terça-feira, 13 de maio de 2014

Indígenas interditam BR-843 na visita de Dilma a Cabrobó

Protestos com interdição da BR-843 marcaram a visita da presidente Dilma Rousseff ao município de Cabrobó (PE), a 580 quilômetros de Recife, onde ela vistoriou obras de transposição do Rio São Francisco. A presidente nada viu durante a sua rápida passagem de 25 minutos pelo local. Não fez discursos nem deu entrevista. Limitou-se a tirar fotos com alguns operários da obra.


O líder Yssô Truká, indignado, comandou uma dança Toré, de protesto, no quilômetro 27 da BR-843, a cerca de 3 quilômetros do local visitado pela presidente. Ele "pediu postura e respeito do governo em relação à comunidade indígena" e defendeu que o Brasil seja passado a limpo. "O poder judiciário deveria meter todo mundo na cadeia, inclusive a presidente Dilma. Quem cala consente."


Contrário à transposição do São Francisco desde o seu anúncio, ele defende "políticas públicas que realmente ajudem o povo. A transposição só atende o agronegócio e os barões. Fomos traídos pelos governos Lula e Dilma. Os indígenas estão sendo massacrados pelas ações do governo federal". Para ele, "nenhum dos candidatos à Presidência merece crédito".


A comunidade Toré em Cabrobó vive na ilha de Assunção, com uma população de 6 mil pessoas, a maioria da etnia.


Populares também se manifestaram contra o governo, liderados pelo funcionário público estadual Elió Enai Dias, 25 anos. Ele cobra promessas do governo federal em relação ao município, anunciadas desde 2005. As mesmas cobranças e pleitos foram entregues pelo prefeito de oposição, Auricélio Torres (PSB), à Casa Civil, para que chegassem às mãos da presidente. O prefeito estava indignado, porque não teve oportunidade de falar no evento.


O cacique Truká, vereador Neguinho Truká (PSB), criticou o forte aparato de segurança, que eles consideram desnecessário. "Proibir o povo de se aproximar é um absurdo", disse. O cacique foi contrário à transposição, mas, diante do fato consumado, ele torce para que a água chegue realmente a quem precisa e que o Rio São Francisco seja revitalizado. Ele lembrou que parte da população de Cabrobó, embora viva perto do rio, não vai se beneficiar com a água da transposição.


O prefeito de Cabrobó e o vereador Truká negociaram com o líder indígena que comandou a interdição da BR, que aceitou iniciar a liberação da rodovia. O prefeito garantiu que se as reivindicações do município, que também são as dos índios, não forem atendidas ele mesmo irá liderar um protesto na cidade.


Fonte: Agencia Estado  Jornal de Brasilia

Manifestações estão marcadas para esta quinta (15) em todo o Brasil



Atos contrários à Copa do Mundo estão previstos em todas as cidades-sedes do Mundial. Os protestos estão também sendo articulados em outros países
 

jessica.brito@jornaldebrasilia.com.br


Protestos dos Comitês Populares da Copa estão marcados, em todas as cidades-sedes, para esta quinta-feira (15). O comitê organiza o "Dia Internacional de Lutas contra a Copa" e irá protestar contra a realização do torneio, além de supostas violações dos direitos humanos cometidas em nome do Mundial. 
 
O objetivo do movimento é retomar as manifestações de rua, da forma como aconteceram em junho de 2013, durante a Copa das Confederações. Os protestos também ocorrerão em outros países. Cidades como Paris, Londres, Madri estão programadas para receber os atos. Em nota divulgada à imprensa, um dos manifestantes afirma que direitos constitucionais estão ameaçados. "A principal bandeira de luta do dia será a garantia da liberdade de manifestação antes, durante e depois da Copa. Os organizadores entendem que este direito constitucional está ameaçado por uma série de leis anti-manifestação e pelo recrudescimento das forças policiais", explica.
 
Dentre as principais razões dos protestos, estão a remoção forçada de 250 mil pessoas por conta de obras, a violência cometida contra moradores de rua, a elitização dos estádios, a privatização do espaço público e a morte de oito trabalhadores na construção das arenas. Em São Paulo, a manifestação está marcada para às 17h, na praça do Ciclista, Av. Paulista, com destino ao estádio do Pacaembu. 
 
Direito de manifestar
 
Em entrevista nesta terça-feira (13), a presidente Dilma Rousseff disse que está garantido o direito de quem quiser manifestar, desde que ocorram de forma pacífica, sem prejuízos à Copa. “O Brasil é um país democrático. Se as pessoas quiserem protestar, podem, perfeitamente, mas democracia não significa vandalismo nem, tampouco, prejuízo para o conjunto da população”, disse.
 
Ela ainda garantiu a segurança reforçada durante o mundial. “Vamos garantir a segurança. A conjunção de forças como as Forças Armadas, a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, as polícias Militares, a Força Nacional de Segurança, tudo isso vai assegurar que seja feita pacificamente. Quem quiser manifestar, pode, mas quem quiser manifestar não pode prejudicar a Copa", afirmou a presidente. 
 
 
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

Não desistem. Defesa de Dirceu pede à OEA novo julgamento do mensalão



Defesa denunciou suposta violação ao duplo grau de jurisdição.
Outros 3 condenados pelo STF já entraram com ações no órgão.

 Do G1, em Brasília
 
A defesa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu apresentou nesta terça-feira (13) ação na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), na qual pede que o Estado brasileiro seja investigado por violação de direitos humanos no julgamento do processo do mensalão do PT.

Os advogados pedem ainda que, caso seja confirmada a violação pelo Estado brasileiro, a comissão recomende a realização de um novo julgamento a José Dirceu na Justiça comum.




Dirceu foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 7 anos e 11 meses de prisão pelo crime de corrupção ativa e cumpre pena no presídio da Papuda, nos arredores de Brasília.


A defesa alega descumprimento ao chamado "duplo grau de jurisdição", ou seja, de ser julgado por uma instância e ter direito a recorrer a uma instância superior. O princípio está previsto no Pacto de São José da Costa Rica, do qual o governo brasileiro é signatário.


Por conta disso, a defesa pede um novo julgamento "observando-se o duplo grau de jurisdição". Dirceu foi julgado pelo Supremo e condenado pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. A defesa recorreu ao próprio STF da decisão e ele acabou absolvido da acusação de quadrilha.


"É, portanto, inconteste que o Estado brasileiro negou a José Dirceu o seu direito fundamental ao duplo grau de jurisdição, [...] razão pelas qual não restou outra alternativa ao peticionário, senão bater às portas dessa Comissão Interamericana a fim de ver saneada a grave violação ao dispositivo consagrado no Pacto de São José da Costa Rica, que lhe impós progundo constrangimento, consubstanciado em sua condenação em instância única, que culminou no cerceamento da sua liberdade."


É, portanto, inconteste que o Estado brasileiro negou a José Dirceu o seu direito fundamental ao duplo grau de jurisdição"
Defesa do ex-minsitro José Dirceu
A defesa pede ainda "prioridade" do andamento sobre o caso porque "a vítima [José Dirceu] é cidadão idoso e encontra-se encarcerada". O advogado José Luís de Oliveira Lima argumenta que já foram esgotados todos os recursos possíveis na Justiça brasileira e que, portanto, a ação deve ser admitida na comissão da OEA.


Um dos argumentos é que Dirceu não tinha cargo público que exigisse julgamento no Supremo, conforme manda a Constituição, e que o doleiro Carlos Alberto Quaglia teve direito a ser julgado na primeira instância em razão de um erro processual -  falta de notificação da defesa na fase de depoimentos.


"O Supremo Tribunal Federal agiu de forma incoerente e casuísta, pois, em relação a um dos muitos acusados que não ocupava cargo público que justificasse o deslocamento de competência, especificamente o acusado Carlos Alberto Quaglia, a Corte determinou a remessa do processo para primeira instância."


A defesa completa que, ao decidir se julgaria ou não o ex-deputado federal Eduardo Azeredo, do PSDB, no processo conhecido como mensalão tucano ou mensalão mineiro, o Supremo enviou o processo para Justiça comum.


