quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Pacto lança desafio para restaurar mais 1 milhão de hectares de Mata Atlântica, até 2025


Pacto lança desafio para restaurar mais 1 milhão de hectares de Mata Atlântica, até 2025

07 Dezembro 2019     

Organizações-membro do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica anunciaram hoje que pretendem promover a recomposição de mais 1 milhão de hectares de mata nativa até 2025. O desafio foi apresentado por representantes dos 300 membros do movimento, que celebraram, em Belo Horizonte (MG), os 10 anos da iniciativa. 
 
A área que se espera recompor, ao longo dos próximos cinco anos, equivale a quase duas vezes a do Distrito Federal. Em 15 anos de movimento, o resultado acumulado será de 2 milhões de hectares de cobertura florestal recuperada no bioma.
 
Lançado em 2009, o movimento identificou, este ano, que já existem cerca de 740 mil hectares de mata em diferentes estágios de restauração, em todo o bioma. Até o ano que vem, as organizações esperam confirmar que esse número já esteja próximo de 1 milhão de hectares, com um estoque de, pelo menos, 30 milhões de toneladas de carbono.

“Esperamos anunciar o alcance de 1 milhão de hectares em 2020 e mais 1 milhão até 2025, acelerando o processo e concretizando uma contribuição efetiva do Brasil para o combate ao aquecimento global, com recuperação da biodiversidade e das paisagens florestais”, explica Renato Crouzeilles, pesquisador e associado do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), membro do Pacto.

Composto por ONGs, como o WWF-Brasil, institutos de pesquisa, empresas, órgãos públicos e proprietários de terra, o Pacto Mata Atlântica é formado por unidades regionais, sendo o maior esforço coletivo para restauração de um bioma na América Latina. Para alcançar suas metas, no entanto, precisará contar com a participação dos mais de 140 milhões de brasileiros que vivem na área original da floresta atlântica.

“Precisaremos promover mais sensibilização e comunicação para demonstrar que a restauração traz benefícios para todos os setores da sociedade, incluindo agronegócio, indústria e turismo, além de melhorar a qualidade de vida da população urbana e rural”, diz Crouzeilles. 
 
“Não queremos a recuperação apenas por obrigação das leis, que existem, mas pelo reconhecimento dos benefícios para a economia e a produtividade rural”, completa. 
 
Resguardada pela Lei da Mata Atlântica e também pela Lei de Proteção da Vegetação Nativa, a recuperação de margens de rios, reservas legais, áreas de preservação permanente e outras áreas desmatadas ilegalmente tem também um grande potencial econômico. Envolvendo redes de coletores de sementes, viveiros de mudas e profissionais comprometidos com a restauração da floresta, a atividade gera trabalho e renda, melhorando os indicadores sociais nas regiões onde ocorre. 
 
Para acompanhar o andamento das atividades de restauração, o Pacto também lançou, o seu sistema de monitoramento online. A ferramenta, construída em parceria com o MapBiomas, permite a visualização dos locais de projetos e áreas em processo de recuperação no bioma Mata Atlântica, além dos viveiros e remanescentes florestais existentes. Atualmente, o mapa aponta 37 mil hectares de projetos em processo de restauração cadastrados e validados.
 
Segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica, também membro do Pacto, o bioma abrange cerca de 15% do território nacional, em 17 estados, sendo lar de 72% dos brasileiros e concentrando 70% do PIB nacional. Restam apenas 12,4% da floresta da qual dependem serviços essenciais como abastecimento de água, regulação do clima, agricultura, pesca, energia elétrica e turismo.
 
Compromissos internacionais
A divulgação das metas para 2025 também faz parte do movimento #6D Its Now, que aproveita a realização da 25a COP do Clima, em Madrid, esta semana, para promover ações concretas contra as mudanças climáticas.

Por isso, nos próximos dias, membros do Pacto, como o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), de Pernambuco, o Grupo Ambiental Natureza Bela, da Bahia, e a Associação Ambientalista Copaíba, de São Paulo, promoverão o plantio de cerca 5 mil mudas, contemplando mais de 60 espécies da Mata Atlântica. 
 
Ações de restauração de ecossistemas como essa são um dos compromissos assumidos pelo Brasil junto à comunidade internacional para limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Entre as ações voluntárias a serem conduzidas pelo país para colaborar com o esforço global de combate ao aquecimento está a restauração de 12 milhões de hectares de ecossistemas naturais, até 2025. 
 
“É um momento de importância estratégica muito grande, porque marca o vínculo com as agendas internacionais, como o Desafio de Bonn e os compromissos climáticos do Acordo de Paris, que têm uma ligação estreita com os processos de restauração, principalmente do bioma Mata Atlântica”, comenta Thiago Metzker, diretor-presidente do Instituto Bem Ambiental (IBAM), membro do Pacto. 
 
Entre os seis principais biomas brasileiros, a Mata Atlântica deve ser o que receberá mais ações para viabilizar o alcance de cerca de metade da meta nacional, totalizando aproximadamente 5 milhões de hectares restaurados no período. A área é pouco maior que o estado do Rio de Janeiro. 
 
Os ambiciosos objetivos nacionais foram reforçados quando o país aceitou o Desafio de Bonn, em 2011, ano em que foi projetada a restauração de 150 milhões de hectares de ecossistemas nativos até 2020, em todo o mundo. 
 
Para cumprir esses compromissos, o Estado brasileiro criou a Política Nacional de Recuperação de Vegetação Nativa, em 2015, que estrutura as ações de restauração, visando estimular e garantir a efetividade e verificação dos resultados em campo, em larga escala.
 
As articulações internacionais serão impulsionadas nos próximos anos pela Década da Restauração, declarada de 2021 a 2030, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê a ampliação dos esforços de recuperação de ecossistemas terrestres e marinhos que se encontram em estágios críticos de degradação.

10 anos apoiando a restauração
Formado inicialmente por especialistas em restauração florestal, o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica priorizou o desenvolvimento e validação de metodologias, como forma de garantir a efetividade das ações, por meio de plantio de mudas ou regeneração natural acompanhada, entre outras técnicas.
 
“O Pacto construiu a governança e as ferramentas necessárias para estabelecer as bases do movimento, avançando em questões importantes, como o referencial teórico, o protocolo de monitoramento e um banco de dados de áreas que deram a consistência e a unificação do movimento”, explica Ludmila Pugliese, Coordenadora Nacional do Pacto e sócia-fundadora da KAWA Estratégias Sustentáveis.
 
Os estudos permitiram a identificação dos custos e técnicas para promover a restauração da forma mais eficiente, empregando cuidados simples ou integrados para o crescimento de espécies como pau-brasil, grumixama, ipê e jequitibá.
 
“Nos próximos 5 anos, esperamos continuar a fortalecer ainda mais nossa incidência política e expandir os nossos resultados, por meio das unidades regionais, ampliando as áreas recuperadas e engajando outros atores nessa cadeia da restauração”, projeta Pugliese. 
 
Raízes do Pacto
O objetivo de longo prazo do Pacto é restaurar 15 milhões de hectares de mata nativa até 2050, recuperando áreas identificadas como degradadas ou com baixa aptidão para agropecuária. 
 
