quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Você já participou na construção de um plano de educação ambiental?

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Nos ajude a produzir o “Plano Distrital de Educação Ambiental do Distrito Federal (PDEA)”. 


As Secretarias do Meio Ambiente e Educação, CIEA-DF e a CODEPLAN contam com a participação de todas as instituições que atuam com Educação Ambiental no DF. Assim, teremos um diagnóstico das ações de educação ambiental e como podemos melhorá-las. 

É rapidinho e seus dados não serão divulgados. 

Toda participação é importante e estamos felizes em poder construir juntos este plano para o DF!

Acesse a pesquisa pelo link e participe:

Impactos causados pela Coca Cola nos aquiferos brasileiros.

 No dia 13 de março de 2016, domingo, foi realizado na comunidade de Suzana, em Brumadinho (MG), o Encontro Popular “Onde está nossa água?”, que discutiu a repentina queda na vazão das nascentes que abastecem as comunidades de Suzana e Campinho, após o início das operações dos poços tubulares que abastecem a fábrica da Coca-Cola, localizada em Itabirito (MG).


Os poços de água que abastecem a fábrica estão a menos de mil metros das nascentes localizadas dentro do Monumento Natural Municipal da Mãe d’Água que servem de abastecimento de milhares de famílias de Brumadinho.

Conforme demonstrado na reunião, há uma grande coincidência entre a queda na vazão das águas dessas nascentes e o início da operação desses poços. Análises técnicas indicam que é bastante provável que a operação desses poços esteja impactando diretamente o abastecimento de água da população de Brumadinho-MG.

Com a participação de aproximadamente 150 pessoas, o encontro contou com a exposição do geólogo colaborador da ONG Abrace a Serra da Moeda, Ronald Fleisher, que apresentou os aspectos técnicos que envolve a questão.

Prefeitura de Brumadinho-MG
O encontro popular contou com a participação do Secretário de Meio Ambiente de Brumadinho, Hernane Abdon, que se apresentou surpreendido com os impactos da Coca Cola e disse que a Prefeitura de Brumadinho não foi comunicada sobre a instalação da Fábrica. 


Contudo, representantes da ONG Abrace a Serra da Moeda detinham documento datado de 2011, extraído do licenciamento ambiental, que comprovava exatamente o contrário. Vale lembrar que, na ocasião, o próprio Hernane Abdon era o Secretário de Meio ambiente, embora o Prefeito fosse Avimar Barcelos, o Nenen da Asa, opositor à atual gestão.


O Secretário também se comprometeu a obter do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Brumadinho (CODEMA) uma moção de repúdio ao empreendimento da Coca-Cola e solicitando a paralisação imediata das operações dos poços questionados.


As comunidades cobraram do Secretário ações mais enérgicas na defesa das comunidades. Isto porque a Prefeitura de Brumadinho tem se omitido da responsabilidade de proteção do patrimônio ambiental e hídrico do município. 

Exemplo disso é o não reconhecimento por parte dos órgãos municipais do Monumento Natural Municipal da Mãe d’Água que ocasionou a ausência de participação do CODEMA, órgão gestor da Unidade de Conservação, sobre o licenciamento da Fábrica da Coca-Cola. 

A Prefeitura de Brumadinho tenta, judicialmente e em grau de recurso, reduzir a área de proteção do Monumento Natural Mãe d’Água. Isso porque o Ministério Público de Minas Gerais ajuizou ação civil pública após a revogação ilegal do Decreto que criou o Monumento.


Prefeitura de Itabirito
Não obstante a proximidade da Fábrica da Coca Cola FEMSA com o Monumento Natural da Mãe d’Água – Unidade de Proteção Integral localizada em Brumadinho – não foram realizados estudos de impacto da exploração do aquífero em vazões tão grandes e tampouco há previsão de monitorar esse impacto. 


A Coca Cola FEMSA foi dispensada do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) para instalação de sua fábrica, haja vista a sua localização no Distrito Industrial de Itabirito. O EIA/RIMA do Distrito Industria, no entanto, não faz menção sobre o impacto das indústrias sobre o aquífero. A empresa realizou um estudo ambiental simples, se comparado ao EIA/RIMA, o Plano de Controle Ambiental e Relatório de Controle Ambienta (PCA/RCA). No seu PCA/RCA a CocaCola-Femsa não abordou o impacto sobre o aquífero, pois sua água será fornecida pelo SAAE de Itabirito.


Com o objetivo de incentivar a instalação da Fábrica, a prefeitura de Itabirito doou grande parte da área da fábrica e também concedeu uma série de benefícios fiscais, além da garantia de fornecimento de água através do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Itabirito-MG. Embora o SAAE Itabirito se comprometa a atender um consumo médio mensal de 172.253m3 para a Coca Cola, não realizou qualquer estudo técnico ambiental que avalie o impacto da exploração do aquífero em vazões tão grandes. Com o consumo mensal da empresa Coca Cola seria possível abastecer 28.875 habitantes, o que corresponde a quase toda a população de Brumadinho. 

 
Também não houve audiência pública antes da instalação da Fábrica, o que impossibilitou a defesa das comunidades antes do início das operações do empreendimento.


Deliberações das Comunidades
As comunidades reunidas no encontro popular realizado domingo (13) deliberaram as seguintes ações: 

a) Representação ao Ministério Público comunicando a diminuição da vazão das nascentes após o início das operações da fábrica da Coca-Cola FEMSA.
b) Ação Civil Púbica visando a paralisação imediata da operação dos poços que abastecem a Fábrica até que se julgue o mérito da causa da diminuição da oferta de água na encosta da Serra da Moeda;

c) Manifestação no dia 21 de abril no evento “Abrace a Serra da Moeda” e em seguida em frente à fábrica da Coca-Cola FEMSA.


















terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pourquoi la théorie de Hawking sur les «extraterrestres dangereux» est peu probable

Le physicien britannique Stephen Hawking

© AFP 2016 Justin Tallis Sci-tech 23:11 27.09.2016URL courte 5115294


Stephen Hawking craint que si nous prenons contact avec des êtres extraterrestres, ils pourraient répondre avec hostilité. Si c’est le cas, il est un peu tard pour s’inquiéter. Seth Shostak, directeur du centre spatial Seti, qui cherche l'intelligence extraterrestre, a déclaré aux journalistes du journal britannique The Guardian, qu'il ne fallait pas avoir peur des attaques extraterrestres.



