quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Valor Econômico – Emissões de CO₂ disparam nos EUA com aceleração da economia

Valor Econômico – Emissões de CO disparam nos EUA com aceleração da economia


Por Agências internacionais

Os EUA elevaram as emissões de dióxido de carbono em 3,4% em 2018, o maior aumento em oito anos, impulsionado pelo forte crescimento econômico, segundo estudo do Rhodium Group. Esta foi a segunda maior alta nas emissões em mais de 20 anos, abaixo apenas do aumento ocorrido em 2010, quando a economia dos EUA se recuperava da Grande Recessão.

De acordo com o estudo, os dois setores que mais contribuíram para o aumento de emissões foram o industrial e de imóveis - frequentemente ignorados na formulação de políticas para energia limpa e de combate a mudança climática.

As emissões geradas pela indústria manufatureira aumentaram 5,7% no ano passado em relação a 2017, enquanto as emissões de edifícios comerciais e residenciais - de fontes como queima de combustíveis fósseis para aquecimento e esfriamento - cresceram 10%, alcançando o nível mais alto desde 2004.

Em comparação, o setor de transportes, ainda a maior fonte de emissão de CO2 dos EUA, registrou um aumento de apenas 1%.

O aumento na poluição gerada por edifícios representa um desafio aos governos e está relacionado com as condições climáticas. Em 2017, o inverno mais ameno reduziu a demanda por aquecimento, mas no ano passado as temperaturas baixas mais normais resultaram num forte aumento no consumo de óleo para aquecimento. Embora os governos locais possam melhorar os padrões de eficiência energética para novas construções, não há muito que se possa fazer para controlar o uso de energia em edifícios comerciais e residenciais existentes.

A produção manufatureira aumentou em 2018, impulsionada pela forte economia. "O setor industrial ainda é quase que totalmente ignorado" pelos governos quanto se trata de políticas climáticas, segundo os autores.

Se não houver uma mudança significativa nas políticas ou uma grande inovação tecnológica, espera-se que o setor industrial se torne um emissor cada vez maior, em termos percentuais, de gases de efeito estufa dos EUA nos próximos anos, diz o estudo. "Esperamos que o setor industrial tome o lugar da energia como a segunda maior fonte de emissões na Califórnia em 2020 e se torne a principal fonte de emissões no Texas em 2020", escreveram os autores.

Os autores do estudo observaram que as emissões poderiam ser menores se o governo Donald Trump não tivesse revertido parte das regras ambientais do governo de Barack Obama.

"Não acho que teríamos visto o mesmo aumento", disse Trevor Houser, sócio da Rhodium, referindo-se às emissões do setor de geração de energia elétrica, que cresceram 1,9%.

Esse aumento na emissões de ocorreu apesar da aposentadoria de um número recorde de usinas térmicas a carvão. Isso porque o gás natural não só superou as fontes renováveis para substituir as velhas usinas como também atendeu a maior parte do crescimento na demanda por eletricidade, segundo o Rhodium Group.

O Globo – Ministro quer ferrovias em unidades de conservação / Entrevista / Ministro Ricardo Salles

O Globo – Ministro quer ferrovias em unidades de conservação / Entrevista / Ministro Ricardo Salles


“É parar de inventar moda na área do campo. A agricultura brasileira é exemplo para o mundo. Ponto. Na cidade, temos muita coisa por fazer”

CATARINA ALENCASTRO

À frente da pasta do Meio Ambiente, Ricardo Salles critica o Ibama e defende flexibilizar restrições em áreas de conservação.

O senhor acabou com a secretaria de mudanças climáticas. Como será a gestão da agenda deste setor e o monitoramento das metas de corte de emissões de gases estufa assumidas pelo Brasil?

Esse papel será da secretaria especial de clima, ligada diretamente a mim. É importante dizer isso, ou fica parecendo que esvaziamos o papel. Não adianta ter uma agenda internacional sem aplicação interna, nem aplicação interna sem saber aproveitar internacionalmente o que se faz aqui.

E qual é a situação brasileira nessa área?

