Parece que o efeito de morar em uma cidade grande pode ser justamente o oposto do que se espera. [Imagem: Umich]
Pressa aparente
Pessoas que moram em grandes cidades geralmente são vistas como
apressadas, agitadas e sem tempo para nada, sempre envolvidas nos
corre-corres vistos nas coberturas de TV.
Essa impressão é tão forte que muitas pessoas que moram em cidades
menores afirmam que não aceitariam um emprego em uma cidade grande por
causa das multidões e da agitação das áreas mais densamente povoadas.
Mas parece que o efeito de morar em uma cidade grande pode ser justamente o oposto.
Viver em uma região agitada e cheia de gente parece levar as pessoas a
adotarem uma abordagem mais lenta, o que resulta em benefícios na vida
em geral.
É o que demonstrou uma equipe formada por pesquisadores das
universidades de Michigan e Estadual do Arizona (EUA), que fizeram seis
análises sobre os efeitos psicológicos da densidade populacional sobre o
comportamento das pessoas.
Estratégia de vida lenta
Os dados mostram que as pessoas que vivem em ambientes lotados
apresentam um perfil psicológico conhecido como "estratégia da vida
lenta", que inclui planejar o futuro, investir mais na educação,
preferir relacionamentos românticos de longo prazo, se casar mais tarde e
ter menos filhos.
Essa estratégia da vida lenta ajuda os indivíduos a se adaptarem a
altos níveis de competição social. E ela é adotada apesar de trazer
pouco ou nenhum benefício no presente - mas seus benefícios certamente
se farão sentir no futuro.
"A densidade social do ambiente onde vive pode moldar o comportamento
de uma pessoa de maneira inesperada, como por exemplo, fazer com que
ela planeje melhor o futuro", disse Oliver Sng, principal autor do
estudo.
Reexaminar a vida
Os dados mostraram que as pessoas que vivem em regiões mais
densamente populosas fazem planos mais para o longo prazo, têm menos
filhos, baixas taxas de nascimento prematuro, demonstram-se mais
propensas a enviar seus filhos para a pré-escola e têm maior expectativa
de vida.
"Com a população mundial crescendo, é mais importante do que nunca
entender os efeitos psicológicos da superlotação e como a vida em
ambientes lotados pode influenciar os comportamentos das pessoas", disse
o professor Steven Neuberg. "Aplicar uma nova perspectiva a uma velha
questão é nos permitir reexaminar os efeitos da vida dos ambientes
lotados".
Os resultados foram publicados no Journal of Personality and Social Psychology.
Uma decisão da Justiça Federal acabou com a discussão sobre o uso da tecnologia de fracking
- fraturamento hidráulico - para extração de gás de folhelho de xisto
na Bacia Hidrográfica do Rio Parnaíba, por conta dos elevadíssimos riscos ambientais desta prática, condenada no mundo todo, sobre o Aquífero Guarani.
A decisão, em sentença do último
02 de fevereiro, proferida pelo Juiz Federal Bruno Christiano Carvalho,
na Ação Civil Pública 5610-46.2013.4.01.4003, movida pelo Ministério
Público Federal do Piauí e que se fundamentou em uma representação da
Rede Ambiental do Piauí (Reapi), entidade membro da COESUS e parceira na
luta contra o fracking, “anulou o oferecimento de blocos referentes à
exploração de gás de folhelho na Bacia do Rio Parnaíba na 12ª Rodada de
Leilões da ANP. Determinou ainda que a agência se abstenha de realizar
novos leilões (leia a íntegra da notícia, aqui no site Não Fracking Brasil.
Segundo Juliano Bueno de Araújo,
coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org Brasil e coordenador
nacional da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e
Vida, “este é só o começo da batalha judicial contra a ANP e a indústria do fracking.
A decisão cria uma jurisprudência para outros estados em que o
Ministério Público Federal ajuizou ações civis públicas similares. No
mérito, nós sempre confiamos no discernimento da Justiça quanto aos
riscos e perigos do fracking para a saúde, para a biodiversidade e
produção agrícola”.
A campanha Não Fracking Brasil se alinha globalmente no combate à exploração de petróleo e gás de xisto,
e outros combustíveis fósseis e, sobre ela, afirma Juliano que, “em
várias partes do mundo, inclusive nos Estados Unidos, o fracking está
sendo banido ou tendo um endurecimento da legislação em função dos
impactos ambientais, econômicos e sociais que estão deixando um rastro
de destruição irrecuperável e mortal para as pessoas e biodiversidade”.
Notícia boa a gente dá, voando! A licença de instalação da mineradora canadense, Belo Sun,
foi suspensa no último 21 de fevereiro, por decisão da Vara Agrária e
Juizado Especial Ambiental de Altamira.
A resistência dos povos do Xingu está dando seus frutos.
A ação, uma liminar da Defensoria Pública do Estado (DPE) denunciou a violação dos direitos humanos das populações ribeirinhas da Volta Grande e a “grilagem”, por compra ilegal, de terras públicas feita pela Belo Sun. Você pode ler a íntegra da liminar, aqui.
Esta notícia foi dada pelo ISA - Instituto Socioambiental e você poderá lê-la na íntegra aqui. E nós havíamos falado do problema neste artigo: O OURO DO XINGU VAI PARA O CANADÁ
Suspensão da Licença de Instalação
O objetivo da suspensão da LI, por um prazo de 180 dias, é obrigar a Belo Sun a apresentar um plano de realocação da população ribeirinha que sofrerá o impacto direto do projeto.
Essa decisão, mesmo que parcial, é considerada uma vitória para os povos do Xingu que, sistematicamente denunciam os atropelos levados a cabo pela mineradora canadense.
Dê uma conferida nos antecedentes dessa ação, aqui no Justificando. Neste outro artigo, fala-se do pedido do Conselho Nacional dos Direitos Humanos para a suspensão da Belo Sun, vale a pena você conferir também.
O projeto da Belo Sun nos interessa?
O projeto de Volta Grande pretende ser a maior mina de ouro a céu aberto no nosso país e se instalará, caso seja efetivado, no entorno de terras indígenas tradicionais: a 9,5 km de distância da Terra Indígena (TI) Paquiçamba, a 13,7 km da TI Arara da Volta Grande do Xingu e também próxima à TI Ituna/Itatá, habitada por indígenas isolados.
A implantação de um tal projeto de mineração afetará a qualidade ambiental das águas da região,
prejudicando a biodiversidade e as populações tradicionais que dela
vivem, ocupando áreas que são hoje, de floresta nativa, contaminando os
rios com seus resíduos, destruindo a região de Volta Grande do Xingu que
hoje já sofre uma redução de mais de mais de 80% da vazão da água
em 100 quilômetros do Rio Xingu com as consequências da enorme
“mortandade de peixes, piora da qualidade da água e alterações drásticas
no modo de vida de populações indígenas e ribeirinhas desde o início da
construção da usina em 2011”.