Dans un film récemment publié en ligne, M. Hawking souligne le danger potentiel de la diffusion des signaux radio vers d'autres systèmes d'étoiles. Après tout, nous ne savons pas qui est là-bas, et ils pourraient ne pas être bien intentionnés. Si nous révélons notre présence avec des signaux, peut-être les extraterrestres tireront avec leur artillerie interstellaire pour nous éliminer. Nous avons déjà diffusé en permanence notre position aux aliens pendant des années grâce à des choses comme la télévision et les radars.



S'il y a une civilisation avancée qui peut recevoir ces signaux, elle sait probablement déjà que nous sommes ici, affirme M. Shostak. Le système d'étoiles le plus proche de notre système solaire est à environ 40.000 milliards de kilomètres.


S'il y a une espèce extraterrestre qui a développé la technologie super-avancée nécessaire pour recevoir des émissions de la Terre, alors il y a des chances qu'elle ait aussi la capacité technique de se rendre sur Terre et de nous capturer en un instant.


 Mais ils n'ont pas encore pris la peine de détruire la Terre, alors pourquoi est-ce mauvais d'essayer de communiquer avec eux ? Si vous supposez que qu'une vie extraterrestre soit susceptible d'exister, étant donné qu'il y a des milliards d'autres planètes dans notre galaxie et des milliards d'autres galaxies dans l'Univers, alors il est tout à fait possible que la Terre soit quelque part au milieu de l'évolution de la vie dans l'Univers.


Il pourrait y avoir des espèces beaucoup plus avancées qui existeraient depuis bien plus longtemps que nous. Ces espèces auraient eu beaucoup de temps pour récolter les ressources de la Terre bien avant le début de la vie humaine.


Une autre scientifique du centre Seti, Jill Tarter, a souligné que les humains étaient devenus plus gentil et plus doux que nous l'étions dans le passé. Il semble qu'au fur et à mesure de l'évolution des technologies, la société évolue et devienne moins violente. Ainsi, toute civilisation extraterrestre suffisamment avancée pour communiquer avec nous ne décidera probablement pas de nous vaporiser immédiatement.


Donc, au moins pour l'instant, il semble que les idées alarmistes de Stephen Hawking concernant les aliens fassent encore débat.




En savoir plus: https://fr.sputniknews.com/sci_tech/201609271027948748-hawking-extraterrestres-peu-probable/

País deve apoiar controle de CO2 da aviação


Por Do Observatório do Clima*
Foto: Paul/Flickr.
Foto: Paul/Flickr.

O Observatório do Clima enviou nesta segunda-feira uma carta ao Presidente da República, Michel Temer, pedindo que o Brasil participe de um novo mecanismo de regulação das emissões de carbono da aviação civil internacional.



O mecanismo deverá ser criado durante a assembleia da Oaci (Organização Internacional da Aviação Civil), que começa nesta terça-feira (27) em Montréal, Canadá, e vai até 7 de outubro.



A aviação civil internacional é um dos setores da economia cujas emissões de gases de efeito estufa crescem mais depressa. Sozinha, ela já emite mais do que todo o Canadá (quase 2% das emissões globais) e, se fosse um país, seria um dos dez maiores poluidores do mundo. Caso nada seja feito, suas emissões poderão crescer 300% até o meio do século. Os responsáveis por esse crescimento serão basicamente os países em desenvolvimento, onde o mercado mais se expande.



No entanto, por serem internacionais – ou seja, por ocorrerem no espaço entre países -, essas emissões não estão regulamentadas pelo acordo do clima de Paris. Só que, se os governos estiverem falando sério sobre cumprir a meta do Acordo de Paris de estabilizar o aquecimento global em bem menos de 2oC e fazer esforços para limitá-lo a 1,5oC, a aviação civil precisa controlar o crescimento de suas emissões.



O mecanismo que se desenha para a reunião de Montréal visa limitar o crescimento dessas emissões após 2020. Mas ele deverá ser de adesão voluntária na sua primeira fase, que vai até 2026. Até lá, as empresas aéreas dos países que não aderirem, e todos os voos entrando e saído desses países, ganhariam um passe livre para poluir.



É crucial que o maior número possível de nações se integre ao mecanismo desde seu início, em 2020, e comunique essa intenção até o final da assembleia, para saber se haverá um acordo eficaz ou não. E o Brasil é uma peça-chave para o sucesso desse acordo.



“O Observatório do Clima considera fundamental que o Brasil anuncie à comunidade internacional que suas emissões de transporte aéreo internacional estarão sujeitas ao controle de mecanismo regulatório no âmbito da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) desde sua fase inicial, como já o fizeram também países como China, Cingapura, Emirados Árabes Unidos, Ilhas Marshall, Indonésia, Malásia, México, Quênia, dentre outros países em desenvolvimento”, afirma a carta.



Para Carlos Rittl, secretário-executivo, do OC, a participação brasileira desde o início é fundamental não apenas pelo tamanho e potencial de crescimento do mercado brasileiro (aproximadamente 1.6% do tráfego de voos internacionais vem do Brasil), mas também pela importância estratégica do país. “Uma posição de liderança do Brasil na negociação tem o potencial de estimular outros países em desenvolvimento, reforçando o papel do país como um dos poucos produtores de aviões comerciais e uma superpotência na produção de biocombustível para aviação. Por outro lado, se o Brasil adiar compromissos, outros países farão o mesmo, o que aumentará o risco de mudanças climáticas perigosas no mundo inteiro”, afirmou Rittl.



Segundo Mark Lutes, especialista em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil, um mecanismo efetivo para o setor de aviação internacional precisa – além da participação de todos os países desenvolvidos e grandes países em desenvolvimento – evoluir o quanto antes para cobrir todas as emissões do setor e ser revisado periodicamente. De acordo com Lutes, só desta forma a aviação poderá cumprir a parte que lhe cabe nos esforços globais.



“As emissões globais estão ainda longe de ser compatíveis com um futuro sustentável e os objetivos climáticos acordados em Paris. Essa reunião da Oaci é a primeira e a melhor oportunidade de avançar nos esforços globais para evitar desastres climáticos. Se países com o tamanho e a capacidade do Brasil ficarem fora, haverá muito menos chances de dar certo”, completa.



