segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Attenborough: a humanidade é uma praga que está destruindo o Planeta, artigo de José Eustáquio Diniz Alves



“O crescimento exponencial infinito das atividades econômicas
é um suicídio para a humanidade”
David Suzuki

o crescimento da população humana no Holoceno e a 'explosão' no Antropoceno

[EcoDebate] David Attenborough, renomado naturalista britânico e apresentador de TV que inovou na defesa do ambientalismo, lançou um alerta pessimista sobre a influência predadora dos seres humanos na redução da biodiversidade da Terra e na destruição dos ecossistemas: “Somos uma praga na Terra” (“We are a plague on Earth”).

Attenborough acredita que o crescimento da população humana, somado ao crescimento da produção e do consumo e do aumento da poluição e dos resíduos sólidos, reduzirá a disponibilidade de solo e água para a produção de alimentos e deve acirrar a disputa por espaço com as demais espécies vivas da Terra.

A humanidade (com seu estilo de vida e a incessante acumulação de capital e riqueza) se tornou uma força implacável de destruição que não respeita o compartilhamento do mundo com outras criaturas. Attenborough diz: “Ou limitamos nosso crescimento populacional ou o mundo natural vai fazer isso por nós, e, de certa forma, a natureza já está fazendo isso para nós agora”.

O rápido crescimento da economia e da população está tornando muito difícil para o mundo conciliar as demandas humanas com os desafios ambientais. Infelizmente, não existe uma discussão real sobre a realidade da superpopulação. Ele diz: “Nós não podemos continuar sustentando altas taxas de crescimento demográfico, porque a Terra é finita e não se pode colocar o infinito em algo que é finito.
Attenborough também adverte que simplesmente reconhecer os problemas não é suficiente, pois é necessário ação. Ele considera que é preciso universalizar os serviços de saúde reprodutiva e investir na educação sexual em todo o mundo, garantindo às mulheres mais controle político sobre seus corpos e acesso aos meios voluntários de regulação da fecundidade, especialmente nos países onde são altas as taxas de gravidez indesejada.

De fato, o futuro da população mundial está em aberto e pode haver um decrescimento demográfico no mundo se houver uma queda relativamente pequena nas taxas de fecundidade. Uma pequena redução do número médio de filhos por mulher pode representar uma diferença de bilhões de pessoas no longo prazo.

Pesquisadores do International Institute for Applied Systems Analysis (IIASA), na Áustria, realizaram projeções de longo prazo (2000 a 2300) da população mundial para os cenários do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). As projeções por idade e sexo levaram em consideração um amplo conjunto de hipóteses de fecundidade e três cenários de mortalidade com base em expectativa de vida máxima de 90, 100 e 110 anos. Em artigo publicado na Demographic Research, em 30 de maio de 2013, os demógrafos Stuart Basten, Wolfgang Lutz e Sergei Scherbov apresentam uma síntese do relatório.

Considerando aqui o cenário de expectativa de vida de 90 anos (Eo = 90), a população mundial em 2300, dependendo da Taxa de Fecundidade Total (TFT), pode variar de praticamente zero a 71 bilhões de pessoas, como mostra o gráfico abaixo:


tamanho da população mundial: 2000 a 2300 segundo hipóteses de fecundidade

A população mundial em 2000 era de 6,05 bilhões de habitantes. Se a TFT permanecer no nível de 2,5 filhos por mulher, o número de habitantes globais chegaria a 71 bilhões de pessoas em 2300.
Se a TFT global cair para 2 filhos por mulher (aproximadamente a taxa de reposição), a população mundial chegaria a 9,0 bilhões de habitantes em 2300. Uma queda da taxa de fecundidade para 1,75 filhos por mulher faria a população mundial chegar a 2,74 bilhões de habitantes em 2300.

Uma TFT de 1,5 filho por mulher resultaria em uma população mundial de 720 milhões de habitantes em 2300. Uma TFT abaixo de 1 filho por mulher levaria a uma população inferior a 30 milhões de habitantes.


Como exemplo, o Brasil tem atualmente uma TFT próxima de 1,75 filho por mulher. Diversos países (inclusive a China) possuem taxas de fecundidade ainda menores. Caso a fecundidade média do mundo fique no mesmo nível da TFT atual do Brasil, haveria um decrescimento da população mundial para menos da metade dos 7,5 bilhões de habitantes atuais. Portanto, o ambientalista David Attenborough, tem razão em dar ênfase à discussão do planejamento reprodutivo para reduzir o número de pessoas e a pegada ecológica da humanidade.

Em parte, a fecundidade mundial só não cai mais rápido devido ao alto percentual de gravidez indesejada. O Guttmacher Institute publicou, em junho de 2017, um novo estudo apontando para o não atendimento da demanda por métodos contraceptivos nas regiões em desenvolvimento. O estudo mostra que, nos países em desenvolvimento, 214 milhões de mulheres querem evitar a gravidez, mas, por diversas razões, não tem acesso aos métodos modernos de contracepção. Além disso, dezenas de milhões de mulheres não têm acesso a cuidados básicos durante a gravidez e o parto, necessários para protegerem sua saúde e a saúde dos recém-nascidos. O atendimento aos direitos reprodutivos pode contribuir para desacelerar o incremento demográfico (Darroch, 2017).

As preocupações de David Attenborough são pertinentes, pois o crescimento da presença humana na Terra é insustentável, conforme atestam as últimas notícias. Um terço do solo do Planeta está severamente degradado e o solo fértil está sendo perdido a uma taxa de 24 bilhões de toneladas por ano, de acordo com o estudo “Perspectiva Global de la Tierra (GLO)” da ONU.

A insegurança alimentar que vinha se reduzindo no mundo na última década, voltou a crescer e afetou 815 milhões de pessoas em 2016, o que representa 11% da população mundial. Múltiplas formas de má nutrição ameaçam a saúde de milhões de pessoas. O aumento foi de mais 38 milhões de pessoas em relação ao ano anterior, em grande parte, devido à proliferação de conflitos de guerra e mudanças climáticas, segundo o relatório da FAO: “Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo 2017”.

No dia 13/11/2017, foi publicada uma carta na revista BioScience, assinada por 15.372 cientistas de 184 países, com o título: “Advertência dos Cientistas à Humanidade: Segundo Aviso”. Trata-se de um verdadeiro alerta para a humanidade que segue um rumo de desenvolvimento insustentável. Em relação ao crescimento populacional a carta diz o seguinte:

– reduzir ainda mais as taxas de fecundidade, garantindo que as mulheres e os homens tenham acesso à educação e a serviços de planejamento familiar voluntário, especialmente onde
tais serviços ainda não estão disponíveis.

– estimar um tamanho de população humana cientificamente defensável e sustentável a longo prazo, reunindo nações e líderes para apoiar esse objetivo vital, para evitar miséria generalizada e a perda catastrófica de biodiversidade.

Portanto, os alertas estão dados. Aumentar a escala antropogênica é irracional e arriscado. Para evitar um desastre social, demográfico e ambiental é preciso evitar que cada vez mais pessoas caem no vício do consumismo e caminhar rumo ao decrescimento demoeconômico. A solução passa por uma mudança de paradigma do modelo econômico e pela redução da sobrecarga do Planeta. E como bem mostra o livro “Enough is Enough” (2010), não basta reduzir a pegada ecológica per capita, também é preciso reduzir o número de pés, diminuindo a presença ecúmena e aumentando as áreas anecúmenas.


