tantos, um bom ornitólogo poderia dizer um por um. Eu só ouço e acho tudo muito musical. Levanto, me alimento frugalmente, vou cuidar das coisas. Cartões de memória, pilhas, todos às dezenas, centenas, para suprir as armadilhas fotográficas.


Estou em um programa de estágio, num dos mais importantes parques de cerrado do Brasil. Serviços braçais simples, cuidar de câmeras, muita técnica e pouca biologia, mas não enjoa por que é tudo novo e eu trabalho com uma vista fenomenal para o parque.


É tudo muito plano, então, uns dez metros acima da chapada já me mostram um bom pedaço desse mundão que é o Cerrado. Volta e meia passam uns bichos para me distrair, araras, curicacas, tucanos e periquitos no céu o tempo todo, emas passeiam pela frente do alojamento. Toda noite um cachorro do mato circula aqui, e a distância pode-se ver os veados campeiros. Na chegada, duas cotias cruzaram a frente do carro, lindas. Vim para cá lendo um artigo do George Schaller que comparava o parque ao famoso Serengueti. Se você não entende o que isso significa para um estudante de biologia, imagine que eu sou um nerd, Tolkien é correspondente de guerra,e eu estou indo a Mordor para ajudar a destruir um Anel.


Serengueti não é aqui
"...descubro que o parque está morrendo. Caça, envenenamento e atropelamentos se intensificaram à medida que a ocupação do entorno tornou-se consolidada"
Mas os tempos aqui não são os mesmos. Chegando lá, descubro que não cabem mais as comparações com o Serengueti. Conversando descubro que o parque está morrendo.


Caça, envenenamento e atropelamentos se intensificaram à medida que a ocupação do entorno tornou-se consolidada, e hoje o parque é uma sombra do que foi. Biólogos contam que num trecho percorrido regularmente onde antes observava-se cerca de quarenta veados-campeiros, hoje ele veem quatro.


As profecias são de um cerrado vazio, com o vácuo evolutivo das interações ecológicas. Dispersão de sementes, herbivoria, predação e outros fatores fundamentais para manutenção de sua diversidade somem com os bichos. Hoje essa defaunação já se estabeleceu na Mata Atlântica, que lentamente se transforma num bioma a cada dia menos rico. Dormi com o amargo dessa informação.


Carcaças no carrinho
"Me assusto, cheiro de podre, sangue preto escorrendo pelo ralo, os bichos feios, estraçalhados, babando sangue, olhos leitosos, opacos."
Acordo para o dia seguinte com a surpresa feliz de ver uma pegada de anta na soleira da porta. Chega uma estagiária correndo e diz que precisam de todo mundo. Um refrigerador descongelando ou algo assim.


No refrigerador, está um queixada descongelando. Queixadas são criados em cativeiro, então poderia ser para consumo, apesar do tamanho excepcional do bicho. Mas não, o refrigerador está cheio de carcaças até a tampa. Me assusto, cheiro de podre, sangue preto escorrendo pelo ralo, os bichos feios, estraçalhados, babando sangue, olhos leitosos, opacos. Atropelamentos no entorno do parque. Explicam-me sobre o refrigerador e contam que temos que levar os bichos para outro, há uns duzentos metros dali. Luvas? Nem pensar. O chefe está com um problema na coluna.


Eu sou o estagiário que se declarou muito rústico na sua carta de apresentações. Eu e o queixada, e um carrinho de mão. Pego o animal pelas pernas, jogo no carrinho, o bicho está meio duro, meio mole, devia estar descongelando lentamente há horas. Sangue viscoso, coagulado, pinga no meu pé, fezes pretas escorrendo.


É só o primeiro, acumulo em cima dele uma capivara semiadulta, um veado com crânio desfigurado pelo impacto, e um tamanduá-bandeira, sem pelos em vários pontos pelo atrito com o asfalto. O medo da dor desses bichos me enfraquecer é maior do que de qualquer doença relacionada às carcaças.


Thoreau comenta as extinções dizendo que não gostaria que algum semideus tivesse, antes dele, tomado do céu as melhores estrelas para si. Ver esses bichos mortos é forte. Vim aqui esperando ver o poema perfeito, o céu estrelado. Dói onde é mais sensível.


Coloco na pilha um cachorro do mato e um quati, para partir com a primeira carga do carrinho de mão. Ao chegar ao refrigerador que seria o destino dos bichos sou instruído a deixá-los no chão. Ao indagar sobre o destino final desses tristes símbolos insepulcros do descaso do Estado com a conservação da natureza, descubro que devem ficar ali para um experimento.


Dieta de carnívoros, coisa muito séria pelo tom. Satisfeito com a explicação, vou buscar outra carrada de carniça. Filhotes de emas eviscerados vivos pela roda de um carro, um tatu empapado de sangue dentro de um saquinho preto, cotia, gambá, capivaras, mais duas. Uma sofreu um impacto tão grande das rodas de um carro que as unhas, pequenos cascos nessa imitação de ungulado, foram arrancadas dos dedos. Outros tatus, um tapiti, bichos ininteligíveis, estraçalhados, que não cumprem seus papéis ecológicos. O desmonte da natureza.

Descarrego e vou buscar os últimos dois volumes com as mãos. Lembro das palavras do chefe, ao terminar de me ouvir sobre o vazio das florestas atlânticas do Brasil. Me diz ele que é o mesmo destino do Cerrado: bichos poucos e arredios, extinções locais, grandes animais ausentes. Eu não quero acreditar. No refrigerador, resta um lobo-guará e um volume preto. Levo um em cada mão.


O lobo-guará está dobrado, torcido, com as pernas longas destoando do círculo em que seu corpo se transformou. No caminho, seu pescoço semicongelado se estende e sua cabeça molhada de sangue toca minha perna pelo resto do caminho. Um lobo-guará, com sua postura elegante, caminhando pelos campos do Brasil central tem tanta nobreza. Seu sangue frio lambuza minha roupa, minha pele e minha mente.


