sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Água do Rio Paraoapeba, contaminada pela lama tóxica da Vale, traz riscos à saúde

Brumadinho

Água do Rio Paraoapeba, contaminada pela lama tóxica da Vale, traz riscos à saúde

Contato eventual não causa risco de morte, mas consumo humano e animal deve ser evitado. Governo de Minas diz que determinou à Vale para que forneça água potável às regiões afetadas
 
por Redação RBA publicado 31/01/2019 10h57 
 
Ricardo Stuckert
Lama Vale
Contato com a água contaminada pela lama da Vale pode causar náuseas, vômitos, coceira, diarreia, tonteira e outros sintomas

São Paulo – De acordo com resultados iniciais de um monitoramento feito pelo governo de Minas Gerais, as águas do Rio Paraoapeba apresentam riscos à saúde humana e animal em função da contaminação pela lama de rejeitos de mineração da Vale, após o rompimento na última sexta-feira (25) da barragem B1, na Mina do Feijão, em Brumadinho. Até o momento, o crime ambiental causou a morte 99 pessoas. Outras 259 estão desaparecidas.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (31), as secretarias de Saúde, Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Agricultura mineiras recomendam a não utilização da água bruta do Rio Paraoapebas para qualquer finalidade até que a situação seja normalizada. Os órgãos do governo do estado afirmam que o contato eventual com a água contaminada não causa risco de morte.

As autoridades orientam que qualquer pessoa que tenha tido contato direto com a água do rio, ou ingerido alimentos que também tiveram esse contato após a chegada da lama da barragem e que apresentarem sintomas como náuseas, vômitos, coceira, diarreia, tontura devem procurar a unidade de saúde mais próxima.

As orientações são válidas para as comunidades que ficam nas regiões que vão desde a confluência do Rio Paraopeba com o Córrego Ferro-Carvão, próximo ao local da tragédia, até o município de Pará de Minas.

O governo de Minas também afirma que já determinou à Vale que forneça água potável para as comunidades afetadas. Emergencialmente, também foi suspensa a necessidade de autorização para a perfuração de poços artesianos, para que a população consiga meios alternativos de fornecimento de água.

Intoxicação por agrotóxicos atinge quase 100 pessoas no Paraná

Efeitos do veneno

Intoxicação por agrotóxicos atinge quase 100 pessoas no Paraná

Veneno, que desde 2007 é proibido na Europa, foi pulverizado em uma fazenda. E chegou a atingir, entre o total de vítimas, 52 crianças de uma escola próxima
por Redação RBA publicado 19/12/2018 15h15, última modificação 19/12/2018 15h20
Arquivo EBC
Intoxicação por agrotóxicos
Pesquisador alerta em entrevista à Rádio Brasil Atual que o uso de agrotóxicos no estado contribui para uma série de doenças


São Paulo – O uso do agrotóxico Paraquate provocou sintomas críticos em 96 pessoas, na cidade de Espigão Alto do Iguaçu, localizada no estado do Paraná, em novembro, segundo Sistema de Informação de Agravo de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde.  O veneno foi pulverizado em uma área agrícola da região e atingiu uma escola rural localizada ao lado, deixando, entre o total de vítimas, 52 crianças adoecidas.

Com uso proibido na Europa desde 2007, o Paraquate já foi criticado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2017, quando o órgão alertou sobre os perigos causados pela exposição a esse agrotóxico. No entanto, apesar do aviso, sob pressão do agronegócio, a Anvisa afrouxou as regras para o uso do veneno até 2020.

"Aqui no Paraná, nós temos chamando a atenção o alto índice de cânceres de todos os tipos que atingem principalmente as populações do campo, depois temos a má formação congênita, os abortos e problemas que vão atingindo o sistema nervoso e provocam paralisias", destaca o pesquisador Paulo de Oliveira Perna, do Núcleo de Estudos em Saúde Coletivo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Observatório do Uso de Agrotóxicos e Consequências para a Saúde Humana e Ambiental do Paraná, à repórter Beatriz Drague Ramos, da Rádio Brasil Atual, alertando sobre os efeitos dos agrotóxicos no estado.


