segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Lava a jatos inovam e economizam água em Brasília/DF

RB AMBIENTAL



Posted: 03 Aug 2017 02:01 PM PDT


Se todos os proprietários de automóveis do Distrito Federal lavassem os veículos hoje, a quantidade de água gasta poderia abastecer, durante um mês, uma cidade com mais de 50 mil habitantes. A frota na capital é de 1.205.537. Em lava a jatos tradicionais, usam-se, em média, 200 litros de água para a limpeza de cada carro. O gasto é tão grande que supera até mesmo o consumo diário de um morador da cidade, de aproximadamente 150 litros, segundo a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb).


Fazer a limpeza ecológica se tornou uma saída para alguns empreendimentos brasilienses. Há 10 anos, uma empresa especializada em lavagem a seco se tornou o negócio do geólogo Flávio Bonfá, 66. A ideia surgiu quando um amigo, que estava nos Estados Unidos, explicou como funcionava o processo de limpeza de tanques do Exército no deserto. “O produto retira a camada magnética que existe entre a sujeira e a pintura do carro. Tudo isso sem utilizar água”, afirma.

Na 214 Sul, o reúso de água está em fase de teste em um lava a jato. Implementado há 10 meses, o sistema permite o reaproveitamento de até 90% da água utilizada na lavagem dos carros. Segundo o diretor operacional do comércio, Daniel Benquerer, 30, a expectativa é de que o investimento se pague em um ano e meio. “Estamos em fase de adequação. Utilizamos um intenso fluxo de água, ainda não conseguimos realizar todos os ajustes”, explica. No local, uma bomba manda a água para a parte de cima do estabelecimento. Até chegar à caixa d’água, o líquido próprio para realizar a limpeza de um carro passa por três recipientes e um filtro com areia e brita.


O meio ambiente foi o principal impulsionador na ideia de investir no reúso. O lavador Édipo Jackson Ferreira dos Santos, 28, conta que, para realizar a limpeza da água, o sistema usa apenas 25 minutos. “Mesmo com pouco tempo de uso, estamos com uma grande economia. Antes, precisávamos de dois a três caminhões-pipa por semana. Agora, pedimos apenas um por mês”, afirma Édipo.


Assista ao video da reportagem:

https://youtu.be/JXFuvAHXBsc

Fonte: Correio Braziliense

Aquecimento causado por humanos provavelmente causou a recente tendência de temperaturas recordes



pesquisa

American Geophysical Union*
É “extremamente improvável” que 2014, 2015 e 2016 teriam sido os anos consecutivos mais quentes registrados sem a influência da mudança climática causada pelo homem, de acordo com os autores de um novo estudo.


Os registros de temperatura foram quebrados pela primeira vez em 2014, quando esse ano se tornou o ano mais quente desde que os registros de temperatura global começaram em 1880. Essas temperaturas foram superadas em 2015 e 2016, fazendo o ano passado o ano mais quente já registrado. Em 2016, a temperatura média global em terra e áreas de superfície do oceano foi de 0,94 graus Celsius (1,69 graus Fahrenheit) acima da média do século 20 de 13,9 graus Celsius (57,0 graus Fahrenheit), de acordo com a NOAA.


Combinando dados históricos de temperatura e simulações de modelos climáticos de última geração, o novo estudo indica que a probabilidade de sofrer temperaturas globais consecutivas de 2014 a 2016 sem que os efeitos das mudanças climáticas fossem causados pelo homem não seriam superiores a 0,03% ea probabilidade de três anos recordes consecutivos acontecer a qualquer momento desde 2000 não é mais de 0,7%. Quando o aquecimento antropogênico é considerado, a probabilidade, de três anos consecutivos temperaturas recordes, vir a ocorrer, a qualquer momento desde 2000, spbe até 50%, de acordo com o novo estudo.


Isso significa que as mudanças climáticas causadas pelo ser humano são muito susceptíveis de responsabilidade para os três anos consecutivos de registros recordes, de acordo com o novo estudo aceito para publicação em Geophysical Research Letters , uma publicação da American Geophysical Union.
“Com as mudanças climáticas, este é o tipo de coisa que esperamos ver. E, sem mudanças climáticas, realmente não esperamos ver isso”, disse Michael Mann, cientista climático da Pennsylvania State University, em State College, Pensilvânia, e principal autor do novo estudo.


Um planeta aquecido
Os gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono e o metano, acumulam-se na atmosfera e atraem o calor que, de outra forma, escaparia para o espaço. O excesso de gases de efeito estufa de atividades industriais, como a queima de combustíveis fósseis, captura calor adicional na atmosfera, fazendo com que as temperaturas da Terra aumentem. A temperatura média da superfície do planeta aumentou cerca de 1,1 graus Celsius (2,0 graus Fahrenheit) desde o final do século 19, e os últimos 35 anos viram a maioria do aquecimento, com 16 dos 17 anos mais quentes registrados desde 2001, De acordo com a NASA.


Os cientistas agora estão tentando caracterizar a relação entre altas temperaturas anuais e o aquecimento global causado pelo homem.


Em resposta às últimas temperaturas, de três anos, os autores do novo estudo calcularam a probabilidade de observar uma série de três anos de temperaturas recordes, já que os registros de temperatura global anualmente começaram no final do século 19 e a probabilidade de ver tal registro desde 2000, quando grande parte do aquecimento foi observado. Os autores do estudo determinaram a probabilidade de que esse tipo de evento acontecesse tanto com e sem a influência do aquecimento causado pelo homem.


O estudo considera que, a cada ano, não é independente dos que vêm antes e depois, em contraste com as estimativas anteriores que assumiram que os anos individuais são estatisticamente independentes uns dos outros. Há eventos naturais e humanos que fazem com que as mudanças de temperatura se agrupem, como padrões climáticos como El Niño, o ciclo solar e as erupções vulcânicas, de acordo com Mann.


Quando essa dependência é levada em consideração, a probabilidade de esses três anos consecutivos de gravação ocorrerem desde 1880 é de cerca de 0,03% na ausência de alterações climáticas causadas pelo homem. Quando a tendência de aquecimento a longo prazo das mudanças climáticas causadas pelo homem é considerada, a probabilidade de 2014-2016 serem os anos consecutivos mais quentes registrados desde 1880 eleva-se entre 1 e 3%, de acordo com o estudo.


A probabilidade de que esta série de anos recordes seja observada em algum ponto desde 2000 seria inferior a 0,7% sem a influência da mudança climática causada pelo homem, mas entre 30 e 50% quando a influência das mudanças climáticas causadas pelo homem é considerada.