Chegando ao novo refrigerador, verifico o saquinho preto, leve, quase insignificante. Abro: felpudo, cinzento, macio e infantil no meio dessa carnificina está um pequeno tamanduá-bandeira, os olhos fechados na paz da morte. A mãe pereceu sob as rodas de um carro, ele, não sei. Espero que tenha morrido sem dor. Começamos a ajeitar os bichos nas gavetas de uma geladeira velha, os pequenos apenas. Ao lado, o fundo de um refrigerador vaza água vermelha, e suponho que ali ficarão os bichos grandes.


Um saco de 100 quilos
"A forma do saco preto vai se assentando, parece familiar. Pode ser carne, um porco, um bezerro..."
Acomodados os bichos pequenos, abro o refrigerador grande. Um volume enorme dentro de um saco preto me espera lá dentro. Tentamos ajeitá-lo de qualquer jeito para permitir a acomodação dos outros animais, e logo percebemos que seria impossível, não importa a maneira ou força que façamos.


Não quero pensar nesse bicho, não quero mais saber de morte por hoje. Ele pesa uns cem quilos. Com algum custo me ajudam a ajeitá-lo no carrinho, os quilos duros de bicho morto.


Encaminho-o para o refrigerador quebrado, fazendo o caminho inverso, por que essa máquina ainda consegue manter uma temperatura de uns 15º C e há tempo para conseguir outro refrigerador até amanhã. Vou quicando o carrinho de mão pelo caminho, A forma do saco preto vai se assentando, parece familiar. Pode ser carne, um porco, um bezerro, um peixão. Mas parece familiar, algo naquele cheiro reflete um cheiro velho das visitas ao zoológico na minha infância.


Encosto o carrinho, ponho o bichão de pé e o viro delicadamente, equilibrando-o para a borda do refrigerador. Quando me inclino para pensar uma forma de escorregá-lo sem fazer muita força, toco o cotovelo no metal e levo um choque. Crispo as mãos no saco preto e o bicho escorrega violentamente para dentro, sem saco nem nada. O choque estava por vir: o bicho era uma onça-pintada.


Volto, triste, fatigado. Não quero saber como a onça morreu. Estou sujo de sangue e merda. Pego os restos de vísceras, os pedaços de sangue, patinhas de emas e todos os sacos pretos lambuzados para por fogo em tudo. Irônico é tentar por fogo em qualquer coisa no cerrado durante a estação úmida: impossível. Penso nos incêndios anteriores do parque, nos milhares de bichos queimados, tamanduás correndo em chamas, febre de fogo. Queimo tudo, com grande esforço. Agora eu sou cinzas, carniça, sangue e dedos queimados. Não sei mais do mundo.


Depois de um banho, sento-me para comer. O cheiro saiu do corpo, mas não da mente. Vem o recado que estão me chamando. Tinha um viveiro perto do local onde processávamos as carcaças, e é para lá que devo ir. Vou impaciente, imprudente, prestes a ser mal-educado. Abro a porta do recinto, entro e fecho. Dentro, estão três oncinhas. Louca brincadeira de um destino debochado.


Correndo na minha direção, impossivelmente receptivas. Eu agacho e elas sobem em mim, umas nas outras, brincam, rolam, polpudas, quentinhas, vivas, quase sorridentes. Vejo aquilo que raramente sinto no trato pessoal com um animal: afeto.


Me ensinaram que os bichos são feitos de vontade de comer e se reproduzir, e eu acho isso muito sincero e bonito. Se pensar diferente você vira um cientista meio bobo - a gente chama isso de "antropomorfizar" o bicho. Fui treinado para não fazê-lo, mas ali foi aquele afeto que se tem com criança mesmo. E penso hoje que se você perde isso é que vira um cientista meio bobo, que esqueceu a que veio e virou um burocrata. As oncinhas estavam sorrindo sim.


Volto para o alojamento. Eu não sei quando essas coisas vão mudar, mas há pressa. Conservação tem pressa. Posso ser só mais um universitário idealista, achando que o mundo vai mudar. Posso acabar em algum cargo público tentando resolver os meus problemas, mas quero mais do que isso. Eu quero escrever sobre um rio de sangue que sai do cerrado, e apodrece na lente do desenvolvimentismo, invisível e insepulto. Eu quero as oncinhas correndo livres por aí.

Enquanto termino de escrever na varanda, um par de olhos brilhantes cruza a noite, rumo a BR. Talvez pela última vez.

O quê as sucuris matam e porque pessoas matam sucuris

Por Everton Miranda

Sucuri-amarela repousando na água. Foto: Tomas Waller/IUCN

As sucuris causam um impacto significativo aos agricultores ao comerem animais domésticos, e este é um fenômeno bem conhecido nas áreas úmidas da América do Sul. Porém, as causas dos abates de sucuri feitos por agricultores ainda são pouco documentadas. Para fazer essa investigação, surgiu a ideia de fazer um estudo baseado em vídeos da internet. Os resultados são surpreendentes.

Iniciado em 2014, o estudo usou vídeos públicos, gerados espontaneamente, que flagram interações entre as pessoas e as sucuris. Eles permitem aos pesquisadores monitorar as reações a esses animais, e o que acontece em seguida.

Como me especializei em predadores, notei que era uma questão de tempo até as sucuris serem incluídas na lista de espécies que causam conflitos homem-fauna, no jargão dos cientistas. Esses são conflitos derivados do choque de interesse entre os bichos e gente. 


Elefantes se alimentando de arrozais e gaviões comendo pintinhos são exemplos conhecidos. O prejuízo no bolso do agricultor costuma ser pago com a vida dos bichos.



A oportunidade de coletar dados sobre o problema na internet evitou as potenciais distorções de entrevistas diretas com os produtores. Vídeos de pessoas perturbando ou matando sucuris são comuns, assim como registros de sucuris usando animais domésticos como alimento.


Mas precisávamos criar um método padronizado de coleta dados. Essa modalidade de pesquisa está se tornando mais comum e é conhecida como ciência cidadã, no nosso caso, gerada espontaneamente. Nesta pesquisa, a vantagem foi poder atingir uma área ampla, acessando contexto sociais variados, e em dez países.


