sexta-feira, 8 de julho de 2016

O preço real do petróleo e o custo para o meio ambiente, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


Publicado em julho 8, 2016 por


Assim como a Idade da Pedra não acabou por falta de pedras,
a Era do Petróleo chegará ao fim, não por falta de óleo”
Sheikh Ahmed-Zaki Yamani
[EcoDebate] Os combustíveis fósseis foram os catalizadores do crescimento econômico dos últimos 250 anos. A Revolução Industrial e Energética começou com a utilização do carvão mineral e avançou com o petróleo e o gás.


O petróleo é uma fonte energética criada pela natureza, em um processo geoquímico que durou milhões de anos, a partir da decomposição de matéria orgânica. Houve muitos ciclos na Terra para que essa riqueza ficasse estocada no solo e no subsolo. Em pouco mais de 100 anos, metade das jazidas já foram exploradas e, no ritmo atual, a outra metade pode ser arrancada das entranhas da Terra em outros 100 anos.


Três colheres de óleo contêm o equivalente à energia média de oito horas de trabalho humano. A força produtiva movimentada pelo petróleo equivale, em média, a 50 escravos para cada habitante do Planeta. Nos Estados Unidos esta relação atinge 200 escravos por pessoa. Sem o petróleo a capacidade produtiva do mundo cairia dramaticamente. Toda a agricultura moderna, com fertilizantes, defensivos agrícolas, agrotóxicos e os combustíveis para o transporte dependem do petróleo. Sem uma energia equivalente, a fome no mundo reinaria soberana.


Mas o petróleo é uma fonte finita e as reservas mais baratas já foram exploradas. O gráfico acima mostra que depois da Segunda Guerra até 1973 (os chamados 30 anos gloriosos) o preço do petróleo era “quase de graça”. Essa energia abundante e barata possibilitou que o crescimento econômico do mundo fosse o maior de toda a história humana. A despeito das desigualdades, a civilização deu um grande salto de bem-estar neste período.


Mas a partir de 1974, as crises jogaram o preço real do petróleo para cima. As guerras do Yom Kippur e do Irã-Iraque fizeram o preço disparar entre as metades das décadas de 1970 e 1980. Com o fim da Guerra Fria e a maior oferta internacional de combustíveis, o preço do petróleo caiu para níveis bastante baixos na virada do milênio.


Porém, os preços do petróleo voltaram a subir no início dos anos 2000 e bateram o recorde histórico em 2008 (apresentando um segundo pico em 2011) em decorrência da maior demanda mundial, especialmente da China e de outros países emergentes. A recessão econômica de 2009 foi provocada em grande parte pelo aumento do preço do petróleo. Este aumento incentivou as empresas petrolíferas a investir em novas descobertas e a explorar outros tipos de combustível, como as areias betuminosas (Tar sands) do Canadá e o gás de xisto (shale oil). O fato é que o alto preço dos combustíveis fósseis incentivou o aumento da oferta. 


Como a economia internacional não cresceu no ritmo esperado, houve excesso de oferta e escassez da demanda e os preços caíram muito em 2015 e começo de 2016. Houve uma crise geral no setor petroleiro. No caso do Brasil, além dos escândalos de corrupção na Petrobras, o atual preço do petróleo inviabiliza a exploração do pré-sal.


Tudo indica que os preços do petróleo vão voltar a subir nos próximos anos e décadas, pois a economia mundial está viciada em combustíveis fósseis e a produção caminha para o Pico do Petróleo (energia escassa e com altos custos de extração). Atualmente as empresas petrolíferas estão em crise pois os preços estão baixos e os custos estão altos. Mas elas confiam que vão poder recuperar os prejuízos no futuro.


Porém, existe um outro problema, pois todo o sucesso econômico gerado pela queima de combustíveis fósseis lançou toneladas de CO2 na atmosfera, agravando o efeito estufa e acelerando o aquecimento global. De meados do século XX até os dias atuais a temperatura média do globo subiu mais de 1º C, mais do que em todo o período do Holoceno (10 mil anos). O Acordo de Paris, assinado na COP21, estabelece como limite máximo 2º C, mas de preferência 1,5º C. Portanto, o mundo precisa reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE).


Diante da pressão mundial, até grandes companhias de petróleo já começam a se adaptar à realidade mundial. A Exxon Mobil, bastião do ceticismo com o aquecimento global, realizou várias reuniões de acionistas que exigem maior empenho na exposição da vulnerabilidade dos negócios em face da mudança climática. 


Outras companhias com a Chevron e a Total anunciaram que planejam elevar a 20%, até 2036, o investimento em atividades independentes de carbono. Há propostas de reinvestir lucros na sua conversão em empresa de energias renováveis. No Brasil, a Petrobras, enrolada em escândalos e na nacionalista bandeira “o petróleo é nosso”, tem feito pouco para diversificar sua produção.


Os países do G7 (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e mais União Europeia) estabeleceram pela primeira vez um prazo para o fim da grande maioria dos subsídios para os combustíveis fósseis. Na cúpula de Tokyo, em maio de 2016, os líderes das sete economias capitalistas mais avançadas do planeta estabeleceram a data de 2025 para acabar com os subsídios para o carvão, o petróleo e o gás.