Congonhas reage a alto risco de rompimento da barragem Casa de Pedra

Tragédia evitável

Congonhas reage a alto risco de rompimento da barragem Casa de Pedra

Moradores cobram da CSN, privatizada em 1993, paralisação de atividades de uma das maiores barragens em área urbana do mundo. Se romper, lama cobre bairro mais próximo em oito segundos
por Cláudia Motta, da RBA publicado 31/01/2019 17h32, última modificação 31/01/2019 19h55
Dam Projetos de Engenharia/Via SEESP
 
barragem casa de pedra
Barragem Casa de Pedra, da CSN: ameaça a Congonhas do Campo

São Paulo – Os moradores de Congonhas do Campo, uma das cidades mineiras consideradas patrimônio histórico e cultural da humanidade, convivem com o medo há anos. Mas desde o crime da Vale, em Brumadinho, o medo se transformou em pavor. Três bairros, onde vivem mais de 5 mil pessoas, estão abaixo do nível da barragem de rejeitos de minérios Casa de Pedra, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), uma das maiores do mundo em área urbana, com 50 milhões de metros cúbicos.

A barragem existe desde a década de 1970, mas com a privatização realizada pelo governo de Fernando Collor, em 1993, foi sendo expandida até chegar, na década de 2010, a esse gigantismo. Para efeito de comparação, a barragem do complexo Mina Córrego do Feijão, rompida em 25 de janeiro, em Brumadinho, tinha capacidade de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de lama de rejeitos. A de Fundão, em Mariana, despejou para o meio ambiente em 2015 mais de 60 milhões de metros cúbicos. 

“Em todos os lugares onde há uma barragem, todas as pessoas que estão embaixo de uma barragem de rejeito hoje, ninguém dorme tranquilo”, afirma a integrante da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) Fernanda de Oliveira Portes.

Classificada como Classe 6 pela Agência Nacional de Águas (ANA), a mais alta em categoria de risco, a Casa de Pedra está acima da cidade de Congonhas. Avaliações técnicas dão conta de que, em caso de rompimento, a lama tóxica cobriria o Bairro Residencial, que está a 200 metros da barragem, em apenas oito segundos. Os rejeitos também se deslocariam por toda a cidade, com 54 mil habitantes, e atingiria comunidades próximas.

“Brumadinho foram 30 segundos, Mariana quatro minutos. Ou seja, não há plano de emergência que consiga dar segurança para as famílias de que se aquilo romper, não vão morrer, não vai acontecer um desastre ainda maior de perda humana, além dos impactos sociais e ambientais”, alerta Fernanda, afirmando que a retirada das famílias seria o ideal, com pagamento de aluguel e indenização para todos.

Essa e outras exigências dos moradores foram entregues nesta quarta-feira (30) à direção da CSN. A pauta de reivindicações foi definida em assembleia realizada com o MAB no dia 29 e o prazo para retorno da empresa é de três dias.

“Queremos que tenha fiscalização dos órgãos ambientais que cobre o processo de licenciamento para operar; paralisação das atividades onde estão essas barragens de risco e fazer o secamento da barragem. E o monitoramento, até que acabem todos os riscos para as famílias”, explica Fernanda.


De acordo com o MAB, no sétimo dia desde o rompimento da barragem foram confirmados 110 mortos, dos quais 71 foram identificados. Ainda há 238 pessoas sem contato ou desaparecidas entre trabalhadores e moradores de Brumadinho. São 108 os desabrigados. A área atingida pela lama, que já percorreu 98 quilômetros, equivale a 300 campos de futebol. 

Brumadinho

A coordenadora do Movimento dos Atingidos por Barragens em Minas Gerais lembra que a barragem da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho, não estava ativa. Mas em dezembro de 2018 a empresa obteve uma nova licença para recuperar o minério de ferro que estava nos rejeitos.
“Não era minerar, mas recuperar e isso de uma certa forma mexe com aquele rejeito”, explica. “Eles alegam que isso seria feito somente a partir de fevereiro, porém a comunidade afirma que já havia caminhões passando lá. Muitos avaliam que já estariam começando a mexer e isso pode ter contribuído para o rompimento da barragem.”

A lama tóxica da Vale já chegou ao rio Paraopebas, responsável pelo abastecimento de toda da região metropolitana de Belo Horizonte. O risco iminente da Casa de Pedra acende mais um sinal de alerta, diz Fernanda. “Temos duas bacias com risco de contaminação: Paraopebas já foi atingido e isso pode chegar ao São Francisco, comprometendo o abastecimento de água em oito estados. A Vale ainda não tratou disso. É um crime ambiental, um massacre, um genocídio humano.”