Se as mudanças climáticas causadas pelo homem não forem consideradas, o aquecimento observado em 2016 teria cerca de uma chance em um milhão, em comparação com uma chance de quase 1 em 3, quando o aquecimento antropogênico é levado em consideração, de acordo com o estudo.


Os resultados tornam difícil ignorar o papel que a mudança climática causada pelo homem está influenciando as temperaturas ao redor do mundo, de acordo com Mann.


O aumento das temperaturas globais está relacionado a eventos climáticos mais extremos, como ondas de calor, inundações e secas, que podem prejudicar humanos, animais, agricultura e recursos naturais, disse ele.



“As coisas que provavelmente nos impactarão mais sobre mudanças climáticas não são as médias, são os extremos”, disse Mann. “Se é uma seca extrema, ou inundações extremas, ou ondas de calor extremas, quando se trata de impactos nas mudanças climáticas … muitos eventos climáticos mais impactantes são eventos extremos. Os eventos estão sendo mais frequentes e mais extremos por causa das mudanças climáticas de origem antropogênica”.



Referência:
Mann, M. E., S. K., Miller, S., Rahmstorf, B. A., Steinman, and M., Tingley (2017), Record Temperature Streak Bears Anthropogenic Fingerprint, Geophys. Res. Lett., 44, doi:10.1002/2017GL074056.

* Tradução e edição de Henrique Cortez.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/08/2017

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Agricultura Urbana: Técnica de cultivo em palha reduz necessidade de irrigação e adubação





O cultivo em palha traz várias vantagens sobre o sistema convencional
O cultivo em palha traz várias vantagens sobre o sistema convencional. Foto:Renato Perez/Sesc/Divulgação
 
Uma técnica de plantar, que diminui as necessidades de irrigação e adubação das plantas para quem tem pouco tempo para cuidar de pequenas hortas urbanas, está tendo boa receptividade em São Paulo. Trata-se da técnica do cultivo em palha, que além das vantagens acima possibilita deixar os recipientes das plantas mais leve, podendo ser deslocado facilmente.


Numa oficina realizada este final de semana no Sesc Vila Mariana, na capital paulista, o público pôde conhecer essa nova forma de plantar. “É uma técnica muito interessante, de baixa manutenção. A palha é um material que consegue reter bastante umidade, e que não requer rega diária. Além disso, por ser uma matéria orgânica, que entra em decomposição junto com o composto orgânico, diminui muito a manutenção da adubação também”, explicou Julhiana Costal, permacultora do ArboreSer, espaço agroecológico que dissemina práticas de plantio.


Insatisfação e busca de alternativas
“Percebemos cada vez mais a insatisfação das pessoas com o que está sendo oferecido para elas nos mercados e nas feiras. Quanto mais as pessoas têm acesso à informação do grau de contaminação que está o nosso alimento, mais elas querem retornar ao processo de cultivar, se tornar um agente participativo também do meio de produção do nosso alimento”, disse Julhiana.


Por conta disto, a agricultura urbana vem conquistando cada vez mais interessados, dentro do contexto da agroecologia e do consumo de produtos sem agrotóxicos. Afinal, por meio de hortas urbana, é possível ter uma alimentação mais saudável e até gerar renda. Essas hortas podem estar diretamente no solo, em canteiros suspensos ou em vasos.


Diferente da agricultura tradicional, muitas vezes, as pessoas não tem conhecimento técnico nem muito tempo disponível para cuidar do plantio. A técnica de plantar em palha diminui a necessidade de irrigação e adubação para quem tem pouco tempo para cuidar da horta, além de deixar o recipiente leve, podendo ser deslocado facilmente.


Segundo Julhiana Costal, as pessoas podem encontrar palha no final de feiras, já que os feirantes a utilizam para embalar as frutas e depois descartam. “Geralmente fazemos [o plantio com palha] em caixotes de madeira, que ficam muito leves. Quando vamos fazer o manejo, é muito fácil mudar de lugar,inclusive para colocar em lajes, telhados e em lugares que não podem ter sobrepeso”, disse.


Muito agrotóxico
Ela disse que muitas das pessoas que procuram a agricultura urbana estão preocupadas com o consumo de alimento sem agrotóxico. “Estamos em momento em que nos desconectamos do meio de produção do alimento, temos consumido muito alimento que vem de uma agricultura convencional, cheia de veneno, de agrotóxico. Cada brasileiro está consumindo sete litros por ano [de agrotóxico]. Então, acreditamos que o resgate do ato de plantar traz muitos benefícios”, disse.


Além disso, a permacultora comentou que a agricultura traz benefícios para a cidade. “Hoje temos nas cidades áreas que são quase ilhas de calor. Então, quando você planta uma horta, você ajuda a melhorar muito o microclima desse espaço, você diminui o calor, aumenta a biodiversidade. Hoje estamos muito dependentes do campo e, quando começamos a plantar na cidade, a aumentar a produção de alimento no meio urbano, também aumentamos a resiliência da cidade”, avaliou.

A oficina de plantio em palha vai acontecer também no próximo dia 27 de agosto no Sesc Vila Mariana, na capital paulista, às 11h. A atividade é gratuita e a retirada de ingressos começa uma hora antes.

Por Camila Boehm, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/08/2017

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Estudo realizado em 400 cidades em todo o mundo explora a relação entre ondas de calor e mortalidade





pesquisa

A Espanha é um dos países onde mais ondas de calor são registradas anualmente
Agencia Estatal Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC)*


Ondas de calor registradas em todo o mundo (aqueles com menos de 14 dias em azul e mais de 17 dias em vermelho). CRÉDITO: MCC Collaborative Research Network
Ondas de calor registradas em todo o mundo (aqueles com menos de 14 dias em azul e mais 
de 17 dias em vermelho). CRÉDITO: MCC Collaborative Research Network

A Espanha foi atingida por várias ondas de calor recorde neste verão. Na verdade, a Espanha é uma das regiões do mundo onde mais ondas de calor são registradas todos os anos e seus efeitos indicam um aumento no risco de mortalidade entre 10% e 20% durante esses períodos extremamente quentes.
Esta é uma das conclusões que podem ser obtidas de um estudo internacional, de que participou o Conselho Nacional de Pesquisa (CSIC) espanhol.


O estudo analisou as ondas de calor que ocorreram entre 1972 e 2012, em 400 cidades de 18 países, e seus efeitos sobre a saúde das pessoas, incluindo a mortalidade. Os resultados foram publicados na revista Environmental Health Perspectives .


