quinta-feira, 21 de março de 2019

Assembleia Ambiental das Nações Unidas adota compromissos por um futuro mais sustentável





Assembleia Ambiental das Nações Unidas adota compromissos por um futuro mais sustentável



crianças cuidando do planeta

·         No encontro ambiental mais importante do mundo, ministros acordaram um novo modelo para proteger os recursos degradados do planeta
·         Líderes concordaram em enfrentar a crise ambiental por meio de inovações e do consumo e produção sustentáveis
·         Delegados se comprometeram a reduzir de maneira significativa os plásticos descartáveis até 2030
·         A quarta Assembleia Ambiental da ONU aconteceu em uma atmosfera de luto após a queda de avião da Ethiopian Airlines com destino a Nairóbi 


Por Flora Pereira, ONU Meio Ambiente

O Mundo hoje preparou o terreno para uma mudança radical por um futuro mais sustentável, em que a inovação pode ser fomentada para enfrentar os desafios ambientais, o uso de plásticos descartável será significativamente reduzido e o desenvolvimento não irá mais custar tanto para o planeta. 

Após cinco dias de conversas na Quarta Assembleia Ambiental das Nações Unidas, em Nairóbi, os ministros de mais de 170 países membros das Nações Unidas entregaram um plano audacioso por mudança, comunicando que o mundo precisa acelerar os movimentos para um novo modelo de desenvolvimento a fim de respeitar a visão estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030. 

Preocupados pelas crescentes evidências de que o planeta está cada vez mais poluído, rapidamente se aquecendo e perigosamente esgotado, os ministros prometeram atender os desafios ambientais por meio do avanço de soluções inovadoras e da adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo. 

“Reafirmamos que a erradicação da pobreza, mudando aquilo que é insustentável, promovendo padrões sustentáveis de consumo e produção e protegendo a gestão dos recursos naturais que são base para o desenvolvimento social e econômico, são os objetivos fundamentais e as exigências essenciais para o desenvolvimento sustentável”, disseram os ministros em sua declaração final.

“Melhoraremos as estratégias de gestão de recursos naturais integrando perspectivas que englobem o ciclo completo da vida e análises que concretizem economias de baixo carbono e eficientes em relação aos seus recursos”.
 
Mais de 4.700 delegados, incluindo ministros do meio ambiente, cientistas, acadêmicos, líderes empresariais e representantes da sociedade civil estavam presentes na Assembleia: o corpo mais importante de meio ambiente a nível global, cuja decisão definirá a agenda das nações, antevendo a Cúpula de Ação Climática da ONU, em setembro. 

O evento também resultou no comprometimento dos ministros em promover sistemas de alimentação encorajando práticas de agricultura resilientes, enfrentar a pobreza por meio da gestão sustentável de recursos naturais, promover o uso e compartilhamento de dados ambientais, e reduzir sensitivamente o uso de plásticos descartáveis. 

“Nós vamos endereçar o dano causado a nossos ecossistemas pelo uso insustentável de produtos plásticos, promovendo a redução significativa de produtos descartáveis de plástico até 2030, e trabalharemos com o setor privado para encontrar produtos ambientalmente amigáveis e financeiramente acessíveis”, disseram. 

Para enfrentar as lacunas de conhecimento, ministros prometeram trabalhar para produzir dados ambientais internacionais comparáveis e ao mesmo tempo aprimorar os sistemas e tecnologias de monitoramento. Eles também expressaram apoio aos esforços da ONU Meio Ambiente para desenvolver uma estratégia global para dados ambientais até 2025.

“O mundo está em uma encruzilhada, mas hoje escolhemos o caminho que seguiremos” disse Siim Kiisler, Presidente da Quarta Assembleia Ambiental da ONU e Ministro do Meio Ambiente da Estônia. “Decidimos fazer as coisas diferentemente. Desde reduzir nossa dependência dos plásticos de uso único a colocar a sustentabilidade no seio de todos os desenvolvimentos futuros, transformaremos a maneira que vivemos. Temos as soluções inovadoras que precisamos. Agora temos que adotar políticas que nos permitam suas implementações”.

A Assembleia começou em luto após o acidente de um voo da Ethiopian Airlines de Addis Ababa para Nairóbi, que custou a vida de todas as 157 pessoas a bordo, incluindo funcionários da ONU e outros delegados que estavam viajando para o encontro. Um minuto de silêncio foi realizado para as vítimas na cerimônia de abertura, onde as autoridades também prestaram homenagem ao trabalho de seus colegas.

No final da Assembleia, os delegados adotaram uma série de resoluções não vinculantes, rumo à mudança para um modelo de desenvolvimento diferente. Entre as resoluções, foi reconhecido que uma economia global mais circular, em que os bens podem ser reutilizados ou reaproveitados e mantidos em circulação pelo maior tempo possível, pode contribuir significativamente para o consumo e a produção sustentáveis.

Outras resoluções disseram que os Estados Membros poderiam transformar suas economias por meio de compras públicas sustentáveis ​​e instaram os países a apoiar medidas para lidar com o desperdício de alimentos e para desenvolver e compartilhar as melhores práticas nas áreas de eficiência energética e de segurança para a cadeia de frio.

As resoluções também abordaram o uso de incentivos, incluindo medidas financeiras, para promover o consumo sustentável e acabar com incentivos para consumo e produção insustentáveis, quando apropriado.

“Nosso planeta atingiu seus limites e precisamos agir agora. Estamos muito satisfeitos que o mundo tenha respondido, aqui em Nairóbi, com compromissos firmes para construir um futuro em que a sustentabilidade seja o objetivo final em tudo o que fizermos”, afirmou Joyce Msuya, Diretora Executiva Interina da ONU Meio Ambiente.