Porém, a Agência Internacional de Energia prevê que os combustíveis fósseis vão continuar dominando a matriz energética mundial e as emissões de GEE vão continuar aumentando até 2040, como mostra o gráfico abaixo.




A concentração de GEE na atmosfera já ultrapassou 400 partes por milhão (ppm). Esse nível é o mais alto, pelo menos nos últimos 800 mil anos. Antes da Revolução Industrial e Energética a concentração de CO2 na atmosfera estava em 280 ppm. 


O gráfico abaixo mostra que no ritmo atual de emissões a temperatura na Terra pode subir cerca de 5º C até o ano de 2100. Para que a temperatura fique abaixo de 1,5º C seria preciso uma redução significativa das emissões.


Artigo de Damian Carrington, no jornal The Guardian, mostra que se todo o estoque de combustíveis fósseis for usado, o Planeta pode se aquecer em até 10º C, o que causaria danos irreparáveis e poderia levar ao colapso da civilização humana. Com base em trabalho publicado na revista Nature Climate Change, a queima de todas jazidas comprovadas de combustíveis fósseis – um impacto da emissão de toneladas 5 toneladas de emissões de carbono – elevaria a temperatura em 8º C até 2300. Quando se adiciona o efeito de outros gases de efeito estufa, o aumento sobe para 10º C.


O aquecimento previsto pelos modelos não é uniforme em todo o globo. No ártico, os níveis mais elevados de CO2 elevaria a temperatura a 17º C, com outro 3º C de outros gases de efeito estufa. Isto provocaria o degelo na região, liberando a bomba de metano aprisionada no permafrost. Isto teria o efeito de aumentar ainda mais a temperatura global.


Este cenário é catastrófico e levaria à acidificação dos solos e dos oceanos, provocaria inundações em algumas regiões e grandes secas em outras e elevaria o nível dos oceanos em pelos menos 10 metros, o que afetaria a maioria das regiões litorâneas do mundo. A vida na Terra estaria comprometida. Portanto, é melhor nos livrarmos dos combustíveis fósseis antes que ele nos deixe em uma situação perigosa e irreversível.

Referências:


ALVES, JED. Desinvestimento em combustíveis fósseis e o fim dos subsídios. Ecodebate, RJ, 05/06/2015 http://www.ecodebate.com.br/2015/06/05/desinvestimento-em-combustiveis-fosseis-e-o-fim-dos-subsidios-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. O mito do pré-sal como redenção nacional. Ibase, Rio de Janeiro, Revista Trincheiras, agosto 2015 http://ibase.br/pt/wp-content/uploads/2015/08/2PRINT-TRINCHEIRAS2.pdf
ALVES, JED. Desobediência civil para libertar-se dos combustíveis fósseis. Ecodebate, RJ, 04/05/2016 https://www.ecodebate.com.br/2016/05/04/desobediencia-civil-para-libertar-se-dos-combustiveis-fosseis-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
Damian Carrington. World could warm by massive 10o C if all fossil fuels are burned, The Guardian, 23/05/2016

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 08/07/2016
"O preço real do petróleo e o custo para o meio ambiente, artigo de José Eustáquio Diniz Alves," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 8/07/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/07/08/o-preco-real-do-petroleo-e-o-custo-para-o-meio-ambiente-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

 
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Fórum das ONGs Ambientalistas entrega documento em defesa da Reserva da Biosfera do Cerrado ao Secretário de Meio Ambiente do DF

Luiz Mourão
Fórum das ONGs Ambientalistas entrega documento em defesa da Reserva da Biosfera do Cerrado ao Secretário de Meio Ambiente do DF — at Secretaria do Meio Ambiente - GDF.

Pó de carvão mata 23.000 por ano na UE

04/07/2016- 20h50min

O pó originado em usinas de energia movidas a carvão na União Europeia penetra nos pulmões, provocando cerca de 23.000 mortes por ano, e consumindo dezenas de bilhões de euros em gastos de saúde, segundo um relatório de uma ONG divulgado na terça-feira.
Embora a UE avance em direção às energias renováveis, como a eólica e a solar, o carvão foi responsável por 18% das emissões de gases do efeito estufa do bloco em 2014, e correspondeu a um quarto da eletricidade gerada no bloco em 2015, de acordo com o documento.

As emissões de 257 usinas, sobre as quais havia dados disponíveis, "estiveram associadas com 22.900 mortes prematuras em 2013", disse o relatório, intitulado "Nuvem escura da Europa: como países que queimam carvão deixam seus vizinhos doentes".

Há um total de 280 usinas movidas a carvão no bloco.

O estudo foi realizado por pesquisadores de quatro grupos de lobby de energias verdes: Health and Environment Alliance, WWF, Climate Action Network Europe e Sandbag.
Além das mortes, o relatório culpou a poluição das usinas de carvão por cerca de 12.000 novos casos de bronquite crônica e mais de meio milhão de ataques de asma em crianças na UE em 2013.