Sucuri encontrada por pescadores em uma praia do nordeste
Sucuri encontrada por pescadores em uma praia do nordeste

Coletamos em paralelo dados sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da área onde cada incidente ocorreu, além do resultado do encontro entre agricultores e sucuris. O IDH é uma estatística composta pelo nível educacional das pessoas, assim como pela expectativa de vida e renda per capita. Desta forma, foi possível comparar entre locais de IDH alto e baixo a chance da sucuri ser morta.


Para nossa surpresa, não foi a predação de animais domésticos o fator que tornava a morte da sucuri mais provável. Esta variável foi o IDH, independente da sucuri estar ou não se alimentando de animais domésticos. Quanto mais baixo o IDH, maior a chance da sucuri ser morta. Aprendemos que as pessoas não estão matando as sucuris em retaliação. Mais parece, que em áreas de baixos índices educacionais, elas o fazem por considerarem esses animais perigosos.


Predação de animais domésticos
O estudo também lançou luz sobre o padrão de ataques a animais domésticos. Christine Strüssmann, Professora da Universidade Federal de Mato Grosso, explica que os dados da internet ajudaram a explicar como as sucuris podem sobreviver em ambientes urbanos: “Nós confirmamos 78 registros de predação, e em 23 deles as sucuris haviam consumido animais domésticos. 

Mas, apenas 21% das sucuris que comeram animais domésticos foram mortas, enquanto populares mataram 28% das sucuris que predaram animais silvestres”.


Os dados indicam que as sucuris comem animais domésticos numa escala muito maior do que supunham os cientistas. Na natureza, as sucuris geralmente se alimentam de aves semiaquáticas, além de mamíferos e répteis.


Porém, em áreas urbanas e rurais, um terço das presas eram bichos como cães, galinhas, patos, bezerros e gatos. A presa silvestre mais comum foi a capivara. Mas as sucuris também foram flagradas comendo animais pra lá de inesperados, entre eles uma jiboia e um ouriço!

Clique para ampliar e ler as legendas
Sucuri constringindo um bezerro Sucuri morta após comer um bezerro

Falsa ameaça
O estudo também mostrou que ataques não provocados são raros. Em 330 amostras, apenas um ataque a humanos não provocado foi registrado. O caso é bem conhecido, de um menino mordido e constringido por uma sucuri enquanto tomava banho em um córrego em São Paulo. O avô da criança matou a serpente com um facão, enquanto o neto precisou tomar alguns pontos após se recuperar do susto. Nos vídeos, outras duas pessoas foram mordidas após cutucar sucuris na natureza. Enquanto isso, 52 sucuris foram mortas por pessoas, principalmente as maiores.


Animais de maior porte em regiões de baixo IDH são os principais alvos de abate indiscriminado. A alta probabilidade de morte para sucuris grandes confirma os resultados do IDH. "Indivíduos grandes são percebidos como os mais perigosos para as pessoas e, logo, têm uma grande chance de serem mortos”, diz Christine Strüssmann.


 “As maiores sucuris, no entanto, são fêmeas, e estas produzem a maior parte dos filhotes”. Quatro espécies de sucuris ocorrem na América do Sul. As fêmeas são muito maiores que os machos, e quanto maior a fêmea, maior o número de filhotes, que pode passar de 80.


Clique para ampliar e ler as legendas
Sucuri-amarela repousando na água. Foto: Tomas Waller/IUCN Sucuri-amarela repousando na água. Foto: Tomas Waller/IUCN Sucuri-amarela dando a luz. Foto: Tomas Waller/IUCN

A pesquisa foi financiada pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico) e FAPEMAT (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Mato Grosso)e faz parte de um projeto maior com sucuris, no Programa de Pós-graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso).



Os próximos passos envolvem conversar com os produtores de forma a medir a percepção de risco, a escala real da predação de animais domésticos por sucuris e as práticas de manejo dos produtores. Queremos entender como essas características afetam o consumo de animais domésticos, questões que estão sendo abordadas por um estudo de campo no Pantanal.


Espera-se que desses esforços surjam técnicas de manejo para evitar o ataque a animais domésticos. Nós também também pretendem educar os agricultores sobre as sucuris e o baixo risco que representam para as pessoas.


Junto com Christine, estou comprometido com a conservação das sucuris. Aumentar o conhecimento sobre o animal e suas interações com o Homem pode ajudar a encontrar um futuro sustentável para a maior serpente do mundo.
Saiba mais


Artigo: The ecology of human-anaconda conflict: a study using internet videos

Veado-catingueiro em recuperação na ONG Mata Ciliar é solto; veja vídeo

 08/04/2016 19h44

http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2016/04/veado-catingueiro-em-recuperacao-na-ong-mata-ciliar-e-solto-veja-video.html

Animal havia sido resgatado após ficar preso em cerca.
Ele teve ferimentos no corpo e corria risco de morte.

Do G1 Sorocaba e Jundiaí

O veado-catingueiro que foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros depois de ficar preso na cerca de uma empresa que fica na via Anhanguera, em Jundiaí (SP), foi solto em seu habitat natural. O animal demorou pouco mais de um minuto para sair da caixa e voltar para a mata. A soltura foi na terça (5) e o vídeo foi divulgado nesta sexta-feira (8) (veja o vídeo acima).
Corpo de Bombeiros resgata veado-catingueiro preso em cerca (Foto: Associação Mata Ciliar)Animal ficou isolado em local confortável antes da soltura (Foto: Associação Mata Ciliar)
O animal havia sido levado para se recuperar na associação Mata Ciliar no domingo (3). Por causa do estresse que passou, a situação do animal era bastante crítica. Ele teve ferimentos nos membros e pelo corpo, mas nenhuma fratura, após ficar preso entre um pilar de concreto e uma barra de ferro.

Segundo a coordenadora de fauna da ONG, Cristina Harumi Adania, o animal é um macho adulto. Ele recebeu atendimento veterinário, mas ainda corria risco de morte. Quando chegou na ONG, o veado-catingueiro foi isolado em local confortável e fechado para que ele se sinta seguro.

Nesta terça-feira, a ONG fez a soltura do animal. "Apesar da ferida, que ainda estava cicatrizando, ele [veado-catingueiro] foi solto porque o cativeiro poderia levar ao quadro que chamamos de miopatia de captura, levando o animal ao choque", explica Cristina.