Referência:
ALVES, JED. Dia mundial de população e as novas projeções demográficas da ONU, Ecodebate, 10/07/2017
https://www.ecodebate.com.br/2017/07/10/dia-mundial-de-populacao-e-as-novas-projecoes-demograficas-da-onu-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
Stuart Basten, Wolfgang Lutz, Sergei Scherbov. Very long range global population scenarios to 2300 and the implications of sustained low fertility. Demographic Research, V. 28, Art 39, 2013, p. 1145-1166
http://www.demographic-research.org/volumes/vol28/39/
DARROCH, J. E. et al. Adding It Up: Investing in Contraception and Maternal and Newborn Health, New York: Guttmacher Institute, 2017.
https://www.guttmacher.org/fact-sheet/adding-it-up-contraception-mnh-2017
O’Neill, D.W., Dietz, R., Jones, N. (Editors), Enough is Enough: Ideas for a sustainable economy in a world of finite resources. The report of the Steady State Economy Conference. Center for the Advancement of the Steady State Economy and Economic Justice for All, UK, 2010.
http://steadystate.org/wp-content/uploads/EnoughIsEnough_FullReport.pdf
Kristin Houser e June Javelosa. David Attenborough: If We Don’t Limit Our Population Growth, the Natural World Will, Futurism, December 19, 2016
https://futurism.com/david-attenborough-if-we-dont-limit-our-population-growth-the-natural-world-will/
Fiona Harvey. “David Attenborough on the scourge of the oceans: I remember being told plastic doesn’t decay, it’s wonderful”, The Guardian, 25 September 2017
https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2017/sep/25/david-attenborough-on-the-scourge-of-the-oceans-i-remember-being-told-plastic-doesnt-decay-its-wonderful
Advertência dos Cientistas do Mundo à Humanidade um Segundo Aviso
https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/201711149829620-humanidade-ameaca-terrivel/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Agricultura no Cerrado ignora clima e viabilidade econômica


05.12.2017Notícias
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Boa parte da agricultura praticada no Cerrado, segundo maior bioma do Brasil e lar de 5% da biodiversidade do planeta, tem sido praticada de maneira irracional, estimulando o desmatamento enquanto traz alto risco para o negócio. Segundo uma análise divulgada hoje em Brasília pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), durante o Seminário Nacional do Cerrado, cerca de 5,6 milhões de hectares da área de agricultura anual da safra 2015/2016 no bioma, de 20,7 milhões de hectares no total, está localizada em áreas de médio ou alto risco produtivo, com clima e solo desfavoráveis à atividade.

Para se tornarem viáveis, os produtores precisam investir pesadamente em insumos, e ainda têm de lidar com índices irregulares de chuva, por exemplo.

Em entrevistas realizadas pelo IPAM no Matopiba, região de Cerrado entre os estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, 55% dos produtores entrevistados registraram perda de produtividade nas últimas oito safras. Desses, 52% afirmaram que as causas são climáticas, como redução ou atraso do período chuvoso. As entrevistas foram feitas em 91 fazendas de diferentes tamanhos e níveis médios de pluviosidade.

Ao mesmo tempo, há pelo menos 33,2 milhões de hectares de pastagem plantada, com baixa produtividade, que poderiam ser aproveitadas para a agricultura em todo o Cerrado, em áreas de baixo risco produtivo.
“Não é preciso desmatar mais nenhum hectare de Cerrado, e sim implementar políticas de inteligência territorial para evitar o desperdício”, afirma o pesquisador Tiago Reis, um dos responsáveis pela análise. “Grande parte do desmatamento no Cerrado é especulativo e também irracional, do ponto de vista agrícola e econômico. A agricultura deve se reorientar para ocupar áreas de pastagens com baixa produtividade e rentabilidade.”

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Essa deficiência de planejamento do uso do solo é um dos vários fatores que levaram o bioma a perder metade de sua vegetação nativa – 10% somente entre 2001 e 2016 – e numa velocidade mais alta do que o observado na Amazônia recentemente.
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O Matopiba representa 62,5% do desmatamento de vegetação nativa do cerrado registrado pelo governo entre 2013 e 2015. Todos os dez municípios que mais desmatam nesse período estão localizados nessa região. Isso acontece pelo intenso processo de especulação fundiária na região, pela logística favorecida pela proximidade de portos estratégicos, como o de Itaqui, no Maranhão e, também, por produtores que fogem das regras mais rígidas que prevalecem na Amazônia. “É preciso minar a especulação fundiária impondo barreiras à expansão desordenada e irracional”, diz Reis.

Regras mais rígidas e aumento em áreas protegidas

De acordo com o Código Florestal, os imóveis rurais no Cerrado precisam preservar 35% de sua área na forma de reserva legal dentro da Amazônia Legal e 20% fora, enquanto na Amazônia o índice é de 80%. A criação de incentivos econômicos à conservação e à restauração previstos no Código Florestal, para evitar a conversão de vegetação nativa excedente dentro de fazendas consolidadas, poderia promover a recuperação dos passivos ambientais.


Torna-se mais importante do que nunca o planejamento inteligente do uso do solo, conciliando proteção do bioma com produção eficaz. Outras ações recomendadas envolvem um pacto multissetorial, incluindo todos os elos das cadeias produtivas agropecuárias, para não comercializar mais produção associada ao desmatamento no Cerrado; respeito aos direitos territoriais e valorização das populações tradicionais, que contribuem para a conservação do Cerrado; e mais pesquisa e monitoramento, para conhecer melhor o patrimônio genético do bioma, as relações e impactos da vegetação nativa sobre os ciclos hidrológicos tanto em processos geológicos como atmosféricos.

Outra questão fundamental é criar mais áreas protegidas no Cerrado: apenas 8% do bioma está nessa categoria. Dobrar esse índice, incluindo a destinação das terras federais e estaduais não destinadas, teria um impacto considerável na preservação.

Em outubro, empresas líderes no mercado internacional como Carrefour, McDonald’s, Nestlé, Unilever e Walmart lançaram uma carta em que reconhecem a importância do Cerrado por seu papel na mitigação das mudanças climáticas. A carta apoia o Manifesto do Cerrado, um documento divulgado em setembro por organizações ambientalistas, que pede para as empresas que compram soja e carne do Cerrado defendam o bioma.

As empresas afirmam que estão empenhadas em deter a perda de vegetação nativa associada à produção de produtos agrícolas e se comprometem em trabalhar com a indústria, produtores, governos e a sociedade civil para proteger paisagens naturais de importância mundial, dentro de um cenário de boa governança e políticas de planejamento de terras.

Considerações sobre meu bairro verde


Por Marc Dourojeanni
Food trucks não se importa em passar por cima de ninhos de corujas. . Foto: Marc Dourojeanni.
Food trucks não se importa em passar por cima de ninhos de corujas. . Foto: Marc Dourojeanni.


Morar em Brasília é uma experiência sui generis, como corresponde a essa cidade tão diferente. Morar no extremo da Asa Norte do Plano Piloto de Brasília é muito bom, especialmente para quem gosta de áreas verdes. Nesse setor, entre o eixo rodoviário e o lago, existe uma proporção de área verde que supera amplamente a construída, incluindo um pedacinho da vegetação original, cerrado com mata ciliar, conhecido como Olhos D'Água. Todo o resto é, na verdade, uma enorme plantação de mangueiras esparsas. Os vizinhos dão um bom uso a essas áreas, mas, sem dúvida, poderiam ser melhor aproveitadas se forem tomadas algumas medidas.

De fato, as partes verdes que se encontram entre os blocos são bastante usadas, especialmente para passear com o impressionante número de cachorros do bairro. E, evidentemente, o parque Olhos D'Água também é muito bem aproveitado. Neste caso, especialmente pelos que praticam atividades físicas, pelos meninos que ali brincam e pelos namorados.  Uns poucos observadores da natureza complementam os usuários. Mas, a maior parte da extensa área verde do bairro, em especial a que fica no extremo norte, é muito pouco aproveitada.

