quinta-feira, 13 de maio de 2021

Projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental é aprovado na Câmara dos Deputados. Agora, segue para o Senado

 


Projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental é aprovado na Câmara dos Deputados. Agora, segue para o Senado

Projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental é aprovado na Câmara dos Deputados. Agora, segue para o Senado

Por 300 x 122 votos, a Câmara dos Deputados aprovou, ontem à noite, o texto-base da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que tem sido chamada por ambientalistas de “a mãe de todas as boiadas” e foi denominada por nove ex-ministros do meio ambiente, esta semana, como “a Lei do NÃO-Licenciamento Ambiental”.

Assim, com o argumento vil de que o país está se livrando da burocracia, o Projeto de Lei 3729/2004 passou.

A votação começou no final da tarde de ontem e foi até meia noite. Passava um pouco desse horário quando Arthur Lira, presidente da casa, deu a sessão por encerrada. Mas ainda falta analisar os destaques, o que será feito hoje e pode alterar o texto final.

Depois, ele segue para análise do Senado Federal. Se os senadores fizerem objeções, o projeto volta para a Câmara para ajustes. Portanto, apesar do cenário tenebroso, a luta ainda não acabou.

A oposição tentou obstruir os trabalhos e tirar a matéria da pauta em três momentos por meio de requerimentos rapidamente derrubados. Protestou contra o fato de o texto não ter sido debatido com a sociedade, nem na Câmara, e entrado em votação em regime de urgência.

Durante a votação, ambientalistas e ONGs divulgaram as hashtags #PL3729Não e #LicenciamentoFica nas redes sociais.

Dispensa da licença ou autodeclaração

Num clima de muita tensão e acirramento dos ânimos, a maioria dos parlamentares desmantelou o licenciamento ambiental, mudando as regras e instituindo um novo marco geral no país, favorecendo empresas e empreendimentos.

Tendo como relator o deputado federal Neri Geller (PP-MT) – vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária ou bancada ruralista e proprietário rural -, o novo texto dispensa 13 tipos de atividades econômicas da exigência de obter uma licença para prosseguir com sua obra, respeitando regras de proteção ao meio ambiente.

Entre as atividades estão: usinas de reciclagem de lixo, obras de distribuição de energia elétrica, estações de tratamento de água e esgoto e, inclusive, obras de melhoria de infraestrutura em instalações já existentes, como estradas e hidrelétricas.

Parte do relatório de Geller ainda isenta a atividade agropecuária do licenciamento ambiental. Claro! Estão dispensados o cultivo de espécies de interesse agrícola (temporárias, semiperenes e perenes), além da pecuária extensiva e semi-intensiva. E, assim, o deputado demonstra que advogou em causa própria e da bancada ruralista, que preside.

O texto ainda propõe a criação de uma Licença por Adesão e Compromisso (LAC), ou seja, uma espécie de licença por autodeclaração do responsável pelo empreendimento, desde que este não seja “potencialmente causador de significativa degradação ambiental”.

E as regras que poderão definir o que deve ser obrigatoriamente licenciado ficarão a cargo de municípios e estados.

Os argumentos da oposição

Como contei acima, os parlamentares da oposição tentaram tirar a matéria da pauta, sem sucesso. Aqui, destaco algumas de suas falas que resumem bem sua indignação e argumentações.

Para o deputado Nilto Tatto (PT-SP), mesmo que o projeto passe no Senado, será futuramente judicializado.

“O que não me deixa muito triste com a votação de hoje, porque está tudo armado, porque tudo vai passar com os 300 votos, é que a gente sabe que quando você tira a possibilidade de fazer consulta para 87% dos quilombos, ou 60% dos povos indígenas, porque não têm seus territórios demarcados, o STF vai derrubar. Então, nós estamos perdendo tempo aqui. Por que o absurdo que vocês estão enfiando goela abaixo aqui é de tamanha irresponsabilidade que vai contra o país”, declarou.

Tatto ainda afirmou que os parlamentares que aprovaram o projeto estão colocando em risco a economia do país já que os debates sobre licenciamento integram as pautas da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), da qual o Brasil faz parte.

“Vocês vão matar o agronegócio com o trator que vocês estão passando por aqui, hoje!”.