“Embora, do ponto de vista da saúde, uma onda de calor seja descrita como um dia em que a temperatura excede um certo limiar, não existe uma definição acordada internacionalmente”, ressalta o cientista Aurelio Tobías, do Instituto de Avaliação Ambiental e Estudos da Água do CSIC. Dirigido pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e trabalhando no âmbito do Programa de Rede de Pesquisa Colaborativa Multi-Cidade e País, este trabalho utiliza, pela primeira vez, uma metodologia comum para avaliar os efeitos desses feitiços mortalidade.


Entre as conclusões do estudo, verificou-se que quanto maior a temperatura, maior o risco para a saúde das pessoas. No entanto, depois de analisar os dados, os pesquisadores apontam que o risco é semelhante, quer sejam altas temperaturas em vários dias ou em um único dia. Além disso, o estudo considera que os efeitos na saúde podem durar até três a quatro dias após um período de calor excessivo.


“Nós também descobrimos que as pessoas que vivem em áreas de temperaturas relativamente suaves são mais sensíveis aos períodos de calor do que aqueles que vivem em regiões de temperaturas mais extremas. Isso sugere que haja alguma aclimatação a esses extremos de calor”, acrescenta Tobías.



Dado que as projeções de mudanças climáticas indicam um aumento nas temperaturas de cerca de 2 °C e, portanto, um aumento no número de ondas de calor, este estudo oferece informações úteis sobre como se adaptar melhor a períodos de calor excessivo, bem como sobre como desenvolver a migração estratégias.


Referência:
Yuming Guo, Antonio Gasparrini, Ben G. Armstrong, Benjawan Tawatsupa, Aurelio Tobias et al. Heat Wave and Mortality: A Multicountry, Multicommunity Study. Environmental Health Perspectives. DOI: 10.1289/EHP1026

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/08/2017

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Alterações climáticas e impactos na saúde, por Rodrigo Berté e Ana Paula Weinfurter Lima



artigo

[EcoDebate] Quando se busca avaliar os efeitos das alterações climáticas e seus impactos na saúde humana, percebe-se que essa é uma tarefa complexa que exige uma abordagem interdisciplinar. A participação de profissionais da saúde, cientistas sociais, biólogos, físicos e epidemiologistas neste debate, torna possível a compreensão das relações entre os sistemas biológicos, ecológicos e socioeconômicos com as alterações climáticas.


De modo geral, a população humana exposta a essas alterações apresenta efeitos em sua saúde. Tais efeitos podem ser facilmente observados nas alterações de incidência de diversas doenças, como as transmitidas por vetores. Entre elas está a dengue, com maior número de casos no verão, sobretudo em locais de maior umidade, o que favorece o desenvolvimento do vetor.


No entanto, as doenças respiratórias costumam ter sua incidência mais fortemente influenciada pela qualidade do ar, como ocorre em áreas urbanas, nas quais a exposição a poluentes atmosféricos sofre grande interferências das alterações climáticas. Há uma relação já bem estabelecida entre o aumento das hospitalizações e dos atendimentos de emergência em situações que determinam elevação da concentração de poluentes na atmosfera.



De tal forma que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 50% das doenças respiratórias crônicas e 60% das agudas têm associação com a exposição a tais poluentes. Essa condição pode ser observada sobretudo em grupos mais vulneráveis, como crianças com idade inferior a cinco anos e idosos, nos casos de doenças como asma, alergias, infecções bronco-pulmonares e infecções das vias aéreas superiores.


Variações na temperatura, na umidade e no regime de chuvas podem alterar as condições de exposição aos poluentes atmosféricos e, com isso, mudar a incidência de doenças do aparelho respiratório.


A dispersão de poluentes costuma ser prejudicada em dias com baixa umidade. A maior umidade relativa do ar gera um fenômeno chamado higroscopia, cujo principal efeito sobre os poluentes atmosféricos é a remoção de material particulado e gases solúveis, os quais se incorporam às gotículas de água e sofrem deposição úmida e carreamento para o solo. Portanto, a baixa umidade relativa está entre as condições atmosféricas com importância para a saúde humana, pois além de prejudicar a dispersão de poluentes, também favorece o desenvolvimento dos vírus Influenza. Há estudos que permitiram associar um maior número de internações de crianças com idade inferior a cinco anos, por infecções das vias aéreas, no período seco (de maio a outubro).


Infelizmente, nos dias de hoje, as infecções respiratórias agudas ainda são a principal causa de morbidade em crianças menores de cinco anos em todo o mundo, com cerca de dois milhões de mortes por ano (AZEVEDO et al., 2015). Verifica-se, portanto, que a qualidade do ar no inverno mostra piora e, segundo alguns autores, isso está relacionado a condições desfavoráveis de dispersão dos poluentes e às alterações do clima, o que preocupa especialistas e ambientalistas no cenário atual de seca no Brasil.


Autores:
Rodrigo Berté – Diretor da Escola Superior de Saúde, Biociências, Meio Ambiente e Humanidades do Centro Universitário Internacional Uninter;
Ana Paula Weinfurter Lima – Tutora dos cursos de Pós-Graduação da área da Saúde do Centro Universitário Internacional Uninter.

Colaboração de Lorena Oliva Ramos, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/08/2017
"Alterações climáticas e impactos na saúde, por Rodrigo Berté e Ana Paula Weinfurter Lima," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/08/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/08/14/alteracoes-climaticas-e-impactos-na-saude-por-rodrigo-berte-e-ana-paula-weinfurter-lima/.

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Congresso ressuscita pontos vetados por Temer nas MPs do Jamanxim


Por Daniele Bragança e Claudio Angelo*
Enquanto o Congresso discute reduz a proteção da Floresta Nacional do Jamaxim, no Pará, na área protegida a invasão já é realidade. Foto: Bernardo Câmara.
Enquanto o Congresso discute reduz a proteção da Floresta Nacional do Jamaxim, no Pará, 
na área protegida a invasão já é realidade. Foto: Bernardo Câmara.


Não foi por falta de aviso dos ambientalistas. Deputados federais voltaram a propor, num projeto de lei enviado pelo governo, o corte de mais de 650 mil hectares de unidades de conservação na Amazônia. As propostas, na forma de emendas a um projeto de lei enviado pelo Executivo à Câmara, devolvem à estaca zero uma discussão que o governo achava que já estivesse resolvida: a da redução da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará.


O acordo de cavalheiros entre o Executivo e o Congresso era que o presidente Michel Temer primeiro vetaria as Medidas Provisórias que diminuíam as áreas protegidas e enviaria mais tarde um projeto de lei em caráter de urgência para recortar apenas a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, a unidade de conservação mais desmatada do país. No primeiro semestre, o Congresso havia aprovado duas MPs que, somadas, cortavam 600 mil hectares de três unidades de conservação no Pará e em Santa Catarina. Somente a Flona Jamanxim perderia 486 mil hectares.

