quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Água: mentiras e verdades, artigo de João Ricardo Raiser

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Água: mentiras e verdades, artigo de João Ricardo Raiser

Segundo Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade.”




Domingo, dia 1 de outubro, enquanto preparava o café da manhã, ouvia as chamadas de um programa de TV voltado para assuntos do campo. Entre as reportagens uma iria tratar da situação do principal afluente do rio São Francisco, o rio Paracatu (MG), que se encontra praticamente seco.






Nos últimos tempos, muitas matérias tem tratado da crise hídrica pela qual passa a região central do Brasil, algumas inclusive como se fosse uma novidade, com repórteres, gráficos e especialistas apontando causas, efeitos e reflexos que são sentidos em todo o Brasil. Entre os problemas apontados estão sempre os ambientais, ligados à biodiversidade e peixes, ao usos da água, como abastecimento humano, irrigação, indústria, geração de energia, turismo, entre outros.




Mas a reportagem sobre o Paracatu chamou-me atenção especial por acompanhar a história do amigo Antônio Eustáquio, o Tonhão, do Movimento Verde Paracatu, que há muito fala e trata da agonia do rio Paracatu, diretamente ligada à situação e condição de toda a bacia do Velho Chico.




A reportagem, composta por entrevistas com representantes de vários setores, realizadas até no leito ressequido e magoado do rio, abordou as variações do ciclo hidrológico, as redução das precipitações nos últimos anos, os problemas de uso e ocupação do solo, a dificuldade de infiltração da água na terra, seu principal reservatório, os impactos no ambiente, produção o economia, a articulação e contribuições dos produtores rurais e da sociedade. Em determinado momento foram questionadas as ausências ou falhas na gestão das águas, política pública que permeia, ou deveria permear, grande parte destas questões, não somente para evitá-las, mas também para remediar seus impactos, desde que fosse implementada da forma prevista e tivesse capacidade de atuação.



Crendo que o tema é relevante e de impacto nacional, divulguei a notícia a alguns grupos de amigos, colegas de trabalho e de estudo. Após a sua conclusão da reportagem, copiei aos mesmos grupos o endereço de acesso a ela. Não sei se por ímpeto, ou por estar coando o café, não percebi que um amigo já havia encaminhado o link de acesso a um dos grupos, e então pedi desculpas pelo ocorrido.





O que gerou a vontade de contar esta história e refletir sobre ela, começa aqui. Após o pedido de desculpas pela redundância da mensagem, outro amigo, um entusiasta das águas, pesquisador e coordenador de um Mestrado Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, reagiu de forma enfática: “-Não há que pedir desculpas. Temos que repetir isso 1 milhão de vezes! O Velho Chico perece e nada é feito!”




Imediatamente lembrei da frase de Goebbles, e veio a pergunta: quantas vezes essa verdade precisa ser repetida para que valha? Para que se converta em realidade?



Quando eu, você, eles, nós, seja lá qual for nossa ocupação, interesse ou responsabilidade, sejamos produtores rurais, irrigantes, industriais, lavadeiras, pescadores, funcionários de empresas de saneamento, de geração de energia, estudantes, professores, servidores públicos, ou mesmo cidadãos, vamos tomar esta decisão? Sim, decisão! Tomar a decisão e cobrar que a água seja tratada como ela precisa, ou melhor, como nós precisamos que ela seja tratada, pois nós é que dependemos dela.




Seja qual for o meu ou o seu interesse ou responsabilidade, seja como produtor rural, industrial, pescador, serviço de saneamento, empresas de geração de energia, estudante, professor, ou mesmo cidadão, todos tem parte na decisão de tratar da água como ela precisa, ou melhor, como nós precisamos, pois nós é que dependemos dela.






É uma decisão. Quer exemplos? Em 1800, Nova York enfrentou problemas ligados à água, com mortes, doenças e prejuízos, e decidiu cuidar de suas fontes, suas bacias hidrográficas. Alguns especialistas acreditam que sem essa segurança hídrica, talvez a cidade não fosse que é hoje. Em 1861, no Rio de Janeiro, Dom Pedro II criou uma “Floresta Protetora”, visando recuperar as bacias que davam suporte ao abastecimento, da degradação ocorrida entre 1600 e 1700, atual Parque Nacional da Tijuca.




E nós, quando acolheremos esta realidade e daremos resposta efetiva ao que são fatos, não mais meras especulações ou alarmismos.





Os recursos são escassos, e há muitas preocupações e questões que requerem especial atenção da sociedade, como o famoso tripé “saúde-educação-segurança”, mas a disponibilidade hídrica, ou segurança hídrica, apresenta reflexos diretos inclusive nestes eixos, ao afetar a saúde e o desenvolvimento econômico e social, tanto no curto, quanto no médio e longo prazo.


Quando daremos atenção à gestão das águas e políticas públicas relacionadas?




Precisamos repensar, mudar a forma de agir, e estes esforços devem ser de todos que tem interesse ou são impactados pela água, seja por seu uso ou por sua falta.




Esta verdade não pode esperar ser repetida 1 milhão de vezes para se tornar realidade, sob pena de inviabilizarmos a nossa própria sobrevivência e atividades.




João Ricardo Raiser. Poeta. Administrador. Mestrando em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos (PROFÁGUA), na UNESP – Ilha Solteira, membro de Comitês de Bacia Hidrográficas Federais e Estaduais, representante no Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Gerente de Planejamento e Apoio ao Sistema de Gestão de Recursos Hídricos da SECIMA/GO. Atua na gestão das águas desde 2002. jrrgestor@gmail.com




Fonte: EcoDebate

Brasileiro “consome” em média 5 kg de agrotóxicos por ano, alerta endocrinologista

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Brasileiro “consome” em média 5 kg de agrotóxicos por ano, alerta endocrinologista

Endocrinologista e nutrólogo aponta formas diretas e indiretas de ingestão de substâncias tóxicas.

Campeão mundial do uso de agrotóxicos, o Brasil vai na contramão do mundo, que reduz progressivamente o uso de substâncias tóxicas nos alimentos e no meio ambiente. O alerta foi feito pelo endocrinologista e nutrólogo Leonardo Higashi em palestra na Vila Verde Catuaí, feira de produtos naturais e orgânicos realizada em Londrina, no Paraná.


O Instituto Nacional do Câncer (INCA) divulgou um alerta em que mostra os riscos a que os brasileiros estão expostos. Em média, cada cidadão “consome” 5,2 kg de agrotóxicos por ano, veja aqui.



