quinta-feira, 9 de março de 2023

Governo do Paraná cria quatro novas unidades de conservação, uma delas para ser refúgio dos guarás





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Governo do Paraná cria quatro novas unidades de conservação, uma delas para ser refúgio dos guarás

Governo do Paraná cria quatro novas unidades de conservação, uma delas para ser refúgio dos guarás

O estado do Paraná ganhará quatro novas Unidades de Conservação (UCs) para proteger sua biodiversidade. O anúncio foi feito ontem (08/03) pelo governador em exercício Darci Piana como parte de uma séria de ações e investimentos na conservação ambiental.

As novas unidades de preservação são a Estação Ecológica Tia Chica, em Reserva do Iguaçu, Estação Ecológica Reserva de Bituruna, em Bituruna, Área de Proteção Ambiental (APA) do Miringuava, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, e o Refúgio da Vida Silvestre das Ilhas dos Guarás, em Guaratuba, no litoral paranaense.

Juntas as quatro UC’s possuem uma área de mais de 5 mil hectares. Segundo comunicado do governo, as estações ecológicas de Bituruna e Reserva do Iguaçu não serão abertas para visitação pública, “por estarem em áreas de recuperação, com florestas de araucária, e estarão voltadas para a preservação desses ambientes. Serão permitidas nesses locais as atividades de pesquisa e educação ambiental”.

Já a APA de Miringuava será uma unidade de conservação de uso sustentável com o objetivo de proteger os mananciais responsáveis pelo abastecimento de água da capital e região metropolitana.

E o Refúgio da Vida Silvestre das Ilhas dos Guarás tem como principal meta proteger essas lindíssimas aves, que dão nome ao município de Guaratuba. Já escrevi várias reportagens aqui no Conexão Planeta sobre esses animais, entre elas, “De um a milhares em uma década, a história do incrível retorno do guará ao litoral paranaense“.

Por 80 anos, a ave vermelho escarlate sumiu completamente da Baía de Guaratuba. Mas no dia 23 de junho de 2008 um pescador relatou: “Eu vi um guará…”.

Desde então, esforços de conservação, realizados sobretudo pelas ações do Instituto Guaju, têm garantido que o guará permaneça na região, em um ambiente saudável e protegido.

“O refúgio preserva o local de dormitório dessas e outras aves. Estamos dando um regramento para que as pessoas possam observar esses animais, mas de forma sustentável”, diz Rafael Andreguetto, diretor de Patrimônio Natural do Instituto Água e Terra (IAT).

As recém-criadas Unidades de Conservação se juntarão a outras 70 já existentes no Paraná. “Atuamos sempre com o objetivo de fazer com que essas unidades não sejam ilhas, não fiquem isoladas e possam proporcionar uma visitação, quando isso é permitido, com sinalização e apoio aos visitantes para que a gente possa desenvolver o turismo de natureza no Paraná”, ressalta Everton Souza, diretor-presidente do IAT.

Durante a cerimônia da quarta-feira, o governador em exercício também fez a entrega simbólica de 23 novos veículos, além de equipamentos para manejo e notebooks, para serem usados no trabalho de fiscalização e monitoramento dessas áreas de conservação.

Além disso, foi anunciada ainda a produção de um livro fotográfico sobre as Unidades de Conservação do Paraná. A obra será de autoria do fotógrafo Zig Koch, um colaborador muito querido do nosso site, um dos autores do blog coletivo Por Trás das Câmeras.

“A ideia é tentar envolver o humano à conservação, para fugir da velha retórica que da cerca para cá eu faço o que eu quero e da cerca para lá ninguém mexe. É ter uma integração entre o ser humano com a natureza”, revelou Zig.

Governo do Paraná cria quatro novas unidades de conservação, uma delas para ser refúgio dos guarás

Medindo entre 50 e 60 cm, o guará possui bico fino, longo e
levemente curvado para baixo

*Com informações da assessoria de comunicação do Governo do Paraná

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Foto de abertura: Edgar Fernandez/Instituto Guaju

Reconexão de habitats pode salvar milhões de anfíbios, que estão sendo dizimados por fungo letal

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Reconexão de habitats pode salvar milhões de anfíbios, que estão sendo dizimados por fungo letal

Reconexão de habitats pode salvar milhões de anfíbios, que estão sendo dizimados por fungo letal

*Por Sean Mowbray
Traduzido por Carol De Marchi e André Cherri

fragmentação do habitat em florestas tropicais está aumentando a incidência de doenças fatais em sapos, rãs e pererecas, diz um estudo recentemente publicado na revista Biological Reviews. Conforme explicou à Mongabay o principal autor do estudo, Gui Becker, biólogo da Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA), a divisão do habitat ocorre quando múltiplas classes de habitat importantes para algumas espécies de anfíbios, como florestas, riachos e lagoas, são separadas.