Para a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), foram defendidos argumentos falsos durante os pronunciamentos dos deputados. De que o debate é antigo, isso não é verdade! E de que a oposição não quer o desenvolvimento e não quer prazos. Nós queremos o desenvolvimento sim e nós queremos prazos. É uma irresponsabilidade, depois de Mariana, depois de Brumadinho, depois das crescentes queimadas na Amazônia, do bioma do Pantanal, da desconstrução dos órgãos ambientais, votarmos um relatório desse tipo. Pelo amor de Deus, esse parlamento precisa ter responsabilidade!”.

E acrescentou, visivelmente emocionada: “Nós não podemos avançar com o relatório dessa forma. Nós estamos descoordenando as exigências nacionais, criando uma brutal insegurança jurídica”.

Por sua vez, o deputado Alexandre Molon (PSB-RJ), que já foi presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, destacou que o projeto destrói um dos principais pilares da proteção ambiental: o licenciamento.

“Falaram aqui que não há nenhuma brecha no projeto para o desmatamento. Não é só uma brecha, é uma porteira toda aberta para o desmatamento. Afinal de contas, a permissão para a pavimentação de estradas, que é um dos principais fatores de desmatamento da Amazônia, está dada nesse projeto de lei. Basta a autodeclaração, a autolicença, a promessa de que não se infringirá nenhuma regra ambiental!”. 

Ele lembrou que, enquanto “o mundo inteiro caminha para tornar as regras ambientais mais rígidas, para fazer o meio ambiente ser melhor protegido e cobra do Brasil mais proteção ambiental, o que se quer aprovar aqui é transformar a exceção em regra. Essa lei transforma o licenciamento ambiental, que deveria ser a regra, em exceção”.

Molon ainda classificou o PL como “um tiro no pé” do agronegócio já que ameaça a imagem internacional do país e, consequentemente, as exportações do setor.

Joenia Wapichana (Rede/RR) alertou que o projeto defendido por Geller é inconstitucional e devastará biomas protegidos pela atuais regras. “A proposta, primeiro, pode ser considerada ‘a mãe de todas as boiadas’. O PL é inconstitucional, é um drástico retrocesso na previsão constitucional. É estratégia escancarada, via desmonte ambiental, para beneficiar exclusivamente os grandes empreendimentos, agronegócios, hidroelétricas, ferrovias, mineradoras, linhas de transmissão de energia.

Em nota, a Frente Parlamentar Ambientalista, coordenada pelo deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), declarou: “Provavelmente, com a aprovação desse projeto, o Brasil irá presenciar novos episódios de acidentes socioambientais. Além disso, a medida poderá enfraquecer a segurança jurídica e a judicialização desse importante instrumento ambiental”.

Repercussão

Antes da votação, ambientalistasorganizações socioambientais (como noticiamos aqui), cientistas (por intermédio de carta divulgada pela SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e ex-ministros do meio ambiente – que atuaram nos seis governos anteriores, de FHC a Temer – fizeram declarações a respeito da proposta do texto substitutivo do PL 3729/2004.

Em carta, Carlos Minc, Edson Duarte, Gustavo Krause, Izabella Teixeira, José Carlos Carvalho, José Goldemberg, José Sarney Filho, Marina Silva e Rubens Ricupero chamaram “a obra” de Geller de ‘Projeto de Lei Geral do NÃO-Licenciamento‘, destacando que “promove insegurança jurídica e ameaça agravar a crise econômica brasileira”. E alertaram que, com ele, a falta de fiscalização será a regra no país, também em propriedades de médio impacto e porte.

Hoje cedo, representantes de organizações não-governamentais de diversos setores se manifestaram em suas redes sociais e artigos. Reproduzo abaixo:

“Com a aprovação da Mãe de Todas as Boiadas, a Câmara dos Deputados, sob a direção do deputado Arthur Lira, dá as mãos para o retrocesso e para a antipolítica ambiental do governo Bolsonaro. É o texto da não licença, da licença autodeclaratória e do cheque em branco para o liberou geral. Implodiram com a principal ferramenta da Política Nacional do Meio Ambiente. Quem pagará a conta da degradação são os cidadãos brasileiros, para sustentar a opção daqueles que querem o lucro fácil, sem qualquer preocupação com a proteção do meio ambiente e com as futuras gerações. Judicialização e insegurança jurídica é o que eles terão como resposta” Suely Araújo, analista sênior de políticas públicas do
Observatório do Clima