Defesa do governo brasileiro


Outros três condenados pelo Supremo no processo do mensalão do PT já recorreram à comissão interamericana com o argumento de que houve violação ao duplo grau de jurisdição. Por conta das ações já apresentadas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, propôs no mês passado ao governo federal a criação de um grupo de trabalho para defender as condenações no processo do mensalão.


Rodrigo Janot propôs um grupo formado por representantes da Advocacia Geral da União, da Procuradoria Geral da República e dos ministérios da Justiça e Relações Exteriores. Segundo o procurador, a proposta de criar o grupo se deve à ação apresentada pelos ex-dirigentes do Banco Rural Kátia Rabello, José Salgado e Vinícius Samarane.


No julgamento do mensalão do PT, o Supremo condenou 24 acusados de diversos crimes como corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Todos já começaram a cumprir penas.

Renan Calheiros indica nomes da oposição para CPI no Senado





Foram escolhidos Cyro Miranda e Wilder Morais; Lúcia Vânia recusou.


Dos 13 integrantes, dez serão do governo; PMDB e PT chefiarão trabalhos.



Priscilla Mendes Do G1, em Brasília

 



O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), indicou nesta terça-feira (14) os senadores Cyro Miranda (PSDB-GO), Wilder Morais (DEM-GO) e Lúcia Vânia (PSDB-GO) como titulares da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras no Senado. Logo após o anúncio dos nomes, porém, Lúcia Vânia recusou sua indicação e Renan disse que a substituirá até o final do dia.

 

Após a publicação dos nomes no Diário do Senado, o que deverá ocorrer nesta quarta-feira (14), o caminho estará aberto para a efetiva instalação da comissão. A instalação formal da comissão ocorre na primeira reunião, que deve ser convocada pelo integrante mais idoso, João Alberto (PMDB-MA). A expectativa do partido é que isso ocorra ainda nesta quarta.


Dos 13 integrantes da CPI, dez serão do governo. O PMDB deverá indicar Vital do Rêgo (PMDB-PB) para a relatoria e o PT poderá apontar José Pimentel (PT-CE) para a presidência.


Em plenário, Renan lembrou que terminou na última quinta-feira o prazo para os líderes partidários indicarem seus integrantes. Os partidos da base aliada já indicaram os dez dos treze membros da comissão, mas a oposição se recusou a escolher os nomes porque insistem na instalação de uma CPI mista, com presença também de deputados.


"Vejo-me obrigado a designar os demais membros da CPI da Petrobras no Senado", disse Calheiros em plenário. "Por dever funcional, estou indicando os integrantes da CPI, já que não pode haver uma investigação parlamentar sem a participação, ainda que proporcional, dos partidos representados no Senado Federal", declarou.


Para suplentes, Renan designou Jayme Campos (DEM-MT) e Vicentinho Alves (SDD-TO).


Meu partido não vai gastar energia nenhuma na CPI da Petrobras no Senado, até porque é uma questão de dias que se instale também a comissão mista, onde será sim dada a oportunidade a senadores e deputados de investigar"
José Agripino, líder do DEM
Os dois parlamentares do PSDB escolhidos por Renan não são os mesmos indicados inicialmente pelo partido. O líder Aloysio Nunes (PSDB-SP) chegou a apontar Mário Couto (PSDB-PA) e Alvaro Dias (PSDB-PR) para a CPI no Senado, mas retirou os nomes em seguida a fim de pressionar pela comissão mista.

O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), observou que todos os titulares escolhidos por Calheiros são do estado de Goiás. Ele disse que seu partido não vai "gastar energia" na CPI restrita ao Senado a fim de "poupar esforços" para o colegiado amplo.



"Meu partido não vai gastar energia nenhuma na CPI da Petrobras no Senado, até porque é uma questão de dias que se instale também a comissão mista, onde será sim dada a oportunidade a senadores e deputados de investigar", declarou Agripino em plenário.


Após a indicação, a senadora Lúcia Vânia pediu a palavra e disse que, a exemplo do que dissera o líder do DEM, José Agripino (RN), não irá “gastar energia” na CPI do Senado. Ela ainda criticou o fato de os três escolhidos por Renan serem de Goiás.


“A sociedade deseja a CPMI e vamos lutar até o fim para que CPMI entre em vigência. Considero um desrespeito com o estado de Goiás a indicação dos três nomes”, disse a senadora goiana.

Calheiros esclareceu que não houve critério para a escolha dos três nomes e disse que retirará o nome de Lúcia Vânia da comissão. "Recebo com absoluta abertura e respeito o pedido de retirada do nome de Lúcia Vânia e até o final do dia designarei um outro nome para substituir a senadora Lúcia Vânia. É muito difícil essa tarefa de indicação dos nomes porque não há critério a ser seguido nem a combinar com os líderes de cada bancada", justificou-se.

'Se não há pedido de votos, não há campanha', diz Dias Toffoli


Em entrevista à CBN, novo presidente do TSE defendeu flexibilização da lei.


Magistrado disse que limitação da campanha beneficia quem está no poder.

Do G1, em Brasília
dias_toffoli_frases_mensalao_300 (Foto: Nelson Jr./SCO/STF) 
Toffoli assume nesta terça o comando do TSE.

Novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro José Antonio Dias Toffoli afirmou nesta terça-feira (13), em entrevista à rádio CBN, que, na avaliação dele, a Justiça Eleitoral só deveria considerar propaganda antecipada episódios nos quais o pré-candidato pede, abertamente, voto para sua coligação. Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF),Toffoli vai comandar a Corte eleitoral durante a campanha e as eleições deste ano.

O magistrado irá assumir a presidência do TSE nesta terça, em cerimônia na sede da corte eleitoral. Ele irá substituir o ministro Marco Aurélio Mello no cargo.

Indagado pela rádio sobre se deveria ser modificada a lei que limita a campanha eleitoral aos três meses que precedem as eleições, Toffoli disse que deve ser alterada a maneira de se interpretar a legislação. O TSE rejeitou pedidos de multas a pré-candidatos por suposta propaganda antecipada.


Dias Toffoli, ministro do STF e do TSE


"A maneira como tenho votado é, se não há pedido de votos, se não há referência às eleições, não há campanha. A campanha é quando você diz: 'tenho o número tal, vote em mim'", opinou o magistrado.
Na semana passada, durante conversa que marcou o fim do seu terceiro mandato à frente do TSE, Marco Aurélio Mello afirmou que o tribunal está "flexibilizando" a punição em relação aos pré-candidatos. O magistrado criticou a corrente de ministros do TSE que defende menos rigor na fiscalização de supostos casos de campanha antecipada.

Cada qual tem um gosto. Para o meu gosto já está flexibilizando no tocante à campanha eleitoral"


Marco Aurélio Mello, ministro do STF e do TSE

Pela legislação, a propaganda eleitoral só é permitida a partir do dia 6 de julho. Mello disse que a posição da atual composição do TSE explicitada em julgamentos deste ano de não interferir no debate político faz com que prevaleça "a lei do mais esperto".

"Cada qual tem um gosto. Para o meu gosto já está flexibilizando no tocante à campanha eleitoral. [...] Os colegas que vão compor a maioria [...] já sinalizaram que não se deve, tanto quanto possível - mas o tanto quanto possível é de um subjetivismo maior -, interferir e deixar que prevaleça quem sabe a lei do mais esperto, do mais audacioso, no descumprimento da regra jurídica", observou o ministro.

Oposição

Segundo Toffoli, a limitação da campanha aos meses de julho, agosto e setembro dos anos em que ocorrem eleições beneficia "quem está no poder". Na visão do novo presidente do TSE, se a lei fosse levada ao pé da letra, os candidatos de oposição não teriam a oportunidade de se tornarem conhecidos pelos eleitores.