Na manhã desta quinta-feira (31), integrantes do MAB reuniram-se com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em Brasília, para reivindicar direitos dos atingidos. O objetivo do movimento é que a impunidade no crime da Samarco, em Mariana, não se repita no caso de Brumadinho.

Rússia manda Brasil reduzir agrotóxicos na soja. Caso contrário, deixa de comprar

Em nome da saúde

Rússia manda Brasil reduzir agrotóxicos na soja. Caso contrário, deixa de comprar

Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a "musa do veneno", já foi notificada pelas autoridades russas: produtores brasileiros tem de se adequar aos critérios. Rússia é o quinto maior importador
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 31/01/2019 20h17 
 
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Rússia não vai importar soja brasileira cheia de agrotóxicos
Na contramão, o governo brasileiro tem cedido à indústria de agrotóxicos. Em janeiro, liberou novos registros 

São Paulo – O Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor) anunciou hoje (31) que poderá suspender a importação de soja brasileira. A medida se deve ao descumprimento pelos produtores brasileiros dos limites de agrotóxicos nos grãos estabelecidos pelas autoridades de saúde russas.

O órgão informou ainda que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) já foi comunicado de que deverá tomar providências urgentes. A Rússia é o quinto maior importador da soja brasileira, ficando atrás da China, Espanha, Holanda e Irã.

O anúncio cai como uma bomba sobre a pasta comandada pela ruralista Tereza Cristina (DEM-MS), a "musa do veneno". O apelido foi dado por parlamentares devido aos esforços da então presidenta da comissão especial que aprovou o Pacote do Veneno, deixando-o pronto para votação no plenário da Câmara. O Pacote tem como objetivo facilitar ainda mais o registro, produção, comercialização e aplicação de agrotóxicos.

"Apesar de não ter conseguido aprovar o Pacote do Veneno, a ministra Tereza Cristina está usando o seu cargo para acelerar a entrada de agrotóxicos extremamente tóxicos no mercado brasileiro. Uma prova disso é que só em janeiro foram liberados 28 agrotóxicos e princípios ativos, entre eles, o Sulfoxaflor, que já foi banido nos Estados Unidos e agora só pode ser usado por lá em condições altamente controladas", disse Marcos Pedlowski,  professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense

(Uenf) e colaborador do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Universidade de Lisboa.

O lobby do veneno ganhou muito espaço no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Na última terça-feira (29), o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), William Dib, disse que a agência precisa analisar a segurança dos agrotóxicos, mas que o país também “não pode virar as costas ao agronegócio”.

Ao jornal Folha de S.Paulo, ele disse que “não podemos colocar em risco nem o consumidor nem o aplicador do agrotóxico. Mas também não podemos virar as costas. O Brasil hoje paga suas contas graças ao agronegócio, à exportação, a uma produção que, provavelmente, se retermos os agrotóxicos, não teríamos. Temos que fazer isso com bom senso e segurança”.

“Faz algum tempo que venho alertando para os riscos que as principais commodities brasileiras estão correndo de sofrer um boicote generalizado de seus principais parceiros comerciais, entre outras coisas pelo excesso de resíduos de agrotóxicos, que ultrapassam os limites estabelecidos em outras partes do planeta”, disse Pedlowski.

Para ele, outras medidas semelhantes deverão ser tomadas por outros países. "Se a Rússia que é mais permissiva com agrotóxicos sinaliza assim, a União Europeia será quase que forçada a seguir”.

