terça-feira, 7 de agosto de 2018

Estudo mostra que planeta pode virar uma estufa e que não há muito mais a se fazer para evitar


Estudo mostra que planeta pode virar uma estufa e que não há muito mais a se fazer para evitar



Por G1

06/08/2018 20h44 Atualizado há 6 horas 



Estamos num limite muito perigoso, prestes a empurrar o planeta para um aquecimento contínuo, uma espécie de “Estufa Terrestre”, mesmo se e quando as emissões de gases poluentes forem reduzidas. Esta é a conclusão de mais um estudo de cientistas que empregaram seu tempo para pesquisar as mudanças climáticas, consideradas por eles “uma das questões mais existenciais da Ciência hoje”. O resultado foi publicado no jornal “Proceedings of the National Academy os Sciences of the United States of America" e reproduzido no “The Guardian” . 




O estudo está sendo divulgado em meio a uma forte onda de calor que está alarmando a Europa, onde houve a ameaça de que as temperaturas chegassem a 48 graus no fim de semana que passou. Mas, se a um só tempo é extremamente importante que se dê atenção a mais um alerta gigante feito por quem entende e sabe das coisas no mundo do clima, por outro pode ser apenas “mais um estudo”, que vai ganhar um nicho de “coisas para lembrar depois” em vez de ser capaz de nos fazer mudar de hábitos. Este é o perigo. 



Tem detalhes novos neste relatório, como por exemplo a descoberta de que o aumento das chuvas – um sintoma das mudanças climáticas – está tornando mais difícil para os solos das florestas capturarem gases do efeito estufa. Atualmente, as temperaturas médias globais estão um pouco acima de 1C dos níveis pré-industriais e subindo a 0,17C por década. 


O acordo climático de Paris estabeleceu ações para manter o aquecimento limitado a 1.5 a 2 graus até o final do século, mas os autores do estudo alertam que medidas mais drásticas podem ser necessárias. E dão como exemplo, justamente, o calor danado que está assolando a Europa. Pode ser muito pior nos próximos anos, caso a temperatura da Terra fique 1.5 graus mais alta.

Pois então... o que fazer? 



Gosto da provocação de Naomi Klein, jornalista canadense, autora de vários livros sobre o tema, entre eles “This Changes Everything” e “The Shock Doctrine” , que se tornou ativista ambiental reconhecida no mundo todo. Embora faça uma análise crua sobre os fatos apresentados pelos cientistas do clima, Klein tem uma visão otimista, porque acredita que podemos aproveitar essa crise existencial para “transformar nosso sistema econômico e construir algo radicalmente melhor”. 



A mudança tem que ser mesmo radical, acompanhando o tamanho da ameaça que paira sobre nossas cabeças. Talvez a que mais bem se adapte atualmente seja, justamente, parar de negar o que está sendo mais do que provado. A partir de uma consciência que nos ponha num caminho mais perto da natureza, pode começar a ficar um pouco mais fácil entender que é possível tentar mudar. Certamente não vai dar para desligar para sempre os aparelhos de ar condicionado, dos quais nos tornamos dependentes até por causa do aquecimento. Mas podemos combinar mais momentos de vida ao ar livre, com roupas mais leves, horários diferentes de trabalho. 



Busquei em outra fonte mais ideias que possam nos ajudar a ir montando um mosaico para o tremendo quebra-cabeça que se forma diante de pessoas sensíveis à causa. No livro “Climate change, capitalism, and corporation” (ainda sem tradução) os professores Christopher Wright e Danie Nyberg lembram o importantíssimo papel das grandes empresas em nossa labuta para conseguir novas políticas climáticas. 


“Por um lado, elas são as principais agentes na produção de gases poluentes e, por outro, são vistas também como nossa grande esperança em reduzir as emissões através de inovações tecnológicas”, dizem os autores. Por causa desse duplo papel, os dois focaram seu estudo em grandes empresas, entrevistando mais de 70 CEOs. 



Na conclusão do livro encontro algumas reflexões que podem nos ajudar. Eles sugerem que pode haver seis caminhos para que se consiga ampliar o debate e imaginar mudanças. 



O primeiro caminho proposto pelos professores é que se tire o meio ambiente de um nicho menos importante, por exemplo, do que a economia ou as questões sociais. É preciso que se amplie o debate, enxergando sempre as possíveis variáveis ambientais em todos os setores da vida. Como diz Naomi Klein, o aquecimento global e as possíveis formas de se conviver com ele tem a ver tanto com gases poluentes como com o capitalismo, sistema econômico que precisa rever seriamente seu jeito de fazer negócios. 