"Passamos 20 anos de governos militares e de não poder votar para presidente, e parece que agora se quer colocar cercadinho de três meses [nas campanhas eleitorais]. Isso só beneficia quem está no poder. A oposição só poderia passar a existir no Brasil nos últimos três meses de campanha. Como ficam os pré-candidatos que querem ser opção de altenância ao poder? Não podem se movimentar pelo país porque estão em campanha?", questionou.


Sem constrangimento


O TSE tem como tradição eleger como presidente o ministro do Supremo cujo mandato na Corte eleitoral se iniciou há mais tempo – Toffoli é ministro titular do TSE desde maio de 2012. Dos sete ministros titulares do TSE, três são ministros do Supremo. Todos podem ficar até quatro anos na Corte eleitoral.

Além de Toffoli, os atuais integrantes são Gilmar Mendes, que tomou posse no TSE em fevereiro deste ano, e Marco Aurélio Mello, cujo mandato de quatro anos se encerra. Nos próximos dias tomará posse como ministro titular Luiz Fux.

Toffoli tem 46 anos e é ministro do Supremo desde 2009, quando foi indicado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes, foi advogado-geral da União e subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil. Especialista em Direito Eleitoral, já atuou como advogado do Partido dos Trabalhadores (PT).

Desde a minha indicação para o Supremo e minha aprovação no Senado eu virei essa página desta história [experiência como advogado do PT]. Desde 2009, sou juiz, meu compromisso é com a Constituição"

Dias Toffoli, comentando se lhe causava constrangimento presidir o TSE em ano eleitoral

Durante o julgamento do processo do mensalão do PT, Toffoli votou para absolver o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pelo crime de corrupção ativa, mas Dirceu acabou condenado por oito votos a dois. Toffoli deu votos para condenar, pelo mesmo crime, os petistas José Genoino e Delúbio Soares.


Na entrevista à rádio CBN, Toffoli foi questionado sobre se lhe causava "constrangimento" assumir o TSE em um ano eleitoral, devido ao seu histórico de ligação com o PT. Ele respondeu que, desde que assumiu uma cadeira na Suprema Corte, virou a página de sua atuação partidária.


"Desde a minha indicação para o Supremo e minha aprovação no Senado eu virei essa página desta história. Desde 2009, sou juiz, meu compromisso é com a Constituição", enfatizou.

Agora vamos comparar com o Mantega? Ou: Cada um com sua realidade…




Fonte: Folha


Deu na Folha hoje: o ex-secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, teria sugerido o nome de Armínio Fraga a Obama, como potencial candidato para presidir o Federal Reserve, o banco central mais poderoso do mundo. Geithner chama Armínio de “confiável e competente” e de “líder notável” em seu livro de memórias lançado ontem.


O ex-secretário do Tesouro americano ficou muito impressionado com a habilidade de Armínio, especialmente ao administrar a crise financeira. Como Armínio Fraga também possui cidadania americana, seu nome foi indicado por Geithner como potencial candidato ao Fed.


Nada mal. Agora vamos comparar com o Mantega? Calma, não acho que é para tanto desespero assim por parte dos petistas. Tenho certeza de que Axel Kicillof, o jovem e “brilhante” líder keynesiano da equipe econômica argentina, também faria uma indicação semelhante ao governo Kirchner, se Mantega tivesse cidadania argentina. E a cerimônia de posse seria assim, como um show de rock formado por estrelas.


Caso a Argentina não desse destaque ao brilhantismo de Mantega, não tenho dúvidas de que a Venezuela o faria. Posso até ver o grande presidente democrata Nicolás Maduro convidando Guido Mantega para assumir as finanças de seu país e, assim, colocar tudo em ordem. Ou não…



Cada um com sua realidade, não é mesmo? Quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré. Por que pego no pé do Mantega? Ora, não é nada pessoal. É “só” porque ele vem colaborando para a destruição de nossa economia, nada mais. Tenho essa mania de não gostar muito de inflação alta, por exemplo. Coisa minha. Bobagem.


Brincadeiras à parte, a comparação serve para um propósito importante: mostrar como há um abismo intransponível entre o quadro técnico dos tucanos e o dos petistas. Com todas as críticas legítimas que fazem ao PSDB, e que sou o primeiro a endossar, considero absurdo jogar ambos no mesmo saco. Um tem Armínio Fraga, o outro tem Guido Mantega. Preciso falar mais alguma coisa?


Rodrigo Constantino

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‘Gasto público deveria ser limitado por uma lei’, diz Armínio Fraga

Na avaliação do ex-presidente do Banco Central, medida abriria espaço para a reforma tributária

13 de abril de 2014 
O Estado de S. Paulo

Armínio Fraga - Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão
Armínio Fraga

Há poucas semanas, o senador Aécio Neves, candidato dado como certo para disputar a presidência pelo PSDB, oficializou a escolha do economista Armínio Fraga para o posto de coordenador econômico de sua campanha. Nesta série de entrevistas que ouve economistas integrados ao debate político e, não raro, ligados aos partidos, Fraga é o mais engajado. Muitos já o consideram ministro da Fazenda, caso o PSDB ganhe a eleição. Ex-presidente do Banco Central, Fraga diz que ainda não se aprofundou no estudo das propostas, mas o esboço tem pilares claros: fortalecer a política fiscal, ajustar a inflação para o centro da meta, desengavetar a reforma tributária, entre outras medidas que podem exigir ajustes nem sempre populares. Mas ele acredita que o importante é antecipar o que deve ser feito, sem "populismo" eleitoral. "O custo de tomar medidas impopulares é muito menor do que o de não tomar", diz na entrevista que segue.

Como o sr. vê a economia hoje?

Estou vendo um quadro que se quantifica com poucos números. Um crescimento baixo, já entrando pela quarto ano, e a sinalização de que o ano que vem também pode ser difícil por causa dos problemas que estão se acumulando. Ao mesmo tempo, há uma inflação alta, em torno de 6%, já há bastante tempo, mas reprimida.


A inflação real anda mais alta. Talvez entre 7% e 8%. Esse não é um quadro bom. Há também o fato de que o déficit em conta corrente do Brasil caminha para 4% do PIB no momento em que os Estados Unidos segue para a normalização da taxa de juros e, eventualmente, a China deve desacelerar. Isso também é uma questão, especialmente porque a taxa de investimento do País não está aumentando. Agora está acontecendo um movimento no mercado - que eu diria ser técnico, com recursos mais de curto prazo, indo para um lado ou para outro, mas isso não deve trazer um grande conforto.


O quadro geral ainda não é tranquilo lá fora. Olhando aqui para dentro no Brasil, hoje o governo concede 60% do crédito, que incorpora ainda repasses do BNDES.



 Há não muitos anos eram 40%. É um modelo testado por nós, testado por vários outros países que tende a não entregar o resultado que se quer - tanto do ponto de vista de produtividade, da qualidade das decisões de crédito e financiamento que são tomadas, quanto do ponto de vista do risco.


O exemplo radical são os Estados Unidos com as grandes do mercado de hipotecas, Fannie Mae e Freddie Mac (empresas privadas, mas com propósito público, que eram implicitamente garantidas pelo governo), que tiveram uma participação fundamental na bolha - uma senhora bolha. Mesmo nos países mais maduros, essas lições permanecem válidas. Há outros temas, de caráter mais setorial. Energia está no topo da lista. Estamos correndo um risco muito grande nessa área.


Os dados, infelizmente, vêm piorando. É grave a questão. O setor de petróleo é outro bem conhecido. À Petrobrás foi designado o papel de grande locomotiva do setor, mas, ao mesmo tempo, o governo vem asfixiando o fluxo de caixa da empresa. Para não falarmos de outras intervenções, como o mix de política industrial, política setorial também. Enfim, que não vem dando resultado.


Talvez fosse até previsível. Em paralelo, estamos vivendo a crise no setor de etanol - o que é uma tristeza. O setor tem tudo para ser um líder global. Esse é um setor menos antipático ao meio ambiente do que o do petróleo, que o dos combustíveis fósseis. Estamos na situação singular de subsidiar o setor de combustíveis fósseis - algo que vai na contra mão da recomendação técnica.