O PL prometido, batizado 8.107, foi enviado à Câmara em julho. Ele propunha cortar 349 mil hectares do 1,3 milhão da área da Flona, além de tentar congelar o desmatamento nas propriedades que viessem a ser regularizadas na área cedida. O governo contava com um acordo com o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para aprovar o texto como estava e “pacificar” a região, palco de conflitos fundiários e de uma verdadeira guerra entre grileiros, madeireiros e o Ibama.

As emendas apresentadas pelos deputados ao projeto a ser votado no plenário da Câmara, porém, trouxeram a sensação de que já vimos esse filme. Elas voltam a ampliar a área a ser cortada da Flona do Jamanxim e incluem na redução de proteção unidades de conservação que não tem nada a ver com a história, como o Parque Nacional do Jamanxim e a Floresta Nacional de Itaituba II.

O parque perderia  31% da área de 862.895,27 para a criação das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) de Rio Branco (101.270 hectares) e de Carapuça (102.270 hectares ou 172.460 hectares, dependendo da emenda). Outros 71 mil hectares do parque seriam incorporados à Floresta Nacional do Trairão. A Floresta Nacional Itaituba II perderia 153.130 ha transformando-se  na Área de Proteção Ambiental do Trairão.

APAs são a categoria de unidade de conservação com menor grau de proteção. Elas permitem propriedade privada, desmatamento, mineração e outros usos econômicos. A maior parte do território do Distrito Federal, por exemplo, é uma APA.
O deputado Chapadinha: corte sobre o corte. Foto: Câmara dos Deputados.
O deputado Chapadinha: corte sobre o corte. Foto: Câmara dos Deputados.

A APA de Trairão tem uma curiosidade: o deputado que propôs a emenda para sua criação, Francisco Chapadinha (PODE-PA), propôs ao mesmo tempo amputá-la já no nascimento em 28 mil hectares. A justificativa para tal desmembramento é a possibilidade, no futuro, do local ser alagado pelas Usinas Hidrelétricas de São Luiz e de Jatobá. “Desta forma evitar-se-á a sobreposição de áreas e possíveis problemas quando do licenciamento ambiental dos futuros empreendimentos”, explica o deputado.

Além de Chapadinha, propuseram emendas cortando as áreas protegidas os deputados José Priante (PMDB-PA), relator das MPs originais na Câmara, e Nílson Leitão (PSDB-MT), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária e novo melhor amigo de infância do presidente Michel Temer. Leitão é um dos grandes responsáveis por arrebanhar os votos que salvaram o Presidente da República de ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção – e afastado. Um único parlamentar, o petista João Daniel (SE), propôs uma emenda para sustar a redução da Flona, argumentando que o PL estimularia a invasão de terras públicas e comprometeria os compromissos climáticos brasileiros.

Quase todas as emendas querem a Floresta do Jamanxim com 814 mil hectares, e não com 953,6 mil hectares, como proposto pelo governo. A APA do Jamanxim teria o tamanho do projeto aprovado pelo Congresso que foi vetado: 486 mil hectares.

Procurados, o senador Flexa Ribeiro, o deputado José Priante e o presidente do Instituto Chico Mendes, Ricardo Soavinsky, não puderam ser localizados até a conclusão deste texto.

*do Observatório do Clima.

sábado, 12 de agosto de 2017

Ministério Público não é louco!



Secretário da SEGETH considera que o Ministério Público seria louco por querer que o ZEE tenha precedência sobre a LUOS


Como é do conhecimento geral, o Distrito Federal atravessa uma crise hídrica sem precedentes, que exige sejam tomadas medidas rigorosas para garantir níveis mínimos para manutenção do abastecimento de água da população. Em janeiro de 2017, inclusive, o governador decretou situação de emergência e restrições ao uso de agua no Distrito Federal.


Inusitadamente, o mesmo governo que, em janeiro deste ano, decretou situação de emergência e restrições ao uso de água no Distrito Federal, age agora, como se a crise hídrica não existisse, dando andamento à LUOS com suas propostas de adensamentos, alterações do uso do solo, e vastas áreas para expansão urbana, como se nossos sistemas de infraestrutura urbana fossem capazes de suportar tais demandas. 


 Se já não temos água para a atual demanda instalada no DF, entendemos que, no mínimo, há de se suspender toda e qualquer intervenção no território que requeira mais desse sistema já saturado, tanto de abastecimento de água potável como o de coleta e tratamento de esgotos, o de drenagem pluvial, de energia elétrica e do sistema viário.



De forma a evitar que a crise hídrica se acentue,  o Ministério Público da União elaborou um relatório denominado “Contribuições para o Enfrentamento da Crise Hídrica no Distrito Federal". Esse Relatório determina  no Artigo 39 que o GDF aguarde a aprovação do Zoneamento Ecológico Econômico-ZEE  antes de dar seguimento aos trabalhos da LUOS, uma vez que o ZEE dará as diretrizes que deverão nortear a aprovação do PDOT, da LUOS, do PPCUB e da Lei de Permeabilidade do Solo. 


Ora, o ZEE é um instrumento de planejamento territorial que tem precedência sobre os demais dada à sua incumbência de orientar a ocupação do território de acordo com sua capacidade de suporte, cujos limites, se desrespeitados, levam à situação crítica de insustentabilidade, como comprova a atual crise hídrica que aflige o DF. Portanto, o ZEE trará informações essenciais que deverão ser incorporadas à LUOS.


O representante da SEGETH, contudo, durante a última audiência da LUOS, demonstrou  que não respeitará a recomendação do MPDFT e a vontade da comunidade presente que, em peso, solicitou que os trabalhos da LUOS aguardassem a finalização do ZEE e insistiu em dar continuidade aos trabalhos da LUOS, como se a crise hídrica não existisse mostrando total irresponsabilidade com o futuro do DF.

Vejam o vídeo!!!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A integridade de Brasília está em jogo

Aqui está o artigo q não saiu no Correio Brasiliense, mm tendo enviado para 2 pessoas diferentes... Divulguem!!!!

Depois de tentar publicar no Correio Brasiliense e não conseguir (só estão publicando matérias a favor do que o governo vem propondo), divulgo artigo sobre os riscos que Brasília está correndo:



Suzana Padua
Educadora ambiental e Doutora em Desenvolvimento Sustentável pela UnB



Em meio a diversas crises, inclusive hídricas de Brasília, vários projetos estão sendo propostos que ameaçam a integridade da capital federal. O governo local articula-se para aprovar a Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS), tendo à frente a Secretaria de Gestão do Território e Habitação, a SEGETH. Propaganda recente do GDF na rádio CBN não reflete o sentimento que se espraia pelo bairro, de estar sofrendo um atentado que vai mudar o propósito para o qual o bairro foi criado.



