sábado, 29 de novembro de 2014

Dilma e Mantega presenteiam país com PIB de 0,1% no trimestre e 0,2% no ano.


 
 
A economia brasileira cresceu 0,1% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores, informou o IBGE nesta sexta-feira. A expectativa do mercado financeiro era de alta de 0,2%, segundo analistas ouvidos pela agência de notícias Bloomberg. Em relação ao terceiro trimestre de 2013, o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) cai 0,2%. Já no acumulado do ano, a alta é de 0,2%. Em valores correntes, o PIB foi de R$ 1,289 trilhão. 
 
 
É o primeiro resultado divulgado após o país ter entrado em recessão técnica, termo usado pelos economistas para definir dois trimestres seguidos de queda do PIB. Na ocasião, o IBGE informou que houve retração de 0,6% no segundo trimestre e ainda revisou para baixo o número do primeiro trimestre, de alta de 0,2% para queda de 0,2%, levando ao quadro de recessão. Havia expectativa de revisão destes dados nesta sexta-feira, mas o instituto não alterou os índices. O IBGE revisou apenas o resultado do terceiro trimestre de 2013, que havia sido queda de 0,6%, para recuo de 0,5%.
 
 
A indústria teve alta de 1,7% frente ao trimestre imediatamente anterior, a maior entre os setores que compõem o PIB. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, no entanto, houve queda de 1,5%. O consumo das famílias, outro segmento que entra no cálculo do Produto Interno Bruto, voltou a recuar e teve queda de 0,3% frente ao segundo trimestre. O IBGE revisou o consumo das famílias no segundo trimestre de alta de 0,3% para zero. 
 
 
O investimento teve alta de 1,3% na comparação com o segundo trimestre, mas em relação ao mesmo trimestre do ano anterior tem queda de 8,5%, influenciada pela queda da produção interna e da importação de bens de capital, além do desempenho negativo da construção civil, segundo o IBGE. 
 
A taxa de poupança ficou em 14% do PIB no terceiro trimestre, a mais baixa desde 2000, quando ficou em 14,4%. No terceiro trimestre de 2013, ela fora de 15,1%. Houve recuo também na taxa de investimento, que é a relação entre o investimento e o PIB. A taxa de investimento foi de 17,4% no terceiro trimestre de 2014, frente a 19% no terceiro trimestre de 2013. O setor de serviços avançou 0,5% frente ao trimestre anterior.
 
 
O anúncio dos dados ocorre um dia após o governo oficializar a nova equipe econômica, formada por Joaquim Levy, no Ministério da Fazenda, e Nelson Barbosa, na pasta do Planejamento. Em entrevista coletiva na tarde de quinta-feira, os novos ministros anunciaram a meta fiscal para os próximos três anos. Eles também disseram que vão trabalhar em prol do crescimento econômico, mas não revelaram detalhes das novas medidas.
 
Segundo a mais recente pesquisa Focus, divulgada semanalmente pelo Banco Central, a expectativa do mercado financeiro continuam fracas para o ano. A mediana das projeções para o crescimento de 2014 é de apenas 0,2%, menor que a estimativa indicada há um mês, de 0,27%. Já para o ano que vem, os economistas esperam desempenho menor, mas ainda modesto, de crescimento de 1,3%. (O Globo)
 
 
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Oposição afirma que maior inimigo do novo ministro da Fazenda será o PT.



A oposição no Congresso demonstrou ceticismo em relação ao ajuste gradual anunciado nesta quinta-feira pelo futuro ministro da Fazenda Joaquim Levy. O sucessor do atual ministro Guido Mantega afirmou que o governo irá buscar uma meta de superávit primário de 1,2% do PIB no próximo ano e de "não menos que 2%" em 2016 e 2017. "O anúncio vai na direção certa, mas resta saber se o Levy combinou isso com o PT e a presidente Dilma Rousseff. O fato dela não estar à frente do anúncio dos novos nomes é estranho. Este é o nó da questão", disse o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN).

 
Candidato derrotado à presidência, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do PSDB, se manifestou em uma nota dura contra Dilma, a quem acusou de mentir ao país durante a campanha eleitoral com seu "discurso recheado de bondades". Lembrou que Levy faz o anúncio de ajuste gradual no momento em que o governo tenta aprovar uma alteração das metas de superávit para este ano. "Afinal, qual é o verdadeiro rosto do novo governo Dilma Rousseff? Refém de tantas contradições, o governo corre o risco de não ter nenhum", diz Aécio na nota.

 
Os líderes da oposição reconheceram que a política anunciada por Levy, calcada na redução de gastos públicos, não é essencialmente diferente da defendida pelo PSDB durante a campanha presidencial. Mas realçaram a fragilidade política do futuro ministro. "Joaquim Levy irá andar no fio da navalha", afirmou o senador Aloysio Nunes Ferreira Filho (PSDB-SP), líder da bancada na Casa e candidato a vice na chapa de Aécio. "O maior inimigo do novo ministro será o próprio PT. Perto do que o PT fará com ele, a nossa oposição será suave", comentou o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), líder do partido na Câmara.

 
Segundo Aloysio, " a própria Dilma disse no passado que uma meta plurianual de superávit primário era uma proposta rudimentar", em uma referência à proposta feita em 2005 pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que institucionalizava a politica fiscal superavitária do governo. "O que temos por enquanto no Congresso é uma proposta para ser votada eliminando a menção ao superávit primário este ano, como forma de se escapar de sanções legais no futuro", disse o senador. Na próxima semana, o plenário do Congresso deve votar a proposta de alteração da LDO que elimina a menção à meta de superávit em 2014.

 
No Rio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso preconizou que o futuro governo da presidente pode enfrentar "um tremendo problema político" e até a judicialização de decisões importantes porque "não tem condições efetivas de hegemonia no Congresso", onde constituiu sua base calcada não em afinidade de propostas mas sobre "troca de favores".

 
Para ele, até agora foi possível empurrar a governabilidade com a barriga porque a situação econômica não era aflitiva. Mas Fernando Henrique previu que, se a situação social e econômica se agravar, "é possível que a saída seja a judicialização das decisões". (Valor)
 
 

Corruptos, tremei! Pastas com provas e mais provas sobre a roubalheira na Petrobras voando da Suiça para o Brasil.


“Várias pastas cheias” (de extratos bancários). É isso que três procuradores brasileiros estão levando para o Brasil nesta sexta-feira à noite, depois de três dias na Suíça analisando documentos das várias contas bancárias do diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que escondeu pelo menos US$ 26 milhões no país europeu – dinheiro que obteve no esquema de corrupção de contratos da Petrobras. - Estes documentos vão nos permitir a chegar a vários outros envolvidos no esquema – disse um dos procuradores, Deltan Dallagnol. (foto)
Os procuradores vão manter o sigilo sobre o que viram nestes extratos até chegarem ao Brasil. As contas de Paulo Roberto Costa foram descobertas pela Suíça como parte de uma investigação de lavagem de dinheiro sujo no país. E são apenas a ponta do iceberg, explicaram os procuradores.
Por exigência dos suíços, os brasileiros tiveram que deixar no Ministério Público de Lausanne todas as anotações que fizeram sobre a investigação mais ampla da Suíça, e que vai muito além de Paulo Roberto Costa. Alegando sigilo total do caso, eles não quiseram dizer se o que os suíços descobriram até agora, aponta para o envolvimento de mais brasileiros ou de estrangeiros no esquema da Petrobras.
Dar acesso à investigação e liberar todos os documentos das várias contas que Costa mantinha na Suíça em diversos bancos foi um gesto extraordinário do Ministério Público suíço, disseram os procuradores. - Na verdade, a investigação é muito mais ampla do que Paulo Roberto Costa (isto é, que vai além da movimentação das contas bancárias de Costa) – disse Delton Dallagnol. 
Segundo os procuradores, ao investigarem toda a cadeia de pagamentos, os suíços tentam identificar todo mundo envolvido. Podem ser brasileiros ou estrangeiros. - Eles (os suíços) podem alcançar pessoas que a gente nem imaginava que existissem e que estão aqui também . A ideia é sobrepor o que as duas investigações (na Suíça e no Brasil) têm - explicou Delton 
A investigação na Suíça corre em paralelo com a investigação brasileira. E a ideia é cruzar os dados. - As investigações deles são muito boas, avançaram bastante e a cooperação é ampla. Não estão medindo esforços para investigar esse caso e adotar todas as providências cabíveis – afirmou o procurador Eduardo Pelella, que é chefe de gabinete do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. 
Pelella já marcou sua volta à Suíça para janeiro. Os três procuradores – ele, Dallagnol e Orlando Martello – insistem que o sigilo precisa ser mantido, para não se fechar porta da colaboração com os suíços : - Não dá para fechar esse canal, senão mata a galinha de ovos e anos poupados de trabalho – afirmou Pelella. Perguntado sobre o que falta para o dinheiro de Costa voltar ao Brasil, o procurador explicou que agora é uma questão de procedimento da Suíça : - É questão procedimental, que diz respeito ao Ministério Publico suíço – afirmou. 
DELATOR AUTORIZOU DEVOLUÇÃO
Foi o próprio acusado de corrupção – isto é, o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa – quem pediu oficialmente a devolução e transferência para uma conta do governo brasileiro dos cerca de US$ 26 milhões que ele escondeu em contas bancárias na Suíça. Isso explica porque o Brasil deverá obter a repatriação da fortuna roubada em tempo recorde – semanas ou poucos meses, segundo uma fonte – passando por cima de várias etapas do procedimento normal na Suíça para devolução de dinheiro sujo.
Este foi o acordo negociado há meses entre Brasil e Suíça para acelerar a devolução do dinheiro. Pelo procedimento normal, Costa teria que ser julgado e condenado em última instância, explicou Pelella. Mas como ele mesmo assumiu o crime, o Brasil negociou uma saída mais rápida com os suíços. - Nesse caso, como ele (Costa) fez o acordo de delação premiada, passou os valores e as contas, e uma das cláusulas admite que pode-se repatriar esses valores, isso abrevia muito o tempo de tramitação—explicou Pelella. (O Globo)