O assunto dos cachorros é engraçado. Há, obviamente, cachorros de todo tipo. Os minúsculos e ridículos passeando com homens grandes e fortes e os enormes mastins passeando por mocinhas sem força para controlá-los. Pode se ver uma moça com dois cães, cada um disparado para o lado oposto com ela enrolada no meio, não sabendo o que fazer, com o seu telefone celular numa mão e a bolsa de plástico cata-cocô na outra.

Outros e outras, mais confiantes, soltam os seus bichos que, sem coleiras, brincam felizes no parque. Os cachorros soltos são um espetáculo à parte. É óbvio que já se conhecem e que devem esperar com desespero o momento de se reencontrar no dia seguinte.  Os donos dos bichos se conhecem e às vezes se reúnem em grupos grandes para conversar sobre seus cães. Quase nunca se observam brigas de cachorros.

Pelo contrário, mais de um romance entre os donos e donas deve ter começado nesses eventos espontâneos. O uso dos celulares é onipresente. Raras são as passeantes que dão bola as necessidades dos seus cachorros. Só deixam de falar ou olhar nos seus celulares na hora de recolher o cocô. De fato, a maior parte dos donos e passeantes profissionais de cachorros cumprem com a instrução de recolher as excreções. Mas, tem alguns que apenas dissimulam levando bem à vista a bolsa de plástico, mas que nunca se agacham para usá-la.


Foto: Marc Dourojeanni.
Foto: Marc Dourojeanni.

Obviamente as áreas verdes entre as quadras sofrem algumas invasões. Os vizinhos podem se surpreender tendo em baixo das suas janelas uma barraca improvisada com um casal de “sem tetos” que exibe sem pudor sua vida íntima, incluindo as bebedeiras e as brigas e que fazem um churrasquinho com lenha no pé da árvore mais bonita.

O mais irritante desse tipo de invasores é a sujeira indescritível que produzem, afetando uma área enorme. Quando eles estão por perto, o número de passeantes, principalmente o feminino, diminui drasticamente. Após semanas de presença constante, esses campistas informais somem, possivelmente por conflitos com a lei ou quiçá pela chuva.

 Mas voltarão. Também entram na área verde, possivelmente com algum tipo de autorização, vendedores ambulantes motorizados de hambúrgueres e de outros alimentos. Para isso passam com as suas camionetes na grama, praticamente acima do ninho de corujas buraqueiras que lá moram desde faz muito tempo.  De noite, fazem uma tremenda barulheira para atrair clientes. E, claro, o principal ocupante da área verde, e o mais constante e sem dúvida também o mais influente é uma igreja que decidiu ocupar a metade do espaço. Ademais, é frequente observar fogos que, normalmente, são controlados dentro das suas primeiras 24 horas.

Mas, em geral, essas áreas verdes são uma maravilha para o bairro que, estando no centro de uma cidade de três milhões de habitantes, a terceira maior do Brasil, tem ar puro -- exceto quando o vento traz o cheiro da estação de tratamento de esgotos instalada perto -- e muito espaço para espairecimento.  Apesar da pouca diversidade da sua flora, essas áreas verdes exibem um número considerável de aves, algumas muito bonitas. Porém, medidas simples poderiam aprimorar a situação e, em especial, o aproveitamento dessas áreas.
Foto: Marc Dourojeanni.
Foto: Marc Dourojeanni.


A priori o uso limitado das partes um pouco mais afastadas seja devido à falta de segurança. Mas, se foram mais usadas, esse inconveniente desapareceria. Acredito que, no essencial, seu desuso tenha a ver com o seu abandono e falta de atrativo. Verdade que esses espaços são verdes, mas como mencionado, parecem uma velha plantação abandonada de mangueiras, muito espaçada.

Apenas na proximidade dos edifícios parece que alguns vizinhos -- ou os passarinhos -- se aborreceram com a monotonia e plantaram alguma outra coisa, como cajueiros, guaiavas, jacas, frutas do conde, abacates e pouco a mais. Quase não existem palmeiras. Esses parques poderiam ser verdadeiros jardins botânicos ou, pelo menos, coleções de árvores nativas ou exóticas, de fácil manutenção, fazendo-os mais úteis e especialmente atrativos. Tampouco seria difícil complementa-os com algumas trilhas de grava e bancos rústicos. Tem espaço para tentar desenvolver algumas hortas, coisa que dá para ver que já foi ensaiada sem sucesso por alguns vizinhos.

Dedicando um par de jardineiros mais um pequeno orçamento para fazer as trilhas e providenciar mudas e adubamento, dá para fazer tudo isso. Não tem que ser feito tudo ao mesmo tempo. O jeito é adiantar gradativamente para que os usuários se acostumem a usar as melhorias. É evidente que a fauna aviária, que já é grande, aumentaria na mesma proporção na que se diversifique a oferta de espécies de plantas, criando outro atrativo.


De outra parte, dá pena ver o desperdício das frutas que essas árvores produzem. Claro que sempre aparece alguém que colhe o que pode, mas considerando a altura dessas árvores que nunca foram podados, a tarefa fica difícil para os amadoristas.

A verdade é que existem tantas mangueiras em Brasília que acredito justiçar-se há um simples estudo econômico para o seu aproveitamento como alimento para animais ou outros usos, pelo menos como adubo. De outra parte, a acumulação de frutas apodrecendo no chão não contribui para a limpeza nem para a segurança dos caminhantes.

O pecado original dessas áreas verdes remonta à construção de Brasília durante a qual os arquitetos empolgados com a obra humana esqueceram-se da natureza e ordenaram passar o trator em cima de tudo o que pudesse lembrar o cerrado original. Foi um milagre -- na verdade foi uma tremenda luta -- a salvação do Parque Nacional de Brasília e do Jardim Botânico e, em especial, do minúsculo Olhos D’Água, dentre poucas áreas naturais a mais. De ter então lembrado isso o jardim já estaria feito.  

É muito provável, ademais, que esta nota apenas reitere muitas iniciativas anteriores. Mas, como nunca é tarde para aprimorar a qualidade da vida, insistir não causa dano.

Brasil não cumpre legislação sobre qualidade do ar


Por Daniele Bragança
Evangelina Vormittag. Foto: Divulgação.
Evangelina Vormittag. Foto: Divulgação.

O monitoramento e controle da qualidade do ar é uma das leis que ficaram apodrecendo nas gavetas da gestão ambiental do país. Em 19 estados da federação, sequer se sabem quantos e quais poluentes são jogados na atmosfera. Desde 1989, uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) determina a criação de uma "Rede Nacional de Monitoramento da Qualidade do Ar", que permitiria o "acompanhamento dos níveis de qualidade do ar e sua comparação com os respectivos padrões estabelecidos".

Um ano depois, uma outra resolução estabeleceu o Padrão Nacional de Qualidade do Ar, que vigora até hoje. Os valores estabelecidos pelo padrão são três e até quatro vezes mais permissivos que os valores de segurança definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o que torna os lançamentos de poluição permitidos pela legislação brasileira um caso de atentado à saúde pública.

Há 9 anos, Evangelina Vormittag, médica e doutora em Patologia, trabalha com poluição atmosférica. Presidente do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Evangelina participa, como sociedade civil, das reuniões que ocorrem no CONAMA e como consultora do Ministério Público Federal sobre o tema. Em entrevista a ((o))eco, ela desvenda o quadro do monitoramento da poluição do ar no Brasil.

Leia a entrevista:
((o))eco: Qual é o quadro do monitoramento do ar no país hoje?
Nós temos várias legislações desatualizadas e ultrapassadas sobre a poluição do ar. O Brasil tem uma série de desafios e obstáculos para o cumprimento daquilo que já existe como determinação. Muitas conquistas acabam não sendo, de fato, implementadas. Já é uma luta para conquistar uma lei, uma política e depois, elas não são cumpridas.