“Se os países cumprirem tudo o que foi acordado aqui e implementar as resoluções acordadas, poderemos dar um grande passo em direção a uma nova ordem mundial, onde não cresceremos mais às custas da natureza, mas veremos as pessoas e o planeta prosperarem juntos.”

Um dos principais focos da Assembleia foi a necessidade de proteger oceanos e ecossistemas frágeis. Os ministros adotaram uma série de resoluções sobre lixo marinho plástico e microplásticos, incluindo o compromisso de estabelecer uma plataforma multissetorial dentro da ONU Meio Ambiente para tomar medidas imediatas para a eliminação a longo prazo de lixo e microplásticos.

Outra resolução instava os Estados-Membros e outros atores a endereçar o problema do lixo marinho por meio da análise do ciclo de vida completo dos produtos e do aumento da eficiência dos recursos.
Durante a cúpula, Antígua e Barbuda, Paraguai e Trinidad e Tobago aderiram à campanha Mares Limpos da ONU Meio Ambiente, elevando para 60 o número de países adeptos da maior aliança mundial de combate à poluição marinha por plásticos, incluindo 20 da América Latina e do Caribe.

A necessidade de agir rapidamente para enfrentar os desafios ambientais existenciais foi ressaltada pela publicação de uma série de relatórios durante a Assembleia.

Entre as mais devastadoras, está uma atualização sobre a mudança do Ártico, que explica que mesmo que o mundo cortasse as emissões em consonância com o Acordo de Paris, as temperaturas do inverno no Ártico subiriam entre 3 a 5 °C em 2050 e 5 a 9 °C até 2080, devastando a região e desencadeando o aumento do nível do mar em todo o mundo.

O relatório ‘Ligações Globais – Um olhar gráfico sobre a mudança do Ártico’ alertou que o rápido derretimento do permafrost poderia acelerar ainda mais a mudança climática e inviabilizar os esforços para cumprir o objetivo de longo prazo do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global a 2 °C.

Enquanto isso, o sexto Panorama Global Ambiental, visto como a avaliação mais abrangente e rigorosa do estado do planeta, alertou que milhões de pessoas poderão morrer prematuramente devido a poluição da água e do ar até 2050, a menos que medidas urgentes sejam tomadas.

Produzido por 250 cientistas e especialistas de mais de 70 países, o relatório mostra que o mundo tem a ciência, tecnologia e finanças necessárias para avançar em direção a um caminho de desenvolvimento mais sustentável, mas políticos, empresários e o público devem apoiar e incentivar essa mudança.

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, que participou da cúpula na quinta-feira, disse que uma atitude sobre o uso insustentável de recursos não é mais uma escolha, mas uma necessidade.

“Como os Estados-Membros afirmaram durante os debates vibrantes, ao lado da sociedade civil, empresas, comunidade científica e outras partes interessadas, ainda é possível aumentar o nosso bem-estar e, ao mesmo tempo, manter o crescimento econômico por meio de uma mistura inteligente de mitigação do clima, eficiência nos recursos e políticas de proteção da biodiversidade”, disse ela.

Como evidência dos efeitos devastadores da atividade humana sobre a saúde do planeta, um clamor global por ações urgentes está aumentando. Enquanto os delegados se preparavam para deixar Nairóbi na sexta-feira, centenas de milhares de estudantes de cerca de 100 países tomaram as ruas como parte de um movimento de protesto global inspirado na estudante sueca Greta Thunberg.

Durante seu discurso na Assembleia Ambiental da ONU Meio Ambiente, na quinta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que os jovens estavam certos em protestar e que o mundo precisa dessa fúria para impulsionar uma ação mais rápida e mais intensa.

“Acreditamos que o que precisamos, dada a situação em que vivemos, são leis reais, regras que são vinculantes e adotadas internacionalmente. Nossa biosfera enfrenta devastação total. A própria humanidade está ameaçada. Não podemos simplesmente responder com alguns princípios que soem bem, sem qualquer impacto real”, afirmou Macron.

O Presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta também disse que o mundo precisava agir imediatamente para enfrentar os níveis recordes de degradação ambiental, insegurança alimentar, pobreza e desemprego.

“As estatísticas globais atuais são bastante preocupantes e as projeções para as gerações futuras são terríveis e exigem ações urgentes de governos, comunidades, empresas e indivíduos”, disse ele.

Mudanças Climáticas: ‘Não peçam aos seus filhos respostas para a bagunça que vocês fizeram’

Mudanças Climáticas: ‘Não peçam aos seus filhos respostas para a bagunça que vocês fizeram’, argumenta a ativista Greta Thunberg


IHU

Mudanças Climáticas

As pessoas continuam me perguntando ‘qual é a solução para a crise climática’. E como podemos ‘resolver esse problema’. Elas esperam que eu saiba a resposta. Isso é um absurdo, porque não há ‘soluções’ dentro dos nossos sistemas atuais.”

A reportagem é de La Repubblica, 17-03-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Greta Thunberg
Greta Thunberg. Foto: Grist.org

Depois da grande marcha pelo clima que levou às ruas mais de um milhão de pessoas, sobretudo jovens, a ativista sueca Greta Thunberg responde com um longo post no Facebook às críticas dirigidas ao movimento do qual é inspiradora.

