quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Mais de mil golfinhos são avistados em um único dia em Fernando de Noronha


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Foto: Projeto Golfinho Rotador/Divulgação

Na manhã de ontem (29/11), no Arquipélago de Fernando de Noronha, os pesquisadores do Projeto Golfinho Rotador registraram 1010 golfinhos divididos em dois grupos. Um grupo de 190 indivíduos foi avistado na Baía dos Golfinhos, enquanto outro, formado por 820 golfinhos, foi visto nas Ilhas Secundárias. O arquipélago é protegido por duas unidades de conservação, a Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha, Rocas, São Pedro e São Paulo (PE) e o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (PE).


Números como esse não são tão raros em Noronha, que é considerada a ilha oceânica com maior concentração regular de golfinhos do mundo. A espécie pode ser avistada o ano inteiro, mas, especialmente entre agosto e novembro, sua presença é abundante no arquipélago: em um único dia podem ser avistados mais de 2 mil golfinhos. Mesmo em outros meses, a probabilidade de avistar um golfinho é alta. Nos últimos 27 anos, eles aparecem em cerca de 95% dos dias do ano, numa média de 350 indivíduos por dia.


A estimativa é do Projeto do Golfinho Rotador que há quase três décadas se dedica à pesquisa e monitoramento da espécie em Fernando de Noronha. De acordo com o coordenador do projeto, José Martins, esse acompanhamento de longo prazo é essencial para detectar e entender os impactos das mudanças climáticas nas populações de golfinhos.
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Foto: Projeto Golfinho Rotador/Divulgação

O Projeto Golfinho Rotador

O projeto nasceu em agosto de 1990 e tem como missão sensibilizar a população sobre a importância da biodiversidade marinha e estimular a pesquisa, além de monitorar e preservar os golfinhos no arquipélago de Fernando de Noronha. A gestão do projeto é uma parceria entre a ONG local Centro Golfinho Rotador e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com o envolvimento da comunidade noronhense. O projeto é financiado através do Programa Petrobras Socioambiental, que patrocina a iniciativa.
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Foto: Projeto Golfinho Rotador/Divulgação

Extintas no estado, antas serão reintroduzidas em reserva no Rio de Janeiro


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Uma das antas durante a aclimatação na RPPN. Foto: Inea/Divulgação

O último registro de uma população de antas (Tapirus terrestris) no estado do Rio de Janeiro data de 1914. Mais de cem anos depois, o Projeto Refauna, em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), está prestes a trazer ela de volta às florestas do estado fluminense. A iniciativa irá soltar três indivíduos, uma fêmea e um macho adultos, e um filhote na Reserva Ecológica de Guapiaçu (RJ), uma reserva particular do patrimônio natural (RPPN) no município de Cachoeiras de Macacu.
A família de antas veio do criadouro conservacionista da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, situado em Araxá, Minas Gerais. Os animais passarão por um período de 30 dias de aclimatação em um viveiro dentro da RPPN antes de serem soltos. Até lá, serão alimentados diariamente enquanto se acostumam com seu novo habitat. Mesmo após a soltura, a suplementação alimentar continuará, caso as antas necessitem.
O gerente de unidades de conservação do Inea, Andrei Veiga, comemorou o projeto. “Após muito tempo, a anta será reintroduzida no nosso estado. Estamos trazendo as primeiras espécimes com a proposta de reprodução. Depois virão mais indivíduos para serem reintroduzidos no seu habitat natural, aqui no Rio. A RPPN foi cuidadosamente preparada para receber essa espécie, oferecendo todas as condições para ela se adaptar. A equipe do Inea está muito empenhada em apoiar esse processo de reintrodução e também no seu monitoramento”, explicou Andrei.
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Equipe do Projeto Refauna em ação checando e medindo uma das antas. Foto: Inea/Divulgação

Além da importância simbólica de trazer de volta uma espécie extinta no estado, o retorno da anta tem um papel essencial na natureza: o de dispersor de sementes. As antas são os maiores mamíferos terrestres do Brasil e conseguem dispersar até mesmo as grandes sementes que animais menores, como a cutia não conseguem. Além disso, elas são herbívoras generalistas e com isso evitam a predominância de uma determinada espécie de planta em detrimento de outras. Não é a toa que elas são consideradas jardineiras das florestas.
Reserva Ecológica de Guapiaçu
A RPPN Reserva Ecológica de Guapiaçu, também conhecida como RPPN Régua, foi criada em 2012. A área protegida, de caráter particular, corresponde a um território de 364 hectares em domínio de Mata Atlântica. A reserva está localizada no município de Cachoeiras de Macacu, no interior do estado do Rio de Janeiro.
Atualmente, de acordo com o Inea, existem 83 RPPNs no estado, o que corresponde a aproximadamente 7 mil hectares de área protegida.
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Uma das antas durante a aclimatação na RPPN. Foto: Inea/Divulgação

*Com informações Inea-RJ

Se fazemos algo na Amazônia, afetará a própria Amazônia, mas será a razão de haver secas em São Paulo e prejudicar safras no Uruguai

Sem o setor privado, não será possível restaurar florestas

Por Fabíola Ortiz
O engenheiro florestal Robert Nasi. Foto: Pilar Valbuena/Global Landscapes Forum.
O engenheiro florestal Robert Nasi. Foto: Pilar Valbuena/Global Landscapes Forum.

Bonn, Alemanha – O ano de 2017 viu ocorrerem graves incêndios florestais pelo mundo, furacões arrasarem as ilhas do Caribe e uma seca que rareou a produção de alimentos na porção oriental da África. Em termos de florestas, 2017 foi um ano mais do mesmo, do “business a usual”, admitiu o engenheiro florestal Robert Nasi, que lidera o Centro Internacional de Pesquisa Florestal (CIFOR).
Um mês depois da Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP23) em Bonn, a mesma cidade alemã acolheu um fórum internacional para pôr em pauta projetos de conservação ambiental, restauração de florestas com gestão comunitária e uma abordagem mais holística sobre as paisagens naturais.

O Global Landscapes Forum (GLF), que ocorreu entre os dias 19 e 20 de dezembro, destacou pesquisas e projetos que pensassem os diferentes ambientes e paisagens na África, Ásia, América Latina e Pacífico, abordando desde conhecimentos indígenas tradicionais, comunidades nativas, tecnologia de ponta e pesquisas científicas.

A ideia era sair do “politicamente correto”, disse Nasi, um dos organizadores do fórum que reuniu, durante dois dias, dois mil participantes no Centro Mundial de Convenções de Bonn. O diretor executivo do Centro Internacional de Pesquisa Florestal conversou com ((o))eco sobre os desafios de fazer restauração de florestas em grande escala. “Já sabemos o suficiente que as florestas podem ser parte da solução”, disse. Não é o conhecimento técnico que precisamos, o que falta é o fator econômico que faça da restauração um atrativo para investidores privados.