Quais leis não estão sendo cumpridas?
Posso te falar de alguns exemplos. O primeiro deles é o Programa Nacional de Qualidade do Ar, que foi determinado pela Resolução nº 005/1989.  E essa Resolução estabelecia a implementação do monitoramento de qualidade do ar nos estados. Hoje, nós só temos 8 estados que possuem o monitoramento de qualidade do ar [Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Bahia], embora nem todas as estações de monitoramento controlam todos os poluentes. Quando se fala especificamente de um poluente, a quantidade de estações é menor e muitas estações no Brasil são de origem privada, então, isso quer dizer que os órgãos ambientais estaduais utilizam estações privadas de empresas ou indústrias para monitoramento da qualidade do ar, ao passo que existem, principalmente em São Paulo, os equipamentos de monitoramento de qualidade do ar públicos.

Por que é ruim ser privado?
Porque as estações de monitoramento do ar em indústrias privadas têm uma finalidade que é o monitoramento de poluentes dessa indústria e ela tem um cunho mais para licenciamento, enquanto que a pública é alocada para medir locais que são mais importantes para o monitoramento de poluentes que podem trazer danos à saúde pública. Por exemplo, as públicas são determinadas em dias de grande tráfego, ou próximas de indústrias com vias de grande tráfego porque elas têm outra intenção, outro foco. Nem sempre aquela estação de monitoramento numa indústria vai englobar o que é de maior interesse da população.

Na Bahia o monitoramento é privado, eles utilizam estações privadas. No Rio de Janeiro, metade é privada e metade não é privada. Em São Paulo, todas as estações são públicas. O melhor monitoramento de qualidade do ar é em São Paulo.

E quantos estados fazem esse monitoramento?
Apenas 8 estados. Nem o Distrito Federal realiza o monitoramento de qualidade do ar. Somente 1,6% dos municípios são monitorados no Brasil e nós temos 252 estações de monitoramento com dados de 2014, enquanto que os Estados Unidos têm 10.000 estações e a Europa 7.500 estações. Nós temos muito poucas estações.

“Nem o Distrito Federal realiza o monitoramento de qualidade do ar. Somente 1,6% dos municípios são monitorados no Brasil”.
 
Então, uma vez que é feito esse diagnóstico, se pode preconizar e elaborar uma gestão adequada para esse monitoramento. O que acontece no Brasil é que a resolução CONAMA 003/90, que determina o padrão de qualidade do ar, foi publicada há 27 anos e é muito desatualizada. Há 12 anos, temos o guia do Organização Mundial de Saúde que preconiza padrões de qualidade do ar para serem seguidos de acordo com a salvaguarda da saúde da população. Se ultrapassarem os valores de concentração de poluentes no ar determinados pelo padrão da OMS, esse nível de concentração acaba por afetar a saúde da população exposta. E no Brasil os padrões adotados pelo CONAMA são muito altos.

Há uma divergência entre os dois padrões?
Sim. O que acontece é que a concentração de poluentes, mesmo que seja alta, muitas vezes está dentro do padrão adotado pelo Brasil, e por fim, nós temos uma qualidade do ar medida como normal, quando na verdade a população afetada sequer sabe que está sendo exposta a uma quantidade superior ao recomendado. Vou te dar um exemplo: o material particulado é um poluente nocivo para a saúde e o padrão de qualidade do ar no Brasil admite que você tenha uma concentração máxima de 150 mg/Nm³.

A Organização Mundial de Saúde preconiza 50 mg/Nm³ para não afetar a saúde da população. Nosso padrão tolera três vezes o valor da OMS. Agora imagina que uma determinada indústria emita 100 mg/Nm³, que já é um valor muito alto pelo padrão da OMS, o dobro do que deveria ser, mas no Brasil essa concentração é considerada normal. E assim é medido pelo órgão ambiental e informado para a população.

Essa informação sobre a diferença entre os padrões, muitas vezes, os gestores ambientais na ponta, nos municípios, desconhecem. Quem conhece são os órgãos federais e os órgãos estaduais de meio ambiente. Enquanto não houver a mudança do padrão, não vai haver de fato o conhecimento do problema. O padrão da Organização Mundial de Saúde não vai resolver o problema da poluição, mas ele é um instrumento para a gestão.

Há alguma tentativa de mudança do padrão dentro do CONAMA? Essa discussão está acontecendo? Como é que está isso agora?
Essa discussão já acontece há um tempo. Em 2014, formou-se um grupo de trabalho de revisão dos padrões de qualidade do ar, mas não houve consenso. As reuniões duraram o ano inteiro e teve que ser discutido na Câmara Técnica porque não se chegou a um consenso. Ocorre que não houve discussão na Câmara Técnica, ou seja, caiu no vazio. Em 2017, voltou-se a discussão e de novo não houve consenso e de novo foi para a Câmara Técnica.

Já houve reunião esse ano na Câmara Técnica?
“Os [estados] alegam que não têm condições de fazer uma gestão nos estados para se atingir os padrões de qualidade do ar”.
 
Já, houve uma primeira. Os estados, através dos seus órgãos ambientais estaduais, não querem que haja mudança no padrão para OMS e nem querem estabelecer prazo para mudanças. Eles alegam que não têm condições de fazer uma gestão nos estados para se atingir os padrões de qualidade do ar, ou seja, eles não têm condições de fazer uma gestão que regule a diminuição de poluentes nos estados. O Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Saúde e o Ibama entendem que têm que haver uma mudança no padrão para o da Organização Mundial de Saúde, mas não têm uma definição dos prazos.
A sociedade civil e o Ministério Público querem o padrão da OMS num prazo mais curto possível, eles sugerem nove anos, três anos entre cada meta intermediária, no máximo. O que acontece é que os estados e os órgãos federais não querem determinar quando haverá a mudança, porque a gente sabe que para chegar ao padrão da Organização Mundial da Saúde precisa de um prazo e precisa que a mudança ocorra em etapas. Mas os estados não querem nem determinar as etapas.  O que eles querem é primeiro avaliar se vai haver condição de chegar a esses padrões. Os órgãos federais defendem já um prazo mesmo que mais longo, porque eles acham que se não houver um prazo para a determinação, não vai se atingir os padrões que se quer propor. Então, isso é como se divide no CONAMA.

Os estados temem o quê? Perder indústria?
A indústria é outra quarta parte. Também não querem a determinação dos prazos. Os estados defendem a mesma coisa que a indústria. Para os estados atingirem os padrões da OMS, eles têm que diminuir as emissões e existe uma pressão econômica para que continue como está.

Para haver a redução de emissão, eles vão ter que se adequar, vão ter que fechar indústria até se adequarem. As emissões de poluentes tem tanto a fonte industrial quanto veicular. Então, é necessário que haja medidas nessas duas frentes. E o que a gente acredita é que se não for determinado o padrão, ninguém diminui nada. Não se faz uma gestão para diminuir como vem acontecendo há 27 anos.

Me fale um pouco sobre a inspeção veicular
“(...) as outras leis praticamente quem têm que cumprir são os estados porque é de ordem estadual a questão da proteção ambiental. Eles não cumprem (...)”.
 
Assim, existem outras leis conquistadas que também não são cumpridas, por exemplo, a inspeção veicular, ela foi determinada há vinte anos, todos os estados deveriam ter implementado a inspeção veicular, mas só o estado do Rio de Janeiro implementou. Outra coisa também, a lei de mudança do clima, a lei municipal em São Paulo determina que haja mudança da matriz energética da frota de ônibus até 2018 e não vai ser cumprida. E por que não é cumprida? Porque os responsáveis são os estados.

Com exceção desta frota municipal, as outras leis praticamente quem têm que cumprir são os estados porque é de ordem estadual a questão da proteção ambiental. Eles não cumprem, mas eles legislam sobre a própria causa, então, não há fiscalização, não há uma sanção, eles não fazem e o órgão federal também não fiscaliza. Antigamente, quem fiscalizava era o Ibama, mas ele não tem mais essa função e fica por isso mesmo.