Para o sucesso das ações e redução dos custos envolvidos neste processo, foi desenvolvido o ‘Referencial Teórico sobre Restauração Ecológica da Mata Atlântica’. Elaborado pelo Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (LERF) da ESALQ/USP, documento que contém metodologias e informações técnicas sobre reflorestamento, apoiando o engajamento de atores importantes para o alcance das metas.
 
O Conselho de Coordenação do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica é formado por: ABRAMPA - Associação Brasileira do Ministério Público do Meio Ambiente, Associações e colegiados Rede de ONGs da Mata Atlântica, LASTROP - Laboratório de Silvicultura Tropical, LEPaC - Laboratório de Ecologia da Paisagem e Conservação, CEPAN - Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste, AES TIETE ENERGIA S/A, ARCPLAN SS Ltda, Florestal Maarin Ltda, KAWA Estratégias Sustentáveis Ltda, MADASCHI PERIGO E SOUZA LTDA, Mudas Florestais Camará, Nativus Sementes, Sig Ambiental, Sucupira Agroflorestal, Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Fundação SOS Mata Atlântica, IBAM - Instituto Bem Ambiental, Instituto ÇaraKura, IIS - Instituto Internacional para Sustentabilidade, ISA - Instituto Socioambiental, Mater Natura - Instituto de Estudos Ambientais, TNC - Instituto de Conservação Ambiental The Nature Conservancy Brasil, WeForest e WRI Brasil.
 
A restauração florestal traz vários benefícios para a biodiversidade e para a sociedade, entre eles: o aumento de conectividade entre os remanescentes florestais, viabilizando a troca genética e assim a proteção da biodiversidade; a regulação do clima e a mitigação dos efeitos de gases estufa; a proteção hídrica por meio das matas ciliares que filtram sedimentos e poluentes; a proteção do solo, minimizando a erosão e a sua degradação; além de garantir o fornecimento de diversos produtos, como madeiras, plantas medicinais e outros.

Protestos pedem mais ações para conter mudanças climáticas


Meio Ambiente

Protestos pedem mais ações para conter mudanças climáticas

Nova mobilização do movimento Greve pelo Futuro reuniu milhares de pessoas em Berlim, Varsóvia, Lisboa, Tóquio e Johanesburgo. Na França, manifestantes tentaram bloquear depósito do site Amazon.
Deutschland Klimaprotest Fridays for Future in Berlin (Reuters/H. Hanschke) Milhares de manifestantes se reuniram em frente ao Portão de Brandemburgo, em Berlim

Milhares de manifestantes pelo mundo saíram às ruas nesta sexta-feira (29/11) para exigir que líderes políticos adotem medidas concretas para combater o aquecimento global. O movimento ocorre três dias antes do início da Conferência sobre as Mudanças Climática (COP25) em Madri.  A mobilização mundial foi iniciada pelo movimento Greve pelo Futuro (Fridays for Future) e, segundo os organizadores, ocorreu em 2.400 cidades em 157 países.

Na Alemanha, o movimento levou às ruas habitantes de 500 cidades. Os organizadores calcularam que 100 mil pessoas aderiram aos protestos. Dezenas de milhares de estudantes concentraram-se em frente do Portão de Brandemburgo, em Berlim.

Ainda na capital alemã, cerca de duas dúzias de ativistas ambientais saltaram para as águas geladas do rio Spree em frente à sede do Bundestag (Câmara baixa do Parlamento) para protestar contra o pacote climático do governo alemão. Eles afirmaram que o conjunto de medidas não é suficiente para reduzir os gases que provocam o efeito de estufa no país. Parte do pacote foi bloqueado hoje pelo Bundesrat (Câmara alta do parlamento), que representa os 16 estados do país, por divergências sobre quem vai financiar algumas das medidas.
Alguns manifestantes em Berlim pularam nas águas geladas do rio Spree Alguns manifestantes em Berlim pularam nas águas geladas do rio Spree, em frente à sede do Bundestag

Os primeiros protestos do dia foram registrados na Austrália, onde pessoas afetadas recentemente pelos devastadores incêndios florestais que atingiram o país se juntaram a grupos de ambientalistas para protestar contra o governo, que é acusado de favorecer a energia fóssil.

A jovem ativista Greta Thunberg, que deu início ao movimento em 2018, não participou diretamente hoje. Ela ainda está atravessando o Atlântico num veleiro para participar da Conferência em Madri. A COP25 estava prevista para ocorrer originalmente no Chile, mas foi transferidapara a Espanha depois da eclosão de protestos no país sul-americano. Ela esperava chegar a tempo de participar dos protestos em Lisboa, mas a viagem foi atrasada pelo mau tempo no oceano.

À distância, Greta publicou uma mensagem de apoio aos manifestantes. "Todos são necessários. Todos são bem-vindos. Junte-se a nós", escreveu no Twitter.

Outras manifestações foram registradas na Coreia do Sul, na Polônia, na Inglaterra, na Turquia, na Itália, na Espanha, na França e em Portugal. Na África do Sul, manifestantes empunharam cartazes a com frases como "parem a poluição agora" em frente à bolsa de valores Johanesburgo.
Manifestantes em Turim, na Itália, com uma faixa com o slogan: “Não há um planeta B” Manifestantes em Turim, na Itália, com uma faixa com o slogan: “Não há um planeta B”

No Japão, centenas de pessoas protestaram no distrito de Shinjuku, em Tóquio, para demonstrar seu apoio ao movimento. Em Varsóvia, na Polônia, ativistas, alguns usando máscaras de gás, estenderam faixas com os dizeres: "Salve nosso planeta" e "Polônia sem carvão em 2030".
Já na França, ativistas protestaram em sedes da empresa Amazon para protestar contra o mega evento anual de compras da Black Friday, que foi acusado de agravar o consumismo desenfreado e aumentar a pressão sobre os recursos do planeta.

Algumas dezenas de manifestantes fizeram uma manifestação ao amanhecer em frente a um prédio administrativo da Amazon em Paris, segurando placas como "Não à Amazon e ao seu mundo". Outros ativistas em Lyon foram mais longe e tentaram bloquear o acesso a um centro de logística da empresa nos arredores da cidade. A polícia agarrou e arrastou vários manifestantes para liberar o acesso.

Na Nigéria, vários jovens marcharam em Lagos com mensagens como "Não há Planeta B" e "Parem de negar que a Terra está morrendo" enquanto veículos que passavam buzinavam, em apoio.
JPS/lusa/ap/dpa
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Brasil está entre países com piores políticas climáticas, diz índice

Meio ambiente

Brasil está entre países com piores políticas climáticas, diz índice

Apesar de subir uma posição no Índice de Desempenho perante as Mudanças Climáticas em relação ao ano passado, país deixa a desejar em termos de políticas ambientais. EUA são apontados como grandes vilões do clima.
Área desmatada perto de Porto Velho, em agosto de 2019 "Especialistas estão preocupados com as taxas de desmatamento e com os extensos incêndios florestais na Amazônia", diz relatório

O Índice de Desempenho perante as Mudanças Climáticas (CCPI, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira (10/12) pelo Instituto NewClimate, pela ONG Germanwatch e pela rede Climate Action Network, destaca as economias com a maior intensidade de emissões de gases poluentes do mundo e indica quem está trabalhando mais em termos de proteção climática.