Leia a entrevista com o engenheiro florestal francês:

((o))eco – Qual é a retrospectiva que podemos fazer de 2017? Foi um ano marcante para o planeta em termos ambientais?
Robert Nasi – Poderíamos pensar que entre os maiores eventos que afetaram as populações esse ano no planeta foi a temporada de furacões no atlântico norte. Vimos cada vez mais os furacões virem e virem. Os incêndios também atacaram vastas áreas, afetando zonas ricas do mundo. Ao longo dos anos, vemos tantas catástrofes que arrasam países na África e acabamos nos ‘acostumando’, mas quando vemos eventos impactarem o mundo rico, como os incêndios em Beverly Hills nos Estados Unidos, é algo novo para as pessoas. Esses eventos no mundo marcaram o imaginário coletivo esse ano. Em termos de florestas, eu diria que 2017 foi um ano mais business as usual. Não me lembro de ter visto nenhum avanço extraordinário nas negociações de clima das Nações Unidas que seguiram o mesmo ritmo. Implementar um acordo, como o de Paris de mais de 190 países, é realmente difícil.

Como é possível lidar com tantas crises? As florestas podem ser parte das soluções?
Já sabemos que as florestas podem ser parte da solução. Não é o conhecimento técnico que precisamos para restaurar, o que falta é o elemento econômico. Ainda continua sendo, em geral, mais lucrativo cortar as florestas que mantê-las em pé. Ainda vale mais a pena cortar as árvores em um pedaço de terra. Isso só vai mudar quando houver um verdadeiro incentivo econômico. Se não, vão continuar tirando as árvores para fazer dinheiro com a madeira e lucrar com plantações para fabricar óleo de palma.

“Como fazer com que o curto ganho financeiro em pouco tempo seja superado por uma ação duradoura”.
A questão é como aumentar a viabilidade de se manter as árvores em pé. Que manter a floresta faça sentido e seja economicamente viável para empreendedores pelos serviços ambientais e todos os benefícios que oferecem para o clima. Como fazer com que o curto ganho financeiro em pouco tempo seja superado por uma ação duradoura. O problema é a desconexão entre interesses que são de curto e de longo prazo. Se você pedir para um agricultor para manter 15% da sua terra preservada com árvores, ele vai dizer que o dinheiro que ganharia com a floresta em pé é muito menor que se usasse o espaço para plantação. Qual vai ser a minha compensação financeira por manter a floresta em pé? ele vai perguntar.


Você viu algum exemplo interessante de reflorestamento e recuperação de uma área degradada?
Sim, é possível fazer restauração florestal a um custo viável. Existe já uma regeneração natural se você não fizer nada e deixar o próprio ambiente se recuperar. Há muitos exemplos de restauração que poderiam ser aumentados em escala, como o projeto Katingan, na Indonésia. É uma iniciativa de restauração de ecossistema em uma floresta de pântano de turfa em Kalimantan. Após 30 anos, temos uma floresta que já está recuperada e reconstituída. Lá, as pessoas usaram árvores para fixar o nitrogênio e reabilitar uma área que foi usada para mineração, a vegetação agora retornou. Realmente há muitos projetos, o que falta é que pessoas interessadas invistam para fazer isso em uma escala maior. Precisamos convencer o dinheiro privado para investir nessas ações de restauro.


Como financiar a restauração florestal?
Não há recursos suficientes se formos depender do dinheiro público. Temos que restaurar 150 milhões de hectares no Desafio de Bonn até 2030, mas não há dinheiro público para isso. Precisamos trazer os recursos privados e, para isso, é preciso gerar atrativos econômicos e rentabilidade.


O que representam as metas de reflorestamento no Desafio de Bonn?
O grande mérito do Desafio de Bonn é o de levantar a necessidade de restauração de florestas em lugares que realmente precisam. Os países se comprometeram a restaurar determinadas áreas degradadas e isso já é bom. Mas agora o grande ‘desafio’ desse Desafio de Bonn é como incluir investidores privados e fazer com que os compromissos assumidos pelos países sejam realmente colocados em prática. Isso custará bilhões, mas o custo de não fazer nada será de trilhões, umas dez vezes mais que investir em plantar árvores. Se não houver retorno econômico para quem investir no restauro, o setor privado não vai realmente entrar neste esquema.


Os países tropicais deveriam ter um papel de liderança nos esforços de reflorestamento?
Foto: Pilar Valbuena/Global Landscapes Forum.
Foto: Pilar Valbuena/Global Landscapes Forum.

O esforço para restaurar as florestas deve ser global e não apenas de alguns países. O fato é que grande parte da degradação florestal está localizada nos trópicos. Por muitas razões ecológicas, as florestas tropicais são habitat para grande biodiversidade e armazenam muita biomassa.

O Brasil se comprometeu a restaurar 12 milhões de hectares até 2030 e fazer uma gestão mais sustentável de florestas nativas. Esse compromisso é uma meta razoável, ou deveríamos fazer mais?
O Brasil já mostrou liderança no combate ao desmatamento, grande parte, na Amazônia. Mas há outras localidades que também merecem atenção, como o cerrado. O Brasil tem a capacidade técnica, humana e financeira de fazer restauração florestal em áreas degradadas. Essas zonas são, em sua maioria, de pastos degradados que tiveram a floresta cortada.

O Brasil certamente tem a capacidade de realizar restauro, diferentemente de vários outros países que se comprometeram com o Desafio de Bonn. Mas não deveríamos esperar que o Brasil reabilite 12 milhões de hectares em áreas pristinas de florestas, isso não seria realístico. Algumas dessas áreas deveriam ser restauradas o mais próximo possível do habitat original, mas o principal, para mim, seria restaurar as margens dos rios. Se você quiser reconstituir o habitat dos rios, a mata ciliar é importante. Os estoques de peixes dependem da cobertura ciliar, da temperatura da água e das árvores.

Se esperaria que o Brasil conseguisse restaurar áreas tornando-as produtivas. É possível assumir que o custo de reabilitar uma área degradada seja de entorno de mil dólares por hectare. Para restaurar 12 milhões de hectares de terra, estaríamos falando em 1.2 bilhões de dólares. É possível ter investimento público, mas seria muito dinheiro para se depender apenas do governo. O contribuinte brasileiro tiraria do seu próprio bolso todo esse dinheiro? Para isso, teríamos que buscar um investidor privado que se interesse em restaurar, mas que obtenha um retorno econômico.

É ainda um sonho distante fazer uma restauração em grande escala uma vez que o Brasil ainda sofre com a dificuldade para frear o desmatamento?
“O próximo estágio seria frear a degradação em áreas que o desmatamento ainda avança. Onde há grande pressão econômica para devastar”.
Em algumas áreas no Brasil, as terras que já foram devastadas continuam degradadas e não são lucrativas. Então, seria por aí o melhor lugar para começar a restaurar. O próximo estágio seria frear a degradação em áreas que o desmatamento ainda avança. Onde há grande pressão econômica para devastar e um prospecto de continuar a ser rentável, realmente ainda é difícil acabar com o desmatamento.

Você sugere que haja uma mudança de cultura e mentalidade?
Precisamos olhar para todos os aspectos econômicos na hora de se pensar em uma gestão de recursos naturais e conservação da paisagem.