Se o Ibama não tem mais essa atribuição, quem tem essa atribuição?
Ninguém. A única coisa que poderia obrigar o estado a fazer é o Ministério Público. Na verdade, quem defende essa questão no Brasil é o Ministério Público e a sociedade civil, o próprio governo não atua na questão da saúde da população. Os interesses são outros. Eles deveriam ter esse interesse, os órgãos ambientais foram criados para isso, mas não fazem. É praticamente uma improbidade administrativa. Aquilo que o órgão deveria cumprir, aquilo que ele tem como missão, o propósito de existir, ele não cumpre.

A Resolução de 1989 é federal, mas os estados não cumprem e não tem o que fazer, a não ser que o Ministério Público vá lá e questione e faça uma ação civil contra o próprio estado. É o que está acontecendo em Santa Catarina. Tem uma procuradora que fez uma ação civil porque o estado não cumpre uma série de legislações em relação à qualidade do ar. Santa Catarina tem polos industriais. A procuradora de Santa Catarina questionou duas leis que não foram cumpridas, uma é a inspeção veicular, que é uma lei já de vinte anos e de um programa de controle de poluição veicular. Ela nem questionou o monitoramento que não existe. Na verdade, o que ela está questionando é correto. Eles não têm a inspeção e nem o programa de manutenção de emissões. Mas antes disso, já existe um problema maior, que é não ter o monitoramento e também não tem o controle de fontes fixas industriais. Ela fez uma ação, digamos assim, com uma parte da história.

E a poluição industrial sequer entrou na história
“Antigamente, as indústrias estavam nas grandes cidades. Não estão mais, elas estão no interior. A região metropolitana de São Paulo tem doze cidades acima do nível de São Paulo e ninguém toma conhecimento desses casos.”.
 
A gente acha que como é Norte, Nordeste e Centro-Oeste, lá não tem ar poluído como São Paulo, mas não é verdade, porque tem polos industriais nesses estados e existe toda a fonte veicular.

Então, por exemplo, queimadas têm que ter monitoramento e diagnóstico. Para você ter uma ideia, em São Paulo, temos 30 municípios que monitoram a qualidade do ar. Desses 30, 12 estão com nível de poluição acima da cidade de São Paulo. Antigamente, as indústrias estavam nas grandes cidades.

Não estão mais, elas estão no interior. A região metropolitana de São Paulo tem doze cidades acima do nível de São Paulo e ninguém toma conhecimento desses casos. Cubatão é uma delas. O nível de poluição de Cubatão, hoje, é o nível que existe na China, quase cinco vezes o nível de São Paulo.
Agora, por que não se fala nisso? Porque não aparece, porque o padrão é muito alto, então, por uma série de situações que você vai somando, não se tem o real diagnóstico. Se uma mãe tem um filho com asma e quer saber onde ela pode morar com esse filho, ela não tem essa informação adequada porque o órgão ambiental não está fornecendo essa informação. O técnico ambiental da ponta, muitas vezes, não tem conhecimento sobre isso tudo.

Você diria que os índices de poluição do ar no país são uma grande incógnita?
Não. Porque existem oito estados que monitoram, então, os índices são conhecidos nesses estados. Não são conhecidos os dos outros. Praticamente oito estados de vinte e sete. Um terço: os quatro estados da região sudeste; no sul: Paraná e Rio Grande do Sul; Bahia, Goiás.

O estado do Rio de Janeiro é mais poluído, o ar é mais poluído do que o estado de São Paulo; em terceiro lugar, Belo Horizonte, depois Porto Alegre e depois Paraná. Hoje, temos Belo Horizonte, Porto alegre, Vitória e Curitiba. Nesses locais os índices de poluição são conhecidos.

Polos industriais são os mais poluídos. Cubatão, por exemplo, no estado de São Paulo, tem uma situação muito ruim de qualidade do ar. A gente vê as piores situações nos polos industriais, embora a fonte veicular esteja presente, seja importante para todos os estados. Aqui no Brasil, onde há os polos industriais, as refinarias de petróleo, as indústrias de cerâmica, têxteis, cimento, vidro, há maior concentração de poluição do ar.

Onde tem mais estações? É no estado de São Paulo?
Hoje é no Rio de Janeiro. Era São Paulo dois anos atrás, mas com a Copa o Rio de Janeiro teve que implementar várias estações de monitoramento.

E nos estados que não têm o monitoramento, vocês conseguem saber a situação deles?
Não. Onde não tem monitoramento, a gente não tem o diagnóstico de qual a qualidade do ar.

E qual o impacto dessa poluição na saúde pública?
“A poluição no estado de São Paulo, hoje, adoece mais que a Aids, duas vezes mais do que acidente de trânsito, três vezes mais que câncer de mama e seis vezes mais que câncer de próstata. A poluição é destruidora porque ela é invisível.”.
 
No estado de São Paulo, nós fizemos um estudo que se nada for feito, se a poluição se mantiver como é hoje, não alterar o padrão, a gestão, em quinze anos vamos ter 256 mil mortes e 1 milhão de internações por doenças relacionadas à poluição do ar, num custo de R$ 1,5 bilhão a preço de 2011 para a saúde.

 Então, o impacto em saúde é muito alto. A poluição no estado de São Paulo, hoje, adoece mais que a Aids, duas vezes mais do que acidente de trânsito, três vezes mais que câncer de mama e seis vezes mais que câncer de próstata. A poluição é destruidora porque ela é invisível. É difícil constatar que aquela pessoa morreu por causa da poluição do ar. Quais são os efeitos que levam mais à morte da população e adoecimento? É a doença cardiovascular, infarto do coração e o derrame, e doenças pulmonares, como o câncer de pulmão. Câncer de bexiga também está associado. Hoje o ar é líder ambiental em adoecimento e mortes no mundo. Ele já ultrapassou a falta de saneamento de água em termos de adoecimento.

Temos outro estudo que compara o padrão Conama com o Padrão OMS em São Paulo. Olhando os padrões que o estado de São Paulo utiliza, temos 1.100 dias com ultrapassagem dos padrões de qualidade do ar nas estações de São Paulo de acordo com a OMS, enquanto que os relatórios da Cetesb [A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo] relatam só 180 dias. Isso para mostrar o quanto ela deixa de relatar uma realidade de fato.

Se você for conversar com a Cetesb ela vai dizer que tem uma preocupação em relação a isso, que em 2013 eles fizeram uma resolução para atualizar os padrões em relação à OMS,  e é verdade. Em 2013, os estados de São Paulo e Espírito Santo fizeram uma revisão e um decreto para mudar o padrão de qualidade do ar para o da OMS, porém, não estabeleceram prazo para a mudança. Então, eles falam que fizeram. Fizeram, mas caíram no vazio de novo porque não tem prazo para a mudança.


E o que mudou do padrão, nas primeiras metas intermediárias foi muito pouco, a redução é muito pouca. A concentração máxima de 150 mg/Nm³ de material particulado que dei no exemplo hoje em São Paulo é de 120 mg/Nm³. É melhor que o Federal, mas é muito pouca a diferença e está muito longe do padrão da OMS, que é 50 mg/Nm³. E o Espírito Santo usou a mesma métrica que São Paulo.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Ineficiência marca política ambiental brasileira, por Ádria Costa Siqueira

Ineficiência marca política ambiental brasileira, por Ádria Costa Siqueira


Mecanismos criados pelo Estado não têm sido suficientes para conter danos

Jornal da UNICAMP
Texto ÁDRIA SIQUEIRA
Fotos Tássia Biazon | REPRODUÇÃO
Edição de imagem LUIS PAULO SILVA

Em diversos encontros internacionais, como a Cúpula da Terra, Eco-92 e Rio +20, foram estabelecidas metas, leis e medidas de proteção ambiental com o objetivo de reduzir os impactos sobre o meio ambiente. A política ambiental brasileira, amparada na Constituição de 1988, tem procurado atender a esses desafios. Foram criados, por exemplo, mecanismos para controle das atividades empresariais, para que sejam geridas de forma sustentável. Entretanto, de uma maneira geral, esses mecanismos têm se mostrado ineficientes para conter os danos ambientais.