Impactos ambientais acumulados
Na Volta Grande do Xingu se acumularão os impactos ambientais de dois projetos - Belo Monte e Belo Sun - que de “belo” não têm nada.
Belo Monte já destruiu, antes de
começar, todo o seu entorno, deslocando comunidades inteiras, saturando
as pequenas cidades que antes estavam equilibradas em suas necessidades e
condições, matando peixes, bichos e mata.
Belo Sun promete a continuação deste mesmo percurso, estendendo a área de destruição.
Serão estes impactos ambientais sinérgicos e acumulados e, são eles o
objeto da liminar de que falamos assim como da postura do MPF e da DPU.
A técnica nefasta da extração do ouro
A extração do ouro, pelo menos na América Latina, é um procedimento altamente destruidor
que produz uma mísera grama de ouro em uma tonelada de terra extraída -
o processo é feito por desmonte hidráulico (muita água em jatos fortes
para lavar, desmontar, os morros auríferos), esta água escorre para os
rios, claro, e para piorar a situação, a separação do ouro é feita por reação com o mercúrio, mineral tóxico altamente contaminante.
“Em 12 anos, a estimativa é que serão
extraídas 600 toneladas de ouro. Ao final da exploração, as duas pilhas
gigantes de rejeito de material estéril quimicamente ativo terão,
somadas, área de 346 hectares e 504 milhões de toneladas de rochas, sem
previsão para sua remoção”.
Até onde pretende ir a Belo Sun?
A Belo Sun pretende ir longe ocupando as terras da nossa Amazônia - seu site divulgou um plano de pesquisas
para a expansão da atividade aurífera em 120 quilômetros ao longo do
Rio Xingu. Neste projeto futuro mais áreas tradicionais indígenas serão
devastadas: a TI Paquiçamba, dos Juruna, TI Ituna/Itata, dos isolados, a
TI Arara da Volta Grande, dos Arara, e a TI Trincheira Bacajá, dos
Xicrin.
“Do jeito que tá ali no mapa parece que
não existe indígena ali. Pra Belo Sun não tem ninguém ali”, denuncia
Mukuka Xicrin, presidente da Associação Instituto Bepotire (Ibkrin).
A ânsia por mais lucro é a tônica.
A devastação, uma consequência menor. O genocídio das tribos indígenas,
algo de que só nós, ambientalistas humanitários nos preocupamos.
Pois é, a coisa está feia! Não nos esqueçamos disso, continuemos alertas!
E, como é carnaval, recordemos a letra do samba-enredo da polêmica do momento, "Xingu, o Clamor da Floresta", da escola de samba Imperatriz Leopoldinense:
"Brilhou... a coroa na luz do luar!
Nos troncos a eternidade... a reza e a magia do pajé!
Na aldeia com flautas e maracás
Kuarup é festa, louvor em rituais
Na floresta... harmonia, a vida a brotar
(... leia a íntegra) https://www.greenme.com.br/viver/arte-e-cultura/4838-carnaval-2017-samba-enredo-polemico
Ela rouba a paz, atrapalha a dieta e leva embora a sua saúde. Veja aqui como driblar essa reação do organismo
Foto: Thinkstock.
Por: Chris Biltoveni - São Paulo - 15/04/2014
O dicionário define ansiedade como comoção aflitiva do espírito que
receia que uma coisa suceda ou não; sofrimento de quem espera o que é
certo vir; impaciência. Trocando em miúdos, ansiedade é aquele
nervosismo que antecede vários momentos da sua vida e que gera sensações
estranhas – vazio no estômago, coração batendo rápido, aperto no peito,
medo.
A finalidade desta reportagem não é que você deixe de sentir
ansiedade, mas aprenda a lidar com ela. Afinal, para os especialistas, é
uma reação normal do organismo – que só vira problema quando passa a
prejudicar o cotidiano. Para que isso não aconteça, atenção para as
recomendações de Marco Antonio de Tommaso, psicólogo e psicoterapeuta
pela Universidade de São Paulo.
1 Fazer dieta é uma grande fonte de ansiedade. Dieta
está ligada à punição, privação, frustração. É tudo ou nada – você faz e
não come ou não faz e devora o que vê pela frente. Troque a dieta por
uma orientação nutricional personalizada, equilibrada e saborosa!
2 Não tente abreviar o processo bancando um faquir,
pulando refeições ou jejuando para conseguir resultados mais rápidos.
Além de não adiantar, sua ansiedade aumentará e você irá direto para o
prato. Não fique sem comer por mais de 3 ou 4 horas.
3 É normal sentir ansiedade diante de situações
novas e não previstas. Planeje, dentro do seu estilo de vida, horários
aproximados e constantes para as suas refeições e pense no que irá
comer. Você se acostumará a sentir fome nesses horários.
4 Fome não é catástrofe! Quando ela aparecer, tenha
calma. Não ataque o alimento. Aceite a fome tranquilamente, como uma
sensação saudável do organismo que você irá satisfazer com a comida que
foi planejada. Coma lentamente, saboreie cada bocado, fazendo pausas
entre as garfadas. Mastigue bem. Preste atenção na sensação de saciedade
e pergunte-se: “ainda estou com fome?”. Se estiver, coma um pouco mais;
caso contrário, pare! Coma porque tem fome e não porque há comida
disponível.
5 Claro que existem alimentos que devem ser
ingeridos com limite, mas não os elimine. Cuidado com alimentos
proibidos. Eles dão muita ansiedade e tentação. Depois, geram culpa e
sensação de estar tudo perdido. Não tranque a boca! Abra-a com
responsabilidade.
6 Pior que sair da dieta é achar que saiu da dieta. A
culpa e a sensação de fracasso causam uma baita ansiedade, que pode
levar você a comer muito mais. O problema de comer um bombom a mais, por
exemplo, é devorar a caixa toda como forma de autopunição.
7 Aceite seus escorregões. Encare esses episódios
com serenidade. Caiu? Levanta! Errou? Corrige! Falhas ocorrerão e
deverão ser encaradas como oportunidades para aprendizagem.
8 Inclua prazer na sua dieta e no seu estilo de
vida. Mudar o estilo de vida é mudar hábitos. E um novo comportamento só
vira hábito se for prazeroso. É preciso ter prazer na comida. Uma
refeição monótona, ruim e sem gosto leva ao desânimo. Mas atenção:
prazer não é quantidade, e sim qualidade. É o tempo que você mantém uma
pequena porção de alimento em contato com a papila gustativa.