Operação Lava Jato: procuradores do MPF prevêem muitas prisões de políticos e até fechamento de partidos.



O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Alexandre Camanho de Assis (foto), afirmou nesta sexta-feira (28), durante evento em Maceió (AL), acreditar que a operação Lava Jato deve ter efeito similar à operação Mãos Limpas, na década de 90 na Itália, que resultou em prisões, condenações, extinção de partidos e redução de preços de obras públicas.

"Se Deus quiser, a Lava Jato terá um efeito aqui parecido com a operação Mãos Limpas da Itália. Se as coisas correrem bem, pode ocorrer algo aqui igual, ou seja, partidos políticos fechados, com prisões e condenações. Temos a perspectiva de que isso ocorra", disse Assis, que participou do 12º Congresso Nacional do Ministério Público de Contas.

Nos anos 90, a operação Mãos Limpas investigou mais de 5.000 pessoas envolvidas em casos de corrupção na Itália. Um dos punidos no escândalo foi o líder do PSI (Partido Socialista Italiano) e ex-primeiro-ministro Bettino Craxi. Alguns suspeitos chegaram a cometer suicídio, como o presidente da estatal do petróleo ENI, Gabriele Cagliari; e o empresário Raul Gardini. Estudos apontam que, após a operação, o valor médio das obras públicas caiu. Partidos também fecharam as portas após o escândalo.

Para o presidente da associação de procuradores, o Brasil caminha nessa direção ao registrar avanços significativos no combate ao crime de colarinho branco nos últimos anos. "Nesta última década, a legislação tornou o combate à corrupção uma coisa mais fácil e com aparelhamento muito maior, prova disso é a operação Lava Jato", afirmou.

Assis ainda fez uma defesa de uma força maior aos ministérios públicos do país, que deveriam ser um "novo poder constituído." "Faço aqui um exercício de futuro. Seria o quarto poder no país um poder fiscal? No combate à corrupção, como em tantas outras coisas, pressupõe a necessária instrumentalização para combater o mal, o câncer público, e que se preserve o Estado funcionando bem com a estrutura de cidadania", disse.

O procurador fez uma comparação da legislação de outros países e disse que não haverá avanços sociais plenos sem combate forte à corrupção. "Não há país no mundo que tenha conseguido melhora suas prestações com a sociedade que não tenha acordado para o fato de que é preciso fiscalizar a aplicação do dinheiro, se administração está se desempenhado bem. Essa tarefa se tornou algo básico nas democracias contemporâneas. Para isso, é preciso ter um MP à altura dessa imensa responsabilidade."

Ainda durante os debates, o procurador da República Rodrigo Tenório ainda criticou o argumento que alguns advogados das empresas acusadas na Lava Jato usaram para o caso. "É risível que eles aleguem que foram extorquidos. Quer dizer que o sujeito é extorquido para ficar milionário? Não tem qualquer fundamento", disse.

Efeito didático do mensalão

O avanço do combate à corrupção no Brasil também foi levantado pelo procurador da República José Alfredo de Paula Silva --um dos atuaram no processo do Mensalão. Ele defendeu a tese de "efeito didático" da condenação dos acusados no escândalo durante o primeiro mandato do governo Lula.

"O Alberto Yousseff e o Paulo Roberto Costa eram operadores de um esquema. E eles só abriram a boca porque viram o que aconteceu Marcos Valério. Ele está preso! E não teve reforma de presídio para ele, que está comendo o pão que o diabo amassou, como todos os outros presos", afirmou.

O procurador afirmou ainda como acredita funcionar a mente dos corruptos. "Nos crimes de colarinho branco, o raciocínio é bem simples: o pretenso criminoso faz uma relação de custo/benefício para ver se vale a pena delinquir. A impunidade entra como um estímulo. O mensalão quebra esse paradigma, já que a ação tem começo, meio e fim, o que não ocorria nesse país --nem para uma condenação, nem para uma absolvição", disse.(UOL)

Enquanto os brasileiros apertam o cinto...Congresso quer 'pacote de Natal' de R$ 1,15 bi



Depois de ter passado metade do ano esvaziado em decorrência das eleições, o Congresso prepara um "pacote de Natal" para seus integrantes que resultará em um gasto extra anual de pelo menos R$ 1,15 bilhão.


Na lista, estão o reajuste dos contracheques dos 594 deputados federais e senadores, o aumento na verba que cada um deles pode indicar ao Orçamento da União e a elevação do recurso público destinado a financiar os caixas dos partidos políticos.


Desde o início de 2011, cada um dos congressistas recebe R$ 26,7 mil de salário. A ideia da cúpula da Câmara e do Senado é elevar esse valor para pelo menos R$ 33,7 mil (26% de alta).



Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados
Congressistas durante sessão na Câmara na quarta-feira; recesso começa no fim de dezembro
Congressistas durante sessão na Câmara na quarta-feira; recesso começa no fim de dezembro  


O reajuste se aproxima da inflação acumulada no período, mas há articulação para que o valor seja elevado a R$ 35,9 mil mensais (alta de 34%), que deve ser o teto de todo o funcionalismo a partir do ano que vem.


O impacto mínimo para o Congresso nessa segunda hipótese é de R$ 71 milhões ao ano, mas esse número é subestimado já que não leva em conta o benefício de aposentados. Além disso, há um efeito cascata no salário de deputados estaduais e vereadores e salários de assessores.


O argumento apresentado pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), é de que o regimento interno da Casa estabelece o dever de que uma legislatura fixe a remuneração da seguinte, para que os parlamentares não atuem em causa própria.


A atual termina em janeiro de 2015. A seguinte, começa em fevereiro.
Mais da metade dos congressistas da atual legislatura, porém, continuará em seus postos na próxima. Além disso, o regimento determina apenas que seja estabelecida a remuneração, sem falar em reajuste ou valores.


Ou seja, nada impede que os congressistas mantenham os atuais valores dos contracheques para os próximos quatro anos.


O reajuste, se aprovado, também valerá para o salário da presidente Dilma Rousseff, de seu vice, Michel Temer, e de ministros de Estado, hoje em R$ 26,7 mil.


EMENDAS
As outras duas mudanças são tratadas na Comissão Mista de Orçamento, que debate a proposta enviada pelo governo para o ano de 2015.


A primeira delas deve elevar de R$ 14,7 milhões para R$ 16,3 milhões o valor que cada um dos 594 deputados e senadores pode incluir no Orçamento da União.


Um dos principais capitais eleitorais dos políticos, as chamadas emendas parlamentares são usadas, geralmente, para bancar obras e investimentos nos redutos eleitorais dos congressistas.


Esse valor extra desejado para as emendas parlamentares soma R$ 977 milhões.


PARTIDOS
Por fim, os parlamentares também querem elevar em cerca de R$ 100 milhões o valor que o governo reservou para o financiamento dos partidos em 2015. O Planalto reservou R$ 289 milhões.


O chamado Fundo Partidário é distribuído mensalmente aos 32 partidos existentes tomando como base o número de votos que eles obtiveram para deputado federal. Ele é, ao lado das doações das empresas, a principal fonte de financiamento das siglas.