São três os instrumentos utilizados pela política ambiental brasileira: Comando-Controle; Econômico; e Comunicação. O primeiro cria normas, regras e procedimentos de utilização dos recursos naturais, fiscalizando, penalizando, proibindo ou permitindo a existência de atividades; o segundo estabelece cobrança de taxas e tarifas, além de reduções fiscais quando as empresas são comprometidas com o meio ambiente; e o terceiro realiza a divulgação de informações, selos ambientais e promoções de educação ambiental.

Na instância do Comando-Controle estão os EIAs (Estudo de Impacto Ambiental) e os RIMAs (Relatório de Impacto Ambiental). Entretanto, apenas os relatórios dos RIMAs são disponibilizados ao público. Isso porque os relatórios dos EIAs contêm segredos industriais. Essa obrigação é compartilhada pelos órgãos estaduais de meio ambiente e pelo Ibama como parte integrante do SISNAMA (Sistema Nacional de Meio Ambiente).
Foto: Reprodução
Fonte: Fluxograma de Diretriz de Estudos de Impacto Ambiental (EIAs) e Relatórios de Impacto Ambiental (RIMAs), parte do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA), compartilhada por órgãos estaduais de meio ambiente e IBAMA
Esse conjunto de relatórios técnicos é detalhado e elaborado por uma equipe multidisciplinar que verifica as consequências e danos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, histórico, e do trabalho, que podem ser causados pela obra, determinando assim se ela pode ser licenciada ou não. Cabe ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) promover a conciliação entre os diferentes setores da sociedade, para que as atividades econômicas causadoras de danos ambientais sejam supervisionadas e funcionem corretamente, protegendo a sustentabilidade do meio ambiente.

A Constituição de 1988 apresenta normas em relação ao meio ambiente do Brasil e consiste ainda hoje na principal legislação brasileira da área. Nelas são encontrados conceitos que envolvem o direito individual e social da população por um meio ambiente de qualidade. Ao poder público e a toda a população cabe defender e preservar o meio ambiente, mantendo-o equilibrado (art. 225, inciso IV, da Constituição Federal). Cabe às instâncias estaduais, municipais e federais a proteção e o cumprimento das leis voltadas à proteção do meio ambiente (VARELLA et al., 1998).

A Lei nº 9.605 (Lei de Crimes Ambientais), de 12 de fevereiro de 1998, é outra garantia de proteção ao meio ambiente em geral, incluindo a fauna, a flora, os recursos naturais e o patrimônio cultural. Essa lei garante penas mais específicas, de acordo com cada crime ambiental, abrangendo infrações cometidas também por pessoas jurídicas.

Quando as empresas ignoram as leis ambientais, mesmo sem causar danos reais ao meio ambiente, também são enquadradas criminalmente. A empresa que cometer um crime ambiental poderá sofrer penalidades, como o pagamento de multas, a restrição de direitos, a suspensão total ou parcial de atividades, a prestação de serviços à comunidade e a contribuição com entidades ambientais ou culturais públicas.

Política ambiental na mineração
A mineração sempre foi um dos principais setores da economia brasileira. O País possui importantes depósitos de minerais, o que o classifica como uma das maiores reservas do mundo. Entre as principais produções em relação ao mercado mundial, em 2000, ressalta-se:

Principais produções de minérios no Brasil
Foto: Reprodução
1º Nióbio (93,7%); 2º Magnesita (14,5%); 3º Crisolita (15,6%); 4º Manganês (15,3%); 5º Alumínio (14,9%); 6º Vermiculita (13,9%/); 7º Ferro (12,8%); 8º Tântalo (10%) | Fonte: Anuário Mineral Brasileiro e Sumário Mineral Brasileiro (2015)

A maioria das mineradoras brasileiras está concentrada na região Sudeste e Sul, submetidas a várias regulamentações de proteção ambiental de órgãos estaduais e federais que atuam desde a concessão da exploração de minérios até sua fiscalização (FARIAS, 2002). Esses órgãos são:

Ministério do Meio Ambiente – MMA: responsável por formular e coordenar as políticas ambientais, assim como acompanhar e supervisionar sua execução.

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA: responsável, em nível federal, pelo licenciamento e fiscalização ambiental.

– Centro de Estudos de Cavernas – CECAV (IBAMA): responsável pelo patrimônio espeleológico.
Ministério de Minas e Energia – MME: responsável por formular e coordenar as políticas dos setores mineral, elétrico e de petróleo/gás.

Secretaria de Minas e Metalurgia – SMM/MME: responsável por formular e coordenar a implementação das políticas do setor mineral.

Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM: responsável pelo planejamento e estímulo do aproveitamento dos recursos minerais, pela preservação e pelo estudo do patrimônio paleontológico, cabendo-lhe também supervisionar as pesquisas geológicas e minerais, bem como conceder, controlar e fiscalizar o exercício das atividades de mineração em todo o território nacional, de acordo com o Código de Mineração.

Serviço Geológico do Brasil – CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais): responsável por gerar e difundir conhecimento geológico e hidrológico básico, além de disponibilizar informações e conhecimento sobre o meio físico para a gestão territorial.

Agência Nacional de Águas – ANA: responsável pela execução da Política Nacional de Recursos Hídricos, sua principal competência é a de implementar o gerenciamento dos recursos hídricos no País. Responde, também, pela outorga de água superficial e subterrânea, inclusive aquelas que são utilizadas na mineração.

Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA: responsável por formular as políticas ambientais, cujas resoluções têm poder normativo, com força de lei, desde que o Poder Legislativo não tenha aprovado legislação específica.

Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH: responsável por formular as políticas de recursos hídricos, promover a articulação do planejamento de recursos hídricos, estabelecer critérios gerais para a outorga de direito de uso dos recursos hídricos e para a cobrança de seu uso.

Entre os principais problemas ambientais provocados pela mineração estão a poluição da água, do ar, da qualidade do terreno e a poluição sonora. No caso da exploração do ferro, os principais problemas são a poluição de águas superficiais e a idade das barragens de contenção, que podem ser danificadas pela falta de manutenção adequada. Em relação a essas questões, ações preventivas poderiam ser aplicadas como o cadastramento adequado e a avaliação sistemática e continuada da estabilidade de barragens existentes, tanto as ativas quanto as abandonadas.

Os principais problemas ambientais relacionados à mineração brasileira são os conflitos entre as legislações ambientais. A falta de profissionais especializados e a dificuldade de fiscalização nas empresas são outros fatores que contribuem para os riscos na exploração dos minérios. De uma maneira geral, as empresas priorizam o mercado, em detrimento da segurança.


