domingo, 7 de outubro de 2018

Brasil poderá ter sítio misto reconhecido pela Unesco

Brasil poderá ter sítio misto reconhecido pela Unesco

Resultado sai em 2019.

As belezas naturais e culturais da Serra da Bocaina de Paraty (RJ) e Angra dos Reis (RJ) concorrem a ser consagradas como Patrimônio Mundial. A candidatura do primeiro sítio misto brasileiro ao título foi oficializada e, na semana passada, a região recebeu visita oficial da Unesco, por meio de representantes do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

A candidatura Paraty: Cultura e Biodiversidade envolve as áreas protegidas da cidade de Paraty e seu centro histórico, as preciosas unidades de conservação de Angra dos Reis e toda a Serra da Bocaina, localizada neste dois municípios fluminenses e em quatro outros municípios do Estado de São Paulo: Cunha, São José do Barreiro, Areias e Ubatuba. (veja conjunto de unidades de conservação lista abaixo). Além dos recursos naturais, a proposta enaltece as comunidades quilombolas, indígenas e caiçaras que vivem na região. “O sítio inclui o modo de vida destas comunidades e sua forma de se relacionar com a biodiversidade”, afirma o diretor de Áreas Protegida do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Sotero.

O resultado da candidatura será anunciado em meados do próximo ano, na reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, que ocorrerá entre 30 de junho e 10 de julho de 2019, em Baku, no Azerbaijão. Caso aprovado, o sítio misto será reconhecido como patrimônio mundial cultural e natural. O título considera, assim, tanto a biodiversidade quanto a cultura viva local, que se traduz em aspectos como o modo de vida, o artesanato e a língua dos povos tradicionais da região.

O reconhecimento contribuirá para a proteção e a valorização da região. “Trata-se de uma região com enorme variedade de ambientes e fisionomias vegetais. Isso proporciona à região uma biodiversidade impar”, explica Sotero. Pelo caráter misto, a candidatura envolve o MMA e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) em conjunto com o Ministério da Cultura, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – Inepac, além das prefeituras.

Visita

As equipes dos órgãos assessores da Unesco percorreram locais como a Serra da Bocaina e um trecho do Caminho do Ouro, onde há vestígios preservados remanescentes das antigas rotas usadas em expedições para o interior do país. No centro histórico de Paraty, visitaram locais como o Museu de Arte Sacra e a Casa de Cultura. Puderam perceber os registros da presença do homem na região, em períodos ainda mais antigos, como na visita à Oficina Lítica localizada na Praia de Dois Rios, na Ilha Grande. O grupo assistiu, ainda, a manifestações culturais como a apresentação do coral da Aldeia Itaxi (Guarani-Mbya) na Terra Indígena Paraty-Mirim e do jongo no Quilombo do Campinho. Puderam também conhecer a Canoa Caiçara e seu modo de produção.

Nas Unidades de Conservação, vivenciaram a grande diversidade biológica que habita toda a área do Sitio e que se estende do fundo do mar a mais de 2 mil metros de altitude. Por meio de sobrevoos, visitas, trilhas pela Mata Atlântica e atividades de observação de pássaros, foi exposta toda a riqueza que faz da região uma área única no mundo.

Os avaliadores também puderam provar pratos típicos da culinária caiçara e quilombola feitos com ingredientes locais e da biodiversidade, constatando a alta gastronomia que se pratica em Paraty, reconhecida pela Unesco como Cidade Criativa para a Gastronomia. A intensa semana de trabalho envolveu também várias reuniões com o conjunto amplo de parceiros, entre governos e sociedade civil e só foi possível pelo compromisso e engajamento de todas as instituições.

Confira as UCs que compõem a área ampla do sítio misto:

Federais

– Parque Nacional da Serra da Bocaina
– Estação Ecológica de Tamoios
– Área de Proteção Ambiental de Cairuçu

Estaduais

– Reserva Ecológica Estadual da Juatinga
– Parque Estadual da Ilha Grande
– Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul
– Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aventureiro
– Área de Proteção Ambiental de Tamoios

Municipal

Área de Proteção Ambiental Municipal da Baía de Paraty

Em Curitiba, preservar araucárias rende incentivos a construtores de imóveis

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Em Curitiba, preservar araucárias rende incentivos a construtores de imóveis

O decreto nº 1035, que possibilita flexibilizar parâmetros construtivos em terrenos com a árvore símbolo do Paraná.