MP-SP vai aprofundar investigações sobre o ministro do Meio Ambiente

MP-SP vai aprofundar investigações sobre o ministro do Meio Ambiente

195Share to LinkedInShare to WhatsAppShare to Telegram Foto: ANTONIO CRUZ/ABRApesar de o inquérito ter resultado em ação que condenou o ex-secretário de Alckmin, Conselho Superior do MP decide pela continuidade
da Rede Brasil Atual
por Cida de Oliveira, da RBA
Conselho Superior do órgão quer mais informações sobre os motivos que teriam levado Ricardo Salles a alterar mapas e a minuta de decreto de plano de manejo de área ambiental para favorecer empresários
São Paulo – O ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro (PSL), Ricardo Salles, será alvo de novas investigações pelos promotores do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). Na terça-feira (29), o Conselho Superior do órgão foi unânime em rejeitar pedido de arquivamento do inquérito por improbidade administrativa referente à sua gestão frente à secretaria do Meio Ambiente do governo estadual de Geraldo Alckmin (PSDB).
Em vez disso, os conselheiros querem o aprofundamento da apuração sobre as possíveis ligações entre Salles e empresas que teriam sido beneficiadas pelas alterações que ele próprio fez nos mapas e no edital de decreto do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental Várzea do Rio Tietê.
De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, o inquérito que terá continuidade é o mesmo que levou à Ação Civil Pública acolhida pela Justiça, que condenou Salles em dezembro passado, pouco antes de assumir seu posto no comando da pasta do Meio Ambiente no governo federal.
Além de perder os direitos políticos por três anos – que a Constituição considera suficiente para impedi-lo de ocupar qualquer cargo público – Salles teve imposta uma multa equivalente a 10 vezes sua remuneração enquanto secretário estadual de Geraldo Alckmin (PSDB), posto ocupado de julho de 2016 a agosto de 2017.
O inquérito de improbidade foi instaurado em fevereiro de 2017, diante da aprovação, pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente, do plano de manejo com as mudanças indevidas nos mapas produzidos pela Universidade de São Paulo em 2013.
O conselho era presidido por Salles. Na época, o promotores afirmaram que a assessoria técnica do órgão havia detectado alterações em pelo menos seis mapas. E, por coincidência, todas foram para ampliar as áreas para uso de atividades industriais e de mineração.
RBA não teve acesso ao voto dos conselheiros do MP-SP, mas o G1 teve. Segundo a reportagem, o promotor Silvio Marques havia pedido arquivamento por "não ter conseguido reunir provas suficientes para incriminar um determinado grupo de empresas, que também seriam favorecidas pelas alterações nos mapas". E alegou já ter obtido condenação de Salles em primeira instância, fato que levou o MP a ir novamente à Justiça, desta vez pedindo providências contra a sua permanência à frente do Ministério do Meio Ambiente.
Mas o relator do pedido de arquivamento, o procurador e conselheiro Augusto Rossini, "considerou que o caso deve voltar para a promotoria do Patrimônio Público com a designação de um novo promotor para continuar as investigações".
E sustentou seu voto dizendo que "as medidas adotadas afetaram 'a ZPF – Zona de Conservação Hidrodinâmica da Planície Fluvial, alterando-a para ZRPA – Zona de Reordenamento Socioambiental e da Paisagem, em que se permitiriam, em tese, a regularização de parcelamentos do solo e demais formas de ocupação urbana, bem como a ampliação ou continuidade de empreendimentos minerários preexistentes'".
Para o conselheiro, "a prova técnica atribui a determinação ao então Secretário de Estado de Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, e que foram alterados os mapas do Zoneamento do Plano de Manejo da APA Várzea do Rio Tietê para beneficiar as empresas".
Trecho da Ação Civil Publica que acabou em condenação por improbidade. Processo é derivado do inquérito que terá continuidade e será aprofundado
O voto ainda destaca que "o setor de perícias do Ministério Público (CAEX) apontou que exatamente na área onde foi fraudulentamente alterado o mapeamento do projeto do referido plano de manejo funcionava uma indústria que fora autuada ao menos por duas vezes – em passado recente, pela CETESB" e que não ficou claro, 'se essa indústria era ou não a Suzano Celulose e Papel S/A que chegou a ser investigada nos autos'".
Segundo a Ação Civil Pública resultante do inquérito, fotografias demonstram que "as alterações fraudulentas "incidem em áreas de empresas ou a elas contíguas". São elas a Preferida Indústria e Comércio Ltda, Jofege Pavimentação e Construção LtdaCompanhia Suzano de Papel e Celulose, Laboratórios Griffiths do Brasil Ltda e Miranda Industrial Ltda.

Enriquecimento

Coincidentemente, o período em que Ricardo Salles mais prosperou corresponde àquele em que esteve no governo de Geraldo Alckmin. Em março de 2013, o tucano nomeou Salles como seu secretário particular, que em julho de 2016, após meses fora do Palácio dos Bandeirantes, voltou já no cargo de secretário estadual de Meio Ambiente.
De acordo com declarações de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o atual ministro tinha um patrimônio de R$ 1.456.173,56 em 2012. Em 2018, subiu para R$ 8.859.414,45, um crescimento na ordem de 500%.
Em 2006, quando se candidatou pela primeira vez a deputado federal pelo PFL-SP, o fundador do movimento Endireita Brasil e ligado aos ruralistas declarou patrimônio de apenas R$ 219.336,46, pulverizado em contas em dois bancos, um carro popular, aplicação em renda fixa, ações da Telebras e metade de um apartamento.
O ministro de Bolsonaro sempre teve proximidade com o empresariado. Tanto que sua agenda oficial até aqui tem sido preenchida com encontros com empresários e políticos ligados a interesses do agronegócio, da mineração, setor imobiliário, combustíveis e bancos.
E entre seus financiadores de campanha ao cargo de deputado federal que disputou em 2018, pelo Novo, estão mais de 100 empresários do agronegócio, armas, munição, seguros e aluguel de veículos, entre outros.