“O argumento favorito aqui na Suécia (e em outros lugares…) é que não importa o que façamos, porque somos todos muito pequenos para fazer a diferença. A manifestação de sexta-feira foi o maior dia de ação climática global de todos os tempos, de acordo com a 350.org. Ela aconteceu porque alguns estudantes de pequenos países como a Suécia, a Bélgica e a Suíça decidiram não ir à escola, porque nada estava sendo feito sobre a crise climática. Nós provamos que o que você faz é importante e que ninguém é muito pequeno para fazer a diferença.”

A ativista, que nos últimos dias foi alvo de ataques e insultos, pede que se olhe para o problema como um todo e não para as questões individuais. “Não podemos nos focar mais apenas em questões individuais e separadas, como carros elétricos, energia nuclear, carne, aviação, biocombustíveis etc., etc. Precisamos urgentemente de uma visão holística para lidar com a crise de sustentabilidade total e o desastre ecológico em curso. E é por isso que eu sempre digo que precisamos começar a tratar a crise pelo que ela é. Porque só assim – e só guiados pela melhor ciência disponível (como está claramente afirmado em todo o Acordo de Paris) – é que podemos começar a criar juntos uma saída global.”

Greta defende os estudantes que foram às ruas. “Se nem mesmo os cientistas, os políticos, a mídia e as Nações Unidas podem falar atualmente sobre o que exatamente precisa ser feito para ‘resolver’ a crise climática (em outras palavras, reduzindo drasticamente as nossas emissões a partir de hoje), como nós, meros estudantes escolares, poderíamos saber? Como vocês podem jogar esse fardo sobre nós?”

“Então”, conclui, “por favor, parem de pedir aos seus filhos as respostas para a bagunça que vocês fizeram.”

(EcoDebate, 20/03/2019) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Mudanças climáticas: considerações necessárias.

Mudanças climáticas: considerações necessárias, artigo de Isabel Grimm


degelo no Ártico

[EcoDebate] Considerada um desdobramento da crise ambiental, a mudança climática pode ser um dos maiores desafios globais que a sociedade hodierna enfrenta. Ela exerce pressão sobre a estrutura social e política, de comunidades no mundo inteiro, em face ao cenário de incertezas sobre o escopo exato e a velocidade dos próximos passos necessários para remediar suas causas e efeitos, especialmente no plano global.

Previsões destacam que, para cada grau de aumento da temperatura média global, ocorrerá uma queda de 20% na disponibilidade de recursos hídricos para 7% da população mundial. Se as emissões de gases do efeito estufa seguirem subindo, no pior cenário, até o fim do século XXI o número de pessoas expostas a grandes enchentes será três vezes maior do que se as emissões tiverem sido reduzidas. Além disso, será maior a possibilidade de mortes resultantes de ondas de calor, as pessoas estarão expostas a doenças transmitidas pela água e por alimentos. Para completar, o aquecimento global colocará em risco a produtividade pesqueira e os serviços ecossistêmicos dos oceanos.

Tais consequências irão recair tanto quanto aos povos que menos contribuem para as emissões de gases de efeito estufa, uma das causas da mudança do clima. Portanto, seriam as variações climáticas um novo fenômeno de injustiça global? Considerando que as atividades humanas, em relação às mudanças climáticas, podem ser desprezíveis em relação a uma perspectiva global e de cronologia geológica, como supõe alguns cientistas, deve-se ter em conta, porém, que a ação conjunta destas com outros agentes atmosféricos são relevantes.

Assim, são importantes as reflexões sobre mudanças climáticas e possíveis futuros, construindo cenários que avalie causalidades, tendências e ciclos do passado, o que ocorre no presente e pode se estender ao futuro. Nesse momento, é cabível observar que as hipóteses sobre mudanças climáticas devem ser analisadas considerando-a como um fenômeno complexo, relativo, volátil e compatível com a importância do princípio da incerteza e da precaução.

*Isabel Grimm, pós-doutora em Gestão Urbana e doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento, é coordenadora do Programa de Mestrado Profissional em Governança e Sustentabilidade do ISAE Escola de Negócios.

Colaboração de Ana Ornellas, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/03/2019
"Mudanças climáticas: considerações necessárias, artigo de Isabel Grimm," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/03/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/03/20/mudancas-climaticas-consideracoes-necessarias-artigo-de-isabel-grimm/.

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

quarta-feira, 20 de março de 2019

Fauna e Estradas – Do que os animais estão morrendo?

Por Júlia Beduschi para Fauna News – 
 
Bióloga e mestranda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), trabalhando junto ao Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias (NERF) da mesma instituição

estradas@faunanews.com.br

Interessados em determinar as causas de mortalidade da fauna de vertebrados terrestres, um grupo de pesquisadores da universidade estadual de Nova York fez uma revisão bibliográfica compilando estudos de todo o mundo que usaram telemetria (equipamentos anexados ou ancorados nos animais que rastreiam seus movimentos) para determinar a causa-morte dos animais.

Jaguatirica morta por atropelamento em 2015 em rodovia ao lado do Parque 
Nacional do Iguaçu (PR). Felino era monitorado por pesquisadores

Foto: Lucas Dagostin e Marcos Moreira/Carnívoros do Iguaçu
O estudo nos mostra que as atividades humanas são responsáveis pela retirada de mais de um quarto de vertebrados terrestres do planeta. Foram levados em consideração apenas os impactos diretos e não os indiretos, como introdução de espécies exóticas, perda de habitat e poluição – para todos esses fatores, as rodovias são um importante vetor. Além disso, a porcentagem de animais atropelados vem aumentando com o tempo, o que pode ser resultado do crescimento da malha rodoviária no mundo todo.



