More than just clean energy: wind and solar in the Sahara could increase rainfall in the Sahel
Peter Thoeny/Visualhunt
New research indicates that large-scale
wind and solar farms in the Sahara Desert could not only provide the
world with all the energy it needs but also boost vegetation and improve
livelihoods in adjacent drylands.
The idea of covering the entire Sahara Desert with a
combination of solar and wind farms is not new, but it’s attractive:
theoretically, you could supply enough green energy to easily meet
current global electricity demand.
However, a new study indicates that such an installation could also increase rainfall and vegetation,
creating a feedback loop which further greens the environment both of
the Sahara and the adjacent Sahel, an impoverished dryland running from
Senegal to Djibouti.
Modelling done by the study indicates that huge
numbers of wind turbines and solar panels in the Sahara could lead to a
local temperature increase and more than a twofold precipitation
increase, especially in the Sahel, through increased surface friction
and reduced albedo (the proportion of the incident light or radiation
that is reflected by a surface): solar panels reflect less sunlight than
Saharan sand, thus warming the land.
Increases in vegetation further reduce surface
albedo. Additionally, vegetation increases evaporation, surface
friction, cloud cover, and consequently, precipitation. In previous
studies, vegetation feedback has been overlooked.
Wind farms at scale also create more rainfall.
Their blades “cause significant regional warming on near-surface air
temperature… with greater changes in minimum temperature than maximum
temperature,” says the study. “The greater night-time warming takes
place because wind turbines can enhance the vertical mixing and bring
down warmer air from above to the lower levels, especially during stable
nights.”
The region most likely to benefit from such an
installation, says the study, is the Sahel. “The most substantial
precipitation increase occurs in the Sahel, with a magnitude of change
between +200 to +500 mm/year, which is large enough to have major
ecological, environmental and societal impacts,” says the study. Solar farm in Morocco. Photo by Mohamed Atani/UN Environment“Massive
investment in solar and wind generation [in the Sahara Desert] could
promote economic development in the Sahel, one of the poorest regions in
the world, as well as provide clean energy for desalination and
provision of water for cities and food production,” the study adds.
The “Yes buts…” The biggest obstacle to any large-scale renewables
plan for the Sahara is political. There would have to be political
buy-in from all parties concerned, including groups currently branded as
terrorists. Other issues that would also need careful
consideration include the risk of sandstorms which could damage
installations or impair their efficiency.
Maintenance of such a vast solar/wind system could
be a huge challenge, and very costly if roads were to be built in the
desert. How would you replace perhaps hundreds of faulty solar panels
every day? Maybe teams using camels could be deployed? Perhaps new
designs for solar panels would be needed to make them more biodegradable
(panels are currently made of aluminium, which is very energy intensive
to manufacture).
On the plus side, perhaps solar panels could be
designed to gather a teaspoonful of water condensation per panel.
Nothing is impossible if the political will is there.
“With the world still set to fall well short of meeting even the most modest climate change targets as set out in the Paris Agreement,
ambitious goals backed by rigorous science and international political
will are the best hope of preventing us reaching a climate change
tipping point where whatever we do will be too little, too late,” says
Niklas Hagelberg, a UN Environment climate change specialist.
De acordo com a OIT, cerca de um trabalhador morre a cada 30 segundos no mundo devido a exposição a produtos químicos tóxicos, pesticidas, radiação e outras substâncias prejudiciais
Governos e empresas devem aumentar seus esforços para proteger trabalhadores, suas famílias e comunidades contra qualquer exposição a produtos químicos tóxicos, afirmou o relator especial da ONU sobre direitos humanos e substâncias e resíduos perigosos, Baskut Tuncak, no início de setembro (12). Segundo ele, a exposição de trabalhadores a químicos tóxicos deve ser considerada uma forma de exploração, bem como uma crise de saúde global.
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de um trabalhador morre a cada 30 segundos no mundo devido a exposição a produtos químicos tóxicos, pesticidas, radiação e outras substâncias prejudiciais. Além disso, as cadeias de suprimento globais são frequentemente acusadas de não proteger trabalhadores de exposições tóxicas e por se recusarem a fornecer um tratamento eficaz para indivíduos que foram afetados de alguma maneira.
