quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Parques também protegem o céu


Por Silvana Campello
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Parque do Cantão: para ver bilhões de estrelas e outras galáxias basta uma boa câmera e uma longa
 exposição. Foto: Dana Bres

Desde que a NASA reiniciou as pesquisas espaciais, muito tem sido revelado sobre o sistema solar, e para além dele. E o que antes era limitado a intelectuais e a quem tinha acesso a um planetário, agora está ao alcance de milhões de pessoas graças ao lançamento de telescópios portáteis, relativamente baratos e de alta tecnologia, os quais podem ser adquiridos até pela internet.  Porém, justo quando a tecnologia se torna disponível, é o céu que parece já não estar, devido ao fenômeno da poluição luminosa.


A poluição luminosa é conseqüência da civilização industrial.  A luz das grandes e médias cidades do mundo é tão intensa que ofusca as estrelas, impedindo a observação do céu. Estudos recentes indicam que o aumento de exposição luminosa altera o ritmo biológico de diversas espécies, inclusive a nossa, que evoluíram para viver períodos iguais de luz e escuridão.   Por tudo isso, ganha impulso um movimento internacional deflagrado pela ONG americana Associação do Céu Escuro (International Dark-Sky Association)


Segundo a ONG, as Unidades de Conservação distantes dos centros urbanos, longe da poluição luminosa, podem garantir a clareza da massa estelar sobre nossas cabeças, e reconhece que, assim como a biodiversidade, o céu também cumpre um importante papel na nossa cultura e na nossa história.  A União Internacional para Conservação da Natureza – IUCN, por meio de um Grupo Consultivo para o Céu Escuro, mantém uma lista de 35 Unidades de Conservação em todo o mundo onde o céu está livre de poluição luminosa, e que por isso começam a atrair visitantes interessados na observação dos astros.



O Canadá lidera a lista da IUCN com 15 reservas, mas infelizmente – e injustamente - nenhum parque brasileiro está na lista. O Parque Estadual do Cantão, na bacia do Rio Araguaia, é um dos que certamente merecem estar: embora a sede do parque esteja no pequeno município ribeirinho de Caseara, a 256 km de Palmas, capital do Tocantins, os restantes 90.000 hectares do Cantão se encontram na ponta norte da remota Ilha do Bananal, adjacentes ao Parque Nacional do Araguaia e a extensas reservas indígenas, formando um conjunto de mais de 2 milhões de hectares sem poluição luminosa, de onde se vislumbra um céu esplendoroso.



Por ocasião do 18o aniversário do Parque do Cantão, cerca de 60 alunos da rede escolar local tiveram a oportunidade de ver o céu em nosso telescópio.  O interesse dos jovens superou nossas expectativas, e muitos solicitaram repetir a experiência.  Afinal, como não gostar de ver Saturno e seus anéis, e sua lua Encélado que nos indica a possibilidade de vida? Ou o grandalhão Júpiter, um planeta cuja enorme força gravitacional e posição estratégica no sistema solar, atrai para si meteoritos e asteróides que de outra forma viriam diretamente em direção à nossa Terra, destruindo a vida do planeta?  Júpiter é nosso guarda-costas!



O fato é que algumas Unidades de Conservação acabam de adquirir um novo papel na proteção de tudo que está abaixo, ao redor e acima de nós.  Quem mora em uma cidade grande hoje em dia precisa viajar para muito longe a fim de experimentar a sensação inesquecível de ver a Via Láctea e o céu em todo seu esplendor. E imaginar quantos mistérios existem por lá.



O físico italiano e Premio Nobel Enrico Fermi formulou uma pergunta interessante:  se a probabilidade de vida inteligente no Universo é tão grande quanto indicam os dados científicos, então eis o paradoxo de Fermi: “onde estão todos?” Vida inteligente é aquela capaz de formar civilizações.  E isso é uma coisa rara, haja visto nossa própria Terra, onde das estimadas 30 milhões de espécies somente uma foi capaz de formar uma civilização – com capacidade de criar comunicação e tecnologia avançadas, mas também de gerar poluição.  De todas as possíveis respostas ao paradoxo, a mais aceita pelos cientistas é que as civilizações deixam de existir, pois, à medida que avançam, alteram seu meio natural a ponto de se auto-destruir.  Se isso for verdade, nem Júpiter poderá nos salvar de nós mesmos.
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Jovens estudantes observam os astros com o telescópio do Instituto Araguaia, no Parque do Cantão. 
Foto: Instituto Araguaia