Existem inúmeras substâncias nocivas à saúde no meio ambiente, como os agrotóxicos, produtos de plásticos, conservantes, solventes industriais, metais pesados, produtos de combustão e outros. A contaminação se dá de inúmeras formas, segundo o especialista londrinense. Tanto pela ingestão de produtos presentes nos alimentos, na água, no ar que respiramos, e pela pele ou mesmo pelo uso diário de produtos com poder de toxidade, e que utilizamos sem nos dar conta.


“São, por exemplo, os recipientes plásticos em que resfriamos e aquecemos a comida, repletos de BPA (Bisfenol A) e ftalatos, que se desprendem e contaminam o alimento. A recomendação é substituir esse tipo de utensílio por vidro”. O médico explica: “Os elementos tóxicos ligam-se a receptores hormonais em nosso corpo, modificando o metabolismo e desencadeando doenças para as quais estamos predispostos”.



“Podemos dizer que cada organismo tem naturalmente predisposição genética para algumas patologias. As toxinas ‘jogam lenha na fogueira’, compara o médico. São pesticidas, herbicidas, fungicidas, solventes industriais e uma enormidade de substâncias presentes no dia a dia das pessoas. Câncer, obesidade, doenças cardiovasculares, autoimunes, infertilidade, diabetes e tantas patologias são desencadeadas pelo uso constante de elementos tóxicos, alertou.



Nem sempre é possível ter consciência do risco presente em nossa rotina, como usar excessivamente desodorantes com alumínio ou repelentes, cremes com parabenos, amálgama nos tratamentos odontológicos, cosméticos e tantas outras substâncias. “Em geral as pessoas sabem que não é saudável ingerir alimentos enlatados, por exemplo. Mas desconhecem os perigos que estão também em outros itens do seu dia a dia”.



Até mesmo o arroz, base da dieta da maioria dos brasileiros, pode implicar riscos. Higashi afirmou que pesquisas mostram a presença de arsênio nesse alimento, um metal pesado que não é eliminado no processo de preparo”.


O médico ainda alertou para a exposição a que os bebês estão sujeitos ainda na barriga da mãe. “Vemos crianças nascendo com uma programação de risco por conta da contaminação das mães, transferida a elas durante a gestação. As mulheres que planejam engravidar devem adotar práticas saudáveis com antecedência para resguardarem a saúde dos filhos”, indicou.

O que se recomenda, disse o especialista, é o uso racional dos alimentos porque as substâncias tóxicas são nocivas com a exposição crônica, o uso cumulativo. É importante a adoção de hábitos que ‘trabalhem’ a favor do organismo, como ingestão de alimentos orgânicos, especialmente crucíferas (couve-flor, espinafre, brócolis, nabo, rúcula, agrião e outros), alho, chá verde, além da prática de exercícios regulares. “São alternativas para a redução dos impactos das toxinas no organismo”.



A Vila Verde Catuaí é realizada toda quarta-feira no estacionamento do Shopping, das 17h às 22h, em frente à entrada principal do Catuaí Londrina.
Fonte: Ciclo Vivo

Empresas internacionais apoiam o desmatamento zero no Cerrado

Empresas internacionais apoiam o desmatamento zero no Cerrado

24.10.2017 • Notícias
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Empresas líderes no mercado internacional lançaram nesta quarta-feira (25) uma carta com o objetivo de reconhecer a importância do Cerrado por seu papel na mitigação da mudança climática, por ser fonte de muitos dos sistemas de água doce do Brasil, e por ser uma região de produção para as commodities agrícolas. A carta apoia o Manifesto do Cerrado, um documento divulgado em setembro por organizações ambientalistas, que pede para as empresas que compram soja e carne do Cerrado defendam o bioma.


Na carta, 23 empresas, entre elas Carrefour, McDonald’s, Nestlé, Unilever e Walmart, afirmam que estão empenhadas em deter a perda de vegetação nativa associada à produção de produtos agrícolas e se comprometem em trabalhar com a indústria, produtores, governos e a sociedade civil para proteger paisagens naturais de importância mundial dentro de um cenário de boa governança e políticas de planejamento de terras.


Entre 2013 e 2015 o Brasil destruiu 18.962 km² de Cerrado. Isso significa que a cada dois meses, neste período, perdeu-se no bioma o equivalente à área da cidade de São Paulo. Este é um ritmo cinco vezes mais rápido que o medido na Amazônia, o que torna o Cerrado um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta.


Para Tiago Reis, pesquisador de políticas ambientais do IPAM, o apoio das empresas é um passo importante, já que a principal causa de desmatamento no Cerrado é a expansão do agronegócio sobre a vegetação nativa.


Retirar essa cobertura vegetal coloca em risco o equilíbrio do sistema e afeta diretamente todos os biomas interligados, como a Amazônia e a caatinga. “Além disso, esse desmatamento ameaça o equilíbrio ambiental que garante a produção agrícola no Brasil, uma vez que a perda de vegetação nativa do Cerrado compromete a formação de chuvas por evapotranspiração”, explica Reis.


O Cerrado estoca o equivalente a 13,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, o principal gás causador do efeito estufa. Isso representa quase onze vezes o volume total do que o Brasil poderá emitir em 2030, de acordo com sua NDC. Se esta conversão acelerada do Cerrado para a agricultura continuar, o cumprimento dos compromissos internacionais do Brasil nas Convenções do Clima e de Biodiversidade será afetado.


Segundo Edegar Rosa, coordenador do programa Agricultura e Alimentos do WWF-Brasil, o Cerrado é extremamente importante sob o ponto de vista de regulação climática e hídrica, além de ser a savana com maior biodiversidade do planeta. “Partindo de referências de sucesso na Amazônia, um maior compromisso da iniciativa privada será chave para a proteção do bioma”, explica.


Para Cristiane Mazzetti, da campanha de florestas do Greenpeace, as empresas deram um importante passo ao apoiar o pleito da sociedade civil expresso no Manifesto do Cerrado. “Trata-se de uma clara sinalização que essas empresas dão aos seus fornecedores de que o mercado não aceitará mais produtos com origem no desmatamento, seja na Amazônia ou no Cerrado. Esperamos que o próximo passo seja o anúncio de políticas concretas de compra alinhadas com o critério do desmatamento zero no Cerrado.”