Leia aqui a íntegra da carta.

Republicado do Observatório do Clima através de parceria de conteúdo. logo-observatorio-clima

Justiça mantém zoológico do Parque da Cidade aberto e pede envio de leoa


27/09/2016 11h02 - Atualizado em 27/09/2016 11h25


Decisão é referente a Ação Civil Pública promovida pelos MP e MPF.


Juiz entendeu que transferência de felino poderia causar danos a sua sua saúde.

Do G1 SE
A Justiça Federal divulgou nesta terça-feira (27) que o juiz Edmilson da Silva Pimenta decidiu manter o funcionamento do zoológico do Parque da Cidade, mas determinou a adoção de diversas medidas para resolver as pendências estruturais e de funcionamento, conforme as exigências do parecer emitido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).



A decisão é referente a Ação Civil Pública promovida pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual com base o Inquérito Civil instaurado pelo MPF em 15 de fevereiro deste ano para apurar a suposta prática de maus tratos contra uma onça no local.



"Apesar de todas as contingências que envolvem o mencionado Zoológico, entendo que não é o caso de se decretar a sua interdição, diante da importância que ele representa para a sociedade sergipana, que ficaria privada de um importante centro de lazer, de educação, de cultura e de convívio com a natureza. A interdição se configura em uma medida extrema, somente devendo ser adotada em caso de absoluta incapacidade da Administração Pública em recuperar o Zoológico, o que não é o caso”, argumentou o juiz federal.


Edmilson Pimenta entendeu ainda que a transferência do leão para outro parque ou habitat poderia acarretar danos à sua saúde e outras consequências, que devem ser avaliadas por especialistas na área.


Ao final, a decisão determinou que a Emdagro, o Ibama e a Adema, conjuntamente, adotem providências no sentido de trazer uma leoa para o Zoológico do Parque da Cidade de Aracaju, obedecendo, assim, ao anexo IV, alínea d, da Instrução Normativa IBAMA nº 07/2015[1], que recomenda a formação de casais ou pelo menos parear tais animais, medida que deve ser concretizada assim que o Ibama informar que as dependências do Zoológico estão aptas para receber o animal.

*Com informações da Justiça Federal


Les cauchemars d'un monde totalement végétarien

Steak

© Flickr/ Sharon & Nikki McCutcheon Société 21:55 27.09.2016(mis à jour 22:08 27.09.2016)


Exclure la viande de son régime alimentaire peut entraîner un tas d’avantages tant pour la santé humaine que pour la planète.


Dans le même temps, un végétarisme massif pourrait nuire à des millions de personnes. 
De combien d’années la viande écourte-t-elle la vie? Les gens renoncent à la viande pour de multiples raisons, notamment pour soulager la souffrance des animaux ou adopter un mode de vie plus sain.


Peu importent les arguments de leurs amis carnivores, les végétariens n'ont aucun doute sur ce point : supprimer la viande de son régime alimentaire est bénéfique.


Néanmoins, si tout le monde devenait végétarien, cela aurait de sérieuses répercussions pour des millions de personnes partout dans le monde.


« Pour les pays développés, le végétarisme apportera tout un ensemble d'avantages pour l'environnement et pour la santé », annonce Andrew Jarvis du Centre international colombien de l'agriculture tropicale, cité par la BBC. « Mais dans les pays en voie de développement, cela aura des effets négatifs en termes de pauvreté. »


M. Jarvis et ses collègues ont évalué les conséquences concrètes si la population de la planète se tourne vers le végétarisme à partir d'aujourd'hui.


Si tout le monde devient végétarien, le taux de mortalité sera réduit de 6 à 10 % d'ici 2050, bien que les effets du végétarisme global soient plutôt mixtes.




La chute du taux de mortalité sera due pour moitié au refus de manger de la viande rouge et pour moitié à l'augmentation des quantités de fruits et de légumes consommées. De moins en moins de personnes souffriront de maladies liées à la nourriture, les frais médicaux seront en baisse, soit une économie d'environ 2 à 3 % du PIB mondial.


Cependant, le manque d'éléments nutritifs devra être comblé et cela pourrait devenir un vrai problème, plus de deux milliards d'habitants sur la Terre étant sous-alimentés. « Devenir globalement végétarien pourrait donner lieu à une crise de la santé dans les pays en voie de développement, car d'où viendront les micronutriments dès lors ? », met en garde l'expert de l'Université de Leeds Tim Benton.
 
Des changements verront aussi le jour dans le domaine du travail. Les gens liés anciennement à l'industrie de l'élevage devront changer de boulot et les gouvernements devront aider ces flux de chômeurs nouvellement créé à trouver une alternative.


 Mais quels que soient les efforts des autorités, le monde affrontera inévitablement une croissance du taux de chômage dont les principaux concernés seront les habitants des communes rurales liées à cette industrie alimentaire.


 Ensuite, vu les quantités de volailles produites et tuées par an à des fins alimentaires, il faudra être prêt à faire face à de graves perturbations économiques. Sans l'élevage, la vie pourrait devenir impossible pour certains groupes, selon Ben Phalan de l'Université de Cambridge.


Quels groupes précisément ? Les nomades mongols et berbères par exemple qui, privés de leur bétail, seraient obligés de s'installer dans les grandes villes, ce qui aurait pour conséquence la perte de leur identité culturelle.



De même, les gens dont la vie ne dépend pas de l'élevage souffriront également. Il s'agit des pays où la viande fait partie de la tradition, de l'histoire et de la culture, et participe habituellement aux fêtes comme Noël ou les noces.

Cites 2016: novo embate entre traficantes e conservação


Por José Truda
Elefante no Parque Nacional Kruger, na África do Sul. País sedia encontro internacional sobre comércio de espécies ameaçadas. Foto: Wikipédia.
Elefantes vivem protegidos no Parque Nacional Kruger, na África do Sul. 
País sedia encontro internacional sobre comércio de espécies ameaçadas.
Foto: Wikipédia.

Joanesburgo, na África do Sul, é a metrópole mais próxima do lugar que abriga a visão que milhões de pessoas ao redor do mundo têm da África selvagem que resta: o Parque Nacional Kruger, um dos mais visitados e aclamados santuários de biodiversidade terrestre do planeta.