Jovem coloca pesticida em plantação. Foto: FAO
Governos e empresas devem aumentar seus esforços para proteger trabalhadores, suas famílias e comunidades contra qualquer exposição a produtos químicos tóxicos, afirmou o relator especial da ONU sobre direitos humanos e substâncias e resíduos perigosos, Baskut Tuncak, no início de setembro (12). Segundo ele, a exposição de trabalhadores a químicos tóxicos deve ser considerada uma forma de exploração, bem como uma crise de saúde global.
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de um trabalhador morre a cada 30 segundos no mundo devido a exposição a produtos químicos tóxicos, pesticidas, radiação e outras substâncias prejudiciais. Além disso, as cadeias de suprimento globais são frequentemente acusadas de não proteger trabalhadores de exposições tóxicas e por se recusarem a fornecer um tratamento eficaz para indivíduos que foram afetados de alguma maneira.
“Os direitos dos trabalhadores são direitos humanos. Ninguém deve ter seus direitos humanos básicos – incluindo os direitos à vida e à saúde – negados por causa do trabalho que realiza”, disse Tuncak.
“Governos e empresas têm o dever e a responsabilidade de respeitar, proteger e cumprir os direitos dos trabalhadores”, completou o relator especial.
O especialista da ONU acrescentou ainda que os grupos que mais sofrem com a exposição são aqueles em situação de vulnerabilidade social, como crianças, mulheres, trabalhadores migrantes, idosos, pessoas com deficiência e pessoas pobres.
“A insegurança econômica desses trabalhadores é frequentemente explorada”, observou.
Segundo Tuncak, trabalhadores migrantes irregulares ou sem documentos estão em risco extremo de serem explorados por empregadores que buscam colher os benefícios da concorrência desleal. “Movimentos clandestinos, tráfico humano e escravidão moderna coincidem frequentemente com a exposição de trabalhadores migrantes a substâncias tóxicas”.
Em seu relatório, Tuncak examina a situação dos trabalhadores expostos a substâncias tóxicas em todo o mundo. Ele propõe 15 princípios destinados a ajudar Estados, empresas e outras instituições a respeitar e proteger os trabalhadores contra exposições tóxicas dentro e ao redor do local de trabalho. O relatório aborda também soluções para violações de direitos humanos relacionadas ao tema.
[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]
Limitarse a abordar los retos de agua y saneamiento en el interior de las fronteras nacionales lastra el progreso hacia una solución, lamenta Amina J. Mohammed, vicesecretaria general de Naciones Unidas. Esta tendencia, sin embargo, es cada vez más común. “Es una dirección completamente equivocada y ha llegado el momento de reaccionar”, explicaba desde la Semana Mundial del Agua, que se celebró a finales de agosto en Estocolmo. Mejor uso de las inversiones, compromiso político y ampliar los horizontes más allá de las soluciones técnicas son algunas de las claves que la experta nigeriana propone para responder ante esta situación.
“El problema del agua es realmente global. Las consecuencias de la escasez, por ejemplo, son las mismas en California y en Sudáfrica. No hay distinción entre Norte y Sur. Se necesita mejor coordinación a escala internacional, pero también entre distintos actores en cada país”, asegura. “Hay que considerar las cuestiones de agua como un punto de partida para abordar a la vez todos los otros Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS). Se dice a menudo que necesitamos mejores políticas, pero creo que ya las tenemos. Ahora hay que ponerlas en práctica. Necesitamos un plan”. Y para que funcione, los inversores tienen que tener claro que gastar en agua conlleva beneficios económicos y se refleja en el producto interior bruto del país en su conjunto.
Mohammed cree que no todo se resuelve en una cuestión de incremento de recursos económicos. “Los fondos siempre han sido un problema, pero nunca lo han sido tanto como en la actualidad. Hay que invertir más, claro, pero también hay que hacerlo de una manera más eficaz”. La diversificación de las fuentes de financiación se ha traducido también en nuevas exigencias. “Los inversores privados piden un tipo de respuestas distintas en comparación con las que ha reclamado el sector público durante mucho tiempo. Tenemos que trabajar en esta dirección, pero es un camino viable”.