Órgãos ambientais relatam que a Samarco pagou menos de 7% das multas ambientais após Mariana


Órgãos ambientais relatam que a Samarco pagou menos de 7% das multas ambientais após Mariana



Dados divulgados por órgãos ambientais revelam que a Samarco, três anos após a tragédia de Mariana (MG), pagou R$ 41 milhões das multas que lhe foram aplicadas. O valor corresponde a menos de 7% do que é cobrado.

ABr


O distrito de Bento Rodrigues, dois anos após o rompimento da barragem – José Cruz/Arquivo/Agência Brasil
O distrito de Bento Rodrigues, dois anos após o rompimento da barragem – 
José Cruz/Arquivo/Agência Brasil

Na mais nova tragédia, ocorrida na última sexta-feira (25) em Brumadinho (MG), duas multas foram impostas à mineradora Vale, responsável pela Mina Feijão, onde a barragem se rompeu.
Uma delas, no valor de R$ 99 milhões, foi aplicada pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad). A outra, de R$ 250 milhões, veio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os dois órgãos, no entanto, ainda devem estabelecer mais multas.

No caso da tragédia de Mariana, a Semad lavrou 31 autos de infração impondo multas à Samarco. Após a empresa apresentar recursos, cinco deles foram anulados. Do restante, a mineradora quitou apenas parcialmente um deles, na qual foi autuada por causar poluição e degradação ambiental resultando em graves danos aos recursos hídricos e prejudicando a saúde, a segurança e o bem-estar da população.

Neste auto de infração, o valor atualizado da multa está em R$ 127,6 milhões. O pagamento foi dividido em 60 parcelas e, até o momento, foram quitadas 17, que somam pouco mais R$41 milhões. De acordo com a Semad, esta é a única multa em fase de execução porque já foi julgada em primeira e segunda instância. As demais aguardam a avaliação de recursos apresentados pela Samarco.

Considerando todos os autos de infração válidos, os dados fornecidos pelo órgão ambiental mostram que a mineradora deve ainda R$ 264 milhões, valor que poderá ser reduzido caso ela obtenha decisões judiciais favoráveis. A maior da multas, cujo montante é de R$180 milhões, está relacionada com a mortandade de peixes na bacia do Rio Doce.

Ibama
A tragédia de Mariana ocorreu em 5 de novembro de 2015 a partir do rompimento de uma barragem da Samarco. No episódio, houve 19 mortos, centenas de desalojados e danos ambientais que se estenderam até a foz do Rio Doce, no Espírito Santo. Na ocasião, foram responsabilizadas além da Samarco, as duas acionistas da empresa. Um delas é a própria Vale e a outra é a multinacional anglo-australiana BHP Billiton. As três mineradoras fornecem recursos para as ações de reparação dos danos. As multas ambientais, no entanto, foram direcionadas à Samarco.

Além da Semad, o Ibama instaurou 25 processos para apurar infrações ambientais e impôs multas que totalizam R$ 350,7 milhões. A mineradora apresentou recursos e nenhuma delas foi paga até o momento. “Apesar de os autos terem sido confirmados, a Samarco insiste em recorrer das decisões administrativas, buscando afastar sua responsabilidade pelo desastre. Medidas legais e necessárias à cobrança dessas multas estão sendo tomadas, inclusive a remessa dos débitos para inclusão na Dívida Ativa da União”, diz o órgão.

Por sua vez, a Samarco afirma que, sobre essas autuações, “há aspectos jurídicos em análise”. Somadas, as multas impostas pelos órgãos ambientais estadual e federal totalizam R$ 656,5 milhões. Nas contas da mineradora, foram pagos, por enquanto, R$ 45 milhões em multas ambientais, valor que diverge dos R$ 41 milhões calculados pela Semad. Em todo caso, o montante não supera 7% do valor total.