9 Faça um exercício físico que dê prazer. A melhor
atividade é aquela que, mesmo cansada hoje, você sente vontade de fazer
amanhã – e não a malhação que é só uma obrigação chata e que você não vê
a hora de se livrar.
10 Não fique o dia todo pensando na dieta. Aprimore
outros aspectos da sua vida. Divirta-se, leia, encontre seus amigos.
Aumente suas fontes de prazer!
11 Reflita: o que você espera do emagrecimento? Não
espere resolver todos os seus problemas com uma silhueta mais fina. O
desapontamento pode ser grande.
12 Verifique se não há uma ligação direta das
dificuldades em resolver problemas no dia a dia com a comida. O único
problema que a comida resolve é a fome. Os demais precisam de outras
alternativas.
13 Cuidado com os falsos padrões de beleza, que são
inatingíveis para a maioria das pessoas. A busca de um falso objetivo
vira angústia. Não existe beleza sem saúde e você pode ser bonita, sim,
sem renunciar à individualidade. Desenvolva uma identidade estética e
seja você mesma!
14 Fuja do mito de peso ideal. Troque-o por peso
viável – aquele clinicamente saudável, que a deixa bonita e que é fácil
de manter. Respeite o seu tipo físico.
15 Desenvolva a autoestima – caso contrário, ficará
sempre ansiosa e insatisfeita. Lembre-se que tão importante como ser ou
estar bonita é sentir-se bonita. Beleza é uma questão de imagem e
autoimagem.
16 Não tenha pressa para emagrecer. Isso gera
ansiedade e frustração. Dá a sensação de que não está dando certo. Daí
para o ataque à comida é um pulo.
17 Cuidado com a “balançomania”. Pesar-se toda hora
traz um enorme grau de frustração. A flutuação de peso é esperada. Mal
interpretada, pode realmente ser angustiante.
18 O estresse é companheiro da ansiedade. Para
espantá-lo, pratique atividades prazerosas, encontre formas de
relaxamento. Faça aquilo que você pode realmente fazer em determinada
situação. Não se preocupe com o que não pode ser feito, isso não adianta
nada.
19 Não tenha alimentos de risco em casa. Se você se
sentir ansiosa para devorar um chocolate e tiver que sair para
comprá-lo, ganhará tempo e o impulso será enfraquecido.
20 Está com problema afetivo, de relacionamento ou
sexual? Não pense duas vezes e procure a ajuda de um profissional.
Muitas vezes, esses fatores são a causa do excesso de peso. Tratados,
geralmente levam ao emagrecimento.
21 Viva o dia de hoje. Ontem já foi e amanhã ainda
não veio. Portanto, o tempo é hoje e agora. Valorize o que você faz. Não
fique lamentando o que não fez ou o que deveria ter feito.
22 Estabeleça metas viáveis. Por exemplo: começar a
caminhar dez minutos todos os dias. Certamente poderá cumpri-las.
Propostas do tipo “vou correr 10 km por dia”, se você é sedentária, são
descabidas e causam frustração. Gratifique-se a cada meta conquistada!
23 Você deve emagrecer pela sua saúde, pela sua
beleza, pela sua vontade – e não para agradar quem quer que seja
(namorado, marido, mãe ou pai). Desenvolva uma motivação interna.
Vinte e uma organizações da sociedade civil,
entre elas o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) divulgam
nesta semana uma carta de repúdio contra proposta do governo federal
que visa a reduzir unidades de conservação no Amazonas.
O governo pretende encaminhar ao Congresso uma proposta
para extinguir a Área de Proteção Ambiental (APA) de Campos de Manicoré e
reduzir drasticamente outras quatro unidades de conservação no estado: o
Parque Nacional (Parna) de Acari, a Reserva Biológica (Rebio) de
Manicoré, e as Florestas Nacionais (Flonas) de Urupadi e Aripuanã, na
região de Apuí, no sul do estado.
A proposta excluiria da proteção legal mais de 1 milhão de
hectares e colocaria em risco a biodiversidade amazônica, as metas e
compromissos climáticos assumidos domesticamente e internacionalmente, e
a segurança hídrica e econômica do país, já que a Amazônia fornece água
suficiente para abastecer grande parte da população brasileira e o
agronegócio.
06.02.2017 • NotíciasSoninha
tem esse apelido por um motivo óbvio: tem 1,52 metro de altura. Mas ela
deveria ser chamada de gigante. Sonia Bone Guajajara, 42 anos, é uma
das principais lideranças indígenas do Brasil: quando fala e marcha ao
lado dos parentes, assume o tamanho de todos os milhares de indígenas
brasileiros juntos, defendendo com uma clareza impecável os direitos dos
povos originários e seu papel na manutenção das florestas, que fornecem
ar, água e clima para todos.
A atual coordenadora da APIB (Associação dos Povos
Indígenas do Brasil) é do povo Guajajara, da Terra Indígena Arariboia,
localizada no Maranhão. A TI é alvo frequente de tentativas de invasão
e, em 2015, viu queimar cerca de metade de seus 415 mil hectares –
segundo o Ibama, provavelmente iniciada por madeireiros e propagada pelo
clima seco. “A gente tem sentido os efeitos das mudanças climáticas há
algum tempo.”
Por sua atuação, Sonia Guajajara recebeu diversos prêmios. Em 2016, tornou-se conselheira do IPAM.
Mapa do calor na TI Arariboia em 2015 e gráfico de focos de calor, com pico em 2016. Fonte: SOMAI (www.somai.org.br).
Como você vê o convite de participar do conselho de uma instituição com um perfil ligado à produção científica?
Sonia: O IPAM é uma entidade com boa credibilidade, parceira do
movimento indígena, e o convite mostra que a pesquisa ambiental enxergou
o potencial do conhecimento tradicional. A gente vive e a gente vê,
sente o que acontece ao redor, e instituições como o IPAM comprovam
cientificamente o que sabemos.
Como a agenda indígena se cruza com a ciência?
Sonia: A ciência é uma ferramenta de luta interessante na defesa dos
nossos direitos contra projetos legislativos que trazem retrocessos, (pois)
os dados comprovam que as mudanças na lei podem trazer impactos para a
vida da gente. Assim, temos subsídios fortes para defender as terras
indígenas. É caso do estudo sobre PEC 215, que mostra o impacto que uma redução das terras indígenas causará às pessoas.
O IPAM trabalha há muitos anos com o tema das mudanças climáticas com os povos indígenas. Como você vê esse trabalho?
Sonia: O IPAM tem ajudado os povos indígenas com informações e
capacitações sobre mudanças climáticas, o que é muito importante. A
gente tem sentido os efeitos das mudanças climáticas há algum tempo. Nos
nossos encontros, todos os participantes trazem relatos dessas
mudanças, nas chuvas, nas secas.
Qual é o impacto dessas mudanças no clima na vida dos povos indígenas?