“É uma afronta à sociedade brasileira. O país no caos em que se encontra e os deputados aprovam um projeto que vai gerar insegurança jurídica, ampliar a destruição das florestas e as ameaças aos povos indígenas, quilombolas e Unidades de Conservação. Assistimos, hoje, a uma demonstração clara de que a maior parte dos deputados segue a cartilha do governo Bolsonaro e vê a pandemia como oportunidade para ‘passar a boiada’ e atender a interesses particulares e do agronegócio”
Luiza Lima, assessora de políticas públicas do Greenpeace Brasil

“O texto aprovado é tão nefasto que, de uma só vez, põe em risco a Amazônia e demais biomas e os recursos hídricos, e ainda pode resultar na proliferação de tragédias como as ocorridas em Mariana e Brumadinho e no total descontrole de todas as formas de poluição, com prejuízos à vida e à qualidade de vida da população. Por fim, pode se transformar na maior ameaça da atualidade às áreas protegidas e aos povos tradicionais” Maurício Guetta, consultor jurídico do Instituto Socioambiental

O texto não considera a Avaliação Ambiental Estratégica, o Zoneamento Econômico Ecológico e a análise integrada de impactos e riscos, além de excluir o controle social dos princípios do licenciamento ambiental.
Dessa forma, afeta diretamente as políticas públicas de
recursos hídricos e unidades de conservação”
Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da
Fundação SOS Mata Atlântica

“É a Lei do Deslicenciamento. Esse projeto instala no Brasil o autolicenciamento ambiental como regra. Para dar apenas um exemplo, dos 2 mil empreendimentos sob licenciamento ambiental em curso na capital do Brasil, 1.990 passarão a ser autolicenciados a partir do
primeiro dia de vigência da nova lei”
André Lima, coordenador do
Instituto Democracia e Sustentabilidade

“O texto aprovado produzirá uma avalanche de problemas sociais e ambientais não avaliados e não mitigados por empreendimentos de significativo impacto ambiental. Os órgãos ambientais não terão condições de se manifestar em tempo, pois o prazo é impraticável, além de estarem sucateados e silenciados. Os parlamentares aprovaram um
desastre que precisa ser revertido no Senado, ou no STF”
Alessandra Cardoso, assessora política do
Inesc –Instituto de Estudos Socioeconômicos 

“Lamentável o desmonte do licenciamento ambiental.
Um texto enviesado, discutido a portas fechadas com governo, ruralistas e industriais, que ignora o princípio da precaução e atropela os fundamentos do direito ambiental. É repleto de inconstitucionalidades e vai gerar enorme insegurança jurídica para os empreendedores. Liberar geral
para depois responsabilizar é um contrassenso total, que o digam
os povos e comunidades tradicionais impactados em todo o país,
as vítimas de Brumadinho e Mariana”
Guilherme Eidt, assessor em políticas públicas do
ISPN – Instituto Sociedade, População e Natureza

As principais questões do texto aprovado

Instituto Socioambiental listou oito questões do texto substitutivo do projeto de lei defendido por Neri Geller, que facilitam a compreensão de seus efeitos nefastos. Reproduzo a seguir:

  1. Dispensa de licenciamento para agricultura, pecuária e silvicultura, além de mais 13 tipos de atividades com impactos ao meio ambiente.
  2. Brecha para disputa entre estados e municípios, que poderão estabelecer regras de licenciamento menos rígidas do que as de outras unidades da federação para atrair empresas e investidores.
  3. Licença autodeclaratória (LAC), emitida automaticamente sem análise prévia de órgão ambiental, passa a ser a regra. Na prática, torna o licenciamento exceção ao invés de regra.
  4. Restrições à participação popular no licenciamento, inclusive das comunidades impactadas por empreendimentos.
  5. Ameaça às Unidades de Conservação, Terras Indígenas não totalmente demarcadas (41% do total) e territórios quilombolas não titulados (87% do total), porque a análise dos impactos dos empreendimentos sobre essas áreas não será mais obrigatória.
  6. Restrição à participação no licenciamento de órgãos como Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Funai, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Ministério da Agricultura e Ministério da Saúde.
  7. Bancos e outras instituições que financiam os empreendimentos não terão mais nenhuma responsabilidade socioambiental, ou seja, caso haja danos ao meio ambiente ou tragédias, como a de Brumadinho, eles poderão dizer que não têm nada a ver com o problema.
  8. O PL não trata de qualquer questão ligada às mudanças climáticas.