Por Léo Rodrigues, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/01/2019

"Órgãos ambientais relatam que a Samarco pagou menos de 7% das multas ambientais após Mariana," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/01/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/01/31/orgaos-ambientais-relatam-que-a-samarco-pagou-menos-de-7-das-multas-ambientais-apos-mariana/.

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Brasil registra, em média, mais de três acidentes em barragens por ano


Brasil registra, em média, mais de três acidentes em barragens por ano



Faltam dados básicos no sistema nacional que orienta as políticas de segurança contra acidentes em barragens como o de Brumadinho

Por Bruno Fonseca, Agência Pública
Agência Pública

  • Três quartos das barragens em cadastro nacional não possuem informações básicas
  • Relatórios indicam perigo de novos acidentes em todo o Brasil
  • Em Minas Gerais, há um grande acidente com barragens a cada dois anos

No Brasil, há em média mais de três acidentes com barragens a cada ano. Os dados são compilados pela Agência Nacional de Águas (ANA), responsável pelo Relatório de Segurança de Barragens (RSB), divulgado anualmente e encaminhado ao Congresso.

Os acidentes incluem o rompimento de grandes barragens com vítimas fatais, como o da Mina do Feijão, da Vale, em Brumadinho (que deverá entrar no relatório de 2019), mas também outros eventos menores que levaram a alagamentos ou suspensão do abastecimento de água.

Desde 2011, quando o primeiro relatório foi produzido, até 2017, a ANA registrou 24 acidentes. Contudo, o número real é maior: a própria agência reconhece que há acidentes não relatados e mesmo barragens que não foram informadas ao governo federal.

Além dos acidentes, os relatórios contabilizaram mais de sete incidentes com barragens por ano. Esse tipo de notificação ocorre quando há alguma ocorrência na barragem que, se não for controlada, pode levar a um acidente. Em sete anos, foram 52 incidentes.

Registros de acidentes e incidentes em barragens brasileiras
Registros de acidentes e incidentes em barragens brasileiras
Em cada quatro barragens do sistema nacional, faltam dados básicos em três

Os dados que alimentam a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), criada em 2010, são incompletos. No último relatório, sete anos após a publicação da lei, três quartos de todas as barragens informadas à ANA não possuíam informações suficientes para determinar se deveriam entrar na política de segurança. Faltavam dados básicos como altura da barragem, capacidade do reservatório e classificação do dano potencial.

Com isso, mais de 18 mil estruturas – de um total de cerca de 24 mil – aparecem de forma incompleta no radar federal. O problema da falta desses dados é que mesmo uma barragem pequena pode estar sujeita à fiscalização, segundo os parâmetros da PNSB, caso o Dano Potencial Associado (DPA) seja considerado médio ou alto. E é justamente essa classificação de dano que é utilizada para embasar os planos de segurança em caso de acidentes.

Os dados dos relatórios da ANA são falhos, entre outros motivos porque são coletados junto a outras agências fiscalizadoras: a Agência Nacional de Mineração (ANM), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e órgãos estaduais – que podem fazer seus próprios balanços com base em outros critérios.

Esses órgãos também dividem a fiscalização das barragens: a maior parte fica sob encargo da Agência Nacional de Mineração (ANM), responsável por 790 reservatórios. Em 2017, apenas 211 foram verificadas pela agência. A equipe de vistoria era de apenas 20 pessoas. A ANA, responsável pelo relatório de segurança, vistoriou 24 barragens. Em Minas, a secretaria estadual informou a vistoria de 125 estruturas.

Há outro dado preocupante no sistema nacional: duas em cada cinco barragens registradas não possuem atos de autorização, isto é, se foram outorgadas, concedidas, licenciadas, entre outros. Em tese, o proprietário da barragem ou do terreno onde ela está pode ser multado pelo governo federal caso não haja autorização.

Fonte: Relatório de Segurança de Barragens 2017, da Agência Nacional das Águas (ANA)
Fonte: Relatório de Segurança de Barragens 2017, da Agência Nacional das Águas (ANA)
Em 2016, o senador pelo PSDB do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, chegou a propor um projeto de lei para endurecer a fiscalização de barragens. Dentre vários pontos, o texto inicial previa multa e até prisão de donos de reservatórios que não mantivessem atualizados os dados no sistema nacional de informações sobre barragens. O projeto foi arquivado em dezembro de 2018, um mês antes do rompimento da barragem em Brumadinho.