La tecnología puede ser una aliada crucial. “Siempre habrá vacíos normativos, porque las cosas cambian de manera muy rápida. La tecnología puede ayudarnos a superarlos, pero tenemos que asegurarnos de que la estamos usando correctamente”, sostiene. “La tecnología nos muestra dónde hay que invertir y ayuda a prever los resultados, pero lo que es más difícil es obtener nuevos modelos para que los resultados sean mucho más tangibles para los inversores”.
Los ODS marcan metas para que las mujeres se beneficien de los cambios, pero ahora tenemos que implementar acciones que se correspondan con la teoría
La diplomática considera que hay que buscar nuevas narrativas. “Las viejas prescripciones ya no sirven. Se necesita mucho más diálogo. Tenemos que encontrar una mejor manera para comunicar. Vivimos una situación complicada, en la que todos estamos retrocediendo cuando deberíamos estar actuando juntos. Los gobiernos, los inversores privados, los filántropos… tienen que entender que es importante movilizar fondos para avanzar hacia el desarrollo sostenible con una visión de conjunto”.
Ningún plan, sin embargo, funcionará si las mujeres quedan al margen. “Ellas también tienen que sentarse a la mesa de la toma de decisiones. No es una cuestión de piedad. Las mujeres tienen el potencial para buscar soluciones que vayan más allá de las fronteras nacionales y trabajar en red”, opina la antigua ministra de Medioambiente de Nigeria. Esta estrategia, según Mohammed, tiene que ir de la mano con una política de tolerancia cero hacia los abusos sexuales, el acoso y la discriminación de género. “Las mujeres tienen que ser parte de la solución si queremos conseguir las metas fijadas. La agenda de desarrollo sostenible marca objetivos para que ellas también obtengan provecho de los cambios, pero ahora tenemos que implementar acciones que se correspondan con la teoría”.
Au moins 80 marches citoyennes étaient organisées ce samedi dans la capitale et d'autres villes de France et d'Europe. À Paris, 14.500 personnes ont participé au rassemblement.
«L'avenir du climat donne la chair de poule.» Une grande marche citoyenne pour le climat se tenait samedi dans plusieurs villes de France et d'Europe. À Paris, 14.500 personnes ont participé au rassemblement, selon le cabinet Occurence. Avec une banderole «Il est encore temps» en tête de cortège, les manifestants ont débuté la marche parisienne en début d'après-midi alors qu'il fait «27°C [ce] 13 octobre», ont-ils alerté.
Près de 80 marches étaient organisées en France, rassemblant notamment 3200 personnes à Lille selon la préfecture, 2500 à Bordeaux selon la police, 1850 à Strasbourg selon la police (2900 selon les organisateurs), entre 3000 et 4000 à Rennes et 500 à Marseille.
Un mois après la mobilisation inédite du 8 septembre dernier, dans la foulée de la démission de Nicolas Hulot, de simples citoyens appelaient de nouveau à manifester, demandant aux associations et partis politiques de se placer en fin de cortège.
À Paris, le rassemblement était visuellement moins imposant que celui du 8 septembre qui avait réuni 50.000 personnes selon les organisateurs, 18.500 selon la préfecture de police. Place de l'Opéra à Paris, les banderoles «Changeons le système, pas le climat» et «Chaud devant» ont repris du service, pour défiler jusqu'à la place de la République, a constaté une journaliste de l'AFP. «2°C c'est déjà trop», alerte la banderole de WWF.
Comme en septembre, quand un jeune Parisien, Maxime Lelong, avait pris l'initiative d'appeler à descendre dans la rue après la démission surprise de Nicolas Hulot du poste de ministre de la Transition écologique, ces marches sont organisées par des particuliers, avec le soutien d'associations. «Il y a une envie de collectif, de rassembler toutes les bonnes volontés», s'enthousiasme Danièle Migneaux, une des bénévoles chargées de coordonner les manifestations organisées sous le slogan «Il est encore temps».
En un mois, la page Facebook du mouvement avait rassemblé plus de 60.000 abonnés. En parallèle, 700 bénévoles travaillent sur des thématiques précises via le forum de discussion. Vingt Youtubeurs ont aussi lancé à leurs millions d'abonnés, souvent jeunes, un appel assurant qu'on «peut agir pour éviter le pire du changement climatique».