Arrisco dizer que temos muito mais coisa feita no Brasil do que efetivamente benefícios e reconhecimentos internacionais proporcionais ao que se fez no país. Fizemos muito, nos comprometemos muito e colhemos pouco. Agora é hora de colher.

De que forma o senhor pensa em transformar o dever de casa em vantagens econômicas?

Aquela ideia do pagamento por serviços ambientais. Precisamos criar uma fórmula para as pessoas que estão na ponta recebam recursos em razão dos seus sacrifícios, atitudes e boas práticas.

O senhor está falando do proprietário rural?

Estou falando de tudo. Vamos pegar o exemplo da Amazônia. Tem gente que quer desmatamento zero, mesmo na cota dos 20% (o que é possível desmatar, pela lei, dentro de propriedades rurais). Pode até acontecer. Desde que se pague por isso.

Mas as metas climáticas não exigem que o Brasil faça além do que está previsto na lei.

Mas a moratória da soja diz que não pode desmatar na Amazônia Legal. Quando você impede o livre usufruto da propriedade e o direito de produzir, deve colocar à disposição um instrumento de compensação financeira para esses produtores.

A ideia é só para a área rural?

A gente também tem que encontrar uma fórmula para a área urbana. Um exemplo concreto: como tratar os resíduos sólidos no Brasil? Eles são responsáveis por emissões de gases do efeito estufa. Tem que ter um mecanismo para você trazer dinheiro para cuidar disso.

E a sua ideia é trazer recursos internacionais para isso?

É para isso que temos a secretaria de assuntos internacionais. À medida que temos um projeto para melhorar saneamento, poluição dos rios, resíduos sólidos no Brasil como um todo. Todos precisam de recursos, que podem vir também pela parte tecnológica, de monitoramento, por vários caminhos.

O senhor prevê mudanças em relação às metas climáticas que o Brasil apresentou à ONU?

Essa obrigação já está assumida, o problema é que você tem prazos de revisão. Nós não vamos nos comprometer com novas metas. Nosso papel é dizer: olha, a lição de casa está feita até aqui. Quanto que isso vale? Sem recurso não tem manutenção futura. Mas continuaremos fiscalizando.

E o que mais fará?

Fala-se muito do desmatamento da Amazônia. E a emissão de gases estufa na região metropolitana? O ar nas grandes cidades é poluído, os rios, uma vergonha, solo contaminado, supressão de vegetação nas regiões mananciais das grandes cidades por invasão de propriedade, o esgoto não é tratado porque não se quer fazer a pressão política entre os diversos entes federativos. Esta é a verdadeira agenda do momento.

Menos floresta e mais cidade?

É parar de inventar moda na área do campo. A agricultura brasileira é exemplo para o mundo. Ponto. Na cidade, temos muita coisa por fazer.

Como pretende manter as unidades de conservação?

Precisamos ter uma estratégia eficiente de fiscalização. O desmatamento aumentou 14%. Um terço é agricultura e dois terços são esse grupinho aqui (unidades de conservação mais terras indígenas e mais quilombolas). Quem está errado? Essa turminha aqui: Ibama.

O senhor pretende rever os limites e tamanhos das unidades de conservação?

A princípio, não. Acho que precisamos cuidar bem das que nós temos e saber reconhecer que para isso precisamos ter ajuda do setor privado.

Algo além da concessão de parques?

Precisamos saber conviver com o desenvolvimento econômico, com a infraestrutura. Precisa parar de boicotar certas atividades econômicas como se fossem pontos contraditórios: ou tem unidade de conservação ou tem atividade econômica, não é verdade.

Que tipo de atividade o senhor acha que pode ter em unidade de conservação?

Você pode ter ferrovia passando em unidade de conservação e a compensação econômica por ela ser o recurso necessário para cuidar dos outros. Você pode ter uma linha de transmissão numa unidade de conservação e o royalty que ela vai pagar para passar ali ser justamente o recurso, e às vezes até o know how, porque você pode embutir monitoramento por sistema de câmera, por satélite, por drone etc. É essa dicotomia entre desenvolvimento e meio ambiente que tem matado as unidades de conservação.

O senhor vai reclassificar o grau de restrição das unidades de conservação?