Em trabalhos anteriores, Becker e colegas já haviam concluído que essa fragmentação era uma força motriz por trás das extinções locais de anfíbios na altamente fragmentada Mata Atlântica. Entretanto, uma ligação entre a divisão do habitat e a morte por doenças não havia sido considerada na época. O fungo Batrachochytrium dendrobatidis é particularmente preocupante, pois está ligado ao declínio populacional no Brasil e à perda de espécies anfíbias em todo o mundo. Também conhecido como Bd, este fungo pode causar a quitridiomicose, doença potencialmente fatal.

Reconexão de habitats pode salvar milhões de anfíbios, que estão sendo dizimados por fungo letal

Fragmento de floresta na Mata Atlântica do Brasil
(Foto: Gui Becker/divulgação)

Becker e sua equipe, realizando testes em vários locais da Mata Atlântica, descobriram que a divisão do habitat estava ligada a maiores cargas de infecção pelo fungo durante a época de reprodução. Além disso, à medida que a distância entre a floresta e os corpos d’água aumenta, também crescem os casos de quitridiomicose. “Essa é a ligação da doença que encontramos com a divisão do habitat”, explica Becker.

De acordo com o novo estudo, a passagem de um anfíbio por um habitat alterado para completar seu ciclo de vida poderia impactar a espécie de três formas primárias: alterando o microbioma de uma espécie (a composição de bactérias que habitam sua pele); induzindo estresse crônico; e reduzindo a diversidade dos genes imunológicos. Todos estes efeitos poderiam impactar negativamente a resistência a doenças, embora a teoria exija testes.

Para Andrea Jani, pesquisadora da Universidade do Havaí (EUA), o trabalho oferece uma “distinção sutil, mas importante” em relação às questões que envolvem a fragmentação do habitat e possíveis soluções de conservação: “A análise sugeriu que o tamanho do fragmento de habitat é menos importante do que o grau de divisão do habitat”, afirma Jani, que não se envolveu no estudo. “Em outras palavras: em alguns casos, a distância entre dois pedaços de habitat pode ser mais importante para a conservação da espécie do que o tamanho de um determinado pedaço de habitat”, ou seja, uma maior distância percorrida de um lugar para outro potencialmente contribui para a suscetibilidade a doenças.

Na opinião da pesquisadora, “o fato e a maneira como a divisão do habitat leva ao aumento do risco de doenças” também dependerá de uma série de fatores, incluindo as espécies em questão, o patógeno e o tipo de habitat.

Reconexão de habitats pode salvar milhões de anfíbios, que estão sendo dizimados por fungo letal

Espécies como o Aplastodiscus leucopygius, sapo endêmico das serras do Mar e da Mantiqueira de reprodução aquática, que dependem de diferentes tipos de habitat para seu ciclo de vida, podem sofrer com desequilíbrios no microbioma da pele, alteração na imunidade e estresse crônico
(Foto: Gui Becker/divulgação)

“O que realmente me agradou no estudo foi que eles analisaram as respostas imunológicas e isso é algo que não é realizado com frequência”, diz Dennis Rödder, do Instituto Leibniz de Análise da Mudança da Biodiversidade, na Alemanha.

Rödder, que não participou no estudo, acrescenta que a prevalência de doenças e cargas de infecção são frequentemente investigados, mas não tanto os hormônios de estresse e o papel do microbioma. “É algo que as pessoas estão apenas começando [a explorar], e nós precisamos de muito mais informações sobre isso.”

Segundo Trent Garner, pesquisador do Instituto de Zoologia de Londres, no Reino Unido, é possível que a divisão do habitat poderia impactar a imunidade e desencadear respostas ao estresse, mas ele é mais cético quanto ao impacto sugerido sobre o microbioma.

“Digo isso porque, em minha experiência, os anfíbios inevitavelmente experimentam instabilidades microbianas que se movem da terra para a água, e de volta”, explica ele. Garner não estava envolvido na pesquisa, mas reviu o artigo. “Acho mais difícil entender como as instabilidades migratórias adicionais são uma grande força por trás das instabilidades microbianas que afetam as doenças”.