L'avertissement publié lundi par les experts climats de l'ONU, qui prévient que le monde doit engager des transformations «sans précédent» s'il veut limiter le réchauffement à 1,5°C, a créé une nouvelle onde de choc.
Outre une page Facebook dédiée, un site internet «ilestencoretemps.fr», présente les marches mais aussi des pétitions, des actions en cours ou des écogestes. Il relaie ainsi des campagnes d'ONG, comme celle montée contre la banque Société Générale pour qu'elle arrête de financer des énergies fossiles ou une initiative pour changer de mode de vie en 90 jours. «L'objectif d'‘il est encore temps' est de regrouper les forces, d'avoir un lobby citoyen», explique Danièle Migneaux.
À terme, les internautes choisiront trois actions qu'ils jugeront prioritaires. Elles seront présentées aux services de la présidence française «qui s'engage à donner une réponse», assure Maxime Lelong. «Si cette réponse ne nous convient pas, on redescendra dans la rue.»
Des rassemblements étaient prévus un peu partout dans l'Hexagone, ainsi qu'en Guadeloupe, en Martinique, à La Réunion, en Nouvelle-Calédonie et à Tahiti. Hors de France, des marches devaient avoir lieu à Genève, Luxembourg, Namur, Montréal et Montevideo, selon les organisateurs. D'autres actions doivent se dérouler à l'étranger à l'initiative de l'association 350.org. Au Japon ou encore en Australie, des copies du dernier rapport du Giec, paru en début de semaine, doivent être distribuées à des élus.
Quando ratificou o Acordo de Paris — um esforço empreendido por 195 países para evitar a escalada do aquecimento global —, em 2016, o Brasil traçou uma série de metas que poderiam ajudar a reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa. Um dos objetivos era ampliar o uso de fontes alternativas de energia e restaurar, ou reflorestar, 12 milhões de hectares de florestas até 2030. Mas pouco se fez para atingir esse compromisso.
Um estudo inédito do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), ONG que pesquisa emissões de poluentes, sugere que é possível traçar um plano para avançar no cumprimento de duas metas simultaneamente: plantar florestas e aumentar a participação das fontes renováveis de energia. Segundo o relatório, batizado de Florestas Energéticas, o Brasil tem potencial para gerar 11,6 GW por ano — o equivalente a mais de duas usinas hidrelétricas como a de Belo Monte —a partir da biomassa de florestas plantadas, uma fonte de energia renovável. A ideia, grosso modo, é plantar árvores para produzir eletricidade.
—Nossa intenção foi demonstrar que temos alternativas às termelétricas alimentadas por combustíveis fósseis, muito poluentes — diz o pesquisador Munir Soares, um dos responsáveis pelo estudo. —Avaliamos se isso é factível. A conclusão é de que o Brasil tem uma opção de acelerar seu processo de descarbonização.
Descarbonizar, no caso, significa gerar eletricidade sem emitir gás carbônico, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global. Nesse esquema, queima-se a madeira cultivada em florestas de eucalipto, menos poluente que o carvão ou o gás natural usados nas usinas termelétricas. Há outra vantagem ambiental: ao crescer, as árvores de eucalipto absorvem dióxido de carbono em quantidade suficiente para neutralizar os gases emitidos pela queima.
Segundo o instituto, o Brasil tem potencial para ocupar 6,3 milhões de hectares com florestas de eucalipto até 2030. As novas florestas poderiam ocupar áreas hoje destruídas, como regiões de pastagem degradadas. Dos 6,3 milhões, 1,6 milhão comporiam a chamada reserva legal, uma porção dos imóveis rurais destinada a recomposição e preservação da mata nativa.
Essa área de floresta, diz o estudo, poderia absorver 17 vezes a quantidade de gás carbônico produzida pela geração de toda a energia que hoje abastece o Sistema Integrado Nacional (SIN), a infraestrutura responsável por levar eletricidade à maior parte do país.