A determinação é taxar e não subsidiar, porque esse setor produz um efeito negativo para a sociedade. Esse é o típico caso em que se recomenda fazer o oposto do que estamos fazendo. A infraestrutura também é uma área que apresenta muitos desafios. Nesse caso, a visão é que temos uma moeda com dois lados. Por um lado, a infraestrutura virou um gargalo seriíssimo em praticamente todas as suas dimensões - e, portanto, é uma barreira ao crescimento.


Mas ela deveria ser uma fantástica oportunidade. Eu acho que se os futuros governos acertarem a mão nas questões regulatórias e em outras que influenciam esse setor, eu penso que ele pode virar ao nosso favor. Mas, nesse momento, é um problema. O resumo é o seguinte, pensando de uma maneira mais esquemática: a minha leitura é que hoje nós temos uma macroeconomia que está perdendo as âncoras.


A área fiscal perde credibilidade, o chamado tripé certamente está bem fragilizado. A microeconomia, que deveria funcionar mais livre, apostando na concorrência, sofre por estar muito amarrada - e amarrada na parte que cabe ao governo. Portanto, temos dificuldades em buscar mais produtividade. Subindo ainda mais um nível nesse esquema, penso que isso tudo espelha uma grande crise no Estado - um Estado que vem continuamente crescendo, mas não tem sucesso em entregar aquilo que se espera dele.


A qualidade da educação avança lentamente. A população se queixa muito dos serviços de saúde. Hoje um tema absolutamente vivo e importante é o da segurança. No geral, seria preciso atacar essas questões. Claro que ninguém ainda inventou uma fórmula para fazer transplante de Estado - essa é uma questão de prática. São os governos que vão, aos poucos, melhorando ou piorando as instituições de um país - e o governo precisa cuidar disso melhor.


Não há exemplo de país que tenha se desenvolvido sem um Estado bom. Pode ser pequeno ou médio. Eu sou cético em relação a ideia de que um País como nosso pode e se desenvolver com um Estado grande demais. Um país precisa crescer, precisa distribuir também, com certeza, mas eu não vejo o mundo social como um jogo de soma zero. É preciso balancear as coisas. Mas eu vejo o nosso modelo falhando, tanto pelo lado da distribuição, que ainda é muito ruim, como pelo lado do crescimento.


Diga-se de passagem, não acho que os dois sejam incompatíveis. Ao contrário. Mas é preciso estruturar o funcionamento do Estado para que ele atinja esses objetivos - e nesse momento, eles não estão sendo atingidos.


O que, na sua avaliação, pode acontecer por causa dos problemas que descreveu?

Eu vejo várias dimensões, como já mencionei. Algumas delas mais dramáticas, outras menos. Eu colocaria no topo da lista hoje a questão da energia. Na medida que a água atingir um certo nível - e já estamos quase lá - provavelmente será preciso organizar um pouco as regras do setor. A política de subsidiar ou reduzir de maneira artificial o custo da energia aponta na direção de mais escassez lá na frente. Não ajuda. Há que se tomar muito cuidado.

Se nós tivermos o azar de as chuvas continuarem fracas, será preciso tomar providências o quanto antes. Isso é delicado porque o tema é facilmente misturado com a política - mas é inevitável que seja assim. Faltou planejamento. Esse setor deveria trabalhar com flexibilidade para aguentar não um ano de seca, mas três. Essa era a regra dos especialistas. A energia é o caso em que poderia haver um problema maior - os outros casos não são tão dramáticos, mas são igualmente sérios. O governo vem esticando a corda em várias áreas da chamada macroeconomia. Chega um ponto em que o cobertor fica curto. Eu penso que chegamos a esse ponto.


O caso da Petrobrás é um exemplo. Descapitalizaram a empresa. O governo precisa arrumar recursos de outra maneira. Isso gera subsídios. No setor elétrico, por exemplo, os custos elevados de sustentar esse modelo, as estimativas variam, mas os consumidores já estão sentindo o custo das termoelétricas. É grave. O custo é grande. Então: de um lado a inflação preocupa, do outro lado, o impacto fiscal preocupa. Assim, há uma sensação geral de perda de confiança que vem paralisando bastante o investimento. Esse é um caminho mais lento em direção ao futuro - e lento numa direção ruim. Estamos em um ano de eleição.


Tipicamente, em anos de eleição, os governos são mais flexíveis na condução das políticas. Aconteceu em 2010. Só que, neste ano, o governo já entra com dificuldades. O saldo do primário já vem sendo atingido com receitas não recorrentes e alguns artifícios de natureza contábil, mas é preciso dar uma resposta mais clara, até para que, mais adiante, seja possível retomar a trajetória de queda da taxa de juros, que voltou a níveis muito elevados.

Essa, ao meu ver, é uma boa forma de se pensar o que precisamos num regime macroeconômico. Eu venho dizendo, já há algum tempo, que o Brasil tinha que ter como objetivo juros de BNDES para todo mundo. O Pérsio Arida (um dos economistas que idealizou o Plano Real), numa palestra recente, sugeriu que o conjunto das políticas macroeconômicas se voltasse para atingir esses objetivos também. Ou seja: ter juros mais normais no Brasil.

Esse é um quadro que sugere o esgotamento de um modelo. Já vivemos isso na nossa história. Modelos se esgotam. Isso é percebido por analistas, mas, normalmente, se encontra muita dificuldade na hora de mudar. Os modelos, por piores que sejam, têm sempre ganhadores - e os ganhadores se agarram aos modelos e procuram evitar as mudanças. É uma questão de economia política.

Isso aconteceu conosco na década de 70, quando o Brasil procurou esticar o modelo que já não era capaz de entregar resultados. Deu no que deu. Naquela época foram crises de balanço de pagamento, inflação e tudo mais. Não quero dizer que a situação é igual. Mas é fato que o Brasil hoje está vulnerável e precisa mudar. Essa segunda dimensão de crise é mais difusa porque são vários fatores agindo ao mesmo tempo. E ainda temos a possibilidade de 2015 ser ainda um ano com baixo crescimento. Há tensões políticas e sociais. São quadros complexos, mas que tem no fundo essa linha - é preciso mudar.

Levando em conta essas questões de curto prazo, o que o governo precisa fazer na largada em 2015 para resolver os problemas?

Cabe uma resposta bem ampla - talvez mais ampla do que possamos detalhar aqui. Eu começaria com o lado macroeconômico. Começaria com um reforço muito transparente das bases do tripé. Deveríamos ter metas claras e transparentes para a contabilidade do saldo primário. As metas deveriam ser plurianuais. Haveria também um comprometimento com a normalização dessa situação de inflação reprimida e, ao mesmo tempo, a busca de convergência para a meta. Se as duas ações são coerentes, elas se reforçam.


Nos últimos anos, o Brasil viveu momentos difíceis em que a política fiscal era expansionista, a política de crédito público - que é muito relevante aqui no Brasil - era também expansionista e o Banco Central tentava, do seu lado, enxugar a demanda e segurar a inflação. Eu penso que esse reforço traria um grau de coerência. Racionalizar a atuação dos bancos públicos faria parte dessa equação.


Do lado macro, isso ajudaria a reduzir o prêmio de risco que o Brasil paga. Quando o Brasil paga mais, todas as empresas que estão aqui pagam mais, todas as pessoas que vivem aqui pagam mais também. É algo muito direto. No lado que nós podemos chamar de micro, eu penso que há necessidade de abrir mais frentes. Na infraestrutura, ao meu ver, seria necessário um trabalho detalhado em cada área, repensando o que vem sendo feito, procurando estimular o debate e o entendimento sobre porque as coisas não estão acontecendo. Penso que há dimensões que são de arquitetura - do desenho mesmo.

Mas tem também o lado da execução. É preciso repensar o modelo com o setor privado em diferentes áreas. Em vários casos, pode caber privatização. A agenda da infraestrutura é muito ampla - inclui portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, energia, telecomunicações, saneamento. Inclui praticamente tudo da nossa infraestrutura. Mas existem vários outros temas.