O estudo analisou e comparou os progressos feitos em prol da meta estabelecida pelo Acordo de Paris, de manter o aquecimento global abaixo de 2°C, em 57 países, além da União Europeia (UE) como um bloco. Juntos, esses Estados são responsáveis por mais de 90% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Os países foram classificados em quatro áreas: emissões de gases de efeito estufa, parcela de energia gerada por fontes renováveis, consumo de energia per capita e política atual e climática.
Apesar de ter avançado uma posição no ranking em relação ao ano passado, passando do 22º para o 21º lugar, na classificação geral, o Brasil aparece com desempenho "médio" em relação à proteção climática.

Em termos de energia renovável, o desempenho do país foi classificado como "alto". Com mais de 70% de sua energia proveniente de hidrelétricas, o Brasil foi o líder mundial nessa área.

No entanto, o país ficou entre os últimos colocados (em termos de política climática. O relatório do CCPI aponta que, o Brasil tem uma parcela comparativamente alta de energias renováveis, mas falta planejamento para expandir essas fontes de energia.

Além disso, "especialistas apontam para a para a falta de políticas de redução de emissões no longo prazo e para a eliminação progressiva dos subsídios aos combustíveis fósseis", diz o texto.

"Especialistas estão preocupados com as taxas de desmatamento, as mais altas da última década, e com os extensos incêndios florestais na Amazônia, enquanto o governo do presidente Bolsonaro cortou o orçamento da agência ambiental de prevenção de incêndios", prossegue o relatório.
Infografik Klimaschutzranking PT
Assim como o Brasil, os Estados Unidos tiveram sua política climática avaliada como "muito baixa". Se houvesse uma segunda divisão para a ação climática, o país seria rebaixado imediatamente. Já em declínio no ranking de 2018, o país chegou neste ano ao fim da tabela.

"A política de proteção climática está em retrocesso", disse Höhne sobre os EUA. Sob o presidente Donald Trump, muitas regras ambientais foram descartadas e Washington deverá deixar o Acordo de Paris no próximo ano. O consumo energético per capita no país é mais que o dobro do da UE e dez vezes maior que o da Índia.

Além de Brasil e Estados Unidos, aparecem nas piores colocações em termos de política climática: Malta, República Tcheca, Hungria, Romênia, Polônia, Japão, Argélia, Bulgária, Turquia e Austrália.

Suécia no topo do ranking
Os cientistas envolvidos no estudo concordam que, até o final deste século, a temperatura do planeta deve ficar pelo menos 3°C mais alta do que era antes da Revolução Industrial – a menos que sejam reduzidas drasticamente e rapidamente as emissões de CO2 produzidas pelo ser humano.

Até agora, há pouco sinal disso, de acordo com o índice divulgado nesta terça. "Tradicionalmente, o índice de proteção climática deixa em aberto os três primeiros lugares", disse à DW Niklas Höhne, um dos autores do relatório. "E eles não foram ocupados novamente este ano, porque nenhum país fez o suficiente para cumprir o acordo climático."

Com nenhum país considerado digno de ouro, prata ou bronze, a Suécia ficou em quarto lugar no ranking. A nação nórdica obteve boa classificação em termos de política, na meta de alcançar o fornecimento de 100% de energia renovável até 2040 e no imposto mais elevado sobre emissões de carbono do mundo, com 114 euros por tonelada. Em comparação, a Alemanha planeja introduzir um imposto de 10 euros por tonelada de carbono emitido em 2021.

Atrás da Suécia, Dinamarca e Marrocos ficaram em quinto e sexto lugares. A Alemanha ocupou o 23º lugar. Atualmente, o maior perdedor climático da Europa foi a Polônia, em 50º lugar. A China subiu no ranking em relação ao ano passado, mas ainda está na metade inferior da tabela, na 30ª posição.

Um movimento sutil na direção certa
As emissões totais estiveram caindo em mais da metade dos Estados analisados, "particularmente os países industrializados menores e aqueles em desenvolvimento", disse à DW Ursula Hagen, coautora do relatório. "Esse é um aspecto positivo e nos dá esperança de uma reviravolta."

"Vemos movimentos sutis na direção certa", afirmou Höhne. Mas as maiores economias industrializadas do mundo, que fazem parte do G20, "infelizmente ainda estão com um desempenho muito ruim". "Mais da metade do G20 está na metade inferior do índice", apontou.

Logo atrás de seu vizinho nórdico, a vice-campeã Dinamarca é um país pequeno com grande pontuação em política climática. O objetivo é reduzir 70% de suas emissões de CO2 até 2030, quando planeja eliminar gradualmente o carvão.

O Marrocos também impressionou os pesquisadores. Já em 2015, ele se tornou um dos poucos países em todo o mundo a começar a cortar subsídios aos fornecedores de energia fóssil, diz o estudo. Também ganhou pontos pelo baixo consumo energético e pelo desenvolvimento de energia renovável, que deverá suprir 52% de sua demanda até 2030.

Neste ano, pela primeira vez, a Índia ficou entre os dez primeiros do índice de proteção climática, obtendo notas altas pelo consumo relativamente baixo de energia per capita e – ao contrário dos EUA e da Europa – pelas baixas emissões de gases de efeito estufa. A Índia também investiu pesado em energias renováveis, que deverão fornecer 40% de sua demanda até 2030. "Acho algo extremamente impressionante para um país nesse nível de desenvolvimento", afirmou Höhne.

Pontos foram retirados, no entanto, pelos planos da Índia de construir novas termelétricas a carvão, a fim de atender parte do restante de sua crescente demanda por energia.

"Em minha opinião, cabe à comunidade internacional ajudar a Índia a evitar esse desenvolvimento, mudando, em vez disso, para fontes alternativas de energia", acrescentou Höhne.

Europa e Alemanha precisam levar a sério
O relatório saudou os apelos da nova presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no sentido de que a União Europeia eleve suas metas de redução de emissões para 2030 de 40% para 55%.

"Essas metas são a razão pela qual atribuímos à UE uma boa classificação em política climática", observou Ursula Hagen. "Assim como o objetivo de neutralidade climática até 2050, isso agora deve ser alcançado com medidas concretas. Até agora, há pouca ou nenhuma estratégia de fato."

Atualmente, a UE não está a caminho de alcançar as metas climáticas de Paris. Nem a Alemanha, cuja política climática Hagen descreve como "inexpressiva" e "incompatível" com o Acordo de Paris.
Höhne descreveu o pacote de política climática adotado recentemente pela Alemanha como "um passo na direção certa, mas muito pequeno", acrescentando que o país precisaria de "um compromisso claro com a neutralidade climática". Até lá, ele ocupará uma posição mediana no índice, bem longe de um dos lugares vazios no pódio dos vencedores.

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Teste da Anvisa encontra agrotóxicos acima do permitido em alimentos

Teste da Anvisa encontra agrotóxicos acima do permitido em alimentos

A agência encontrou resíduos que foram usados de forma equivocada em 23% das amostras de alimentos avaliadas entre 2017 e o ano passado no Brasil

Teste da Anvisa encontra agrotóxicos acima do permitido em alimentos
Notícias ao Minuto Brasil
11/12/19 07:00 ‧ Há 2 mins por Estadao Conteudo
Brasil Alerta!
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) encontrou resíduos de agrotóxicos em níveis acima do permitido ou usados de forma equivocada em 23% das amostras de alimentos avaliadas entre 2017 e o ano passado no Brasil. Os resultados são parte do Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos e foram divulgados nesta terça-feira, 10.