Depois disso, Christopher e Daniel sugerem que se tenha uma narrativa totalmente diferente da atual, que vê riscos e oportunidades nas mudanças climáticas. Vai ser fora da corrente econômica e dos discursos de negócios que se vai encontrar uma linguagem que nos ponha mais frente a frente com as mudanças que precisamos fazer. O clima, cada vez mais, vai nos colocar perguntas duras sobre nossa relação com o ambiente natural e, ao fazê-lo, vai nos forçar a ter uma percepção diferente da maneira como lidar com ele. Longe do “business as usual”, portanto. 



Há coisas mais importantes e urgentes, lembram os dois, que as grandes corporações podem fazer muito antes de estabelecer um preço para o carbono. O que é preciso é apoiar uma forma direta e eficaz de democracia, de envolvimento dos cidadãos. 



Dar preço, em valores monetários, ao meio ambiente – como se vê em propostas de mercado de carbono ou da economia verde – vai transformá-lo em “um” valor. Uma outra forma é aumentar nosso respeito pelo planeta, reconhecendo sua pluralidade, percebendo que há sempre uma relação ecológica. Muito mais do que, apenas, uma construção de utilidade humana para o meio ambiente. 



Os professores cutucam nosso posicionamento ao comprar produtos ecológicos, alertando para o modismo que pode haver atrás dessa atitude. É preciso ir além e ter trabalho, juntar crença com ação. Recusar o modismo do “consumo verde” pode ser um trampolim para que se faça uma análise profunda de nós mesmos como cidadãos num mundo em que o clima já mudou.



Por fim, Daniel e Christopher lembram que não têm a solução para o problema da mudança climática, que não há uma bala de prata. O que eles esperam é que os danos sejam menores do que aqueles que os cientistas estão apontando, É preciso, ao menos, tentar.



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Inteligência artificial pode evitar testes de medicamentos em animais

Inteligência artificial pode evitar testes de medicamentos em animais

A inteligência artificial já está sendo empregada em diferentes áreas, gerando avanços significativos e facilitando a vida das pessoas. Agora, ela pode ser aplicada também para favorecer os animais.


06/08/2018 às 20:30
Por Redação
Divulgação

A inteligência artificial já está sendo empregada em diferentes áreas, gerando avanços significativos e facilitando a vida das pessoas. Agora, ela pode ser aplicada também para favorecer os animais. Um estudo recém-publicado na revista Toxicological Sciences indica que é possível prever as características de novos componentes usando, para isso, os dados disponíveis de testes e experimentos anteriores. Na prática, isso significa projetar efeitos (e efeitos colaterais) de novas drogas sem precisar testá-las em animais.

O estudo, que conta com pesquisadores de instituições como a Johns Hopkins University (Baltimore, EUA) e a University of Konstanz (Alemanha), treinou um sistema de inteligência artificial para prever quão tóxicas seriam milhares de substâncias químicas desconhecidas. As informações vêm de testes em animais realizados anteriormente.

As consequências são animadoras, pois, em alguns casos, os resultados são mais confiáveis e precisos que os dos testes em animais. O modelo criado pelos pesquisadores consegue prever o grau de toxicidade para 10 mil produtos químicos em 9 tipos de testes. Vários efeitos negativos podem ser analisados, desde ameaças a ecossistemas aquáticos até danos causados pela inalação das substâncias.

Um dos autores da pesquisa, o toxicologista da Johns Hopkins University, Thomas Hartung, afirma, em entrevista ao site The Next Web, que os modelos computacionais poderiam substituir alguns testes padrão que são aplicados a milhões de animais todos os anos. “O poder do big data significa que podemos produzir uma ferramenta mais previsível que vários testes em animais”.

A pesquisa que ele lidera utilizou dados coletados pela Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) desde 2007. Utilizando uma técnica comum em inteligência artificial, o processamento natural de linguagem (NLP), eles alimentaram o modelo com informações de aproximadamente 10 mil produtos químicos e suas propriedades. Detalhe: esses dados foram obtidos por meio de quase 800 mil testes em animais.

As vantagens de utilizar inteligência artificial para testar efeitos de substâncias químicas não dizem respeito apenas aos animais, pois também tornam o processo mais rápido e menos dispendioso.