O Brasil precisa, urgentemente, pensar numa reforma tributária que simplifique o sistema. Isso envolveria, essencialmente num primeiro momento, todo o aparato de tributação indireta. ICMS. IPI. Organizar e simplificar seria muito bom. Cabe mencionar que, ao meu ver, o crescimento da carga tributária precisa ser limitado. Para isso, volto um pouquinho ao lado macro - o Brasil precisa também adotar um limite para relação gasto público e PIB.

Por lei?

Por lei ou por decisão de governo, num primeiro momento. Mas é preciso trabalhar para isso. Hoje, para um País de renda média, nos temos uma carga tributária muito elevada. Isso é contraproducente. Isso está dentro daquela ideia de que a economia precisa continuar trabalhando para melhorar a distribuição de renda desse País - que é terrível ainda - mas, ao mesmo tempo, precisa também criar condições para que a taxa de investimento também aumente, para que o País seja mais produtivo. São muitos os assuntos nesse mundo que chamo de micro. É muito trabalhoso. Mas não creio que seja um bicho de sete cabeças. Dá para fazer se tivermos uma agenda e também pessoas capazes ocupando posições chaves. É um desafio enorme de RH também.

Qual seria o teto de crescimento do gasto público?

Os gastos teriam que crescer igual ou abaixo do PIB. E na trajetória que está os gastos crescem mais que o PIB...
Há muito tempo - e isso é natural. A sociedade tem demandas. Por mais que tenha crescido e melhorado muito nos últimos 20 anos, o Brasil ainda é um País carente. Mas é fato que se você fizer uma pesquisa vai identificar que a sociedade quer tudo. Mas isso é uma grande ilusão. É preciso pensar a coisa de uma forma dinâmica. Instantaneamente, você pode até tentar alocar mais. Mas olhando a trajetória para frente, esse não é o melhor modelo.

É um trabalho difícil, mas politicamente importante. Precisa ser feito com transparência. É típico em momentos de eleição a gente ouvir propostas em que a conta não fecha. Dizem: eu quero 10% para cá, outros 10% lá, mais 10% aqui. Você vai fazer a conta e não fecha. E vem: vou ter de aumentar a carga tributária em tantos pontos do PIB. Sinceramente, para um País como o nosso, é difícil imaginar como isso possa acontecer. É um tema difícil. Eu não sou político. Vejo apenas a necessidade de um debate honesto. Não populista.

Qual seria o tamanho do esforço fiscal?

Acho que será preciso fazer um levantamento da situação. Não dá para arriscar um número agora. Mas acho que o Brasil precisa de uma meta positiva para o saldo primário, talvez maior um pouco do que ela é hoje, nem que seja um tempo. E essa meta deve ser plurianual. Essa parte é menos difícil. O tema do crescimento do gasto é complexo. Não podemos nos iludir. Mas esse tem que ser um objetivo a perseguir com rigor e, se for necessário, com a proposição de reformas também. Não tenho um programa pronto aqui para discutir.

Em que campos as reformas?

Eu penso que em todas as dimensões do gasto. Antes de tudo, é preciso mapear para, depois, tomar as decisões. Hoje eu presto uma assessoria ao senador. Estudo e acompanho o que acontece no Brasil, mas continuo dedicando uma parte do meu tempo à minha empresa. Mais adiante, se ocorrer uma mudança, e eu participar, com a eleição do senador Aécio, seria o caso de eu e muitos outros refinarmos essas questões. Mas elas estão na categoria de questões polêmicas que se prestam ao populismo que, ao meu ver, não agregam nada à qualidade da discussão e ao próprio eleitor. Eu estou sendo um pouco cuidadoso porque acho que é impossível negar a importância disso. Mas ir além é perigoso.

O próprio Aécio falou que está disposto a tomar medidas impopulares...

Sim, falou. Mas o que ele não falou - e eu não tenho procuração para falar por ele - é que o custo de tomar as medidas por ventura impopulares é muito menor do que o de não tomar. As pessoas têm de cair na real.



Na prática, como é possível reduzir o gasto público com tanta demanda reprimida?


É questão de dar ao orçamento a importância que ele merece num ambiente democrático. É preciso incluir tudo no orçamento - todos os subsídios - e discutir o que dá para fazer e o que não dá para fazer. A sociedade quer ou não aumentar a carga tributária? Que custos e benefícios isso traria? A questão é decidir. Não é possível transformar o Brasil instantaneamente numa Suíça ou num Estados Unidos. Dá para chegar lá, mas demora um pouco e de trabalho.

A como fica a distribuição de renda? Uma das críticas é que isso implicaria cortes em programas sociais...

Não creio. Se você olhar os números vai ver que o bolsa família não consome tanto dinheiro assim para o tamanho do resultado que gera. Acho que precisamos discutir o que fazer além do bolsa família. O próprio senador Aécio Neves tem feito propostas nessas direção - inclusive pensa em transformar em lei. Seria ótimo para deixar claro à população que esse é um tema importante. Mas precisamos ir além. As pessoas querem ter qualidade vida, mesmo quando têm uma vida difícil. Mais do que isso - querem trabalhar, querem que seus filhos se qualifiquem para ter uma vida digna. Temos que usar o bolsa família como uma base.


Todos os candidatos sabem disso. Às vezes fazem ameaças: dizem que vão acabar com o bolsa família. Isso é um absurdo. É uma mentira. É preciso analisar melhor para onde o dinheiro público está indo. O Gustavo Franco fala com frequência que há no Brasil o bolsa empresário. Ele coloca isso de uma maneira muito gráfica, muito boa. Isso precisa ser discutido. Sempre. Agora, antes da eleição, e depois também. É uma carência no debate: para onde vai o dinheiro? Qual o impacto distributivo de tudo isso? É um ótimo tema para encarar de frente.

E de onde o sr. acredita que viria o crescimento econômico?

Esse é outro ponto bom. É uma bela pergunta: de onde vem o crescimento? É como aquela pergunta das criancinhas: de onde vem os bebês? Certamente, o crescimento não vem com as cegonhas. O crescimento vem de mais investimento em capital, em educação e de mais produtividade em geral. Ou seja: vem de uma economia que funcione melhor. E quem é o grande participante da economia? O Estado. Então é preciso que o Estado também faça a sua parte. Mas isso não querer dizer que seja preciso aumentar o gasto público.


Aumentar o gasto pode gerar demanda no curto prazo. Mas demanda não basta. É preciso resposta da oferta: mais produção, mas emprego, mais investimento. O crescimento depende do casamento entre demanda e oferta. Hoje fica claro que o governo fez uma aposta hiper keynesiana na demanda. De novo, eu insisto: claro que deve haver demanda. Nenhum empresário vai investir se não acreditar que vão comprar os produtos deles. Mas precisa haver oferta - e é isso que está falando no Brasil. Não falta demanda. A demanda continua lá.

Estabilizando o Brasil, quando o crescimento poderia ser mais robusto?

Rápido. Um ano. Dizer em quanto é chutar um pouco, mas um País que tem uma renda per capita inferior em 20% a renda per capita dos mais ricos deveria poder crescer durante vários anos a 4%, 5% ao ano, mesmo com a demografia piorando. Temos que nos lembrar que a taxa de crescimento da força de trabalho caminho para zero ao longo de relativamente pouco tempo. No passado, só daí vinham uns 3 pontos porcentuais de crescimento.

Essa nova realidade sugere que um crescimento sustentável de 4 a 5% seria excepcional. E acho também que a China vai cair para algo assim. Havia um certo sonho aqui de que o Brasil poderia crescer 10% ao ano - mas é bem mais difícil. Nem sei se é viável numa sociedade como a nossa, que tem uma preocupação muito grande e correta com o social. A China tem uma preocupação com o emprego, mas só um regime autoritário poderia fazer o que eles fizeram: reproduzir um modelo de desenvolvimento sem rede de proteção social - algo altamente indesejável do meu ponto de vista. Mas aqui no Brasil há uma certa inveja do que eles fizeram. Eu não teria inveja, não. Acho que estamos bem. É só arrumar a casa.