Lar de muita vida, de icônicas famílias matriarcais de elefantes a alguns dos últimos rinocerontes existentes, passando por uma miríade de plantas e animais singulares, Kruger é ao mesmo tempo um enorme sucesso de conservação e um dilema de manejo para seus gestores - um excelente paralelo para a Convenção para a Regulamentação do Comércio Internacional de Fauna e Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção, ou simplesmente CITES, que se reúne nesta cidade a partir do dia 23 de outubro e que mais uma vez sediará um embate entre os que querem proteger as espécies ameaçadas e os que querem vendê-las - ou suas partes mais valiosas - no comércio internacional.



Negociada e entrando em vigor nos já longínquos anos 1970, quando uma onda de preocupação com o planeta levou a diversas inovações no Direito Internacional, a Convenção CITES é uma pérola em um mundo onde os "consensos" impedem, na prática, a adoção de medidas efetivas de conservação; esse é o caso dos acordos regionais de pesca hoje vigentes, por exemplo, onde mesmo com absoluta certeza de que as práticas pesqueiras são criminosamente predatórias e os estoques estão sendo exterminados por quotas demasiado elevadas de captura, basta uma China ou um Japão fincar pé para que nada seja feito e o massacre insustentável continue, consagrando a ditadura da minoria predatória nas decisões sobre recursos naturais compartilhados.



A CITES, bem como a Comissão Internacional da Baleia (CIB), são anteriores a esse golpe do consenso, e tomam decisões por votação.



No caso da CITES, adotam-se por maioria mínima de 2/3 dos países votantes normas para restringir ou proibir o comércio de animais ou plantas ameaçados ou em vias de, listando-os respectivamente no Apêndice II (comércio internacional restrito e sujeito a non-detrimentfindings, ou seja, à demonstração de que o comércio pretendido não prejudicará a espécie) ou Apêndice I (comércio internacional proibido).



Claro, aqui como em muitas leis há uma cláusula pró-meliantes: como em muitos outros tratados, na CITES os países também podem declarar uma "objeção" às decisões em até 90 dias depois de adotadas, e com isso ficam isentos de cumpri-las...



Mas mesmo assim as objeções costumam limitar-se aos vilões ambientais habituais (vocês acertaram: China e Japão encabeçam a lista) e a maioria das decisões favorece as espécies-alvo.



Algumas espécies listadas desde o início na CITES são objeto de permanente revisão e controvérsia, como é o caso dos elefantes, massacrados impiedosamente pelo marfim, ou rinocerontes, cujo chifre é removido dos animais caçados ilegalmente para alimentar o mais imbecil dos tráficos, o de supostos afrodisíacos na tal "medicina tradicional" asiática. Outras são besouros pouco conhecidos ou plantas suculentas obscuras, mas que viram espécies ameaçadas ao serem coletadas em números assustadores para atender a "colecionadores" com dinheiro demais e parafusos de menos.



Nesta reunião que se inicia não será diferente, e falaremos disso em mais detalhe nos próximos dias. Mas em anos recentes, a CITES passou a estender sua proteção também a espécies cujos lobbies do tráfico excedem em muito o poder dos de marfim, chifres e insetos: trata-se dos peixes marinhos, cuja captura e comércio não se medem em exemplares, mas em toneladas.



Maior em volume, ainda que idêntico em estupidez, do que o de chifres de rinoceronte, o comércio internacional de barbatanas de tubarão, para uma sopa insípida e falsamente afrodisíaca, é responsável por boa parte dos quase 100 milhões de tubarões subtraídos aos oceanos anualmente pelas frotas pesqueiras.



A China, novamente, é o grande buraco negro para onde convergem os produtos desse genocídio. No caso dos tubarões-martelo, estima-se que cerca de 90% das populações globais das distintas espécies já tenham desaparecido, e a lista de outras vítimas é longa.



Para piorar o quadro, as raias-manta e seus parentes próximos, as móbulas, magníficos e inofensivos gigantes do mar que atraem mergulhadores do mundo inteiro para seus locais de concentração, estão sendo mortas para a extração de suas estruturas branquiais, também para atender às criminosas crendices chinesas.



A dupla dinâmica. Foto: Pinguim.
A dupla dinâmica Paulo Guilherme "Pinguim" e José Truda no Cites 2016. Foto: Pinguim.


Em 2013, a CITES votou majoritariamente para restringir o comércio de tubarões galha-branca-oceânicos (Carcharinuslongimanus), do marracho (Lamnanasus), três espécies de tubarões-martelo (Sphyrnalewini, S. mokarran e S. zygaena, e de todo o gênero das raias-manta ((Manta spp.), o que deu um fôlego parcial a essas espécies.



Nesta reunião que está começando aqui na África do Sul, estão propostas restrições para o comércio dos muito ameaçados tubarões-raposa (Alopiasspp.), do tubarão-sedoso ou (Carcharinusfalciformis) e das raias-móbula (Mobulaspp.), parentes próximas das mantas. 



O Brasil apoia todas essas propostas, e mais outras iniciativas pró-conservação como a restrição de comércio para todo o gênero Dalbergia, dos jacarandás, e a manutenção da proteção da CITES às grandes baleias, que os países pró-caça incansavelmente tentam derrubar tanto aqui como na CIB.



Estas e outras propostas, bem como todos os documentos que serão discutidos e votados nesta reunião, relatórios e iniciativas para coibir o tráfico de flora e fauna ameaçadas, podem ser acessados gratuitamente através destes Apps para IOs e Android.


Os governos dos predadores marinhos, os traficantes de marfim, os falsos "povos tradicionais" abastados que lucram com a matança de fauna ameaçada, estarão como de hábito nesta Conferência das Partes Contratantes da CITES distribuindo seus dossiês, caretas, ameaças e promessas de benesses lícitas ou não.



Direto desse campo de batalha enviaremos nossos boletins a ((o))eco, enquanto fazemos, eu e Paulo Guilherme "Pinguim", o incansável cabeça da campanha Divers for Sharks, nosso próprio lobby a favor da conservação.


Com um detalhe: este ano fomos convidados pelo Ministério das Relações Exteriores – cujo novo titular declarou a temática ambiental como uma de nossas novas prioridades diplomáticas - a integrar a delegação oficial do Brasil. 



Sinal dos novos tempos, esperamos, em que a sociedade civil ambientalista não é mais obrigada a ser muda e servil para ser admitida como protagonista das políticas públicas. Fiquem de olho em ((o))eco nas próximas duas semanas pros nossos despachos do front.