Crescimento da população humana ameaça a girafa… e todas as outras espécies

Por Silvana Campello
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Girafa, queda de 40% da população em três decadas. Foto: Wikimedia Commons


Saiu mais um dado oficial da União Mundial de Conservação (UICN), informando as alterações de espécies na Lista Vermelha de Animais Ameaçados de Extinção 2016. Os dados são, como sempre, estarrecedores:  mais 700 espécies de aves (das quais 13 estão consideradas extintas) foram adicionadas à lista, enquanto outras anteriormente incluídas, como o papagaio cinza (Psittacus erithacus), passaram de categoria VU - Vulnerável, para a categoria EN – Em Perigo de Extinção.  O mesmo acontece com o tubarão-baleia (Rhincodon typus). 


Das 6 espécies de gorilas, 4 estão na categoria CR – Criticamente Ameaçada, que esse ano passou a incluir o Gorila do Leste (Gorilla beringei). A lista marca a extinção de Petaurus australis, uma espécie de roedor endêmico da Austrália, a primeira extinção de um mamífero atribuída a mudanças climáticas.  Dentre outros aspectos a serem ressaltados, chama a atenção alteração de status de algumas espécies como o ornitorrinco  (Ornithorhynchus anatinus), a zebra (Equus quagga) e o cervo de  Borneu (Muntiacus atherodes) , os quais eram classificadas como LC - Pouco Preocupante, e que agora passaram à categoria NT – Quase Ameaçadas.


No infame  jogo da extinção, algumas espécies pularam várias casas:  o carismático Koala (Phascolarctos cinereus), o marsupial australiano Petauroides volans, e a girafa (Giraffa camelopardalis), foram da pouco preocupante categoria LC diretamente para a incômoda VU.  Desses, a icônica girafa vem ganhando grande destaque na mídia, uma vez que sua população declinou surpreendentes 40% nos últimos 30 anos.   Das 9 subespécies de girafa, apenas 3 da parte sul da África estão estáveis. As demais 5, espalhadas pelo continente, encontram-se a caminho da extinção.


Durante o Congresso Mundial de Conservação, realizado pela IUCN no Havaí esse ano, representantes de governos e ONGs passaram uma resolução pedindo a criação de áreas protegidas para conservação da girafa e do okapi, um animal raro, um “mix” de zebra, girafa e búfalo, que se encontra na categoria CR - Criticamente Ameaçado.


"A caça ilegal, perda de habitat, avanço da agricultura e problemas sociais estão levando a girafa à extinção”. Troque a palavra “girafa” por qualquer outro animal de sua escolha e a frase seguirá sendo verdadeira."
A lista vermelha do Brasil, onde constam 1.173 espécies, foi apresentada pelo ICMBio na 13a Cúpula das Nações Unidas pela Biodiversidade (COP 13), e foi matéria de ((O))Eco da semana passada.
Conservacionistas de todo o mundo estão acostumados a ver a Lista Vermelha de Animais Ameaçados aumentando a cada nova edição, salvo alguns raros casos de sucesso, como o do carismático Panda (Ailuropoda melanoleuca), que esse ano passou de EN para VU graças a um esforço (ainda não comprovado) do governo chinês.


Mas o que realmente causa surpresa é que – pelo menos no caso das girafas – a IUCN leva a mão à palmatória e admite abertamente que a causa da queda brutal da espécie é o crescimento descontrolado da população humana.  Esse assunto vinha sendo uma espécie de tabu entre os tomadores de decisão, um elefante no meio da sala que todos fingiam ignorar.  Segundo o relatório desse ano a IUCN afirma que “a crescente população humana está causando um impacto negativo nas populações de girafa.  A caça ilegal, perda de habitat, avanço da agricultura e problemas sociais estão levando a girafa à extinção”.  Troque a palavra “girafa” por qualquer outro animal de sua escolha e a frase seguirá sendo verdadeira.