Procurada, a ANA respondeu que em 2018 a agência registrou 17 autos de infração, num total de mais de R$ 260 mil em multas a responsáveis por barragens em alguma situação de irregularidade.
Dados apontam barragens comprometidas em Minas Gerais e em todo o Brasil

No relatório de 2017, a ANA aponta 45 barragens como comprometidas, a maioria no Nordeste. Em Minas Gerais, havia cinco barragens em perigo: quatro nas cidades de Nova Lima e Rio Acima, na região metropolitana de Belo Horizonte, e uma em Ouro Preto.

No dia 29 de janeiro, quatro dias após o rompimento em Brumadinho, o governo federal divulgou que 3.386 barragens consideradas prioritárias serão fiscalizadas. Contudo, a maior parte dessas estruturas (2.562) são de competência dos governos estaduais.

Já nos registros da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) de Minas, em 2017 havia 22 barragens no estado para as quais o auditor não garantiu a estabilidade do reservatório ou não chegou a uma conclusão por falta de dados ou documentos técnicos. Além de barragens de mineração, há reservatórios de indústrias e de destilarias de álcool, que estão em 13 cidades do estado.

Minas Gerais é justamente um dos estados com a maior inconsistência entre os dados do sistema federal e os coletados estadualmente: no relatório da ANA, constam apenas 57 barragens em Minas Gerais; já no registro da Feam há 698. Questionada pela Pública, a Feam não respondeu a razão da diferença. Em justificativa ao relatório da ANA, a Feam havia afirmado que o cadastro de barragens do órgão segue outras diretrizes, as do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). A reportagem também perguntou à Feam o motivo de não seguir a diretriz do plano nacional de segurança no envio dos dados, mas o órgão não respondeu ao questionamento.

Do total de 698 barragens apresentadas pela Feam, 205 são de classe 3, que são as que apresentam maior risco a pessoas e ao meio ambiente em caso de acidente. A maior parte das barragens em Minas Gerais são justamente as de mineração (62,3%), que se concentram sobretudo na bacia do rio São Francisco – que deve ser afetado pelo rompimento da barragem de Brumadinho.


Minas Gerais tem um grande acidente com barragens a cada dois anos
Ao menos desde 2001, o estado de Minas registrou em média um acidente envolvendo barragens a cada dois anos. O levantamento foi realizado pelo professor Bruno Milanez, do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Segundo Milanez, ele optou por desconsiderar as informações da ANA pela falta de confiabilidade do material: “Os primeiros relatórios eram melhores, eles colocam os motivos da classificação de risco, se tem comunidade a jusante ou não, se tem infraestrutura importante, unidade de conservação…

Isso, nos relatórios atuais, deixou de ser colocado. Outra coisa: eu não consigo encontrar o relatório do auditor que disse que a barragem era estável. Isso poderia estar disponível. São informações que deveriam ser públicas”, critica.

O primeiro acidente com barragem registrado por Milanez ocorreu em 2001, quando o rompimento do reservatório da empresa Mineração Rio Verde matou cinco pessoas em Nova Lima, na região da Grande Belo Horizonte. Mais de 6 km do córrego Taquaras foram assoreados pelo rompimento do reservatório de rejeitos de minério de ferro. Uma área de proteção ambiental de Mata Atlântica foi afetada.

Nesses quase 20 anos, outros acidentes fatais se seguiram: além de Mariana, em 2015, houve morte de três pessoas no rompimento da barragem em Itabirito, em 2014, da Herculano Mineração.
Mesmo acidentes sem mortes tiveram consequências devastadoras: o rompimento do reservatório da Mineradora Rio Pomba, em Cataguases, despejou mais de 2 milhões de metros cúbicos no rio e levou ao deslocamento de mais de 4 mil pessoas de suas casas em 2003.

“A média é alta. De dois a dois, três a três anos você está tendo um acidente muito severo. O país é grande produtor de minério de ferro e outros materiais e você tem acidentes sequenciais, com muitas perdas humanas”, avalia o professor de engenharia hidráulica da Universidade Federal de Itajubá Carlos Martinez.

Segundo Martinez, a política nacional de segurança para barragens ainda não é eficaz e o Estado brasileiro é responsável pela falta de aplicação da legislação. “A Lei tem que pegar, como a gente diz no Brasil. Não temos fiscais suficientes, não temos estrutura dedicada à fiscalização. É tudo muito precário. O Estado brasileiro tem uma responsabilidade enorme no que aconteceu, basta ver o que o Legislativo dos estados fez após Mariana”, comenta.