Conforme a Anvisa, no entanto, os resultados estão dentro do esperado e não há motivo para alarde.

Os alimentos são seguros para consumo. "Não há nenhum alarde, os alimentos são seguros, dentro do que esperávamos", afirmou o diretor-adjunto da Anvisa, Bruno Rios, durante a divulgação do levantamento.

Nas amostras em que foram encontradas inconformidades, 17,3% tinham resíduos de ingredientes ativos não permitidos para aquela cultura. Outros 2,3% tinham ingredientes ativos acima do limite permitido. Segundo o levantamento, 0,5% apresentaram ingrediente ativo de uso proibido no País. E 2,9% tinham mais de um tipo de inconformidade.

A agência também checou o risco à saúde representado por tais alimentos segundo dois critérios: agudo ou crônico. Das amostras analisadas, apenas 0,89% apresentaram potencial de risco agudo. Ou seja, seriam capazes de causar reações como dor de cabeça e náusea num período de 24 horas. Não foi constatado risco de problemas crônicos em nenhuma amostra.

Na rodada anterior do levantamento, referente a 2013 e 2015, o porcentual de amostras consideradas insatisfatórias foi um pouco mais baixo, 19,7%. A Anvisa informa, no entanto, que não é possível comparar os dois levantamentos, porque a metodologia da pesquisa foi alterada desde a última edição.

A Anvisa avaliou 4.616 amostras de 14 legumes, cereais e frutas encontrados em supermercados de 77 municípios de todo o Brasil. Foram testados 270 diferentes agrotóxicos em amostras de abacaxi, alface, arroz, alho, batata-doce, beterraba, cenoura, chuchu, goiaba, laranja, manga, pimentão, tomate e uva. Esses alimentos equivalem a cerca de 30% da dieta vegetal dos brasileiros.

O levantamento constatou que 77% das amostras estavam dentro dos padrões. Metade delas não apresentava nenhum resquício de agrotóxico. A Anvisa sugeriu que o consumidor lave e esfregue com bucha os alimentos antes de consumi-los e que dê preferência àqueles cuja procedência é informada. Outra recomendação é optar sempre por produtos da estação.

Estudo mostra que não há dose segura de uso do produto
Uma análise de dez agrotóxicos de largo uso no País encomendada pelo Ministério da Saúde e realizada pelo Instituto Butantã revela que os pesticidas são extremamente tóxicos ao meio ambiente e à vida em qualquer concentração - mesmo quando utilizados em dosagens equivalentes a até um trigésimo do recomendado pela Anvisa.

Para esse trabalho, os cientistas usaram a Plataforma Zebrafish - que usa a metodologia considerada de referência mundial para testar toxinas presentes na água, com os peixes-zebra (Danio rerio). Eles são 70% similares geneticamente aos humanos, têm ciclo de vida curto (fácil de acompanhar todos os estágios) e são transparentes (é possível ver o que acontece em todo o organismo do animal em tempo real).

Os pesquisadores testaram a toxicidade de dez pesticidas largamente utilizados no País. São eles: abamectina, acefato, alfacipermetrina, bendiocarb, carbofurano, diazinon, etofenprox, glifosato, malathion e piripoxifem. As substâncias são genéricas, usadas em diversas formulações comerciais.

Pantanal é o alvo do novo desastre ambiental no Brasil


Brasil

Pantanal é o alvo do novo desastre ambiental no Brasil

Bioma enfrenta os piores incêndios dos últimos anos, porém, não atrai a mesma visibilidade que as queimadas na Amazônia. Em meio à situação crítica, Bolsonaro libera plantio de cana-de-açúcar em ambas as regiões.
Brasilien Pantanal Waldbrände (AFP/Mato Grosso do Sul State Government) Ambientalistas falam em 1,5 milhão de hectares queimados no Pantanal

No Brasil, novamente um bioma está em chamas. Depois das queimadas de grande proporção na Amazônia terem chocado o mundo em agosto e setembro, agora é a vez do Pantanal. A maior planície alagada do planeta está entregue ao fogo.

Só na região das cidades de Corumbá e Miranda, no Mato Grosso do Sul, o fogo consumiu, nos últimos dias, uma área de 122 mil hectares, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Mas, ao contrário da Amazônia, as queimadas ali estão longe dos holofotes da mídia.

"Agora, a chuva deu uma amenizada, diminuindo os incêndios. Mas há regiões onde ainda não choveu que estão queimando neste momento", conta Felipe Dias, diretor-executivo da ONG ambiental Instituto SOS Pantanal, em Campo Grande.

Neste ano, os incêndios no Pantanal alcançaram cifras nunca antes vistas. O número de focos de calor (temperatura acima de 47°C) – indícios de queimadas – aumentaram quase 100% em relação à média dos últimos dez anos. Já são mais de 8 mil incêndios registrados. O governo do Mato Grosso do Sul estimou a área total destruída em 1,3 milhão de hectares e decretou estado de emergência.

Dias trabalha com números ainda maiores. Ele estima que, desde agosto, o fogo já consumiu 1,5 milhão de hectares. "Ter incêndios é normal. Mas anormal foi a proporção e a quantidade de área queimada." Um dos motivos, segundo o ambientalista, foi a estiagem extrema deste ano. Em 2018, com as muitas chuvas, muita biomassa se acumulou no bioma, e esta está queimando agora.

Em alguns casos, foram raios que causaram incêndios na planície alagada. "No Pantanal, o fogo é uma coisa que acontece até naturalmente. Há uma resiliência da própria vegetação a esses incêndios", relata Dias. "Mas neste ano, a quantidade foi extremamente fora do contexto."

O ambientalista atribui parte dos incêndios à situação nos outros dois países que fazem parte do bioma. Houve queimadas provenientes de Estados vizinhos, migrando da Bolívia e do Paraguai para o Pantanal brasileiro.
Brände im Amazonas-Gebiet (Getty Images/AFP/A. Raldes) Incêndios em países vizinhos, como aqui na Bolívia, se alastraram para Pantanal brasileiro

"Os incêndios naturais não acontecem nessa escala", avalia Carlos Rittl do Observatório do Clima.

"A maior parte deles é fogo colocado por fazendeiros ou decorrente de outras ações humanas, e faz meses que o Pantanal enfrenta incêndios em maior número. Mas isso tem menos visibilidade do que na Amazônia. Só que a situação é muito, muito grave agora", acrescenta.

Rittl atribui a falta de visibilidade do Pantanal às enormes dimensões da Amazônia. Por essa região ter uma biodiversidade maior, como também mais desmatamento e mais incêndios, a Amazônia costuma se tornar sempre manchete.

A falta de visibilidade não só atinge a cobertura da imprensa, mas, também, as ações do governo, avalia Dias. "O governo não está muito preocupado. O Pantanal é uma região que poucas pessoas conhecem e acaba se dando menos valor a esse ambiente. A reação do governo federal aos incêndios foi um pouco demorada. É preciso ainda uma política de controle preventivo, e o governo deveria contribuir com isso."