André Ferreira, professor da USP e presidente do Iema, afirma que o objetivo do estudo não é estimular o Brasil a plantar florestas de eucalipto maciçamente. Mas demonstrar que existem caminhos para a produção de energia mais sustentáveis:
—Se quiser expandir a geração de energia hidrelétrica, o país precisará explorar o potencial da região amazônica, a um custo socioambiental muito alto — diz Ferreira.
A discussão é urgente, segundo o pesquisador, porque, nos últimos anos, o Brasil aumentou a produção de energia a partir de termelétricas fósseis, em reação aos problemas de abastecimento dos reservatórios de hidrelétricas. A biomassa de florestas plantadas é uma alternativa interessante por ser mais controlável, em oposição a alternativas como a energia solar ou eólica, que são intermitentes e variam em função do clima.
Se quiser crescer economicamente nos próximos anos, o Brasil terá de gerar mais energia. Segundo projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), até 2032, o consumo energético brasileiro deverá saltar, dos 465 TWh empregados em 2017, para 787,5 TWh.
ENERGIA PRODUZIDA É CARA
Por ora, a energia produzida a partir de biomassa de florestas plantadas é cara. Há somente 12 projetos do gênero em funcionamento, cuja energia é vendida por cerca de R$ 500 por MWh. Muito mais que os R$ 200 por MWh que se paga pela eletricidade proveniente de termelétricas a gás natural. Políticas públicas adequadas, que valorizem atributos ambientais, poderiam torná-la mais competitiva. Ainda que neutralizem emissões, florestas de eucalipto também causam impacto.
—Produzir energia a partir de eucalipto é algo positivo. Mas é preciso cuidado para que essas árvores não desabasteçam lençóis freáticos e agravem os efeitos das mudanças climáticas nas regiões em que forem plantadas — diz Pedro Brancalion, do Laboratório de Silvicultura Tropical da Esalq/USP.
ORLANDO, FLÓRIDA - Faz tempo que esta cidade, que abriga o Walt Disney World, é um dos destinos mais procurados pelos turistas. Agora, o lugar quer ser conhecido por outra distinção: cidade pioneira na substituição da energia gerada a partir do carbono.
Suas aspirações podem ser observadas nas milhares de poças espalhadas pela cidade, que coletam a água das frequentes chuvas. Painéis solares flutuantes boiam nessa água, alimentando a rede elétrica.
As evidências também são observadas nas ruas da cidade, com painéis solares equilibrados sobre os postes de iluminação para alimentá-los com energia em vez de recorrerem à rede elétrica. Cerca de 18 mil dos 25 mil postes da cidade já foram convertidos em LEDs de alta eficiência.
Até as poças para algas desempenham um papel. É nelas que as autoridades estão testando um sistema para capturar o carbono emitido pela cidade a partir das usinas de energia e do transporte público, em vez de liberá-lo na atmosfera.
Orlando está criando seu próprio caminho para ajudar a limitar os efeitos da mudança climática. Em parte, a cidade está agindo num espaço abandonado pelo governo federal. Está entre as quase 300 cidades e condados americanos que reafirmaram as metas do acordo climático de Paris depois que o presidente Donald J. Trump anunciou no ano passado que pretendia tirar os Estados Unidos do pacto.
"As cidades precisaram assumir a dianteira", disse Chris Castro, diretor de sustentabilidade de Orlando. "Seria de esperar que o governo federal assumisse a liderança, mas o governo parece recuar dia a dia dos compromissos estabelecidos".
Orlando definiu uma nova meta de gerar toda a sua energia a partir de fontes renováveis já em 2050. O prefeito Buddy Dyer reconhece que as metas da cidade exigirão mais do que determinação. "Enquanto comunidade, tivemos sucesso na criação de visões", disse ele. "Acho que todos reconhecemos que precisamos de avanços tecnológicos para alcançar a marca de 100%".
Conhecida como Estado onde Brilha o Sol, o potencial da Flórida para a geração de energia solar é significativo. Já em 2020, a energia solar deve solar deve responder por 8% da eletricidade gerada pela companhia elétrica de Orlando.
A companhia elétrica municipal instalou equipamentos para gerar 20 megawatts de energia solar - o suficiente para alimentar cerca de 3.200 lares. Os 280 mil moradores da cidade contribuem com mais 10 megawatts de energia solar gerada a partir de painéis nos telhados.