ONG Mata Ciliar
A associação Mata Ciliar trabalha desde 1998 com a reabilitação e retorno de animais ao habitat natural e já recebeu mais de 14 mil bichos que sofreram algum tipo de trauma. A ONG presta atendimento médico-veterinário aos animais provenientes da Serra do Japi e outras áreas na região de Jundiaí. Dezenas de animais ficam feridos quando saem de seu habitat natural e entram em contato com "armadilhas" da cidade.
Corpo de Bombeiros resgata veado-catingueiro preso em cerca (Foto: Crysman Germano de Souza/Arquivo Pessoal)Veado-catingueiro foi resgatado pelos bombeiros (Foto: Crysman Germano de Souza/Arquivo Pessoal)

Filhote de urso é resgatado de incêndio por adolescente nos EUA

 08/04/2016 19h28


Jovem de 17 anos encontrou animal em arbusto em Lake County.
Bombeiros voltaram ao local no dia seguinte para procurar mãe do ursinho.

Do G1, em São Paulo
'Smokey Jr.' sofreu queimaduras leves no rosto e nas patas antes de ser resgatado de área atingida por incêndio em Lake County, na Flórida (Foto: Reprodução/Twitter/Lake County Fire Rescue)'Smokey Jr.' sofreu queimaduras leves no rosto e nas patas antes de ser resgatado de área atingida por incêndio em Lake County, na Flórida (Foto: Reprodução/Twitter/Lake County Fire Rescue)
 
 
Um filhote de urso foi resgatado de uma área atingida por um incêndio em Lake County, na Flórida, por uma adolescente de 17 anos. Os bombeiros, que apelidaram o ursinho de “Smokey Jr.”, estão agora à procura da mãe dele.

Natorie Borst contou ao jornal “Orlando Sentinel” que na quinta-feira (7) estava com seu pai checando uma casa que a família tem na região, para verificar se ela havia sido atingida pelo incêndio. Ela então ouviu um barulho “típico de algum animal filhote” e, ao se aproximar de alguns arbustos, viu o urso.

Borst diz que o animal parecia assustado, mas mesmo assim correu em sua direção. Ela e o pai o recolheram e acionaram os bombeiros.

Smokey Jr. sofreu leves queimaduras no rosto e nas patas e teve parte de seus pelos chamuscada, segundo a porta-voz do condado, Elisha Pappacoda. Ele foi levado a uma clínica veterinária, onde foi examinado e alimentado e onde passou a noite.

Na sexta, os bombeiros e policiais florestais retornaram à região onde ele foi encontrado para procurar sua mãe. A intenção é devolver o filhote caso ela seja localizada.
O bombeiro Tony Cuellar segura 'Smokey Jr.' após ele ser resgatado de área atingida por incêndio em Lake County, na Flórida (Foto: Reprodução/Twitter/Lake County Fire Rescue )O bombeiro Tony Cuellar segura 'Smokey Jr.' após ele ser resgatado de área atingida por incêndio em Lake County, na Flórida (Foto: Reprodução/Twitter/Lake County Fire Rescue )

Cachorro perde 9 kg em 8 meses nos EUA


Fat Vincent estava obeso e deprimido após a morte do dono.
Agora ele está quase pronto para conseguir uma nova família.

Do G1, em São Paulo
Fat Vincent (Foto: Fat Vincent of K-9 Angels Rescue Houston/Facebook)Fat Vincent (Foto: Fat Vincent of K-9 Angels Rescue Houston/Facebook)
 
Um cachorrinho dachshund chamado Fat Vincent (Vincent Gordo) emagregeu de 17 kg para menos de 8 kg depois de ser resgatado nos EUA.

A veterinária Sharon Anderson disse que Vincent, que tem cerca de 7 anos, estava deprimido e doente, oito meses atrás, quando foi entregue ao grupo de resgatistas the K-9 Angels, em Houston, depois da morte de seu dono.

Ele estava triste e sujeito a doenças como diabetes, além de ter a mobilidade reduzida.
Com a ajuda de sua nova dona provisória, Melissa Anderson, Vincent foi submetido a uma dieta, com apoio de uma marca de comida canina, e melhorou bastante.

Vincent deve ser colocado para adoção em breve, quando perder um pouco mais de peso.
Fat Vincent depois da dieta (Foto: Fat Vincent of K-9 Angels Rescue Houston/Facebook)Fat Vincent depois da dieta (Foto: Fat Vincent of K-9 Angels Rescue Houston/Facebook)

domingo, 10 de abril de 2016

A escadaria do Rei Aragon


A escadaria do Rei Aragon


A escadaria do Rei do Aragon (Escalier du Roi d’Aragon, em francês) é uma escadaria de pedra, esculpida na lateral vertical de um penhasco de calcário na comuna de Bonifacio, Córsega – França. Ela corta a face de um penhasco em um ângulo de quase 45° e é composta de 187 degraus. Olhando ela do mar você vê uma linha inclinada escura e mais de perto ela parece com um tubo vazio de pedra.

De acordo com a lenda, a escada foi escavada pelas tropas do Rei Aragon Alfonso V, em uma única noite, durante o cerco sem sucesso de Bonifacio, em 1420. Na realidade, a escada desce quase de que forma natural a uma caverna localizada na parte inferior da mesma, acredita-se que a escada pode ter sido escavada pelos monges franciscanos muito antes das tropas de Alfonso V para chegarem até Bonifacio.

Algumas pessoas dizem que os primeiros degraus foram esculpidos em tempos neolíticos, e tem sido constantemente melhorados desde então. Hoje você pode descer os degraus, passear ao longo do mar e caminhar voltar tranquilamente. Uma vista e obra impressionantes!

A escadaria do Rei Aragon
Foto: Allard Schager/500px
A escadaria do Rei Aragon
Foto: Éric Clément/La Presse
A escadaria do Rei Aragon
Foto: www.vedettesthalassa.com
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Foto: www.vedettesthalassa.com
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Foto: Lucien ruth/Panoramio
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Foto: Denis Savard/Flickr
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Foto: Nadine/Flickr
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Foto: Nadine/Flickr


Macaca dona de casa!