Rittl concorda que o grande número de queimadas tem relação com o atual governo. "É reflexo do discurso de tolerância perante crimes, e que a legislação seria mudada, que um incêndio ilegal não será punido. A cada hora, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, estão se encontrando com aqueles que cometem crimes ambientais, seja na Amazônia, seja no garimpo, e sempre criam expectativa de que aquilo que é ilegal vai ser legalizado. Existe essa impressão de que este governo permitirá tudo", aponta.

Pantanal e Amazônia
Enquanto o Pantanal vive momentos de muita apreensão devido ao grande número de incêndios, a situação na Amazônia se acalmou. Entre os dias 24 de agosto e 24 de outubro, cerca de dez mil militares combateram os incêndios na Região Amazônica. A ação contribuiu para a queda nos atuais números de queimadas.

"Na Amazônia, a situação mudou quando se tornou um escândalo internacional e passou a virar notícia ruim para o agronegócio no Brasil", lembra Rittl. "Foi também nesse momento que o governo resolveu mandar as forças militares para combater os incêndios. Isso não aconteceu no Pantanal." Segundo o pesquisador, a menor visibilidade do bioma contribui para que as pessoas se sintam à vontade para colocar fogo e cometer crimes.

Para Dias, o bioma merecia um esforço maior de preservação. "O Pantanal é um ambiente singular, extremamente diferente de tudo, com uma biodiversidade menor que a da Amazônia, mas com um diferencial: na Amazônia, os animais não são facilmente visíveis como no Pantanal. O potencial para o turismo é extremamente grande."

O Pantanal ainda é um paraíso natural, conclui Dias, apontando que 83% da vegetação nativa está preservada.

Mas esse ambiente poderá sofrer grandes transformações em breve. "Haverá mudanças na legislação de zoneamento agroecológico para cana-de-açúcar no Brasil, que afetarão também o Pantanal. Além disso, a pecuária é outro vetor importante do desenvolvimento econômico na região", alerta Rittl.
Ernte Zuckerrohr in Brasilien (AP) Liberação do plantio de cana-de-açúcar é outra ameaça para o Pantanal

As mudanças mencionadas por Rittl foram alavancadas nesta semana por Bolsonaro. Na última quarta-feira (06/11), o presidente revogou o decreto que proibia o cultivo da cana-de-açúcar em áreas sensíveis do país, como a Amazônia e o Pantanal.

O decreto havia sido aprovado em setembro de 2009, durante o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o intuito de regulamentar a expansão sem controle do cultivo da cana de açúcar para produção de etanol em áreas de vegetação nativa.

A iniciativa de Bolsonaro foi condenada pelo ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, um dos iniciadores do decreto. Segundo ele, a decisão do presidente "mancha" a imagem do etanol no mercado mundial.

"O decreto que [Bolsonaro] revogou foi a maior vitória que obtive no Ministério do Meio Ambiente em defesa do Pantanal e da Amazônia contra a expansão descontrolada da cana de açúcar. É incrível!!!", escreveu o ex-ministro em sua conta no Twitter.

Os impactos da liberação da cana na Amazônia e no Pantanal

Mulher corta cana-de-açúcar em plantação em Guariba, no estado de São Paulo O cultivo de cana para etanol se concentra atualmente na região Centro-Sul do país, sobretudo no Sudeste

Bolsonaro revogou um decreto de 2009 que impedia a expansão da cana-de-açúcar para áreas sensíveis. Enquanto indústria minimiza efeitos da medida, especialistas expressam preocupação com impactos ambientais e econômicos.

O governo federal revogou, na semana passada, um decreto de 2009 que estabelecia o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar e impedia a expansão do cultivo para áreas sensíveis. A decisão gerou preocupação pelos possíveis efeitos em biomas como a Amazônia e o Pantanal, mas também pelo viés econômico, já que esse mecanismo de proteção ambiental impulsionou a aceitação do etanol de cana brasileiro no mercado internacional.

Sob o decreto extinto em 6 de novembro, havia sido delimitada uma área de 64 milhões de hectares como apropriada para o plantio de cana-de-açúcar, correspondente a 7,5% da superfície do país e quase oito vezes maior que a atual área plantada para fins energéticos.

O cultivo de cana para etanol se concentra atualmente na região Centro-Sul do país, sobretudo no Sudeste. A área ocupada para essa finalidade na Amazônia corresponde a apenas 144 mil hectares, 1,5% do total permitido, concentrada no sul do Mato Grosso.

Especialistas apontam que a Amazônia e o Pantanal, biomas protegidos pelo zoneamento, não apresentam condições favoráveis para o desenvolvimento da cana-de-açúcar.

Em artigo publicado na revista Science, principal periódico científico internacional, os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Lucas Ferrante e Philip Fearnside esmiuçaram os possíveis efeitos ambientais do fim do zoneamento da cana.

O texto chamava atenção para o chamado efeito de borda desse cultivo. Mesmo que realizado em áreas degradadas, seus danos podem se estender por até um quilômetro dentro de áreas florestais adjacentes aos locais de produção, com impactos negativos sobre a flora e a fauna.

Com base no que se observou pela expansão da soja, que substituiu pastagens e outros cultivos, os cientistas também alertaram para o potencial risco de desmatamento, visto que, com a chegada da cana, a pecuária e outras atividades seriam deslocadas para outras áreas. Sendo a Amazônia a última fronteira agrícola do país, o avanço se daria sobre o bioma.

O artigo foi publicado na Science em março do ano passado, mesmo mês em que o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) apresentou um projeto de lei que visava a liberação do cultivo na Amazônia. À época, a própria União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) se posicionou contra a medida.
Na ocasião, a entidade manifestou preocupação com o impacto que o fim do zoneamento poderia ter sobre a imagem do etanol no exterior, já que o decreto de 2009 era tido como um selo de sustentabilidade da produção brasileira.

Agora, nesta nova etapa do debate, o setor reviu sua posição. Segundo o novo entendimento da Unica, a salvaguarda oferecida pelo decreto já é contemplada no Código Florestal de 2012 e nas exigências de desmatamento zero do programa RenovaBio – política instituída em 2018 e que visa aumentar a produção e consumo de biocombustíveis no Brasil a fim de cumprir os objetivos ambientais do Acordo de Paris até 2030.

"A revogação do zoneamento em nada vai mudar as práticas sustentáveis do setor. É prioridade para as empresas representadas pela Unica seguir os altos padrões de sustentabilidade exigidos por nossos compradores", garante Evandro Gussi, presidente da organização.

"Da parte das empresas associadas à Unica, nada muda. Continuaremos produzindo na região Centro-Sul, a mais de 2 mil quilômetros do bioma Amazônia, preservando a mata e os recursos hídricos dentro de nossas propriedades, em linha com o estipulado pelo RenovaBio e as demais leis."
A linha de argumentação é a mesma adotada pelo Ministério da Agricultura (Mapa), que associou a medida ao objetivo de desburocratizar e simplificar o plantio de cana-de-açúcar.