O sr. mencionou privatizações. Há setores em mente?

Nenhum especificamente. Mas penso que todos os da infraestrutura se oferecem bem para esse caminho - o que o governo chama de concessões. É a mesma coisa. Eu não tenho medo de usar a palavra que acho correta. Mas praticamente todos da infraestrutura cabem em regimes de concessão, em parcerias público privadas, sem perda de controle do regramento que cabe ao Estado em vários desse setores. Não creio que isso seja incompatível com esse desenho. Como esse desenho é do presidente Fernando Henrique, ficou hibernando um tempo, e agora voltou. É ótimo que tenha voltado.

No evento de aniversário do Real, o ex-presidente Fernando Henrique disse que o Plano Real é o início de um processo que foi interrompido. O espírito é retomar àquele processo?

É preciso ter na cabeça a sequência do que aconteceu. O Plano Real tirou o País do caos. Não havia chance para nós na bagunça da hiperinflação. Depois veio a reforma do Estado. O Estado no Brasil fazia coisas demais. Estava envolvido em siderurgia, fertilizantes, tinha presença maciça no setor financeiro, com bancos estaduais. Nada daquilo vinha dando certo. Houve essa guinada e, na época, a decisão de Fernando Henrique foi focar em saúde e educação especificamente. Nas outras, ter uma presença indireta - sempre que possível, acreditando na concorrência. Eu penso que não há nada mais saudável do que a concorrência. Os empresários não querem moleza. Querem um ambiente previsível, limpo, para concorrer, inovar, investir e assim por diante. Hoje eles são meio reféns da situação e isso não é o ideal.

Depois da guinada, as coisas foram evoluindo. Houve a chegada do PT ao poder - num primeiro momento, uma excelente surpresa. Agora, de uma certa maneira, estamos retrocedendo. O presidente Fernando Henrique, naquela comemoração, fez menção a um ponto claro, como aliás é do feitio dele, sobre a atuação do governo. Usando minhas palavras, mas colocando mais o ou menos o que ele disse: a fase de uma presença e de atuação do governo em vários desses pontos, saúde e educação, por exemplo, já alcançou quantitativamente um tamanho bom. Mas agora chegou a fase da qualidade. O Estado precisa melhorar a qualidade dos serviços que entrega para a população. Além desses dois, o tema da segurança é um dos mais importantes e o tema da regulação, idem. Tem muita coisa a ser feita do ponto de vista qualitativo. Foi o que ele colocou lá e eu penso que é uma boa maneira de definir o que é preciso fazer.

O que fazer com a política do salário mínimo, que começa a ser revista no início de 2015?

É outro tema que precisa ser discutido. O salário mínimo cresceu muito ao longo dos anos. É uma questão de fazer conta. Mesmo as grandes lideranças sindicais reconhecem que, não apenas o salário mínimo, mas o salário em geral, precisa guardar alguma proporção com a produtividade, sob pena de, em algum momento, engessar o mercado de trabalho. A política do salário mínimo tem tido impactos relevantes. É um tema muito complexo e polêmico. Não tenho uma receita pronta. Estou prestando uma assessoria ao senador Aécio Neves, mas não estou entrando neste nível de detalhe. Outras perguntas que chegam com frequência é sobre como fazer a reforma tributária, o que fazer com as desonerações, o que fazer com os preços congelados - vão liberar de uma vez, vão fazer gradualmente? São questões da maior importância.

Quem assumir o governo vai ter de pensar em tudo isso. Mas o tema é polêmico. Eu gosto muito de analisar as coisas antes de emitir uma opinião. É opinião antiga, de gente que faz conta, que o vínculo do salário mínimo com a previdência tem um custo. Como ocorre em todos os outros temas, é preciso pensar em custos e benefícios. Nesse ponto, entramos no terreno da política, onde não me sinto à vontade para entrar, especialmente neste momento. É fácil ser mal interpretado.

O sr. mencionou que o importante é ter um ambiente favorável aos negócios. Estão pensando também na reforma trabalhista?

É outro tema. Não tenho dedicado muito tempo a essa área. Todo economista que fala de reforma no Brasil cita as reformas tributária, trabalhista, previdenciária. São temas antigos. Eu não teria uma proposta. O Brasil, bem ou mal, está com o desemprego baixo. Talvez não seja um tema tão urgente quanto o da reforma tributária.

E além da reforma tributária, há outra reforma prioritária?

Sim. Toda a política externa do Brasil precisa ser repensada. Essa estranha predileção por parcerias e aproximações com regimes autoritários, como Cuba e outros exóticos, não tem trazido nenhum benefício ao Brasil. Não quero dizer que o Brasil não precisa ter um diálogo com todo mundo, com a Venezuela, por exemplo. Mas o Brasil precisa se engatar nas grandes locomotivas mundiais. Esse é um ponto muito importante. Já não é de hoje que vejo com muita preocupação a posição do Brasil no ranking do Banco Mundial chamado Doing Business. É um ranking de ambiente de negócios e o Brasil está lá embaixo na classificação. Não me lembro exatamente a posição, mas sei que ele está lá atrás. Eu penso que o Brasil poderia tratar de todas essas dimensões.

Em termos de política externa, o que deveria ser feito?

Como a maioria dos economistas, tenho muita simpatia por acordos multilaterais. Mas esse front não tem avançado. Quem sabe agora, com o embaixador Roberto Azevêdo (diplomata brasileiro, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, a OMC), as coisas comecem a andar. Ele começou muito bem. Mas é uma tarefa muito difícil. O Brasil precisa estar preparado para entrar nela e ter, claro, do outro lado, uma costura igualmente aberta.

A própria postura dos Estados Unidos tem sido difícil em temas como o setor agrícola e o antidumping. Esse é um caminho. Mas, na prática, em paralelo à OMC, a maioria dos países tem feito acordos bilaterais e regionais. O Brasil precisa avançar nesse direção. Primeiro, imagino, com a Europa, que já está pipeline (expressão em inglês que significa roteiro) há algum tempo. Eventualmente, poderíamos pensar algo com Estados Unidos e China. Talvez seja necessário repensar o Mercosul também. Especialistas acreditam que o Brasil, a essa altura, poderia transformar a união aduaneira num tratado de livre comércio. Tenho simpatia pela ideia.

O sr. é a favor da autonomia do Banco Central?

Sou. E sou porque, na prática, é o que os governos tendem a fazer na maior parte do mundo. Eu gosto de usar a nomenclatura "autonomia operacional". Ou seja: a definição das metas ficaria com o governo e, claro, deveriam ser metas de longo prazo para não ficarem expostas aos ventos do círculo político. Mas o governo preservaria esse direito. Isso significa ter mandatos para os dirigentes do Banco Central. Claro que se houvesse problemas na atuação, se não estiverem cumprindo os seus objetivos, o governo, no limite, poderia pedir ao Senado a remoção de quem for, inclusive do presidente. Esse é um sistema bem testado e requer um Banco Central transparente. Mas, hoje, ninguém questiona isso.

Eu passei pelo Banco Central e posso garantir: uma das grandes vantagens do modelo de metas da inflação é justamente a interação com os analistas, os economistas, os consultores que trabalham, no fundo, de graça para o Banco Central. O Banco Central apresenta suas ideias, explica o porque de suas ações e recebe as críticas, que são extremamente úteis. Funciona bem. Claro que precisa ser um sistema flexível, no sentido de o Banco Central poder e dever trabalhar para suavizar o ciclo econômico - é uma função clássica - e ser o guardião da estabilidade financeira. Esse seria o desenho. Eu creio que isso deva ser transformado em lei.

Na sua passagem pelo Banco Central, em 1999, o sistema de metas de inflação serviu como uma âncora. Nesse momento de transição, que o sr. descreve como difícil, o sistema de metas pode ser um âncora ou será preciso outra política?