Para ler a carta assinada pelas empresas, acesse: http://ipam.org.br/bibliotecas/empresas-internacionais-apoiam-o-desmatamento-zero-no-cerrado/



Sistema mede nível de tranquilidade de ambientes urbanos

Sistema mede nível de tranquilidade de ambientes urbanos

Sistema mede nível de tranquilidade de ambientes urbanos
O sistema foi aferido em várias situações, da percepção em ambiente de laboratório até a observação de locais caracteristicamente tranquilos.[Imagem: Greg Watts]


Índice de tranquilidade
Cientistas da Universidade de Bradford, no Reino Unido, desenvolveram um sistema para medir o nível de tranquilidade de ambientes urbanos e espaços públicos.

A ferramenta, batizada de TRAPT - Tranquillity Rating Prediction Tool), ou Sistema de Previsão de Nível de Tranquilidade - tenta medir o quão relaxante é cada lugar, atribuindo um escore que permite que os diferentes locais sejam comparados entre si.

O professor Greg Watts, idealizador da ferramenta, acredita que o sistema pode ajudar os planejadores urbanos, arquitetos e ambientalistas a entender os impactos das medidas de "ecologização" das cidades, como a introdução de árvores, cercas vivas, vegetação adicional ou pinturas e murais.

Com isso, torna-se possível otimizar os espaços verdes ou rejuvenescer os subúrbios degradados e os centros da cidade, tipicamente abandonados conforme o crescimento desloca os centrais comerciais, financeiros e habitacionais para outras regiões de menor custo imobiliário.

Ecologização
O professor Watts argumenta que diversos estudos têm mostrado uma ligação clara entre ambientes tranquilos e a redução do estresse, o bem-estar e até o alívio da dor. Introduzir vegetação em um ambiente para torná-lo mais agradável - um processo chamado ecologização - é uma maneira de melhorar a tranquilidade, mas até agora arquitetos e planejadores só podiam se basear em seus próprios pressupostos sobre o impacto de suas intervenções.

"Atualmente, os arquitetos projetam ambientes urbanos para fornecer espaços abertos onde as pessoas podem relaxar. Embora sejam guiados por certos princípios, não é científico. O sistema TRAPT fornece uma medida robusta e testada de quão relaxante um ambiente realmente é, ou poderia ser uma vez construído," disse o professor Watts.

O sistema usa três medidas de avaliação de um ambiente urbano, incluindo o nível de ruído, a paisagem e fatores moderadores - a quantidade de elementos naturais como árvores, arbustos, flores ou água na linha dos olhos, por exemplo. O sistema dá então ao ambiente uma pontuação entre 0 e 10, um índice descrito como "percepção de tranquilidade".

"Estamos confiantes de que nossos testes nos ajudaram a criar uma ferramenta que fornece uma medida realista e confiável de relaxamento," acrescentou o pesquisador, salientando que foram mais de 10 anos de testes em laboratório e em campo para aferir a confiabilidade dos resultados do seu programa.

Bibliografia:

The effects of "greening" urban areas on the perceptions of tranquillity
Greg Watts
Urban Forestry & Urban Greening
Vol.: 26, August 2017, Pages 11-17
DOI: 10.1016/j.ufug.2017.05.010

Roupas elétricas esquentam de verdade

Roupas elétricas esquentam de verdade

Roupas elétricas esquentam de verdade
A luva mantém a mão quente por igual usando uma bateria tipo botão. [Imagem: UMass Amherst]

Roupa com aquecimento
Logo, logo, a expressão "Essa roupa esquenta" deixará de ser uma mera figura de linguagem.
Lushuai Zhang, da Universidade de Massachusetts, nos EUA, desenvolveu uma técnica para incorporar finas resistências elétricas nas fibras dos tecidos, que são usadas para aquecer levemente as vestimentas.

O protótipo é uma luva que mantém as pontas dos dedos - as extremidades sofrem mais com o frio - com uma temperatura ligeiramente acima da temperatura da palma das mãos.
Uma bateria do tipo botão, pesando 1,8 grama, manteve as mãos aquecidas por oito horas - usando uma bateria de 6 volts, a temperatura da luva chegou a 45º C, o que pode ser quente demais.

O material de aquecimento é um polímero condutor conhecido como PEDOT (poli[3,4-etilenodioxitiofeno])).

Ele foi depositado sobre as fibras de tecido usando a técnica de deposição de vapor químico, que aos poucos vem passando dos laboratórios para a indústria. Essa técnica é muito precisa e garante que as fibras permaneçam flexíveis e possam ser costuradas, mas até há pouco tempo era cara demais.


Biocompatibilidade e segurança
A equipe encomendou um teste de biocompatibilidade em um laboratório independente, onde células do tecido conjuntivo de camundongos foram expostas a amostras do tecido elétrico. Os resultados sugerem que o material revestido com PEDOT é seguro para o contato com a pele sem causar reações adversas aos produtos químicos utilizados.


A equipe também avaliou as questões de calor, umidade e estabilidade de contato com a pele para evitar que o usuário experimente qualquer choque elétrico de um elemento condutor úmido. "Quimicamente, o que usamos para envolver o tecido condutor parece poliestireno, o material usado para fazer embalagens. Ele envolve completamente o material condutor para que o condutor elétrico nunca seja exposto," garantiu a professora Trisha Andrew.

"Esperamos que isto chegue aos consumidores como um produto real nos próximos anos. Talvez sejam dois anos para um protótipo e cinco anos até o consumidor. Eu acho que este é o dispositivo mais preparado para o consumidor que temos. Está pronto para ir para a próxima fase," completou Andrew.

Além do conforto para o inverno, roupas com aquecimento terão certamente aplicações médicas. E, com a onda de mobilidade, incorporar os aparelhos eletrônicos nas próprias roupas parece ser o próximo passo natural para quem não consegue - ou não pode - mais viver sem seus equipamentos. A inserção de fiações elétricas seguras é um passo importante para isso.

Bibliografia:

Transforming Commercial Textiles and Threads into Sewable and Weavable Electric Heaters
Lushuai Zhang, Morgan Baima, Trisha L. Andrew
ACS Applied Materials & Interfaces
Vol.: 9 (37), pp 32299-32307
DOI: 10.1021/acsami.7b10514

13º Fórum Interamericano de Turismo Sustentável na Adventure Sports Fair

13º Fórum Interamericano de Turismo Sustentável na Adventure Sports Fair

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No dia 28/10, a Adventure Sports Fair, principal feira da América Latina dedicado ao mercado de esportes e turismo, terá um espaço dedicado ao 13º Fórum Interamericano de Turismo Sustentável (FITS), evento que discute o desenvolvimento das boas práticas e da sustentabilidade do turismo ecológico no país.
Mario Mantovani, diretor de políticas públicas da ONG SOS Mata Atlântica, um das organizadoras do Fórum, afirma que o evento será uma boa oportunidade para mostrar a importância dos parques para a manutenção do contato das pessoas com a natureza e, também, como fonte de turismo, renda e desenvolvimento para o Brasil.

O Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) divulgou recentemente um estudo que mostra como o país ainda tem potencial para crescer no segmento turístico. Foram 6,8 milhões de turistas estrangeiros em 2016 e a expectativa chega a 7,4 milhões de visitantes até 2020. O México, cujo território é 4,3 vezes menor do que o do Brasil, tem resultados e expectativas com o Turismo bem superiores: cerca de 34 milhões de turistas em 2016, pretendendo chegar a 40,5 milhões daqui a três anos.

A ideia do Fórum Interamericano de Turismo Sustentável surgiu em 2002, com a criação do Conselho Brasileiro de Turismo Sustentável (CBTS), durante o Ano Internacional de Ecoturismo. O Fórum saiu do papel em 2004, com o objetivo de disseminar as boas práticas de sustentabilidade.


O encontro também contará com a participação de especialistas nacionais e internacionais que discutirão a importância das unidades de conservação para estimular o turismo local. Entre os participantes, estão: Kika Bradford, da Confederação Brasileira de Montanhismo; Angela Kuczach, da Rede Pró-UC; Ricardo Soavinski, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); Kelen Leite, chefe do Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes (SP); Roberto Ibrahim, do hotel Nau Royal e associado da BLTA (Brazilian Luxury Travel Association); além da diretora de Uso Público do Parque Nacional de Galápagos, Veronica Santamaria.

Também participarão do evento a Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA), Instituto EcoBrasil, WWF Brasil, Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

A programação completa do Fórum pode ser conferida no link: http://www.adventurefair.com.b r/pagina/fits.
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*Com informações da Comunicação SOS Mata Atlântica

Incêndio no Parque das Várzeas do Rio Ivinhema já atingiu 27 mil hectares

Incêndio no Parque das Várzeas do Rio Ivinhema já atingiu 27 mil hectares

As chamas já consumiram cerca de 27 mil hectares do Parque das Varzeas do Rio Ivinhema. Foto: Reginaldo Oliveira/Imasul
As chamas já consumiram cerca de 27 mil hectares do Parque das Varzeas do Rio Ivinhema. 
Foto: Reginaldo Oliveira/Imasul

O incêndio que, desde a última sexta-feira (13/10), atinge o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (MS) consumiu cerca de 27 mil hectares de vegetação em áreas de várzea e antigas pastagens. O combate ao fogo na unidade de conservação está sendo feito de forma a preservar as áreas de Mata Atlântica em processo de reflorestamento e a região próxima às estruturas da sede do parque.


O controle das chamas é realizado pelas equipes de combate formadas por militares do Corpo de Bombeiros, funcionários da equipe do Parque e da prefeitura de Taquarussu. As prefeituras dos municípios que são abrangidos pela unidade apoiam o trabalho com fornecimento de alimentos estão apoiando o trabalho, fornecendo alimentação.

Fogo no Parque das Varzeas do Rio Ivinhema. Foto: Reginaldo Oliveira/Imasul
Fogo no Parque das Varzeas do Rio Ivinhema. Foto: Reginaldo Oliveira/Imasul

De acordo com Reginaldo Oliveira, guarda-parque do Imasul responsável pela equipe que atua na Unidade de Conservação, toda área queimada está localizada no município de Jateí. “A vegetação queimada é basicamente de brachiaria. A perda mesmo é de fauna, pois atinge répteis, roedores e aves que estão nidificando (formando ninho). O incêndio foi provocado por um raio e há três anos não tínhamos queimada. Como este ano foi muito seco e teve geada, o material combustível era muito grande”, afirmou.

O trabalho de controle do incêndio continua, mas a distância, o difícil acesso e o vento forte ainda dificultam o trabalho. Com previsão de chuva para os próximos 4 dias em Mato Grosso do Sul, a expectativa é de que haja precipitação na região do Parque em quantidade suficiente para contribuir com a extinção dos focos de incêndio.


Fogo no Parque das Varzeas do Rio Ivinhema. Foto: Reginaldo Oliveira/Imasul
Fogo no Parque das Varzeas do Rio Ivinhema. Foto: Reginaldo Oliveira/Imasul
Fogo no Parque das Varzeas do Rio Ivinhema. Foto: Reginaldo Oliveira/Imasul
Fogo no Parque das Varzeas do Rio Ivinhema. Foto: Reginaldo Oliveira/Imasul

*Com informações do Imasul


Começa a época da desova de tartarugas no Parque Nacional do Jaú

Começa a época da desova de tartarugas no Parque Nacional do Jaú

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Desova de tartarugas. Foto: Rosinaldo Machado/Divulgação

A época seca muda a paisagem amazônica. As margens dos volumosos rios se esvaziam e se transformam em praias fluviais. As extensões de areia reveladas nesse período são os locais escolhidos por quelônios – a grande família das tartarugas que inclui cágados, jabutis e tracajás -, para realizar sua desova. A época, portanto, exige atenção especial nas unidades de conservação da Amazônia, como o Parque Nacional do Jaú (AM), onde a visitação nas praias passa a ser restrita ao horário de 07h00 às 18hoo. Normalmente a visita pode se estender até 20hoo da noite, mas, neste período, as praias são exclusivas das tartarugas.


Entre os quelônios que farão desova nas areias do parque está o irapuca (Podocnemis erythrocephala), espécie de tartaruga ameaçada de extinção e consumida indiscriminadamente como alimento na região. A época da desova deixa os animais vulneráveis à caça e coleta de ovos, considerados iguarias, portanto o alerta do parque está no máximo para impedir ações de traficantes e proteger os quelônios que vivem no ecossistema de águas negras do Jaú, um dos afluentes do rio Negro.

Oportunidade: Mestrado Profissional em Biodiversidade em Unidades de Conservação

Oportunidade: Mestrado Profissional em Biodiversidade em Unidades de Conservação

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Banner divulgação/Inea

Estão abertas as inscrições para o Mestrado Profissional em Biodiversidade em Unidades de Conservação, com início em 2018, no Rio de Janeiro. O curso é voltado para profissionais de nível superior que atuam com unidades de conservação públicas ou privadas e buscam qualificação técnica para avaliação, monitoramento e consequente gestão da biodiversidade.


O curso é oferecido pela Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT), do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). São oferecidas 25 vagas para a turma de 2018, 6 das quais estão reservadas aos servidores do órgão ambiental, em função do convênio – durante a inscrição, estes devem se identificar como “servidor do Inea”.