Precisamos olhar isso sem preconceito. Tem que olhar caso a caso.

Que outras mudanças virão?

A conservação não pode ser afirmada como uma questão de dogmatismo ideológico. Reconhecer as limitações legais, logísticas do Estado. Vamos trazer uma empresa, uma associação, um parceiro para nos ajudar. Mas qual tem sido a postura? De jeito nenhum, aqui não entra ninguém. O que acontece? Entram os ilegais.

ICMBio e Ibama poderão ser fundidos?

Por ora, não. Quero ver como funcionam separados. Se houver sinergia, vamos juntar.

O governo repete muito a crítica da indústria das multas. Não passa a mensagem de que haverá menos rigor na fiscalização do crime ambiental?

Ao contrário. Só que eu não vou rotular situações em que não houve crime como criminosas simplesmente para fazer oba-oba e dar manchete em jornal. Vamos aplicar a lei.

E hoje não é assim?

Houve um descontrole na aplicação da lei e da fiscalização ambiental e a prova disso é que um percentual muito pequeno dos autos de infração se converte em multas e em punição.

Qual política é mais adequada?

Você tem que ter monitoramento, mas a pessoa que está lá na ponta tem que aprender a respeitar o órgão ambiental. Vamos criar conciliações ambientais: o sujeito recebe o auto de infração e vai para a Câmara de conciliação reconhecer parcialmente sua culpa e seu eventual dano. Não é oito ou 80, ou ele é totalmente criminosa ou tem que ser totalmente inocentado. Há um grau de transigência que hoje não tem. O sujeito trata o produtor como se ele fosse um bandido; e ele, por outro lado (diz): não, sou um anjo. E não é nem anjo, nem bandido. Esse bom senso precisa ter.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Rio pode economizar R$ 156 mi em tratamento de água com restauração de florestas


Rio pode economizar R$ 156 mi em tratamento de água com restauração de florestas

Postado no dia: 17 de dezembro de 2018 Rio pode economizar R$ 156 mi em tratamento de água com restauração de florestas
Estudo mostra que investir no plantio de florestas reduz a quantidade de sedimentos nos rios, diminuindo os gastos da Cedae

A maior estação de tratamento de água do mundo, a ETA Guandu, no Rio de Janeiro, pode reduzir substancialmente seus gastos com investimentos em restauração florestal. Um estudo apresentado nesta quinta-feira (13) indica que plantar florestas pode resultar numa economia de R$ 156 milhões em 30 anos. A estação faz o tratamento da água que abastece 92% da população da região metropolitana do Rio.

O estudo “Infraestrutura Natural para Água no Sistema Guandu, no Rio de Janeiro” mostra que se produtores rurais, empresas, o estado e a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) incentivarem a preservação das áreas naturais remanescentes e o plantio de florestas em 3 mil hectares em áreas altamente degradadas – o que representa 1,4% da bacia –, a quantidade de terra, sujeira e sedimentos que chega nos rios reduziria em 33%. Com menor quantidade de sedimentos, a ETA Guandu deixaria de usar 4 milhões de toneladas de produtos químicos e 260 mil MWh em energia, gerando o retorno do investimento de 13%, compatível com os resultados financeiros de obras no setor.

“O estudo mostra que a restauração florestal torna o sistema de abastecimento do Rio mais resiliente e a economia mais eficiente”, diz Rafael Feltran-Barbieri, economista do WRI Brasil e um dos autores do estudo. “Como o Rio é bastante dependente de uma única estação de tratamento, mesmo que seja a maior do mundo, a floresta desempenha um papel ainda mais importante.”

Segundo Hendrik Mansur, especialista em conservação da TNC e também um autor do estudo, é preciso avançar na restauração florestal de áreas prioritárias na Região Hidrográfica do Guandu com o objetivo de aumentar os serviços ecossistêmicos e a segurança hídrica da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. “A ampliação dos arranjos institucionais já instalados com os mecanismos de governança e os instrumentos financeiros serão fundamentais para o ganho de escala na restauração”, afirma. 