Referências
AHMAD, Najh Y. S. As Políticas Ambientais – no Brasil e no Mundo. Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/29673315/AS-POLITICAS-AMBIENTAIS-NO-BRASIL-E-NO-MUNDO-por-NAJH-YUSUF-SALEH-AHMAD >.
ALVES, José E. D. Impactos ambientais do crescimento populacional e econômico de longo prazo. EcoDebate, Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: <https://www.ecodebate.com.br/2011/01/20/impactos-ambientais-do-crescimento-populacional-e-economico-de-longo-prazo-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/>.
BRASIL. Lei nº 9.605 de 1998: Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de lei de crimes ambientais, condutas e atividade lesivas ao meio ambiente (Lei dos Crimes Ambientais), 1998.
BRASIL, República Federativa. Resolução CONAMA nº 001, de 23 de janeiro de 1986. Legislação de Direito Administrativo. Legislação de Direito Ambiental e Constituição Federal, São Paulo: Rideel, 2003, p. 1134-1138.
BARRETO, M. L. Mineração e desenvolvimento sustentável: desafios para o Brasil. Rio de Janeiro: CETEM/MCT, 2001. 215p.
BREDARIOL, C., VIEIRA, L. Cidadania e política ambiental. Rio de Janeiro, Record, 1998.
CAVALCANTI, C. de V. (Org.). Desenvolvimento e natureza: estudos para uma sociedade sustentável. 4.ed. Recife: Fundação Joaquim Nabuco/Cortez Editora, 2003.
FARIAS, Carlos E. G. Mineração e Meio Ambiente no Brasil. Relatório preparado para o CGEE, PNUD – Contrato 2002/001604. Disponível em: http://www.cgee.org.br/arquivos/estudo011_02.pdf  Acesso em: 6 jul. 2016.
VARELLA, Marcelo D; FONTES, Eliana; ROCHA, Fernando Galvão da. Biossegurança e Biodiversidade; contexto científico regulamentar. Belo Horizonte: Del Rey, 1998.
Ádria Costa Siqueira – Graduada em Comunicação Social em Rádio e TV pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Graduação sanduíche na Universidade Nova de Lisboa (Portugal). Mestre em Divulgação Científica e Cultural pelo LabJor/IEL/Unicamp. Foi repórter, produtora universitária – Televisão Universitária da UFRN, filiada da TV Brasil – Empresa Brasileira de Comunicação (EBC). Tem experiência na área de Comunicação Social em Assessoria de Comunicação e em Mídias Sociais. Email: adriasiqueira@hotmail.com

Do Jornal da UNICAMP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/12/2017

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Bioeconomia do Bem Estar e Vitalidade Celular, artigo de Roberto Naime

Bioeconomia do Bem Estar e Vitalidade Celular, artigo de Roberto Naime


artigo

[EcoDebate] Este é um instigante movimento alternativo, criado pelo belga Olivier Casimir, que trabalhou 20 anos como enfermeiro nos Estados Unidos. Tornou-se especialista em trauma, neurotrauma e em doenças neurológicas. Trabalhou também em quase todos os serviços considerados de cuidados intensivos, incluindo pós-anestesia, radiologia intervencional, transplante de órgãos e cuidados intensivos médicos e cardíacos.

Começou a se interessar na dieta, na medicina e na filosofia japonesa desde muito jovem e prática o Chi Kung e o Tai-Chi. Absorveu culturas de linhagens indígenas nos Estados Unidos e tem vivido, aprendido, trabalhado e compartilhado vivências com povos autóctones nas Américas e no Sudoeste asiático.

Seu entendimento da saúde e da vida mudou quando, apesar de ter uma vida “saudável” tanto segundo as recomendações da medicina convencional como da medicina oriental, começou a ter problemas de saúde graves e que viraram piores na medida que ele seguia o que recomendavam seus colegas médicos e o que ele mesmo tinha a sua carreira toda recomendando a seus pacientes.

Toda esta experiência de vida e esta circunstância específica e pessoal, trouxeram reflexões que evoluíram em constatações sobre a vida. Achou maravilhas simples, potentes, práticas, vitalizantes e enriquecedoras. O desenho da vida realmente brinda maravilhas reais pra se realizar em vida!
Tem anos oferecendo cursos, encontros e aprendizados pelo mundo inteiro. Por diferentes que estas atividades possam parecer, formam uma parte clássica do aprendizado no qual entrou com pessoas de origem indígena em sua complexa experiência d vida.

O aprendizado não ocorre apenas em função de deslocamentos geográficos e culturais. Implica se desenvolver e se realizar com contatos amplos e em desenvolver habilidades, capacidades e compreensões variadas. É necessário viver culturas e capacidades amplamente pra começar a apreciar as dinâmicas e culturais e naturais e integrar o ser humano nestes cenários. Faz parte até descobrir em que medida se acha a coragem para descobrir a nossa natureza viva e para cuidar da mesma com consciência.

Com tudo este vivido, Olivier se considera agora capaz de conduzir viagens da existência em busca de significados, vitalidade com simplicidade, e as maravilhas da vida. Temos tudo pra vivenciar esta viagem, de iniciação e do convite que é a vida. Sabedoria é cuidar da vida. Não apenas da ideia da vida, mas da realidade da vida.

Formas, funções, proporções, relações são todas vivas, todas pulsáteis, todas adaptativas. Com vontade e simplicidade, para descobrir a nossa bem-vinda neste mundo e as chaves de nossa vitalidade. E dependem da harmonia ambiental que se busca.

Se descobrem aspectos surpreendentes do que se denomina “Bio-Eco-Nomia do Bem-Estar” e da profunda sabedoria de nosso desenho biológico, na lógica da vida. Os seres humanos necessitam estar integrados em ecossistemas equilibrados para determinar homeostases de vida que sejam plenas.
Todos os indivíduos são expressões de uma Bio-Eco-Nomia, considerada literalmente uma ação de princípios proporcionais e relacionais (nomía) que fazem que a vitalidade (bios) tenha morada (eco, do grego “oikos”, que significa em nós) desenhado para o bem-estar e a vitalidade geral. É preciso viver e sentir que cada célula do organismo possa se expressar plenamente no contexto ambiental em que se está inserido.

Ou seja, ainda que não se goste ou não se concorde com este tipo de reflexão e se considere desconectada da realidade, onde uma pílula alopática pode milagrosamente resolver tudo nos episódios de vida, isto não é verdade.

As facilidades e confortos de vida fazem acreditar que com um simples remédio ou uma prosaica pílula, ou com meras inovações tecnológicas utilizadas como apanágios fragmentados e desconectados da realidade, tudo vai se resolver.

Primeiro o que é “tudo”? A felicidade, ou a satisfação. Ou ainda o equilíbrio e a harmonia. Todas estas concepções se constroem arduamente no cotidiano e não podem ser substituídas por invenções ou avanços e inovações tecnológicas, que sirvam como arranjos mais úteis a solucionar crises de consciência do que problemas reais.

É o caso das geoengenharias, que fragmentárias e desconectadas, podem resolver traumas de consciência e jamais interagir holisticamente com cenários da realidade.

Se alcançar estados de plena harmonia e satisfatório equilíbrio ambiental que potencialize o estado de bem-estar e vitalidade orgânica é uma missão de todos os indivíduos, durante todo seu episódio vivencial.

Não existem fadas mágicas ou pílulas milagrosas que substituam a lenta e inexorável construção de um meio ambiente mais saudável e em plena harmonia, que possa mobilizar toda sua sinergia em benefício de todos os seres vivos e componentes abióticos dos sistemas.


Referência:

http://riquezavital.org/pt/bioeconomia-do-bem-estar/

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/12/2017

"Bioeconomia do Bem Estar e Vitalidade Celular, artigo de Roberto Naime," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 7/12/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/12/07/bioeconomia-do-bem-estar-e-vitalidade-celular-artigo-de-roberto-naime/.