A pressão para que a Comissão de Orçamento do Congresso reajuste o valor parte da maioria dos partidos já que aumentou o número de siglas com direito a receber os recursos no ano que vem.
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BONS MENINOS

Congresso Nacional prepara "pacote de Natal" para seus integrantes
  • CONTRACHEQUE Congressistas vão elevar seus próprios salários, atualmente de R$ 26,7 mil. Há duas propostas: R$ 33,7 mil (alta de 26%) ou R$ 35,9 mil (alta de 34%)
  • CAIXA PARTIDÁRIO Comissão de Orçamento do Congresso discute elevar em cerca de R$ 100 milhões o repasse de dinheiro público para financiar os partidos políticos no ano que vem
  • OBRAS Deputados federais e senadores também terão adicional no valor das obras e investimentos que cada um deles pode inserir no Orçamento da União, as chamadas emendas parla-mentares: elas subirão de R$ 14,7 milhões para R$ 16,3 milhões por congressista

Comentários


LUIZ RUIVO FILHO (6940)

REDAÇÃO: Meu amigo Sucupira, que sabe das coisas como você, disse que a cúpula das 32 agremiações == que insistem chamar de "Partidos Politicos", ja se reuniu e decidiu como evitar "investigações" da Receita e Policia Federal do enriquecimento sem origem. Disse que a reunião foi comandada pelos Presidentes do Senado e da Câmara Federal, Vergonha Nacional, reus denunciados no STF por falcatruas. Disse no século passado o comando era de Don Corleone e Al Capone das Familias de New York e Chicago.

Paulo (1872)

Está se vendo que as ações não estão de  acordo com o discurso. Haja óleo de peroba para essa gente .


Quadrilha usava laranjas para conseguir, de forma fraudulenta, títulos de cerca de mil terras destinadas à reforma agrária. , aponta Polícia Federal

FOLHA


As investigações da Polícia Federal apontam que a quadrilha alvo da Operação Terra Prometida atuava para conseguir, de forma fraudulenta, títulos de cerca de mil terras destinadas à reforma agrária.


A polícia afirmou que fazendeiros e empresários pressionavam e ameaçavam os assentados a vender os lotes por preços muito abaixo do mercado. Em muitos casos, os ocupantes eram retirados das terras à força.


Depois da desocupação, os documentos eram falsificados e "regularizados" com ajuda de funcionários do Incra de Mato Grosso. A quadrilha também usava laranjas, que se tornavam beneficiários dessas terras.



Márcia Ribeiro - 28.abr.2014/Folhapress
O ministro da Agricultura, Neri Geller, discursa na abertura da 21ª Agrishow em Ribeirão Preto
O ministro da Agricultura, Neri Geller, discursa na abertura da 21ª Agrishow em Ribeirão Preto  


Segundo a Polícia Federal, em um dos 15 lotes que indiretamente pertenciam aos irmãos do ministro Neri Geller (Agricultura), Odair e Milton Geller, o laranja identificado como proprietário nunca havia morado no local.


De acordo com cálculos da investigação, cada um dos lotes envolvidos no esquema é avaliado em cerca de R$ 100 mil.


A operação foi realizada em municípios de quatro Estados: Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.


A PF expediu 227 mandados: 52 de prisão preventiva, 146 de busca e apreensão e 29 medidas proibitivas. Até a conclusão desta edição, 40 mandados de prisão haviam sido executados.



FRAUDES NA REFORMA AGRÁRIA
* O esquema Segundo a Polícia Federal, um grupo de fazendeiros e empresários negociava, mediante ameaças físicas contra assentados, a compra de áreas destinadas à reforma agrária no Mato Grosso por um valor menor que o de mercado
  • As suspeitas A PF estima que a quadrilha tenha conseguido se apossar ilegalmente de cerca de mil lotes da União destinados à reforma agrária. O grupo era auxiliado por servidores do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária)
  • Os envolvidos Odair e Milton Geller, irmãos do ministro da Agricultura Neri Geller (PMDB), foram presos na quinta (27). Segundo a PF, eles ocuparam 15 lotes de um assentamento no município de Itanhangá (MT)

R$ 1 bilhão É o prejuízo estimado decorrente das transações ilegais

227 mandados judiciais foram expedidos, sendo 52 deles de prisão preventiva

Crise da água: como as árvores trazem chuvas e refrescam a cidade


O botânico Ricardo Cardim, autor do blog Árvores de São Paulo, explica o papel das árvores para regular o clima e as chuvas em tempos de seca e mudanças climáticas

ALEXANDRE MANSUR

Copa de uma árvore em São Paulo (Foto: Alexandre Mansur)
 
Existe uma relação entre a árvore na frente de sua casa com as chuvas que deveriam aliviar a crise de água em São Paulo. Pouca gente lembra disso. Na entrevista abaixo, o botânico Ricardo Cardim, autor do blog Árvores de São Paulo explica como a arborização urbana ou mesmo as plantas de jardim podem ajudar a aumentar a umidade da atmosfera, gerar nuvens de chuva, reduzir a irritação da poeira no ar e ainda diminuir o calor.


ÉPOCA: A região da Grande São Paulo passa por um período de seca sem precedentes. Existe alguma relação entre o ciclo de chuva de uma grande cidade e a arborização urbana?
Ricardo Cardim: São as árvores que transferem umidade do solo para a atmosfera. As raízes profundas das árvores chegam às camadas com água saturada no solo ou aos lençóis freáticos. Pela fotossíntese, a planta puxa a água do fundo da terra e joga essa umidade na atmosfera. A umidade do ar ajuda a baixar as partículas poluentes em suspensão. Isso melhora a saúde das pessoas. Além disso, também ajuda a formar nuvens e um clima propício para as chuvas. Se a cidade tem vegetação abundante, com árvores de grande porte, ela fica mais úmida e tem mais água. A gente precisa aumentar a cobertura verde para otimizar a chuva que cai na cidade. Precisamos destampar nossas nascentes. Elas estão concretadas. Muitas estão escondidas dentro de um bueiro, fornecendo água que vai para o sistema de esgoto. É um desperdício. O ideal seria pegar a água das nascentes urbanas e aproveitar para limpeza ou rega de plantas. A cidade de São Paulo tinha mais de 300 rios. Por falta de visão e planejamento, as grandes avenidas foram construídas em cima desses rios, asfaltando as nascentes. Se tivéssemos preservado nossa malha de rios, brejos e nascentes, mesmo com a falta de chuvas, não faltaria água agora.
 

ÉPOCA: Um levantamento feito pela SOS Mata Atlântica revelou que 79% da áreas de mananciais do sistema Cantareira, o maior da metrópole, foi desmatada. Qual é a relação entre o desmatamento e a seca?


Cardim: A região de nascentes e das represas perdeu a mata ciliar, aquela vegetação que protege a borda do curso d’água. Quando não tem mata ciliar, a água fica no fundo da terra. Não sobe para a superfície e ajuda a aumentar o curso dos rios. Sem mata ciliar, também temos mais erosão. Com isso, os reservatórios perdem capacidade para guardar água. Hoje não há políticas públicas para reestabelecer as matas ciliares. É só pegar uma foto de satélite das represas que abastecem a cidade, como Billings ou Guarapiranga. Dá para ver o solo ocupado de forma irregular, com construções até a beira da água, por cima de onde deveria haver vegetação.


>> Leia a cobertura completa da crise de água
Raízes de uma árvore em São Paulo (Foto: Alexandre Mansur)
 


ÉPOCA: A falta de água em São Paulo foi agravada pelas temperaturas recorde registradas este ano. Qual é o papel das árvores urbanas para amenizar o calor?
Cardim: A arborização tem a capacidade de reduzir o efeito ilha de calor. É o calor gerado no meio das grandes áreas urbanas pela concentração de prédios, pavimentação ou calçamento de cimento e asfalto. Essas estruturas absorvem o calor. São pedaços de deserto. Áreas com pouca arborização podem ter até 14 graus centígrados a mais do que bairros mais verdes, segundo um estudo de Magda Lombardo, a Unesp.
 

ÉPOCA: Como podemos classificar o grau de cobertura vegetal da grande São Paulo?
Cardim: A cidade tem muito pouco verde. Tem 2,6 metros quadrados de área verde por habitante. O mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde é 12 metros quadrados por habitante. Além disso, o pouco verde de São Paulo é mal distribuído. Alguns bairros como Jardins e Pacaembu têm mais árvores e outros como bairros da Zona Leste e o Centro são mais desérticos. A maior parte da cidade é deficiente em verde. E não adianta contar a vegetação da Serra do Mar e da Serra da Cantareira.


ÉPOCA: Como a população se relaciona com as árvores da cidade?
Cardim: A população é prejudicada pela falta de manutenção da arborização. Se tem uma árvore na calçada em frente, começa a dar cupim. A prefeitura não trata. Acaba sendo obridada da derrubar a árvore. Ou a planta é mutilada por causa da fiação aérea. Muitas vezes as calçadas sufocam a árvore. Deixam pouco espaço entre o tronco e o cimento. A árvore adoece e cai. Com isso tudo, pela falta de cuidados, a árvore vira inimiga da população. É um risco para a casa ou o carro. As pessoas acham que folha é sujeira. Isso é falta de uma campanha de conscientização. Falta vontade do poder público para ajudar a população a mudar essa percepção.