Os "gastos substanciais" com tratamentos médicos e com a redução da produtividade causada pela ausência do trabalho foram de entre 32,4 e 62,3 bilhões de euros, segundo o relatório.


Cerca de 83% das mortes (aproximadamente 19.000) foram atribuídas à inalação de partículas tão pequenas - menos de 2,5 micrômetros de diâmetro - que podem entrar profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea.


Doenças cardíacas e câncer
"As causas de morte mais comuns ligadas à exposição de partículas são acidentes vasculares cerebrais, doenças cardíacas, doença pulmonar crônica e câncer de pulmão", afirma o relatório.


O texto alerta que as partículas viajam "por centenas de quilômetros e cruzam as fronteiras nacionais, afetando a saúde das pessoas dentro e fora do país de produção".
O relatório lista os piores infratores da UE, atribuindo 4.690 mortes prematuras a usinas elétricas a carvão da Polônia, 2.490 à Alemanha, 1.660 à Romênia, 1.390 à Bulgária e 1.350 à Grã-Bretanha.


Os cinco países mais afetados pela poluição foram a Alemanha, com 3.630 mortes, Itália, com 1.610, França, com 1.380, Grécia, com 1.050, e Hungria, com 700.
"A poluição do ar é responsável por milhões de mortes em todo o mundo", disse Roberto Bertollini, o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a UE, em um comunicado.


"O aumento das temperaturas, devido às mudanças climáticas, vai agravar o problema", completou.

Um estudo similar feito nos Estados Unidos atribuiu mais de 13.000 mortes prematuras à poluição do carvão, enquanto uma pesquisa da Índia responsabilizou o carvão por 115.000 mortes prematuras e 20 milhões de casos de asma por ano.


Em Paris, em dezembro passado, 195 nações concordaram em reduzir as emissões de gases do efeito estufa provenientes de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás, em uma tentativa de limitar o aquecimento global "bem abaixo" de 2º Celsius em relação aos níveis pré-industriais.


mlr/mh/db/lr

Protocolada representação no MPDFT pedindo o cancelamento da Licença Ambiental para implantar a expansão do Setor Habitacional Taquari que ameaça toda a área de recarga de aquíferos da Serrinha do Paranoá !

Brasília é o Bicho



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Brasília é o Bicho with Parque Nacional de Brasília- #pnb.
A anta (Tapirus terrestres) é o maior mamífero terrestre brasileiro. Apresenta ciclo reprodutivo longo, com 13 a 14 meses de gestação e apenas um filhote, o que torna a espécie muito vulnerável a pressões. 

Foi considerada extinta na Caatinga e está Em perigo (EN) de extinção no Cerrado, já que, a partir da década de 70, uma enorme expansão agropecuária levou 67% das áreas de Cerrado a serem hoje consideradas alteradas. A anta brasileira é encontrada apenas em áreas preservadas.

Categoria EM PERIGO (EN):
Uma espécie é considerada Em Perigo (EN) quando as melhores evidências disponíveis indicam que se cumpre qualquer um dos critérios, como redução da população de uma espécie e por isso considera-se que está enfrentando um risco muito alto de extinção na natureza.

Principais ameaças:
Desmatamento e/ou alteração do habitat, monoculturas, fragmentação do habitat, isolamento, pequenas populações, baixa conectividade, pecuária extensiva, caça, fogo, atropelamento em estradas, doenças infecciosas provindas de animais domésticos, densidade humana, número e tamanho de áreas protegidas, mineração, extração de recursos, empreendimentos.


Fonte: ICMBio

MPDFT ajuíza ação contra permanência de pista de pouso no Parque Ecológico Burle Marx

Marx

  • Criado em 01 de Julho de 2016, às 14:21
Pista foi construída sobre adutoras da Caesb. Há risco de acidentes e desabastecimento
A Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) ajuizou, em 21 de junho, ação civil pública para a anulação do termo de compromisso firmado entre o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e a Associação dos Pilotos de Ultraleve de Brasília (Apub). O documento, assinado em 13 de maio de 2016, autoriza a permanência da pista de pouso construída no interior do Parque Ecológico Burle Marx. Na ação, a Prourb pede que o termo seja suspenso liminarmente até o julgamento definitivo da ação.


A área é ocupada ilegalmente pela Apub há mais de dez anos. Decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) proferida em julho de 2015 determina a desativação da pista e a demolição das construções irregulares, mas nenhuma providência foi tomada até o momento.


Em 9 de maio de 2016, auditores do Ibram visitaram o local e multaram a Apub em R$ 72 mil, além de determinar a interdição imediata da pista. Apenas quatro dias mais tarde, o Ibram e a Apub, de forma inesperada, firmaram termo de compromisso que desinterdita a pista de pouso, autoriza a ocupação da área pela Apub e concede desconto de 90% nas multas aplicadas.


Situação de risco
A Prourb também requisitou ao Ibram e à Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) esclarecimentos sobre os motivos da permanência de pista de pouso no Parque Ecológico Burle Marx. O questionamento foi motivado por informação recebida da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) sobre irregularidades na construção da pista.