A LUOS propõe autorizações para prestação de serviços nas residências, com CNPJs, o que não é a vontade da população, como quer fazer crer tal propaganda. Pesquisa feita pelo próprio governo, a partir de critérios questionáveis, afirma uma atitude de “tudo bem, quase todo mundo está a favor”, o que não bate com o que pensa número expressivo e crescente de moradores dos bairros atingidos, sobretudo na Península Norte.



Há uma espécie de “sedução” na forma como tudo é apresentado e na reiteração de que a população está sendo ouvida, inclusive por meio da tal pesquisa, cujos resultados parecem endossar uma decisão já tomada. Não estão claras as pressões econômicas por trás de tanto empenho para destruir esses bairros eminentemente residenciais (Lago Sul, Park Way e Lago Norte), mas devem certamente existir. O fato é que o rumo dos acontecimentos gera desaprovação e desconfiança da maioria dos moradores da Península Norte.





Reuniões numerosas a acaloradas demonstraram indignação. No dia 11 de julho, em encontro com mais de 400 pessoas na Igreja Nossa Senhora do Lago, foram raras as exceções à opinião de que o Lago Norte não deve abrir qualquer permissão a CNPJs em suas áreas residenciais. Isso porque onde houve tais iniciativas no passado, hoje os problemas são tratados como fatos consumados e, pior, não há a quem efetivamente recorrer quando algo dá errado.




Várias leis vêm sendo articuladas ao mesmo tempo, mesmo que apresentadas como independentes. Primeiro, a LUOS, que permite comércio e serviços em residências, o que trará trânsito, pessoas estranhas, barulho e movimento anômalo em ruas feitas para abrigar apenas moradias (sem saída, não afeitas a estacionamentos ou uso além daquele que é próprio dos moradores).



Segundo, a orla do Lago Paranoá. Não faz sentido o que está acontecendo: retiram-se áreas de quem cuidava e as deixam em estado lastimável, com a ideia de implantar ali infraestrutura comercial e turística. Além disso, é andar na contramão, pois exemplos mundo afora mostram que ocupações atabalhoadas em beira de lagos causam danos irreversíveis ao bem mais precioso: água.


Nessa crise hídrica de Brasília, o governo deveria mostrar responsabilidade e cuidar verdadeiramente da orla, no mínimo deixando essas áreas como estavam, ao invés de tomá-las sem lhes dar a devida proteção. Terceiro, existe um projeto em “banho maria” (proposta do deputado distrital Joe Vale), que diz respeito ao uso das áreas verdes, arquivado não se sabe até quando.



Os moradores são chamados de “invasores” quando nada invadiram, uma vez que diversas normas permitiram cercar as áreas verdes para a garantia da absorção da água da chuva e alimentação dos lençóis freáticos. Finalmente, uma lei prevê a permissão de sons mais altos, ou flexibilização do aumento dos decibéis, provavelmente antevendo a presença de bares, restaurantes e casas de shows. Não se sabe o que poderá acontecer, mas o fato é que esses projetos devem estar mais articulados do que parecem.


Pior, não estão aguardando o que o Zoneamento Econômico e Ecológico vai recomendar como cuidados especiais em certos locais, a exemplo da Península Norte. O próprio Ministério Público já se manifestou no sentido de que a LUOS somente seja apresentada após a aprovação do ZEE.





Os moradores não querem o que está sendo proposto. Os representantes do governo vêm recebendo diferentes grupos, sim, mas parecem fazer “ouvidos de mercador”. Distorcem o que é dito e ignoram as demandas que vão contra a prestação de serviços nos bairros residenciais.



O Secretário da SEGETH, Thiago de Andrade, recebeu moradores do Lago Norte e garantiu que acatará o que pleiteiam. Deu três semanas para as reivindicações serem apresentadas, apesar de que elas estão claras e foram expostas em diversas audiências públicas. Os moradores querem zero prestação de serviços nas áreas estritamente residenciais da Península Norte.



Para tal existe o chamado Centro de Atividade (CA), criado para isso e não para moradias como ocorre hoje, e virou fato consumado. Mais uma vez os moradores reiteram o não a tais projetos e esperam ser respeitados. O governador Rollemberg deve ouvir os moradores e não insistir em condenar o Península Norte a um futuro urbano desastroso.

A culpa é sempre do licenciamento


Por Claudio Angelo*
Em 2016, foi descoberto um recife de corais de cerca de mil quilômetros. Foto: ©Greenpeace
Em 2016, foi descoberto um recife de corais de cerca de mil quilômetros. Foto: ©Greenpeace
“Pensei: por que Deus criaria as pessoas tão imperfeitas, então as culparia pelas próprias imperfeições, então mandaria seu filho para ser torturado e executado por essas pessoas imperfeitas como forma de compensar o quão imperfeitas elas eram e o quão imperfeitas elas inevitavelmente seriam? Que ideia maluca.” (Julia Sweeney)

manchete do Valor Econômico me fez lembrar esse trecho do monólogo Letting Go of God, da comediante americana Julia Sweeney. O jornal dá voz aos empresários da indústria do petróleo, que manifestam preocupação com o destino da 14ª rodada da ANP, marcada para o fim de setembro. Eles sutilmente ameaçam uma debandada de investimentos no setor no país. E a culpa, claro, será do licenciamento ambiental, esse entrave eterno.


O jornal dá a senha logo no primeiro parágrafo: diz que o setor, recentemente, já “destravou” as regras de conteúdo nacional e a exigência da Petrobras como operadora única do pré-sal. E agora, justo quando chegavam as strippers e a cocaína a festa ia ficar boa, aparece esse Ibama para empatar.


A reportagem do Valor tem alguns problemas, devidamente apontados por Maurício Tuffani no Direto da Ciência. Talvez o principal deles seja o timing. O Congresso Nacional está voltando hoje do recesso, para azar da sociedade brasileira. Amanhã a bancada ruralista e seus aliados do “mercado” devem livrar o Presidente da República da cassação e da eventual temporada em Curitiba. Nos próximos dias, como parte da fatura pela graça realizada, devem votar no plenário a Lei Geral de Licenciamento Ambiental, rifada por Temerapesar de acordo prévio com o ministro do Meio Ambiente. Nesta terça-feira (01) o licenciamento estará no “cardápio” do almoço semanal da Frente Parlamentar da Agropecuária (a sobremesa é o seu futuro, leitor). Não creio em bruxas, mas há uma coincidência retada no fato de o setor ter se lembrado só agora de contar ao principal jornal de economia do país que tem um “entrave ambiental”.