Agora, assista ao vídeo muito esclarecedor que o Observatorio do Clima produziu para explicar a importância do Licenciamento Ambiental. Se você ainda tiver alguma dúvida a respeito do tema, depois dele, com certeza vai ficar sem nenhuma:

Fontes: Câmara dos Deputados, Agência Brasil, Observatório do Clima

Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Grilagem de florestas públicas responde por um terço do desmatamento

 https://ipam.org.br/grilagem-de-florestas-publicas-responde-por-um-terco-do-desmatamento-na-amazonia/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=boletim_ipam_grilagem_na_amazonia_empurra_desmatamento&utm_term=2021-05-13.

Grilagem de florestas públicas responde por um terço do desmatamento

12.05.2021 • Notícias

Um novo estudo do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) mostra que a invasão de florestas públicas não destinadas impulsiona o desmatamento ilegal e as queimadas na região. No primeiro trimestre de 2021, um terço da derrubada registrada na Amazônia aconteceu nessas áreas, segundo dados do sistema Deter.

Um dos indícios da grilagem é o aumento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) sobre essas florestas: a área pública declarada como imóvel rural particular aumentou 232% desde 2016, chegando a 18,6 milhões de hectares em 2020. É mais que três vezes o território do Distrito Federal e 32% de todas as florestas públicas não destinadas na Amazônia.

No primeiro trimestre de 2020, 75% do desmatamento registrado nessas áreas aconteceu onde existe CAR; em 2021, o índice foi para 79%. A quantidade de focos de calor também é superior, 2,2 vezes maior, nos terrenos declarados irregularmente como propriedade particular.

AFlourish chart

Os números reforçam a conexão entre invasão por particulares e derrubada da floresta. “Como o CAR é um registro eletrônico e autodeclarado, é frequentemente usado para simular uma titularidade da terra que não existe na realidade”, explica o pesquisador sênior do IPAM, Paulo Moutinho. “É uma grilagem institucionalizada, que usa sistemas oficiais para legitimar a invasão de um patrimônio natural coletivo e que deveria ser preservado.”

Ilegalidade

As florestas públicas não destinadas da Amazônia somam 57,5 milhões de hectares, uma área maior do que o território da Espanha e 14% do bioma. Espalhadas na região, elas são patrimônio público e deveriam ser designadas para conservação ou uso sustentável, como regra uma lei desde 2006. O atraso nesta destinação abre caminho para a grilagem.

A maior parte das florestas estão sob responsabilidade estadual (56%). Contudo, é naquelas de domínio federal que a grilagem mais avança, com 73% dos cadastros irregulares, ou 13,6 milhões de ha, em 2020, e 93% do desmatamento registrado no mesmo ano.

“O combate ao desmatamento ilegal na Amazônia começa nas florestas públicas. É preciso avaliar e cancelar imediatamente o CAR nessas áreas, sem prejudicar as comunidades tradicionais”, diz a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, principal autora do estudo.

O projeto de lei 510/2021, sobre regularização fundiária, atualmente em discussão no Senado, pode ter impacto direto sobre a situação dessas florestas. Se aprovado, ele pode anistiar ocupações realizadas até 2014, mas principalmente dar a indicação de que a grilagem vale a pena. “De tempos em tempos, as leis no Brasil são reformadas para acomodar irregularidades passadas. Esse é o tipo de incentivo positivo que a grilagem entende, e que precisamos combater”, afirma Moutinho. “Os impactos do desmatamento e do fogo para o clima são terríveis, assim como a redução de chuvas para o agronegócio. É hora de tratar as florestas como ativos, que precisam ser conservados.”

Leia o estudo completo.

 

quarta-feira, 12 de maio de 2021

CONTRA PROJETO DE LEI QUE DEVASTA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL NO DISTRITO FEDERAL

 

CONTRA PROJETO DE LEI QUE DEVASTA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL NO DISTRITO FEDERAL


O ABAIXO ASSINADO, proposto por moradores e proprietários da RA XXIV do Park Way e SIMPATIZANTES da causa ambiental, é contrário ao Projeto de Lei de 2021 de autoria do Deputado Distrital Delmasso, do Partido Republicanos do Distrito Federal, que cria em área de APA (Área de Proteção Ambiental do Planalto Central) um Parque Ecológico intitulado de Córrego do Mato Seco. 