A perereca-de-capacete-do-rio-pomba (Nyctimantis pomba) é uma espécie endêmica da Zona da Mata mineira que possui baixa diversidade microbiológica em sua pele. A possível relação entre o grau de ameaça de uma espécie e a diversidade de bactérias em sua pele necessita ser mais explorad
(Foto: Pedro Peloso/Projeto DoTS)

Investigando o microbioma dos anfíbios

A compreensão da dinâmica das doenças é uma das chaves para a sobrevivência dos anfíbios ao redor do mundo, dizem os pesquisadores, particularmente nos trópicos. O fungo Bd, por exemplo, está ligado a declínios em mais de 500 espécies de anfíbios em todo o planeta, com base em pesquisas anteriores.

“O risco de doenças para os anfíbios não pode ser subestimado”, afirma Jani. “Pesquisadores e gestores de conservação têm se esforçado para encontrar maneiras de evitar o declínio de anfíbios produzido por bactérias, mas até agora não temos uma solução sólida para as populações selvagens. Parte do problema é que o patógeno pode sobreviver no meio ambiente.”

É cada vez mais reconhecido que um microbioma anfíbio saudável pode desempenhar um papel importante na proteção contra infecções, embora ainda existam lacunas significativas de conhecimento.

Pesquisas anteriores conduzidas por Jackson Preuss, biólogo da Universidade do Oeste de Santa Catarina, descobriram que a suinocultura disseminada na paisagem fragmentada da Mata Atlântica catarinense pode aumentar o risco de doenças para os anfíbios que ali vivem. Neste cenário, os anfíbios podem deixar fragmentos de floresta em busca de cursos d’água e lagoas artificiais para se reproduzirem. Mas a entrada nestes habitats aquáticos alterados, onde os dejetos de suínos são descartados, “altera as comunidades microbianas da pele dos hospedeiros anfíbios tropicais, aumentando assim potencialmente o risco de quitridiomicose”, afirma o pesquisador.

“Nossas descobertas indicam que, ao interromper os processos naturais de organização e função microbiológica, as descargas de resíduos da criação integrada de suínos e peixes podem aumentar a pressão da doença em hospedeiros nativos que dependem de tanques artificiais para a persistência da população”, explica Preuss.

Reconexão de habitats pode salvar milhões de anfíbios, que estão sendo dizimados por fungo letal

Em áreas com criação intensiva de suínos, descarte de dejetos em cursos d’água pode aumentar risco da quitridiomicose entre anfíbios tropicais
(Foto: Jackson Preuss/divulgação
)

Outro estudo recente de Becker levantou ainda mais questões relacionadas ao papel do microbioma na diminuição dos anfíbios. Analisando um banco de dados de diversidade microbiana em espécies ameaçadas e não ameaçados no Brasil e em Madagascar, a equipe do pesquisador descobriu que as aquelas à beira da extinção tinham níveis mais baixos de diversidade microbiana do que suas contrapartes não ameaçadas.

Neste caso, porque o cientista olhou para os habitats naturais em vez de habitats divididos, seu time levantou uma questão “o ovo ou a galinha” sobre se o status de perigo veio primeiro, seguido por níveis mais baixos de diversidade microbiana, ou se este possível declínio microbiano veio primeiro e então contribuiu para o status de perigo.

“Não há como saber, com base nos dados que temos”, disse ele. “Mas o padrão em si é bastante interessante. Especialmente porque estamos olhando para a biodiversidade e múltiplas escalas de organização biológica [em declínio] ao mesmo tempo.”

Qualquer que seja a sequência causal apropriada, Becker e seus coautores ressaltam que os padrões em torno do status ameaçado e do declínio microbiano levantam uma possível bandeira vermelha. Seus resultados poderiam indicar “baixa resistência a patógenos invasores” nessas espécies ameaçadas de extinção.

Gephyromantis corvus, a frog confined to a small range in Madagascar.

Pesquisas recentes descobriram que anfíbios tropicais em perigo, tais como a rã Gephyromantis corvus, confinada a uma pequena área de Madagascar, têm uma diversidade microbiológica menor em comparação às espécies não ameaçadas
(Foto: Franco Andreone via Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5)

Preparar imunidade para múltiplas espécies?

Embora todos concordem que há necessidade de mais pesquisas para testar a hipótese de divisão de habitat, Becker acredita que o conhecimento já adquirido poderia levar os projetos de conservação a pensar em modos de restaurar e conectar múltiplos habitats terrestres e aquáticos – como uma forma imunizar contra doenças “através da exposição repetida de baixa carga a patógenos endêmicos e redução da imunossupressão induzida pelo estresse”.