-0:36

A guerra dos banhados de Bonito: Ministério Público do lado errado?

Por Angela Kuczach, Maude Nancy Joslin-Motta e Cristiano Pacheco
Foto: Victor do Nascimento.
Foto: Victor do Nascimento.


Na história recente do Brasil, o processo de criação de Unidades de Conservação da Natureza tem sido negligenciado, fato facilmente observado nas esferas federal e dos estados. Nos seus cinco anos de mandato, Dilma Rousseff criou apenas seis UCs, o menor número desde a Era Vargas, num total de meros quarenta e quatro mil hectares decretados.


Usando o jargão que ficou famoso na boca do seu antecessor, “nunca antes na história desse país” fez-se tão pouco em relação à criação e manejo de Unidades de Conservação. Os estados, em geral, replicam o mesmo ritmo. Quanto aos municípios, é difícil de mapear, mas, estando na ponta do processo, por si só, quando tomam iniciativas, elas são, em geral, muito positivas e contam com forte lastro social.


Eis que em Bonito, a famosa capital do ecoturismo nacional, no Mato Grosso do Sul, a situação ficou diferente. Com cerca de vinte mil habitantes e mundialmente conhecida por suas fabulosas belezas naturais, notadamente águas cristalinas, que a cada ano levam cerca de 200 mil turistas a visitá-la, uma iniciativa da municipalidade de avançar na proteção do patrimônio que gera empregos e fomenta a economia local, trombou na nada democrática reação do Sindicato Rural do Município.


O impressionante é que muitos proprietários são ao mesmo tempo criadores ou agricultores e empresários do turismo, já que a absoluta maioria das atrações locais é privada.


Bonito talvez seja um dos poucos municípios do Brasil onde o conceito de “ecoturismo” tenha sido levado a sério. Os pontos turísticos têm estudos de capacidade de carga, a visitação é licenciada e monitorada e, a julgar pelos números locais, a situação vai bem.


A gestão adequada das “galinhas dos ovos de ouro”, além de impressionar quem tem o privilégio de visitar a região, possibilita a geração de emprego para cerca de 75% da população e movimenta mais de 50% do PIB municipal, dependendo da fonte consultada.
Diante disso, não seria natural avançar na preservação dos recursos que geram riqueza ao município e aos seus cidadãos? Sim!


E é por isso que a Prefeitura Municipal de Bonito, na contramão do descaso federal e da maioria dos estados, decidiu proteger algumas áreas naturais, essenciais à manutenção da qualidade dos rios e, por conseguinte, do turismo, através da criação de Unidades de Conservação municipais.


Tais estudos foram iniciados por uma “força tarefa” promovida pelo Ministério Público em Bonito e levantaram, já em 2008, a necessidade premente da conservação das áreas de banhado dos Rios Formoso e da Prata.


São áreas inundadas, portanto já de preservação permanente pela legislação federal em vigor, e que apresentam papel essencial na manutenção da qualidade da água desses rios e a essência dos principais pontos turísticos da região! Desde então os estudos se sucederam, aprofundando as informações, que só confirmaram a necessidade de avançar na conservação de tais áreas.


Foi com base nos resultados desses estudos, com a participação do Conselho Municipal do Meio Ambiente, no qual a sociedade civil local se faz representar (até mesmo o contrário Sindicato Rural!), que a Prefeitura Municipal de Bonito propôs a criação três Unidades de Conservação: um pequeno Parque Natural Municipal, com 60,90 hectares, em área pública, e dois Refúgios de Vida Silvestre (RVS), o do Rio Formoso, com 2.275,41 hectares, e do Rio da Prata, com 3.273,43 hectares.


De acordo com o SNUC, o Refúgio de Vida Silvestre não requer desapropriação, possibilitando que proprietários afetados (apenas vinte, entre eles o próprio Prefeito) continuem donos de suas terras.
A pré-escolha das categorias de manejo, que são os tipos específicos de Unidades de Conservação, levou em conta, entre outras, as características físicas, biológicas, sociais, econômicas e fundiárias das áreas, o que incluiu a condição de propriedade particular dos banhados.


De acordo com o SNUC (Lei nº 9.985/2000), o Refúgio de Vida Silvestre não requer desapropriação, possibilitando que proprietários afetados (apenas vinte, entre eles o próprio Prefeito) continuem donos de suas terras, desde que compatibilizem seu uso com os objetivos de conservação ambiental.


Os estudos técnicos privilegiaram a indicação de áreas de preservação permanente, onde não existe atividade econômica que use recursos naturais.


Significa que os proprietários têm mais a ganhar que a perder, uma vez que as áreas atingidas são de preservação permanente, pelo simples fato de serem banhados.
Entre os ganhos possíveis, está o Pagamento por Serviços Ambientais - PSA e editais específicos, além da compensação das Reservas Legais, através do mecanismo de servidão ambiental, pelo qual Cotas de Reserva Ambiental podem ser alienadas, cedidas ou transferidas de forma onerosa. Vale lembrar que há déficit legal no Estado do Mato Grosso do Sul, pelo que muitos proprietários podem transformar em ativos econômicos o que hoje é considerado basicamente custo.



Tudo corria bem e de conformidade com a lei, até que, às vésperas da consulta pública convocada pela Prefeitura, onde seriam apresentados os mapas e os dados sobre a criação das Unidades de Conservação propostas para a população interessada, o Sindicato Rural de Bonito impetrou Mandado de Segurança e a Justiça determinou, em medida liminar, a suspensão da consulta pública!



A argumentação do pedido é burocrática, processual, basicamente, e não do mérito, que é inconteste! Mas assim, a extemporânea e antidemocrática reação do Sindicato Rural, ao impedir a consulta pública também está impedindo a população local de conhecer a proposta e opinar sobre ela, inclusive os próprios proprietários potencialmente atingidos.



O argumento principal do Sindicato Rural é que os estudos técnicos não foram disponibilizados para a população. Ora, esse é o objetivo principal da consulta pública! Diga-se de passagem, quando da criação de uma ou mais UCs, o momento da consulta pública costuma ser amplamente aguardado pela população, já que é nessa ocasião em que os cidadãos se posicionam em relação à criação e às normas relativas às mesmas.