ÉPOCA: Nesse momento de racionamento de água, é desperdício regar as plantas ou molhar o jardim?
Cardim: Alimentar a vegetação que ajuda a umidecer e refrescar a cidade não é desperdício. É um investimento necessário. A água que vai para as plantas volta na forma de umidade na atmosfera. O ideal seria usar água de reuso para regar as plantas. Ou água guardada da chuva. Mas nem sempre há essa opção. Uma dica é cobrir a terra com folhas secas, palha, bolas de argila ou pedrinhas. Isso protege o solo. Reduz a perda de umidade. Outra opção é aproveitar a água da lavagem de alimentos, desde que não tenha cloro. Quem tem chuveiro a gás pode aproveitar aqueles primeiros momentos, quando a água está esquentando, para encher um balde e usá-lo para molhar as plantas.

Denúncia!


denúncia

Em um vídeo filmado pelos Munduruku em setembro deste ano durante uma reunião na Funai em Brasilia, a presidente do órgão, Maria Augusta Assirati, afirma ter sido pressionada durante sua gestão por setores do Governo Federal para não assinar o relatório de demarcação da Terra Indígena Sawré Muybu, localizada na região de Itaituba, Pará.



 Ela chega a chorar e diz que ainda não publicou os estudos e o mapa com as coordenadas da TI porque outros órgãos do governo federal passaram a discutir a demarcação, que, se aprovada, inviabilizaria legalmente a construção da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, no rio Tapajós. Além de indígenas, ribeirinhos e representantes da Fundação, também estavam presentes Nilton Tubino, da Secretaria Geral da Presidência da República e Celso Kjinic, do Ministério de Planejamento.



Maria Augusta teria se comprometido em oficializar o relatório circunstanciado de identificação e delimitação da Terra Indígena Sawré Muybu em abril deste ano, mas não cumpriu a promessa. Após meses de espera, os Munduruku foram até Brasília cobrar a publicação do Diário Oficial. Arissati confirma que estudos estão prontos e que estavam na mesa dela, mas que após a conclusão, em setembro de 2013, “órgãos do governo passaram a também discutir a proposta do relatório, discutir a situação fundiária na região”.



Ela expõe os motivos: “Vocês sabem, né?! Que ali tem uma proposta de se realizar um empreendimento hidrelétrico, uma hidrelétrica ali naquela região que vai contar com uma barragem pra geração de energia e essa barragem tá muito próxima da terra de vocês (…) Quando a gente concluiu o relatório surgiram dúvidas se essa área da barragem, se esse lago que essa barragem da hidrelétrica vai formar, vai ter uma interferência na terra indígena de vocês, na área de vocês, na vida de vocês”.



Maria Augusta diz ainda que aguardava os dados do Componente Indígena dos Estudos de Impactos Ambientais para dar o aval em relação ao território e que a Funai estaria buscando formas de conciliar a demarcação com a construção de hidrelétricas no Tapajós: “A gente não conseguiu até hoje publicar, porque a gente aguarda esses elementos técnicos para poder realizar essa compatibilização: permitir que o setor elétrico faça o seu empreendimento, a barragem, e com isso beneficie um conjunto grande de pessoas no país, e permitir que a terra de vocês seja reconhecida e que vocês tenha o direito de vocês assegurado”.


Na reunião, os indígenas questionaram a representatividade do órgão e disseram que a Funai tem que defender os interesses dos indígenas e não das empreiteiras interessadas nos projetos hidrelétricos: “Se você tá na Funai você tem que defender o interesse nosso.


O povo lá tá sofrendo. A gente veio aqui pra tratar de terra, pra tratar sobre a demarcação (…) se você não quer trabalhar na Funai, eu entregaria o cargo. Você não tem interesse em defender a nossa causa”, contrapõe Roseninho Saw, presidente da Associação Pahyhyp.


Ao fim da pauta sobre a TI, Maria Augusta se compromete em dar um retorno sobre a demarcação no final de outubro, mas deixa o cargo nove dias depois.


“Ela saiu sem assinar o nosso relatório. Estamos muito chateados e por isso decidimos começar a autodemarcação do nosso território, porque a gente viu que só o que avança é a hidrelétrica e a nossa terra não. A gente viu que se depender da Funai a nossa demarcação não vai sair”, afirmou Juarez Saw, cacique da aldeia Sawré Muybu, durante abertura das primeiras picadas.



Funai admite: interesse hidrelétrico compremete demarcação de Território Indígena from mdk onVimeo.

Em 29/10, a Justiça Federal de Itaituba deferiu uma ação do Ministério Público Federal contra à União e Funai. O juiz federal Rafael Leite Paulo deu um prazo de 15 dias para a Funai publicar o relatório sob multa de 10 mil por dia de atraso. Dias depois, a Justiça Federal de Brasília derrubou a decisão do juiz local, alegando não haver urgência na publicação.



Demarcação segue com ameaças às lideranças
Durante a reunião, Maria Augusta reconheceu que a falta de demarcação gera incontáveis conflitos locais: “A gente acha fundamental que o território de vocês esteja garantido. Principalmente porque, como vocês colocaram, aquela região já está tendo pressão madeireira, garimpeira, de uma série de outros elementos que estão em volta da onde vocês moram”.


O que a ex-presidente diz se comprova na prática durante a autodemarcação. Nas últimas semanas, os indígenas passaram a abrir pontos próximo a ramais madeireiros, o que está gerando uma série de intimidações ao cacique da aldeia Sawré Muybu, Juarez Saw. Um madeireiro chamado Vilmar foi até o acampamento montado no meio da mata pelos indígenas e disse a Juarez que teria comprado a terra de três posseiros. Vilmar, em tom ameaçador, disse aos indígenas que se eles queriam a terra, que pagassem por ela.


Juarez já fora ameaçado por madeireiros em outros momentos. Em março deste ano foi protocolado no MPF uma denúncia. O cacique diz que há cerca de dois meses, durante uma apreensão de madeira ilegal, o ICMBIo teria colocado fogo em embarcações dos madeireiros, que atribuíram a ação aos indígenas.
http://i.imgur.com/j5S30tW.jpg
“Ela saiu sem assinar o nosso relatório. Estamos muito chateados e por isso decidimos começar a autodemarcação do nosso território, porque a gente viu que só o que avança é a hidrelétrica e a nossa terra não. A gente viu que se depender da Funai a nossa demarcação não vai sair”, afirmou Juarez Saw, cacique da aldeia Sawré Muybu, durante abertura das primeiras picadas.


Denúncia do Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS)

Publicado no Portal EcoDebate, 28/11/2014

Carioca, o rio do Rio


RECUPERAR E RENATURALIZAR

Poucos cariocas sabem a razão dos nascidos no Rio de Janeiro serem assim chamados. Tudo começa com um rio, não o de Janeiro, mas o Rio Carioca, que deu nome aos habitantes da cidade, origem a belíssimas lendas indígenas e inspirou artistas e naturalistas. Foi motivo de guerras pelo controle de sua água e a razão da construção dos famosos Arcos da Lapa. Hoje, tem a maior parte de seu curso sob a terra, carregando lixo e esgoto, sem vida e sem beleza, escondido como algo indesejável e vergonhoso






Para uma mineira nascida e criada em Belo Horizonte, o Rio de Janeiro era o destino dos sonhos. Mineiramente eu tentava disfarçar o que podia ser entendido como uma traição às minhas origens e era mesmo. Como o viciado que tenta resistir à tentação, ou o apaixonado não correspondido que maldiz seu objeto de desejo eu queria, mas não podia admitir nem assumir, ser refém desce fascínio: o Rio.


Hoje, quarenta anos depois de ter conquistado o meu Olimpo particular me sinto em casa e assumo que o Rio de Janeiro é um objeto de desejo. Morar no Rio é muito mais do que viver numa cidade é pertencer a um privilegiado contingente de deslumbrados com sua urbe. Cantada em prosa, verso e imagem a cidade e se define como incomparável. Gente, natureza, cultura ... quem conhece, nunca esquece e esse é o primeiro passo para ser carioca.


Millôr Fernandes dizia "O carioca, todos sabem, é um cara nascido dois terços no Rio e outro terço em Minas, Ceará, Bahia, e São Paulo, sem falar em todos os outros Estados, sobretudo o maior deles o estado de espírito. (...). O carioca é, antes de tudo, e acima de tudo, um lúdico¹.