 

Esta área é de total e extrema importância para a FLORA e FAUNA local, inclusive sendo área em que o próprio IBAMA utiliza para soltar animais silvestres vítimas de tráfico ilegal. Além disso, a área possui nascentes e bacias d'água (Bacia do Ribeirão do Gama/Bacia do Paranoá) fundamentais para a preservação do Lago Paranoá. Essa região pleiteada pelo Deputado Distrital Delmasso para a criação do referido parque agride a natureza, que suplica pela baixa densidade demográfica, fator fundamental para a preservação das nascentes e bacias d'água.  

 

A Região, que é de Zona Urbana de Uso Controlado I, está no segundo patamar de proteção urbanística, abaixo apenas da Zona Urbana da Área Tombada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade (Plano Piloto de Brasília). De mais a mais, segundo diretrizes para o meio ambiente, preconizadas no PDOT (art. 14), "... manter maciços vegetais, proteger mananciais, fundos de vales e outras áreas de fragilidade ambiental" é lei que não pode ser desrespeita e descumprida

 

Com a nomenclatura disfarçada de ECOLÓGICO, e justificativas que não condizem com a causa ambientalista, o projeto traz consigo, em seu artigo 3º, II, III, VII e artigo 4º, a realização de atividades de ecoturismo e eventos culturais, feiras permanentes, em uma área que nem mesmo conta com esgoto sanitário para os moradores da região. A criação desse parque traz a evasão de animais silvestres e a destruição da flora nativa com a criação de corredores para turismo. Acarretará, ainda, aglomeração de pessoas em área verdes, impermeabilização do solo (destruindo os lençóis freáticos), barulho e lixo, ocasionando estresse para os animais da região, além é claro do aumento da criminalidade, expondo os moradores a toda sorte de abusos. 

 

A proposta desse parque (em local inapropriado - localizado no meio dos condomínios residenciais), tal como foi concebida pela AMAC (associação que não representa os moradores do Park Way), é totalmente enganosa e bizarra, pois, embora afirme ser ecológico, trará a degradação de uma área de preservação ambiental (APA). https://chicosantana.files.wordpress.com/2021/05/projeto-de-lei-que-cria-parque-ecolocc81gico-do-cocc81rrego-do-mato-seco

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Cientistas descobrem nova espécie de polvo dumbo e com tecnologia que permitiu devolvê-la ao mar

 

CONEXAO PLANETA



Cientistas descobrem nova espécie de polvo dumbo e com tecnologia que permitiu devolvê-la ao mar

Cientistas descobrem nova espécie de polvo dumbo e com tecnologia que permitiu devolvê-la ao mar

Muito pouco ainda se sabe sobre o polvo dumbo. Esses animais recebem este nome por causa de suas barbatanas que parecem orelhas, e mais especificamente, as orelhas do famoso personagem da Disney, o elefantinho Dumbo.

Estima-se que existam cerca de 45 espécies do polvo do gênero Grimpoteuthis. Suas barbatanas são seu principal meio de locomoção onde vive, no fundo do mar, a quase 4 mil metros de profundidade.

Por isso mesmo é bastante difícil fazer a descoberta de novas espécies desses polvos, já que o processo para a descrição oficial de uma nova espécie de qualquer tipo de animal envolve muitos anos de pesquisa, análises de material genético e características morfológicas. E ainda, a retirada dele de seu habitat natural e sua morte para que possa ser dissecado em laboratório.

Mas graças a uma tremenda ajuda da tecnologia, dois cientistas do Institut für Evolutionsbiologie und Ökologie, da Universidade de Bonn, na Alemanha, conseguiram identificar esta nova espécie de polvo dumbo: o dumbo imperador, Grimpoteuthis imperator. E de uma forma inédita: sem precisar tirar sua vida e após alguns exames, devolvê-lo ao mar.

A descoberta da nova espécie aconteceu em 2016, em águas do Pacífico Norte, durante uma expedição científica. Mas só agora foi feita sua descrição e o método realizado para tal, relatados num artigo na revista internacional BMC Biology.

“Ficou claro para mim imediatamente que havíamos capturado algo muito especial”, revelou o biólogo Alexander Ziegler, principal autor do estudo.