“Pensamos que, se há florestas, vamos conectar as florestas. Mas no caso dos sapos, há mais do que floresta”, explica. Para alguns anfíbios, por exemplo, pode ser o caso de olhar além dos fragmentos e conectar as zonas ribeirinhas ou conectar seus locais de reprodução.

As descobertas também podem iluminar questões similares em outras espécies, provocando um reexame de qualquer uma que dependa de diferentes tipos de habitat como parte de seu ciclo de vida, e fazendo com que os pesquisadores procurem vulnerabilidades impulsionadas pela divisão do habitat.

Embora os potenciais efeitos prejudiciais da divisão do habitat sejam preocupantes do ponto de vista da conservação, compreender melhor a questão também poderia oferecer possibilidades de restauração, embora “ainda não estejamos lá”, adverte Becker.

“O bom é que estamos trabalhando para poder, talvez, restaurar paisagens que favoreçam microbiomas saudáveis [e] a diversidade genética imunológica”, acrescenta o pesquisador. O estudo recente oferece um “primeiro passo para as pessoas começarem a pensar que um projeto de restauração também pode ser uma maneira de aperfeiçoar o sistema imunológico hospedeiro e reduzir o risco de doenças em cada animal que precisa de múltiplos ambientes para completar seu ciclo de vida”.

Quando se trata de anfíbios, Rödder concorda que essa é uma possibilidade interessante, mas reitera que muito mais precisa ser aprendido sobre como os microbiomas respondem à modificação do habitat em diferentes ecossistemas.

“A maioria dos ecologistas e conservacionistas argumentam que a conectividade facilita a transmissão de doenças através do movimento do hospedeiro”, diz Garner. “Pessoalmente, gosto de posições contrárias, e espero que Becker e seus parceiros possam gerar evidências que sustentem esta mudança de visão”.

*Texto publicado originalmente em 03/03/23 no site do Mongabay Brasil
Todas as fotos incluídas no texto e seus direitos autorais e menções são de total responsabilidade do Mongabay Brasil

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terça-feira, 7 de março de 2023

Pesquisadores brasileiros criam sensor de papel que detecta presença de pesticida em frutas e verduras

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Pesquisadores brasileiros criam sensor de papel que detecta presença de pesticida em frutas e verduras

Pesquisadores brasileiros criam sensor de papel que detecta presença de pesticidas em frutas e verduras

*Por Maria Fernanda Ziegler

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um sensor eletroquímico de papel kraft capaz de detectar em tempo real a presença de pesticida em frutas e verduras. Ao entrar em contato com maçãs ou repolhos, por exemplo, o sensor, ligado a um dispositivo eletrônico, identifica a presença e mensura a quantidade do fungicida carbendazim – amplamente utilizado no Brasil, apesar de proibido.

O trabalho, apoiado pela FAPESP, envolveu grupos dos institutos de Física (IFSC-USP) e de Química (IQSC-USP) do campus de São Carlos. Os resultados foram divulgados na revista Food Chemistry.

“Para verificar a presença de pesticidas em alimentos por meio de abordagens convencionais é preciso triturar uma amostra, submetê-la a processos químicos demorados para só então detectar a substância. Os sensores vestíveis, como o que desenvolvemos para o monitoramento contínuo da concentração de pesticidas na agricultura e na indústria de alimentos, eliminam a necessidade desses procedimentos complexos. Fica muito mais fácil, barato, além de ser muito mais confiável para um supermercado, restaurante ou importador fazer a verificação”, afirma Osvaldo Novais de Oliveira Junior, professor do IFSC-USP.

O novo dispositivo tem grande sensibilidade e se assemelha aos medidores de glicose [glicosímetro] utilizados por diabéticos. Para medir a quantidade de agrotóxico em alimentos, o sensor eletroquímico capta a presença do fungicida e o resultado pode ser acessado, em questão de minutos, por meio de um aplicativo de celular.

“Nos testes que realizamos, o dispositivo teve sensibilidade semelhante à do método convencional. Tudo de uma forma mais rápida e barata”, conta José Luiz Bott Neto, pós-doutorando e autor correspondente do artigo que descreve o desenvolvimento da ferramenta.

Como funciona o sensor

Como explica Bott Neto, o dispositivo é basicamente um substrato de papel modificado com tinta de carbono e submetido a um tratamento eletroquímico em meio ácido para a ativação de grupos carboxílicos – o que permite fazer a detecção.