Fonte: TecMundo

Após serem quase extintas, ariranhas retornam a rios na Amazônia

PRESERVAÇÃO

Após serem quase extintas, ariranhas retornam a rios na Amazônia

Após serem quase extintas pela caça, as ariranhas estão retornando a rios da Amazônia.


06/08/2018 às 21:00
Por Redação
Getty Images

Os últimos indícios da recuperação da espécie foram divulgados nesta semana pela revista científica Biological Conservation.

Liderada pela bióloga Natália Pimenta, a pesquisa analisou sinais da presença de ariranhas na bacia do rio Içana, no noroeste do Amazonas, onde ela havia sido considerada extinta.

O estudo foi feito após outras pesquisas apontarem uma tendência de recuperação da espécie – com nome científico Pteronura brasiliensis – em diferentes partes da Amazônia, como a bacia do Solimões e a região da hidrelétrica de Balbina.

Maior carnívoro semiaquático da América do Sul, com até 1,80 m quando adulta, a ariranha é um dos dois tipos de lontra encontrados no Brasil e está na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação, entre as espécies consideradas ameaçadas de extinção.

O estudo no Içana teve início após membros do povo baniwa alertarem sobre o retorno das ariranhas a seu território, dentro da Terra Indígena Alto Rio Negro.

Presidente da Associação Indígena da Bacia do Içana, André Baniwa diz que moradores notaram os primeiros sinais da volta dos animais uns dez anos atrás, ao encontrar carcaças de peixes com mordidas de um animais que não reconheciam.

Os mais velhos deram o veredicto: a ñeewi (ariranha, em língua baniwa) estava de volta.
Nos últimos anos, os sinais aumentaram – e vários moradores chegaram a topar com os mamíferos.
Membros da comunidade participaram do estudo sobre o retorno dos animais, que contou com o apoio das fundações Capes, CNPq, The Rufford Foundation e Idea Wild.

Baniwa conta que ariranhas não eram vistas na região desde os anos 1940. Na época, eram as espécies mais cobiçadas no movimentado mercado de peles amazônicas.

Comércio de peles de animais
Ao pesquisar o tema, a bióloga Natália Pimenta encontrou estudos que estimaram em 23 milhões os animais caçados na Amazônia Ocidental para a extração de peles entre 1904 e 1969.

O couro de ariranha – animal amazônico que mais sofreu com a caça comercial, segundo a pesquisadora – costumava ser exportado para os Estados Unidos ou a Europa, onde viraria casacos, chapéus e echarpes.

Em um catálogo de 1946 de uma loja de peles em Manaus, o couro de ariranha é vendido por 180 cruzeiros – acima do preço de peles de onça (150), maracajá (150) e caititu (47).

Baniwa diz que os próprios membros da comunidade caçavam os animais para trocar as peles por armas e outros bens. Um bom couro de ariranha valia o equivalente a duas espingardas.
A modernização das técnicas de caça acelerou o extermínio da espécie.

A partir dos anos 1960, leis passaram a regulamentar o comércio de peles silvestres no país. Em 1975, o Brasil aderiu a uma convenção internacional que proibia o comércio de espécies ameaçadas – entre elas, as ariranhas.

A demarcação de grandes terras indígenas na Amazônia a partir dos anos 1990 também golpeou a atividade.

A demanda pelas peles diminuiu, permitindo que as ariranhas começassem a se recuperar.

Encontros com ariranhas
“As ariranhas estão voltando, mas é só o início de um processo de recuperação”, diz à BBC News Brasil a bióloga Natália Pimenta, que chefiou a pesquisa sobre a volta da espécie ao Içana.

Segundo Pimenta – analista de pesquisa intercultural do Instituto Socioambiental (ISA), em São Gabriel da Cachoeira -, a densidade da população de ariranhas na região ainda é baixa.
Ela diz que, para que a recuperação se consolide, é necessário que haja diversidade genética entre os grupos remanescentes.

Pimenta notou que, embora os encontros com ariranhas no Içana tenham se tornado mais frequentes, elas ainda são muito ariscas – “possivelmente por terem sido tão cruelmente caçadas no passado”.
“Como estavam muito isoladas, não estão acostumadas com a presença de humanos. Quando escutam o barco, logo fogem.”