Sonia: Imagine que tem um povo que depende de um igarapé. Se ele seca,
como se vive? Como se planta? Muitas cerimônias acontecem na água. Então
há impactos na alimentação do povo, na segurança alimentar, e também em
sua cultura.
Quais são os principais desafios de 2017 na agenda indígena?
Sonia: Hoje, o que se enxerga à frente de nós são ameaças aos direitos
indígenas conquistados. Precisamos nos empoderar e nos organizar para
combater esses retrocessos.
Registros agrotóxicos genéricos aumentaram 374% em 2016 na comparação com o ano anterior / Antonio Cruz/ABr
Anvisa já identificou alimentos com até 11 resíduos de agrotóxicos diferentes
Por Leonardo Melgarejo*
No dia 10 de janeiro, o Ministério da Agricultura (Mapa) comemorou
grande avanço nos registros de agrotóxicos no Brasil. A notícia menciona
não apenas o registro de 277 novos venenos, como ainda destaca que,
entre eles, se incluem 161 “genéricos”. Um recorde! Avanço de 374% em
relação aos registros ocorridos em 2015, que foram largamente
influenciados pela administração anterior, a qual aprovou – contra
nossos interesses – 43 “equivalentes genéricos”. Os novos registros de
2017 foram publicados no Ato nº 3 do Diário Oficial da União de 9 de
janeiro de 2017.
Tenta-se passar com isso uma ideia positiva de agregação de
eficiência nos avanços regulatórios trabalhados pelo governo golpista.
Mas, possivelmente, estamos agora diante de novas ameaças, talvez
crimes, contra a sociedade e a natureza.
Vejamos: 1 – Como se “acelera” um processo de análise de riscos para a saúde e o meio ambiente?
Contratando servidores, qualificando laboratórios, sofisticando os
processos analíticos e estendendo o escopo das avaliações. O governo fez
isso? Infelizmente, não.
Evidentemente também se poderia economizar tempo fazendo vista grossa
ou simplesmente deixando de lado a avaliação de alguns tipos de
problemas, que poderiam decorrer de situações de baixa exposição aos
venenos ou a alguns de seus componentes, em longo prazo. Ou,
simplesmente, deixando de avaliar os possíveis impactos de alguns
componentes químicos, ou das combinações de venenos, sobre o solo, a
água, a microvida do solo, os trabalhadores, os consumidores em geral.
Ou ainda, em especial, deixando de avaliar riscos afetos a indivíduos
com quadro de deficiência renal, ou em fase de formação, gestação,
senescência.
Em outras palavras, deixando de lado públicos especiais,
bebês e velhos, esquecendo de fazer algumas perguntas e atribuindo
escassa relevância ao ciclo de vida completo dos indivíduos. O
agronegócio não se preocupa com isso. Para nós é que é importante saber
implicações dos venenos usados nas lavouras sobre a fertilidade sexual
dos nossos netos. Mas porque isso preocuparia um criador de suínos
alimentados com o mesmo milho que usamos na nossa polenta?
O governo adotou este mecanismo torpe para acelerar as análises? Não
sabemos. Esperamos que não. Sabemos apenas que com o golpe de estado
foram alterados os gestores públicos e que o governo golpista, com isso,
entre tantas coisas que já fez, também acelerou a aprovação de venenos a
serem usados em nossa agricultura.
2 – O que seriam estes produtos genéricos, aprovados “por semelhança”?
No caso dos remédios entendemos bem. Quando um princípio ativo
combate a pressão alta e outro impede a multiplicação de determinadas
bactérias, cada um deles se destina a controlar problemas específicos. E
ambos podem ser vendidos em formatos diferentes, com nomes diferentes,
em embalagens distintas. As “marcas” diferentes terão o mesmo “sentido
médico” e poderão ser comercializadas a preços diferentes.
Nestes
“remédios” distintos não haverão “venenos” ocultos, escamoteados aos
processos de análise de risco. Enfim, o conhecimento de um princípio
ativo, sua utilidade e funcionamento, permite aprovação por analogia de
vários remédios “similares”. Os “genéricos”, sem o peso das marcas, das
propagandas, serão mais baratos e não causarão problemas porque ali não
se escondem elementos perigosos. Coisa boa e barata.
Mas e nos agrotóxicos? Remédios “genéricos” seriam equivalentes aos
venenos “genéricos”? O mesmo raciocínio utilizado para o controle da
pressão alta se aplicaria a um herbicida ou a um inseticida?
Não. No caso dos agrotóxicos estamos sempre diante de um coquetel.
Ali existe, além do princípio ativo, destinado a matar insetos ou
plantas, outros produtos químicos não menos perigosos. São substancias
úteis para eliminar a cerosidade das folhas ou da pele dos insetos, para
facilitar a absorção dos venenos, para romper a tensão superficial das
gotas e assim por diante. Existem as impurezas e os resíduos do processo
de fabricação ou da transformação natural dos químicos, por ação do
tempo, da presença do oxigênio, da ação metabólica realizada pelas
próprias plantas e animais.
Como exemplo, considere as dioxinas presentes em algumas formulações
de herbicidas a base de 2,4 D. Ou o AMPA, resultante da metabolização do
glifosato, pelas plantas. Nestes dois casos estamos diante de venenos
mais perigosos do que no caso do princípio ativo original.
Portanto, no caso dos agrotóxicos, analisamos o princípio ativo, um
veneno, e deixamos de lado todo um vasto leque de outros venenos. Que
segurança a análise do princípio ativo oferece para decisão de segurança
de outros agrotóxicos, que utilizam o mesmo princípio ativo, se
deixamos de considerar os demais venenos?
Não parece óbvio que um veneno genérico, com mais impurezas, tenderá a ser mais barato, mas também mais perigoso?
Cabe aqui um comentário final: as análises de risco para a saúde e o
ambiente que aprovam os agrotóxicos para uso na agricultura não levam em
conta todos os componentes dos produtos comerciais. Também não levam em
conta a mistura desses componentes. E estudos da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) já mostraram alimentos contendo resíduos
de até 11 produtos distintos.
Portanto, mesmo no caso dos agrotóxicos estudados e aprovados com
base em análise caso a caso, os riscos são grandes. O que podemos
esperar no caso dos genéricos? Aqui, a morte não é o pior cenário.
Enfim, recomendamos a todos: desconfiem das comemorações do governo
golpista, fujam dos venenos, comprem apenas produtos orgânicos,
estimulem a agroecologia e ajudem a desconstruir as campanhas de
marketing criadas em favor de negócios que comprometem a vida.
*Associação Brasileira de Agroecologia e Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
É curioso o fato do Milho transgênico da DOW estar sendo apresentado em regime de urgência. Urgência de quem? / Reprodução
A quem interessa o silêncio nos tema omissos?