Segundo a empresa, a obra teria sido feita sobre trechos de quatro adutoras, que operam sob elevada pressão. A Associação dos Pilotos de Ultraleve de Brasília (Apub), responsável pela pista, não consultou ou solicitou autorização da Caesb para a construção. O rompimento dessas instalações pode causar, além de vítimas fatais e danos a equipamentos, o desabastecimento de água em parte do Plano Piloto e do Lago Norte.


A Caesb também informou que, desde 2011, a pista de pouso impede o livre acesso de equipes para operação e manutenção dos trechos das adutoras. A colocação de tapumes de chapas metálicas com postes de sustentação no local dificultaram a execução de serviços e inspeções técnicas. A empresa requereu ao Ibram e à Terracap a remoção imediata da pista de pouso, mas, até o momento, nenhuma providência foi tomada.


Clique aqui para ler a íntegra da ação.


Leia mais:
MPDFT questiona acordo entre Ibram e Apub para manter pista de pouso no Parque Ecológico Burle Marx Divisão de Jornalismo / Secretaria de Comunicação
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Pesquisadora da USP monta mapa da contaminação por agrotóxico no Brasil

By Carta Campinas / in Manchete, Meio ambiente, Saber & Saúde / on sexta-feira, 08 jul 2016 11:47 AM / 1 Comment
mapa da intoxica agrotoxico larissaOs mapas produzidos por Larissa Mies Bombardi são chocantes. Quando você acha que já chegou ao fundo do poço, a professora de Geografia Agrária da USP passa para o mapa seguinte. E, acredite, o que era ruim fica pior. Mortes por intoxicação, mortes por suicídio, outras intoxicações causadas pelos agrotóxicos no Brasil. A pesquisadora reuniu os dados sobre os venenos agrícolas em uma sequência cartográfica que dá dimensão complexa a um problema pouco debatido no país.


Ver os mapas, porém, não é enxergar o todo: o Brasil tem um antigo problema de subnotificação de intoxicação por agrotóxicos. Muitas pessoas não chegam a procurar o Sistema Único de Saúde (SUS); muitos profissionais ignoram os sintomas provocados pelos venenos, que muitas vezes se confundem com doenças corriqueiras. Nos cálculos de quem atua na área, se tivemos 25 mil pessoas atingidas entre 2007 e 2014, multiplica-se o número por 50 e chega-se mais próximo da realidade: 1,25 milhão de casos em sete anos.


Além disso, Larissa leva em conta os registros do Ministério da Saúde para enfermidades agudas, ou seja, aquelas direta e imediatamente conectadas aos agrotóxicos. As doenças crônicas, aquelas provocadas por anos e anos de exposição aos venenos, entre as quais o câncer, ficam de fora dos cálculos. “Esses dados mostram apenas a ponta do iceberg”, diz ela.


Ainda assim, são chocantes. O Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos, posto roubado dos Estados Unidos na década passada e ao qual seguimos aferrados com unhas e dentes. A cada brasileiro cabe uma média de 5,2 litros de venenos por ano, o equivalente a duas garrafas e meia de refrigerante, ou a 14 latas de cerveja.


Em breve, todo o material reunido por Larissa será público. O livro Geografia sobre o uso de agrotóxicos no Brasil é uma espécie de atlas sobre o tema, com previsão de lançamento para o segundo semestre. Será um desenvolvimento do Pequeno Ensaio Cartográfico Sobre o Uso de Agrotóxicos no Brasil, já lançado este ano, com dados atualizados e mais detalhados. No período abrangido pela pesquisa, 2007-2014, foram 1.186 mortes diretamente relacionadas aos venenos. Ou uma a cada dois dias e meio:


“Isso é inaceitável. Num pacto de civilidade, que já era hora de termos, como a gente fala com tanta tranquilidade em avanço de agronegócio, de permitir pulverização aérea, se é diante desse quadro que a gente está vivendo?”, indaga a professora ao programa De Olho nos Ruralistas.

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O papel do agronegócio
Larissa fala de agronegócio porque é exatamente esse modelo o principal responsável pelas pulverizações. Os mapas mostram que a concentração dos casos de intoxicação coincide com as regiões onde estão as principais culturas do agronegócio no Brasil, como a soja, o milho e a cana de açúcar no Centro-Oeste, Sul e Sudeste. No Nordeste, por exemplo, a fruticultura. A divisão por Unidades da Federação e até por municípios comprovam com exatidão essa conexão.


A pesquisadora compara a relação dos brasileiros com agrotóxicos à maneira como os moradores dos Estados Unidos lidam com as armas: aceitamos correr um risco enorme. Quando se olha para um dos mapas, salta à vista a proporção entre suicídio e agrotóxicos. Em parte, explica Larissa, isso se deve ao fato de que estes casos são inescapavelmente registrados pelos órgãos públicos, ao passo que outros tipos de ocorrências escapam com mais facilidade.


Mas, ainda assim, não é possível desconsiderar a maneira como distúrbios neurológicos são criados pelo uso intensivo dos chamados “defensivos agrícolas”, termo que a indústria utiliza para tentar atenuar os efeitos negativos das substâncias.
Soja, milho e cana, nesta ordem, comandam as aplicações.