Os pesquisadores buscaram por estudos de 1970 a 2018 referentes a todos os grupos taxonômicos de vertebrados. O resultado foi 1.114 trabalhos. Desses, foram documentadas 42.755 mortes com causas conhecidas, das quais 28% eram relativas a atividades humanas e 72% a causas naturais. A maior causa de mortalidade foi a predação com 55% dos animais, seguido pela caça legal com 17%. As outras causas, como atropelamento, caça ilegal, fome, doenças e acidentes, somaram menos de 10% do total da mortalidade.



De todos os grupos taxonômicos de vertebrados, o que apresentou maior morte por atropelamento foram os répteis adultos. Isso demonstra claramente a intenção do motorista em atropelar esses animais quando identificados na rodovia. O estudo também demonstrou que aves e mamíferos maiores são mais propensos a serem atropelados do que espécies menores ou indivíduos juvenis. Outra constatação foi a de que aves carnívoras são mais propensas a serem atropeladas do que aves onívoras.

Os resultados encontrados pelos pesquisadores não parecem ser alarmantes em relação ao atropelamento de fauna. Mas considerando que a maioria dos estudos ocorre no Estados Unidos e que tem como foco animais de grande porte, principalmente mamíferos, podemos imaginar que a magnitude de mortalidade causada por ações antrópicas e principalmente pelas rodovias é muito maior do que a relatada – ainda mais quando falamos em animais pequenos. No Brasil, por exemplo, a maior parte da fauna é de pequeno porte e há poucos estudos que usam telemetria para determinar a causa-morte dos animais, apesar de a carnificina nas estradas brasileiras ser bem relatada.

Figura adaptada do artigo Hill, DeVault e Belant 2018, mostrando a proporção da
mortalidade para cada causa avaliada
(#Envolverde)

Será que o Brasil encolheu?

por Observatório do Clima –
 
Vídeo mostra por que é falsa a ideia de que o Brasil protege tanta floresta que não consegue mais expandir a produção agropecuária

Pessoas com influência nas políticas ambientais federais vêm espalhando que o Brasil protege tanto suas florestas que ficou inviável expandir a produção de alimentos. Até o ministro do Meio Ambiente já caiu nessa: no discurso preparado para sua apresentação na assembleia da ONU Meio Ambiente, em Nairóbi, na semana passada, Ricardo Salles disse que o país é o que tem a maior área protegida do mundo.
A gente até poderia responder que não há futuro para a agricultura sem a conservação das florestas, dos solos e da água, ou mesmo relembrar que somos o país que mais desmata e extingue espécies ameaçadas, além de possuir 50 milhões de hectares de terras degradadas, subtilizadas ou abandonadas pelo agronegócio. Mas é tanta desinformação que resolvemos desenhar pra deixar tudo explicadinho.


Hoje o país têm mais áreas destinadas à agropecuária (245 milhões de hectares) do que áreas protegidas (216 milhões de hectares). O Brasil tem espaço de sobra para proteger o clima, conservar sua diversidade e comunidades, e ainda se tornar o maior produtor de alimentos, fibras e bioenergia do mundo. Basta ampliarmos as técnicas de produtividade em todo pais para expandir a atual produção de alimentos sem nenhum desmatamento. Pra isso, precisamos apenas usar nosso território com inteligência.

Assista aqui ao vídeo:

(#Envolverde)

Soltura de papagaios-de-peito-roxo no Parque Nacional das Araucárias é ameaçada por vandalismo

texto publicado em 15 de março 2019 no site Conexão Planeta
Por Mônica Nunes* –

Esta semana, o Instituto Espaço Silvestre anunciou, com muito entusiasmo, mais uma soltura de papagaios-de-peito-roxo no Parque Nacional das Araucárias, no município de Passos Mais, em Santa Catarina. “Após longo período de reabilitação, 36 papagaios serão levados para o parque para a sétima soltura que ocorrerá na região onde a espécie estava extinta”.

No entanto, por falta de segurança no local, essa operação corre risco de não se realizar, e isso é muito grave: pode eliminar a chance de esses bichos tão singelos viverem em liberdade e “condená-los a passar o resto de suas vidas em cativeiro”, como alerta a bióloga Vanessa Kanaan, diretora técnica do instituto e membro da Comissão de Especialistas em Conservação de Translocação da IUCN.

Esse projeto lindo, realizado pelo Instituto Espaço Silvestre desde 2010, tem reintroduzido essa espécie na região da qual estava extinta, principalmente por causa do tráfico ilegal. Até agora, já foram soltos 153 papagaios-de-peito-roxo e há mais 36 no viveiro instalado no parque, esperando para viverem livres na natureza.

Casal de papagaios-de-peito-roxo em liberdade com rádio-colares que facilitam o 
monitoramento
Mas a missão do instituto desta vez está ameaçada porque, na noite de quarta (12/3) para quinta (13), foram roubados todos os equipamentos de proteção e monitoramento do viveiro. Câmeras que funcionam como armadilhas fotográficas, muito usadas por pesquisadores, e também ajudam a monitorar as plataformas de alimentação, além de todos os cadeados e correntes que as protegiam e mantinham a porta fechada.

“De manhã, as duas biólogas que estão em campo encontraram a porta aberta. Entram no viveiro para verificar se os papagaios estavam bem e, em seguida, perceberam que as câmeras tinham sumido”, conta Vanessa. “Não acredito que quem roubou os equipamentos tinha intenção de levar os papagaios. Já poderiam ter feito isso, mas tiveram o cuidado de fechar a porta com uma tranca externa”. E completa: “O sistema é seguro. Isso nunca aconteceu. Por isso, agora, estamos apreensivas”.