Nesta
quinta-feira (9), a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)
se reúne em sua 199ª reunião mensal. Na pauta de 36 páginas, uma missão
impossível: em quatro horas, deliberar sobre 19 pedidos de Liberação
Comercial (LC), 135 Relatórios de Liberação Planejada no Meio Ambiente
(RLPMA), 56 Solicitações de Liberações Planejadas no Meio Ambiente
(LPMA), 3 Cancelamentos de Liberação Planejadas no Meio Ambiente
(CLPMA), 5 Alterações de Liberação Planejada no Meio Ambiente (ALPMA),
além de mais de uma centena de outros processos importantes.
Considerando apenas o tempo necessário para avaliar e deliberar sobre
cada item, percebe-se que o sistema não funciona. Saberemos os
resultados deste desafio na próxima semana.
Aqui, nos limitamos a chamar atenção para um fato: as Liberações
Planejadas no Meio Ambiente (LPMA) correspondem a estudos de campo, que
após avaliação do projeto, considerando sua adequação e relevância, a
CTNBio pode permitir que transgênicos ainda não autorizados no Brasil
sejam estudados em campo.
Trata-se de algo necessário e relevante,
porque apenas assim é possível obter informações suficientes sobre o
comportamento daquelas plantas geneticamente modificadas em nossa
realidade. É algo necessário e previsto em lei. As empresas necessitam
daquelas informações para sustentação dos pedidos de Liberação Comercial
(LC). Os Relatórios de Liberação Comercial no Meio Ambiente (RLPMA)
resumem os resultados das LPMAs.
Portanto, se faz óbvio que as LCs carecem dos resultados das LPMAs. A
hipótese alternativa é de que as empresas estariam realizando pedidos
de estudos desnecessários, e/ou que a CTNBio estaria permitindo
liberação antecipada de transgênicos que não são autorizados
comercialmente, para estudos irrelevantes, no Brasil. Naturalmente nem
as empresas nem CTNBio agiriam desta forma.
Entretanto, o item 1.1 da pauta, envolvendo uma soja tolerante aos
herbicidas dicamba e glifosato, cuja aprovação só não foi votada em
dezembro porque o representante do MDA solicitou vistas sobre o
processo, está sendo acompanhado por três pedidos de Liberação Planejada
no Meio Ambiente (itens 1.21, 1.24 e 1.27). Além disso, a pauta também
inclui um Relatório de Liberação Planejada (item 5.5), sobre o mesmo
evento.
O pedido de liberação comercial será aprovado sem que os estudos que
lhe dariam base fossem concluídos? Como interpretar este fato? A empresa
não considerou importante aguardar os resultados dos estudos? Ou não
considerou importante a opinião da CTNBio, sobre os resultados? E a
CTNBio, deve interpretar como normal a dispensa de resultados em
pesquisa que autorizou por suposição de relevância? Talvez possamos
saber algo mais a respeito disso na próxima semana.
Talvez não, porque a CTNBio é tão lacônica a respeito de suas
deliberações que o relatório anual de 2016 (que também será avaliado
nesta quinta) possui apenas três páginas de conteúdo. Ali informa-se que
em 2016 foram avaliados 1006 processos, sendo 259 retirados de pauta, 7
devolvidos para complementação e 740 aprovados. Foram 18 Liberações
comerciais, 112 LPMA, 85 RLPMA, entre outros.
O relatório anual da CTNBio simplesmente não traz o que os relatórios
costumam conter. Quais os custos das operações anuais? Quem viajou pelo
Brasil ou para o exterior, por que motivo e com que resultados? Qual o
orçamento, quais as rubricas de despesas e suas realizações? Qual a
finalidade dos itens aprovados, os benefícios e riscos que podem
oferecer?
Qual a utilidade efetiva deste relatório, e a quem interessa o silêncio nos temas omissos?
Esperamos que a plenária debata sobre estes temas e também sobre o
curioso fato de que o item 1.11, envolvendo o Milho Geneticamente
modificado MON 89034 X TC 1507 X NK 603 X MIR 162, da DOW, está sendo
apresentado como em regime de urgência. Urgência de quem? O que
significa isto?
Seria o fato que das empresas terem obtido mecanismo que
impede acesso aos processos por membros que não sejam relatores? Alguns
membros da CTNBio seriam impedidos de ler o que devem votar, quando as
empresas pedissem urgência em processos de LC?
Haveria uma agenda oculta influenciando sobre os relatos e os
mecanismos decisórios da CTNBio? Sobre isto possivelmente teremos
informações na próxima semana.
* Leonardo Melgarejo é membro da Associação Brasileira de
Agroecologia e da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Se
o PL vier a ser aprovado, as perspectivas de sobrevivência passarão a
depender do preço das balas e da pontaria dos ''esportistas'' /
Reprodução/Internet
Parece óbvio que o Brasil perde, e que as fábricas de munições ganham
Uma
boa notícia para os vendedores de cartuchos de armas de fogo. Por
iniciativa do deputado federal ruralista Valdir Colatto, do PMDB de
Santa Catarina, tramita na Comissão de Agricultura, Pecuária,
Abastecimento e Desenvolvimento Rural mais uma proposta que envergonhará
a nação.
Trata-se do PL 6.268/2016. Com ele, o deputado pretende
liberar a caça de animais silvestres, alterando norma legal vigente há
53 anos e que, mesmo prevendo cadeia para os criminosos, não consegue
impedir o acelerado extermínio da vida silvestre no território nacional.
Para os ambientalistas, ainda que tão somente pela visão desrespeitosa
em relação à vida animal, esse PL seria inaceitável. Mas a proposta de
fato se restringe a isto?
É importante lembrar que Colatto é o autor de emenda contida na Lei
13.301/2016 que permite a pulverização aérea de inseticidas em áreas
urbanas.
No texto da lei da caça, Valdir Colatto propõe a criação de reservas
de caça dentro de propriedades privadas. Em sua opinião, isso ampliará a
fonte de receitas dos proprietários e não prejudicará a fauna porque as
espécies ameaçadas de extinção serão excluídas da licença de caça. As
demais, até conseguirem acesso à categoria de “quase extintas”, passarão
a ser “manejadas” para o exercício do esporte.
O deputado usa o exemplo do javali, do morcego, do pombo, cuja
matança entende necessária para o bem do agronegócio, que estaria
sendo ameaçado por esses animais. Omite os demais componentes da
megafauna brasileira e ignora o fato de que os animais silvestres
recebem esse nome apenas porque são livres, e que devem ser protegidos
exatamente porque cumprem funções ecológicas relevantes e ameaçadas.