Ela conta que, no passado, as ariranhas eram encontradas da Venezuela ao sul da Argentina. Mas a caça predatória fez com que ficassem restritas a poucas áreas, como o Pantanal e as cabeceiras de alguns rios amazônicos.

Outrora o maior habitat do animal no planeta, a bacia do rio Negro quase viu a espécie desaparecer.
Nos últimos anos, conforme a espécie começou a se recuperar no Brasil, Pimenta conta que países vizinhos – como a Bolívia, a Colômbia e as Guianas – também viram as ariranhas ressurgirem.

Boas pescadoras
André Baniwa diz que a ariranha tem papel importante na mitologia de seu povo, considerada um dos cinco animais que surgiram no início do mundo e que viraram pajés, ao lado de botos, morcegos, onças e lontras.

No topo da cadeia alimentar, são associadas à saúde e ao equilíbrio das águas – e vistas como excelentes pescadoras. “Ela não come qualquer peixe. Não assusta, não bagunça a água, escolhe o peixe e come só a parte que interessa.”

Ele conta que muitos indígenas esperam que a volta dos animais seja um indício de que a população de peixes também esteja aumentando.

Outros, porém, temem que as ariranhas compitam com os humanos pelos pescados. Um ariranha adulta pode consumir até 4 kg de peixe por dia.


Fonte: BBC

Elefante de espécie ameaçada é morto por ‘atrapalhar’ extração de óleo de palma

NDÚSTRIA CRUEL

Elefante de espécie ameaçada é morto por ‘atrapalhar’ extração de óleo de palma

A morte do animal é mais uma a ser acrescentado ao crescente número de casos de conflitos entre humanos e animais na região - que são criados quando assentamentos humanos ou agricultura se expandem para habitats naturais


06/08/2018 às 06:00 

Por Bárbara Alcântara, ANDA 
 
Um elefante pigmeu – espécie ameaçada de extinção – foi morto recentemente por moradores de um vilarejo no lado malaio da ilha de Bornéu, na Ásia. O motivo: ele teria destruído plantações que incluíam plantas de óleo de palma. A morte do animal raro foi o mais recente caso de conflito entre humanos e animais na Malásia, e mais uma vez destacou os resultados trágicos de conflitos causados ​​pela indústria de óleo de palma, que perde cada vez mais o controle.
Reprodução | One Green Planet

O elefante macho, com cerca de quatro anos de idade, foi encontrado deitado ao lado de uma estrada no estado de Sabah, perto de um assentamento remoto, e suas presas estavam completamente intactas, o que indicava que o animal não foi morto por caçadores furtivos tentando ganhar dinheiro vendendo o marfim no mercado negro.

“Ele foi morto por vingança por destruir colheitas”, disse o diretor do departamento de vida selvagem local, Augustine Tuuga em entrevista ao jornal britânico The Daily Mail. Ele relatou ainda que o assassinato foi “impiedoso” e as autoridades locais estão investigando quem foi o responsável.

A morte do animal é mais uma a ser acrescentado ao crescente número de casos de conflitos entre humanos e animais na região – que são criados quando assentamentos humanos ou agricultura se expandem para habitats naturais, causando sérios problemas para a vida selvagem. Nos últimos anos, os casos mais pungentes e graves de tais conflitos foram ligados à indústria do óleo de palma e a sua constante ampliação.

O óleo de palma se tornou o tipo mais popular de óleo usado em produtos alimentícios, cosméticos e muito mais. Para acomodar um número crescente de plantações de palmeiras, enormes áreas de florestas estão sendo destruídas. Seus moradores de direito, como orangotangos, rinocerontes e elefantes pigmeus, estão ficando sem o seu habitat natural e se vêem forçados a procurar alimento em outro lugar. É uma questão de sobrevivência.

Estima-se que as áreas das florestas que têm sido exterminadas a cada hora com essa finalidade é equivalente a 300 campos de futebol. Essa destruição tem sido tão intensa que recentemente um vídeo que rodou o globo e comoveu milhões de pessoas mostrava um orangotango tentando lutar contra um trator para proteger o pouco que ainda restava de seu lar.

Além disso, é de conhecimento público que os trabalhadores da indústria do óleo de palma matam animais que vagueiam em suas plantações sem pensar duas vezes. No caso dos animais serem jovens e indefesos, eles muitas vezes os vendem para o comércio de animais exóticos, para serem explorados como animais domésticos.