O que representa ter uma abordagem de paisagem para a conservação do meio ambiente?
A ideia é simples, quando você quer gerir um pedaço de terra, ela não existe sozinha em um vácuo. A terra é resultado de processos históricos, de decisões tomadas no passado e interação do que passa ao redor. Para gerir um pedaço de terra e mudar a sua trajetória no futuro, é preciso pensar em paisagens. Você tem que entender todo o panorama, histórica e geograficamente. É preciso gerenciar essas interações quando falamos em paisagens. É um conceito simples, não é uma unidade administrativa e não há um órgão de governança que faça a gestão de paisagem, é uma abordagem múltipla. A ideia de paisagem vai além das fronteiras geográficas.

Se fazemos algo na Amazônia, afetará a própria Amazônia, mas será a razão de haver secas em São Paulo e prejudicar safras no Uruguai. O que se tem em um lugar afeta, inevitavelmente, outras áreas. É como fazer uma barragem em um rio e cortar a provisão de água para quem está na jusante do rio. Isso é toda uma questão quando falamos de recursos transfronteiriços. Tudo isso complica muito quando os rios estão no céu (da evapotranspiração das árvores e chuvas). Se não fizermos essa abordagem de paisagem, as pessoas vão continuar a tomar decisões em um lugar e afetar outros.

O que é preciso para ir além do politicamente correto?
O politicamente correto é quando dizemos que o capital privado é o vilão e que índios são puramente bons, nem sempre é assim. Precisamos falar a verdade, aceitar que é preciso discutir, mas se continuarmos a falar coisas boas em convenções internacionais e não tocar nos problemas, não vamos avançar. A ideia não é apontar o dedo e culpar ninguém. Espero que, aqui neste fórum, tenhamos conseguido avançar para além do que é politicamente correto, trazendo líderes comunitários e jovens. Precisamos ter vozes que sejam diferentes e dissonantes.

Projeto libera 60 milhões de dólares para a Amazônia

Por Sabrina Rodrigues*
Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, assinou contrato que destinará mais de 60 milhões de dólares que serão investidos em ações de sustentabilidade na Amazônia Legal. Foto: Neil Palmer/Wikicommons.
Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, assinou contrato que destinará mais de 60 milhões 
de dólares que serão investidos em ações de sustentabilidade na Amazônia Legal. 
Foto: Neil Palmer/Wikicommons.

A gestão de áreas protegidas na Amazônia ganhou um reforço de peso essa semana com a assinatura do contrato que libera 60 milhões de dólares para o projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia, programa como foco a gestão de unidades de conservação no bioma. O contrato foi assinado entre o Banco Mundial, atuando como agência implementadora, a Conservação Internacional (CI) e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), esses dois participarão como executores. 

O programa é financiado pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF, sigla em inglês de Global Environment Facility) e será coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em parceria com os órgãos vinculados e os governos do Acre, Amazonas, Rondônia e Pará.

O “Paisagens Sustentáveis da Amazônia” trabalhará em políticas voltadas para paisagens produtivas sustentáveis e recuperação da vegetação nativa, fortalecendo planos e ações ligados à proteção e restauração do bioma, além da gestão das florestas. Além disso, o projeto apoiará o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), que existe há 15 anos e abrange, hoje, 60 milhões de hectares em unidades de conservação (UCs). 

Sarney Filho vê a medida com otimismo. “Temos de agir de todas as maneiras possíveis para dar o fortalecimento adequado à vertente da sustentabilidade". Para o ministro, a promoção do desenvolvimento sustentável na região é fundamental para dar continuidade à redução do desmatamento, que caiu 16% neste ano.

*Com informações da Assessoria de Comunicação do Ministério do Meio Ambiente

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Cetesb nega licença para construção de termoelétrica em Peruíbe

Por Sabrina Rodrigues
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) negou o pedido de licenciamento ambiental do Projeto Verde Atlântico Energia, que previa a construção de uma usina termoelétrica em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Foto: Usina Termoelétrica Termoverde, Salvador, Bahia. Foto: Rafael Martins/ AGECOM.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) negou o pedido de licenciamento ambiental do Projeto Verde Atlântico Energia, que previa a construção de uma usina termoelétrica em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Foto: Usina Termoelétrica Termoverde, Salvador, Bahia. Foto: Rafael Martins/ AGECOM.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) negou o pedido de licenciamento ambiental do Projeto Verde Atlântico Energia, que previa a construção de uma usina termoelétrica em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Em parecer técnico publicado hoje (19) no Diário Oficial de São Paulo, a Cetesb concluiu pela inviabilidade ambiental do empreendimento, de responsabilidade da empresa Gastrading Comercializadora de Energias S/A.
A termelétrica a gás teria a capacidade de gerar até 1,7 gigawatt, energia que poderia abastecer uma população de aproximadamente 1,7 milhão de habitantes. As linhas de transmissão da usina para ligar ao sistema nacional passariam por dentro de áreas protegidas como o Parque Estadual da Serra do Mar e a Estação Ecológica Jureia-Itatins, além de terras indígenas. O impacto na construção do empreendimento afetaria pelo menos 5 municípios: Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente e Cubatão.  
A construção da usina gerou polêmica desde a sua proposta, unindo população, ONGs, povos indígenas e comunidades tradicionais contrários à instalação do empreendimento. Em agosto, a ONG SOS Mata Atlântica emitiu nota técnica direcionada ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) onde descreve a inviabilidade da construção da termoelétrica por se tratar de “altíssimo grau de risco e impacto ambiental, muito além dos impactos locais e regionais previsíveis para instalação e operação desse tipo de sistema”.
A ONG comemorou a decisão da Cetesb e a considera como uma vitória de toda a população de Peruíbe. “As manifestações da comunidade diretamente afetada pelos impactos ambientais da obra foram ouvidas. Esta é uma vitória de toda a população de Peruíbe, localizada na região que é guardiã do maior refúgio de Mata Atlântica do país”, conclui Beloyanis Monteiro, coordenador de Mobilização da SOS Mata Atlântica.