Assim que foi avisada do ocorrido, Vanessa acionou, por whatsapp, o que o grupo chama de Rede de Proteção ao Papagaio-de-peito-roxo, formada por instituições locais, regionais e nacionais como órgãos ambientais – como ICMBio (instituição que faz a gestão do parque já que é uma unidade de conservação federal),Ibama -, pessoas-chave no processo de soltura, e as polícias ambiental, militar e civil.

Vista de cima do viveiro onde estão protegidos 36 papagaios-de-peito-roxo e parte
dos pesquisadores durante o monitoramento realizado todos os dias
Ela conta que essa rede foi criada após reunião que definiu a competência exata de cada instituição para agilizar ações em casos desse tipo. Foi o que aconteceu agora. Lá estiveram integrantes da polícia civil e militar e do ICMBio e foi feito um B.O. (boletim de ocorrência). “Todos comprometidos e engajados. A partir de hoje (14) estão nos apoiando na fiscalização”, explica a Vanessa.

A mídia local foi avisada para que noticiasse o roubo e comunicasse o oferecimento de uma recompensa “para quem tiver informações que nos levem às armadilhas, aos equipamentos roubados. Nossa estratégia é fazer barulho localmente porque, quanto mais a comunidade souber, mas fiscalizadores a gente tem e maior segurança”.

Vale destacar que os equipamentos roubados são caríssimos e foram doados recentemente pelo Parque das Aves e pelo ornitólogo Adrian Ruppguia de observação de aves que atua na região.

“Faz quase um ano que eu comecei a negociar o patrocínio desses equipamentos. E conseguimos. O Parque das Aves doou as câmeras, o cartão de memória e as pilhas. E o Adrian, as caixas de proteção, as correntes e os cadeados. Essa é a tristeza! Um material tão batalhado, ir embora, assim, em menos de uma semana de uso”.

Além de prejudicar o trabalho do instituto, o roubo também impede que a parceria linda com o Parque das Aves Adrian se complete já que envolvia o compartilhamento das informações obtidas a partir desse monitoramento. Conhecimento científico se expande assim também, com essas parcerias. Quem cometeu esse crime não faz ideia do tamanho do estrago que causou e continua causando.

E se a soltura não puder ser feita?

A priori, a soltura dos 36 papagaios-de-peito-roxo está marcada para amanhã, 16/3, mas tudo depende do que acontecerá nas próximas horas.
Há pouco, Vanessa me deu uma boa notícia: ninguém esteve no viveiro durante esta madrugada. Mas, caso não seja possível dar andamento à missão, as consequências serão terríveis, como ela explica:

“Se os papagaios tiverem que voltar ao centro de triagem de animais silvestres do instituto, não teremos como fazer uma soltura em curto prazo porque teremos que recomeçar o processo de reabilitação de saúde. Além de demorado, este processo é muito caro porque cada papagaio precisa passar por 20 exames. E mais: tudo isso pode inviabilizar a continuidade do projeto, que tanto depende de apoio financeiro, de parceiros, voluntários…. Por causa de um ato de vandalismo”.

Estamos torcendo para que o projeto pode seguir seu curso, mesmo com as adversidades. E que a rede proteção ajude a impedir que mais atos como esse aconteçam e que a comunidade continue ajudando este grupo de biólogas dedicadas à vida silvestre a realizar sua missão.

Se tudo correr bem – e vai! – semana que vem conto mais detalhes desta soltura e também do trabalho lindo desenvolvido pelo Instituto Espaço Silvestre. Quero ver os 36 papagaios-de-peito-roxo, como o dos flagrantes bacanas publicados neste post (registrados pela Vanessa), vivendo livres na natureza.

Fotos: Vanessa Kanaan/Instituto Espaço Silvestre (papagaios) e Divulgação (viveiro)

* – Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.
(#Envolverde)

Metodologia defasada permitiu que área do tamanho do Panamá fosse desmatada entre a Amazônia e o Cerrado

Por Bruno Stankevicius Bassi / De Olho nos Ruralistas – 
 
Com distorções que chegam a 245%, “linha divisória” adotada pelo IBGE fez o Cerradão, região de florestas, ser enquadrado com grau de proteção inferior ao correto; estudo propõe reposicionar os territórios para proteger a biodiversidade

Como definir a separação entre dois biomas? As implicações deste questionamento vão muito além da cartografia e da biologia e afetam diretamente os índices de desmatamento na zona de transição entre a Amazônia e o Cerrado, no norte do Mato Grosso, um dos principais focos de biodiversidade do mundo. Essa é a conclusão de um estudo assinado por um grupo de pesquisadores brasileiros e publicado na última edição da revista Biodiversity and Conservation.

Segundo o artigo, a metodologia tradicionalmente utilizada para definir a separação entre os biomas, baseada em uma simples linha divisória, gerou distorções que alcançam 245,5% de erro em alguns pontos da região estudada. Como resultado, 75.700 km² de florestas estacionais localizadas além dos “limites” do bioma amazônico foram mapeados erroneamente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como vegetação de savana (ou cerrado denso).

Maior transição floresta-savana do planeta, fronteira entre Amazônia e Cerrado sofre com desmatamento. (Foto: Gabriel Rezende Faria/Embrapa)
Isso fez essa formação florestal, conhecida como Cerradão, ser enquadrada pelo Código Florestal de 2012 com um grau de proteção inferior ao estabelecido pela legislação. Isso porque na Amazônia Legal – que engloba também as áreas de transição para o bioma Cerrado – o tamanho da reserva legal a ser preservada dentro das propriedades rurais varia em função do tipo de vegetação: 80% para florestas e 35% para savana.