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Estudo demonstra diversidade das florestas secas

Estudo demonstra diversidade das florestas secas

Por Vandré Fonseca
Parque Estadual da Mata Seca, em Minas Gerais. Foto: Pezzini/Divulgação.
Parque Estadual da Mata Seca, em Minas Gerais. Foto: Pezzini/Divulgação.

Manaus, AM -- Ancestrais, com linhagens de plantas mais antigas do que da Amazônia ou Cerrado, as florestas secas resistem ao tempo e à ocupação. Os solos férteis que as abrigam são um convite à agricultura ao mesmo tempo em que a escassez de água contribui para ambientes inóspitos. E apesar de alguns países latino-americanos guardarem menos de 10% de suas florestas secas originais, o importante é que elas ainda resistem. E melhor assim, pois guardam uma biodiversidade rica e ainda pouco estudada, que ganhou a capa da revista Science.


No artigo publicado em 23 de setembro, a equipe de pesquisadores da Rede Latino-americana de Florística de Florestas Tropicais Sazonalmente Secas (Dryflor) conta 6.958 espécies de árvores em matas secas em todo continente. O número é bem menor que as espécies listadas para a Amazônia, mas é preciso levar em consideração que a floresta úmida é muito mais estudada, com muito mais levantamentos de campo realizados.



O estudo demonstrou também que áreas de florestas secas possuem composição florística diferente entre elas, de modo que raramente compartilham as mesmas espécies.



“Ao ser publicado numa das revistas científicas de maior prestígio, esperamos que ajude a chamar a atenção para esse ecossistema tão incrível e ao mesmo tempo esquecido”, acredita a bióloga Flávia Pezzini, que participou do estudo. “As matas secas foram berço da civilização pré-colombiana e a fonte de importantes cultivos como o milho, feijão e tomate. Mas historicamente foi bastante destruída e pouco estudada”, completa.



No mapa da continente americano, as matas secas aparecem distribuídas desde o México e Sul da Flórida até o Norte da Argentina, passando por ilhas do Caribe, Andes. No Brasil, ocupa áreas da Mata Atlântica e Cerrado, mas é identificada com a Caatinga, que se estende por aproximadamente 850 mil quilômetros quadrados. Apesar se ser exclusivamente brasileiro e ocupar cerca de 11% do território nacional, o bioma que ocupa o Nordeste e norte de Minas já teve 47% de sua área desmatada e conta com apenas 1% de sua extensão legalmente protegida.



Os autores do artigo defendem que a conservação da diversidade biológica das matas secas seja considerada uma prioridade. São espécies adaptadas ao calor e à seca, condições que provavelmente se tornaram mais intensas na região tropical. Eles destacam a necessidade de serem criadas várias áreas de proteção espalhadas por diversos países para proteger a diversidade dessa vegetação.


A rede Dryfor é liderada pelo Jardim Botânico Real de Edimburgo e inclui mais de 50 pesquisadores e conservacionistas. Ela é financiada pela Leverhulme Trust International Network, fundado em 1925.

Saiba Mais
Artigo: Plant diversity patterns in neotropical dry forests and their conservation implications

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Chega a 60 número de países que ratificaram Acordo de Paris




21 Setembro 2016  |  0 Comments
 
Trinta e um países, incluindo o Brasil, depositaram nesta quarta-feira na sede da ONU, em Nova Iorque, seus instrumentos de ratificação do Acordo de Paris. Com isso, sobe para 60 o número de países de se juntaram ao acordo, representando 47,78% das emissões globais.

Assim, o Brasil – cujas emissões correspondem a 2,48% do total global – se tornou um dos primeiros grandes poluidores a ratificarem o acordo, junto com Estados Unidos e China, que depositaram o instrumento no começo do mês, durante a reunião do G20.  Outros grandes emissores de gases de efeito estufa como Argentina e México também ratificaram hoje o acordo climático global.

Com esse movimento dos países, aumentam as chances de que o acordo passe a valer ainda este ano. O próprio secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, já dá como certa a entrada em vigor ainda em 2016. Para isso, é necessário que pelo menos 55 países, representando 55% das emissões depositem seus instrumentos de ratificação, aceitação, aprovação ou adesão nas Nações Unidas (entenda aqui a diferença).

De acordo com o coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur, a entrada em vigor antecipada do documento é essencial para alimentar a vontade por uma ação climática.


Diferentes análises, incluindo uma do próprio IPCC – o painel científico da ONU sobre o clima – após a COP21, em Paris, mostram que os compromissos apresentados pelos países não são suficientes para mantermos o aumento do aquecimento global em 1,5º C.

Além disso, os governos signatários do Acordo devem internalizar suas metas, demonstrando quais ações vão efetuar para cumprir a diminuição de emissões, além de contabilizá-las em seus orçamentos.

No caso do Brasil, as metas são diminuir as emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e em 43% até 2030, tendo 2005 como ano-base. A contribuição brasileira levada à ONU, chamada Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida (INDC, na sigla em inglês), contém ainda ações como o fim do desmatamento ilegal na Amazônia, a restauração e reflorestamento de 12 milhões de hectares, a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e o alcance de 45% na participação de energias renováveis na composição da matriz energética.

O Instituto Escolhas e o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVCes) fizeram as contas e concluíram que somente para recuperar os 12 milhões de hectares de florestas previstos na contribuição brasileira custaria entre R$ 31 bilhões e R$ 52 bilhões divididos em 14 anos. Mas o governo ainda não apontou de onde podem vir os recursos para pagar essa conta.

Setor privado
“O mundo tem mostrado que compreendeu a crise climática que vivemos e que não é possível esperar mais. Precisamos aproveitar este momento para começar a implementar uma transição justa para uma economia de baixo carbono e colocar mais ambição nas metas de redução de emissões. Esta é uma necessidade do Brasil, mas também de todas as partes”, comentou o coordenador do Programa de Mudanças Climáticas do WWF-Brasil, André Nahur.

Segundo ele, o setor privado é parte importante para fechar a conta das emissões e cada vez mais empresas têm entendido a importância de diminuírem as emissões de suas atividades. “Normalmente, as análises de emissões são feitas por segmentos, como energia, uso da terra e desmatamento.