Vinícius reiterava: "pois a verdade é que ser carioca é antes de mais nada um estado de espírito.(...) Pois ser carioca, mais que ter nascido no Rio, é ter aderido à cidade e só se sentir completamente em casa, em meio à sua adorável desorganização"².


Contudo, poucos cariocas sabem a razão dos nascidos aqui serem assim chamados. E tudo começa com um rio, não o de Janeiro, mas o Rio Carioca, que deu nome aos habitantes da cidade, origem a belíssimas lendas indígenas e inspirou artistas e naturalistas.


Esse mesmo rio que foi motivo de guerras pelo controle de sua água e a razão da construção dos famosos Arcos da Lapa, hoje tem a maior parte de seu curso sob a terra, carregando lixo e esgoto, sem vida e sem beleza, escondido como algo indesejável e vergonhoso.
 

Mas nem tudo está perdido, sua nascente e o trecho que corre dentro da Floresta da Tijuca são um testemunho de sua antiga Glória. Falando nisso a maior floresta urbana do mundo, segundo a revista Ciência Hoje, foi replantada e recuperada em 1861 exatamente para proteger as nascentes que abasteciam a cidade.
 

A qualidade das águas do Rio Carioca era afamada, e delas surgiu um ditado para se referir às boas coisas - "Isto é bom como a água do Carioca".

 Mas porque o rio que é o pai do Rio está esquecido, morto e enterrado? E é exatamente isso que eu gostaria responder com um desafio: vamos recuperar e renaturalizar o Rio Carioca? Claro que é impossível fazê-lo novamente saindo da floresta, descer o Cosme Velho, Laranjeiras, atravessar o Aterro, formar ilhas e lagos. Mas é possível limpá-lo, recuperar alguns trechos, torná-lo parte da paisagem e, sobretudo, contar sua história, que faz parte da história da cidade que faz 450 anos, em 2015.


Para se comemorar o aniversário de uma cidade como o Rio de Janeiro é preciso redescobrir e revisitar o que ela teve de bom, de bonito, de rico. Devemos, é claro, comemorar as conquistas do progresso, mas é importante trazer de volta os motivos que a fizeram ser uma cidade única. O próprio carioca precisa lembrar-se do privilégio de viver nesta cidade incomparável.


Recuperar o Rio Carioca será um legado digno das comemorações dos 450 anos do Rio de Janeiro e um exemplo para o Brasil. Vamos nessa?







Embora a origem do nome seja controversa - existem pelo menos três versões sobre a etimologia do termo carioca - a qualidade de sua água era indiscutível.
_________________________

[1] Texto extraído do livro "Que País é Este?", Editora Nórdica - Rio de Janeiro, 1978, pág. 50.

[2] Trecho extraído do post de Domingos Fraga em seu blog Pense Nisso.

Bactérias ajudam a tratar água utilizada por refinarias de petróleo

Microrganismos identificados por pesquisadores são capazes de eliminar contaminantes tóxicos presentes em efluente industrial; resultados do estudo foram apresentados no encontro Brazil-UK Frontiers of Engineering (foto efluente industrial: Wikimedia/imagem bactérias: Louise Hase Gracioso)





13 de novembro de 2014

Por Elton Alisson, de Jarinu (SP)


Agência FAPESP – As refinarias de petróleo usam grande quantidade de água em um processo industrial denominado craqueamento catalítico, que visa aumentar o rendimento de produtos como gasolina e gás liquefeito de petróleo (GLP), por meio da conversão de frações pesadas provenientes da destilação do petróleo em frações mais leves e de maior interesse comercial.


Por ter alta concentração de contaminantes tóxicos, como fenóis, gases sulfídrico e cianídrico, além de amônia, hidrocarbonetos e mercaptanos, esse efluente industrial – chamado de “água ácida” – não pode ser destinado diretamente para tratamento e precisa ser estocado pelas refinarias para a remoção da amônia e de sulfetos antes de ser descartado.


“As concentrações de contaminantes tóxicos nesse efluente industrial podem variar de 100 a 1.000 ppm [partes por milhão]. Se essa água residual for enviada diretamente para uma lagoa de tratamento, pode causar graves problemas ambientais”, disse Elen Aquino Perpetuo, professora do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), à Agência FAPESP.


Em colaboração com colegas do Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (Cepema) – um centro cooperativo em Engenharia Ambiental apoiado pela FAPESP –, a pesquisadora encontrou uma solução mais prática para o tratamento desse efluente industrial.


Os cientistas identificaram duas bactérias – a Achromobacter sp. e a Pandoraea sp. – capazes de reduzir a concentração de contaminação da “água ácida” para níveis aceitáveis e permitir lançá-la no ambiente ou reutilizá-la em processos industriais nas refinarias.


Alguns dos resultados do projeto foram apresentados no encontro Brazil-UK Frontiers of Engineering, realizado entre 6 e 8 de novembro em Jarinu, no interior de São Paulo, pela Royal Academy of Engineering, do Reino Unido, em colaboração com a FAPESP.


O evento reuniu 63 jovens pesquisadores de diferentes áreas da Engenharia – 33 do Brasil e 30 do Reino Unido –, atuantes em universidades, instituições de pesquisa e empresas, como Shell, Foster Wheeler e Petrobras, entre outras.
“As bactérias conseguiram remover todos os contaminantes de amostras de efluentes de refinarias”, afirmou Perpetuo, que realizou mestrado, doutorado e pós-doutorado com Bolsas da FAPESP.


De acordo com a professora, as duas bactérias foram isoladas do ar e descobertas por acaso, quando trabalhava como pesquisadora no Cepema, em Cubatão, próximo a uma refinaria da Petrobras.


Ao deixar uma solução de fenol com 500 ppm exposta em uma área de processos ao ar livre do Cepema, os pesquisadores perceberam que dias depois a solução começou a turvar – sinal de crescimento celular.


“Como só tinha fenol como fonte de carbono na solução, percebemos que microrganismos estavam degradando o composto”, disse Perpetuo.

“Posteriormente, começamos a isolar as bactérias e a inoculá-las em diferentes concentrações de poluentes para verificar quem resistia mais à presença de fenóis. E constatamos que a Achromobacter sp. e a Pandoraea sp. eram mais eficientes na degradação do composto.”


Degradar fenol
A fim de testar a eficácia das bactérias na degradação de fenóis, os pesquisadores realizaram dois experimentos diferentes. No primeiro, feito em biorreatores, adicionaram 100 mililitros (ml) de biomassa de Achromobacter sp. em 500 ml de água ácida e mantiveram as bactérias na solução por 82 horas.
Já no segundo experimento, mantiveram por 96 horas cepas de Pandoraea sp. em uma solução de “água ácida” em balão de Erlenmeyer (frasco de vidro) sob agitação e temperatura controlada.


Para tornar incolor a “água ácida” tratada com as bactérias foi utilizada uma concentração de 6 gramas por litro de carvão ativado, como o utilizado em filtros de água domésticos.


Os resultados dos experimentos indicaram que as bactérias foram capazes de degradar os fenóis e compostos como o-cresol e m-cresol presentes na soluções em concentrações de 500 ppm.


A bactéria Achromobacter sp, contudo, foi a mais eficiente e demonstrou ser capaz de degradar fenóis em concentração de até 2 gramas por litro de solução.
“Até então não tinha sido identificada uma bactéria com uma capacidade tão alta de efluentes reais [não sintéticos].. As já relatadas na literatura científica têm capacidade de degradar concentrações de até 200 ou 300 ppm de efluentes sintéticos, como água adicionada de fenol, onde não há mistura de contaminantes”, disse Perpetuo.


Por meio de um projeto de doutorado, realizado com Bolsa da FAPESP, os pesquisadores analisaram o proteoma (conjunto de proteínas) da bactéria a fim de identificar as enzimas envolvidas na capacidade de degradação de fenóis pelo microrganismo.


Os resultados da análise foram publicados na revista Current Proteomics e demostraram que o microrganismo possui algumas enzimas que apresentam uma grande expressão quando expostas ao fenol.


“Achamos que a Achromobacter sp pode ser uma espécie nova de bactéria. Por isso, já solicitamos a realização do sequenciamento do genoma total dela”, disse Perpetuo.


Aplicação em larga escala
De acordo com a professora, uma das possíveis formas de utilização das bactérias para o tratamento de “água ácida” seria por meio da aplicação de biofilme dos microrganismos em cilindros biológicos, semelhantes a rodas d’água, que ficariam parcialmente imersos e girando sobre a superfície de tanques de armazenamento do efluente, uma vez que as bactérias necessitam de aeração.


Ao girar, o cilindro possibilitaria que as bactérias ora entrassem em contato com o efluente e degradassem os contaminantes tóxicos e ora ficassem expostas ao ar.


“Desenvolvemos um protótipo do cilindro biológico para um tanque de um litro em um ambiente aberto e ele funcionou. Achamos que não seria difícil fazer um para uma escala bem maior”, estimou.