Ironicamente, o estudo de caso apresentado pelas fontes como símbolo dos supostos problemas do licenciamento sai pela culatra. Trata-se das “dificuldades” que a petroleira francesa Total estaria tendo para conseguir licenciar blocos de exploração na região da foz do Amazonas, arrematados em 2013, na 11ª rodada da ANP. O Ibama, esse inimigo do Brasil, estaria enrolando com a licença só porque a região de exploração fica ao lado de um banco de corais único no planeta, recém-descoberto e provavelmente ultrassensível a vazamentos e… não, pera.

Temos, então, que o licenciamento ambiental é acusado de ser lento e rigoroso demais porque o governo concedeu uma área de exploração de óleo numa zona ecologicamente sensível, onde o licenciamento ambiental precisa ser, necessariamente, mais lento e rigoroso, porque tem o mandato de proteger essa zona ecologicamente sensível. O raciocínio é perfeitamente circular. Julia Sweeney na veia. (Se eu fosse ministro do Meio Ambiente, ainda mais neste clima de baile da Ilha Fiscal que está este governo, me fazia de loka e decretava um parque nacional marinho na região. Sarney, #ficaadica.)

O “prejuízo” causado pelo Ibama ao país no caso seria US$ 300 milhões, que é o que a Total havia planejado investir na região em 2017. Para colocar em perspectiva, US$ 300 milhões equivale a 3 UBV (Unidade Barusco de Valor), ou seja, três vezes o que um único diretor da Petrobras, Pedro Barusco, aceitou devolver aos cofres públicos do dinheiro que ele tinha roubado sozinho. Você me diga se essa grana vale arriscar os corais da Amazônia.

Mais adiante, o texto meio que derruba a si próprio: diz que a 14ª rodada está ameaçada pela lerdeza do licenciamento, mas que que a maioria dos blocos a serem oferecidos não ficam em áreas ambientalmente sensíveis e sim em regiões “já conhecidas”, ao contrário dos da 11ª rodada, que estavam em “novas fronteiras”.

E aí o Valor cita um caso emblemático de outra barbeiragem licitatória da ANP supostamente implodida pelo licenciamento: em 2002, uma empresa americana arrematou blocos de exploração numa área próxima a outro banco de corais — o dos Abrolhos, entre Espírito Santo e Bahia, onde já existia um parque nacional marinho. Em 2004, o Ministério do Meio Ambiente bateu o pé e disse que não dava para furar ali. O ministério de Minas e Energia aquiesceu. A empresa deixou o país dois anos depois e os corais de Abrolhos foram deixados em paz, por enquanto.


A ministra de Minas e Energia que se dobrou ao bom senso na época se chamava Dilma Vana Rousseff.

*Texto originalmente publicado no blog Curupira. 

Tartarugas pescadas ilegalmente são libertadas na Revis Tabuleiro do Embaubal


Foto:  Ascom Ideflor-bio
Foto: Ascom Ideflor-bio

Nesta terça-feira, dia 02/08, 24 tartarugas foram soltas no Refúgio de Vida Silvestre Tabuleiro do Embaubal (PA), após serem resgatadas em uma ação de fiscalização de pesca predatória por agentes do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Durante a fiscalização também foram encontradas 7 tartarugas e 2 jacarés, sem vida, além de pescado e redes de pesca. No meio do ano a caça ilegal é intensificada e os órgãos atuam no combate a ilícitos na área.

A unidade de conservação é a área de maior desova de tartarugas do Pará. Cerca de 29 mil ovos chegam a eclodir em um dia. Além delas, desovam na área pitiús e tracajás. Outras espécies aquáticas de importância para a conservação que ocorrem na área são o boto-vermelho, o peixe-boi amazônico e jacarés.

De acordo com Maria Bentes, Gerente da GRX/Ideflor-bio, as ações são diárias. “Estamos no início da migração das tartarugas da Amazônia e posterior período de desova no interior do REVIS Tabuleiro do Embaubal e na Reserva de Desenvolvimento (RDS) de Vitória de Souzel. Todos os dias os agentes ambientais detectam atividades ilegais na área”, contou.


Assista ao vídeo da soltura
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*Com informações da Ascom Ideflor-bio

Agência Nacional da Mineração e o desmonte das estâncias hidrominerais

Por Ana Paula Lemes de Souza e Marcos Rodrigues*
Foto: Lennart Tange/Flickr.
Foto: Lennart Tange/Flickr.


O Governo Federal anunciou no dia 25 de julho mudanças no marco regulatório da mineração, através de Medidas Provisórias (MPs) .  Dentre essas mudanças, anunciou a extinção do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e a criação da Agência Nacional de Mineração (ANM). Ao todo, foram três MPs que começaram a valer de modo imediato, mas que precisam passar pelo crivo do Congresso Nacional em até 120 dias para não perderem a validade. Pressente-se aqui, mais uma vez, o mesmo jogo de compra de votos dos políticos, que se arrasta no atual sistema político-partidário.


Em contrapartida, a população, as ONGs, Universidades e Ministério Público vêm debatendo desde fevereiro do corrente ano alternativas à gestão da água mineral. Esses debates que buscam repensar os aspectos histórico-culturais, medicamentosos e jurídicos relacionados à água mineral, embora antigos, acirraram-se recentemente por conta da consulta número 01/2017, proposta pela CODEMIG (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais), prevendo exploração em Parceria Público-Privada do engarrafamento das águas de Cambuquira e Caxambu.


Foto da manifestação realizada em Caxambu no início de março. Divulgação ONG Nova Cambuquira.
Foto da manifestação realizada em Caxambu no início de março. Divulgação ONG Nova Cambuquira.

O Edital não chegou a ser lançado, graças à ação conjunta e firme da sociedade civil organizada, especialmente pela ONG Nova Cambuquira e Ampara (Caxambu), em conjunto com o Ministério Público de Minas Gerais, que expediu através do Promotor de Justiça Bergson Cardoso Guimarães, representante da Coordenadoria da Bacia do Rio Grande, recomendação ministerial para que se suspendesse a publicação do Edital.


Um dos objetivos principais desse movimento ligado à defesa da água é questionar o seu enquadramento como minério na legislação brasileira em vigor, bem como a gestão deficiente do DNPM, que desconsidera o valor terapêutico e sociocultural desse recurso hídrico.