“Utilizamos o mesmo sistema empregado na serigrafia [estamparia de roupas] para fazer a transferência da tinta condutora de carbono para a tira de papel kraft, criando assim um dispositivo baseado em eletroquímica. O dispositivo é confeccionado com três eletrodos de carbono e mergulhado em uma solução ácida para a ativação dos grupos carboxílicos. Em outras palavras, átomos de oxigênio são adicionados na estrutura do eletrodo de carbono. Ao entrar em contato com uma amostra contaminada com carbendazim, o sensor induz uma reação de oxidação eletroquímica que permite a detecção do fungicida. Assim, a quantidade de carbendazim é medida via corrente elétrica”, explica Bott Neto à Agência FAPESP.

Para desenvolver o dispositivo, os pesquisadores avaliaram a estabilidade e o impacto da estrutura do papel na construção dos sensores. “Além do desenvolvimento do dispositivo, o trabalho teve uma parte voltada para entender a questão das propriedades do papel na fabricação do dispositivo”, conta o pós-doutorando Thiago Serafim Martins.

Melhor opção para a detecção de pesticidas

Os pesquisadores analisaram dois tipos de papel: o kraft e o pergaminho. Ambos se mostraram estáveis o suficiente para a construção dos sensores. Porém, segundo Martins, a natureza porosa do papel kraft conferiu maior sensibilidade ao sensor e aos grupos carboxílicos formados durante a ativação eletroquímica.

Ele explica que a fabricação dos eletrodos em papel abre a possibilidade para diversas aplicações. “Existem eletrodos comerciais feitos com plástico ou cerâmica. No nosso trabalho, conseguimos desenvolver sensores eletroquímicos com papel, um material muito mais maleável, o que amplia o seu uso em vários campos, não apenas na agricultura ou no setor alimentício, mas em outras áreas como a da saúde, por exemplo”, diz.

O artigo Optimized paper-based electrochemical sensors treated in acidic media to detect carbendazim on the skin of apple and cabbage pode ser lido neste link.

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*Texto publicado originalmente em 06/03/23 no site da Agência Fapesp de Notícias

Foto: acervo dos pesquisadores

Entenda a importância do acordo da ONU para proteger a vida marinha

 https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/03/05/entenda-o-que-significa-o-acordo-da-onu-para-proteger-a-vida-marinha-em-alto-mar.ghtml

Entenda a importância do acordo da ONU para proteger a vida marinha

Com a definição, as áreas de proteção contra a pesca, a mineração e o tráfego marítimo vão passar de 1% para 30% até 2030.

Por g1

05/03/2023 18h52  Atualizado há um dia

Países assinam acordo histórico para proteger oceanos

Um acordo de proteção dos oceanos assinado na sede da Nações Unidas, em Nova York (EUA), neste sábado (4) é celebrado por especialistas como uma grande vitória para a proteção de todas as espécies de vida no fundo do mar.

Foram duas semanas de negociações até o acordo, que encerrou a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O acordo entrou em discussão na organização multilateral em 1994, antes que a biodiversidade marinha fosse um conceito bem estabelecido.

Laura Meller, do Greenpeace, declarou que "este é um dia histórico para a conservação e um sinal de que, em um mundo dividido, proteger a natureza e as pessoas supera a geopolítica”.

Entenda, em tópicos, a importância do acordo e por que ele é celebrado:

O que é o acordo?

É um tratado unificado entre os membros das Nações Unidas para proteger a biodiversidade em alto-mar. As negociações envolveram mais de 100 países.

O tema, tratado pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, teve as conversas paralisadas diversas vezes ao longo dos anos.

Por que o acordo é tão importante?

O último grande acordo global deste tipo foi assinado há 40 anos. Na época, o documento determinava quais eram as áreas de alto-mar. Nessas regiões, os países têm o direito de pescar, navegar e fazer pesquisas, mas apenas 1,2% dessas áreas são protegidas.

Agora, o novo acordo aumenta as áreas protegidas e cria um controle rígido para proteção da vida marinha (leia mais abaixo).

O que o acordo prevê?

  • O acordo determina que pelo menos 30% dos oceanos serão áreas protegidas até 2030 (atualmente, são apenas 1,2%). Nessas áreas, a pesca, a passagem de navios e a mineração em águas profundas vão ter um controle rígido;
  • Também define a criação de um novo órgão para gerenciar a conservação da vida nos oceanos;
  • Por fim, estabelece regras básicas para avaliar o impacto ambiental de atividades comerciais nos oceanos, como a pesca e o turismo.