Mesmo sendo floresta, o Cerradão não foi considerado como tal, sendo desmatado até sua quase extinção. Utilizando imagens de satélite cedidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os pesquisadores identificaram que num período de 30 anos, entre 1984 e 2014, essa formação florestal perdeu 5,2 milhões de hectares, cerca de 41,2% da cobertura inicial dentro da área abrangida pelo estudo.

Mas não para por aí. Enquanto a atividade agropecuária ganhou espaço, passando de apenas 9,4% do uso do solo em 1984 para 46% em 2014, as regiões de savana perderam, no mesmo período, 7,8 milhões de hectares. Com as florestas densas não foi diferente: 9,3 milhões de hectares extirpados. Somando as três classes de vegetação analisadas no estudo (o Cerradão, a floresta densa e úmida e o Cerrado stricto senso), o desmatamento na zona de transição entre a Amazônia e o Cerrado – epicentro do Arco do Desmatamento – levou embora, em apenas três décadas, uma área equivalente ao estado de Roraima.

Em vermelho, áreas convertidas em pastagem e/ou monocultura nos últimos 30 anos. 
A linha preta marca a divisa traçada pelo IBGE.

ESTUDO PROPÕE NOVA ABORDAGEM

A linha demarcatória mais aceita na literatura científica, que corta o estado de Mato Grosso e sobe pela divisa do Tocantins em direção ao Maranhão, foi elaborada em 1981 a partir do Projeto RadamBrasil – uma iniciativa do Ministério de Minas e Energia que visava o mapeamento de recursos naturais, depois incorporada ao IBGE.

Mapa indica fragmentos de Cerrado no bioma Amazônia, e vice-versa.
Essa abordagem, no entanto, desconsidera a heterogeneidade e a complexidade dos mosaicos de vegetação que marcam a transição entre a Amazônia e o Cerrado. Liderado por Ben Hur Marimon Junior, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o grupo de pesquisadores identificou, nos mapas de 1984, 719 fragmentos de floresta densa em meio ao bioma Cerrado e 151 fragmentos de cerrado stricto sensu em meio ao bioma amazônico, considerando apenas os trechos superiores a 5 km². Com isso, o estudo comprovou que a Amazônia é maior e está mais ao Sul do que os mapas estabeleciam.

Como resposta às distorções geradas pela metodologia antiga – cartográficas e de políticas públicas – os pesquisadores propõem uma nova abordagem para classificar as fronteiras entre Amazônia e Cerrado: em vez da linha divisória, a consolidação ecológica e jurídica de uma “faixa de transição”, visando proteger a frágil biodiversidade daquela que é a maior transição floresta-savana do planeta.
(#Envolverde)

Quem vai salvar a Floresta Amazônica?

Por Carol Giacomo, traduzido da publicação original do New York Times / Mídia Ninja – 
 
Quem vai salvar a Floresta Amazônica?

A batalha das lideranças indígenas para salvar suas terras e suas vidas.

Povos indígenas da Floresta Amazônica são as tropas da linha de frente na luta contra a mudança climática. “Nós somos os primeiros a ser afetados”, diz Sônia Guajajara, uma das mais conhecidas lideranças indígenas do Brasil.

“Nós estamos vendo inundações que duram mais, estamos vendo secas mais longas, estamos vendo a diminuição dos peixes com a seca”, disse ela recentemente ao conselho editorial do The Times. “E isso afeta nossa segurança alimentar. Isso também afeta nossa cultura ”.

A floresta amazônica, um tesouro ambiental de mais de dois milhões de metros quadrados em todo o Brasil e outros oito países, é às vezes chamada de “pulmões do planeta” porque as árvores liberam tanto oxigênio e absorvem tanto dióxido de carbono, amaciando os efeitos das Alterações Climáticas. É também o lar de uma diversidade incomparável de espécies animais e vegetais, bem como cerca de um milhão de indígenas só no Brasil.

Embora há muito tempo em perigo, a floresta está sob maior ameaça agora sob a presidência de Jair Bolsonaro, um líder populista polarizador nos moldes do presidente Trump que assumiu o cargo em janeiro e se encontrará com Trump na Casa Branca hoje.

Bolsonaro agiu rapidamente para minar as proteções ao meio ambiente, aos direitos indígenas à terra, às organizações não-governamentais e basicamente a qualquer um que discordasse dele.

“Ainda nos primeiros 50 dias do governo Bolsonaro houve uma reversão de 30 anos de progresso”, disse Guajajara. “Tudo o que estamos tentando construir, tentando construir desde então, estamos tentando continuar em pé.”

Seu trabalho com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil concentra-se em garantir seus direitos, incluindo reivindicações de terras de florestas tropicais ancestrais. O Brasil perdeu quase 10% de sua cobertura florestal entre 2000 e 2017, segundo o World Resources Institute. Agora, Bolsonaro está aumentando ainda mais a ameaça com um pedido de investimento econômico para explorar as florestas, os minerais e outros recursos naturais do país.

Desde sua posse, Bolsonaro enfraqueceu ou desvinculou agências governamentais que supervisionam as proteções para a Amazônia e os povos indígenas e atribuiu essas responsabilidades ao ministério da agricultura pró-agricultura, pró-mineração e pró-madeira.

O resultado é que os povos indígenas, que garantiram proteção do governo para cerca de 13% do território brasileiro, temem que não haja mais terras demarcadas, disse Guajajara.

Terras que são formalmente reconhecidas como “terras coletivas” são de propriedade do governo, mas garantidas pela Constituição para o uso exclusivo de grupos indígenas. Bolsonaro diz que quer que essas terras sejam “mais produtivas”.