Na avaliação de Perpetuo e de outros especialistas presentes no evento em Jarinu, a biorremediação – como é chamado o uso de microrganismos para transformação biológica de produtos químicos indesejáveis, para imobilização de metais ou modificação das propriedades dos materiais para melhorar a utilização de recursos, como a água e a terra – é reconhecida como uma das soluções de mais baixo custo para a limpeza de água e solos contaminados.
Com as novas tecnologias de sequenciamento genético, a área começou a se desenvolver mais nos últimos anos, avaliou Andrew Singer, pesquisador do Centro de Ecologia e Hidrologia do Natural Environment Research Council (Nerc), do Reino Unido.


“A microbiologia molecular moderna se desenvolveu em um ritmo tão grande nos últimos anos que poderá nos permitir não só identificar micróbios isolados e sua atividade genética, como também fazer um levantamento rápido de um ambiente inteiro para determinar as espécies de microrganismos presentes e estimar a abundância e sua atividade”, disse Singer em palestra durante o evento.


Colaboração em pesquisa
O Brazil-UK Frontiers of Engineering teve como objetivo possibilitar que os participantes conhecessem outros pesquisadores promissores em outras áreas e de lugares diferentes para desenvolver uma perspectiva multidisciplinar em Engenharia. Além disso, buscou estimular o estabelecimento de redes multinacionais de colaboração em pesquisa.


“A ideia foi criar um espaço de discussão durante o encontro em que jovens pesquisadores provenientes tanto de universidades e instituições de pesquisa como de empresas pudessem conversar sobre temas que vão ter impactos econômicos e sociais no futuro”, explicou Euclides de Mesquita Neto, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos coordenadores do evento.


“Para esta edição selecionamos como temas para discussão óleo e gás, redes inteligentes, big data em saúde e biorremediação”, disse Mesquita Neto, que é membro da coordenação da área de Engenharia da FAPESP.


Durante os três dias de duração do evento foram realizadas 16 apresentações orais e sessões de pôsteres sobre esses quatro temas.


O artigo “Proteome analysis of phenol-degrading Achromobacter sp. strain C-1, isolated from an industrial area” (doi: 10.2174/1570164611209040007), de Gracioso e outros, pode ser lido por assinantes da revista Current Proteomics em benthamscience.com/journal/abstracts.php?journalID=cp&articleID=107135.

Extinção de cargos prejudicará início da gestão de Rollemberg

Da Redação
redacao@jornaldebrasilia.com.br


A extinção de cargos para reduzir gastos da atual gestão, que tenta equilibrar as contas antes do fim do mandato do governador Agnelo Queiroz (PT), preocupa a equipe de transição de Rodrigo Rollemberg (PSB). O motivo é a promulgação da Lei 5.423/2014, que obriga o governador a submeter à Câmara Legislativa a extinção e criação de cargos e secretarias.
A burocratização do processo, que exigirá da nova gestão negociação com os deputados distritais, poderá inviabilizar o início do  novo governo, que tem a intenção de reduzir o número de secretarias e cargos comissionados.
Por este motivo, Rollemberg pediu a Agnelo que vetasse o projeto de lei, quando este chegou ao Palácio do Buriti. O pedido foi negado e o projeto foi sancionado tacitamente, diante da omissão do governador, conforme prevê a Lei Orgânica do DF.


“O remanejamento de pessoal e a extinção de cargos prejudicarão o nosso governo. O governador poderia apenas exonerar os servidores, o que também reduziria as despesas com pessoal. Como ele não vetou a lei, quando teve a chance, fica parecendo que é para que não consigamos criar cargos mesmo”, declarou o coordenador da transição Hélio Doyle.


Troca de farpas
Ontem, Rollemberg classificou como “mesquinho” o ato do governador de negar o pedido. Agnelo, por sua vez,  negou que tenha feito qualquer tipo de acordo com Rollemberg para vetar a proposição do Legislativo. “Se alguém está sendo mesquinho é ele, que, antes de assumir o cargo está influenciando em votações na Câmara em projetos de captação de recursos, prejudicando a população”, afirmou Agnelo.


Ainda ontem a lei foi objeto de ação do Ministério Público do DF e Territórios (ver abaixo), que a considera inconstitucional.


Equipe reclama de lentidão
Doyle afirmou que o governo Agnelo tem demorado no repasse de informações à equipe de transição.  A dificuldade  tem, segundo ele,  prejudicado os trabalhos .


“Na área  política, não estamos tendo problemas, mas, em outras, as informações oficiais têm chegado de forma lenta. Não sei precisar agora quais as áreas estão com mais dificuldades, por isso vamos nos reunir na próxima semana para avaliar a situação”, declarou.


Sobre a divulgação de dados financeiros, Hélio afirma que, apesar das acusações de “exagero” feitas pelo atual governo, a publicização das informações é necessária para que a população não seja pega de surpresa, quando Rollemberg assumir.


Cinco mil páginas
Segundo o GDF, a equipe de transição solicitou grande número de informações e o governo está repassando à medida em que os dados ficam prontos. Já teriam sido encaminhados mais de cinco mil páginas de relatórios.


Saiba mais
Hélio Doyle diz que, mesmo com o atraso nas informações repassadas pelo GDF, está sendo possível fazer o plenejamento de transição do novo governo.
O coordenador da transição afirma que é necessário mais presteza por parte da equipe da atual gestão e que boa parte das informações tem sido conseguidas por meio da publicação no Diário Oficial.


Questionado sobre a  paralisação de serviços no DF, como transporte e limpeza, o coordenador da transição reafirmou que a equipe não pode interferir até que Rollemberg tome posse.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

CULTURA: “Ao passear por Londres, você só vê pessimismo; no Brasil é o contrário”

Com ‘Trash’, Daldry transporta para as telas a vida de três meninos de uma favela

O cineasta conseguiu indicações ao Oscar em todos seus filmes


Stephen Daldry, durante a filmagem de 'Trash'.

É difícil encontrar um cineasta com uma filmografia de tanta qualidade que se importe tão pouco com o cinema. Ou, pelo menos, que não seja sua principal preocupação. O britânico Stephen Daldry (Dorset, 1961) pensa primeiro no teatro, e depois aceita ofertas para o cinema. Por isso não escreve roteiros: com exceção de seu primeiro filme, Billy Elliot (2000), um sucesso estratosférico, seus filmes são adaptações de romances famosos: As Horas (2002), O Leitor (2008) e Tão Forte e Tão Perto (2011). Daldry apenas plasma as palavras de outros, mas sua força vem de seu talento para esse trabalho: todos seus longas foram candidatos ao Oscar de melhor filme ou melhor direção.


Seu quinto longa-metragem Trash – A Esperança Vem do Lixo vai pelo mesmo caminho: o romance homônimo Trash (Editora Cosac Naify), de Andy Mulligan, foi adaptado para o cinema por um dos maiores roteiristas britânicos, Richard Curtis, e ao transportar a filmagem para o Brasil (no romance o local não é identificado), a produtora contratou outro roteirista campeão de bilheteria, Felipe Braga.



 “A proposta me conquistou desde o começo”, disse Daldry por telefone. Está em pleno lançamento mundial, por isso vai aproveitar para comer enquanto concede a entrevista. Por isso suas frases estão salpicadas – neste caso, quase apimentadas – de ruídos de verduras. “Tinha materiais diferentes e suficientes para me atrair.”



Por exemplo, ao trabalhar com atores amadores, já que a história conta como três meninos de favela encontram uma carteira em um lixão que vasculham todo o dia para ganhar a vida. São catadores de lixo. O conteúdo da carteira mudará suas vidas. “É muito raro eu ter acesso a pessoas assim. Foi muito interessante. Neste caso, somou-se a descoberta em uma cultura que eu não conhecia bem, a brasileira, e tirar o melhor dos atores que recrutamos lá, em um casting aberto.”



Curtis, Daldry e os produtores viajaram cinco vezes ao Brasil antes de começar as filmagens. “Sem toda essa pesquisa não teria sido possível levar o filme adiante. Lá me apoiei em Fernando Meirelles [codiretor de Cidade de Deus] e ele foi nossa ponte de união e de confiança com essas comunidades.”



O diretor britânico destaca que, apesar do nível mais precário de vida e maiores sofrimentos, as pessoas de países como o Brasil possuem algo inexistente no Ocidente mais rico: “otimismo”.


“Se você passear por Londres, só vai ver pessimismo e niilismo. No Brasil é o contrário, e para mim serviu como uma desintoxicação. O Brasil é um país muito otimista, com um grande senso de justiça, e que lida com a raiva de uma maneira diferente da europeia. Pode ser pelo senso de humor. Não digo que não tenham motivos para se rebelar e sair para a rua, e às vezes fazem isso, mas frequentemente encontram outros caminhos para avançar.”