No final de agosto, quando a Amazônia registrou uma grave onda de queimadas, o presidente Jair Bolsonaro chegou a falar que atenderia a um pedido da ministra Tereza Cristina para ampliar as áreas de plantio e que estava ciente da possibilidade de haver uma repercussão negativa.

"Medida beneficia 1,5% da produção e coloca em risco 98,5%"

Dadas as condições desfavoráveis para a cana na Amazônia, a adoção da medida gerou inquietação entre especialistas. Entre eles, Raoni Rajão, professor associado de Gestão Ambiental e Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

"A partir do momento que você vincula a cadeia da cana-de-açúcar com o desmatamento na Amazônia – mesmo que seja, inicialmente, uma percentagem pequena ­–, a cadeia é poluída e exposta a pressões que não existiam anteriormente. Você beneficia 1,5% da produção de cana e coloca em risco 98,5%. Não faz sentido, do ponto de vista econômico", avalia.

"Como o Brasil está competindo, nesse caso, com o etanol de milho dos Estados Unidos, isso certamente nos coloca em uma situação mais frágil ante alguns mercados. O mesmo ocorre com o açúcar, que concorre com o de beterraba europeu e de milho dos Estados Unidos", complementa.
Rajão, que já atuou como consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), lembra que o fim do zoneamento implica a revogação dos pressupostos pelos quais a União Europeia (UE) calculou a cota de exportação sul-americana de etanol para o bloco europeu nas tratativas do Acordo de Paris.

O pesquisador aponta fragilidades nos argumentos do governo e do setor sucroalcooleiro. Embora reconheça a importância do RenovaBio, Rajão lembra que a adesão ao programa é voluntária.
Além disso, as exigências do programa recaem sobre a produção, e não sobre o imóvel rural como um todo. Ou seja, é possível que um produtor desmate ilegalmente desde que preserve a área destinada ao etanol.

"Caso haja uma grande expansão ilegal da cana na Amazônia, daqui a dois ou cinco anos, bastará uma canetada muito simples do ministro para permitir que essas áreas possam vender e obter crédito do RenovaBio, o que expõe a fragilidade desse instrumento. Finalmente, se o setor não quer expandir a cana na Amazônia, por que o decreto foi revogado?", indaga o pesquisador.

A medida também é questionada por Luiz Augusto Horta, coordenador do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen) e consultor em assuntos energéticos para a Comissão Econômica das Nações Unidas para América Latina e Caribe (Cepal).

O cientista acredita que os mecanismos previstos no Código Florestal e no RenovaBio serão eficazes para restringir a expansão dos canaviais em áreas sensíveis. Porém, lembra que o zoneamento foi elaborado sob diversos critérios após estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que levaram em conta clima, solo, topografia, outros usos e áreas protegidas.

"Não conheço estudos revisando esses critérios e tampouco há necessidade de novas fronteiras para a cultura da cana. Considero essa medida inadequada, principalmente na forma intempestiva e pouco articulada em que foi decidida", avalia Horta.

"Se existem fundamentos para que novas áreas sejam abertas, o Mapa deveria ter apresentado seus estudos e resultados, eventualmente ajustando o zoneamento, que foi um sinalizador importante para o mercado global dos requisitos de sustentabilidade na expansão da cultura da cana."
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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

COP 25: Conheça cinco destaques da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática

COP 25: Conheça cinco destaques da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática
BR

Pnud Mauritania/Freya Morales
 
Mundo já está 1.1ºC mais quente do que no início da revolução industrial.
30 novembro 2019
 
Encontro começa em 2 de dezembro, em Madri, na Espanha; níveis de gases de efeito estufa na atmosfera alcançaram uma nova alta recorde; se as tendências atuais persistirem, temperaturas globais podem subir de 3.4 a 3.9ºC ainda neste século.

As mudanças climáticas são uma realidade. O mundo já está 1.1ºC mais quente do que no início da revolução industrial. E isso tem um impacto importante no globo e na vida das pessoas. E se as tendências atuais persistirem, as temperaturas globais podem subir de 3.4 a 3.9ºC ainda neste século. Este cenário causaria impactos destrutivos sobre o meio ambiente.

Este alerta parte da comunidade internacional pouco antes da Conferência da ONU sobre o Clima, COP 25, que começa em 2 de dezembro, em Madri, na Espanha. Apenas dois meses antes do evento, o secretário-geral da ONU convocou o Encontro de Cúpula sobre Ação Climática, em Nova Iorque, para chamar a atenção de líderes internacionais sobre a gravidade da situação. Mas o que esperar da COP 25?

1.  Acaba de acontecer a Cimeira de Ação Climática em Nova Iorque. Qual a diferença para a COP 25?

O Encontro de Cúpula em setembro foi uma iniciativa do secretário-geral da ONU, António Guterres. O foco era a atenção da comunidade internacional sobre a emergência do clima e sobre acelerar ações para reverter a mudança climática. A COP 25, realizada em Madri, é a Conferência das Partes da Convenção sobre Mudança Climática, UNFCCC, que tem como alvo assegurar que a Convenção (e agora o Acordo de Paris 2015), que reforça a Convenção sejam implementados.



2. Mas por que tanta atenção da ONU no clima?

Existem mais provas dos impactos da mudança climática, especialmente em eventos extremos de temperatura, e esses impactos estão cobrando um preço ainda mais alto.  A ciência mostra que as emissões (de dióxido de carbono) estão subindo e não baixando.  

De acordo com o relatório da Organização Mundial de Meteorologia 2019, os níveis de gases de efeito estufa na atmosfera alcançaram uma nova alta recorde.  Estas tendências a longo prazo e contínuas indicam que as gerações futuras serão confrontadas com um aumento severo de impactos incluindo a subida de temperaturas, padrões meteorológicos mais extremos,  escassez de água e subida no nível do mar além da ruptura dos ecossistemas marinhos e terrestres.

A agência Meio Ambiente da ONU, Pnuma, alertou em seu relatório de 2019, que as emissões de gases que causam o efeito estufa teriam de ser reduzidas numa média de 7,6 por cento ao ano de 2020 a 2030.  Somente assim, o mundo poderia alcançar a meta de 1.5°C de aumento das temperaturas sobre níveis pré-industriais.  Os cientistas concordam que esta é uma meta ambiciosa, e que as chances de alcançá-la estão diminuindo.


Um fazendeiro nas Filipinas inspeciona sua colheita de arroz após uma enchente. Prevê-se um aumento das inundações devido às mudanças climáticas. Foto: Banco Mundial/Nonie Reyes

3. O que o Encontro de Cúpula sobre o Clima, em setembro, conseguiu?

O encontro serviu como uma espécie de trampolim para os prazos cruciais de 2020, que foram estabelecidos no Acordo de Paris sobre mudança climática. A Cimeira também ajudou a chamar a atenção do mundo para a emergência do clima e a necessidade urgente de aumentar as ações de mitigação por parte dos governos e do setor privado. E os líderes internacionais, de muitos países, demonstraram com ações o apoio ao apelo.

Mais de 70 nações se comprometeram com uma de zero emissão de carbono até 2050. Mesmo que os grandes emissores de CO2 não tenham feito seus compromissos ainda. Mais de 100 cidades também anunciaram suas medidas incluindo várias das maiores capitais do globo.