Uma relação exposta no mapa, que mostra um grande cinturão de intoxicações no centro-sul do país. São Paulo e Paraná aparecem em destaque em qualquer dos mapas, mas a professora adverte que não se pode desconsiderar a subnotificação no Mato Grosso, celeiro do agronegócio no século 21.


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O veneno está na cidade

A conversa com o De Olho nos Ruralistas – durante gravação do piloto de um programa de TV pela internet – se deu em meio a algumas circunstâncias pouco alvissareiras para quem atua na área. Há alguns dias, a Rede Globo tem veiculado em um de seus espaços mais nobres, o intervalo do Jornal Nacional, uma campanha em favor do “agro”. Os vídeos institucionais têm um tom raríssimo na emissora da família Marinho, com defesa rasgada dos produtores rurais de grande porte.

“Querem substituir a ideia do latifúndio como atraso”, resume Larissa. Ela recorda que, além do tema dos agrotóxicos, o agronegócio é o responsável por trabalho escravo e desmatamento. E questiona a transformação do setor agroexportador em modelo de nação. “A alternativa que almejaríamos seria a construção de uma outra sociedade em que esse tipo de insumo não fosse utilizado. Almejamos uma agricultura agroecológica com base em uma ampla reforma agrária que revolucione essa forma de estar na sociedade.”

No mesmo dia da entrevista, o Diário Oficial da União trouxe a sanção, pelo presidente provisório, Michel Temer, da Lei 13.301. Em meio a uma série de iniciativas de combate à dengue e à zika, a legislação traz a autorização para que se realize pulverização aérea de venenos em cidades, sob o pretexto de combate ao mosquito Aedes aegypti. A medida recebeu parecer contrário do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, posição que foi ignorada por Temer.

Larissa considera que a medida representa um grande retrocesso e demonstra preocupação pelo fato de a realidade exposta em seus mapas ser elevada a potências ainda desconhecidas quando se transfere um problema rural para as cidades. “O agrotóxico se dispersa pelo ar, vai contaminar o solo, vai contaminar a água. O agrotóxico não desaparece. Ao contrário, ele permanece.” Em outras palavras: o veneno voa e mergulha. Alastra-se. E tem longa duração. (Por João Peres/ Do De Olho nos Ruralistas)

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Cientistas identificam neurônio que pode combater alcoolismo


06/07/2016 20h44 - Atualizado em 06/07/2016 20h46


Grupo conseguiu inibir vontade de '2ª dose' em ratos treinados para beber.
Tipo D2 é responsável por desencorajar a ação no cérebro.

Do G1, em São Paulo
Cerveja é responsável por diversos avanços sociais e tecnológicos. (Foto: Aliaksei Smalenski / Shutterstock)Estudo do Texas encontrou neurônio que inibe 'segundo copo'. (Foto: Aliaksei Smalenski / Shutterstock)
Pesquisadores do Texas, nos Estados Unidos, identificaram o neurônio capaz de avisar quando é a hora de parar de beber. O estudo foi publicado no jornal  “Biological Psychiatry” e divulgado nesta quarta-feira (6).

Neurônios específicos podem influenciar o comportamento do consumo de álcool, de acordo com os resultados. A prévia da pesquisa mostrou que o hábito altera a estrutura física dos neurônios espinhosos médios, localizados na região estriado dorsomedial do cérebro.

Eles descobriram que a ativação de um tipo de neurônio, chamado D1, conduz à segunda dose de bebida. Nesta fase da pesquisa, eles também descobriram um segundo tipo de neurônio que determina que o indivíduo pare de beber - o D2.

O tipo D1 é o que impulsiona o cérebro, enquanto o do tipo D2 segura as reações. Em outras palavras, quando os neurônios D2 são ativados, eles desencorajam a ação.

"Os neurônios D2 são bons pelo menos do ponto de vista do vício", disse Jun Wang, um dos autores da pesquisa. "Ativá-los é importante para prevenir problemas de comportamente com a bebida”, completou.
  
Segundo os pesquisadores, neurônios D2 tendem a ser desativados quando bebemos demais. Isso significa que não há nada no cérebro nos “dizendo” para parar de beber.

Os resultados do estudo fornecem uma visão sobre o mecanismo do alcoolismo. "Nossa pesquisa atual e a anterior são essencialmente dois lados da mesma moeda", disse Wang. "D1 e D2 são neurônios meio espinhosos e têm essencialmente papéis opostos no consumo de álcool".
  
Ao manipular a atividade desses neurônios, os pesquisadores foram capazes de mudar o consumo de bebidas alcoólicas nos ratos que haviam sido "treinados" para buscar álcool. Ao ativar os neurônios D2, o consumo de álcool foi diminuído.
  
Segundo Wang, ainda se está muito longe de testar o efeito em seres humanos. Mas, em teoria, a estimulação elétrica ou algum outro método de ativação dos neurónios D2 pode ser capaz de prevenir alcoólatras de querer sempre ingerir outra bebida. "Esse é o objetivo final", disse. "Espero que estes resultados sejam, eventualmente, capazes de serem usados para o tratamento da dependência de álcool."