Uma floresta restaurada precisa de tempo para “amadurecer” antes de atingir seu pleno potencial. Assim, o estudo também aponta para a importância de conservar a floresta existente, que já oferece diversos serviços ambientais, como a retenção dos sedimentos. “Conservar as florestas remanescentes e recuperar aquelas que foram derrubadas ao longo de anos são investimentos possíveis. Gestores dos serviços hídricos de todo o país devem considerar essa alternativa, benéfica para a sociedade e para o planeta”, afirma a diretora-executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes.
O estudo foi produzido pelo WRI Brasil, Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e The Nature Conservancy (TNC), e contou com apoio de Fundação FEMSA, União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Instituto BioAtlântica (IBio) e Natural Capital Coalition.

Infraestrutura Natural
O investimento em infraestrutura cinza – obras de transposição, reservatórios e canais – é a principal alternativa adotada pelo poder público no Brasil para enfrentar crises hídricas. O estudo mostra que o investimento em infraestrutura verde ou natural também deve ser considerado.

Infraestrutura Natural são ecossistemas manejados, restaurados ou conservados com capacidade de fornecer bens e serviços essenciais à produção material, saúde e bem-estar humano. Melhorar a qualidade da água está entre os mais preciosos serviços que a restauração da vegetação nativa pode oferecer, dado o papel de filtragem que as florestas exercem na retenção de sedimentos e assoreamento dos cursos d’água. 

A incorporação da infraestrutura natural – ou infraestrutura verde – nos planos de gestão hídrica pode aumentar a eficiência, o desempenho e a resiliência dos sistemas convencionais, reabilitando a paisagem a ofertar água de melhor qualidade às próprias estações de tratamento. Poupam energia, produtos químicos e desgastes de equipamento das estruturas construídas, economizando recursos financeiros e oferecendo co-benefícios ambientais.

Além disso, a restauração e conservação de florestas traz outros serviços ambientais que não foram valorados no estudo, mas são de vital importância para a economia da região, como a polinização, o turismo sustentável e a regulação climática.

Cantareira (SP) já foi analisada
O relatório do Rio de Janeiro faz parte de uma série de estudos sobre a importância de se considerar a infraestrutura natural nos planos de investimentos em abastecimento. O primeiro estudo, publicado em setembro, analisou o caso do Sistema Cantareira, em São Paulo, e mostrou resultados semelhantes: os paulistas poderiam economizar R$ 219 milhões em 30 anos com restauração florestal de 4 mil hectares e conservação de áreas verdes.


Informações adicionais

Sobre o WRI Brasil
O WRI Brasil é um instituto de pesquisa que transforma grandes ideias em ações para promover a proteção do meio ambiente, oportunidades econômicas e bem-estar humano. Atua no desenvolvimento de pesquisas e implementação de soluções sustentáveis em mudanças climáticas, florestas e cidades. Alia excelência técnica à articulação política e trabalha em parceria com governos, empresas, academia e sociedade civil.
O WRI Brasil faz parte do World Resources Institute (WRI), instituição global de pesquisa com atuação em mais de 50 países. O WRI conta com o conhecimento de aproximadamente 700 profissionais em escritórios no Brasil, China, Estados Unidos, Europa, México, Índia, Indonésia e África.

Sobre a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza
A Fundação Grupo Boticário é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial. A Fundação Grupo Boticário apoia ações de conservação da natureza em todo o Brasil, totalizando mais de 1.500 iniciativas apoiadas financeiramente. Protege 11 mil hectares de Mata Atlântica e Cerrado, por meio da criação e manutenção de duas reservas naturais. Atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e nas políticas públicas, além de contribuir para que a natureza sirva de inspiração ou seja parte da solução para diversos problemas da sociedade. Também promove ações de mobilização, sensibilização e comunicação inovadoras, que aproximam a natureza do cotidiano das pessoas.