As empresas fazem parte da cadeia destes produtos e podem contribuir com a diminuição das emissões tanto ao tornar seus métodos de produção mais sustentáveis quanto na escolha de fornecedores e matérias primas”, disse o corrodenador.

Exemplo disso é que, mundialmente, o setor de uso da terra e agricultura equivale a 25% das emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, porém, esse número chega a quase 65%.

Como forma de engajamento, mais de 50 empresas globais assinaram a Declaração de Nova Iorque para Florestas em 2014, se comprometendo a diminuir a perda florestal pela metade até 2020 e ter perda zero até 2030, além de manter o desmatamento fora da cadeira de negócios da agricultura.

Outra questão bastante relevante são as emissões não contabilizadas, como o da aviação internacional, que representa mais de 2% das emissões globais e deve crescer ainda mais nos próximos anos. A Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO, na sigla em inglês) promove no dia 7 de outubro um encontro para elaborar um plano com o objetivo de limitar as emissões de gases de efeito estufa no setor de aviação internacional.

 

Dia Mundial dos Rios. Ajude a proteger os nossos.

WWF-Brasil comemora o Dia Mundial dos Rios com foco no Pantanal




23 Setembro 2016  |  0 Comments
 
No sábado, dia 24 de setembro, o WWF-Brasil organiza, juntamente com o governo de Mato Grosso, uma tarde de educação ambiental e de apresentações culturais no Parque Mãe Bonifácia, em Cuiabá para celebrar o Dia Mundial dos Rios. A ONG e o governo fazem parte do Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal, movimento que tem por objetivo conservar os rios e recuperar nascentes degradas da região onde nascem as águas responsáveis pelas cheias da maior área úmida do planeta.

A abertura está marcada para às 15h30. Ao longo da programação, serão lançados cinco filmes curta-metragens produzidos pelo WWF-Brasil que alertam sobre a necessidade de conservar as águas do Pantanal por meio de histórias de moradores da região.

O Chico Bento, da Turma da Mônica, estará ao vivo no Parque Mãe Bonifácia, interagindo com as crianças. A personagem criada por Maurício de Sousa é, desde 2014, o protetor das nascentes do Pantanal. Haverá ainda apresentações da dupla folclórica “Nico e Lau” e da cantora cuiabana Ana Rafaela, participante do programa “The Voice Brasil”.

O Coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil, Júlio César Sampaio, falará sobre a importância dos rios pantaneiros para o desenvolvimento sustentável de Mato Grosso e para a preservação da vida e do meio ambiente. “A água é um bem precioso. Os rios e nascentes das cabeceiras estão em risco e nossas ações são necessárias e urgentes. Milhares de espécies dependem das águas para sobreviver. Além disso, precisamos começar a atuar agora se quisermos ter água para abastecimento e água para a produção de alimentos e industrial no futuro.”, afirma.

Haverá ainda distribuição gratuita de mudas de plantas de espécies nativas para os presentes. O evento conta também com a Teoria Verde, plataforma de educação ambiental de Mato Grosso.

O Dia Mundial dos Rios
O Dia Mundial dos Rios, criado em 2005, é comemorado anualmente no último domingo de setembro. O objetivo é conscientizar a população sobre a necessidade de preservar os rios, necessários para o abastecimento das cidades, o desenvolvimento sustentável e a sobrevivência de milhares de espécies. Todos os anos mais de 60 países se unem para celebrar os rios e sua importância para a vida no planeta.

Ameaças
Uma pesquisa realizada em 2015 pelo WWF-Brasil  e o Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC) e o HSBC Brasil, revelou que os níveis de turbidez – quando a água perde a transparência - e de quantidade de sólidos dissolvidos nos rios Jauru, Sepotuba e alto-Paraguai (região das cabeceiras do Pantanal) vem aumentando. O saneamento básico deficiente e o desmatamento das matas ciliares e das matas das nascentes e cabeceiras são os principais responsáveis pela poluição desses três rios, responsáveis pelo fornecimento de 30% das águas que mantém o pulso de inundação – processo anual de cheia e seca - da planície pantaneira no Mato Grosso.

Sem a vegetação, os rios ficam desprotegidos e expostos às chuvas, que carregam sedimentos pela correnteza, provocando aumento da turbidez e do assoreamento, processo pelo qual os rios vão ficando cada vez mais rasos. A turbidez afeta o ciclo de vida dos peixes, pela falta de transparência na água, além de dificultar o tratamento da água que será distribuída à população por parte das empresas de saneamento. O assoreamento dificulta a navegação, o fluxo das águas, a migração dos peixes e também deixa o rio vulnerável à transbordamentos em época de chuvas. A destruição da vegetação pode provocar um efeito ainda mais grave: secar completamente uma nascente.

Por sua vez, a falta de um sistema de tratamento faz com que os dejetos humanos de uma localidade sejam diretamente despejados nos rios e córregos, contaminando águas, solo e até o lençol freático. Um estudo do Instituto Trata Brasil e WWF-Brasil identificou que menos de 10% do esgoto na região recebe tratamento antes do descarte.

Mais sobre o assunto

http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/agua/agua_news/?44562/Desmatamento-e-falta-de-saneamento-bsico-ameaam-as-guas-do-Pantanal

http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/agua/agua_news/?46122/WWF-Brasil-governo-e-prefeituras-de-Mato-Grosso-se-unem--pela-preservao-das-guas-do-Pantanal

domingo, 25 de setembro de 2016

Só a tecnologia salva a Amazônia


Por Vandré Fonseca
Foto: Andre Zumak/Flickr
Foto: Andre Zumak/Flickr



Manaus, AM - Se deixar, a motosserra destrói. Se proteger, ainda faltam garantias de que a Amazônia vá resistir por muito tempo. Mas a equipe de pesquisadores liderada pelo meteorologista Carlos Nobre acredita que ainda há um caminho para salvar a floresta. Em um artigo publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), ele e outros pesquisadores defendem emprego de alta tecnologia para aproveitar e preservar a biodiversidade da região.




“Estamos propondo quase uma Revolução Bioindustrial”, destaca Carlos Nobre. ”O maior recurso que a floresta tem está escondido na biodiversidade, nas estratégias que essa biodiversidade encontrou para manter dezenas de milhares de espécies”, completa. Para os pesquisadores, empresas biotecnológicas poderiam ser um vetor de desenvolvimento e ao mesmo tempo aliadas na proteção da floresta, afinal dependeriam dela para sobreviver.