A realização das consultas é um direito estabelecido pela Lei nº 9.985/2000 - SNUC - e a suspensão conseguida pelo Sindicato Rural, no mínimo, fere os princípios de liberdade e o direito a informação dos cidadãos como um todo.


Ramphastos toco. Foto: Victor do Nascimento/Fundação Neotropica
Ramphastos toco. Foto: Victor do Nascimento.


Somado à impetração do Mandado de Segurança, existe ainda a divulgação maliciosa de informações errôneas na região quanto a uma suposta desapropriação das áreas, incutindo medo pela desinformação e contra informação errada para a população.


Pela alta relevância da conservação das áreas de banhado, objeto da assinatura, pelo Brasil, da Convenção Ramsar de Proteção das Áreas Úmidas de 1971, as várzeas do Rio Formoso e do Rio da Prata poderiam facilmente ser enquadrados em categorias de manejo bem mais restritivas, como Estações Ecológicas e Reservas Biológicas, para as quais não há necessidade de consulta pública e para as quais o domínio público é requisito, pelo que a desapropriação passaria a ser uma necessidade, diferentemente da situação dos Refúgios de Vida Silvestre, onde quem é dono de imóvel permanece nessa situação.


A Prefeitura preferiu o caminho democrático e a transparência, ao passo que o Sindicato Rural usou de artifícios judiciais maliciosos e "(des)informação" de terror para evitar que a sociedade saiba a verdade e apoie a decretação das Unidades de Conservação pela Prefeitura, embora o Prefeito pudesse fazê-lo, sem consulta, se assim desejasse! Tem pleno amparo legal para isso.
Conflitos durante o processo de criação de Unidades de Conservação, infelizmente, são comuns em todo o Brasil.
Conflitos durante o processo de criação de Unidades de Conservação, infelizmente, são comuns em todo o Brasil. Mas é impressionante o acontecido em Bonito, que depende dos banhados para ter vida econômica e social, sendo o turismo a atividade de maior geração de renda e emprego.


E isso pode ter ocorrido em razão de interesses apequenados e mesquinhos, quiçá politiqueiros (diz-se à boca pequena que o presidente do Sindicato Rural pretenderia concorrer à Prefeitura, em 2016, em oposição ao atual mandatário), além de falta de conhecimento e disseminação de informação propositalmente errônea, insuflando uma parte da população contra a outra, num processo cujo mérito é defender o bem comum. É condenável!


Conforme o Artigo 225 da Constituição Federal, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e as futuras gerações


O que o Sindicato Rural fez foi o oposto do seu dever constitucional e não traz nada de novo em si, apenas atesta a estreiteza de pensamento de determinadas "lideranças" locais do ruralismo. E isso logo onde não era de se esperar!


Mas uma das coisas que mais chama a atenção na situação de Bonito é o posicionamento do Ministério Público, que escreveu Manifestação favorável à interrupção da consulta pública para a criação das Unidades de Conservação propostas.


O Ministério Público de Bonito já teve papel de vanguarda na conservação da Natureza, através do irretocável trabalho do Promotor Luciano Loubet, reconhecido nacional e internacionalmente (veja o link), através de projetos tão inovadores como o “Formoso Vivo”, que levou a conservação da Natureza em Bonito a um patamar digno de países de primeiro mundo e é a origem da própria iniciativa de criação das Unidades ora em debate.


O modelo adotado pelo Doutor Luciano, devido aos resultados alcançados, foi replicado em diversos outros países, através Rede Latinoamericana de Promotores Ambientais, do qual ele próprio foi o articulador e primeiro Coordenador. A história de seu trabalho competente legou uma positiva herança ao MP de Bonito, que não se apaga e nem se esquece fácil, demandando do novo titular compromisso de qualidade compatível, o que não é fácil.


Na sua Manifestação sobre o Mandado de Segurança, impetrado pelo Sindicato Rural, o Promotor Matheus Cartapatti, sucessor do Doutor Luciano, não levou em conta o mérito da iniciativa, o objetivo maior, que é a necessidade de instrumentos legais mais fortes para a conservação dos banhados. Também ignorou a história da iniciativa, cujas raízes se encontram no próprio trabalho do Ministério Público, atendo-se tão somente às minúcias processuais.


Na sua Manifestação, o Promotor evoca o “Princípio da Publicidade”, alegando que não ouve informação suficiente sobre a realização das consultas, desconsiderando a publicação da convocação em Diário Oficial e as chamadas em redes sociais, embora isso seja bem mais do que determina a lei e tenha sido o suficiente para dar ao Sindicato o poder da reação que teve.


Registre-se, a bem da verdade, que a integralidade dos estudos técnicos pode ser acessada na página da Prefeitura, sendo que somente o documento final conta com 125 páginas, além de dossiês resumidos, mapas e até respostas às perguntas mais frequentes. Nem se diga que existem pessoas que não acessam internet, porque poderiam ir até a Prefeitura e consultar os documentos lá mesmo. 


Não dá para falar nem em ausência de estudos e nem em falta de publicidade! O Promotor também esqueceu de mencionar na sua Manifestação ao Juízo que o meio ambiente é regido pelos Princípios da Precaução e da Prevenção, e que, assim, a necessidade de conservação de áreas naturais deve anteceder a quaisquer potenciais danos de usos destrutivos que possam ameaçá-las (considerando a diferença de proporções, lembremos de Mariana).


Questionando a “possibilidade de desapropriação das áreas em caso de incompatibilidade de uso”, ele infere existir ajustes entre a Prefeitura e a Entidade Ambientalista que atua há mais de duas décadas na região, determinantes de risco para os proprietários.



Por fim, parece ter esquecido de estudar o SNUC, que dá base ao assunto, pois não considerou que, se fosse mesmo de interesse da municipalidade a desapropriação de tais terras, bastaria ao titular da Administração municipal decretar as Unidades de Conservação nas categorias de manejo de Estação Ecológica ou Reserva Biológica, muito mais restritivas e para as quais o domínio público é necessário.