As inscrições são feitas online (aqui), e estão abertas até o dia 24/11. Para mais informações acesse o edital.

*Com informações do Inea

Baleia devolvida ao mar em Arraial do Cabo é encontrada morta

Baleia devolvida ao mar em Arraial do Cabo é encontrada morta

Por Daniele Bragança
Corpo da Juju presa nas pedras. Foto: Divulgação/INEA.
Corpo da Juju presa nas pedras. Foto: Divulgação/INEA.


A baleia Jubarte que ficou encalhada na Praia Grande, em Arraial do Cabo (RJ), no sábado foi encontrada morta na manhã desta terça-feira (24), quase dois dias após ser resgatada por uma operação de salvamento que envolveu mais de 30 pessoas e vários órgãos governamentais, como o Corpo de Bombeiros, Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Defesa Civil


O corpo da baleia jubarte (Megaptera novaeangliae), de quase 7 metros e pesando 4 toneladas, ficou preso nas pedras, no costão do Praia onde encalhou. De novo, a equipe do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) teve que realizar uma nova operação para resgatar animal, desta vez sem vida, que foi descartado num ponto considerado seguro para a navegação, após a Marinha indicar o local.


A morte do filhote, apelidado pelos moradores de Arraial do Cabo como "Juju", entristeceu as equipes de salvamento, mas resultou na primeira operação de salvamento de cetáceos usando um protocolo especialmente criado para isso. Há apenas dois meses, impulsionado pelo aparecimento repetido de vários cetáceos no litoral do Estado do Rio, o Inea criou um Protocolo de Salvamento de Baleias. Juju foi a primeira a ser salva usando o instrumento.


“Um grupo de trabalho criado recentemente, pelo Inea, com a participação de diversos órgãos e entidades, dentre eles a Defesa Civil Estadual, a UERJ, a Capitania dos Portos e o Aqua-Rio, tem se empenhado na criação de um protocolo que irá nortear as ações técnicas necessárias, como a identificação das baleias encalhadas, os procedimentos para mantê-las vivas e os casos pós-mortem. A união de todos em torno deste projeto já demonstrou resultados positivos no último episódio envolvendo o encalhe da baleia jubarte em Arraial do Cabo. Hoje, já temos uma situação bem diferente daquela ocorrida há dois meses. A partir de uma completa articulação, bem mais eficiente, entre os técnicos, apoiados pelos seus órgãos, agindo de forma rápida, e eficaz, levando à devolução da baleia ao mar”, afirmou o presidente do Instituto Estadual do Ambiente, Marcus Lima.


No sábado, a baleia de 7 metros encalhou na praia. O mutirão para tirá-la da areia começou de manhã e só teve fim às 15h da tarde deste domingo ensolarado. Foi necessário a ajuda de uma retroescavadeira para cavar um buraco por onde o animal de aproximadamente 4 toneladas recebeu água do mar.

http://www.oeco.org.br/blogs/salada-verde/baleia-jubarte-e-devolvida-ao-mar-em-arraial-do-cabo/ 

 http://www.oeco.org.br/noticias/populacao-de-baleia-jubarte-continua-crescendo/


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Incêndio criminoso em Veadeiros já atingiu mais de 62 mil hectares

Incêndio criminoso em Veadeiros já atingiu mais de 62 mil hectares

Por Duda Menegassi
Brigadistas combatem o fogo. Foto: ASCOM ICMBio.
Brigadistas combatem o fogo. Foto: ASCOM ICMBio.


O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) está em chamas e o fogo não dá sinais de arrefecimento. Com um rastro de mais de 62 mil hectares do parque queimados, o equivalente a cerca de 26% do total da unidade, o incêndio que começou no dia 17 de outubro já é o maior desde a ampliação da unidade, realizada em junho deste ano, e o pior desde 2010.


A operação já mobiliza mais de 200 profissionais, entre brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), além de bombeiros e voluntários. Hoje, a ação ganhou o apoio da aeronave militar Hércules, da Força Aérea Brasileira, que irá apoiar no lançamento de água em áreas prioritárias. Outros três helicópteros e cinco aviões-tanque já estão em uso no combate às chamas.



De acordo com o Coordenador Nacional de Prevenção e Combate à Incêndios do ICMBio, Christian Berlinck, que está à frente do combate ao incêndio em Veadeiros, o maior problema está no comportamento extremo que o fogo está tendo devido às condições climáticas favoráveis. “Estamos com ventos acima de 40 km/h, umidade do ar abaixo de 15% e temperaturas de 38 °C até domingo, isso favorece o deslocamento rápido do fogo e que ele ganhe grandes proporções. E para piorar, estamos em um momento de déficit hídrico, tem chovido menos na Chapada dos Veadeiros nos últimos três anos, então a vegetação está muito seca e propensa a queimar”, explica.


Apesar de causas naturais facilitarem o alastramento do fogo, sua origem não teve nada de natural. “Certamente os focos do incêndio são de origem criminosa”, sentencia o gestor do parque, Fernando Tatagiba. “Nós estamos encarando, desde o dia 10, uma sequência de incêndios dentro do parque e no entorno. O primeiro deles atingiu o Mirante da Janela, a Cachoeira do Abismo e o Mirante dos Saltos do Rio Preto e as trilhas, o que nos obrigou a suspender a visitação às vésperas do feriadão. Apesar de ter sido de menor extensão, ele atingiu uma área importantíssima para gestão do parque, que é a que recebe os visitantes. Outros focos surgiram depois, conseguimos controlar, até que, no dia 17, teve início esse incêndio, nas duas margens da rodovia GO-118, sendo que no lado oeste da estrada ele começou depois do aceiro, o que demonstra a má-fé da pessoa que iniciou esse fogo”, conta o gestor.

Incêndio em Veadeiros visto de cima. Foto Fernando Tatagiba.
Incêndio em Veadeiros visto de cima. Foto Fernando Tatagiba.


Aceiros são uma das estratégias utilizadas pela equipe do parque nacional para impedir que o fogo avance em direção à unidade, assim como o Manejo Integrado e Adaptativo do Fogo. As técnicas consistem em criar barreiras através da queima prescrita, feita com controle e durante a época de chuvas, para que durante a seca não haja combustível suficiente para o fogo se alastrar.
“A cada ano, é feita uma análise espacial do acúmulo de combustível na unidade e das áreas de cicatrizes, que foram queimadas no ano anterior e onde o risco de incêndio é menor, e com o cruzamento dessas áreas, nós conseguimos planejar um controle do combustível acumulado. Com isso reduzimos o risco de incêndios grandes e aumentamos a proteção de ecossistemas sensíveis e áreas-chave para espécies ameaçadas, e o patrimônio da unidade como um todo”, explica Tatagiba. Este, entretanto, foi o primeiro ano da técnica na Chapada dos Veadeiros e as áreas selecionadas para queima prescritas foram reduzidas para poder acompanhar o comportamento efeito do fogo nessas zonas.