No artigo, os pesquisadores alertam que grande parte da floresta pode dar lugar a uma savana degradada sob diversos cenários. São projeções que já haviam sido feitas e publicadas, mas pela primeira vez aparecem juntas. E indicam a vulnerabilidade da Amazônia às mudanças globais que ocorrem atualmente, como alterações na paisagem e mudanças climáticas.




Mesmo controlando o desmatamento, afirma Nobre, se a temperatura média na região aumentar 4º Celsius, a floresta pode não suportar. “Vários estudos conduzidos pelo meu grupo de pesquisa e por outros, internacionalmente, chegaram a limites absolutos, que se você ultrapassar corre o risco do que chamei de savanização da Amazônia”, destaca.




Apesar de ainda estar longe dessa marca, já que a temperatura na região aumentou 1ºC (1,5ºC em áreas desmatadas, segundo o pesquisador), existem outras ameaças. Se o desmatamento passar dos 40% da floresta, há risco de uma mudança regional que leve a mudança da paisagem. Incêndios florestais também podem levar a degradação da floresta tropical.



Carlos Nobre destaca que o estudo também levou em consideração o ganho da floresta com o aumento da concentração de CO2 na atmosfera, que favorece o crescimento das árvores. Sem esse dado, os resultados seriam ainda piores. Um quadro que torna insuficientes tanto a perspectiva de transformar a Amazônia em um santuário intocado quanto aproveitamento das áreas desmatadas para a agricultura.



“A nossa conclusão é que nenhuma dessas estratégias preserva ad eternum a Amazônia”, ressalta. Ele lembra que há desmatamento mesmo dentro de Unidades de Conservação, o que demonstra a ineficiência de cercar a Amazônia. Por outro lado, o aproveitamento de áreas já degradadas para a agricultura pode induzir ao desmatamento. “Aumentar a produtividade por si traz dinheiro para a região da atividade agrícola e esse dinheiro só encontro modo de se reproduzir com a expansão da produção sobre a floresta”, explica.



Claro que o modelo defendido no artigo pressupõe tanto a manutenção ou ampliação das Unidades de Conservação e a intensificação da produção agrícola. E inclui também a necessidade de melhorar a qualidade de vida na região. Ele destaca que na Bacia Amazônica vivem aproximadamente 40 milhões de pessoas, que precisam se beneficiar de uma atividade econômica dinâmica. “Não seria aceitável um modelo econômico de extração da região em que essas populações não sejam beneficiadas”, afirma.

Saiba Mais
Land-use and climate change risks in the Amazon and the need of a novel sustainable development paradigm

Tecnologia espacial ajuda na conservação

quarta-feira, 21 de setembro de 2016


O que parecia ficção científica se tornou realidade. O projeto de Cooperação Internacional para a Pesquisa Animal Utilizando o Espaço (Icarus), cuja fase de testes começará em 2017, desenvolve sensores alimentados por energia solar, pesando entre um e cinco gramas, que são acoplados a pássaros cantores, libélulas e escaravelhos.



Nova Délhi, Índia, 20/9/2016 – Todos os anos, em novembro, a praia indiana de Gahirmatha, no Oceano Índico, se tinge de uma cor café-acinzentado durante 60 a 80 dias, porque cerca de meio milhão de tartarugas verdes chegam para desovar e deixam aproximadamente cem ovos cada uma. Porém, pouco se sabe da rota migratória dessa espécie em perigo. O desconhecimento dificulta a possibilidade de tomar medidas para proteger a minguante população da destruição de seu habitat, do aquecimento global e da pesca de arrasto.


A crescente pressão exercida pela mudança climática, pela perda de ecossistemas e pelos crimes contra a fauna e a flora silvestres, que colocam em risco a biodiversidade em todo o mundo, levou numerosos cientistas a recorrerem à tecnologia espacial para tentar remediar a situação.


As libélulas, os escaravelhos e os pássaros cantores migratórios logo poderão estar conectados a satélites espaciais e ajudar a prever desastres naturais e a propagação de zoonoses, doenças que os animais passam aos seres humanos, como as gripes suína e aviária. Os radares ajudarão a localizar os caçadores ilegais mediante sensores infravermelhos, que detectarão os movimentos agitados dos elefantes, por exemplo. As câmeras que orbitam no espaço podem detectar inclusive enfermidades dos cultivos e espécies invasoras em locais de difícil acesso.


O que parecia ficção científica se tornou realidade. O projeto de Cooperação Internacional para a Pesquisa Animal Utilizando o Espaço (Icarus), cuja fase de testes começará em 2017, desenvolve sensores alimentados por energia solar, pesando entre um e cinco gramas, que são acoplados a pássaros cantores, libélulas e escaravelhos. Os dados transmitidos não informarão apenas sobre seus movimentos e sua posição geográfica, mas darão pistas importantes sobre as funções corporais ou sobre os sentidos do animal, além de indicadores significativos a respeito de desastres naturais iminentes.


Até 2020, os sensores do Icarus poderão ser suficientemente pequenos para serem acoplados a um gafanhoto, e talvez seja possível utilizar microssensores para controlar o voo do inseto e desviar um enxame de cultivos valiosos, explicaram pesquisadores do Instituto de Ornitologia Max Planck, da Alemanha. Os especialistas do Icarus afirmaram que a vida das baterias é um grande limitador para rastrear animais pequenos, porque as miniaturas que podem carregar não duram muito.


No entanto, a estação internacional da agência espacial russa Roscosmos, onde será instalado o equipamento do Icarus, está mais perto da terra do que os satélites, o que permitirá diminuir a energia necessária para carregar os dados. E, para economizar mais bateria, somente quando houver contato visual com a ave em voo é quea estação ativará o minitransmissor do pássaro, que estará no modo economia de energia, e demorará poucos segundos para transmitir os dados à estação.



A urgência de recorrer a outros métodos de patrulhamento para controlar a caça ilegal e o comércio ilegal de fauna e flora silvestres, se depreende do Informe Mundial de Crimes Contra a Vida Silvestre deste ano. O documento foi elaborado a partir da plataforma World Wise (World Wildlife Seizures, ou apreensões de fauna silvestre do mundo), que contém dados de mais de 164 mil apreensões relacionadas com o crime contra cerca de sete mil espécies em 120 países, entre 2004 e 2015.