O Executivo tem poder legal para fazer isso sem consulta pública. E não é possível deixar de chamar a atenção para o fato da Manifestação, além de não atentar para o mérito da questão iniciada pelo próprio Ministério Público no passado recente, atentou diretamente contra a publicidade e a democracia do processo de proteção das áreas naturais.
Caboclinho-de-chapéu-cinzento (Sporophila cinnamomea). Foto: Victor do Nascimento/Fundação Neotropica
Caboclinho-de-chapéu-cinzento (Sporophila cinnamomea). Foto: Victor do Nascimento.
Ao defender o posicionamento do Sindicato Rural, o Promotor Público alegou que em boa medida o PIB do município advém das atividades rurais.


Pena não ter consultado ou ter desconsiderado os inúmeros dados, constantes dos estudos técnicos, que indicam tanto que mais de 50% do PIB local decorre das atividades turísticas, quanto que mais de 70% dos empregos locais dependem, direta e indiretamente, deste setor de atividade econômica.


Ao deixar de considerar o social juntamente com o econômico, desconsidera, no seu mérito maior, a função social da propriedade e a sustentabilidade, pelo aproveitamento racional e adequado dos recursos ambientais, ainda que de forma indireta, pela atividade turística, que são preceitos constitucionais. Não bastasse a defesa implícita dos argumentos do Sindicato Rural para questionar o processo de criação das Unidades de Conservação, há ainda na Manifestação do Promotor a inferência negativa sobre a qualidade do trabalho que embasa o processo de criação das Unidades.


Realizado sob a coordenação da Fundação Neotrópica do Brasil, os mesmos são resultados de anos de projetos técnico-científicos realizados por profissionais altamente qualificados e titulados, em geral professores e pesquisadores de Universidades, reconhecidos estadual e nacionalmente.


Não parece haver outro motivo, aparente pelo menos, que não seja um viés torto e ideológico para a tentativa de desqualificação do trabalho de proteção da Natureza realizado Fundação Neotrópica em parceria com seu antecessor, a mesma Organização que mantém parcerias com a Promotoria Geral de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul em outros projetos.


Há tanta contradição histórica no que se vê que seria uma situação risível não fosse o fato de colocar em risco uma das regiões mais importantes para a socioeconomia e para a Natureza do Estado do Mato Grosso do Sul, além de se constituir em área de alta significação ambiental para toda a região, influindo ainda em bacias hidrográficas de importância planetária.


Tomara que o bom senso prevaleça e a liminar seja revogada, seja na sua origem, seja pelo Tribunal de Justiça do Estado! O meio ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida agradece, como também agradecem as gerações presente e futuras.

*Angela Kuczach é bióloga e Diretora Executiva da Rede Nacional Pró Unidades de Conservação

A beleza de Bonito depende de você! Mande sua mensagem para as autoridades dizendo que você apoia a criação das unidades de conservação!

A beleza de Bonito depende de você!

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Pessoas que não sustentam árvores...

Domingo.Dia Internacional da Preguiça.

Folha seca não é sujeira.

9 amizades incríveis entre humanos e animais


Publicado em 23.03.2016
Animais como corvos, patos e até répteis como cobras e jacarés podem se apegar a seres humanos. Veja 9 belos relacionamentos que não são nada comuns:

9. A menininha que ganha presentes de corvos

amizades entre animais e pessoas 9
A pequena Gabi Mann, de Seattle (EUA), recebe a incomum visita de corvos. Como bons visitantes, eles não chegam de bicos abanando. Eles trazem presentinhos e souvenirs de todos os tipos para sua anfitriã.

A menina de oito anos costuma alimentar os pássaros que vêm ao jardim de sua casa, mas nunca esperou que eles fossem agradecer dessa forma. E eles são tão generosos que ela montou uma coleção com mais de 100 botões, peças de metal, miçangas e outros pequenos objetos de plástico com os presentes que já recebeu.

Essa amizade começou em 2011, quando ela ainda tinha quatro anos e derrubava seus lanchinhos no chão do quintal. Os corvos começaram a marcar ponto no local em busca de migalhas deixadas para trás. Quando ela entrou na primeira série, começou a intencionalmente alimentá-los depois da escola. Quando chegava no ônibus escolar, havia uma fila de corvos esperando pacientemente pelo almoço.

Gabi guarda cuidadosamente todos os presentes em caixas e potes de geleia. “Eles são meus amigos e alguns são como família”, diz a menina.

8. O leão que reconheceu os homens que salvaram sua vida

amizade entre animais e humanos 8
Em 1969, John Rendall e Ace Berg viajavam pela África quando encontraram um filhote de leão de 15kg à venda em uma gaiola apertada. Preocupados com o destino que teria caso continuasse ali, eles o compraram legalmente e o batizaram de Christian.

Os dois criaram a bola de pelos em sua casa em Londres, mas em um ano – como esperado – ele ficou muito grande para morar dentro de casa.

Christian foi transferido para a África, onde foi reabilitado e solto na natureza. Depois de um ano, a dupla resolveu visitá-lo, mesmo sabendo que dificilmente seriam reconhecidos por ele.

John e Ace conseguiram localizar o leão, que estava acompanhado de sua namorada. Veja a incrível reunião desta família diferente:

7. O ambientalista que criou um gorila como seu próprio filho

amizade humanos e animais 7
Em 2014, o ambientalista inglês Damian Aspinall foi filmado se reunindo com um gorila que ele ajudou a criar. Ele faz parte da organização Aspinall Foundation, que se dedica a reproduzir gorilas para depois soltá-los na selva.

Um desses gorilas, Kwibi, nasceu em um zoológico em Londres e quando tinha cinco anos de idade foi solto em uma reserva em Gabão. Mais cinco anos se passaram e Damian voltou ao local para ver como seu filho gorila estava.

https://youtu.be/FZ-bJFVJ2P0
 
O encontro não só foi emocionante como Kwibi ainda chamou sua família para que Damian a conhecesse.

6. O homem e cachorro obesos que emagreceram juntos

amizade entre animais e humanos 6
Há cinco anos, Eric O’Grey pesava 150 kg, com pressão e colesterol altos, além de diabetes tipo 2. Em uma consulta, uma nutricionista fez uma recomendação incomum. Ela sugeriu que ele adotasse um cão.