Desde 1992, com o surgimento do movimento socioambiental, quase nenhum congresso e evento da IUCN ou de outras organizações ousaram sequer falar sobre o assunto da superpopulação humana e a necessidade de seu controle.


Ao contrário, grande ênfase é dada aos direitos e necessidades de nossa espécie sobre as demais 8,699 milhões de espécies estimadas no planeta. Áreas de proteção integral de onde não se extrai recursos caíram em desuso face a criação de áreas extrativistas, em busca de uma utópica sustentabilidade ambiental, econômica e social que pudesse preservar a biodiversidade, mas com os serem humanos dominando tudo.  Não apenas ineficiente, essa mentalidade é um tanto quando demagógica, e por que não dizer, ingênua, pois o impacto negativo que agora chega às girafas, eventualmente chegará a nós.


Admitir que somos nós os grandes vilões da Terra, agindo como células cancerígenas que adoecem o planeta, em nome de nosso egocêntrico bem-estar, não é algo fácil de se admitir em um universo que valoriza apenas nossos direitos. Mas reconhecer um problema é o primeiro passo na direção de solucioná-lo. E a IUCN finalmente fez essa admissão.




Doria define os parques de São Paulo que irão para a iniciativa privada

Por Sabrina Rodrigues
O Parque Jardim da Luz está entre as 15 unidades que serão cedidas à iniciativa privada. Foto: Milton Jung/Flickr.
O Parque Jardim da Luz está entre as 15 unidades que serão cedidas à iniciativa privada.
Foto: Milton Jung/Flickr.

Dando início aos planos de concessão dos parques municipais para a iniciativa privada, a equipe do prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), já definiu quais os parques municipais irão para a exploração comercial.

São eles: Parque Jardim da Luz, Trianon, Buenos Aires, Chácara do Jockey, Parque do Pôr do Sol, Alfredo Volpi, Burle Marx, Ibirapuera, Parque do Povo, Independência, Aclimação, Cidade de Toronto, Anhanguera, Parque do Carmo e Piqueri.


Outras 80 unidades estão sendo avaliadas para concessão. A futura gestão pensa em uma alternativa de “adoção” de unidades menos atrativas, ou seja, a empresa que vencer a concessão teria de assumir também unidades com menor público e estrutura. Ao ganhar o direito de explorar comercialmente os parques, os empresários poderão, por exemplo, estabelecer sistemas de estacionamentos ou áreas de alimentação, como quiosques de lanches e restaurantes. A gestão Doria estuda também alterar as atuais regras que impedem a realização de certos tipos de eventos dentro das unidades, como, por exemplo, feiras temáticas de produtos orgânicos com direito a pagamento de aluguel pelos expositores.


Fonte: Folha de S. Paulo

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Ampliação da Chapada dos Veadeiros ainda não saiu do papel.




ALTO PARAÍSO DE GOIÁS - Caberá ao ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, decidir o futuro de uma das reservas naturais mais importantes para a biodiversidade do país. Uma proposta do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) prevê a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás — dos atuais 65 mil hectares para 222 mil hectares. Ecologistas dizem que o projeto é essencial para proteger a biodiversidade do Cerrado, mas o plano enfrenta oposição de donos de terra, que temem desapropriações. No capítulo mais recente do impasse, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), apresentou, no último dia 29, uma contraproposta segundo à qual o parque passaria a 155 mil hectares, alegando que a expansão menor protegeria pequenos proprietários, evitando problemas legais. A ideia, por sua vez, é criticada por ambientalistas.



Segundo notas técnicas do ICMBio, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente, a expansão, que vem sendo reivindicada ao menos desde 2001, vai proteger 17 espécies de flora e 32 espécies de fauna ameaçadas de extinção, como o lobo-guará, a onça-pintada e o pato-mergulhão — estima-se que só existam 200 indivíduos da espécie, todos no Brasil. Também seriam protegidas 466 nascentes na região, que é conhecida como “a caixa d'água do Planalto Central”, com influência em bacias hidrográficas como a Amazônica e a do São Francisco.