O tráfico de fauna e flora silvestres agora é reconhecido como uma área especializada dentro do crime organizado, além de ser uma grande ameaça contra espécies vegetais e animais. O comércio ilegal será o eixo da 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (Cites), que acontecerá entre os dias 24 deste mês e 5 de outubro, em Johannesburgo, na África do Sul.


Segundo o informe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) de 2016, estima-se que essa atividade movimente entre US$ 7 bilhões e US$ 23 bilhões por ano. Como os caçadores ilegais utilizam tecnologia cada vez mais sofisticada, os guardas florestais devem estar à altura e se equipar. Quando avançam para matar, os elefantes e os rinocerontes costumam se comportar de forma incomum. Os sensores nos animais ajudam a detectar esse comportamento e enviam alertas aos responsáveis pela segurança, dando a eles tempo para reagir.


Outras constelações (dez ou mais) de alta resolução de satélites-radar, ao contrário dos satélites óticos para observar a Terra, são suficientemente poderosas para penetrar na densa cobertura florestal, nas nuvens e na escuridão da noite, que ajudam a camuflar os caçadores ilegais, afirmam os especialistas. E os sensores infravermelhos instalados nos drones, controlados pelo sistema de posicionamento global (GPS), também ajudam a detectar fogueiras ou corpos quentes escondidos na selva africana, acrescentam.


Já há satélites avançados controlando o desmatamento ilegal, o avanço do desmatamento e até a umidade do solo. O lançamento de imagens via satélite hiperespectrais, isto é, imagens detalhadas em centenas de longitudes de ondas eletromagnéticas, permitem avaliar a dimensão do desastre, o crescimento de cultivos e das enfermidades, a disponibilidade de água em áreas de difícil acesso e o derretimento de geleiras, além da biodiversidade em geral.


Especialistas em desenvolvimento concordam que as ferramentas espaciais podem ter um papel importante e diverso no cumprimento dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o de número 15, sobre “promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, lutar contra a desertificação, deter e inverter a degradação das terras e frear a perda da diversidade biológica”.


Os países em desenvolvimento, com grande diversidade biológica, requerem forjar associações e contar com assistência técnica gratuita, além de transferência de conhecimentos, recursos adequados e construção de capacidades em tecnologias vinculadas ao espaço, para poderem cumprir a Agenda de Desenvolvimento para 2030. Mas o alto custo das soluções tecnológicas e o acesso aos últimos conhecimentos e avanços científicos são um grande obstáculo para o Sul Global.


“A comunidade internacional deve criar dispositivos espaciais de baixo custo para compartilhar com os países em desenvolvimento, como o transmissor solar (Icarus) que a Alemanha desenvolve”, afirmou Saroj Koirala, especialista em tecnologia geoespacial do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) do Nepal. “Seria muito valioso podermos dispor deles por US$ 50 ou US$ 100”, ressaltou à IPS.


O coordenador das análises espaciais do WWF Índia, Shashank Srinivasan, enfatizou à IPS que a não ser pelo wildlabs.net, que permite compartilhar tecnologia relevante para a conservação, não conhece outro tipo de iniciativa que permita fazer o mesmo em escala nacional, nem regional ou internacional, nem fundos que o facilitem.


Os especialistas destacam a necessidade de conscientização entre dirigentes políticos e autoridades sobre a importância das tecnologias espaciais para gerar políticas e destinar fundos ao setor. Como a conservação da natureza está muito ligada aos modos de subsistência, as pessoas devem pressionar seus governos para que destinem recursos às tecnologias avançadas, destacouKoirala.


Fonte: Envolverde

Video: O Cerrado depende de você.




O Cerrado depende de você – WWF-Brasil

Berço das águas do Brasil e de 5% de todas as espécies animais e vegetais do mundo, o Cerrado é uma maravilha brasileira em perigo.


Decidido a tornar o Cerrado visível aos olhos do mundo, o WWF-Brasil apresenta este vídeo que, por meio de imagens deslumbrantes, mostra como o bioma pode e deve ser usado, mas é preciso fazer isso de maneira equilibrada e sustentável, valorizando a cultura local.


https://youtu.be/PJd_45xHhHw

12/04/2016

Belezas do Cerrado

Gigante pela própria natureza. Esse é o Cerrado Brasileiro! Assista ao vídeo produzido pelo WWF-Brasil e conheça um pouco deste belo e rico bioma.

 https://youtu.be/q0_XODQ0GGg



“Arca de Noé da China”: país cria 1º banco de genes com milhões de amostras

sexta-feira, 23 de setembro de 2016




A China inaugurou nesta quinta-feira (22), na cidade de Shenzhen, no sul do país, seu primeiro Banco Nacional de Genes (CNGB), local que abre com dez milhões de amostras e tem como objetivo chegar a 300 milhões quando estiver em plena operação.





O projeto, iniciado pela Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento em 2011, procura promover pesquisas sobre saúde e conservação da biodiversidade, informou a agência oficial “Xinhua”.




“Esperamos fazer com que o banco de genes seja o maior centro de dados biológicos da China e, inclusive, do mundo. Seria como um Google, mas no campo dos dados de vida e de saúde”, disse o diretor do CNGB, Mei Yonghong, em declarações citadas pela “Xinhua”






Com uma superfície de 47.500 metros quadrados, o centro reúne um banco de informações biológicas, outro de amostras genéticas e mais um de amostras vivas de plantas, animais e micro-organismos. Por isso, alguns veículos de imprensa do país já batizaram o projeto de “Arca de Noé da China”.




“A missão do banco de genes é preservar a essência de 1 bilhão de anos de experiência evolutiva e armazenar os fundamentos da vida de milhões de pessoas”, explicou Yonghong.



Já o diretor-executivo do CNGB, Xu Xun, afirmou que as células humanas armazenadas podem ajudar a curar muitas doenças no futuro, com a melhora da tecnologia médica. Além disso, o banco de genes chinês colaborará com mais de cem organizações internacionais dedicadas à pesquisa da saúde, da biodiversidade e da evolução.


Os Estados Unidos, o Reino Unido e o Japão já contam com instituições similares, mas o órgão na China, um país com quase 1,4 bilhões de habitantes, tem aspirações de se transformar no maior do mundo.



Fonte: UOL