Um em cada cinco brasileiros bebe refrigerante todo dia, diz pesquisa

7/07/2016 11h18 - Atualizado em 07/07/2016 13h07

Bebida é o sexto produto alimentício preferido de jovens de 12 a 17 anos.
Frutas não estão na lista dos 20 produtos mais consumidos nessas idades.

Gabriel LuizDo G1 DF
Empresas anunciam que deixarão de vender refrigerante à escolas para crianças de até 12 anos. (Foto: Suelen Gonçalves/G1 AM)Refrigerante em copo com gelo; um dos alimentos que devem ser evitados, segundo o Ministério da Saúde (Foto: Suelen Gonçalves/G1)
Um em cada cinco brasileiros (19%) adultos que vivem nas capitais brasileiras consomem refrigerante ou sucos artificiais todos os dias, informou o Ministério da Saúde nesta quinta-feira (7).


Refrigerantes são o sexto produto alimentício preferido por crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos, atrás de arroz, feijão, pão, suco e carnes. Na lista dos 20 produtos mais consumidos por essa parcela da população, as frutas sequer aparecem.
Segundo o ministério, somente 37,6% da população adulta das 27 capitais relataram consumir frutas e hortaliças regularmente – um aumento de 29,9% em comparação com 2010. Carnes com excesso de gordura são frequentemente consumidas por 31,1% da população.

Os dados apresentados pelo ministério são parte do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes, que entrevistou jovens de 124 municípios, e da pesquisa Vigitel 2014 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), que entrevistou 54 mil adultos por telefone nas capitais brasileiras.


O estudo aponta que o feijão é parte da rotina diária de 64,8% dos brasileiros. Doces são consumidos quase todos os dias por 20% da população. Segundo a pesquisa, 15,5% dos brasileiros substituem o almoço ou jantar por lanches.


O ministério identificou que 56,6% dos jovens fazem as refeições em frente à televisão e 73,5% desse público passam mais de duas horas por dia em frente à tela do PC ou do videogame. Segundo a coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição, Michele Lessa, a situação cria impacto para a rotina dos adolescentes, que acabam não prestando atenção ao que comem.


Outro dado que a especialista apontou é o fato de que menos da metade (51,8%) dos jovens bebe menos de cinco copos d’água por dia – quando o recomendado é de oito copos. “A gente observa que a água é substituída por suco, que é tão prejudicial quanto o refrigerante”, disse.

Ela também considerou preocupante o fato de que os adolescentes estejam se tornando cada vez mais dependentes de produtos industrializados. O motivo é a falta de conhecimento dos jovens em preparar a própria comida.
Entrevista coletiva no Ministério da Saúde (Foto: Gabriel Luiz/G1)Entrevista coletiva no Ministério da Saúde (Foto: Gabriel Luiz/G1)

Desafio
O estudo mostrou ainda que um em cada quatro adolescentes sofre de problemas com a balança – 17,1% têm sobrepeso e 8,4% são obesos. A maior parte desse grupo se concentra na região Sul do país. Entre adultos, 53,9% estão acima do peso e 18,9%, obesos. A maior parte desse grupo se concentra na região Sul do país.

A rede pública de saúde brasileira gasta mais de R$ 233 milhões com cirurgias bariátricas por ano, segundo o ministério. O dinheiro é equivalente ao gasto com a construção de 30 unidades de pronto atendimento e 60 unidades básicas de saúde, segundo o ministério.

O gasto em tratamentos contra obesidade no SUS é de R$ 458 milhões. Só o gasto por atendimento de jovens com diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e cirurgia bariátrica chega a R$ 126,4 milhões.

Decisão interna
Também nesta quinta, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, assinou uma portaria proibindo a compra de alimentos não saudáveis com recursos do ministério. Ficam proibidos produtos como refrigerantes e salgadinhos em “coffee breaks” da pasta ou até mesmo na lanchonete. A intenção do ministro é estender a regra a outros órgãos do Executivo.

O ministro disse considerar que regra sobre publicidade de guloseimas pode ser “aprimorada”. Ao lembrar que já existem definições sobre propagandas desse tipo de produto para o público infantil, ele declarou que há espaço para mudança na situação atual.

Falta d’água é realidade e racionamento não está descartado no DF

Caesb/Divulgação
Caesb/Divulgação



Produtores rurais já enfrentam dificuldades e agência reguladora alerta que, se o quadro não se reverter, no futuro o brasiliense poderá conviver com restrições ao consumo, incluindo o aumento de tarifas



  
O órgão fiscalizador convocou uma audiência pública nesta quarta-feira (6/7) para esclarecer a atual situação dos mananciais do DF e anunciar possíveis medidas caso o panorama não se altere. O quadro é preocupante, porque a falta d’água já é realidade em algumas regiões do DF, prejudicando, especialmente, produtores rurais.