O cineasta tentou dar o salto triplo mortal ao produzir um filme de aventura baseado em assuntos sociais.


“Desde o começo sabia que Trash era um coquetel de gêneros. E em suas diversas estreias, dependendo de onde seja visto, a percepção muda. No festival de Roma [onde o filme foi vencedor], foi interpretado como aventura e retrato social, no entanto, no Brasil é visto como comédia, e adoro que seja assim.”

Pode ser pelo fato de que os meninos improvisaram muito durante a filmagem.


“Richard Curtis é um velho amigo e um escritor de talento, mas chegamos lá e os atores tinham muito a acrescentar. Lógico, nós não sabíamos português”, conta dando risada.



Como uma das estranhas imposições que surgem durante as filmagens, em Trash as sequências do lixão foram gravadas em um ambiente recriado sem lixo por questões sanitárias... perto do lixão autêntico.


O mesmo aconteceu com as favelas. “Bem, faz parte de filmar com crianças.” E, a propósito, evita as possíveis comparações de Trash com Quem Quer Ser um Milionário?, de Danny Boyle. “Entendo o impulso inicial de compará-las mas, pela história, tom e inclusive o continente de filmagem, não são parecidos.”


Entre os atores profissionais anglo-saxões que aparecem no longa estão Rooney Mara e Martin Sheen. “Martin é um dos melhores. Veio com todos os deveres prontos. Além disso, passou décadas colaborando com ONGs em países pobres, é um famosíssimo ativista católico e sabia do que estávamos falando no roteiro. Não há um pingo de hipocrisia em sua atitude e, portanto, tampouco em sua atuação.”


Daldry vem e voltará sempre ao teatro: seu nome está relacionado a uma dezena de grandes centros teatrais britânicos nos quais atuou como diretor artístico.


“É meu maior compromisso. Certo. Gosto de contar histórias e não sinto que faça um trabalho diferente nos palcos e nos sets. Mas no meu caso não ganhei muito dinheiro no cinema e ganho a vida bem melhor no teatro. E o ritmo do teatro está mais próximo do que preciso.”

“Estamos indo direto para o matadouro”, diz o cientista Antonio Nobre




Publicado . em Mudanças Climáticas

 


Antonio Donato Nobre é um dos melhores cientistas brasileiros, pertence ao grupo do IPCC que mede o aquecimento da Terra e é um especialista em questões amazônicas. É mundialmente conhecido como pesquisador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).  Excerto do evento de lançamento do relatório "O Futuro Climático da Amazônia" em 30/10/2014.


Eis a entrevista.
Quanto já desmatamos da Amazônia brasileira?
Só de corte raso, nos últimos 40 anos, foram três Estados de São Paulo, duas Alemanhas ou dois Japões. São 184 milhões de campos de futebol, quase um campo por brasileiro. A velocidade do desmatamento na Amazônia, em 40 anos, é de um trator com uma lâmina de três metros se deslocando a 726 km/hora – uma espécie de trator do fim do mundo. A área que foi destruída corresponde a uma estrada de 2 km de largura, da Terra até a Lua. E não estou falando de degradação florestal.


Essa é a “guilhotina de árvores” que o senhor menciona?
Foram destruídas 42 bilhões de árvores em 40 anos, cerca de 3 milhões de árvores por dia, 2.000 árvores por minuto. É o clima que sente cada árvore que é retirada da Amazônia. O desmatamento sem limite encontrou no clima um juiz que conta árvores, não esquece e não perdoa.


O sr. pode explicar?
Os cientistas que estudam a Amazônia estão preocupados com a percepção de que a floresta é potente e realmente condiciona o clima. É uma usina de serviços ambientais. Ela está sendo desmatada e o clima vai mudar.
A mudança climática…
A mudança climática já chegou. Não é mais previsão de modelo, é observação de noticiário. Os céticos do clima conseguiram uma vitória acachapante, fizeram com que governos não acreditassem mais no aquecimento global. As emissões aumentaram muito e o sistema climático planetário está entrando em falência como previsto, só que mais rápido.


No estudo o sr. relaciona destruição da floresta e clima?
A literatura é abundante, há milhares de artigos escritos, mais de duas dúzias de projetos grandes sendo feitos na Amazônia, com dezenas de cientistas. Li mais de 200 artigos em quatro meses. Nesse estudo quis esclarecer conexões, porque esta discussão é fragmentada. “Temos que desenvolver o agronegócio. Mas e a floresta? Ah, floresta não é assunto meu”. Cada um está envolvido naquilo que faz e a fragmentação tem sido mortal para os interesses da humanidade. Quando fiz a síntese destes estudos, eu me assombrei com a gravidade da situação.


Qual é a situação?
A situação é de realidade, não mais de previsões. No arco do desmatamento, por exemplo, o clima já mudou. Lá está aumentando a duração da estação seca e diminuindo a duração e volume de chuva. Agricultores do Mato Grosso tiveram que adiar o plantio da soja porque a chuva não chegou. Ano após ano, na região leste e sul da Amazônia, isso está ocorrendo. A seca de 2005 foi a mais forte em cem anos. Cinco anos depois teve a de 2010, mais forte que a de 2005. O efeito externo sobre a Amazônia já é realidade. O sistema está ficando em desarranjo.


A seca em São Paulo se relaciona com mudança do clima?
Pegue o noticiário: o que está acontecendo na Califórnia, na América Central, em partes da Colômbia? É mundial. Alguém pode dizer – é mundial, então não tem nada a ver com a Amazônia. É aí que está a incompreensão em relação à mudança climática: tem tudo a ver com o que temos feito no planeta, principalmente a destruição de florestas. A consequência não é só em relação ao CO2 que sai, mas a destruição de floresta destrói o sistema de condicionamento climático local. E isso, com as flutuações planetárias da mudança do clima, faz com que não tenhamos nenhuma almofada.


Almofada?
A floresta é um seguro, um sistema de proteção, uma poupança. Se aparece uma coisa imprevista e você tem algum dinheiro guardado, você se vira. É o que está acontecendo agora, não sentimos antes os efeitos da destruição de 500 anos da Mata Atlântica, porque tínhamos a “costa quente” da Amazônia. A sombra úmida da floresta amazônica não permitia que sentíssemos os efeitos da destruição das florestas locais.


O sr. fala em tapete tecnológico da Amazônia. O que é?
Eu queria mostrar o que significa aquela floresta. Até eucalipto tem mais valor que floresta nativa. Se olharmos no microscópio, a floresta é a hiper abundância de seres vivos e qualquer ser vivo supera toda a tecnologia humana somada. O tapete tecnológico da Amazônia é essa assembleia fantástica de seres vivos que operam no nível de átomos e moléculas, regulando o fluxo de substâncias e de energia e controlando o clima.


O sr. fala em cinco segredos da Amazônia. Quais são?
O primeiro é o transporte de umidade continente adentro. O oceano é a fonte primordial de toda a água. Evapora, o sal fica no oceano, o vento empurra o vapor que sobe e entra nos continentes. Na América do Sul, entra 3.000 km na direção dos Andes com umidade total. O segredo? Os gêiseres da floresta.


Gêiseres da floresta?
É uma metáfora. Uma árvore grande da Amazônia, com dez metros de raio de copa, coloca mais de mil litros de água em um dia, pela transpiração. Fizemos a conta para a bacia Amazônica toda, que tem 5,5 milhões de km2: saem desses gêiseres de madeira 20 bilhões de toneladas de água diárias. O rio Amazonas, o maior rio da Terra, que joga 20% de toda a água doce nos oceanos, despeja 17 bilhões de toneladas de água por dia. Esse fluxo de vapor que sai das árvores da floresta é maior que o Amazonas. Esse ar que vai progredindo para dentro do continente vai recebendo o fluxo de vapor da transpiração das árvores e se mantém úmido, e, portanto, com capacidade de fazer chover. Essa é uma característica das florestas


É o que faz falta em São Paulo?
Sim, porque aqui acabamos com a Mata Atlântica, não temos mais floresta. Qual o segundo segredo?
Chove muito na Amazônia e o ar é muito limpo, como nos oceanos, onde chove pouco. Como, se as atmosferas são muito semelhantes? A resposta veio do estudo de aromas e odores das árvores. Esses odores vão para atmosfera e quando têm radiação solar e vapor de água, reagem com o oxigênio e precipitam uma poeira finíssima, que atrai o vapor de água. É um nucleador de nuvens. Quando chove, lava a poeira, mas tem mais gás e o sistema se mantém.