Sobre a TNC
The Nature Conservancy (TNC) é uma organização global de conservação ambiental dedicada à preservação em grande escala das terras e água das quais a vida depende. Guiada pela ciência, a TNC cria soluções inovadoras e práticas para os desafios mais difíceis do mundo, para que a natureza e as pessoas possam prosperar juntos. Trabalhando em 72 países, a organização utiliza uma abordagem colaborativa, que envolve comunidades locais, governos, setor privado e outros parceiros. No Brasil, onde atua há mais de 25 anos, a TNC promove iniciativas nos principais biomas, com o objetivo de compatibilizar o desenvolvimento econômico e social dessas regiões com a conservação dos ecossistemas naturais. O trabalho da TNC concentra-se em ações ligadas à Agropecuária Sustentável, à Segurança Hídrica e à Infraestrutura Inteligente, além de Restauração Ecológica e Terras Indígenas. Saiba mais sobre a TNC em www.tnc.org.br.

Sobre a Aliança Latino-Americana de Fundos de Água
A Aliança Latino-americana de Fundos de Água é um acordo criado em 2011 entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Fundação FEMSA, o Fundo para o Meio Ambiente Mundial (FMAM)  e The Nature Conservancy (TNC), a fim de contribuir para a segurança hídrica da América Latina e do Caribe através da criação e fortalecimento dos Fundos de Água. A Aliança apoia os Fundos de Água através do conhecimento científico para alcançar e manter a segurançahídrica com soluções baseadas na natureza; da sistematização, da gestão e da disseminação do conhecimento; da capacitação e do suporte técnico; da promoção de um diálogo inclusivo entre atores relevantes da região, promovendo a ação coletiva; da participação ativa na concepção da governança da água e na mobilização de recursos de fontes públicas e privadas. Saiba mais em www.fundosdeagua.org

Educadores ambientais se mobilizam contra extinção de órgão gestor federal

Educadores ambientais se mobilizam contra extinção de órgão gestor federal

Medida pode ter efeito cascata, mesmo no Espírito Santo, que tem política e plano de ação próprios



Os educadores ambientais do Espírito Santo e de todo o país estão mobilizados para reverter a extinção do Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), determinada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) em um de seus primeiros atos de governo, iniciado na última terça-feira (1).

“Os estados têm autonomia, têm política estadual, mas pode haver um efeito cascata e o enfraquecimento da educação ambiental em todo o país”, avalia Martha Tristão, membro da Rede de Educadores Ambientais do Espírito Santo (Recea) e da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação (Anped).

O caráter crítico e transformador da educação ambiental é o principal motivo para que ela seja mais um dos alvos de ataques por parte do governo federal recém-eleito, “um governo conservador, que não quer que a educação ambiental ou a educação de modo geral provoque nenhuma forma de reflexão crítica em relação aos contextos vividos por comunidades, por escolas, enfim, pelas culturas locais”, pondera Martha.

A Anped é uma das entidades mobilizadas para reverter a decisão de “excluir a educação ambiental da macropolítica, pois é isso que faz com que ela tenha força e tenha espaço”, diz a educadora capixaba. São vinte anos de políticas públicas ameaçados por uma caneta, lamenta, lembrando que a Política Nacional de Educação Ambiental foi criada em 1999.

A educação ambiental é uma das estratégias mais utilizadas no processo de sensibilização, conscientização e mudança de atitudes de crianças e adultos com relação à proteção do meio ambiente uma relação mais responsável com a natureza.

Um documento essencial para entender a importância política e filosófica das práticas de educação ambiental para a evolução da humanidade em direção à sustentabilidade é o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, lançado na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92, Rio 92 ou Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992.

A partir daí, o Brasil continuou sendo referência no assunto, inovando, por exemplo, no modelo interministerial de implantação, unindo as pastas de meio ambiente e educação, o que influenciou as ações interinstitucionais nos estados.

O Espírito Santo está muito avançado no setor, tendo aprovado um programa estadual de educação ambiental em 2018, nove anos após a publicação da sua Política Estadual, cuja gestão está compartilhada entre o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e a Secretaria de Estado de Educação (Sedu).

“Os novos secretários das duas pastas têm o compromisso de executar o programa estadual”, enfatiza a também educadora ambiental da Recea, Flavia Nascimento Ribeiro.

“Na verdade, a gente não deveria ter uma educação ambiental específica”, argumenta Flávia. “Se a educação desse conta de tudo o que a gente presencia nesse planeta, a gente não precisaria do adjetivo ambiental, inclusão, étnico-racial, direitos humanos ... Se a gente traz esses adjetivos é sinal de que são questões que precisam ser visibilizadas na sociedade”, diz.