“A quantidade de chuvas abaixo do esperado no último ano trouxe consequências para agricultores da região leste do DF, abastecida pela Bacia do Rio Preto, por exemplo. Lá, estão sendo implementados programas para tentar minimizar a falta de água”, relata Salles.

A preocupação é reforçada pela promotora de Justiça do Meio Ambiente Marta Eliana de Oliveira. “O Distrito Federal conta com muitas nascentes e poucos rios caudalosos. Essa estrutura frágil é prejudicada pela ocupação irregular do solo. Nossos agricultores já sofrem com a seca e existe a possibilidade da falta de água para o restante da população”, afirma a jurista.

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles
Medidas de contenção
Para contornar a situação e evitar que os brasilienses vivam situação semelhante à de São Paulo que, nos últimos anos, decretou o racionamento do consumo medidas preventivas devem ser tomadas, como a intensificação das fiscalizações nos órgãos de abastecimento, a fim de evitar desperdícios, e a implementação de campanhas de conscientização voltadas para a população, a exemplo do site Naodesperdiceagua.com, da própria Adasa. A página conta com dados sobre o consumo de água no DF e dicas de como economizar os recursos hídricos.

População
A promotora Marta Eliana de Oliveira faz uma ressalva: as medidas por parte das instâncias governamentais são pequenas diante da importância da participação popular. “Dois pontos são fundamentais. Um é a economia de água em si. O nível de consumo, especialmente em áreas nobres, é absurdo. É preciso abandonar hábitos de desperdício e até de ostentação.”

Segundo Marta Eliana, a grilagem também é um problema. “A outra questão, ainda mais séria, é a ocupação das terras. Não se pode admitir as contínuas invasões em territórios de nascentes. A área de proteção do São Bartolomeu, por exemplo, deveria abrigar um reservatório, mas o projeto não foi concluído devido à ocupação irregular no local”.

Contas mais altas
Não se sabe se o racionamento chegará a se tornar realidade no DF. Antes de adotar a iniciativa, a população poderá sofrer no bolso. Caso o consumo não seja controlado e o clima continue desfavorável, podem-se adotar medidas para desestimular o consumo, como aumentar os valores da conta de água e aplicar a bandeira vermelha na tarifa de luz, usada em períodos de baixa produção energética por hidrelétricas, e que acrescenta R$ 5,50 por cada 100 kWh consumidos.


Até o momento, o clima não está ajudando. Já são 46 dias sem chuvas no DF, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). E, do início do ano até agora, foram registrados 648mm de chuva — quantidade 21% menor do que no mesmo período do ano passado.
 

Combater desmatamento é insuficiente para conservar a biodiversidade da Amazônia

Publicado em julho 7, 2016 por


Trabalho publicado na Nature tem como um dos autores o professor Silvio Ferraz, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq

Esforços internacionais visando à conservação de espécies das florestas tropicais irão falhar se não levarem em consideração o controle da exploração madeireira ilegal, de incêndios florestais e da fragmentação de áreas remanescentes. Esta é a conclusão de um estudo inovador, que acaba de ser publicado na Nature, a principal revista científica internacional.


O estudo Anthropogenic disturbance can be as important as deforestation in driving tropical biodiversity loss (Perturbação antropogênica pode ser tão importante quanto o desmatamento na condução de perda de biodiversidade tropical) mediu o impacto geral das perturbações florestais mais comuns – o que inclui exploração madeireira, incêndios e fragmentação de florestas remanescentes – em 1.538 espécies de árvores, 460 de aves e 156 de besouros encontradas na Amazônia paraense.


Pela primeira vez, pesquisadores de 18 instituições internacionais, dentre as quais 11 brasileiras, foram capazes de comparar a perda de espécies causada por perturbações humanas com aquelas resultantes da perda de hábitat pelo desmatamento.


Amazônia – Foto: Wikimedia Commons
E o resultado desafia a atual concepção das estratégias de conservação, na qual prevalece o foco no combate ao desflorestamento: os cientistas demonstraram que, para a floresta tropical, os efeitos das perturbações causadas por atividades humanas resultam em perda de biodiversidade tão ostensiva quanto a causada pelo desmatamento.


Uma das principais pesquisadoras do projeto, Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, diz: “Conseguimos oferecer evidências convincentes de que as iniciativas de conservação amazônica precisam considerar as perturbações florestais e o desmatamento. Sem ações urgentes, a expansão da exploração ilegal de madeira e a ocorrência cada vez maior de incêndios causados pelo homem irão resultar em áreas de florestas tropicais cada vez mais degradadas, conservando apenas uma pequena fração da exuberante diversidade que já abrigaram.”


Quando analisado em conjunto, o efeito das atividades humanas resultantes em perturbações florestais no Pará é equivalente a uma perda adicional de mais de 139.000 quilômetros quadrados (km2) de floresta pristina (sem intervenção humana) e correspondente a todo o desmatamento no Estado desde 1988, ano que inaugurou o monitoramento oficial.

O pesquisador sênior do projeto, Toby Gardner, do Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI), destaca: “As florestas tropicais são um dos mais valiosos tesouros biológicos do planeta. Ao focar exclusivamente as extensões de floresta remanescentes, sem levar em conta o estado de saúde dessas áreas, as atuais iniciativas de conservação estão colocando em perigo tal riqueza”.