Segundo a organização WWF, a população de elefantes pigmeus de Bornéu atualmente é de aproximadamente 1.500 animais. A espécie é descrita como de natureza mais gentil que o restante dos elefantes asiáticos, e agora está enfrentando o perigo da extinção, principalmente devido à perda de habitat e conflito com os humanos. O número de elefantes pigmeus em estado selvagem é assustadoramente pequeno e a sobrevivência cada um deles é muito valioso para toda a espécie.
O óleo de palma pode ser encontrado na maioria dos lanches industrializados, bem como em outros itens alimentares populares. Mas muitos fabricantes de alimentos estão começando a oferecer produtos especificamente livres desse ingrediente, respondendo à crescente conscientização dos consumidores sobre o assunto.

Agência Senado – Comissão sobre mudanças climáticas debate propostas para a COP-24

Agência Senado – Comissão sobre mudanças climáticas debate propostas para a COP-24


A Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) realiza nesta terça-feira (7), a partir das 14h30, a primeira audiência pública preparatória para a COP-24, a terceira Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas (ONU) desde que o Acordo de Paris foi criado. A intenção é debater as propostas brasileiras para a regulamentação do acordo.

O Acordo de Paris, firmado em dezembro de 2015, estabelece mecanismos para que os países signatários limitem as emissões de poluentes para conter o aumento da temperatura global em menos de 2º C. Um dos compromissos do Brasil é cortar 37% das emissões de gases de efeito estufa até 2025, com indicativo de atingir o percentual de 43% até 2030.

Foram convidados para a reunião o embaixador Reinaldo José de Salgado, diretor do Departamento para Sustentabilidade Ambiental do Ministério das Relações Exteriores; Thiago Mendes, secretário de Mudança do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente; Marco Antônio Alencar, coordenador de Disciplinas não Tarifárias ao Comércio Internacional da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; e um representante do Observatório do Clima.

COP-24
A COP24 é o nome informal da 24ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês). A cúpula climática acontecerá de 3 a 14 de dezembro de 2018, em Katowice, na Polônia. O país foi selecionado para sediar o evento no âmbito do Grupo da Europa Oriental (EEG).
Uma das tarefas mais importantes da COP-24 será elaborar e adotar um pacote de decisões que garanta a plena implementação do Acordo de Paris, de acordo com as decisões adotadas em Paris (COP-21) e em Marrakesh (COP-22). Além disso, a COP-24 incluirá o chamado Diálogo Facilitador, destinado a apoiar a implementação de compromissos nacionais.

Candidatura do Brasil
O Brasil anunciou sua candidatura para sediar a COP-25, em 2019. A Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) vai trabalhar para que o Brasil seja sede do evento. Essa é a sugestão do relator, senador Jorge Viana (PT-AC). Segundo ele, o Brasil tem todos os pré-requisitos para sediar um evento mundial como a COP e o país seria mais uma vez protagonista em assuntos ambientais.

Valor Econômico - Somos todos refugiados do clima/ Artigo/ Jeffrey D. Sachs

MEIO AMBIENTE E ENERGIA



Os seres humanos contemporâneos, nascidos em uma era climática chamada Holoceno, cruzaram o limite e ingressaram em outra, o Antropoceno. Mas, em vez de um Moisés que guia a humanidade a essa vastidão perigosa, um grupo de negadores da ciência e de poluidores desencaminha a humanidade e a leva para um perigo cada vez maior. Somos todos refugiados do clima agora e temos de traçar um caminho rumo à segurança.

O Holoceno foi a era geológica iniciada mais de 10.000 anos atrás, com condições climáticas favoráveis que respaldaram a civilização humana tal como a conhecemos. O Antropoceno é uma nova era geológica com condições ambientais jamais vivenciadas pela humanidade. De maneira alarmante, a temperatura da Terra está atualmente mais elevada do que durante o Holoceno, devido ao dióxido de carbono emitido pela humanidade na atmosfera por meio da combustão de carvão, petróleo e gás e da transformação indiscriminada das florestas e pradarias do mundo em fazendas e pastos.

As pessoas estão sofrendo e morrendo no novo ambiente, e coisas muito piores estão por vir. Estima-se que o furacão Maria tenha custado mais de 4 mil vidas em Porto Rico em setembro passado. Grandes tempestades estão causando mais inundações, devido ao aumento da transferência de calor das águas, em processo de aquecimento, dos oceanos, da maior umidade do ar.