Para se tornar decreto, a ampliação precisa do aval do governo goiano antes que seja assinada pela Presidência da República. Em setembro, o gabinete de Perillo pediu mais 180 dias de prazo ao governo federal, argumentando que a regularização fundiária de 228 propriedades não tinha sido concluída.


— Essa nova proposta de ampliação vem depois de uma série de cortes em um projeto muito maior, que inclusive passou por consultas públicas. Sistematicamente, o governo de Goiás está cortando o projeto de ampliação. Precisamos ter um olhar de conversação da biodiversidade, e não no que está acontecendo neste minuto — aponta Mariana Napolitano, analista de conservação do WWF-Brasil, ressaltando que a ampliação para 155 mil hectares inclui ainda um mapa repleto de descontinuidades geográficas que inviabilizam a gestão.



O processo de regularização fundiária inclui as chamadas ações discriminatórias, em que terras do governo de Goiás, hoje ocupadas por posseiros, se tornam propriedades na Justiça. Dessa forma, as famílias poderão receber indenizações com a desapropriação. Em nota, o secretário estadual de Meio Ambiente, Vilmar Rocha, afirmou que o governo de Goiás tem “a claríssima posição a favor da ampliação”: “Não são esses seis meses que vão inviabilizar a ampliação do parque. O que pode inviabilizar são as ações judiciais que podem surgir se não for feito da forma correta”.



O projeto do ICMBio tem como base um decreto de 2001 que ampliou a área do parque para cerca de 235 mil hectares, a partir dos limites considerados como Patrimônio Mundial Natural pela Unesco. Mas a expansão foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal, que avaliou que o processo não envolveu consultas públicas, como determina a lei.


Desta vez, o projeto contou com consultas públicas, em 2015, e com uma série de reuniões entre os governos, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) e representantes da sociedade civil. No início de novembro, uma nova rodada de negociações chegou ao consenso pela ampliação que totalizaria a área do parque em 222 mil hectares — poucos dias depois, a contraproposta do governo de Goiás para 155 mil hectares foi recebida com surpresa pelas partes. Criado em 1961 com 625 mil hectares, o parque passou por sucessivas reduções.


Desmatamento significativamente menor

Cores e texturas da Chapada dos Veadeiros

  • Região da Chapada dos Veadeiros tem pelo menos nove tipos de formações vegetais, como os campos rupestresFoto: Hermes de 

    Paula / Agência O Globo

Em artigo publicado no periódico brasileiro “Natureza & Conservação”, em 2015, um grupo de pesquisadores das universidades de Brasília (UnB) e São Paulo (USP) mostrou que existem, no Cerrado, 285 áreas de proteção, cobrindo 9,6% do bioma. Unidades de Proteção Integral, porém, de acordo com a classificação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), representam apenas 3% do Cerrado.


Os parques nacionais, como o da Chapada dos Veadeiros, são uma das modalidades de proteção integral — que, segundo os pesquisadores, possibilitam um desmatamento significativamente menor do que as chamadas Unidades de Uso Sustentável.


Dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA) mostram que, em 2009, dos seis biomas brasileiros, o Cerrado foi o que teve a maior taxa de desmatamento: 0,3%, maior que o da Amazônia, de 0,14%.




Fernando Tatagiba, chefe do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, aponta para a necessidade de conter o avanço agrícola - Agência O Globo
 
 
— No caminho de Brasília para a Chapada dos Veadeiros, fica clara a expansão de monoculturas de soja e milho, em uma paisagem que mudou muito ao longo dos anos. A ampliação seria uma forma de blindar esse avanço desenfreado — diz Fernando Tatagiba, chefe do parque.


O bioma foi considerado pela Conservação Internacional um dos 35 “hotspots de biodiversidade” do mundo — o termo, consagrado pela revista científica “Nature” em 2000, indica áreas com biodiversidade rica e particular, ameaçadas. O Cerrado é conhecido pela heterogeneidade vegetal — e ambientes como a mata seca ou os campos rupestres podem ganhar novo fôlego com a ampliação. Pouso Alto, ponto mais alto da chapada e que abriga as nascentes do Rio Preto, o mais importante do parque, também deve ser incluído na expansão.