Ecossistemas prioritários para a conservação
No caminho das chamas no parque nacional estão ecossistemas do Cerrado com menor resistência ao fogo, tais quais veredas e ambientes florestais, onde vivem animais ameaçados de extinção como o cachorro-vinagre (Speothos venaticus). O incêndio atingiu também as margens do rio Preto, um risco para uma das espécies de ave mais ameaçadas do planeta, o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus). Para piorar, é exatamente entre setembro e outubro que a espécie nidifica, deixando seus ovos em cavidades de árvores ou rochas na beira do rio.

Entre outros locais atingidos estão o Jardim de Maytreia, importante ponto turístico da região, o Morro da Baleia, o camping da Travessia das Sete Quedas, as Serras do Santana e do Ministro e o nordeste da área de ampliação do parque. As proximidades do Córregos dos Ingleses, onde estão localizadas as estruturas administrativas da unidade de conservação ficaram sob risco, mas o fogo na região já foi controlado. Moradias no entorno também chegaram a ser ameaçadas.


O rastro de destruição deixado pelo fogo na vegetação. Foto: ASCOM ICMBio.
O rastro de destruição deixado pelo fogo na vegetação. Foto: ASCOM ICMBio.

Há inúmeras frentes de fogo, o que dificulta o combate, que está sendo priorizado para proteção de alvos específicos e mais sensíveis. Apesar das condições adversas, o coordenador do combate conta que o planejamento é acabar com o fogo até sexta-feira (27/10). “Mas óbvio que depende do clima, porque se a temperatura continuar a subir e os ventos continuarem fortes, vai dificultar nosso combate”, pondera Christian. A boa notícia é que as temperaturas começaram a baixar nesta segunda-feira e há previsão de chuva para a noite de sexta.

Rede de voluntários no apoio ao combate
A luta contra as chamas em Veadeiros uniu órgãos das esferas federal, estadual e municipal. Na linha de frente, o ICMBio, órgão gestor do parque, comanda a ação junto com o IBAMA e o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás. A operação conta ainda com o apoio da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar do Distrito Federal.

Porém as equipes receberam um outro reforço importante no combate ao fogo no parque nacional: a solidariedade. Desde o início do incêndio, eles têm recebido doações de alimentos, combustível, equipamentos de proteção individual e equipamentos de combate. Além da disponibilização do tempo de voluntários para apoiar nas ações do comando e nas ações de campo, muitas vezes ex-brigadistas, capacitados, que se voluntariam para ajudar. “São cerca de 30 brigadistas voluntários, todos treinados, com curso de brigadista, e que têm atuado no campo junto com as nossas equipes”, acrescenta Christian. Alguns hotéis também têm oferecido hospedagem gratuita aos brigadistas que estão vindo de fora para apoiar no combate.

Desde o dia 11 de outubro, o parque permanece com a visitação suspensa por motivos de segurança. Um impacto direto ao principal motor de geração de renda dos municípios do entorno, o turismo.

Mapa com a área atingida por fogo no PNCV. Imagem: ICMBio.
Todos os focos de incêndios no parque nacional ao longo do ano, até a data do dia 22/10/17. 
Divulgação: ICMBio.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Verde humano: hortas comunitárias ou plantio de árvores e seus efeitos em Brasília/DF


O Meio Ambiente por Inteiro (TV Justiça) investigou os efeitos positivos nas pessoas que desenvolvem atividades junto à natureza. Coisas simples, como hortas comunitárias ou plantio de árvores em áreas degradadas, melhoram as relações sociais e ajudam o planeta a ficar mais saudável. Pequenas iniciativas têm contagiado grandes comunidades. Um bom exemplo vem de um grupo de moradores de uma cidade do Distrito Federal. A cidade está mais verde e mais bonita. As reportagens foram feitas nas cidades de Águas Claras, Guará e outros locais do Distrito Federal. Assista às reportagens abaixo abaixo:



 
Fonte: TV Justiça / Meio Ambiente por Inteiro

A economia é um subsistema do meio ambiente

A economia é um subsistema do meio ambiente





Definitivamente, a economia neoclássica têm sérias dificuldades em aceitar o fato de que a economia é apenas um subsistema do meio ambiente. Centrados numa visão míope do diagrama do fluxo circular (empresas fornecendo bens e serviços às famílias dada as condições do mercado de fatores de produção) que é de natureza hermeticamente fechada, isolada e restrita, os economistas tradicionais não enxergam (ou não querem enxergar) a completa interrelação existente entre a economia e a natureza. 




Diante disso, passam por cima das questões ambientais, pois entendem que a economia é soberana e superior a tudo. Para os “tradicionais”, as questões de ordem ambiental não passam de meros setores pertencentes à macroeconomia, como são os casos da pesca, da agropecuária, das florestas, entre tantos outros. Para esses não há limites e obstáculos ditados pelo ambiente e a expansão da atividade produtiva pode ocorrer sem maiores transtornos.




Pensando assim, os economistas tradicionais ignoram o que realmente se sucede em termos reais de movimentação dentro de um sistema econômico: entra (materiais) e sai (resíduos); entra matéria e energia, sai ejetada poluição (lixo); logo, a economia não pode ser vista como um sistema fechado. Ao contrário: a economia nada mais é que um sistema aberto dentro de um amplo sistema (o ambiente) que tem a finitude como sua maior característica. 




Nesse ponto, convém chamar a atenção para o desenho aqui apresentado: fluxos de entrada (materiais e energia) e de saída (produtos e resíduos ejetados) precisam ser considerados em sua essência, e não relegados ao descaso como é comum pela visão econômica tradicional. A economia necessita (e sempre precisará) da natureza, e não o contrário. Nas palavras de Clóvis Cavalcanti, “não existe sociedade (e economia) sem sistema ecológico, mas pode haver meio ambiente sem sociedade (e economia)”. 




É totalmente equivocado pensar a atividade econômica de forma ermitã. A economia é apenas uma parte de um todo; o todo é o meio ambiente. 