Justiça Federal suspende licenças para garimpo no Amazonas

Por Vandré Fonseca
Draga de mineração utilizada para garimpo ilegal de ouro no rio Madeira (AM) é apreendida pelo Ibama. Foto: Ibama.
Draga de mineração utilizada para garimpo ilegal de ouro no rio Madeira (AM) é apreendida pelo Ibama. Foto: Ibama.
Manaus -- Decisão atende a um pedido do Ministério Público Federal, que questiona licenças ambientais concedidas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) a cooperativas de garimpo que atuam no rio Madeira. A liminar impede também que o órgão ambiental conceda novas autorizações para o garimpo na região.
A Procuradoria da República argumenta que a atividade garimpeira no local causa significativo impacto ambiental que ultrapassa os limites do estado do Amazonas. Assim, conforme o MPF, o licenciamento deve ser feito pelo governo federal, via Ibama. Para o procurador Aldo Campos de Campos Costa, é necessária a apresentação de Estudos de Impacto Ambiental para que seja realizado o licenciamento.
Em seus argumentos, ele cita estudos sobre a contaminação por mercúrio em populações ribeirinhas no rio Madeira, além da concentração do metal em casas de ouro em Porto Velho (RO). O procurador destaca que o mercúrio afeta o leito do rio, a floresta e atinge também peixes usados na alimentação humana.
Na semana passada, o Ipaam havia liberado a atividade de cooperativas de garimpeiros que atuam ao longo do rio Madeira, em quatro municípios do sul do estado. A iniciativa gerou críticas, pois contraria resoluções do Conselho Estadual do Meio Ambiente do Amazonas (Cemaam), que tratam do licenciamento de garimpo e uso de mercúrio e cianeto na extração de ouro.
Ontem mesmo o Ministério Público Federal havia ajuizado ações contra garimpeiros flagrados extraindo ouro ilegalmente no entorno da Floresta Nacional de Humaitá, em 24 de outubro. A reação à essa operação resultou em ataques a escritórios do Ibama e ICMBio em Humaitá, além da queima de um barco do Instituto Chico Mendes. A depredação do patrimônio é investigada em outro inquérito.
Ao todo, 26 garimpeiros foram denunciados por usurpação bens da União, conforme previsto na Lei 8.176/1991 (que prevê multa), que trata de crimes contra a ordem econômica, por extração ilegal de bens da união, e extração ilegal de minério, sem autorização, conforme a Lei 9.605/ 1997 (pena prevista de multa e de seis a um ano de detenção).

sábado, 16 de dezembro de 2017

Sensores impressos em plantas mostram hora da irrigação

Sensores impressos em plantas mostram hora da irrigação

Sensores impressos em plantas mostram hora da irrigação
A ideia é criar circuitos eletrônicos tipo internet das coisas, que avisem quando a planta está sem água. [Imagem: Volodymyr B. Koman et al. - 10.1039/C7LC00930E]
Sensor de seca para plantas
Esqueceu de regar as plantas? Que tal permitir que elas lhe mandem um pedido de socorro pelo celular?
Essa é uma das possibilidades criadas com o desenvolvimento de um novo sensor que pode ser impresso nas folhas das plantas e indicar quando elas estão ficando sem água.
Segundo o professor Michael Strano, do MIT, essa tecnologia poderá não apenas salvar as plantas do escritório ou de casa, mas, e mais importante, dar aos agricultores uma informação precisa que permita aplicar a irrigação de forma otimizada, nem mais e nem menos.
"Este parece ser o primeiro indicador de seca que temos para aplicações agrícolas. É difícil obter essa informação de outra maneira. Você pode colocar sensores no solo, ou você pode fazer imagens de satélite e mapeamento, mas você nunca sabe realmente o que uma determinada planta está detectando como potencial de água," disse o pesquisador, que vem trabalhando há alguns anos com plantas biônicas.
Estômatos
O sensor tira vantagem dos estômatos das plantas, pequenos poros na superfície das folhas que permitem que a água evapore. À medida que a água evapora da folha, a pressão da água na planta cai, permitindo que ela sugue mais água do solo.
"As pessoas já sabiam que os estômatos respondem à luz, à concentração de dióxido de carbono, à seca, mas agora conseguimos monitorá-lo continuamente. Os métodos anteriores não conseguiam produzir esse tipo de informação," explicou o pesquisador Volodymyr Koman.
Para criar o sensor, Koman usou uma tinta feita de nanotubos de carbono - eletricamente condutores - dissolvidos em um composto orgânico chamado dodecil sulfato de sódio. Para aplicar a tinta às folhas ele usou um molde de impressão com um canal microfluídico, que permite uma cuidadosa deposição do material.
Os primeiros dados mostraram que os estômatos abrem sete minutos após o nascer do sol e se fecham 53 minutos após o por do sol. Mais importante do que isso, porém, é que esse tempo muda quando a planta está sentindo falta de água, levando até 25 minutos para abrir e fechando-se mais cedo, 45 minutos após o horário de iluminação.
A ideia agora é imprimir os sensores em adesivos, que possam ser rapidamente aplicados nas plantas no campo. Esses adesivos deverão levar também os circuitos eletrônicos necessários para transmitir os sinais lidos das plantas para uma central de monitoramento.
Bibliografia:

Persistent drought monitoring using a microfluidic-printed electro-mechanical sensor of stomata in planta
Volodymyr B. Koman, Tedrick T. S. Lew, Min Hao Wong, Seon-Yeong Kwak, Juan P. Giraldo, Michael S. Strano
Lab on a Chip
DOI: 10.1039/C7LC00930E

Energia limpa pode mudar face do mundo até 2050

Energia limpa pode mudar face do mundo até 2050

Energia limpa pode mudar face do mundo até 2050
Uma adoção generalizada de fontes de energia renováveis pode mudar a face do mundo.[Imagem: Wikimedia Commons]
Mundo com energia renovável
Pelo menos 139 países poderiam ser totalmente abastecidos por eletricidade gerada por fontes eólica, solar e aquática até 2050.
Esta é a conclusão, não exatamente de um estudo ou de um levantamento, mas de um roteiro para a efetivação de um futuro 100% baseado em energia renovável. Uma primeira etapa prevê alcançar 80% de energia renovável em 2030, e a segunda prevê alcançar 100% em 2050.
O roteiro descreve as mudanças de infraestrutura que os 139 países devem fazer para se tornarem totalmente alimentados pelo que hoje são consideradas fontes alternativas de energia.
As análises examinaram os setores de eletricidade, transporte, aquecimento e refrigeração, industriais e de agricultura/silvicultura/pesca de cada país.
Os 139 países - selecionados porque são países para os quais os dados estão publicamente disponíveis por meio da Agência Internacional de Energia - emitem em conjunto mais de 99% de todo o dióxido de carbono de origem humana do planeta.
"Os formuladores de políticas geralmente não querem comprometer-se a fazer algo a menos que haja alguma ciência razoável que possa mostrar que é possível, e é isso que estamos tentando fazer. Existem outros cenários. Não estamos dizendo que há apenas uma maneira de fazer isso, mas ter um cenário dá orientação às pessoas," disse o professor Mark Jacobson, da Universidade de Stanford, coordenador do trabalho. "Tanto os indivíduos como os governos podem liderar essa mudança."
Economia baseada em energia limpa
A transição para uma economia baseada em energia limpa pode significar um aumento líquido de mais de 24 milhões de empregos no longo prazo, uma diminuição anual de 4 a 7 milhões de mortes por poluição atmosférica por ano, a estabilização dos preços da energia e uma poupança anual de mais de US$ 20 trilhões em custos de saúde e ações de adaptação às mudanças climáticas.
Para cada uma das 139 nações, a equipe de 26 especialistas avaliou os recursos de energia renovável disponíveis, o número de geradores de energia eólica que poderiam ser instalados, a disponibilidade de fontes de água (rios e mares), a incidência de energia solar e a área em terrenos e telhados necessária para a instalação dos painéis solares.
"O que é diferente entre este estudo e outros que propuseram soluções é que estamos tentando examinar não só os benefícios climáticos da redução de carbono, mas também os benefícios de poluição do ar, benefícios de trabalho e benefícios de custo," disse Jacobson.
Benefícios de um mundo com energia limpa
Como resultado da transição para a energia limpa, o roteiro prevê uma série de benefícios diretos.
Por exemplo, ao eliminar o uso de petróleo, gás e urânio, a energia associada à mineração, transporte e refinação destes combustíveis também é eliminada, reduzindo a demanda internacional de energia em cerca de 13%. Como a eletricidade é mais eficiente do que a queima de combustíveis fósseis, a demanda deve diminuir 23%.
As mudanças na infraestrutura também significariam que os países não precisariam depender uns dos outros para combustíveis fósseis, reduzindo a frequência dos conflitos internacionais por questões de energia.
"Além de eliminar as emissões e evitar o aquecimento global de 1,5º C e começar o processo de deixar o dióxido de carbono ser drenado da atmosfera terrestre, a transição elimina de 4 a 7 milhões de mortes por poluição atmosférica a cada ano e cria mais de 24 milhões de empregos de tempo integral no longo prazo," disse Jacobson.
Bibliografia:

100% Clean and Renewable Wind, Water, and Sunlight All-Sector Energy Roadmaps for 139 Countries of the World
Mark Z. Jacobson, Mark A. Delucchi, Zack A.F. Bauer, Savannah C. Goodman, William E. Chapman, Mary A. Cameron, Cedric Bozonnat, Liat Chobadi, Hailey A. Clonts, Peter Enevoldsen, Jenny R. Erwin, Simone N. Fobi, Owen K. Goldstrom, Eleanor M. Hennessy, Jingyi Liu, Jonathan Lo, Clayton B. Meyer, Sean B. Morris, Kevin R. Moy, Patrick L. O'Neill, Ivalin Petkov, Stephanie Redfern, Robin Schucker, Michael A. Sontag, Jingfan Wang, Eric Weiner, Alexander S. Yachanin
Joule
DOI: 10.1016/j.joule.2017.07.005

Aranhas que ingerem grafeno e nanotubos tecem teias mais fortes


Aranhas que ingerem grafeno e nanotubos tecem teias mais fortes
O biocompósito foi tecido naturalmente pelas aranhas, que ingeriram uma solução de grafeno e nanotubos de carbono.[Imagem: F. Tomasinelli]
Reforço
Cientistas da Universidade de Cambridge (Reino Unido) e de Trento (Itália) descobriram um modo de fazer com que as aranhas teçam uma seda ainda mais forte e resistente.
Emiliano Lepore e seus colegas deixaram que algumas aranhas construíssem suas teias e depois aspergiram sobre suas casas uma solução de grafeno e de nanotubos de carbono, dois materiais conhecidos por sua extrema força e resistência.

As aranhas ingeriram - ou absorveram - o material a partir do seu ambiente e continuaram levando sua vida normal.

Os cientistas então coletaram as teias que elas teceram desde a aspersão dos nanomateriais e as compararam com as teias tecidas pelas mesmas aranhas antes da aspersão.

Seda biônica
As novas teias apresentaram aumentos significativos na força, tenacidade e elasticidade dos fios, que a equipe chama de "biocompósitos" - materiais compostos sintetizados biologicamente.

Os fios de seda mais fortes apresentaram uma resistência à fratura de até 5,4 GPa, mais de 3 vezes mais forte do que as sedas originais, bem como um aumento de 10 vezes no módulo de resistência, que chegou a 2,1 GPa.

A equipe espera usar as novas sedas superfortes em tecidos biodegradáveis ou têxteis para aplicações especiais, como em para-quedas e vestimentas médicas.

"Ainda estamos nos primeiros dias [dessa nova técnica], mas nossos resultados são uma prova de conceito que abre o caminho para explorar o naturalmente eficiente processo de fiação das aranhas para produzir fibras reforçadas de seda biônica, melhorando ainda mais um dos materiais fortes mais promissores," disse o professor Nicola Pugno.
Bibliografia:

Spider silk reinforced by graphene or carbon nanotubes
Emiliano Lepore, Federico Bosia, Francesco Bonaccorso, Matteo Bruna, Simone Taioli, Giovanni Garberoglio, Andrea C Ferrari, Nicola Maria Pugno
2D Materials
Vol.: 4, Number 3
DOI: 10.1088/2053-1583/aa7cd3

Tecido reversível mantém você quente no inverno e frio no verão

Tecido reversível mantém você quente no inverno e frio no verão

Tecido reversível mantém você quente no inverno e frio no verão
Microfotografias do material (em cima) e estrutura do tecido térmico (embaixo).[Imagem: Po-Chun Hsu et al. - 10.1126/sciadv.1700895]
Ar-condicionado pessoal
Se uma roupa que tira o calor do corpo sem gastar energia não é bom o suficiente, que tal uma que, além de fazer isto, também mantenha o calor no seu corpo quando estiver fazendo frio?

Isto logo será possível com um tecido reversível - que também não gasta energia - que acaba de ser criado por uma equipe da Universidade de Stanford, nos EUA.

A ideia é que o tecido seja usado para fazer um casaco que possa ser usado de um lado no verão, eliminando o calor do corpo. No inverno, bastará virá-lo do avesso, ou seja, vesti-lo ao contrário, para que ele se incumba de manter o calor no seu corpo e o frio do lado de fora.

Tecido térmico
A novidade é um melhoramento em relação a um tecido que expulsa o calor do corpo, que a equipe apresentou no ano passado.

Foi o pesquisador Po-Chun Hsu que percebeu que o controle da radiação termal usada no tecido original pode funcionar nos dois sentidos.

Ele então empilhou duas camadas de materiais com diferentes capacidades para liberar energia térmica e criou um sanduíche colocando camadas de polietileno nos dois lados.
De um lado, um revestimento feito com uma trama de cobre aprisiona o calor entre a camada de polietileno e a pele. Do outro lado, um revestimento de carbono libera calor sob a outra camada de polietileno. Usado com a camada de cobre voltada para fora, o material aprisiona o calor e aquece a pele em dias frios. Com a camada de carbono voltada para fora, ele libera calor, refrescando o usuário.

O protótipo consegue aumentar a temperatura de conforto do usuário em 5ºC, mas a equipe acredita que poderá chegar fácil aos 15º C de variação. Além disso, agora eles estão verificando se o material suporta ser lavado a máquina sem perder a funcionalidade.

Bibliografia:

A dual-mode textile for human body radiative heating and cooling
Po-Chun Hsu, Chong Liu, Alex Y. Song, Ze Zhang, Yucan Peng, Jin Xie, Kai Liu, Chun-Lan Wu, Peter B. Catrysse, Lili Cai, Shang Zhai, Arun Majumdar, Shanhui Fan, Yi Cui
Science Advances
Vol.: 3, no. 11, e1700895
DOI: 10.1126/sciadv.1700895

Experimento faz tempo andar para trás

Experimento faz tempo andar para trás

Experimento mostra que tempo pode andar para trás
Esquema do experimento. [Imagem: Kaonan Micadei et al. (2017)]
Seta do tempo relativa
Uma equipe internacional, liderada por físicos brasileiros, realizou um experimento que mostra que a seta do tempo - o desenrolar contínuo do tempo do passado rumo ao futuro - é um conceito relativo, e não absoluto.
Em um artigo ainda sendo revisado para publicação, a equipe descreve o experimento e o resultado, e também explica por que suas descobertas não violam a segunda lei da termodinâmica.