Guajajara, que concorreu sem sucesso a vice presidência nas últimas eleições, como candidata do partido de esquerda Partido Socialismo e Liberdade, disse que isso significaria o começo do fim das culturas indígenas. “E para mim, isso é tipo de etnocídio”, disse ela. “Etnocídio é quando você mata a cultura. O genocídio é quando você mata as pessoas.

Líderes mais sábios do que Bolsonaro procuraram formas de expandir o desenvolvimento econômico, ao mesmo tempo respeitando os povos indígenas e reconhecendo as contribuições insubstituíveis da Amazônia para deter as mudanças climáticas. Pesquisas mostram que as comunidades indígenas são os melhores administradores da terra.

O Brasil tem uma história de conflito sobre desenvolvimento e conservação. Isso está ocorrendo em um processo civil que acusa o estado de genocídio, quando centenas, talvez milhares, de índios da etnia Waimiri-Atroari morreram entre 1968 e 1977, quando uma estrada foi construída à força pela Amazônia, informou a Associated Press.

Em uma audiência em uma reserva remota da Amazônia no mês passado, seis anciãos indígenas disseram a um juiz como a ditadura militar tentou erradicá-los com armas, bombas e produtos químicos.

Agora, décadas após esse período, de acordo com a Sra. Guajajara, Bolsonaro está afirmando que “não existe um povo indígena” e insistindo que ele quer “unificar todos nós em uma cultura”. Isso é ofensivo e irrealista, dado que O Brasil abrange mais de 300 grupos étnicos, incluindo talvez 100 que não têm contato com a sociedade e cerca de 274 idiomas.

Pelo menos, a eleição de Bolsonaro parece estar deixando claro o que poderia ser perdido para suas políticas e estar persuadindo grupos marginalizados – os pobres, mulheres, crianças, povos indígenas – a se unirem em uma causa comum.

A eleição de Bolsonaro também chama atenção e questiona a boa fé da proposta de uma coalizão internacional de grupos indígenas da Amazônia para a Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade no ano passado para criar um santuário de floresta tropical do tamanho do México.
Se há esperança para a Floresta Amazônica e para países onde as autoridades ameaçam a democracia e as agendas progressistas, ela vive na determinação e poder de ativistas da sociedade civil como Sônia Guajajara.

Foto destaque: Pablo Alvarenga

(#Envolverde)

segunda-feira, 18 de março de 2019

Ação antrópica

Ação antrópica

Ação antrópica representa qualquer ação realizada pelo homem. Essa expressão ganhou força por causa dos impactos ambientais, sociais e ecológicos provocados pela ação do homem.
Por: Rafaela Sousa Há impactos positivos e negativos da ação antrópica no meio ambiente.
Há impactos positivos e negativos da ação antrópica no meio ambiente.

Ação antrópica diz respeito à ação realizada pelo homem. Esse termo ganhou visibilidade quando a ação do homem tornou-se tema de discussões acerca das intensas alterações que o meio ambiente tem sofrido. Essas modificações preocupam estudiosos e defensores da natureza, posto que o mundo tem dado sinais de que não aguentará por muito tempo. Vivemos tempos em que as catástrofes naturais, intensificadas pela ação antrópica, tornam-se cada vez mais frequentes em todo o planeta, causando danos irreparáveis, como o agravamento do aquecimento global por causa das emissões de gases poluentes à atmosfera.

É válido ressaltar que nem toda ação antrópica é negativa e que a palavra “impacto” não se refere apenas a alterações que provocam problemas no meio ambiente. O termo impacto refere-se às modificações produzidas no meio ambiente, as quais podem ser consideradas positivas ou negativas.
O desmatamento é uma das ações antrópicas negativas.
O desmatamento é uma das ações antrópicas negativas.

Ação antrópica negativa

As alterações feitas pelo homem no meio ambiente intensificaram-se bastante nos últimos tempos. Foi a partir da Revolução Industrial que o cenário mundial alterou-se de maneira significativa. O modo de produção capitalista, voltado para o alcance máximo de lucros e produção em massa, mudou a maneira de viver e pensar da sociedade, estimulando cada vez mais os impactos socioambientais. O consumo desenfreado da população resultou na necessidade de maior obtenção de matéria-prima para as produções industriais. Sendo assim, ações como desmatamento, lançamento de esgotos industriais em rios, lagos e mares, empobrecimento do solo pelo uso de agrotóxicos, poluição atmosférica, entre outras, têm devastado o meio ambiente e provocado o seu esgotamento.

O uso desenfreado e inconsciente dos recursos naturais é frequentemente debatido, haja vista a gravidade dos problemas que já assolam a humanidade e que provavelmente se intensificarão no futuro. Questões como o aumento da temperatura causado pelo desflorestamento, inundações nas áreas urbanas, seca extrema em diversas regiões do mundo, extinção de espécies da fauna e da flora, poluição de mares e rios, agravamento do efeito estufa, entre outras, já são sentidas pela nossa sociedade.

Tendo em vista os impactos ambientais negativos provocados pela ação antrópica, é válido destacar aqueles que são bastantes discutidos e preocupantes:

→ Chuva ácida

A chuva ácida é um tipo de chuva no qual há a presença de ácido sulfúrico, decorrente da reação de gotículas de água existentes na atmosfera com dióxido de enxofre e dióxido de nitrogênio emitidos por meio da combustão de combustíveis fósseis. Toda chuva possui um grau de acidez, possuindo pH em torno de 5,6, o que não prejudica o meio ambiente. Quando esse pH encontra-se abaixo de 4,5, há um problema.