Merecem cuidados porque suas populações estão se reduzindo em função do
avanço das monoculturas, do uso de venenos, das queimadas, do
estreitamento das áreas de reserva, enfim, dos abusos do agronegócio.
Aliás, a caça do javali já é autorizada pelo IBAMA onde se faz
necessária, de modo que, neste caso, nem poderia ser aceita como
argumento honesto.
Então, o que devemos pensar a respeito do PL 6.268/2016?
De um lado se faz evidente que aquele deputado percebe os animais
silvestres como coisas sem dono, que não geram renda e que devem ser
inseridos na economia de mercado. Baseado nisso, apresenta sua solução
radical: por que não damos a essas criaturas sem dono o produtivo papel
das vítimas?
Ele está propondo uma espécie de acesso à economia pela porta da
morte, similar ao que nosso país já garantiu a todas as minorias que não
contaram com a proteção e a solidariedade de valores humanos efetivos,
por parte da sociedade. Sabemos que esses sentimentos de respeito à
vida, embora dominantes entre nosso povo, são escassos nas elites e se
fazem adormecidos em momentos tristes de nossa história.
Pela audácia
desta proposta e pela sua coerência com tantas outras alterações em
nossa base legal, já efetuadas ou em andamento na Câmara Federal, parece
que o deputado está contando como certa a omissão da sociedade ou mesmo
o avultamento das ondas de apatia.
Esperamos que ele se perceba equivocado.
Do ponto de vista da fauna, se o PL vier a ser aprovado, as
perspectivas de sobrevivência passarão a depender do preço das balas e
da pontaria dos “esportistas”. Na contramão dos avanços civilizatórios,
os filhos dos proprietários das “reservas de caça”, assim como seus
empregados, clientes e amigos serão treinados para matar, usando alvos
vivos.
As propriedades rurais também poderão amontoar depósitos com “armas
de caça”, e os grupos armados, hoje eventualmente confundidos com
milícias, passarão a ser considerados caçadores inocentes, respaldados
pela nova lei.
Como requinte, o deputado prevê que possíveis irregularidades, uma
vez constatadas, não mais implicarão em prisões. Serão resolvidas com
penas alternativas que envolverão tão somente o pagamento em dinheiro,
facilitando problemas de julgamento social e ocultando dramas de
consciência. No argumento do autor, “evitando agravar o problema das
prisões superlotadas”.
Quem ganha e quem perde com este tipo de lei, que tende a nos
encaminhar de forma abrupta em direção à barbárie? Parece óbvio que o
Brasil perde, e que as fábricas de munições ganham. Mas será apenas
isso?
As alterações da base legal, em detrimento dos direitos da
população, em desrespeito a questões ambientais, em ameaça à vida para
benefício de empresas, já deixaram de ser novidade. Elas estão presentes
no esvaziamento de instituições públicas, na facilitação ao uso dos
agrotóxicos, na tentativa de ocultar dos rótulos dos alimentos
industrializados o símbolo da presença de transgênicos, e em outros PLs
propostos pelos deputados da Bancada Ruralista, colegas de Valdir
Colatto.
Diante da facilidade com que esse grupo vem conseguindo fazer valer
os interesses por eles defendidos, e supondo que aprovem também essa
lei, o que deveremos esperar a seguir? A revogação da proibição do DDT?
Ou quem sabe algo mais radical, talvez associado à Lei Áurea?
*Leonardo Melgarejo, da Associação Brasileira de Agroecologia e Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Se
faz evidente que o deputado Colatto percebe os animais silvestres
como que não geram renda e que devem ser inseridas no mercado /
Reprodução
Possíveis irregularidades, uma vez constatadas, não mais implicarão em prisões
Uma
boa notícia para os vendedores de cartuchos de armas de fogo. Por
iniciativa do deputado federal ruralista Valdir Colatto, do PMDB de
Santa Catarina, tramita na Comissão de Agricultura, Pecuária,
Abastecimento e Desenvolvimento Rural mais uma proposta que envergonhará
a nação.
Trata-se do PL 6.268/2016. Com ele, o deputado pretende
liberar a caça de animais silvestres, alterando norma legal que vige há
53 anos e que, mesmo prevendo cadeia para os criminosos, não consegue
impedir o acelerado extermínio da vida silvestre no território nacional.
Para os ambientalistas, ainda que tão somente pela visão desrespeitosa
em relação à vida animal, este PL seria inaceitável. Mas a proposta de
fato se restringe a isto?
É importante lembrar que Colatto é o autor de emenda contida na Lei
13.301/2016 que permite a pulverização aérea de inseticidas em áreas
urbanas.
No texto da lei da caça, Valdir Colatto propõe a criação de reservas
de caça dentro de propriedades privadas. Em sua opinião, isso ampliará a
fonte de receitas dos proprietários e não prejudicará a fauna porque as
espécies ameaçadas de extinção serão excluídas da licença de caça. As
demais, até conseguirem acesso à categoria de “quase extintas”, passarão
a ser “manejadas” para o exercício do esporte.
O deputado usa o exemplo do javali, do morcego, do pombo, cuja
matança entende necessária para o bem do agronegócio, que estaria sendo
por eles ameaçado. Omite os demais componentes da megafauna brasileira e
ignora o fato de que os animais silvestres recebem este nome apenas
porque são livres, e que devem ser protegidos exatamente porque cumprem
funções ecológicas relevantes e ameaçadas.
Merecem estes cuidados porque
suas populações estão se reduzindo em função do avanço das
monoculturas, do uso de venenos, das queimadas, do estreitamento das
áreas de reserva, enfim, dos abusos do agronegócio. Aliás, a caça do
javali já é autorizada pelo IBAMA onde se faz necessária, de modo que,
neste caso, nem poderia ser aceita como argumento honesto.
Então, o que devemos pensar a respeito do PL 6.268/2016?
De um lado se faz evidente que aquele deputado percebe os animais
silvestres como coisas sem dono, que não geram renda e que devem ser
inseridas na economia de mercado. Baseado nisso, apresenta sua solução
radical: por que não damos a estas coisas sem dono o produtivo papel das
vítimas?
Ele está propondo uma espécie de acesso à economia pela porta da
morte, similar ao que nosso país já garantiu a todas as minorias que não
contaram com a proteção e a solidariedade de valores humanos efetivos,
por parte da sociedade. Sabemos que estes sentimentos de respeito à
vida, embora dominantes entre nosso povo, são escassos nas elites e se
fazem adormecidos em momentos tristes de nossa história. Pela audácia
desta proposta e pela sua coerência com tantas outras alterações em
nossa base legal, já efetuadas ou em andamento na Câmara Federal, parece
que o deputado está contando como certa a omissão da sociedade ou mesmo
o avultamento das ondas de apatia.
Esperamos que ele se perceba equivocado.