O sistema de metas de inflação é muito bom, mas sozinho não chega lá - é preciso uma âncora fiscal. Foi o que aconteceu naquela época. Lembro muito bem do esforço fiscal, naquele momento muito maior e, em paralelo ao esforço de aumentar o saldo primário, houve também todo um trabalho que desembocou na Lei de Responsabilidade Fiscal. Nós que estávamos no governo na época já procurávamos cumprir. O projeto já havia sido apresentado e aquilo era uma bússola para o nosso trabalho. Sem o fiscal, o sistema de metas teria fracassado. Eu penso que a situação hoje é idêntica nesse sentido. O momento naquela época era mais turbulento, porque havia medo que a inflação voltasse a níveis elevados. Primeiro, as expectativas no início de 1999 eram muito dispersas, depois, muito elevadas, entre 20% e 50%.

Nós tínhamos saídos de um ambiente hiperinflacionário, a duras penas. Antes do Plano Real, vários planos foram testados e deram errado. Havia um receito naquele momento: será que vai ser mais um caso como os outros? Felizmente, não foi. Mas foi preciso um esforço fiscal que, aliás, foi anunciado pelo presidente antes da eleição - isso é muito importante. Ele teve a coragem e o bom senso de pactuar isso com a sociedade e, depois, pôde fazer as coisas com toda a tranquilidade. De novo, eu repito o que disse para a situação de hoje: o custo para o ajuste é muito menor que o custo do não ajuste. Naquela época, as projeções para o crescimento do PIB eram menos 4% em janeiro de 1999. Depois, acabou sendo ligeiramente positivo - uma diferença de 4%. Eu sou a favor que as providências sejam tomadas.

Nessa reorganização, como ficam os repasses dos bancos públicos, como BNDES?

Esse é um daqueles temas. Eu penso que o trabalho dos bancos públicos carece de mais análise e transparência. Não existem estudos sobre o que o BNDES vem fazendo há décadas. Eu até conheço o trabalho do BNDES e creio que um estudo seria bastante interessante. Mas o BNDES vem se agigantando, fazendo empréstimos a taxas muito baixas, sem, ao meu ver, uma análise do impacto social desses programas, até para que se possa decidir se vale a pena continuar ou não. Carece de transparência. Minha impressão é que vai ser preciso fazer essa análise - e o papel do BNDES, a médio prazo, será menor. Não há muita dúvida. É preciso dizer que a maioria das atividades não precisa de subsídio. Eu já disse isso. Os empresários precisam ter um ambiente bom para trabalhar, mas não há necessidade de subsidiar. Até acho que os subsídios põem pressão na taxa de juros para o não favorecidos.

Qual seria o papel da indústria?

O papel da indústria é muito importante. É inegável que a nossa indústria vive um momento difícil. O ataque nessa questão precisa ser feito em várias frentes. Toda essa questão do Custo Brasil, da infraestrutura, da questão tributária faz parte da resposta, bem como a integração do País às cadeias globais. Eu penso que as lideranças empresariais - hoje muito bem representadas por pessoas como Pedro Passos (sócio da Natura e Presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), que vêm revolucionando a maneira de pensar o setor - têm uma visão mais holística da coisa.

Mas é inegável, também, que a evolução natural do desenvolvimento leva o setor de serviços a ficar maior do que o da indústria. Não há problema nisso. Às vezes, as pessoas pensam que só é bom o que elas podem pegar, mas não é assim. Só para citar um exemplo: há os serviços de saúde. Tem coisa mais importante do que a saúde? Vai ser natural: com o tempo, o setor de serviços vai ganhar mais espaço. O turismo, o entretenimento, a saúde, a educação. Mas está claro que a indústria precisa de uma atenção. Tem cura. O Brasil é grande. Não tenho medo nessa área, mas vejo muitas dificuldades.

O sr. viveu duas transições na prática - a de 1998 para 1999 e depois o final do governo de Fernando Henrique para o de Lula. Agora está no meio do debate de uma eventual transição. Há comparações entre os diferentes momentos?

Eu vivi outra transição. Fui diretor do Banco Central em 1991 e 1992. Fiz parte da segunda equipe econômica do governo Collor (ex-presidente Fernando Collor de Mello) para criar as condições de estabilização. Foi uma tremenda encrenca aquela época. Eu acho que faz parte do processo de amadurecimento. Se eu puder colaborar, estou disposto. Desde que haja - e no caso do meu relacionamento com o senador Aécio há - um alinhamento muito grande de visões de sociedade, de governo. É uma visão genuinamente progressista e eficiente, que tem capacidade de entregar resultado. Eu fiquei muito contente quando ele me procurou.

E faz quanto tempo?

Eu o conheço há mais de 20 anos. Não foi uma coisa da noite para o dia. Mas a conversa começou em janeiro de 2013 e se aprofundou nos últimos meses. De novo: eu estou mais na estratégia do que na prática. Não faço parte da campanha. No momento, eu não posso e não é isso que ele espera de mim. Mas, eventualmente, se ele tiver sucesso - e eu acredito que terá - eu estou a disposição.

Como sr. está vendo o cenário eleitoral?

Muita água ainda vai correr. Há um clara insatisfação com o que se tem hoje. Há espaço para a mudança. Eu espero que isso aconteça - não vou esconder as minhas preferências que são óbvias a essa altura -, mas penso que seria bom, de qualquer maneira, que aconteça. Eu acredito no debate que acontece pela imprensa, mais no caderno econômico do que no de política, aqui no Brasil. O debate econômico é muito bom. Eu leio os jornais de outros países. O Brasil tem densidade nessa discussão. É preciso que essa densidade seja de alguma utilidade também para o debate político. Isso tudo pode ser muito bom, mesmo que seja o ano em que os governos costumam esticar um pouco acorda para se reelegerem.

Ciro Gomes ofende mulher do povo só por causa de uma pergunta legítima


Ciro Gomes, aquele que considera o governo Dilma uma porcaria e o PMDB um bando de ladrões, mas que dá seu apoio a ambos na defesa da reeleição da presidente, aquele que acha que não é possível cortar nem um bilhão de gastos públicos, não gostou nada de uma simples pergunta de uma mulher do povo, que quis saber por que o governo gasta tanto dinheiro com a Copa quando os hospitais estão em péssima situação.






Vejam a resposta desaforada que ele deu:


É muito desrespeito das autoridades com o povo, os pagadores de impostos, aqueles que sustentam suas doces regalias no poder. Até quando vamos aturar esse tipo de conduta?


Rodrigo Constantino

O derretimento de Dilma




Nada impede que Lula regresse. Nada – a não ser a imagem de Dilma.     Se a fama dela entrar em combustão...


Em 2010, no auge de sua popularidade, com índices de aprovação batendo no teto, o então presidente Lula tinha tudo para ganhar sua terceira eleição consecutiva. Mas, como a Constituição não permite três mandatos seguidos a um chefe do Executivo, essa alternativa não existia. Lula tinha de se despedir de seu domicílio no Alvorada. Tudo o que podia fazer era indicar um nome para lhe suceder.



Foi assim que o nome de Dilma Rousseff entrou para a história do Brasil. Foi assim que a imagem de Dilma Rousseff começou a ser milimetricamente construída. Sem nunca ter passado por eleição alguma, sem liderar um único militante do PT, sem carisma dentro ou fora do partido, a então ministra da Casa Civil virou sinônimo de gestora genial, além de ter virado também a “mãe do PACo” (alguém ainda se lembra dessa sigla?). Sua figura austera e severa, avessa a conchavos, convescotes e tapinhas nas costas, ganhou a aura de suprassumo da competência administrativa, numa proeza notável do marketing político. Que funcionou direitinho


O eleitorado comprou essa imagem, e Dilma venceu o pleito de 2010, como a gerente ideal para tomar conta do Brasil. [a mentira de ser a Dilma uma gestora competente conseguiu prosperar e invadir a cabeça do ‘eleitorado’  alienado, [invadir a cabeça mesmo, já que alguém que vota no Lula ou em Dilma, é destituído de cérebro] apesar da imprensa séria, responsável, não vendida ao governo, divulgar amplamente que a única experiência administrativa da doutora Dilma – também conhecida pela denominação de uma característica de seu cérebro = terreno baldio = foi FALIR uma ‘lojinha” de sua propriedade, especializada na venda de objetos de R$ 1,99 = as conhecidas lojas de R$ 1,99, que prosperaram nos tempos do FHC e sumiram com a inflação dilmista.]