A chuva ácida é um dos principais problemas atmosféricos relacionados à atividade humana. O uso de combustíveis fósseis é uma das principais ações antrópicas que desencadeiam as chuvas ácidas. Usados comumente nas indústrias, nos veículos e em termoelétricas, esses combustíveis passam por um processo de combustão, que libera os gases responsáveis pela formação de chuva ácida. Os principais problemas relacionados a esse tipo de precipitação são o desequilíbrio dos ecossistemas, danos às plantações, contaminação de lençóis freáticos e danos à saúde humana, pois provoca problemas como a asma e a bronquite.

→ Destruição da camada de ozônio

 

A camada de ozônio desempenha um importante papel na manutenção da vida no nosso planeta: ela é responsável por reter cerca de 95% dos raios ultravioleta emitidos pelo Sol à Terra. Esses raios, quando atingem a superfície terrestre, podem desencadear problemas de saúde no homem, como aumento dos casos de câncer e catarata, afetar o desenvolvimento de outros seres vivos e também provocar o aumento da temperatura da Terra, gerando um desequilíbrio climático.

A destruição da camada de ozônio ocorre em virtude da emissão de alguns gases à atmosfera pelo homem. Os principais gases lançados à atmosfera que provocam danos à camada de ozônio estão presentes em itens como sprays aerossóis, em compressores para refrigeração doméstica (geladeira, por exemplo) e aparelhos de ar-condicionado. O principal gás é o clorofluorcarboneto (CFC), utilizado ao longo de muitas décadas. As moléculas de cloro presente nesse gás são capazes de se fixar às moléculas de ozônio, ocasionando a sua destruição.
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→ Agravamento do efeito estufa

O efeito estufa é o fenômeno responsável pela manutenção da temperatura da Terra. É por meio dele que se mantém a temperatura ideal no nosso planeta. Contudo, a emissão excessiva de gás carbônico (principal gás responsável pelo aquecimento anormal da Terra), por exemplo, por meio de algumas atividades humanas, como a produção de energia, tem aumentado a temperatura do planeta de forma anormal. A presença dos chamados “gases-estufa” na atmosfera permite a entrada de radiação, mas impede a liberação do calor, que se aprisiona próximo da superfície.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), as alterações humanas no meio ambiente têm provocado mudanças climáticas em todo o mundo . A Terra está mais quente, e esse fato está relacionado a ações antrópicas como a emissão de gases do efeito estufa à atmosfera e o desmatamento excessivo para fins agropecuários.

Os efeitos das mudanças climáticas já são considerados irreversíveis. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Inpe), a temperatura da Terra aumentou cerca de 0,4 ºC. A dinâmica das chuvas e ventos já foi alterada, as calotas polares estão derretendo, e o nível dos oceanos está aumentando. É necessário reduzir a emissão de gás carbônico por intermédio da utilização de fontes de obtenção de energia alternativas e procurar promover hábitos que proporcionem um modo de vida mais sustentável, como reduzir o uso de veículos e evitar a retirada da vegetação nas áreas urbanas.

Ação antrópica pode ser positiva quando o meio ambiente e os recursos naturais são preservados.
Ação antrópica pode ser positiva quando o meio ambiente e os recursos naturais são preservados.

Ação antrópica positiva

É fundamental que o modelo de desenvolvimento socioeconômico vigente, que visa a explorar ao máximo os recursos da natureza, seja substituído por um modelo de desenvolvimento que tenha como meta a redução dos impactos negativos sobre o meio ambiente. Uma das possibilidades seria a substituição da matriz energética baseada no uso de combustíveis fósseis por fontes de energia alternativas, como a energia solar e eólica. A população deve também mudar seus hábitos e fazer uso consciente dos recursos naturais, evitando desperdício de recursos como a água, energia e alimentos, bem como usar produtos biodegradáveis.

Exemplos de ações antrópicas positivas:

  • Coleta seletiva
  • Reflorestamento de áreas que foram desmatadas
  • Reciclagem do lixo
  • Uso de fontes renováveis de energia
  • Preservação da biodiversidade
  • Estabelecer leis de conservação do meio ambiente
  • Não poluição de rios, lagos e mares
  • Incentivo de políticas ambientais
  • Recuperação de matas ciliares
  • Uso de filtros nas indústrias para diminuir a emissão de gases tóxicos
  • Uso consciente dos recursos hídricos e de energia

???????Desenvolvimento sustentável

A questão ambiental tem sido constantemente debatida, e a conclusão é que os países precisam reforçar políticas que assegurem a preservação do meio ambiente. Estabelecer metas e acordos é fundamental para que a sociedade passe a usar os recursos naturais de maneira sustentável. Debates sobre a problemática ambiental ganharam força a partir da década de 1960, período em que as catástrofes naturais intensificaram-se em todo o mundo, o que provocou o despertar de uma consciência para o desenvolvimento sustentável.

No ano de 1972, aconteceu na Suécia a Primeira Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente. Em 1987, o conceito de desenvolvimento sustentável foi apresentado por meio do relatório Nosso Futuro Comum, elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente por meio da Organização das Nações Unidas (ONU). Esse relatório tinha como principal objetivo expor as principais mudanças necessárias para que o desenvolvimento econômico e a exploração dos recursos naturais ocorressem de forma que não prejudicassem o suprimento das gerações futuras. O desenvolvimento sustentável sugere que o suprimento das necessidades da sociedade não deve comprometer a geração futura. Portanto, é necessário que os recursos naturais sejam repostos na natureza e que se modifiquem os padrões de consumo da sociedade.