O objetivo é que as práticas comerciais não prejudiquem as longas migrações anuais de golfinhos, baleias, tartarugas marinhas e peixes.

Atualmente, as leis vigentes são como uma colcha de retalhos, que confundem e prejudicam tanto os animais quanto as comunidades que dependem dessas atividades.

Quais áreas ele abrange?

O foco do acordo são as regiões de alto-mar, que estão fora das águas nacionais de cada país. E não é pouco: o alto-mar corresponde a quase metade da superfície do planeta.

Alto-mar são as áreas situadas a mais de 200 milhas náuticas da costa (370 km).

Quais são as ameaças atuais?

A vida marinha fora das áreas de proteção (1,2% do acordo anterior) está em risco com as mudanças climáticas, a pesca em excesso e o tráfego de navios.

Segundo a União Internacional para Conservação da Natureza, 10% das espécies marinhas estão em risco de extinção.

Além disso, a mineração tem preocupado grupos de defesa ambiental, porque podem intoxicar a vida marinha e criar poluição sonora.

O que dizem os especialistas

Para a bióloga marinha de Georgetown, Rebecca Helm, “proteger esta metade da superfície da Terra é absolutamente crítico para a saúde do nosso planeta”.

Nichola Clark, especialista em oceanos do Pew Charitable Trusts, disse que “esta é uma oportunidade única em uma geração para proteger os oceanos - uma grande vitória para biodiversidade”.

Já Laura Meller, do Greenpeace, declarou que "este é um dia histórico para a conservação e um sinal de que, em um mundo dividido, proteger a natureza e as pessoas supera a geopolítica”.

O acordo já está valendo?

Ainda não. Para ser formalmente adotado, o acordo precisa ser examinado por juristas e traduzido nos seis idiomas oficiais das Nações Unidas. 

Quase 200 países assinam acordo histórico para proteger as águas internacionais, que representam mais de 60% dos oceanos

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Quase 200 países assinam acordo histórico para proteger as águas internacionais, que representam mais de 60% dos oceanos


Quase 200 países assinam acordo histórico para proteger as águas internacionais, que representam mais de 60% dos oceanos

O que costumamos chamar de alto-mar ou águas internacionais são áreas do oceano que não pertencem a nenhuma zona econômica exclusiva, mar territorial ou águas internas de um Estado ou de um arquipélago, ou seja, nenhum governo tem jurisdição sobre elas. De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, aprovada em 1982, países só podem reivindicar soberania sobre 200 milhas marítimas (370 km) a partir de sua costa.

Com isso, mais de 60% dos oceanos do planeta não possuem uma autoridade para legislar sobre eles, ou melhor, e o que mais importa, para protegê-los e sua imensa biodiversidade. Para mudar essa situação, após anos de discussões e negociações, no último final de semana, na sede das Nações Unidas, em Nova York, quase 200 países concordaram em assinar um tratado histórico pelas conservação da vida marinha em águas internacionais.

Atualmente apenas 1,2% das águas internacionais têm algum tipo de proteção e somente 0,8% são categorizadas como “altamente protegidas”. Com o novo acordo global, 30% do alto-mar deverá ser preservado até 2030. Nessas áreas, a pesca, o tráfego de navios e a mineração em águas profundas vão ter um controle rígido.

Além disso, o tratado estabelece a criação de um órgão internacional para gerenciar os interesses dessas regiões de alto-mar e definir estratégias de conservação para os seres e ecossistemas marinhos.

“O tratado cria uma estrutura para proteger essa parte vital de nossos oceanos; conservando a vida marinha e restringindo as práticas nessas águas que prejudicam nosso planeta azul”, celebrou a organização internacional WWF em suas redes sociais.

“Este é um dia histórico para a conservação e um sinal de que, em um mundo dividido, proteger a natureza e as pessoas pode triunfar sobre a geopolítica”, disse Laura Meller, do Greenpeace Nordic, em comunicado. “Agradecemos aos países pelo compromisso, deixando de lado as diferenças e entregando um tratado que nos permitirá proteger os oceanos, construir nossa resiliência às mudanças climáticas e salvaguardar a vida e os meios de subsistência de bilhões de pessoas”.

O acordo entrará em vigor assim que juristas internacionais derem o aval final e o documento for traduzido nas seis línguas oficiais das Nações Unidas. Após essa fase, os países devem ratificar o tratado e começar a implementar ações.

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Foto de abertura: rawpixel/domínio público