Triplo A e a perda da soberania nacional.

Bolsonaro cita 'Triplo A' e diz que pediu para cancelar Conferência do Clima no Brasil em 2019

 Mapa da proposta do 'Triplo A', de acordo com o projeto do ambientalista colombiano Martín von Hildebrand. Tema, no entanto, não faz parte do Acordo de Paris Foto: Fundação Gaia Amazonas

Mapa da proposta do 'Triplo A', de acordo com o projeto do ambientalista colombiano Martín von Hildebrand. Tema, no entanto, não faz parte do Acordo de Paris Foto: Fundação Gaia Amazonas

Itamaraty anunciou que Brasil deixará de sediar a COP 25 no ano que vem devido a restrições orçamentárias e à transição de governo. Presidente eleito falou em perda de soberania.

Por Guilherme Mazui, G1 — Brasília



Jair Bolsonaro anuncia mais três ministros do futuro governo
Jair Bolsonaro anuncia mais três ministros do futuro governo 

O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (28) que recomendou ao futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que não fosse realizada no ano que vem no Brasil a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 25. 

A Conferência do Clima da ONU discute mudanças climáticas no mundo e como as nações podem trabalhar para reduzir a emissão dos gases de efeito estufa, que provocam a elevação da temperatura no planeta.
Nesta quarta, o Ministério das Relações Exteriores divulgou nota segundo a qual, após "análise minuciosa dos requisitos" para sediar a COP 25, o governo brasileiro decidiu retirar a oferta para receber a conferência, em razão de restrições fiscais e orçamentárias e do processo de transição para a próxima administração.
“Houve participação minha nessa decisão. Nosso futuro ministro, eu recomendei para que evitasse a realização desse evento aqui no Brasil", afirmou Bolsonaro.
Antes de Bolsonaro responder, o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, coordenador do gabinete de transição, tentou orientar a resposta do presidente eleito. "Nós não temos nada a ver com isso. Isso é uma decisão do Itamaraty", disse Onyx a Bolsonaro, em tom mais baixo. Mesmo assim, Bolsonaro respondeu dizendo que interferiu para que a conferência não acontecesse. 

Segundo Bolsonaro, o país que mais preserva o meio ambiente no mundo é o Brasil. "Mas não pode uma política ambiental atrapalhar o desenvolvimento do Brasil. Hoje, a economia está quase dando certo por causa do agronegócio, e eles estão sufocados por questões ambientais", declarou.

No começo de setembro, durante a campanha eleitoral, Bolsonaro ameaçou retirar o Brasil do Acordo de Paris (assinado por 195 países com o objetivo de reduzir o aquecimento global) porque, no entendimento dele, o Brasil teria de abrir mão de 136 milhões de hectares na Amazônia e isso afetaria a soberania nacional.

Essa área, segundo sites de meio ambiente na internet, é apelidada de "Triplo A", uma proposta de corredor ecológico internacional que ligaria os Andes ao Atlântico. 

Durante entrevista nesta quarta, Bolsonaro falou do "Triplo A" ao responder uma pergunta sobre a desistência do Brasil de receber a COP 25. 

"Está em jogo o Triplo A nesse acordo. O que é o Triplo A? É uma grande faixa que pega dos Andes, Amazônia e Atlântico, 136 milhões de hectares, ali, então, ao longo da calha dos rios Solimões e Amazonas, e que poderá fazer com que percamos a nossa soberania nessa área", disse. 

"Quero deixar bem claro como futuro presidente que, se isso for o contrapeso, nós, com toda certeza, teremos uma posição que pode contrariar muita gente, mas vai estar de acordo com o pensamento nacional. Então, eu não quero anunciar uma possível ruptura dentro do Brasil, além dos custos [pela realização da COP] que seriam, no meu entender bastante exagerados, tendo em vista o déficit que nós já temos no momento", declarou.
Anunciados três novos ministros: do Desenvolvimento Regional, do Turismo e da Cidadania
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