Como incentivo, os moradores recebem de volta todo o valor da energia que produzem para a rede elétrica. E a cidade quer trazer um grande painel solar flutuante para as poças d'água de uma usina de tratamento de esgoto.
Mas, sozinha, a energia solar não fará com que Orlando alcance a marca de energia 100% limpa, dizem os especialistas. Como outras cidades, Orlando luta contra a dependência em relação ao carvão. Los Angeles propôs substituir suas usinas de carvão remanescentes por usinas à base de gás natural, que produzem cerca de metade do carbono das usinas à base de carvão. Em Orlando, cerca de 47% da composição energética têm origem no carvão.
Conforme Orlando tenta aumentar o uso de fontes intermitentes, como a energia solar e eólica, o armazenamento em baterias será importante, mas essa tecnologia ainda é cara. Além disso, os críticos argumentam que o foco nas usinas de energia resolve apenas uma parte do problema das emissões de gases estufa. Em 2017, pouco mais de um terço das emissões de gases-estufa dos EUA vinha da indústria elétrica, enquanto os transportes e o setor industrial respondiam por cerca de metade, de acordo com a Agência de Informações Energéticas dos EUA.
O gás natural alimenta o sistema de ônibus, e os caminhões de lixo usam motores híbridos, reduzindo o uso da gasolina (a força policial deu um passo além, usando motocicletas elétricas). Em suas oficinas de veículos, Orlando mantém uma estação de gás natural que mistura o combustível e abastece a frota de caminhões. A instalação recebe 60% de sua energia dos painéis solares. Outros edifícios da cidade adotaram modelos de alta eficiência energética.
Orlando se juntou a Boston, Chicago e Los Angeles na esperança de reduzir o custo dos produtos livres de carbono - incluindo veículos elétricos e baterias para o armazenamento de energia - por meio de compras em grande quantidade.
Os preservacionistas estão acompanhando. "Os moradores de comunidades que se comprometem com o objetivo de usar energia 100% esperam e merecem receber uma energia 100% limpa, e não a continuidade da dependência em relação a usinas de carvão nem a proliferação de usinas à base de gás, mais sujas", disse Michael Brune, diretor-executivo do Sierra Club. "É por isso que vemos líderes em comunidades de todo o país valendo-se desses compromissos para pressionar as companhias elétricas e os políticos a honrarem o que dizem".
E quanto maior o progresso para alcançar a meta, mais esforço é necessário.
"O desafio é cada vez maior conforme nos aproximamos da marca de 100%", disse Ed Smeloff, da Vote Solar, organização sem fins lucrativos da Califórnia que promove a energia limpa. "O futuro que vai nos permitir alcançar a marca de 100% é provavelmente mais diversificado do que aquilo que estamos vendo agora".
Viver em um planeta saudável é um direito fundamental de todo ser humano. Não podemos postergar nem mais um minuto os benefícios da democracia ambiental na América Latina e no Caribe. Por isso, a ONU Meio Ambiente convoca todos os países da região a ratificar o histórico Acordo de Escazú. A região pode fazer história depois do dia 27 de setembro, quando no âmbito da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, os 33 países da região poderão ratificar o acordo, que é o primeiro tratado vinculante do mundo a colocar os direitos ambientais na mesma posição legal que os direitos humanos.
Esse consenso regional, firmado em 4 de março de 2018, em Escazú, Costa Rica, é o resultado de quatro anos de negociações e deriva do Princípio 10 da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, adotado durante a Conferência Rio +20, em 2012. Seu conteúdo de vanguarda responde a uma reivindicação autenticamente latino-americana e caribenha: que o desenvolvimento seja produto da participação cidadã e que seja inseparável da proteção do meio ambiente.
O acordo busca, especificamente, garantir o acesso à informação confiável, à justiça e à participação pública em assuntos ambientais. É um tratado-chave para proteger os defensores ambientais, que estão dispostos a dar sua vida por um planeta mais saudável e sustentável. Isso é especialmente relevante neste momento, em que a região é palco de múltiplos crimes e confrontos devido à posse da terra e de recursos.