André de Almeida Cunha, professor do departamento de ecologia da UnB, precisou se debruçar sobre os habitats de médios e grandes mamíferos do parque em pesquisa de doutorado da aluna Isadora Lessa, sobre o impacto dos cachorros na dinâmica dos animais silvestres — o problema, aliás, é crescente. A partir desse diagnóstico, a ampliação se mostrou como fundamental para estes animais.


— Os parques não foram desenhados com área adequada mínima para essas espécies. O ciclo de vida destes mamíferos acontece nas formações florestais, e hoje a área é insuficiente — aponta Cunha.


Proprietários temem não receber indenização após desapropriação
Em meio à área da Chapada dos Veadeiros que poderá ser incluída no escopo do parque nacional há, além de terras de Goiás, propriedades particulares. Uma delas pertence à psicóloga e administradora Maysa Reis, de 58 anos, moradora de Goiânia que visita frequentemente a fazenda herdada do pai. Há pouco mais de uma semana, ela teve como certa, da administração estadual, a sua desapropriação.


No final de novembro, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) anunciou que os parques nacionais da Chapada dos Veadeiros, de Brasília e Pau Brasil vão abrir, ainda este ano, a concessão para serviços como lojas de souvenir es a operação de campings — hoje, a entrada no parque da Chapada dos Veadeiros é gratuita e atraiu, em 2015, cerca de 56 mil visitantes; este ano, já são mais de 59 mil. Para Maysa, a abertura à iniciativa privada é um sinal de que os governos não têm verbas nem para manter o parque em seu tamanho atual — muito menos com a eventual ampliação.


— O governo está juntando esmola com o chapéu alheio. Por que não deixar as terras nas mãos de quem sempre as preservou? Há outras opções que poderiam ser feitas, como a instalação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Mais ambientalista do que eu não existe — afirmou Maysa, lembrando que seu irmão, também desapropriado em outro processo de mudança dos limites do parque, não foi indenizado até hoje.


Em 2016, parque já recebeu mais visitantes que 2015: neste ano, foram mais de 59 mil - Agência O Globo


Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), que tem participado ativamente do processo de ampliação do parque, há 516 propriedades, do Estado e particulares, que serão impactadas pela expansão. RPPNs já existentes, áreas com atividades turísticas e agropecuárias consolidadas foram excluídas da área de ampliação, na medida do possível, segundo o ICMBio. Ainda segundo a Faeg, dos proprietários que teriam recebido o direito à indenização em outros episódios de alterações no parque, apenas 2% teriam recebido a restituição, até hoje.



Além da concessão de serviços nos parques, o MMA anunciou, no fim do mês passado, uma parceria com a Universidade Federal de Lavras (MG) que garantirá a criação de um módulo de monitoramento do Cerrado, com base nos dados coletados a partir do Cadastro Ambiental Rural (CAR).


* A repórter viajou a convite da WWF-Brasil
Confira na segunda-feira: "A ciência do Cerrado"

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Novo Código Florestal foi o responsável pelo crescimento do desmatamento


Por Sabrina Rodrigues
Em 2016, o desmatamento voltou a crescer com uma taxa de 74, 8%. Foto: Daniele Gidsicki/Flickr.
Em 2016, o desmatamento voltou a crescer com uma taxa de 74, 8%. Foto: Daniele Gidsicki/Flickr.
Em 2016, o desmatamento aumentou 29%, ou seja, uma perda de 7.989 km². Para se ter uma ideia do dano, essa área corresponde a cinco vezes a área da cidade de São Paulo.

Os ambientalistas culpam as mudanças do Código Florestal em 2012, que anistiou quem desmatou até 2008, passando uma mensagem de que desmatar compensa e, estimulando, assim, novas derrubadas de floresta. Além da anistia, outros fatores contribuíram para o crescimento do desflorestamento como o chamado desmatamento especulativo, onde grandes áreas de floresta são destruídas com a função de sinalizar uma ocupação, com o intuito de uma possível vantagem futura com o terreno. As unidades de conservação e a demarcação de terras indígenas também não ficaram de fora. “A criação de novas unidades de conservação estagnou.