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Instituições da sociedade civil encaminham carta ao governo federal pedindo mais transparência nas questões ambientais


Instituições da sociedade civil encaminham carta ao governo federal pedindo mais transparência nas questões ambientais

nota pública
Quarenta e nove instituições da sociedade civil encaminham hoje aos órgãos ambientais federais, dentre os quais, Ministério do Meio Ambiente, IBAMA, Serviço Florestal Brasileiro, e ICMBio uma carta solicitando a ampliação da transparência  e a criação de espaços de diálogos entre o governo e a sociedade para a execução de políticas voltadas para o meio ambiente, com foco em temas florestais.
A iniciativa faz parte do compromisso do Plano de Ação Brasileiro  para Governo Aberto, que busca maior transparência na gestão ambiental. . As propostas ( íntegra aqui) sugeridas para que sejam postas em prática em 2018 são baseadas em quatro eixos:

1.      Promoção da Lei de Acesso à Informação e da Política do Executivo Federal de Dados Abertos e difusão dos conceitos de transparência ativa, transparência passiva e dados abertos, com especial atenção aos grupos vulneráveis;
2.      Criação de um sistema de transparência e prestação de contas sobre a implementação, o monitoramento e a avaliação de planos e políticas ambientais;
3.      Criação de um protocolo de validação de sistemas de informação e bases de dados gerados e mantidos por atores não estatais (ONGs, universidades, centros de pesquisa, etc);
4.      Disponibilização, aprimoramento e produção de informações e bases de dados.
Neste último eixo, as organizações demandam mais transparência em 48 categorias de informação em temas como, código florestal, unidades de conservação e combate ao desmatamento.
As entidades, entre as quais Imaflora, Ipam,  Artigo 19, ICV, Imazon , Observatório do Código Florestal e Observatório do Clima defendem que as medidas criarão as condições necessárias para o avanço na solução dos problemas ambientais do País.


Colaboração de Fátima Nunes, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/12/2017

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Reuters (Reino Unido) – Monsanto will prevail in Brazil patent dispute, South American CEO says

Reuters (Reino Unido) – Monsanto will prevail in Brazil patent dispute, South American CEO says


Ana Mano

SAO PAULO (Reuters) - U.S. seeds company Monsanto Co is confident ian courts will uphold its Intacta RR2 PRO soy seed patent despite a challenge from grain growers in the state of Mato Grosso, the company’s chief of South American operations said on Wednesday. The ian patents office, known as INPI, had conducted a rigorous analysis before granting the technology patent protection, Rodrigo Santos, chief executive officer of Monsanto’s South American operations, said on Wednesday.

A Monsanto logo is pictured in the company headquarters in Morges, Switzerland, May 25, 2016. REUTERS/Denis Balibouse/File Photo

“We have confidence that the ian legal system will recognize our right to patent protection,” Santos said on the sidelines of an event in São Paulo. “We have patent protection for the Intacta technology in many other countries and they too conducted rigorous analyses.”

This year, some 170,000 ian farmers adopted the Intacta genetically modified seed technology, he said. In South America, the area using the technology is estimated at 22 million hectares, he added.

Soybean growers in Mato Grosso asked a court in November to cancel Monsanto’s Intacta RR2 PRO patent in , claiming irregularities, including the company’s alleged failure to prove it brings de facto technological innovation.

This is the second time Mato Grosso farmers have challenged Monsanto in . In 2012, the Apropos growers association claimed the company was charging royalties over its Roundup Ready patent that had expired two years earlier.

After legal disputes, farmers agreed to a discounted rate to use Monsanto’s newer Intacta seed technology, settling the matter with some ian producers.

Santos’ remarks underscored the challenging business environment in , the company’s second most important market outside of the United States.

On Nov. 22, CADE, the nation’s antitrust agency, extended its deadline to review the takeover of Monsanto by Bayer by 90 days to late March, spoiling plans to complete the tie-up by the end of the year.

Santos said Wednesday the companies expect the regulatory reviews of their $66 billion agreement early next year, but he declined to be specific. The deal has been cleared in 12 countries but not in Europe, the United States and , which are considered key markets, he noted.
In Brazil, soy growers have formally requested that CADE force the sale of Monsanto’s registration, patents and brands associated with Intacta. But Monsanto has said it wants to keep the rights over this technology.

Árvores de áreas alagáveis da Amazônia são grandes emissoras

Árvores de áreas alagáveis da Amazônia são grandes emissoras

Por Vandré Fonseca
Foto: Vandré Fonseca.
Foto: Vandré Fonseca.

Manaus, AM -- Árvores de áreas alagáveis da Amazônia sãos as maiores emissoras de metano em terras úmidas do planeta. Segundo um artigo publicado na edição desta semana da revista Nature, elas funcionam como condutoras do metano armazenado no solo encharcado, contribuindo com uma quantidade anual de metano comparável ao dos Oceanos ou ao das terras úmidas da Tundra, no Hemisfério Norte.

O estudo, realizado por uma equipe internacional de pesquisadores, inclusive brasileiros, estimou que das árvores existentes em planícies alagadas sazonalmente da Amazônia sejam emitidas entre 15.1 e 21.2 milhões de toneladas de metano por ano. Os oceanos produzem cerca de18 milhões de toneladas de metano por ano, enquanto da Tundra saem entre 16 e 27 milhões de toneladas.

Para chegar a esse número, os pesquisadores usaram sensores para medir as emissões de mais de 2.300 trezentas árvores, algumas que ficam em áreas alagadas de até 10 metros de profundidade. Os dados foram comparados com medições feitas quinzenalmente por meio de aeronaves.

O professor de Ecologia e Mudanças Globais na Open University, do Reino Unido, Vincent Gauci, um dos autores do estudo, lembra que as áreas úmidas são importantes no balanço de metano, um gás cujos efeitos para o aquecimento global são 34 vezes maior do que o do dióxido de carbono (CO2).
“(As áreas úmidas) não apenas podem estocar vastas quantidades de carbono em seus solos saturados, elas também emitem metano”, afirmou em um texto publicado no site Carbon Brief.

Ele explica que a grande quantidade de água no solo reduz a quantidade de oxigênio, aumentando o tempo necessários para a decomposição da matéria orgânica. Uma das consequências desse déficit de oxigênio e lenta decomposição é a produção de metano no lugar de CO2.

“Este processo é o que faz as terras úmidas do planeta a maior fonte única de metano para a atmosfera”, afirma Gauci. “Compreender quanto metano as terras úmidas produzem é, por isso, se tornou uma prioridade para ecologistas e cientistas da atmosfera”, completa.

Para chegar aos resultados, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) trabalharam ao lado de colegas de instituições estrangeiras, como a Linköping University, Open University, University of Leeds e University of British Columbia e outras instituições.

Foram feitas medições em 13 locais da Amazônia Brasileira, para calcular a quantidade de metano que saída da superfície das águas, dos solos expostos, plantas, além dos caules e folhas de árvores inundadas. Muitas vezes, nas árvores da Amazônia, chegou-se a identificar um fluxo de metano 200 vezes maior do que encontradas em árvores de Bornéu ou do Reino Unido. A pesquisa conseguiu também uma estimativa feita em solo compatível com dados obtidos por aeronaves, o que não havia ocorrido em estudos anteriores.

Gauci destaca que o estudo não sugere que haja intervenções para reduzir as emissões naturais de carbono pelas árvores, que segundo ele tem funcionado dessa maneira há muito tempo. Mas destaca que é preciso cuidado ao escolher espécies para restaurar a floresta em áreas alagáveis, para que as novas plantas não se tornem emissoras ainda maiores.

Ele faz um alerta quanto as mudanças que vem sendo provocadas pela construção de barragens, que podem alterar o ecossistema. “Nós não conhecemos as consequências decorrentes das emissões de tal atividade. No entanto, algumas mudanças na dinâmica hidrológicas desses sistemas podem alterar as funções dessas árvores de maneiras imprevisíveis com consequências potencialmente altas para nosso clima”, adverte.

Saiba Mais
Artigo: Large emissions from floodplain trees close the Amazon methane budget”. Sunitha R. Pangala, Alex Enrich-Prast, Luana S. Basso, Roberta Bittencourt Peixoto, David Bastviken, Edward R. C. Hornibrook, Luciana V. Gatti, Humberto Marotta Ribeiro, Luana Silva Braucks Calazans, Cassia Mônica Sakuragui, Wanderley Rodrigues Bastos, Olaf Malm, Emanuel Gloor, John Bharat Miller andVincent Gauci, (2017).