Pequenos Estados-Ilhas juntaram-se para alcançar neutralidade em carbono e a direcionarem-se 100% para a energia renovável até 2030. E países do Paquistão à Guatemala, da Colômbia à Nigéria, da Nova Zelândia a Barbados prometeram plantar mais de 11 bilhões de árvores.

Mais de 100 líderes do setor privado comprometeram-se a acelerar ações na economia verde.  Um grupo dos maiores proprietários de ativos do mundo, que controlam US$ 2 trilhões, anunciaram que vão partir para investimentos e carteiras de neutralidade em carbono até 2050. A medida é adicional ao chamado recente de gerentes de ativos que concentram US$ 34 trilhões, ou quase metade do capital investido, para que os líderes globais atribuam um preço significante ao carbono e eliminem os subsídios fósseis e o poder do carvão térmico em todo o mundo.


Crianças no Chade plantam uma árvore de acácia. Foto: Pnud Chad/Jean Damascene Hakuzim

4. Espere: Pnuma, OMM, Ipcc, Unfccc, COP por que tantos acrônimos e siglas?

É verdade que a ONU é um local de muitas siglas. Todas elas representam as ferramentas internacionais e agência que, sob a liderança da ONU, foram criadas para ajudar a avançar com o tema da ação climática, em nível global. E mostramos aqui como elas se coordenam e cooperam nesta mesma luta.

O Pnuma é o Programa da ONU para o Meio Ambiente, a agência líder e uma autoridade ambiental que estabelece a agenda do setor e serve como uma defensora para o meio ambiente global. A OMM é a Organização Mundial de Meteorologia, a agência da ONU para cooperação internacional em áreas como previsão da meteorologia, observação de mudanças no clima e o estudo dos recursos hídricos.

Em 1988, a Assembleia Geral da ONU pediu ao Pnuma e à OMM que estabelecessem um Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, IPCC, que é composto de centenas de especialistas  que avaliam os dados e fornecem evidência, com base científica, para ações de negociação climática.
Todas as três agências publicam relatórios que, nos anos recentes, têm frequentemente chegado às manchetes internacionais, à medida que a preocupação com o clima aumenta.

E sobre a Convenção Quadro sobre Mudança Climática, UNFCCC, o documento foi adotado em 1992 durante a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, no Brasil. Neste tratado, as nações concordaram em “estabilizar as concentrações de emissões de CO2 na atmosfera” para evitar uma interferência perigosa da atividade humana sobre o sistema climático.

Hoje, 197 países têm parte no tratado. Todos os anos, desde que entrou em vigor em 1994, a “conferência das  partes” ou COP é realizada para discutir o caminho adiante. A próxima COP começa em Madri, em 2 de dezembro.

5. E o que é importante sobre a COP?

O UNFCCC não tem poder vinculatório sobre as emissões de CO2 para países individualmente, e tampouco mecanismos de aplicação, várias extensões e renovações deste tratado foram negociadas durante as últimas COPS incluindo ao Acordo de Paris, adotado em 2015. Ali, todos os países acordaram em aumentar seus esforços para limitar o aquecimento global em 1.5ºC sobre os níveis de temperatura pré-industriais além de acelerar o financiamento da ação climática.

A COP25 será a última antes de o mundo entrar no ano determinante de 2020, quando muitas nações submeterão seus planos de ação climática. Dentre muitos elementos que precisam de um ajuste está o financiamento do clima em nível mundial.

Atualmente não tem sido feito o suficiente para alcançar os três objetivos do clima: redução de 45% das emissões de CO2 até 2030; alcançar a neutralidade em carbono até 2050 (o que representa uma pegada de zero carbono) e estabilização do aumento da temperatura global em 1.5% até o fim do século.

E porque o tempo não espera, e o relógio continua a correr quando o tema é mudança climática, o mundo não pode se dar ao luxo de perder mais tempo. É preciso acordar um caminho decisivo, ousado e ambicioso que gere os resultados necessários.

 

Na véspera da abertura da COP 25, Guterres alerta que “guerra contra a natureza deve parar”








Na véspera da abertura da COP 25, Guterres alerta que “guerra contra a natureza deve parar”
BR

Foto: Unfcc flickr
Chefe da ONU disse que a mensagem dele “é de esperança, não de desespero”.

1 dezembro 2019
Secretário-geral cita progressos na questão climática, mas diz que “falta vontade política”;  últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados; Conferência da ONU sobre o Clima inicia nesta segunda-feira em Madri, na Espanha.

Falando a jornalistas em Madri, na Espanha, um dia antes da abertura da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, COP 25, o secretário-geral disse que “por muitas décadas, a espécie humana tem estado em guerra com o planeta” e que agora,  “o planeta está revidando.”

António Guterres mencionou dados de um novo relatório sobre o estado do clima produzido pela Organização Mundial de Meteorologia, OMM, e que será divulgado durante a conferência. Ele destacou que de acordo com o estudo, “os últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados” e o “o nível do mar é o mais alto da história da humanidade.”


Biodiversidade

O chefe da ONU apontou que “a biodiversidade na terra e no mar está sob ataque severo” e que “desastres naturais relacionados ao clima estão se tornando mais frequentes, mais mortais, mais destrutivos, com crescentes custos humanos e financeiros.”

Guterres explicou que uma das dimensões  da COP 25 é relacionada às negociações entre os Estados-membros para a aprovação das linhas de diretrizes do artigo seis do Acordo de Paris. Mas para ele, o grande objetivo da conferência é outro.

"Nós vemos as tecnologias avançar numa boa direção, vemos as cidades. Vemos muitas empresas. O setor financeiro cada vez mais atento a ação climática. Mas falta vontade política. E os principais países emissores, embora tivéssemos tido 70 países em Nova Iorque, a concordar e a compromete-se com a neutralidade de carbono até 2050, os principais países emissores ainda não o fizeram. E se não fizerem, os nossos objetivos não são alcançáveis. Há portanto aqui, uma necessidade de aumentar a ambição. Uma necessidade de aumentar a responsabilidade coletiva e a COP 25 é uma oportunidade excelente para que essa responsabilidade possa ser exercida.”

Crise

António Guterres acrescentou que “as mudanças climáticas não são mais um problema de longo prazo” e que o mundo está “diante de uma crise climática global.” Ele destacou que “o ponto de não retorno não está mais no horizonte” e que este “está à vista e avançando”.

Local em Madri onde acontece a COP 25 até 13 de dezembro, by ifema feria de madrid
No entanto, o chefe da ONU disse que a mensagem dele  “é de esperança, não de desespero”.


Guterres disse que a “guerra contra a natureza deve parar” e que todos sabem “que isso é possível”.
Para isso, o secretário-geral diz que é preciso vontade política para colocar um preço no carbono, para interromper os subsídios aos combustíveis fósseis, parar de construir usinas de carvão a partir de 2020 e mudar a tributação da renda para a poluição do carbono.


Guterres disse que espera que a COP 25 seja uma “demonstração clara de maior ambição e comprometimento, mostrando responsabilidade e liderança.” Para ele, o mundo está num “buraco profundo” e cavando ainda mais e em breve,  este buraco “será muito profundo para escapar.”