A preservação de araucárias em Curitiba renderá incentivos construtivos aos proprietários de imóveis que abriguem árvores da espécie. O decreto nº 1035, que possibilita flexibilizar parâmetros construtivos em terrenos com a árvore símbolo do Paraná, foi assinado nesta quinta-feira (4/10) pelo prefeito Rafael Greca.

A assinatura ocorreu no Solar 907, pequeno edifício residencial construído recentemente na rua Desembargador Motta, cujo projeto arquitetônico se moldou na conservação de uma araucária. “Este prédio é um exemplo de solução arquitetônica amigável e de respeito às araucárias, que chegaram aqui muito antes de nós. Daqui tirei a inspiração para criar esse decreto que beneficia, com incentivos construtivos, proprietários e construtores a conservarem nos terrenos nossas lindas araucárias”, disse Greca.

Pelo novo decreto, caberá ao Conselho Municipal do Urbanismo avaliar processos urbanísticos em terrenos que tiverem uma araucária ou mais para oferecer condições especiais de construção mediante a preservação da árvore. Os benefícios podem ser na ampliação da taxa de ocupação do terreno, no aumento de número de pavimentos, na quantidade de estacionamentos, entre outros.
Segundo o secretário municipal do Urbanismo, Júlio Mazza, os benefícios dependerão de cada caso. “As condições oferecidas vão variar de acordo com cada processo, dependendo do tamanho, localização do terreno, entre outros fatores”, disse Mazza.

Antes da avaliação no CMU, os processos dessa natureza passarão pela análise da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e também pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). Atualmente as regras para remoção de araucárias em Curitiba estão sujeitas a análise criteriosa da Secretaria do Meio Ambiente.

Na legislação de Curitiba também existe benefícios construtivos para quem preserva maciços florestais, como bosques. “Com esse decreto ampliamos a possibilidade de benefícios também para casos de terrenos com árvores (araucárias) isoladas”, explicou o presidente do Ippuc, Luiz Fernando Jamur.

A secretária municipal do Meio Ambiente, Marilza Dias, participou da assinatura do decreto.

Memória preservada

O edifício Solar pertence às irmãs Carmem e Cyntia Costa e foi construído no mesmo terreno de 273,6 metros quadrados onde elas moraram com os pais, Lúcia e João Costa.

Na antiga casa que ali existia, as irmãs cresceram com a araucária plantada há mais de 40 anos por um tio. “Todo ano minha mãe colhia pinhões e distribuía para os vizinhos. Essa é uma lembrança muito forte”, contou Carmem.

A construção mudou, mas a araucária continuou para produzir mais frutos e memórias afetivas. No novo prédio mora também a filha, o genro e a pequena Clara, neta Carmem.

Para a obra, a família contratou o escritório de arquitetura Doria e Lopes Fiuzza, que desenvolveu o projeto de maneira a preservar a araucária. “O terreno é pequeno e a primeira ideia foi realmente retirar a árvore, mas conseguimos adequar o projeto e mantê-la de forma a valorizar a construção”, disse Maicon Leitoles, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto.

Via Prefeitura de Curitiba. Foto: Cesar Brustolin/SMCS

sábado, 6 de outubro de 2018

Mudanças do clima deslocarão 13 milhões até o fim do século nos EUA, diz estudo Por Amelia Gonzalez, G1


Mudanças do clima deslocarão 13 milhões até o fim do século nos EUA, diz estudo
Por Amelia Gonzalez, G1

24/09/2018 17h24  Atualizado há 2 semanas



O ano era 2010 e, no Festival de Cinema que sempre acontece no Rio, um título especial chamou minha atenção. Dirigido por Michael Nash, um cineasta bastante laureado, "Climate Refugees" ("Refugiados do clima", em tradução literal) propunha-se a documentar o fenômeno que, naquela época, ainda era considerado novo, quando uma pessoa é obrigada a se deslocar do lugar onde vive e mora por causa de desastres ambientais induzidos pelas mudanças climáticas.