E o terceiro segredo?
A floresta é um ar-condicionado e produz um rio amazônico de vapor. Essa formação maciça de nuvens abaixa a pressão da região e puxa o ar que está sobre os oceanos para dentro da floresta. É um cabo de guerra, uma bomba biótica de umidade, uma correia transportadora. E na Amazônia, as árvores são antigas e têm raízes que buscam água a mais de 20 metros de profundidade, no lençol freático. A floresta está ligada a um oceano de água doce embaixo dela. Quando cai a chuva, a água se infiltra e alimenta esses aquíferos.


Como tudo isso se relaciona à seca de São Paulo?
No quarto segredo. Estamos em um quadrilátero da sorte – uma região que vai de Cuiabá a Buenos Aires no Sul, São Paulo aos Andes e produz 70% do PIB da América do Sul. Se olharmos o mapa múndi, na mesma latitude estão o deserto do Atacama, o Kalahari, o deserto da Namíbia e o da Austrália. Mas aqui, não, essa região era para ser um deserto. E no entanto não é, é irrigada, tem umidade. De onde vem a chuva? A Amazônia exporta umidade. Durante vários meses do ano chega por aqui, através de “rios aéreos”, o vapor que é a fonte da chuva desse quadrilátero.


E o quinto segredo?
Onde tem floresta não tem furacão nem tornado. Ela tem um papel de regularização do clima, atenua os excessos, não deixa que se organizem esses eventos destrutivos. É um seguro.


Qual o impacto do desmatamento então?
O desmatamento leva ao clima inóspito, arrebenta com o sistema de condicionamento climático da floresta. É o mesmo que ter uma bomba que manda água para um prédio, mas eu a destruo, aí não tem mais água na minha torneira. É o que estamos fazendo. Ao desmatar, destruímos os mecanismos que produzem esses benefícios e ficamos expostos à violência geofísica. O clima inóspito é uma realidade, não é mais previsão. Tinha que ter parado com o desmatamento há dez anos. E parar agora não resolve mais.


Como não resolve mais?
Parar de desmatar é fundamental, mas não resolve mais. Temos que conter os danos ao máximo. Parar de desmatar é para ontem. A única reação adequada neste momento é fazer um esforço de guerra. A evidência científica diz que a única chance de recuperarmos o estrago que fizemos é zerar o desmatamento. Mas isso será insuficiente, temos que replantar florestas, refazer ecossistemas. É a nossa grande oportunidade.


E se não fizermos isso?
Veja pela janela o céu que tem em São Paulo – é de deserto. A destruição da Mata Atlântica nos deu a ilusão de que estava tudo bem, e o mesmo com a destruição da Amazônia. Mas isso é até o dia em que se rompe a capacidade de compensação, e é esse nível que estamos atingindo hoje em relação aos serviços ambientais. É muito sério, muito grave. Estamos indo direto para o matadouro.


O que o sr. está dizendo?
Agora temos que nos confrontar com o desmatamento acumulado. Não adianta mais dizer “vamos reduzir a taxa de desmatamento anual.” Temos que fazer frente ao passivo, é ele que determina o clima.
Tem quem diga que parte desses campos de futebol viraram campos de soja.
O clima não dá a mínima para a soja, para o clima importa a árvore. Soja tem raiz de pouca profundidade, não tem dossel, tem raiz curta, não é capaz de bombear água. Os sistemas agrícolas são extremamente dependentes da floresta. Se não chegar chuva ali, a plantação morre.


O que significa tudo isso? Que vai chover cada vez menos?
Significa que todos aqueles serviços ambientais estão sendo dilapidados. É a mesma coisa que arrebentar turbinas na usina de Itaipu – aí não tem mais eletricidade. É de clima que estamos falando, da umidade que vem da Amazônia. É essa a dimensão dos serviços que estamos perdendo. Estamos perdendo um serviço que era gratuito que trazia conforto, que fornecia água doce e estabilidade climática. Um estudo feito na Geórgia por uma associação do agronegócio com ONGs ambientalistas mediu os serviços de florestas privadas para áreas urbanas. Encontraram um valor de US$ 37 bilhões. É disso que estamos falando, de uma usina de serviços.


As pessoas em São Paulo estão preocupadas com a seca.
Sim, mas quantos paulistas compraram móveis e construíram casas com madeira da Amazônia e nem perguntaram sobre a procedência? Não estou responsabilizando os paulistas porque existe muita inconsciência sobre a questão. Mas o papel da ciência é trazer o conhecimento. Estamos chegando a um ponto crítico e temos que avisar.


Esse ponto crítico é ficar sem água?
Entre outras coisas. Estamos fazendo a transposição do São Francisco para resolver o problema de uma área onde não chove há três anos. Mas e se não tiver água em outros lugares? E se ocorrer de a gente destruir e desmatar de tal forma que a região que produz 70% do PIB cumpra o seu destino geográfico e vire deserto? Vamos buscar água no aquífero?


Não é uma opção?
No norte de Pequim, os poços estão já a dois quilômetros de profundidade. Não tem uso indefinido de uma água fóssil, ela tem que ter algum tipo de recarga. É um estoque, como petróleo. Usa e acaba. Só tem um lugar que não acaba, o oceano, mas é salgado.
O esforço de guerra é para acabar com o desmatamento?


Tinha que ter acabado ontem, tem que acabar hoje e temos que começar a replantar florestas. Esse é o esforço de guerra. Temos nas florestas nosso maior aliado. São uma tecnologia natural que está ao nosso alcance. Não proponho tirar as plantações de soja ou a criação de gado para plantar floresta, mas fazer o uso inteligente da paisagem, recompor as Áreas de Proteção Permanente (APPs) e replantar florestas em grande escala. Não só na Amazônia. Aqui em São Paulo, se tivesse floresta, o que eu chamo de paquiderme atmosférico…


Como é?
É a massa de ar quente que “sentou” no Sudeste e não deixa entrar nem a frente fria pelo Sul nem os rios voadores da Amazônia.


O que o governo do Estado deveria fazer?
Programas massivos de replantio de reflorestas. Já. São Paulo tem que erradicar totalmente a tolerância com relação a desmatamento. Segunda coisa: ter um esforço de guerra no replantio de florestas. Não é replantar eucalipto. Monocultura de eucalipto não tem este papel em relação a ciclo hidrológico, tem que replantar floresta e acabar com o fogo. Poderia começar reconstruindo ecossistemas em áreas degradadas para não competir com a agricultura.


Onde?
Nos morros pelados onde tem capim, nos vales, em áreas íngremes. Em vales onde só tem capim, tem que plantar árvores da Mata Atlântica. O esforço de guerra para replantar tem que juntar toda a sociedade. Precisamos reconstruir as florestas, da melhor e mais rápida forma possível.


E o desmatamento legal?
Nem pode entrar em cogitação. Uma lei que não levou em consideração a ciência e prejudica a sociedade, que tira água das torneiras, precisa ser mudada.
O que achou de Dilma não ter assinado o compromisso de desmatamento zero em 2030, na reunião da ONU, em Nova York?


Um absurdo sem paralelo. A realidade é que estamos indo para o caos. Já temos carros-pipa na zona metropolitana de São Paulo. Estamos perdendo bilhões de dólares em valores que foram destruídos. Quem é o responsável por isso? Um dia, quando a sociedade se der conta, a Justiça vai receber acusações. Imagine se as grandes áreas urbanas, que ficarem em penúria hídrica, responsabilizarem os grandes lordes do agronegócio pelo desmatamento da Amazônia. Espero que não se chegue a essa situação. Mas a realidade é que a torneira da sua casa está secando.


Quanto a floresta consegue suportar?
Temos uma floresta de mais de 50 milhões de anos. Nesse período é improvável que não tenham acontecido cataclismas, glaciação e aquecimento, e no entanto a Amazônia e a Mata Atlântica ficaram aí. Quando a floresta está intacta, tem capacidade de suportar. É a mesma capacidade do fígado do alcoólatra que, mesmo tomando vários porres, não acontece nada se está intacto. Mas o desmatamento faz com que a capacidade de resiliência que tínhamos, com a floresta, fique perdida.


Aí vem uma flutuação forte ligado à mudança climática global e nós ficamos muito expostos, como é o caso do “paquiderme atmosférico” que sentou no Sudeste. Se tivesse floresta aqui, não aconteceria, porque a floresta resfria a superfície e evapora quantidade de água que ajuda a formar chuva.

O esforço terá resultado?
Isso não é garantido, porque existem as mudanças climáticas globais, mas reconstruir ecossistemas é a melhor opção que temos. Quem sabe a gente desenvolva outra agricultura, mais harmônica, de serviços agroecossistêmicos.  


Não tem nenhuma razão para o antagonismo entre agricultura e conservação ambiental. Ao contrário. A agricultura consciente, que soubesse o que a comunidade científica sabe, estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo proteção das florestas. E, por iniciativa própria, replantaria a floresta nas suas propriedades.

#mudancasclimaticas