 

A cada 5 segundos, mundo perde quantidade de solo equivalente a um campo de futebol

 

A cada 5 segundos, mundo perde quantidade de solo equivalente a um campo de futebol

BR

Pnud Chad/Jean Damascene Hakuzim
 
Nesta região junto do Lago Chade, o plantio de Acácias pode ajudar a recuperar solos degradados
5 dezembro 2019
 
Esta terça-feira, dia 5 de dezembro, marca o Dia Mundial do Solo; setor de uso da terra representa quase 25% do total de emissões globais de gases de efeito estufa.

A cada 5 segundos, o mundo perde uma quantidade de solo equivalente a um campo de futebol. No ritmo atual, mais de 90% de todos os solos da Terra podem ser degradados até 2050.

Esses são alguns dos fatos que as Nações Unidas estão destacando esta quinta-feira para marcar o Dia Mundial do Solo. O tema da campanha desse ano é “Pare a erosão do solo, salve nosso futuro”.

Campanha

Agricultores nas Filipinas, combatendo uso excessivo dos solos, Pnud Filipinas
 
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, “à medida que a população da Terra continua se expandindo, esse é um problema crescente.”

Com a campanha, a agência pretende envolver pessoas, governos e organizações de todo o mundo na proteção desse recurso. Segundo a FAO, “a fertilidade do solo continuará sendo afetada de forma negativa num ritmo alarmante, ameaçando a cadeia global de alimentos e a segurança alimentar.”

Causas

Vento, chuva e agricultura industrial aceleram a erosão do solo, mas a ONU diz que seus efeitos podem ser reduzidos antes que o mundo enfrente perdas calamitosas de produtividade agrícola e funções importantes de vários ecossistemas.

Atividades como lavoura, monocultura, pastoreio, expansão urbana, desmatamento e atividades industriais e de mineração podem cortar pela metade o rendimento dos solos.

A cobertura vegetal dos solos, incluindo arbustos, árvores e outros, pode reduzir a erosão do vento em mais de 80%. Também pode aumentar a capacidade de absorção de água, reduzindo a compactação do solo e impedindo a criação de ravinas que impedem o trabalho agrícola. Práticas reduzidas de agricultura ou plantio direto também são eficazes, especialmente em regiões mais secas.

Controle

Para muitos agricultores, as medidas de controle da erosão levam muito tempo a ter resultados. Além disso, seus impactos podem ocorrer muito longe dos locais degradados, quando o escoamento de águas com agroquímicos contamina fontes de água.

O setor de uso da terra representa quase 25% do total de emissões globais de gases de efeito estufa. A ONU enfatiza que a sua reabilitação e gestão sustentável é fundamental para combater as alterações climáticas.

Na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, a meta de número 15 estabelece o objetivo de deter e reverter a degradação da terra.

O Dia Mundial do Solo foi aprovado pela Assembleia Geral em 2013 e marcado, pela primeira vez, em 2014.

Moro autoriza envio da Força Nacional para terra indígena no Maranhão

Moro autoriza envio da Força Nacional para terra indígena no Maranhão

O ministério ainda vai definir o número de servidores enviados para a operação

Moro autoriza envio da Força Nacional para terra indígena no Maranhão
Notícias ao Minuto Brasil
09/12/19 18:15 ‧ Há 11 Horas por Estadao Conteudo
Justiça Índios
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, autorizou nesta segunda-feira, 9, o uso da Força Nacional de Segurança Pública para atuar na Terra Indígena Cana Brava Guajajara, no Maranhão, onde dois índios foram assassinados no último fim de semana após ataques a tiros.

O texto informa que o objetivo é apoiar o trabalho da Fundação Nacional do Índio (Funai) nas ações de segurança pública por 90 dias, a partir de 10 de dezembro. O prazo pode ser prorrogado caso seja necessário.

O ministério ainda vai definir o número de servidores enviados para a operação.

No domingo, 8, o secretário de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular em exercício no Maranhão, Jonata Galvão, afirmou que o governo federal deveria adotar medidas efetivas para proteger os territórios indígenas do Estado, e não agir apenas após os ataques acontecerem. "São só respostas reativas às barbaridades que têm acontecido. Queremos saber se o governo federal vai ficar reativo aos atentados ou se vai estruturar uma medida concreta e agir para combater esses crimes", disse.

"Não temos medidas efetivas do ponto de vista da proteção no âmbito federal dentro das terras indígenas no Estado do Maranhão. Os territórios indígenas no Brasil e no Maranhão estão pedindo socorro", disse Galvão à reportagem.

O caso
No início da tarde de sábado, 7, dois índios da etnia guajajara morreram após atentado a balas às margens da BR-226, no município de Jenipapo dos Vieiras, no Maranhão, 500 quilômetros ao sul da capital São Luís. Segundo a Funai, os indígenas foram atingidos por tiros disparados por ocupantes de um veículo Celta, de cor branca e com vidros espelhados.

Antes, em 1º de novembro, Paulo Paulino Guajajara foi morto em uma emboscada na Terra Indígena Arariboia (MA) quando realizava uma ronda contra invasões.

Repercussão internacional
O caso ganhou projeção internacional. A jovem sueca Greta Thunberg, ativista contra os efeitos das mudanças climáticas, criticou o ataque e disse que os povos indígenas do Brasil estão sendo atacados por proteger as reservas naturais. "Os povos indígenas estão sendo literalmente assassinados por tentar proteger as florestas do desmatamento. Repetidamente. É vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso".

Presidente da Comissão Europeia apresenta pacto para o clima

Presidente da Comissão Europeia apresenta pacto para o clima

Para a líder do executivo comunitário, a proteção do clima "é uma questão existencial, tanto para a Europa como para o resto do mundo".

Presidente da Comissão Europeia apresenta pacto para o clima
Notícias ao Minuto Brasil
09/12/19 15:30 ‧ Há 13 Horas por Notícias ao Minuto Brasil
Mundo Comissão Europeia
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, vai apresentar na quarta-feira o "Pacto Ecológico Europeu", uma das bandeiras do seu mandato, durante uma sessão extraordinária do Parlamento Europeu (PE), em Bruxelas.

O objetivo do pacto ecológico é que a União Europeia (UE) assuma a liderança mundial no combate às alterações climáticas e fixe os padrões globais para uma transição energética justa e inclusiva, nomeadamente a motivada pela ambição de tornar a Europa no primeiro continente a assegurar a neutralidade carbônica em 2050, segundo um comunicado.

No centro do pacto está uma estratégia industrial que capacite as empresas da UE, grandes e pequenas, para a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias.

No seu discurso de tomada de posse, em sessão plenária do PE em Estrasburgo em novembro, von der Leyen salientou que "quanto mais depressa nos mexermos, melhor será para os nossos cidadãos e para as nossas empresas".

Para a líder do executivo comunitário, a proteção do clima "é uma questão existencial, tanto para a Europa como para o resto do mundo".

"Como poderia não ser existencial quando vemos Veneza inundada, as florestas portuguesas a arder e as colheitas da Lituânia reduzidas a metade por causa da seca?", questionou.

O caminho a seguir passará por "investimentos maciços na inovação, na pesquisa, na infraestrutura, na habitação e na qualificação das pessoas", sendo que as verbas terão que ser também captadas no setor privado e a nível nacional, para além do europeu.