Para analisar o polvo dumbo, os pesquisadores utilizaram uma combinação de imagens de ressonância magnética de alto campo (MRI) e varreduras de micro-tomografias computadorizadas (micro-CT), além de análise de genes minimamente invasivos realizada em amostras de tecido.

“O DNA mostrou, sem sombra de dúvida, que estávamos olhando para uma espécie do gênero Grimpoteuthis”, diz o cientista. Com cerca de 30 centímetros, o dumbo imperador tem uma média de 71 ventosas em cada braço, usadas para capturar suas presas.

Cientistas descobrem nova espécie de polvo dumbo e com tecnologia que permitiu devolvê-la ao mar

A nova espécie das águas profundas do Pacífico Norte

E por que o nome científico escolhido foi polvo imperador?

O animal foi descoberto não muito longe do Japão, em uma cordilheira subaquática cujos picos têm o nome de imperadores japoneses.

*Com informações da Universidade de Bonn

Leia também:
O favorito ‘Professor Polvo’ ganha Oscar de melhor documentário
Cientistas filmam, pela primeira vez, o nascimento de um polvo dumbo
Pesquisa de cientistas brasileiros comprova que polvos apresentam duas fases de sono. Será que também sonham?
Polvos sentem dor não apenas física, mas emocional, sugere novo estudo

Fotos: © Alexander Ziegler

 

CONEXãO PLANETA





Uma ‘dose’ de jardinagem duas vezes por semana reduz o estresse e melhora o bem-estar, comprova novo estudo britânico

Uma 'dose' de jardinagem duas vezes por semana reduz o estresse e melhora o bem-estar, revela estudo britânico

Em nossa vida corrida, cheia de compromissos e com o olhar sempre grudado em telas, acabamos nos esquecendo de algo muito próximo a nós e que pode trazer um bem-estar enorme tanto para nossa saúde física como emocional: nossas plantas e nossos jardins. E um novo estudo britânico vem comprovar, mais uma vez, os benefícios inegáveis da jardinagem e do cultivo de hortas.

Sociedade de Horticultura do Reino Unido entrevistou quase 6 mil pessoas e o resultado da pesquisa, divulgado em artigo científico na revista ScienceDirect, revela que uma “dose” de jardinagem duas ou três vezes por semana diminui os níveis de estresse e aumenta a sensação de bem-estar.

“Esta é a primeira vez que a ‘dose-resposta’ à jardinagem foi testada e a evidência sugere que quanto mais frequentemente você jardina, maiores são os benefícios para a saúde. Na verdade, jardinar todos os dias tem o mesmo impacto positivo sobre o bem-estar do que praticar exercícios regulares e vigorosos, como andar de bicicleta ou correr”, diz Lauriane Chalmin-Pui, principal autor do estudo.

Todavia, a pesquisa demonstrou que a principal razão pela qual as pessoas buscam jardinar é pelo prazer que isso lhes dá. E esta sensação, assim como o engajamento na atividade, aumenta à medida que também cresce a área de espaço verde.

“Quando fazemos jardinagem, nossos cérebros ficam distraídos pela natureza ao nosso redor. Isso muda nosso foco de nós mesmos e de nosso estresse, restaurando assim nossas mentes e reduzindo os sentimentos negativos”, destaca Lauriane.

E se você está pensando que esse tipo de atividade só vale para quem mora em casa e tem um quintal, está enganado! Jardinagem também pode ser feita em apartamentos, mesmo para quem tem uma sacada pequena ou apenas vasos dentro da sala. Plantas sempre precisam de cuidado, seja para regá-las, fertilizar a terra ou podar suas folhas.

Para os pesquisadores envolvidos no estudo, os dados reforçam a noção de que hortas domésticas devem ter maior destaque nos debates sobre planejamento urbano, devido ao papel que desempenham na prestação de benefícios à saúde.

No Reino Unido, a jardinagem é um hobby extremamente popular. Estima-se que 49% da população adulta cuide de seu jardim e que existam 24 milhões de hortas domésticas.