Só em 2017, 60% dos 207 assassinatos de defensores ambientais ocorreram na América Latina e Caribe, segundo dados da organização Global Witness. Cerca de 25% dos defensores mortos eram de comunidades indígenas, especialmente da Amazônia. Muitas outras pessoas são maltratadas e expulsas de suas casas por defender direitos ambientais intimamente relacionados com outros direitos humanos, como o direito à vida, à saúde e ao trabalho.
Tolerar essas intimidações prejudica o Estado de direito em nossos países. Com o objetivo de proteger esses heróis anônimos, que estão pagando o preço mais alto por defender nosso entorno, a ONU Meio Ambiente lançou a Iniciativa de Defensores Ambientais. Os níveis de violência contra os defensores são paradoxais em uma região que deu lições ao mundo em termos de jurisprudência ambiental e que abriga economias emergentes e promissoras com um incrível potencial “verde”.
Essa contradição precisa acabar. E os Estados se propuseram a fazer isso por meio do Acordo de Escazú, que fortalece os mecanismos de consulta prévia e de participação pública, regula o papel da iniciativa privada e garante que o desenvolvimento seja fruto da democracia. Trata-se de um passo estratégico, ainda mais agora que os eventos climáticos extremos estão se intensificando e que o mundo está acelerando os esforços contra a mudança do clima e contra todas as formas de contaminação.Por meio do Acordo de Escazú, a América Latina e Caribe têm a oportunidade de iniciar uma nova era na relação entre direitos e meio ambiente.
No fim do ano ocorrerão duas conferências internacionais, nas quais o Brasil usualmente tem protagonismo: a 14ª Conferência das Partes (COP) de Biodiversidade e a 24ª Conferência das Partes (COP) sobre mudanças climáticas. Apesar de os temas serem correlatos, pouca sinergia existe entre as COPs, e raramente o que nelas se discute é incorporado em nossa agenda econômica.
O Brasil, no entanto, é o país que mais teria a ganhar, no médio e no longo prazos, caso atentasse para suas potencialidades de país mais megadiverso do mundo, abrigando seis diferentes biomas (Amazônia, Pantanal, Cerrado, Pampa, Mata Atlântica e Caatinga) e nível de emissão de gases de efeito estufa per capita ainda baixos, com várias alternativas de energia renovável. Enfim, tem um valioso ativo ambiental que deveria estar sendo usado para alavancar seu progresso num mundo que apresenta restrições ambientais crescentes. Portanto, um novo modelo de desenvolvimento que contemple os temas das duas COPs nos favoreceria.
No Brasil estão concentrados 30% das florestas tropicais do mundo, incluindo a Amazônica e a Mata Atlântica. Todos nós dependemos das florestas, mesmo aqueles que vivem distante delas. Elas nos asseguram serviços ambientais essenciais, como a regulação do clima e a manutenção e oferta de água. Sua importância também pode ser traduzida em inúmeras possibilidades econômicas decorrentes de sua utilização de forma sustentável. As multiplicidades de usos acabam por auxiliar em sua própria manutenção. A biodiversidade encontrada na floresta é uma enorme fonte de matérias-primas para alimentação, incluindo agricultura e pesca, medicamentos, cosméticos, energia e construção civil, além de oportunidades para turismo e lazer.
No campo da geração de energia, a biomassa representa hoje a fonte renovável com maior potencial para redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE). Cenários internacionais mostram que é crescente no mundo o seu uso e o de outros resíduos na produção de eletricidade e que ela pode desempenhar um papel fundamental na descarbonização dos sistemas de eletricidade, fornecendo uma fonte estável de energia com baixo teor de carbono. O Brasil é pródigo em biomassa. Mas, apesar de a bioeletricidade poder ser gerada a partir de várias fontes, só tem expressão no país a bioeletricidade gerada a partir do bagaço e da palha de cana-de-açúcar. Embora outras fontes com potencial de gerar eletricidade ainda sejam incipientes, há enorme capacidade de crescimento na oferta nacional de energia elétrica.
Se o Brasil continuar negligente em relação à conservação e ao uso apropriado de sua biodiversidade e der pouca atenção às metas climáticas, o mundo e o nosso país se ressentirão por conta da perda de benefícios ambientais oriundos de nossas florestas, resultando em cada vez menos segurança alimentar, hídrica e climática. Por outro lado, perderemos a oportunidade de liderar um novo modelo de desenvolvimento.