Antes mesmo do anúncio pelo Governo Federal das referidas MPs, foi montado Grupo de Trabalho envolvendo todo o Circuito Mineiro das Águas com o intuito de elaborar um relatório multidisciplinar que visa propor alterações no tratamento da água mineral e desenvolvimento sustentável das respectivas estâncias hidrominerais que dela dependem.


Esse pretenso programa do Governo Federal de revitalização da indústria mineral desconsidera todo o trabalho, pesquisa e conquistas alcançados pelos agentes locais, além de se configurar uma tentativa de desmonte da democracia, ressaltando seus aspectos meramente econômicos e fiscais, que tem sido o único viés das ações públicas, tanto federais quanto estaduais.


A transformação do DNPM em uma Agência Reguladora do setor reforça o já praticado. É continuar insistindo no erro, com o agravante de que fragiliza ainda mais a fiscalização dos bens minerários, expondo as populações que vivem ao redor da ação minerária a maiores riscos e não devolvendo, como prometido, o desenvolvimento que elas merecem e precisam.


“A tentativa com as MPs é evitar ao máximo a atuação da sociedade nos atos de governança pública, deixando o controle e as decisões nas mãos de poucos privilegiados, que têm uma agenda própria e interesses nem sempre claros”.
A tentativa com as MPs é evitar ao máximo a atuação da sociedade nos atos de governança pública, deixando o controle e as decisões nas mãos de poucos privilegiados, que têm uma agenda própria e interesses nem sempre claros. Como exemplo dessa exclusão, há a proibição de integrar a Diretoria Colegiada qualquer pessoa que tenha histórico de participação em organização sindical, constante no artigo 12º, inciso III, da MP 791/2017.


As ações do DNPM eram insatisfatórias para as estâncias hidrominerais, uma vez que considerando essa água um minério e não um recurso hídrico diferenciado, relegava as necessidades locais ao descaso. Com a criação da Agência Nacional de Mineração (ANM), fica evidente o interesse de favorecer o mercado de mineração, ampliando esse descaso com a água mineral que já era patente.


O discurso do Governo Federal pretende favorecer as empresas que lidam com a mineração, com foco em investimento estrangeiro. Ao buscar competitividade em relação a esse bem, fragiliza o aspecto sustentável da água mineral, pois favorece a administração dessa atividade por agentes externos, corporativistas e estrangeiros, que visam a privatização desse recurso natural para atender apenas à sua ganância desmedida.



Trecho da rodovia MG-347, que é uma das principais vias de acesso aos municípios do circuito das Águas. Foto: Wikipédia.
Trecho da rodovia MG-347, que é uma das principais vias de acesso aos municípios do circuito das Águas. Foto: Wikipédia.


Os temas apresentados pelas MPs estão na contramão do caráter múltiplo deste recurso hídrico, tão caro à identidade das comunidades locais. A ideia daquele Grupo de Trabalho mencionado linhas acima, é que seja feita a reclassificação legal da água, tornando-a como de fato é, um recurso hídrico especialíssimo, com uma gestão conjunta entre Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Saúde.


A Agência Nacional de Mineração favorecerá ainda mais a exploração predatória das águas minerais, perpetuando a não contribuição para o desenvolvimento socioeconômico dos municípios que integram o Circuito. Como a história demonstra, a valorização da água em um único aspecto como produto causou profundo declínio das estâncias. A água, para a população local, é muito mais que um mero produto, mas sim um bem difuso, com propriedades curativas, cujo acesso deve ser garantido para a atual e futuras gerações.


O anúncio das Medidas Provisórias pelo Governo Federal e o profundo silêncio que paira sobre as manifestações e reivindicações das estâncias hidrominerais fragiliza ainda mais a democracia e aprofunda a lógica exploratória praticada até o momento.


Fica óbvia a eloquência desse silêncio que, além de intencional, muito comunica.

Saiba Mais
MP 789/2017 – aumenta compensação financeira (CEFEM).
MP 790/2017 – cria novas regras para pesquisa no setor minerário.
 MP 791/2017 – cria a ANM e extingue o DNPM.

O país nº 1 em aves enfrenta o desafio de frear o tráfico ilegal


Por Fabíola Ortiz
Quarentena para a recuperação de aves. Foto: Fabíola Ortiz.
Quarentena para a recuperação de aves. Acima, um Iratauá-grande (Gymnomystax mexicanus). 
Foto: Fabíola Ortiz.


Cartagena, Colômbia – O turpial, o cardeal vermelho, o Pintassilgo-da-Venezuela mais conhecido como “cardenalito”, louros, as araras ou “guacamayas” são algumas das espécies mais visadas para serem capturadas e comercializadas de forma ilegal. Com 1.921 aves registradas no Sistema de Informação sobre Biodiversidade da Colômbia (SiB), o país é o número um no mundo quando o assunto é diversidade de aves, das quais cerca de 300 são alvo de contrabando.


“Na Colômbia, todo e qualquer animal silvestre pode ser vítima de tráfico”, lamenta o biólogo Rafael Vieira, fundador do Aviário Nacional, o maior da América Latina e o sexto no mundo.


Quando uma ave é traficada e retirada de seu hábitat natural, ela não apenas corre risco de morte, contaminação por doenças, mas ainda põe em risco a sobrevivência de sua espécie e da conservação do próprio ecossistema. Para cada exemplar de um animal silvestre (não apenas de aves) que chega às mãos de um comprador, há outros nove animais que padecem pelo caminho, segundo estimativas feitas pela Corantioquia, uma entidade pública governamental com sede em Medellín dedicada à execução de políticas públicas e programas de meio ambiente.


As cifras batem com o que estima a Interpol em que um em cada dez animais traficados no mundo chega ao seu destino final com vida.



O tráfico de espécies silvestres é um dos mais rentáveis na Colômbia. No mundo, ele está atrás do tráfico de drogas, armas e o de pessoas. Contudo, não se tem muita informação sobre este tipo de contrabando na Colômbia e, muito menos do que sai do país, especialmente porque parte dos animais é camuflada em exportações legais driblando, assim, o controle. Em 2016, a Polícia Nacional recuperou mais de 8.300 animais silvestres e prendeu cerca de 1.500 pessoas por delitos contra a natureza.



As aves, segundo o Ministério de Ambiente, estão entre o grupo de animais mais visados para contrabando. É comum que se comercialize penas e os ovos.


“Nas últimas duas décadas aumentou a tendência de as pessoas terem mascotes. Muito do comércio que antes era destinado a outros continentes já não é tão grande, virou uma coisa mais interna, um comércio doméstico e regional”, disse a ((0))eco Adrian Reuter, coordenador regional para a América Latina e o Caribe em tráfico de espécies da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem (WCS).
Contrabando de animais pode gerar danos à conservação
Foto: Fabíola Ortiz.
Foto: Fabíola Ortiz.