 

A expressão “tomar conta” não é assim tão aleatória. Na cabeça de muita gente, aquele terceiro mandato vetado pela norma constitucional seria mais ou menos o mandato em que Lula sairia de férias. Alguém tomaria conta da casa, para que ele pudesse voltar quatro anos depois. Agora, quando os quatro anos se passaram, o nome de Lula continua em alta (estratosférica) em todas as pesquisas. 



Ele tem tudo para regressar. Basta uma palavra, e o PT vai sagrá-lo candidato oficial. Não há nada a impedir esse caminho. Nada, a não ser a imagem de Dilma Rousseff. A titular da caneta que, no dizer de um jornalista arguto, é o mais poderoso partido político deste país quer permanecer no emprego. Se ninguém demovê-la dessa determinação, Lula, mesmo tendo tudo na mão, ficará de mãos atadas. A não ser...

 


A não ser que a imagem de Dilma derreta. Se sua fama de gerente ultracompetentíssima entrar em combustão, se ela não mais conseguir agregar os líderes da base aliada, se expoentes do PT aumentarem o volume das críticas que já fazem a ela, bem, nesse caso, ela poderia espontaneamente pedir para sair. Aí, então, abriria o caminho para Lula voltar nos braços dos cabos eleitorais. Sem desgaste. Ele estaria de volta não como um chefe ingrato e deselegante que desalojou do emprego a primeira mulher a presidir o Brasil, mas como o soldado que diz sim a uma convocação do povo. Ninguém lhe daria mais apoio que a própria Dilma.

 


A conjectura talvez pareça irrealista, mas é bom não desprezá-la. O cenário improvável começou a ganhar viabilidade concreta quando o PMDB se rebelou ferozmente contra ela. Bem se sabe que o PMDB, esse peculiar partido de centro no qual o centro está em toda parte, é o lastro da nau da governabilidade. Se ele pular fora, a coisa aderna.  



Por enquanto, os peemedebistas só ameaçaram, não produziram estragos maiores, mas já foi o suficiente para adensar o coro do “volta, Lula”. Em seguida, estourou o escândalo da Petrobras, que vem aniquilando a reputação de gestora eficientíssima que Dilma segurou até aqui, meio aos trancos. Ainda em seus tempos de ministra, quando presidia o Conselho da estatal, ela deu aprovação expressa a um negócio que custou à Petrobras mais de US$ 1 bilhão. Não poderia haver notícia pior para uma gerente competente. Estamos falando, portanto, de uma imagem em franco derretimento.

 

Quem ganha com isso? Não, não são os opositores. Quem ganha é a coalizão que já está no poder e que, em caso de necessidade, tem na manga a melhor carta de todas: Lula lá de novo. Eis a sinuca em que se encontra a oposição. Se o mundo sorrir para Dilma, ótimo para o governo. Se, no entanto, Dilma derreter, tanto melhor. 


Por um caminho ou por outro, o isolamento é o que mais se fortalece na órbita dela. A solidão aumenta à medida que a temperatura sobe. Dilma olha para os lados e não vê ninguém – a não ser o rosto onipresente de seu maior apoiador, também seu maior pesadelo, o único que pode destroná-la.

 

Para encerrar a história, uma ironia (sempre existe uma): a imagem de Dilma vai se desfazendo não pelos defeitos que ela tem, mas pelas virtudes que ninguém lhe tira. Deixando de lado os erros administrativos, indiscutíveis, é por ter dito um ou outro não aos caciques narcisistas, de reputação pouco ilibada, que ela agora tem de gerenciar seu próprio derretimento. 


Fonte: Eugênio Gucci – Revista Época

A última do PT:Querem eliminar o Dia das Mães e o Dia dos Pais




Não podemos permitir que AFRONTEM: Escolas eliminam Dia das Mães do calendário em respeito aos novos formatos das famílias

[Vergonha na cara e caráter são valores permanentes. As famílias de BEM, devem boicotar as escolar que aceitam como normal casais formados  por pessoas do mesmo sexo.

Se as famílias de BEM, que  valorizam a MORAL e os BONS COSTUMES  e não desejam que seus filhos sejam criados no meio da FALTA DE VERGONHA - que ainda são maioria no Brasil - boicotarem tais escolas, elas terão que recuar]

Foi-se a época em que as famílias tinham um formato padrão. Hoje em dia, são incontáveis os exemplos de mães ou pais solteiros, casais homossexuais e até mesmo parentes como avós e tios educando crianças. Em respeito a essa diversidade, algumas escolas brasileiras eliminaram de seus calendários comemorações de datas como o Dia das Mães e o Dia dos Pais, substituindo-as por festas que celebram o núcleo familiar de um modo geral.
 — Não podemos generalizar na escola algo que é diferente no mundo privado, avalia Ana Lúcia Figueira da Silva, gestora da Educação Infantil da Escola Viva, em São Paulo. — As pessoas têm formas diferentes de comemorar, fazem escolhas diferentes. Além disso, a família contemporânea tem novas configurações, fora o fato de que há também pais e mães que não são presentes pelos mais variados motivos. Os contextos são diversos.
Na instituição em que Ana Lúcia trabalha, uma vez por ano cada faixa etária participa de um evento específico para o grupo, no qual é permitida e estimulada a presença dos familiares — sejam eles quem forem. — É um espaço de convívio. Funciona assim já há mais de 20 anos.
A gestora ressalta também que a proposta de ir contra a maré é uma maneira de fugir do consumismo desenfreado que acompanha as datas comemorativas. — Procuramos valorizar os rituais e o convívio, e fugir do apelo comercial, do qual o mundo já se encarrega. É claro que os dias das mães e dos pais aparecem na rotina do professor e das crianças, mas as demandas são acolhidas individualmente.
Controvérsia
A psicóloga especialista em comportamento infantil Vera Resende, no entanto, não vê com bons olhos as mudanças na tradição. Para ela, ainda que a escola modifique seu calendário e opte por não celebrar as datas, será impossível “matar a cultura”. — A instituição pode até não comemorar, mas a data continua no calendário. Não dá para riscar tudo por causa da multiplicidade. Até porque, mesmo que seja um casal homossexual, haverá alguém que faça o papel de mãe, o papel de pai. O ideal é a criança saber que ela cresce cuidada por alguém que se dedica a ela, que abandona tudo por ela.
Mesmo nos casos em que a criança perde um dos pais, por exemplo, Vera insiste que o impacto causado pelos festejos na escola não será maior do que o que a sociedade já impõe no dia a dia.  [no dia em que um homem, um ser humano do SEXO MASCULINO produzir um ÓVULO ou uma mulher, uma pessoa do SEXO FEMININO produzir ESPERMATOZOIDE, pode então ser cogitada a oficialização da pouca vergonha doentia do HOMOSSEXUALISMO.] Dificilmente vamos conseguir criar um mundo onde a criança não sofra. Não é a data em que trará a tristeza, mas sim a ausência do ente querido. O papel da educação é inserir a criança na cultura, reproduzindo a sociedade em modelos pequenos para a criança começar a praticar. E essa inserção, infelizmente, deve ser das coisas boas e das coisas ruins. AQUI
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Comentário:  Qual será o problema desses que (des) governam o Brasil sem nenhuma colação de grau? Será o ressentimento pela família, pela mulher e pelo homem?  
Essa gente toma todos os dias um CÁLICE de veneno e espera que todos nós sejamos assassinados pelo ódio.
 
A prosperidade, a família, a civilidade parece cuspir na cara deles, porque a vida deles deve ser uma DROGA..
Não permitam que aviltem, afrontem e que ROUBEM a figura da Mãe. Esses ordinários não nasceram em CHOCADEIRAS, e sim, de uma  mulher que tornou-se MÃE.



Fonte: MOVCC