É importante que, nesses próximos dias, os eleitores analisem as intenções dos candidatos à Presidência da República, de forma a verificar qual deles terá condição de nos colocar na liderança rumo a um desenvolvimento moderno e sustentável. Para isso, é necessário buscar informações e conferir suas propostas. Precisamos saber qual deles está disposto e será capaz de promover ações e aglutinar atores no meio político, acadêmico e empresarial para elaborar estratégias de aproveitamento da potencialidade ambiental do país, alinhando o Brasil com as necessidades mundiais, de forma a enfrentar alguns dos maiores desafios desse século: a redução dos recursos naturais e da biodiversidade e o aquecimento global.
A remediação ambiental visa recuperar áreas contaminadas e danosas ao meio ambiente e à saúde pública.
A chamada remediação ambiental consiste em um conjunto de medidas destinadas a recuperar áreas contaminadas. Isso é feito por meio da eliminação das fontes geradoras de poluição, dos riscos à população e pela diminuição do nível de contaminação da água e do solo.
Essas áreas contaminadas são definidas como locais que contêm substâncias potencialmente danosas ao meio ambiente e à saúde pública. Pode ser um terreno, em ambiente natural, ou espaços ocupados por instalações industriais, comerciais, prédios e outras benfeitorias, nos quais há depósitos de materiais contaminantes. Esses resíduos podem estar legalmente armazenados, ser despejados acidentalmente ou até de maneira criminosa.
Os exemplos mais comuns de áreas contaminadas são os lixões e aterros sanitáriosdesativados — que representam diversos riscos ao meio ambiente.
Como é feita a remediação ambiental?
O processo de remediação ambiental é complexo, pois exige um estudo aprofundado sobre as causas e consequências da contaminação, além da definição das medidas mais eficazes para recuperar o local contaminado e de investimentos públicos e/ou privados para concretizar o plano de ações.
A remediação ambiental de áreas contaminadas compreende as seguintes etapas:
Avaliação inicial para verificar a suspeita de contaminação, potencial de contaminação ou se a área já está contaminada;
Coleta de amostras do solo e água para confirmar se existe contaminação;
Investigação mais abrangente para quantificar a contaminação e delimitar o local afetado;
Análise de riscos das substâncias químicas ao meio ambiente e à saúde humana;
Planejamento de intervenção e das medidas de remediação ambiental;
Execução das medidas planejadas para remediar a área contaminada;
Monitoramento da área descontaminada para confirmar os resultados das medidas de remediação.
Técnicas de remediação ambiental de áreas contaminadas
As técnicas de remediação ambiental estão organizadas em dois grupos, in situ e ex situ.
Remediação ambiental in situ
As técnicas in situ correspondem às medidas que são executadas na própria área contaminada, o que geralmente é mais econômico e apresenta baixo risco de gerar contaminações secundárias. Exemplos de técnicas in situ de remediação ambiental:
Barreira Hidráulica;
Barreira Reativa;
Biorremediação;
Bombeamento;
Extração de vapores;
Extração Multifásica;
Processo Oxidativo.
Remediação ambiental ex situ
As técnicas ex situ são mais onerosas e arriscadas, uma vez que implicam no transporte dos resíduos contaminantes até o local onde serão submetidos a tratamento, antes da destinação final. Além disso, existe o risco de uma contaminação secundária durante o processo de remoção e transporte desses materiais.
Em operações ex situ de remediação de áreas contaminadas, é feita a escavação do local afetado para remover os resíduos tóxicos, que serão transportados para tratamento antes da destinação final. Na remediação ex situ, os resíduos contaminados seguem para:
Aterro sanitário: local destinado à decomposição final de resíduos domésticos, comerciais e industriais;
Biopilhas: técnica que reduz a concentração de hidrocarbonetos de petróleo no solo;
Dessorção térmica: processo que elimina ou reduz os níveis de contaminação do solo por hidrocarbonetos de petróleo não recicláveis, como a gasolina e o diesel;
Coprocessamento: processamento de resíduos sólidos industriais para gerar energia alternativa às indústrias do setor de cimento.