A segunda lei da termodinâmica estabelece que a entropia, ou desordem, tende a aumentar ao longo do tempo, e é por isso que todo o mundo que nos rodeia parece se desdobrar tempo adiante, nunca dando marcha-a-ré. Ela também explica por que o café quente sempre esfria e nunca se aquece, e coisas desse tipo.
Kaonan Micadei e seus colegas parecem agora ter encontrado uma exceção a essa regra - e uma exceção que funciona de forma a não violar as regras conhecidas da física.

Partículas correlacionadas
A ideia de partículas emaranhadas, ou entrelaçadas, já é bastante conhecida, graças em parte aos esforços para transformá-las em qubits para computadores quânticos.
Mas há uma outra propriedade menos conhecida das partículas subatômicas, ligeiramente diferente do entrelaçamento. É quando as partículas estão correlacionadas, o que significa que elas se ligam de modos que não acontecem no mundo em escala humana. As partículas correlacionadas também compartilham informações, como as partículas entrelaçadas, embora por meio de uma ligação que não é tão forte.

Em seu experimento, os pesquisadores usaram essa propriedade do correlacionamento para mudar a direção da seta do tempo.

O experimento consistiu em mudar a temperatura dos núcleos em dois dos átomos de uma molécula de triclorometano - hidrogênio e carbono - , de modo que a temperatura ficou mais alta no núcleo de hidrogênio do que no núcleo de carbono. Em seguida, a equipe ficou observando como o calor fluía de um núcleo atômico para o outro.

A equipe verificou que, quando os núcleos dos dois átomos não estavam correlacionados, o calor fluiu como esperado, do núcleo mais quente de hidrogênio para o núcleo mais frio de carbono.

Mas, quando os dois estavam correlacionados, ocorreu o oposto - o calor fluiu para trás em relação ao que normalmente é observado. O núcleo quente ficou ainda mais quente, enquanto o núcleo frio ficou mais frio.
Experimento mostra que tempo pode andar para trás
Quando as partículas estão correlacionadas, a energia térmica vai do frio para o quente. [Imagem: Kaonan Micadei et al. (2017)]

Tempo andando para trás
Como é a própria assimetria do fluxo de calor no tempo - a entropia - que determina a seta do tempo, conforme descrito por Arthur Eddington há quase 100 anos, a equipe concluiu que seu experimento inverteu a seta do tempo. Em outras palavras, fez o tempo correr para trás.

"O calor flui neste caso do qubit frio para o quente: a seta do tempo é invertida. Nós caracterizamos quantitativamente a ocorrência dessa inversão calculando o calor real a cada momento," escreveram Micadei e seus colegas.

"Isso abre a possibilidade de controlar ou até mesmo inverter a seta do tempo dependendo das condições iniciais," acrescentaram.

Segundo a equipe, seu experimento não violou a segunda lei da termodinâmica porque a segunda lei pressupõe que não existam correlações entre as partículas - e a correlação foi essencial para que o tempo corresse para trás durante o experimento.

Participaram do trabalho físicos das universidades Federal do ABC, CBPF, USP (Brasil), Nacional de Cingapura, York (Reino Unido) e Erlangen-Nürnberg (Alemanha).
 
Bibliografia:

Reversing the thermodynamic arrow of time using quantum correlations
Kaonan Micadei, John P. S. Peterson, Alexandre M. Souza, Roberto S. Sarthour, Ivan S. Oliveira, Gabriel T. Landi, Tiago B. Batalhão, Roberto M. Serra, Eric Lutz
arXiv
Vol.: 1711.03323
https://arxiv.org/abs/1711.03323

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Estudos ligam cada vez mais o clima extremo às mudanças climáticas

Estudos ligam cada vez mais o clima extremo às mudanças climáticas


Imagem: Los Alamos National Laboratory
Imagem: Los Alamos National Laboratory

Um novo relatório mostra que os estudos publicados desde que o Acordo de Paris foi firmado há dois anos estão ligando cada vez mais as mudanças climáticas a eventos climáticos extremos em todo o mundo. [1]

Desde a conclusão da cúpula do clima da ONU em Paris, em 12 de dezembro de 2015, cientistas publicaram pelo menos 59 artigos sobre a atribuição de eventos climáticos específicos às mudanças climáticas. Destes, 41 concluem que as mudanças climáticas aumentaram os riscos de um determinado tipo de evento extremo, revela a análise da Unidade de Inteligência Energética e Climática (ECIU). Alguns detectam um aumento na frequência, outros aumentam a intensidade ou a duração, ou vinculam um impacto particular às mudanças climáticas, ou uma combinação desses efeitos.

Os eventos meteorológicos estudados abrangem episódios de calor extremo, seca, inundações e ondas de incêndios, e dizem respeito a todos os continentes, exceto a Antártida. Eles abrangem 32 eventos individuais recentes para os quais os riscos aumentaram devido a mudanças climáticas, com outros focando na tendência de longo prazo de riscos crescentes.

Uma pequena proporção dos eventos climáticos extremos individuais analisados ??nestes estudos têm um custo quantificado em termos de vidas perdidas ou danos econômicos. A partir destes, o relatório deduziu que, neste pequeno conjunto de eventos, as mudanças climáticas causaram cerca de 4.000 mortes e cerca de US$ 8 bilhões em danos econômicos. Mas o relatório adverte que esses números não podem ser tratados como o “custo das mudanças climáticas”.

Richard Black, diretor da ECIU e autor do relatório, disse que a compreensão das conexões entre mudanças climáticas e eventos climáticos extremos está evoluindo rapidamente. “Apenas alguns anos atrás, era difícil dizer mais sobre qualquer tempestade, seca ou onda de calor além de que era ‘consistente com o que a ciência prevê’. Cada vez mais, os cientistas podem olhar muito especificamente para um sinal de mudança climática em eventos extremos, e fazê-lo muito rapidamente. Este relatório mostra que cada vez mais, estão descobrindo que os eventos específicos são mais prováveis ou mais prejudiciais pelas mudanças climáticas “.

Comentando, a Dra. Friederike Otto, Diretora Adjunta do Instituto de Mudanças Ambientais da Universidade de Oxford, disse que a rápida evolução da ciência na atribuição de eventos está gerando conhecimento cada vez mais útil para os formuladores de políticas. “Estamos agora descobrindo que, para muitos tipos de eventos climáticos extremos, especialmente ondas de calor e chuvas extremas, podemos estar bastante confiantes sobre o efeito da mudança climática”, disse ela. “Sejam formuladores de políticas analisando questões locais, como proteção contra inundações, sejam negociadores envolvidas em processos globais sobre alterações climáticas, quanto mais informações sobre como as mudanças climáticas impactam o agora e o futuro, melhores serão as decisões que podem ser tomadas. Este relatório da ECIU mostra o rápido crescimento do conhecimento, e acho que só vai acelerar”.