Assisti ao filme numa pequena sala de transmissão em Santa Teresa. Na época, eu editava o caderno "Razão Social", encarte que atualizava o tema sustentabilidade no jornal "O Globo". Ainda hoje lembro-me bem de algumas passagens do filme, sobretudo porque fiquei "conhecendo", pelo menos em imagens, a ilha de Tuvalu, nação do Pacífico sempre citada pelos meus entrevistados quando o tema era o aumento do nível do mar. Tuvalu, diziam, ia desaparecer até o fim do século. Esta informação sempre me impressionou.

A equipe de Nash não só mostrou Tuvalu por dentro, com suas ruas, escolas, casas e hospitais, como entrevistou uma moradora que lamentava sua triste sorte. Dona de casa, sem ofício, 45 anos, ela estava fora dos requisitos básicos exigidos por Nova Zelândia, país vizinho, que se comprometia a abrir suas fronteiras e aceitar tuvalenses, desde que fossem jovens, já tivessem algum estudo e pudessem, assim, funcionar como mão de obra no país.

"Estou condenada à morte", disse a mulher. No quintal de sua casa, a terra da horta que plantara para ajudar a alimentar sua família já estava salgada, por causa da água do mar que chegava cada vez mais perto.

Foi naquele ano também que o Pentágono, como diz a sinopse do documentário de Mark Nash, começou a considerar as mudanças climáticas como um risco de segurança nacional. Presidida pelo democrata negro Barack Obama, a nação mais rica do mundo queria traçar estratégias para enfrentar a situação, mas certamente não estaria nos planos de Obama construir um muro para impedir refugiados do clima de entrarem em seu país.

Havia uma estimativa em números, claro, como sempre há nesses casos, e eu não me lembro exatamente, mas sei que estava na casa dos milhares. Hoje, porém, uma mega reportagem que acaba de ser publicada no site do jornal "The Guardian", traz um estudo dando conta de que o aumento do nível do mar deslocará 13 milhões de pessoas até o final do século. E este número, apenas nos Estados Unidos, por causa de furacões como o "Florence", que acabou de varrer a costa e atingir as duas Carolinas. Não haverá um estado em toda a nação que não vai ser afetado pelo aumento do nível do mar.

A reportagem, escrita por Oliver Milman, conversa também com uma mulher, Elizabeth Boineau, que viu sua casa inundada pelo terceiro ano consecutivo e já está de malas prontas para um lugar mais alto, deixando para trás uma bela edificação do início do século XX. Boineau mora em Charleston, na Carolina do Sul, que segundo as autoridades é uma parte da história dos Estados Unidos que tende a ser derrubada pelas águas e ventos furiosos que chegam dos mares cada vez mais aquecidos.

"Eu teria que ter uns US$ 500 mil para levantar a casa, demolir o primeiro andar. Vou alugar em lugar mais alto", disse Boineau para a reportagem.

Definitivamente estamos na era das migrações climáticas, conclui o repórter, que teve a ajuda do especialista em adaptação climática Jesse Keenan, da Universidade de Harvard, em suas reflexões.
"É muito difícil imaginar como será o comportamento humano sob circunstâncias tão extremas e historicamente sem nenhum precedente", diz ele.

A questão é que nem todo mundo tem condições de se mudar, como no caso da entrevistada. Este problema vai aumentar a responsabilidade do estado, que precisará cuidar das vítimas depois de cada enchente.

"Tenho dificuldade para saber como será este mundo", disse o demógrafo Mat Hauer, um dos principais autores do estudo apresentado hoje.

Segundo o relatório, dentro de poucas décadas, centenas de milhares de casas nos Estados Unidos serão completamente inundadas.

"Até o final do século, o aumento do nível do mar iria redesenhar o litoral, fazendo desaparecer algumas partes conhecidas, como o Sul da Flórida, pedaços da Carolina do Norte e da Virgínia, grande parte de Boston. O aquecimento da temperatura dos mares irá alimentar furacões monstruosos como os três devastadores – Irma, Maria e Harvey em 2017 – seguido por Florence este ano, que espalhará os sobreviventes de maneira instável e incerta", diz a reportagem.