Do ponto de vista da fauna, se este PL vier a ser aprovado, as
perspectivas de sobrevivência passarão a depender do preço das balas e
da pontaria dos “esportistas”. Na contramão dos avanços civilizatórios,
os filhos dos proprietários das “reservas de caça”, assim como seus
empregados, clientes e amigos serão treinados para matar, usando alvos
vivos.
As propriedades rurais também poderão amontoar depósitos com “armas
de caça”, e os grupos armados, hoje eventualmente confundidos com
milícias, passarão a ser considerados caçadores inocentes, respaldados
pela nova lei.
Como requinte, o deputado prevê que possíveis irregularidades, uma
vez constatadas, não mais implicarão em prisões. Serão resolvidas com
penas alternativas que envolverão tão somente o pagamento em dinheiro,
facilitando problemas de julgamento social e ocultando dramas de
consciência. No argumento do autor, “evitando agravar o problema das
prisões superlotadas”.
Quem ganha e quem perde com este tipo de lei, que tende a nos
encaminhar de forma abrupta em direção à barbárie? Parece óbvio que o
Brasil perde, e que as fábricas de munições ganham. Mas será apenas
isso?
As alterações da base legal, em detrimento dos direitos da população,
em desrespeito a questões ambientais, em ameaça à vida para benefício
de empresas, já deixaram de ser novidade. Elas estão presentes no
esvaziamento de instituições públicas, na facilitação ao uso dos
agrotóxicos, na tentativa de ocultar dos rótulos dos alimentos
industrializados o símbolo da presença de transgênicos, e em outros PLs
propostos pelos deputados da Bancada Ruralista, colegas de Valdir
Colatto.
Diante da facilidade com que este grupo vem conseguindo fazer valer
os interesses por eles defendidos, e supondo que aprovem também esta
lei, o que deveremos esperar a seguir? A revogação da proibição do DDT?
Ou quem sabe algo mais radical, talvez associado à Lei Áurea?
*Leonardo Melgarejo é da Associação Brasileira de Agroecologia e Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.
Animal
morreu em via de acesso ao complexo penitenciário, próximo ao Jardim
Botânico. Ambientalistas reclamam que motoristas não respeitam limite de
velocidade
Um
lobo-guará morreu depois de ser atropelado no Distrito Federal nesta
quinta-feira (22). O caso, o segundo registrado na cidade em uma semana,
ocorreu perto do Jardim Botânico, em um acesso ao Complexo
Penitenciário da Papuda. Na última quinta,uma loba da mesma espécie morreu atropeladana BR-020.
Ambientalistas
disseram à TV Globo que casos assim são comuns porque os motoristas não
respeitam os limites de velocidade. Além disso, muitas placas de
sinalização na área estão pichadas ou foram depredadas.
Outro caso
A
loba-guará atropelada na quinta passada morreu na BR-020, próximo da
reserva ambiental de Águas Emendadas. O acidente aconteceu entre os
quilômetros 26 e 28. O animal chegou a ser levado para o Hospital
Veterinário da Universidade de Brasília, mas não resistiu aos
ferimentos.
A
espécie, típica do cerrado, está ameaçada de extinção. Estudos do
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), c
revelam que há uma grande possibilidade do animal estar extinto em 100
anos.
Atropelamento de animais
Todos
os anos, cerca de 34 mil animais são atropelados nas rodovias que
cortam o Distrito Federal. O número é do Rodofauna, um programa do
Instituto Brasília Ambiental, com a função de monitorar, apontar pontos
críticos e desenvolver soluções para evitar esse tipo de acidente.
De
acordo com o Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito
Federal (Ibram), 70% das mortes são de aves e 10% são de mamíferos como
o lobo-guará. A maioria dos acidentes acontece justamente nessa época
do ano em função das chuvas, quando aumenta a quantidade de animais na
reserva e diminui a visibilidade dos motoristas nas rodovias que cortam o
cerrado.
Bióloga faz atendimento à loba-guará. Foto: TV Globo/Reprodução.
Quantos
lobos guará e outras espécies em extinção vão morrer quando o
desmatamento aprovado pelo ZEE no Refugio de Vida Silvestre começar?Abram o link e vejam o tamanho do crime ambiental que
será cometido!
Políticos
pediram ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, para que envie ao
Congresso um projeto
de lei reduzindo em 37% um conjunto de Unidades de
Conservação localizadas no interior do
Amazonas. Foto: Flickr
Um grupo de ambientalistas encabeçados pelo Instituto Internacional
de Educação do Brasil (IEB) lançaram essa semana um manifesto contra a
edição de um possível projeto de lei (ou medida provisória) que recorta
Unidades de Conservação localizadas no sul do Amazonas. Essas áreas
protegidas, criadas pela ex-presidente Dilma Rousseff um dia antes do Congresso afastá-la da presidência,
são alvos de discordâncias de políticos do estado, que pediram
diretamente ao ministro da casa civil, Eliseu Padilha, para reduzi-las
em 35%. Se o governo ceder ao apelo, cerca de um milhão de hectares
deixarão de ser protegidos.
As unidades impactadas com a possível mudança serão a Reserva
Biológica do Manicoré, o Parque Nacional do Acari, as Florestas
Nacionais do Aripuanã e de Urupadi e a Área de Proteção Ambiental dos
Campos de Manicoré.
Direcionado ao presidente Temer, aos ministros Sarney Filho, do Meio
Ambiente, e Eliseu Padilha, da Casa Civil e aos presidentes da Câmara,
Rodrigo Maia e do Senado Federal, Eunício Oliveira, o documento
ressalta a importância da criação das unidades de conservação com a
finalidade de reduzir os fortes impactos observados no sul do estado do
Amazonas, decorrente do processo de ocupação irregular que resultou no
aumento expressivo da taxa de desmatamento na região.
O documento informa que a manutenção dessas áreas protegidas é
crucial para a conservação da biodiversidade regional e para o
desenvolvimento de políticas regionais, além do fato que as Unidades
contribuem efetivamente com as metas e compromissos estabelecidos pelo
Governo Brasileiro tanto em suas políticas públicas internas,
estruturadas através do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) e
do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia
(PPCDAM), assim como nos Acordos Internacionais, destacando-se a
Convenção da Diversidade Biológica e a Convenção do Clima.
“Remover esta proteção de 1 milhão de hectares contribuirá para o -
já notável - aumento do desmatamento na Amazônia, comprometendo também a
credibilidade do Brasil diante da comunidade internacional,
influenciando negativamente a imagem conquistada após esforços bem
sucedidos no combate ao desmatamento e às mudanças climáticas”, afirmam,
em nota.
Além do IEB, assinam o manifesto o Greenpeace Brasil, o Instituto do
Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o ISA (Instituto
Socioambiental), o WWF-Brasil e mais 12 entidades.