Ainda no mês passado, mais de 90 pessoas morreram na periferia de Atenas em decorrência de um devastador incêndio florestal estimulado pela seca e pelas altas temperaturas. Enormes incêndios florestais assolam, de maneira semelhante, outros lugares quentes e recém-atingidos pela seca, como a Califórnia, a Suécia, o Reino Unido e a Austrália. No ano passado, foi Portugal que foi devastado. Neste verão do hemisfério Norte, alcançou-se muitas altas recordes das temperaturas no mundo inteiro.

Como foi temerária a humanidade ao ter cruzado apressadamente o limite do Holoceno, ignorando - como um personagem de filme de terror - todos os evidentes sinais de alerta! Em 1972, os governos mundiais se reuniram em Estocolmo para abordar as crescentes ameaças de ordem ambiental. Nos dias que precederam a conferência, o Clube de Roma publicou "Os Limites ao Crescimento", que introduziu, pela primeira vez, a ideia de uma trajetória de crescimento "sustentável" e os riscos de ultrapassarmos os limites ambientais. Vinte anos depois, os sinais de alerta se acenderam com toda a força no Rio de Janeiro, onde os países-membros da ONU se reuniram na Cúpula da Terra para adotar o conceito de "desenvolvimento sustentável" e para firmar três grandes acordos ambientais de deter o aquecimento global de indução humana, proteger a diversidade biológica e conter a degradação do solo e a desertificação.

Uma grande maioria da população americana quer combater o aquecimento global. Mas, enquanto uma elite tacanha e ignorante condenar os americanos e o resto da humanidade a vagar ao léu no deserto político, o mais provável é que acabemos numa terra devastada

Depois de 1992, os Estados Unidos, o país mais poderoso do mundo, ignorou acintosamente os três novos tratados, sinalizando para outros países que eles poderiam relaxar seus esforços também. O Senado dos EUA ratificou os tratados climáticos e de desertificação, mas nada fez para implementá-los. E recusou-se até mesmo a ratificar o tratado de proteção à diversidade biológica, em parte porque republicanos dos Estados do oeste insistiram que os proprietários de terras têm o direito de fazer o que bem entendem em sua propriedade, sem ingerência internacional.

E o presidente Donald Trump declarou sua intenção de retirar os EUA do Acordo de Paris no momento mais próximo possível, 2020, dois anos após o acordo ter entrado em vigor.

Piores coisas virão. A elevação do CO2, causada pela humanidade, ainda não alcançou seu pleno efeito de aquecimento, devido à considerável defasagem de seu impacto sobre as temperaturas dos oceanos. Ainda há mais 0,5° Celsius, aproximadamente, de aquecimento a ocorrer nas próximas décadas, com base na atual concentração de CO2 (408 partes por milhão) na atmosfera, e muito mais aquecimento para além disso caso as concentrações de CO2 continuem a disparar com a manutenção da habitual queima de combustíveis fósseis.

Assim, por que a humanidade continua a disparar, tolamente, em direção à tragédia certa?

O principal motivo disso é o fato de nossas instituições políticas e corporações gigantescas ignorarem teimosamente os crescentes perigos e danos. O que importa na política é obter e manter o poder e as vantagens do cargo, e não resolver problemas, nem que sejam problemas ambientais de vida ou morte. O que importa na gestão de uma grande empresa é maximizar seu valor para os acionistas.

Trump é o mais recente tolo a fazer o que os poluidores mandam, estimulado por parlamentares republicanos que financiam suas campanhas com contribuições de criminosos ambientais..

Precisamos de um novo tipo de política que comece com uma clara meta mundial: segurança ambiental para a população do planeta, por meio do cumprimento do acordo climático de Paris.

Uma política desse tipo é possível. Na verdade, a opinião pública anseia por ela. Uma grande maioria da população americana, por exemplo, quer combater o aquecimento global, cumprir o Acordo de Paris e abraçar a energia renovável. Mas, enquanto uma elite tacanha e ignorante condenar os americanos e o resto da humanidade a vagar ao léu no deserto político, o mais provável é que acabemos numa terra devastada da qual não haverá saída. (Tradução de Rachel Warszawski)

Jeffrey D. Sachs é professor de Desenvolvimento Sustentável, de Política e Gestão de Saúde e diretor do Instituto da Terra da Universidade de Columbia. É também diretor da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU. Copyright: Project Syndicate, 2018.