Em uma proporção ainda pouco relevante, o governo já está se preparando para isso. A pequena comunidade de Isle de Jean Charles, que fica na Louisiana, foi o primeiro lugar que recebeu ajuda federal para se realocar. A população, que cresceu numa ilha que está sendo devorada pelo mar, está de mudança para uma antiga fazenda de cana-de-açúcar a mais de 60 quilômetros dali.
No Alasca, cerca de uma dúzia de cidades costeiras também está tentando se mudar, e pleiteia algum financiamento federal para isso.

Os refugiados do clima dos Estados Unidos saem do estereótipo de pessoas que fogem de suas casas e territórios, da Ásia e da África, por questões políticas, como se tem visto aos montes. Só neste sábado, 237 pessoas que estavam em quatro pequenas embarcações foram resgatadas. No país mais rico do mundo, as cenas são bem diferentes:

"Em vez disso, eles serão americanos abastados dirigindo uma nova vida em seus carros, acompanhados por caminhões que vão carregar uma vida inteira de memórias e posses", conta Orrin Pilkey, professor emérito de geologia costeira da Duke UNiversity, que acabou de lançar um livro "Elevação do nível do mar ao longo das costas das Américas: o Tsunami Lento", que prevê cenas apocalípticas em que milhões de pessoas, em grande parte do sul da Flórida, se tornarão "um fluxo de refugiados que se deslocam para lugares mais altos".

De uma forma ou de outra, as mudanças climáticas causam uma tansformação na civilização. E este movimento já está acontecendo, muito mais cedo do que as previsões do início do século. O que se precisa é enxergar de maneira adulta o problema, com políticas públicas voltadas para ele. É nossa responsabilidade, como cidadãos, cobrar dos dirigentes isso. Aqui no Brasil, em época de eleições, está mais do que na hora de abandonarmos as questões polarizadas e olharmos seriamente para o que cada candidato propõe fazer – se propõe fazer – para enfrentar o maior desafio da humanidade neste século.

Amelia Gonzalez  — Foto: Arte/G1


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Reino Unido anuncia 60 milhões de libras para ajudar países pobres a enfrentarem mudanças climáticas


Reino Unido anuncia 60 milhões de libras para ajudar países pobres a enfrentarem mudanças climáticas
03/10/2018 10h31  Atualizado há 2 dias

 Amélia Gonzalez — G1

“Está difícil” é a expressão que mais ouço aqui no Rio de Janeiro, onde vivo e circulo entre Centro e Zona Sul diariamente, dos motoristas de ônibus, de táxi, no Metrô, das pessoas na padaria, no supermercado. Existe um sentimento meio confuso, de cansaço de tanta polarização, da crise que não se acaba nunca, e de um quadro político tão instável. “O que vai ser deste país?”, perguntou-me ontem cedo uma senhora a quem respondi, com convicção: “É melhor que a gente cuide da própria saúde para enfrentar, seja o que vier”.


Respondo desta maneira quase otimista, mas eu também já vou me cansando.


Por isso quero reservar este espaço para dar notícias que possam trazer alguma esperança de debates mais avançados do que estes que estamos vivendo aqui no Brasil. Há um forte movimento que move as pessoas no sentido de perceber a vida com as mudanças climáticas que já se impõem para muitos como calamidade, e é disto que se está tratando.


Durante a Assembleia Geral da ONU, que acabou ontem, o governo do Reino Unido comprometeu-se a compartilhar seus conhecimentos e ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar o problema global da mudança climática. Theresa May, a primeira-ministra, foi uma dos 77 chefes de Estado, cinco vice-presidentes, 44 chefes de governo, quatro vice-primeiros-ministros, 54 ministros, um vice-ministro e oito presidentes de delegação que subiu ao pódio durante os seis dias da reunião em Nova York. E trouxe a boa nova: 60 milhões de libras serão empregadas com este objetivo.


Não é pouca coisa. Os países pobres vêm tentando a solidariedade dos ricos há muito tempo, desde o início dos debates sobre as mudanças climáticas. Eles se acham merecedores deste benefício e têm, para isso, uma justificativa que parece simples de entender para quem está distante das negociações internacionais. É que eles estão no fim da fila dos países mais poluidores, justamente por não terem uma economia fortemente industrializada Desta forma, acham mais do que justo que os países ricos, que emitem mais carbono na atmosfera, ajudem, transferindo tecnologia para que eles possam tentar se livrar das mazelas causadas pelo aquecimento global.