Nessa linha sistemática de defesa em torno do meio ambiente, quando se aponta dedo em riste sobre a atividade econômica, pontuando a exploração de recursos em favor de um crescimento antieconômico, é forçoso aventar que o “tipo de economia” que pretendemos, capaz de assegurar a capacidade de progresso à geração futura, não está fazendo o jogo do antiprogresso, do antidesenvolvimento, da antievolução. Para termos progresso, desenvolvimento e evolução, de fato e de direito, é necessário entender que há limites biofísicos, e esses obrigatoriamente devem ser respeitados.




Por isso, não há como escapar da seguinte premissa: crescer significa usar o meio ambiente, e mais crescimento significa menos meio ambiente, pois como aponta Herman Daly, a biosfera é finita, não cresce, é fechada (com exceção do constante afluxo de energia solar) e obrigada a funcionar de acordo com as leis da termodinâmica. 




Também por isso e para isso, cabe destacar que qualquer subsistema, como a economia, em algum momento deve necessariamente parar de crescer e adaptar-se a uma taxa de equilíbrio natural. 



Funda-se nesse argumento um fato imperioso: parar de crescer não significa parar de se desenvolver. É perfeitamente possível prosperar sem crescer. Prosperidade é sinônimo de bem-estar para todos. Logo, não pode haver prosperidade em ambientes que são constantemente expostos à degradação, reduzidos a poluição como objeto final, afetando a qualidade de vida das pessoas. 




Com isso, é urgentemente necessário trocar a busca incessante do crescimento (expansão quantitativa) pelo desenvolvimento (melhoria qualitativa). No linguajar dos economistas-ecológicos crescimento econômico vai até certo ponto, ultrapassado esse ponto não há melhorias, mas sim perdas significativas começando pela qualidade do ar que respiramos e pela completa destruição do espaço natural, afetando sobremaneira a qualidade de vida nas cidades, tornando-as insustentáveis.

  

Marcus Eduardo de Oliveira é economista, especialista em Política Internacional pela (FESP) e mestre em Estudos da América Latina pela (USP).



Fonte: CenárioMT

Triplo A: a nova ameaça à soberania brasileira na Amazônia

Postado em 14/06/2017 6:34


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No Dia Mundial do Meio Ambiente, o Brasil se vê diante de uma proposta do presidente da Colômbia para criar um “corredor ecológico” que iria dos Andes ao Atlântico, passando pela Amazônia. Segundo o professor Rogério Maestri, porém, as preocupações supostamente ambientais do projeto podem esconder interesses estrangeiros bem mais perversos.
“Esse tal corredor ecológico, que pra mim não é um corredor, é uma verdadeira ocupação. É o germe de uma ocupação de uma parte do Brasil com o objetivo de isolá-lo do norte, do Caribe, e a América do Sul da parte norte”, disse o especialista em entrevista à Sputnik.
Professor visitante de Engenharia Hidráulica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Maestri se preocupa não apenas com os aspectos técnicos da questão ambiental, mas também com os fatores geopolíticos por trás de ideias como a do chefe de Estado colombiano, Juan Manuel Santos, que anunciou publicamente em fevereiro que iria propor ao Brasil e à Venezuela este “ambicioso” corredor ecológico.
Projeto do corredor ecológico Triplo A
FUNDAÇÃO GAIA AMAZONAS
Projeto do corredor ecológico Triplo A
“Será o maior corredor do mundo, com 136 milhões de hectares, que batizamos de Triplo A, pois seria andino, amazônico e atlântico, indo dos Andes até o Atlântico, no Brasil”, declarou Santos no programa oficial de televisão Agenda Colômbia, em 16 de fevereiro. Segundo as palavras do presidente colombiano, a proposta serviria para “preservar a área e como uma contribuição da humanidade para a discussão sobre como deter as mudanças climáticas”. No entanto, de acordo com Maestri, é bastante provável que o discurso de Santos esconda intenções menos louváveis.
Em primeiro lugar, conforme aponta o professor, o termo “corredor ecológico” é impróprio para qualificar o projeto do Triplo A. “De acordo com o costume internacional, se fazem corredores com largura de, digamos, no máximo 1 km. (…) O que chamam de corredor ambiental é algo que varia aqui [no Triplo A] de 50km a 500km”, ressaltou.
“Pode ser qualquer coisa, menos corredor ambiental. É um rasgo que se faz no norte do Brasil”.
Rosneft pode assumir nos próximos meses controle total do projeto Solimões
© SPUTNIK/ MIKHAIL FOMICHEV
 
De fato, segundo lembra Maestri, um corredor ecológico legítimo na Amazônia, a saber, que levasse em conta a necessidade de preservar a integridade de uma determinada extensão de mata a fim de garantir o fluxo genético entre espécies e evitar a endogamia, deveria integrar outras regiões mais prejudicadas pela exploração humana na região, e não teria a necessidade ambiental de ir até o Atlântico.
“Por que ir até o Atlântico? Se é problema ambiental, era pra ir mais para o sul, mais para baixo da Venezuela, por exemplo, e não precisava ir exatamente até o Atlântico. Chegar de um lado a outro é claramente estratégico, e não é por acaso que [o Triplo A] teria dois pontos de acesso”.
Talvez seja interessante notar que a ideia inicial do “ambicioso” projeto de Santos seja atribuída a Martín von Hildebrand, fundador da ONG Gaia Amazonas e membro da Gaia Foundation, organização também não governamental, mas com fortes vínculos com a Casa Real Britânica.
Stop
© FLICKR.COM/ KENNY LOUIE
Segundo o site oficial da ONG inglesa, o trabalho na Amazônia começou com a mediação do ambientalista brasileiro José Lutzenberg, que também atuou no ministério do governo Fernando Collor de Mello. Na época, ele sofreu diversas críticas, sendo acusado inclusive de receber dinheiro indevido da Gaia Foundation, como noticiado pela revista Executive Intelligence Review, bem como de isolar os ambientalistas brasileiros das decisões políticas, preferindo o conselho de estrangeiros.
“Todas as cabeças coroadas europeias gostam muito de ONGs – não as que queiram fazer alguma coisa no seu próprio país, mas que queiram fazer nos outros países”, afirmou o professor da UFRGS.
De acordo com Maestri, de fato, o envolvimento da Gaia Foundation na proposta do Triplo A é mais um indício “de uma direção em termos de ocupação de espaço por outros países”.
Desmatamento na floresta
© FOTO: IGOR PODGORNIY
 