O relatório foi lançado na semana em que líderes mundiais se reúnem novamente em Paris para uma cúpula climática convocada pelo presidente francês Emmanuel Macron, focada na economia da mudança climática.

# # # # #
Notas:
1. O relatório, Heavy Weather: Tracking the fingerprints of climate change, two years after the Paris summit, está disponível em http://eciu.net/assets/Reports/ECIU_Climate_Attribution-report-Dec-2017.pdf
2. O Acordo de Paris foi firmado na conclusão de uma conferência climática da ONU em Paris (COP21) em 12 de dezembro de 2015; entrou em vigor em 4 de novembro de 2016: https://www.ecodebate.com.br/?s=acordo+de+paris
Sobre
A Unidade de Inteligência Energética e Climática é uma organização sem fins lucrativos que apoia o debate informado sobre questões de energia e mudanças climáticas no Reino Unido. A Grã-Bretanha enfrenta escolhas importantes sobre energia e sobre a resposta às mudanças climáticas, e acreditamos que é vital que os debates sobre essas questões sejam fundamentados em evidências e contextos apropriados.

Colaboração de Flavia Guarnieri, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/12/2017

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Singularidade Solar, artigo de José Eustáquio Diniz Alves



crescimento anual da produção global de energia solar

[EcoDebate] O mundo está passando por uma grande revolução da sua matriz energética, passando da era dos poluidores combustíveis fósseis para a era das energias renováveis. O Sol irradia durante 365 dias o equivalente a 10 mil vezes a energia consumida anualmente pela população mundial. Assim, o nosso astro maior pode ser a grande fonte de energia renovável do planeta, tornando-se uma fonte energética que seja abundante e, relativamente, limpa e ecológica.

Segundo Tam Hunt, a “singularidade solar” é o ponto em que a energia solar se torna tão barata na maioria dos países ao redor do mundo que é estabelecida como a nova fonte de energia padrão.


O crescimento da energia fotovoltaica acompanhado do armazenamento de baterias e os veículos elétricos formam revoluções paralelas e entrelaçadas que devem transformar o sistema energético em todo o mundo. Existe a possibilidade de se atingir 100% de energia renovável até 2050.

O gráfico acima mostra que os acréscimos anuais na produção de energia solar passou de 1 GW em 2005 para 74 GW em 2016 e deve alcançar mais de 100 GW em 2021. Portanto, um aumento de 100 vezes em 15 anos. A capacidade instalada pode ultrapassar mil GW no início da próxima década.

O custo da energia é fundamental para o seu futuro desenvolvimento. O preço de um painel solar em 2016 era 30% menor do que era em 2010 – caindo de US$ 1,50 por watt para US$ 0,447 por watt. Isso significou uma redução de 70% em seis anos.

O gráfico abaixo mostra que a queda do preço da produção da energia solar tem caído de forma consistente e já se torna competitiva com as demais fontes energéticas. A singularidade solar cria uma nova situação, pois a energia solar tenderá a crescer exponencialmente quando atingir o nível bem abaixo da paridade dos custos com novas usinas de gás natural, plantas de carvão ou usinas nucleares.

a grande queda do preço da energia solar

A energia solar foi a fonte de mais rápido crescimento em todo o mundo em 2016, superando o crescimento em todas as outras formas de geração de energia pela primeira vez, segundo a Agência Internacional de Energia. A energia renovável representou dois terços do novo poder adicionado às redes mundiais no ano passado. A nova capacidade solar já ultrapassou o crescimento líquido do carvão, anteriormente a maior fonte nova de geração de energia.


A mudança foi impulsionada pela queda dos preços e pelas políticas governamentais, particularmente na China, que representavam quase metade dos painéis solares instalados. O Dr. Fatih Birol, diretor executivo da AIE, disse: “O que estamos testemunhando é o nascimento de uma nova era na energia solar fotovoltaica [PV]. Esperamos que o crescimento da capacidade de energia solar fotovoltaica seja maior do que qualquer outra tecnologia renovável até 2022”.

O gráfico abaixo ilustra a desconexão entre as projeções históricas sobre as instalações dos painéis solares e os desenvolvimentos reais, segundo Hoekstra (12/06/2017). As 12 projeções dos relatórios do World Energy Outlook (WEO) da Agência Internacional de Energia (IEA) ficaram sempre abaixo do crescimento real da energia solar.

annual PV additions

Sem dúvida o avanço da energia solar (juntamente com a energia eólica) substituindo os combustíveis fósseis é uma necessidade urgente para a estabilização da economia e do clima. Contudo, a trajetória de mudança não será simples.


Kurt Cobb considera que a revolução energética, se acontecer na escala necessária, não deve ocorrer de maneira tão rápida e nem com tantos resultados positivos sobre o clima. Gail Tverberg (2014), no artigo: “Ten Reasons Intermittent Renewables (Wind and Solar PV) are a Problem”, relaciona dez problemas que dificultam a superação dos combustíveis fósseis e a mudança da matriz energética mundial para fontes renováveis. Artigo de Kris De Decker (14/09/2017) mostra as dificuldades para manter a economia mundial funcionando apenas com base na energia renovável.


Não resta dúvidas de que a economia internacional precisa reduzir significativamente os subsídios e a dependência dos combustíveis fósseis e aumentar o peso das energias renováveis no conjunto da produção energética, a despeito das dificuldades que precisam ser superadas. A transição energética não pode ser pequena e tardia.


Paralelamente, o mundo também precisa caminhar rumo ao decrescimento das atividades antrópicas, renovando o estilo de desenvolvimento consumista que tem colocado tantas pressões sobre o meio ambiente e a biodiversidade. A transição energética é um primeiro passo. Mas a construção de uma civilização ecológica é a única alternativa para evitar um colapso ambiental.

Referências:


ALVES, JED. Energia renovável: um salto na evolução? Ecodebate, 29/01/2010
http://www.ecodebate.com.br/2010/01/29/energia-renovavel-um-salto-na-evolucao-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. A transição energética: da energia fóssil às renováveis, Ecodebate, 28/07/2017
https://www.ecodebate.com.br/2017/07/28/transicao-energetica-da-energia-fossil-as-renovaveis-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
Tam Hunt. The Solar Singularity: 2017 Update, Green Tech media, March 24, 2017
https://www.greentechmedia.com/articles/read/the-solar-singularity-2017-update-ev-autonomous-energy-storage
Kris De Decker. How (Not) to Run a Modern Society on Solar and Wind Power Alone, Resilience, 14/09/2017 http://www.resilience.org/stories/2017-09-14/how-not-to-run-a-modern-society-on-solar-and-wind-power-alone/
Auke Hoekstra. Photovoltaic growth: reality versus projections of the International Energy Agency, 12/06/2017
https://steinbuch.wordpress.com/2017/06/12/photovoltaic-growth-reality-versus-projections-of-the-international-energy-agency/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/12/2017
"A Singularidade Solar, artigo de José Eustáquio Diniz Alves," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/12/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/12/15/singularidade-solar-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.