Parece simples, mas não é. Porque os países ricos, pelo menos até bem pouco tempo, tinham um discurso bem forte, entendendo que os países pobres, de verdade, sempre se beneficiaram da tecnologia deles. E que os ricos só puderam desenvolver tais tecnologias com as emissões de gases poluentes.


Vou fazer o jogo do contente, porque estamos precisando dele. E vou imaginar que estão dando certo os movimentos da sociedade civil no sentido de pressionar os países desenvolvidos a chegarem na próxima Conferência das Partes convocada pela ONU, que vai se realizar na Polônia em novembro, com alguma atitude concreta para fazer andar o Acordo de Paris, que limita o aquecimento da Terra em até 2 graus e exige, para isso, mudanças de hábito de produção e consumo.


Claire Perry, Ministra de Estado do Departamento de Negócios, Energia e Estratégia Industrial do Reino Unido, elogiou o programa apresentado por May. E disse que este dinheiro pode vir a ser o impulso que os países pobres precisam para começar seus próprios movimentos em direção a um “crescimento limpo, construindo economias adequadas para o futuro".


Neste ponto, caros leitores, permito uma reflexão auxiliada pelo economista norueguês Erik Reinert, especialista em economia de desenvolvimento e história econômica, autor de “Como os países ricos ficaram ricos ... e por que os países pobres continuam pobres”, editado pelo Instituto Celso Furtado, que ocupa um lugar de destaque na minha estante.


Reinert dedica um capítulo a reflexões sobre os Objetivos do Milênio, que agora se chamam Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) que, para ele, é uma espécie de “economia paliativa”.


“A busca dos Objetivos do Milênio parece indicar que as instituições das Nações Unidas, após várias ‘décadas de desenvolvimento’ fracassadas, abandonaram o esforço para tratar as causas da pobreza e se concentraram em atacar os sintomas. Uma novidade na abordagem dos Objetivos do Milênio é a ênfase no financiamento estrangeiro de políticas sociais no lugar do financiamento interno dos próprios países em desenvolvimento. A ajuda humanitária, que em geral era de natureza temporária, agora se torna mais permanente... Isso levanta a questão a questão de até que ponto essa abordagem colocará grande número de nações permanentemente na ‘fila da assistência social’, num sistema semelhante ao ‘colonialismo de bem-estar social’”, escreve Reneirt.


Sugiro a leitura deste livro a quem se interessa por uma visão macro da economia, fazendo uma necessária revisão histórica do que, de fato, veio acontecendo para que a desigualdade que se tem hoje no mundo, quando oito homens têm a mesma riqueza que metade da população global, segundo o último relatório da Oxfam sobre desigualdade.


Mas, seguindo o jogo do contente, na sequência de notícias sobre mudanças climáticas que chegam do lado de cima da linha do Equador, temos mais: o Reino Unido também se unirá à Carbon Neutrality Coalition. Trata-se de uma declaração que o presidente francês Emmanuel Macron conseguiu que 16 países ricos assinassem no segundo aniversário do Acordo de Paris. A meta destas nações, bem ambiciosa, é a descarbonização da União Europeia até 2050.


O bom disso é que a reflexão feita na esteira desta iniciativa aponta para uma preocupação com os países menos favorecidos. É o que se entende com a declaração de Penny Mordaunt, Secretária de Desenvolvimento Internacional:

“Quando a seca atinge os países em desenvolvimento, as comunidades mais vulneráveis são as mais afetadas pelos danos causados ao gado e às colheitas. Eu testemunhei no começo do ano, no norte do Quênia, como o apoio rápido do Reino Unido e de nossos parceiros ajudou as famílias, que de outra forma correriam o risco de mergulhar mais fundo na pobreza ”.

Seguindo as reflexões de Reinert, no entanto, o ideal será conseguir um equilíbrio entre esta economia paliativa e a economia de desenvolvimento, que seria “mudar radicalmente as estruturas produtivas dos países pobres”.

Sigamos refletindo.