A equipe pretende integrar uma segunda luva, para permitir que os dois
parceiros compartilhem toques ao mesmo tempo. [Imagem: SFU]
Toque virtual quase real
A proposta desta luva robótica é que casais momentaneamente longe um
do outro possam se encontrar virtualmente usando algo mais do que um
contato visual por uma tela.
"Os usuários podem fazer gestos íntimos, como tocar o rosto, dar as
mãos e até dar um abraço. O ato de dobrar ou flexionar o dedo é uma
maneira suave e sutil de imitar o toque," afirma Carman Neustaedter, que
criou a luva interativa juntamente com sua equipe da Universidade Simon
Fraser, no Canadá.
Neustaedter chama a luva de Flex-N-Feel, flexionar e sentir, em tradução livre.
Quando uma das pessoas usando a luva move os dedos, a ação é
transmitida para o parceiro remoto, cuja luva recebe os sinais e
reproduz o movimento.
Toques compartilhados
Para capturar as ações, os sensores das luvas, que fornecem um valor
para cada grau de movimento, são conectados a um microcontrolador, por
sua vez ligado a um módulo WiFi.
Há sensores também colocados estrategicamente no lado da palma dos
dedos, a fim de permitir uma melhor sensação de toque. Uma chave em
ambas as luvas permite que qualquer parceiro inicie o toque.
As luvas de toque virtual ainda estão em estágio de protótipo e os
testes continuam. Um conjunto de luvas permite um toque remoto
unidirecional entre parceiros. A seguir, a equipe pretende integrar um
segundo conjunto, para permitir que os dois parceiros compartilhem
toques ao mesmo tempo.
Foto de um tumor de melanoma, um dos mais agressivos e difíceis de tratar de todos os tipos de câncer. [Imagem: Aaron Smith/QUT]
Câncer mais agressivo
Pesquisadores identificaram a forma como as células de melanoma se
espalham, abrindo um novo caminho para o tratamento deste que é o tipo
mais grave de câncer de pele.
Mais do que isso, afirma a equipe liderada pelo Dr. Aaron Smith, da
Universidade de Queensland (Austrália), os resultados abrem novos rumos
para o tratamento do câncer em geral, já que o processo pode ser comum a
outros tipos da doença.
"O câncer é caracterizado pelo crescimento descontrolado das células,
mas se o crescimento descontrolado fosse o único problema então as
células cancerosas seriam facilmente tratadas com cirurgia na maioria
dos casos," explicou o Dr. Smith.
Mas o que torna o câncer mortal é a sua tendência a invadir tecidos e
migrar para outras regiões do corpo, um processo chamado metástase. O melanoma metastático é um dos mais agressivos e difíceis de tratar de todos os tipos de câncer.
Alvo para medicamento
No tumor de melanoma, as células são principalmente proliferativas,
mas algumas são mais invasivas e migratórias. Complicando um pouco as
coisas, algumas células podem alternar entre esses dois comportamentos, o
que significa que uma célula pode espalhar o câncer para outras partes
do corpo e, em seguida, mudar de personalidade para ajudar um novo tumor
a crescer.
"Nosso projeto de pesquisa descobriu o mecanismo pelo qual essas
células de melanoma mudam entre esses dois comportamentos. Este é um
avanço importante, uma vez que identificamos um alvo tratável com
medicamento como parte desse processo. Evitar essa mudança para o
comportamento invasivo permitirá prevenirmos a disseminação metastática
do melanoma e, potencialmente, também de outros tipos de câncer,"
acrescentou o pesquisador.
Os dois tipos de comportamentos das células tumorais são marcados
pela expressão de dois diferentes fatores reguladores: MITF (células
proliferativas) e BRN2 (células invasivas). O BRN2 reduz a expressão
MITF para diminuir a proliferação e colocar as células no modo invasivo,
e ele faz isso aumentando a expressão de um outro fator regulador,
chamado NFIB.
A equipe finalmente descobriu que esse fator NFIB, por sua vez, é
controlado por uma enzima chamada EZH2 - é essa enzima que o pesquisador
chamou de "alvo tratável com medicamento".
Droga em testes
A melhor notícia de todas é que já existem drogas em desenvolvimento
para inibir quimicamente a EZH2, que estão atualmente em testes
pré-clínicos e que poderão, se consideradas seguras e eficazes, serem
usadas para bloquear a proliferação do câncer.
"Os resultados significam que agora podemos começar a pesquisar maneiras
de prevenir a doença e retardar sua manifestação," disse a Dra. Frida
Hallenius. [Imagem: Universidade de Lund]
Primeiro Parkinson, agora Alzheimer
Uma pesquisa feita na Universidade de Lund (Suécia) deu suporte à
hipótese de que as bactérias intestinais aceleram o desenvolvimento da
doença de Alzheimer.
A composição da nossa microbiota intestinal depende de quais
bactérias recebemos no nascimento, dos nossos genes e da nossa dieta.
Bactérias intestinas e Alzheimer
Ao estudar camundongos saudáveis e doentes, os pesquisadores
descobriram que os camundongos que sofrem de Alzheimer têm uma
composição de bactérias intestinais diferente.
A equipe também estudou a doença de Alzheimer
em camundongos completamente livres de bactérias, para testar ainda
melhor a relação entre as bactérias intestinais e a doença. Os
camundongos sem bactérias apresentaram uma quantidade significativamente
menor de placas beta-amiloides no cérebro.
Para esclarecer a conexão entre a flora intestinal e a ocorrência da
doença neurológica, os pesquisadores então transferiram bactérias
intestinais de camundongos doentes para camundongos sem germes e
constataram que estes últimos desenvolveram mais placas beta-amiloides
no cérebro em comparação com o grupo que recebeu bactérias de animais
saudáveis.
"Nosso estudo é único porque mostra um nexo causal direto entre as
bactérias intestinais e a doença de Alzheimer. É marcante que os
camundongos completamente livres de bactérias desenvolvam muito menos
placas no cérebro," disse a pesquisadora Frida Fak Hallenius.
Dieta e probióticos
Os pesquisadores pretendem agora testar novos tipos de estratégias
preventivas e terapêuticas contra o Alzheimer com base na modulação da
microbiota intestinal através da dieta e de novos tipos de probióticos.
"Os resultados significam que agora podemos começar a pesquisar
maneiras de prevenir a doença e retardar sua manifestação. Consideramos
que este é um grande avanço, já que até agora só podemos administrar
medicamentos antirretrovirais que aliviam os sintomas," finalizou
Hallenius.
Quantos lobos guará e outras espécies em extinção vão morrer quando o desmatamento aprovado pelo ZEE no Refugio de Vida Silvestre começar?Abram o link e vejam o tamanho do crime ambiental que será cometido!
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