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PGR reafirma inconstitucionalidade de decreto do Rio de Janeiro que reduz área da APA de Tamoios

PGR reafirma inconstitucionalidade de decreto do Rio de Janeiro que reduz área da APA de Tamoios


Em parecer enviado ao STF, Raquel Dodge opinou pela procedência do pedido de liminar para suspender a eficácia do dispositivo que reduz área da APA de Tamoios


APA de Tamoios. Foto: Inea
APA de Tamoios. Foto: Inea

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou nesta quinta-feira (14) parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) no qual reafirma a inconstitucionalidade de decreto do Rio de Janeiro que reduz o território da Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a norma promoveu subtração de aproximadamente 15.356 hectares, o equivalente a 68% da área original.


Na manifestação, Raquel Dodge opina pela procedência do pedido de concessão da medida cautelar (liminar) para suspender a eficácia do dispositivo e reitera os argumentos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5676, ajuizada pela PGR, em março deste ano. Segundo ela, edição de decreto que inove o ordenamento jurídico e reduz o âmbito de proteção ambiental de APA invade matéria reservada à lei pela Constituição.


“Configura-se situação de ofensa ao princípio da reserva legal, hipótese na qual o Supremo Tribunal Federal admite controle concentrado de constitucionalidade por meio de ação direta”, argumenta a PGR no documento. A procuradora-geral ainda destaca que os documentos da petição inicial evidenciam a “redução drástica da APA de Tamoios por ato infralegal, o que afasta alegação do presidente do Inea de que o decreto fluminense teria apenas disposto sobre plano de manejo da APA, sem promover alteração territorial”.


A ADI 5676 pede a inconstitucionalidade da expressão “com área total aproximada de 7.173,23 hectares”, contida no artigo 1º do Decreto 44.175/2013, do Estado do Rio de Janeiro, que aprova o plano de manejo da APA de Tamoios e estabelece seu zoneamento. De acordo com a ação, a norma, em total descompasso com o artigo 225, parágrafo 1º, inciso III, da Constituição da República, “promoveu drástica supressão da área submetida a regime de proteção ambiental”. Isso porque o Decreto 9.452/1986 havia fixado o território da APA Tamoios em 22.530 hectares.


A ação também cita parecer técnico da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal (4CCR/MPF), que trata de matéria ambiental, na qual aponta a supressão de proteção jurídica sobre território substancial da APA de Tamoios.


APA Tamoios – A Área de Proteção Ambiental de Tamoios, no município de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, foi criada pelo Decreto 9.452, de 5 de dezembro de 1986, que fixou o território em 22.530 hectares. O Plano Diretor da APA de Tamoios foi instituído pelo Decreto 20.172, de 1º de julho de 1994.


Com a edição da Lei 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), a APA de Tamoios foi recepcionada como Unidade de Conservação (UC) do grupo de uso sustentável. De acordo com a norma, APA é “área em geral extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais”.


Íntegra do parecer

Fonte: Procuradoria-Geral da República

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/12/2017

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Modelos de clima de alta resolução apresentam novas projeções alarmantes para os EUA



pesquisa

University of Illinois at Urbana-Champaign*
Aproximando-se da segunda metade do século, os Estados Unidos provavelmente sofrerão aumento no número de dias com calor extremo, na frequência e duração das ondas de calor. Em resposta, prevê-se que as necessidades sociais, agrícolas e ecológicas irão aumentar a demanda em recursos naturais já esbanjados, como água e energia.


Pesquisadores da Universidade de Illinois desenvolveram novos modelos de clima de alta resolução que podem ajudar os responsáveis políticos a mitigar esses efeitos a nível local.
Em um artigo publicado no jornal Earth’s Future , o professor de ciências atmosféricas Donald Wuebbles , o estudante de graduação Zach Zobel e os cientistas do Argonne National Laboratory, Jiali Wang e Rao Kotamarthi, demonstram como a modelagem de resolução aumentada pode melhorar futuras projeções climáticas.

Muitos modelos climáticos usam uma resolução espacial de centenas de quilômetros. Esta abordagem é adequada para modelos de escala global que funcionam durante séculos no futuro, mas não conseguem capturar características de terra e clima em pequena escala que influenciam os eventos atmosféricos locais, disseram os pesquisadores.

“Nossos novos modelos funcionam em uma resolução espacial de 12 km, o que nos permite examinar mudanças localizadas no sistema climático nos EUA continentais”, disse Wuebbles. “É a diferença entre ser capaz de resolver algo tão pequeno quanto o condado de Champaign contra o estado inteiro de Illinois – é uma grande melhoria”.

O estudo analisou duas futuras futuras projeções de produção de gases de efeito estufa – um cenário “comercial como de costume”, onde o consumo de combustível fóssil permanece em sua trajetória atual e que implica uma redução significativa no consumo até o final do século. O grupo gerou dados para duas projeções de dez anos (2045-54 e 2085-94) e comparou-os com dados históricos (1995-2004) para o contexto.

“Uma das descobertas mais alarmantes na nossa projeção de negócios como de costume mostra que, no final do século, o sudeste dos EUA experimentará temperaturas máximas de verão todos os dias que costumavam ocorrer apenas uma vez a cada 20 dias”, disse Zobel.
Embora não sejam tão graves, outras regiões do país também devem experimentar alterações significativas na temperatura.

“O Centro-Oeste poderia ver grandes eventos de calor incomuns, como a onda de calor de Chicago de 1995, que matou mais de 800 pessoas, tornando-se mais comuns e talvez até até quase cinco vezes por ano até o final do século”, disse Wuebbles. “As ondas de calor aumentam a taxa de mortalidade no Centro-Oeste e no Nordeste porque as pessoas nessas regiões densamente povoadas não estão acostumadas a lidar com esse tipo de calor que frequentemente”.

As temperaturas extremas e a duração prolongada da estação mais quente provavelmente terão um impacto significativo nas culturas e no ecossistema, disseram os pesquisadores. Áreas como o Oeste americano, que já estão lidando com recursos hídricos limitados, podem assistir estações de geada muito mais curtas, levando a um aumento menor na água de derretimento da primavera do que o que é necessário.

“A alta resolução de nossos modelos pode captar variáveis climáticas regionais causadas por formas de relevo locais como montanhas, vales e corpos de água”, disse Zobel. “Isso permitirá que os formuladores de políticas adaptem as ações de resposta de uma maneira muito localizada”.

Os novos modelos se concentram na temperatura e não influenciam o efeito que os padrões regionais de precipitação terão sobre o impacto das mudanças climáticas antecipadas. Os pesquisadores planejam ampliar seu estudo para explicar essas variáveis adicionais.

“O conceito de mudança climática global pode ser um pouco abstrato, e as pessoas querem saber como essas mudanças projetadas os afetarão, em sua comunidade”, disse Wuebbles.

“Nossos modelos estão ajudando a responder a essas perguntas, e é isso que separa nosso trabalho dos estudos maiores e de escala global”.

Referência:
Zobel, Z., Wang, J., Wuebbles, D. J. and Kotamarthi, V. R. (), High Resolution Dynamical Downscaling Ensemble Projections of Future Extreme Temperature Distributions for the United States. Earth’s Future. Accepted Author Manuscript. doi:10.1002/2017EF000642
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/2017EF000642/epdf

*Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/12/2017

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]