E chama a atenção ver como o desmatamento avançou até nessas áreas”, afirmou António Fonseca, um dos responsáveis pelo boletim de desmatamento do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia). O desmatamento afeta os acordos de redução de emissão de gases estufa do Brasil. O governo, por sua vez, afirma que os motivos para o aumento do desmatamento são outros, como a instabilidade política e a crise econômica.


Fonte original: Folha de S. Paulo

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

El joven que cambió la carne por los insectos todo un mes



El joven que cambió la carne por los insectos todo un mes
¿Podrías sustituir de tu dieta la carne por gusanos, larvas y grillos? Eso es exactamente lo que hizo un estudiante norteamericano durante 30 días, y nos ha ido contando su experiencia en su Blog de 30 days of bugs, día a día, comida a comida, receta a receta.


Durante el mes de febrero de este año, el joven Camren Brantley-Rios comió insectos en sus comidas tres veces al día, para demostrar de que se trata de una alternativa válida, más sostenible y más ecológica que la carne. De hecho, los insectos tienen un alto contenido de proteínas y calorías, pero consumen muchos menos recursos para su crecimiento o crianza, como puedes imaginar.


30 dias de insectos
¿Cómo fue la experiencia de Camren? Bueno, el chico cuenta que fue muy buena, especialmente una vez superado el escepticismo inicial. Por supuesto, tuvo muy malas experiencias culinarias en esos 30 días, como una vez cuando intentó cocinar el gusano de seda: lo intentó saborear pero el mal olor que desprendía le impidió comérselo. Otros fueron muy buenos, y eran muy baratos, solo tenía que freír con diversas hierbas, setas y cebollas para hacer platos deliciosos.30 dias comiendo insectos
Es difícil de creer, pero Camren dice ahora que ama su dieta de insectos. Y ha sido capaz de convencer hasta a su madre para unirse a él en algunas comidas. Jason Dombroskie, responsable de la colección de insectos de la Universidad de Cornell, dijo que proyectos como este pueden alentar a más personas para tratar de introducir insectos en sus comidas. Y es que comiendo insectos estamos ayudando al planeta.

La alimentación sostenible es un gran reto para la humanidad a medio – largo plazo. Nuestro planeta, con las tasas de crecimiento actuales en los seres humanos, pronto no encontramos el modo de producir alimentos para todos.

Existe una relación directa entre el cambio climático y la cría intensiva de animales para producir carne. Los datos indican que el 15% del metano que se emite a la atmósfera es producido por ellos. Por su proceso de digestión y por la producción de estiércol. Sin añadir a esos datos la huella de carbono que tiene el transporte y procesamiento de la carne.
Más de 1 millón de insectos comestibles con sabores únicos y una gran cantidad de maneras de cocinarlos te están esperando. ¿Estas preparado? 🙂
No te preocupes, hay otras alternativas para conseguir proteínas sostenibles como entomofagia, pero comiendo plantas. ¿Qué te parece?

Entomofagia: insectos como fuente de alimento


30 dias de insectos



Los insectos complementan el menú de unos 2 billones de personas en diferentes países del mundo, la mayoría en Asia, África y América Latina, y ha sido parte de nuestra dieta desde hace siglos. Sin embargo, hace poco tiempo la entomofagia ha atraído la atención de los medios de comunicación, instituciones de investigación, chefs y otros miembros de la industria alimentaria, así como los legisladores y las agencias reguladoras.


El programa de insectos comestibles de la FAO (organización de agricultura y alimentos de las Naciones Unidas) también ha examinado el potencial de arácnidos (arañas y escorpiones) para fabricar piensos para la alimentación.


Una vez más hablando de independencia y la soberanía alimentaria, es decir, “el derecho de cada nación a mantener y desarrollar su alimento, teniendo en cuenta la diversidad cultural y productivo”, los insectos comestibles son también una opción de alimentación y de ingresos para muchas comunidades.

Los insectos presentan ventajas.

 

Ventajas medioambientales.