“Se se olha a tradição europeia, vê-se que eles enxergam muito longe… Não é, por exemplo, como o americano, que é um pouco mais intempestivo, que tenta invadir no momento. Os ingleses, europeus, em geral, têm um raciocínio mais em longo prazo. Então eles vão implantando essas pequenas coisas, esse tal corredor ecológico, que pra mim não é um corredor, é uma verdadeira ocupação”.
Além disso, Maestri também chama a atenção para o fato de a ideia ser patrocinada pela Colômbia, um dos maiores aliados dos EUA na América Latina, onde Washington dispõe de sete bases militares.
Usina Hidrelétrica de Itaipu
© AFP 2017/ NORBERTO DUARTE
“Do lado da Colômbia tem bases americanas, e do lado do Brasil pode ter bases francesas. Então nas duas extremidades ficam países do Norte, com grande possibilidade de ter acesso a esse ‘corredor’… a essa ocupação. Faz sentido dentro de uma lógica estratégica”, explica o professor.
Se efetuado, o Triplo A seria composto em 62% por território brasileiro, 34% por território colombiano e 4% por território venezuelano. Ou seja, a gestão do “corredor” teria que ser tripartite, o que, de acordo com Maestri, facilitaria a dominação estrangeira da região amazônica, especialmente porque o projeto da Gaia Foundation envolve o conceito de autogestão dos povos indígenas.
 “Essas tribos estão em um processo de incorporação de tecnologias modernas, algumas ainda bem atrasadas, outras mais evoluídas. (…) Com essa autogestão, eles [os índios] ficam sujeitos à manipulação. É mais ou menos o que acontece em diversos países da África, que foram fragmentados ao extremo e agora são sujeitos a invasões permanentes de tropas neocoloniais. (…) Ou seja, essa visão de uma autodeterminação também serve [a interesses estrangeiros]; pode levar eles, daqui a um tempo, a escolherem o país que vai ser o seu suporte. Isso já contraria o princípio pétreo da Constituição que é a indivisibilidade do Brasil”, adverte o especialista.
“Essas comunidades têm todo o direito e devem ser preservadas (…). Porém, provavelmente com o tempo – e isso é mais ou menos lógico –, essas culturas indígenas não vão ficar satisfeitas em viver na ‘Idade da Pedra’ e vão querer mais. Bem, quem vai fornecer esse mais? Vai ser o Brasil, a Colômbia, a Venezuela, ou os países europeus?”, acrescentou.
Exército utilizará cabos de fibra ótica subfluviais para conectar cidades ribeirinhas do interior da Amazônia
AMAZÔNIA CONECTADA/ EXÉRCITO BRASILEIRO
A gigantesca área abrangida pelo Triplo A guarda enormes reservas de água, minérios e biodiversidade. Ou seja, seria uma imensa riqueza a ser pretensamente “gerida” por povos indígenas, que, segundo observa o professor, “podem ser enganados por qualquer um, um posseiro qualquer”, assim como “podem ser enganados por outros países”.
Outra evidência dos interesses econômicos por trás da proposta, segundo o professor, é o fato de que o corredor abarcaria a região acima do Rio Amazonas – partes mais altas que, sendo mais secas, seriam mais aproveitáveis para atividades lucrativas, como a criação de gado.
Esta foto foi fornecida pelo Corpo de Bombeiros de Santa Barbara, Califórnia, mostrando uma mancha de petróleo do oleoduto avariado na costa central da Califórnia
De qualquer forma, o presidente colombiano prometeu apresentar o projeto na próxima conferência ambiental da COP 21, que será realizada entre os dias 7 e 8 de dezembro em Paris. Na opinião de Maestri, entretanto, a ideia não deve dar frutos pelo menos dentro dos próximos cinco anos.
“É um projeto de longo prazo. Depois da COP 21, [a ideia] vai evoluindo, evoluindo, até que vão questionar a própria capacidade do Brasil de gerir essa parte. Como se eles, os europeus, americanos, fossem capazes de gerir. As florestas deles simplesmente foram acabadas. Onde teve colonialismo, acabaram com florestas imensas”, notou o professor.
“Somos tão incompetentes assim? Se a Amazônia existe, é porque tinha um governo brasileiro, que bem ou mal ainda conservou. Qual a moral que têm países que desmataram, que colonializaram ao máximo – e ainda colonizam, agora com o neocolonialismo –, em chegar e falar que o Brasil é incapaz?”
Painel do GLONASS
© SPUTNIK/ MAKSIM BOGODVID
De acordo com Maestri, não se pode negar a importância da conservação da Amazônia, mas a tarefa deve ser levada a cabo “dentro da lógica nacional”. O especialista defende, sobretudo, a “presença forte do Exército brasileiro impedindo o corte dessas matas”, o reforço da ocupação do Estado na região e uma “cobertura de satélites” para melhorar o monitoramento, tarefa que, segundo ele, pode ser feita em parcerias múltiplas com outros países, inclusive com o sistema de navegação GLONASS, da Rússia, que acaba de ganhar sua segunda estação no Brasil.
No entanto, Maestri ressalva que o Estado tem que se fazer presente não só na parte da defesa, mas também na esfera social. “A Amazônia não é um vazio”, diz o professor, defendendo a necessidade de dar assistência em saúde e educação às pessoas que habitam a região amazônica. “Ocupar a Amazônia para evitar ser ocupado”, resume ele.
“Se o Estado brasileiro ocupar aquela região efetivamente, ninguém entra. Ocupar integralmente, desde o médico, da professora, do pequeno hospital, até as Forças Armadas”, concluiu o especialista.

Polícia Ambiental flagra caçadores com carne de sucuri


Por Fábio Pellegrini
Animal abatido já estava "limpo" para consumo. Foto: CPAMB.
Animal abatido já estava "limpo" para consumo. Foto: CPAMB.


Quatro pessoas foram autuadas pela Polícia Ambiental de São Paulo (CPAMB) por abater uma sucuri em Icém (SP), na última sexta-feira (20). O animal já estava sem o couro e a barrigada, pronto para o consumo.

De acordo com os policiais, eles faziam o patrulhamento de rotina próximo ao represado da usina hidrelétrica de Marimbondo, na região do Córrego do Abóbora. quando perceberam um feixe de luz nas margens do córrego. Ao se aproximarem, os policiais flagraram o grupo tentando fugir em um carro.
Foto: CPAMB.
Foto: CPAMB.

Durante a revista, foi encontrada uma sucuri de 47 quilos e aproximadamente 7 metros de comprimento, abatida, já sem o couro, "limpa" e pronta para o consumo. Também foram apreendidos um facão e facas usados para matar e carnear o animal.

Cada suspeito foi autuado em R$ 500. Eles foram ouvidos, liberados e vão responder por crime de caça. A carne e o couro animal, assim como as facas, foram apreendidas.

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