Ele visitou um abrigo de animais e avisou os funcionários: “Quero um cachorro obeso e de meia idade, para que tenhamos alguma coisa em comum”. Eric voltou para casa com Peety, um cão que o ajudaria a melhorar sua saúde e bem-estar.

Com a ajuda de Peety, Eric perdeu 63kg, enquanto o cão perdeu 11kg. Sua visão de mundo mudou drasticamente, e ele ficou muito mais confiante. “Ele olhou para mim como se eu fosse a pessoa mais incrível do mundo. Eu decidi que queria ser essa pessoa que ele achou que eu era”, relembra.


Com esta motivação, ele participou de sua primeira maratona, no verão de 2015.

5. O pinguim que viaja 8 mil km para ver o homem que o salvou

amizade animal e homem 5
Em 2011, João Pereira de Souza, de 71 anos, encontrou um pinguim-de-magalhães coberto por óleo e à beira da morte em uma praia do estado do Rio de Janeiro. O pescador o apelidou de Dindim, e o levou para casa para limpá-lo e alimentá-lo.

https://youtu.be/6McB0jhPWqs

Mesmo recuperado, Dindim passou 11 meses no quintal de sua casa, livre para partir quando quisesse. Quando João começava a achar que seu companheirinho nunca mais iria embora, o pinguim desapareceu e ficou meses sem mostrar a cara.

No ano seguinte, Dindim nadou 8 mil km para retornar ao local, e tem voltado todos os anos desde 2012. “Eu amo o pinguim como se fosse meu próprio filho, e acredito que ele também me ama”, afirma João. “Mais ninguém consegue tocar nele. Ele bica quem tenta. Ele deita em meu colo, me deixa dar banho nele, me deixa dar sardinhas para ele”, diz.

4. A menininha que diz que é mãe de um pato

amizade entre animais e humanos 4
A americana Kylie Brown, de cinco anos, ama levar seu pato Snowflake ao parque. Ele nada no pequeno lago e volta quando é chamado. Ele realmente acredita que Kylie é sua mãe, mas não está sozinho nessa ilusão. Ela também pensa que é sua mãe. “Eu sou a mãe dele”, diz ela. Quando é corrigida por um adulto que diz que ela não é a mãe de verdade, ela discorda: “Sim, sou a mãe”.


https://youtu.be/7uCXz2-hVO8

Ele foi levado para a casa da família no verão de 2015, e deveria ficar dentro de casa apenas enquanto fosse pequeno. Os dois ficaram tão próximos, porém, que foi impossível fazer com que ele ficasse sozinho no quintal, e os pais da menina acabaram concordando em deixá-lo ficar em casa. Eles até arranjaram uma fraldinha para prender na parte traseira do pato.

No verão eles vão juntos à praia, e no inverno escorregam na neve de trenó. Ele vai aos treinos de futebol da pequena e até em festinhas de pijama na casa das amiguinhas dela. No último Dia das Bruxas ele foi fantasiado de Olaf, de Frozen, de casa em casa para pedir doces com a menina.

Confira este adorável vídeo que mostra a inocência da pequena:

3. O gato terapeuta que ajudou uma criança autista a se desenvolver

anizade animais e humanos 3
Arabella Carter-Johnson levou a gata terapeuta Thula para casa para ajudar no desenvolvimento de sua filha Iris Grace, que é autista. Logo na primeira noite uma conexão já se formou entre as duas, e a menina de seis anos se mostrou muito mais relaxada na presença da gatinha.

Iris faz carinho em suas orelhas e bigodes, e a gata nem parece se importar quando a pequena segura o seu rabo. Thula parece saber o que fazer para ajudar sua amiga humana. Quando Iris fica impaciente no carro, por exemplo, a gata deita em seu colo para que ela se distraia e se acalme.

https://youtu.be/_qjVYHUMsRQ


A forma de autismo de Iris traz problemas como dificuldade para dormir, comportamento obsessivo, falta de interesse em brincar com os pais ou outras crianças e nervosismo ao redor de pessoas desconhecidas.

Logo depois da chegada da gata, Iris já começou a conversar com ela. A menina dizia “senta, gato”, e ela sentava. Ela seguia a gata pela casa, dizendo “mais gato”. “É lindo ver isso. É tranquilizador saber que ela tem uma amiguinha”, diz a mãe.
Veja um pouco da rotina dessa dupla:

2. A mulher que considera um jacaré parte de sua família

amizade animal e humano 2
O jacaré Rambo entende linguagem de sinais e faz suas necessidades apenas no local definido por sua dona, Mary Thor. Ela diz que ele assiste TV e é tão gentil que crianças adoram brincar com ele. Vários bebês tiveram suas fotos tiradas ao lado do réptil.

Ele foi adotado há 11 anos, mas em março deste ano Mary foi informada pelo departamento de vida selvagem da Flórida (EUA) que ela precisa se mudar para um local maior ou doá-lo para um santuário de animais. Ele ficou muito grande para morar dentro de casa, com 1,82 de comprimento.

https://youtu.be/EDR-fD0WOC8

Mary acredita que se ele for forçado a viver com outros jacarés, vai morrer em pouco tempo, já que é tão dócil e não está acostumado a caçar. “Ele é como se fosse meu filho, é minha família”, diz ela.

1. O menino que é o melhor amigo de uma cobra gigantesca

amizade entre animais e humanos 1
Uorn Sambath, de 7 anos, vive no Camboja com sua melhor amiga, uma cobra de cem quilos e quatro metros de comprimento. Ele faz carinho nela, brinca com ela, e a usa como um confortável sofá.

https://youtu.be/W8uPhuXQNiM

Tudo começou quando a mãe do menino sonhou que uma cobra viria para proteger a família. Logo depois de ter o menino, a cobra entrou na casa deles, ainda filhote, com poucos centímetros de comprimento. Sete anos depois, ela precisa de 10kg de frango por semana, e a família não pode mais sustentá-la. Ela foi entregue a um centro de resgate, mas Uorn ainda a visita com frequência.

Veja a tranquilidade do menino com sua amiga gigantesca: [Oddee]