Espécies raras são as mais ameaçadas

Os cientistas também descobriram que espécies sob o risco máximo de extinção foram as mais atingidas pelas perturbações causadas por atividade humana.


Ima Vieira, pesquisadora sênior do Museu Paraense Emílio Goeldi e uma das colaboradoras do projeto, diz: “O estado do Pará abriga mais de 10% das espécies de aves do planeta, muitas das quais endêmicas. Nossos estudos demonstram que são justamente estas espécies as que estão sofrendo o maior impacto da ação antrópica, pois elas não sobrevivem em ambientes com estes níveis de perturbação”.

É preciso ir além do combate ao desmatamento

Enquanto a redução do desmatamento é acertadamente o principal foco da maioria das estratégias de conservação em nações tropicais, a condição das florestas remanescentes não costuma ser avaliada ou mesmo controlada por políticas públicas.

“Ações imediatas são necessárias para combater as perturbações florestais em nações tropicais”, explica Silvio Ferraz, professor do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. “No caso do Brasil, a situação é ainda mais crítica, já que 40% dos remanescentes de florestas tropicais da Terra se encontram aqui”, completa o pesquisador, que integrou a equipe do estudo. Ainda que donos de terras na Amazônia brasileira sejam obrigados por lei a manter 80% da cobertura primária em suas propriedades, a nova pesquisa demonstra que, em paisagens nas quais a lei é cumprida, a metade do valor potencial de conservação já pode ter sido perdida.

“Estes resultados devem servir de alerta para a comunidade global”, afirma Jos Barlow, o principal autor do estudo. “O Brasil demonstrou uma liderança sem precedentes no combate ao desmatamento na última década. O mesmo nível de liderança é necessário agora para proteger a saúde das florestas restantes nos trópicos. Do contrário, décadas de esforço de conservação terão sido em vão.”


Foto: Wikimedia Commons
Infelizmente, a rica biodiversidade do Brasil está mais uma vez ameaçada por novas tentativas de mudanças no Código Florestal. Luiz Aragão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, também integrou a equipe do estudo e destaca: “O Senado brasileiro está propondo uma nova lei que vai permitir aos produtores se valerem de florestas plantadas, como as monoculturas de eucalipto, para atingir a meta legal de cobertura florestal. Propostas como esta, que ignoram as condições das florestas em questão, podem acelerar a perda de biodiversidade tropical”.



O estudo publicado é fruto da Rede Amazônia Sustentável (RAS), um consórcio de instituições brasileiras e estrangeiras, coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental, Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade de Lancaster (Reino Unido) e Instituto Ambiental de Estocolmo (Suécia). A RAS é também parte do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia.


Do Jornal/Agência USP, in EcoDebate, 07/07/2016

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Fotos de animais selvagens em redes sociais expõem lado desumano do homem

 artigo de João Paulo Sangion

Publicado em julho 7, 2016 por


opinião

Eles não pediram para sair na ‘selfie’

[EcoDebate] No mês passado acompanhamos trágicas e tristes notícias envolvendo o Homem e algumas espécies de animais selvagens. O gorila morto em um zoológico de Cincinatti, EUA; o elefante morto no Camboja; e a onça Juma morta aqui no Brasil. Mortes naturais? Não. Mortes provocadas pela ação (des)humana.

Pelo resto do mundo escutamos, assistimos e lemos quase toda semana matérias sobre o impacto ambiental provocado pelo contato humano com as mais variadas espécies de animais selagens e silvestres. Nós, seres humanos, precisamos aprender a respeitar a importante condição natural dos animais (selvagem, silvestre, etc), e saber que alguns podem ser domesticados e outros não. E mais. Devem respeitar a condição de serem e ainda estarem selvagens e silvestres, evitando qualquer forma de aproximação e contato.

O contato dor ser humano com espécies selvagens ou silvestres é potencialmente lesiva e danosa, tanto a eles quanto para nossa espécie. No Brasil, diversas ONG’s e o IBAMA fiscalizam essa proteção, e são responsáveis pela readaptação e reinserção de algumas espécies, vítimas da ação humana, aos seus habitats naturais.

Nas palavras do sábio Gandhi, “o grau de evolução de uma sociedade pode ser avaliado pelo modo como essa sociedade trata suas crianças, seus idosos e seus animais. ” Quem sabe um dia as enciclopédias e a internet possam de vez substituir a medíocre “cultura” dos zoológicos e dos parques que escravizam orcas, leões, tigres e golfinhos.

Eles não pediram para sair na ‘selfie’. Eles não pediram, sequer, para estar em cena.
João Paulo Sangion, professor de Direito Ambiental e especialista em causa animal e criminologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

in EcoDebate, 07/07/2016


"Fotos de animais em redes sociais expõem lado desumano do homem, artigo de João Paulo Sangion," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 7/07/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/07/07/fotos-de-animais-em-redes-sociais-expoem-lado-desumano-do-homem-artigo-de-joao-paulo-sangion/.
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