A Colômbia é um paraíso para as aves pelo clima e diversidade de habitats. Como é também um paraíso para seus captores. “Culturalmente, temos arraigado o costume de ter aves em jaula ou de companhia porque cantam bonito ou repetem palavras. Vemos que há demanda. Uma vez que o consumidor final obtém o animal, já não tem muito o que fazer para impedir. As ações para desincentivar o tráfico de espécies se faz com quem vende as aves no mercado, na rua ou aeroportos”, analisou.


Reuter critica a posição reativa das autoridades que apenas atuam quando ocorre o roubo de espécies, ao invés de investir em prevenção. O biólogo conversou com ((o))eco durante o Congresso Internacional para a Conservação da Biologia (ICCB 2017) realizado em Cartagena, entre 23 e 27 de julho.


Num evento que reunira cerca de 2.000 pesquisadores e cientistas para discutir temas relacionados à biodiversidade e conservação da natureza, o tráfico de espécies teve destaque com um dia inteiro de painéis. Este, em geral, é um tema que não aparece muito nos congressos de meio ambiente, admitiu Reuter. Cada vez mais, pesquisadores têm se dado conta que o contrabando de animais pode causar graves efeitos sobre a conservação de ecossistemas e da biodiversidade.


“Você pode ter uma floresta bem conservada, mas se desaparecem os animais que vivem nessa floresta, ela estará predestinada a desaparecer. Muitas espécies têm um papel fundamental nos ecossistemas e geram resiliência, se desaparecerem, impactarão a conservação dos habitats, a cadeia alimentar e a distribuição de sementes”, explicou Reuter.


O fato de a Colômbia ter uma enorme diversidade de avifauna faz com que a responsabilidade para conservá-la seja ainda maior, afirmou o também biólogo Luis Miguel Renjifo, da Pontifícia Universidad Javeriana, em Bogotá, que avalia o risco de extinção das aves no país. Segundo sua pesquisa, em 2002, eram 112 aves ameaçadas de extinção. Em 2016, o número chega a 140. Entre os principais fatores de risco está o contrabando junto com a expansão da fronteira agrícola, mineração e pecuária.
Pouco conhecido
Ave em quarentena. Foto: Fabíola Ortiz.
Cacatua em quarentena. Foto: Fabíola Ortiz.


O contrabando de aves é pouco conhecido, disse a ((o))eco Renjifo, “mas, sem dúvida, é uma grande ameaça”. No caso das araras e louros, os filhotes também são capturados. E, para conseguir destruir o ninho, os contrabandistas muitas vezes derrubam árvores inteiras. “Uma proporção muito grande morre, muitos capturados nem chegam ao destino final e também não têm oportunidade de se reproduzir”, destacou.


Um outro ponto difícil de lidar é a recuperação destes animais quando são resgatados. É preciso diagnosticar se foram infectados com alguma doença antes de soltá-los ao ambiente, podendo causar mais impacto ainda se estiverem doentes.


“No caso de louros e araras é muito difícil recuperá-los. Esses animais crescem acostumados ao humano e dificilmente podem ser reincorporados ao meio silvestre. É caro e envolve muito esforço”, disse Reuter. Além disso, especialmente no caso dos louros, eles são transportados em carregamento de centenas. É comum que as autoridades não tenham espaço, nem recursos suficientes para mantê-los em condições adequadas e passarem por um processo de recuperação.


Outro ponto frágil é a punição. “Em geral, as sanções são baixas para esses delitos. As pessoas raramente vão à prisão. Não se dá a seriedade necessária a esse tipo de crime ambiental em comparação aos crimes de drogas ou tráfico de pessoas ou armas. Muitas autoridades estão de mãos atadas”. Na avaliação de Reuter, é preciso conscientizar o setor judicial sobre a gravidade dos crimes ambientais e os impactos que podem gerar no longo prazo.


A Colômbia aderiu à Convenção sobre o Extinção em 1981. Desde então, o governo se comprometeu a implementar medidas para evitar o contrabando. Em 2014, o Ministério de Ambiente deu início à Estratégia Nacional para a Prevenção e Controle do Tráfico Ilegal de Espécies Silvestres.


Educação ambiental para prevenir crimes
Incubadora de aves. Foto: Fabíola Ortiz.
Incubadora de aves do aviário em Cartagena. Foto: Fabíola Ortiz.
“É preciso ir à raiz dos crimes, ir às comunidades que convivem com as espécies. É um trabalho paralelo de educação e também de desenvolvimento de fontes de renda”, comentou Reuter. Pequenos agricultores, pescadores e comunidades indígenas capturam os animais em troca de pagamentos, os entregam a distribuidores, e assim se alimenta a cadeia do contrabando. Por 100 reais, um caçador captura um flamenco rosado e o transporta ao interior do país sedado. O intermediário chega a revendê-lo a 2 mil reais.


Muitas araras na Colômbia custam 50 dólares (cerca de 150 reais), mas chegam a custar 1.000 dólares no exterior (mais de 3 mil reais), comentou o diretor do Aviário Nacional, Rafael Vieira. Quase todas as araras abrigadas no aviário foram confiscadas pela polícia e entregues à instituição para que sejam cuidadas e tenham um lar.


Para Renjifo, além de políticas públicas, a educação ambiental é fundamental tanto para sensibilizar às comunidades que capturam estes animais, quanto para conscientizar às pessoas que não comprem animais oriundos do tráfico. “A minha impressão é que aqui na Colômbia, a educação ambiental tem sido pouca”, comentou.

O criador do aviário se orgulha ao definir a área de 7 hectares como um santuário de aves aberto à visitação. Inaugurado em fevereiro de 2016, a aviário recebeu 70 mil visitantes no seu primeiro ano. Vieira espera atrair mais a atenção de turistas e chegar a 200 mil nos próximos cinco anos.


Cerca de 2.500 aves de 175 espécies, das quais vinte exóticas, estão à vista para apreciadores da natureza e pesquisadores. Localizado há uma hora de Cartagena, na ilha de Barú, o aviário fruto de um sonho de Vieira, apaixonado por animais e aves, é hoje um projeto de conservação e reprodução de centenas de pássaros, alguns ameaçados.


Ele explica que a ideia é oferecer um lugar seguro para as espécies. Sua ambição é também tornar-se em um centro de pesquisa para a conservação das aves. “As aves são entregues de forma voluntária, tanto por indivíduos, como pela polícia fruto de apreensões. O meu sonho é criar o primeiro banco genético de aves da Colômbia”, anuncia Vieira.


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