Leia também:
Jovem tatuador transforma quintal em horta, na pandemia, e vira ativista da alimentação saudável e do clima
Meu limão, meu limoeiro
Como aprender a identificar árvores, plantas, flores…
Pragas: exterminando o inimigo de maneira natural
Um jardim para chamar de seu

Foto: reprodução Facebook The Royal Horticultural Society

Em carta aberta, 40 supermercados europeus ameaçam boicote ao Brasil se “PL da Grilagem” for aprovado




Em carta aberta, 40 supermercados europeus ameaçam boicote ao Brasil se “PL da Grilagem” for aprovado

Em carta aberta, 40 supermercados europeus ameaçam boicote ao Brasil se "PL da Grilagem" for aprovada

As principais e mais importantes redes de varejo da Europa publicaram hoje uma carta aberta aos parlamentares da Câmara e do Senado do Brasil em que alertam sobre a tramitação no Congresso do Projeto de Lei 2633, que ficou conhecido como “PL da Grilagem“. Os signatários, que já tinham se pronunciado no ano passado sobre o mesmo tema, ameaçam boicote aos produtos brasileiros caso o PL seja aprovado.

Inicialmente uma medida provisória, a então ‘MP da Grilagem’, agora PL 2633, anistia grileiros e desmatadores da Amazônia. Permite que criminosos que roubaram terras públicas até 2018 regularizem seus ‘grilos’. O texto enviado para o Congresso em dezembro de 2019 estende uma anistia dada apenas dois anos antes por Michel Temer à grilagem.

Pelo projeto do então presidente, quem ocupou terra pública ilegalmente até 2011 poderia obter título da terra, ou de graça ou – a depender do tamanho do imóvel – pagando o valor da tabela do Incra, que é muito inferior ao valor de mercado. Bolsonaro estendeu a anistia gratuita até 2014, e a regularização pela tabela do Incra até 2018.

Além disso, o texto amplia de até 400 para 1.500 hectares o tamanho das áreas que podem ser tituladas sem vistoria. E estende para títulos emitidos até outubro de 2019 a possibilidade de renegociação por descumprimento de cláusulas obrigatórias para a manutenção da posse (como não desmatar e não usar trabalho escravo).

Representantes da sociedade civil brasileira e diversas organizações não-governamentais estão fazendo forte pressão para que o PL da Grilagem seja derrubado, mas o governo federal quer passá-lo de qualquer jeito. Na semana passada, ele estava na pauta de votação do Congresso, todavia, acabou sendo retirado.

As 40 empresas que assinam a carta aberta ao Brasil ressaltam a importância da preservação da Amazônia para o mundo.

“A Amazônia é uma parte vital do sistema terrestre que é essencial para a segurança do nosso planeta, além de ser uma parte crítica de um futuro próspero para brasileiros e toda a sociedade. A existência de terras demarcadas e áreas de proteção pela legislação brasileira tem sido fundamental para que nossas organizações tenham confiança de que nossos produtos, serviços, investimentos e relações comerciais no Brasil estejam alinhados com os compromissos que assumimos como empresas ambientalmente e socialmente responsáveis, e que nossos clientes e partes interessadas esperam de nós”, escrevem os signatários.

Entretanto, eles alertam que caso o projeto de lei seja aprovado, tudo pode mudar.

“Se esta ou outras medidas que prejudicam essas proteções existentes se tornem lei, nós não teremos escolha a não ser reconsiderar nosso apoio e uso da commodity agrícola brasileira em nossas cadeias de mantimentos.
Conclamos o governo brasileiro a reconsiderar sua proposta”, ressaltam.

Assinam a carta companhias como Aldi, Asda, Migros, Tesco, Waitrose, Iceland, Lidl, Skandia e Sainsbury. Essas redes de supermercados têm milhares de lojas espalhadas por países como Suíça, Inglaterra, Alemanha, Itália, Suécia, Islândia, dentre outros lugares.

Esta não é a primeira vez que supermercados europeus ameaçam boicote aos produtos brasileiros por causa do desmatamento na Amazônia. Abaixo, outras reportagens que já divulgamos aqui no Conexão Planeta em anos anteriores.

Leia também:
Em petição, mais de 400 mil alemães pedem boicote de supermercados a produtos brasileiros se ‘PL da Grilagem’ for aprovada
Milhares de britânicos assinam petição pelo boicote da carne da JBS, associada ao desmatamento na Amazônia
Uma das maiores redes de supermercado do mundo vem à público afirmar que não compra carne do Brasil por causa do desmatamento
Rede de supermercados sueca boicota produtos brasileiros por causa de excesso de agrotóxicos
Em carta ao governo brasileiro, oito países europeus relatam preocupação com o crescente desmatamento e possível impacto em negócios

Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real/Fotos Públicas