 

Tienen altas tasas de eficiencia de conversión alimenticia por el hecho de que son animales de sangre fría. Por ejemplo, los grillos necesitan seis veces menos comida que el ganado, cuatro veces menos que las ovejas y dos veces menos que cerdos y pollos de engorde para producir la misma cantidad de proteína. Se alimentan de residuos orgánicos, como restos de comida y abono, que pueden convertirlos en proteínas de alta calidad, incluyendo para el uso en la alimentación animal. Producir insectos emite menos gases de efecto invernadero y usa mucha menos agua y terreno que la ganadería convencional.

Ventajas para la salud.

 

Los insectos son fuentes de proteínas de alta calidad, ácidos grasos, vitaminas y micronutrientes (como hierro, magnesio, manganeso, fósforo, selenio y zinc). La proteína y la concentración de lípidos de muchos insectos es superior a la de las vacas, cerdos y pollos. También se consideran animales de bajo riesgo en relación con las zoonosis (enfermedades transmitidas de animales a los seres humanos).

Ventajas sociales.

 

La producción de insectos puede ser una estrategia para diversificar los medios de subsistencia en el futuro. Además de mejorar directamente la alimentación, esta actividad pueden servir como una opción de ingresos mediante la venta de excedentes de la producción. También pueden realzar acciones empresariales, ya sea en las economías desarrolladas en transición o en desarrollo. El proceso de producción de insectos para el alimento humano o animal es algo que puede hacerse con relativa facilidad. Pueden consumir los adultos y los pequeños, de diferentes maneras, algunos enteros, otros transformados en pasta o molidos como harina, fritos, escalfados, horneados, y además de estas opciones, también existe la posibilidad de la extracción de la proteína y la producción de otros ingredientes.Se han registrado más de 1900 especies de insectos comestibles.

El grupo más grande es el de los escarabajos (Coleoptera) (31%), seguidos por las polillas y mariposas (Lepidoptera) (18%) y las abejas, avispas y hormigas (Hymenoptera) (14%). Éstos seguidos por saltamontes, esperanzas de grillos (Orthoptera) (13%), las cigarras, chicharritas, cochinillas y chinches (Hemiptera) (10%), termitas (isopteras) (3%), libélulas (Odonata) (3%), moscas (Diptera) (2%) y otras órdenes (5%).



A pesar de los beneficios conocidos, la aversión a los insectos comestibles es grande, ya que el fenómeno es visto como una práctica de los pueblos primitivos.



Es curioso que la ingesta de invertebrados (langostas, cangrejos, camarones, ostras, calamares, etc.) se considera como un rico alimento en nuestra dieta, mientras que el consumo de insectos, invertebrados, es visto con reservas por la mayoría de la población.



La Entomofagia todavía tiene otras limitaciones: muchas de las investigaciones están en progreso o paradas bien por la búsqueda de información sobre seguridad alimentaria o por la falta de inversiones, legislación y regulación de la producción y venta de insectos para consumo humano y animal.


Pero cada día se tiene más información, y la gente empieza a ver la idea de introducir los insectos en nuestra alimentación, como fuente nutricional, una alternativa contra la desnutrición en muchas partes del mundo; un alimento abundante y barato.
30 dias comiendo insectos
El interés del sector académico crece por todo el mundo. Los investigadores trabajan con el uso de insectos como alimento para peces ornamentales como para el consumo humano. Se han comenzado investigaciones relacionadas con el desarrollo de espacios optimizados para la cría de insectos en cautividad, lo que podría aumentar su potencial como alimento funcional (ácidos grasos poliinsaturados, minerales, etc.).



En el mundo existen aproximadamente 2 billones personas que practican la Entomofagia. Y las iniciativas como la de FAO, para estimular la investigación y el uso de insectos como alimento, trata de ayudar a aumentar ese número.



El experto brasileño Gilberto Schickler, nos cuenta que la Entomofagia es una práctica que puede aumentar significativamente la producción de proteína animal en el mundo. La FAO augura un mercado prometedor para los insectos dentro de 3 a 4 décadas, la producción de insectos comestibles será una actividad con mucho futuro en la agroindustria. El consumo de insectos asegura las posibilidades de supervivencia de un parte de la población en el planeta. Hoy en día dependemos de unos 20 tipos de carnes. Con insectos las posibilidades se elevan a 2000! Son 2000 nuevas materias primas.


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