O professor defende que a fiscalização de barragens deveria ser centralizada no governo federal, com atuação do Exército. “Para mim, a fiscalização deveria ser feita pelo corpo de engenharia do Exército brasileiro. Atualmente a fiscalização é um grande negócio, com contratação de empresas de consultoria. Ninguém quer abrir mão de um grande negócio”, avalia.

Questionado sobre a centralização ou não da fiscalização de barragens, Milanez pondera: “No mundo ideal, talvez centralizar faria mais sentido. Mas no mundo real, se você mantém no nível estadual, você pulveriza o risco, pois, com as mudanças de governo, enquanto um estado melhora, outro piora. Já no nível federal, se houver uma piora, toda a fiscalização seria prejudicada. Um possível ponto de meio-termo seria o licenciamento e controle de algumas obras mais simples ficarem no nível estadual e as mais complexas, no nível federal”, sugere.

Da Agência Pública, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/01/2019


"Brasil registra, em média, mais de três acidentes em barragens por ano," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/01/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/01/31/brasil-registra-em-media-mais-de-tres-acidentes-em-barragens-por-ano/.

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Brumadinho é Velho Chico, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)


Brumadinho é Velho Chico, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)


artigo de opinião

[EcoDebate] Brumadinho pertence à vasta bacia hidrográfica do São Francisco (Uma das 12 Regiões Hidrográficas do Brasil, segundo a ANA), desaguando no Paraopeba, que deságua dentro da barragem de Três Marias, a primeira de uma cascata de barragens ao longo do Rio São Francisco.


O Brasil criou uma legislação da água com a Lei 9.433/97, tendo como base de planejamento as bacias hidrográficas. A mesma lei criou uma política nacional de recursos hídricos, tendo os comitês de bacia na base e no topo o Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Depois FHC criou a Agência Nacional de Águas (ANA) como um corpo estranho à lei, mas era a construção das Agências Reguladoras no Brasil, para oferecer segurança jurídica ao capital.


O Comitê da Bacia do São Francisco foi um dos primeiros a ser criado. Ele tem a obrigação legal de criar o Plano de Bacia, que tem composição tripartite, isto é, poder público, sociedade civil e usuários. Aí no meio dos usuários estão as mineradoras, as indústrias, o agronegócio e as geradoras de energia. O capital impõe seus interesses, apesar da boa vontade de tantos que participam dos comitês de bacia ao longo do Brasil.

Em poucos dias as águas vermelhas de Brumadinho chegarão à barragem de Três Marias, mesmo que fiquem contidas por algum tempo nas barragens intermediárias. Com as chuvas, é questão de tempo.


Virão juntos todos os contaminantes de metais pesados – cobre, manganês, zinco, cromo, cobalto, níquel, chumbo – que se espalharão pela calha do Velho Chico, por cerca de dois mil km, passando aqui entre Juazeiro e Petrolina, até chegar ao mar entre Sergipe e Alagoas. São 15 milhões de pessoas, espalhadas por inúmeros municípios, ao longo de cinco estados. Agora temos que somar os paraibanos da região de Campina Grande que também bebem dessa água.

Bolsonaro não inaugurou o menosprezo pela natureza aqui no Brasil. Apenas se propõe a consolidar e aprofundar esse desprezo, já que é assim mesmo que o capital trata o meio ambiente. Há coerência de sua parte. Porém, a eliminação da Amazônia, do Cerrado vai aos poucos eliminando nossa malha hidrográfica antes abundante e que nos colocava no privilégio mundial de deter 13% das águas doces do planeta. Entretanto, as mineradoras e outras poluidoras nos oferecem a dádiva de acabar com a qualidade das nossas águas.

Sinceramente, grande parte das esquerdas jamais entendeu e respeitou nossa luta pelo meio ambiente, nunca entendeu que as desgraças são socioambientais e também nos acham como empecilhos do progresso e do desenvolvimento. Há conflitos entre o meio ambiente e os interesses econômicos que são insuperáveis, ou seja, ou um ou outro, jamais os dois ao mesmo tempo. É o caso da devastação da Amazônia e do Cerrado pelo agronegócio, ou dos “dejeitos” das mineradoras.

Termino esse texto com a frase no zap de uma pessoa da família que mora perto de uma usina de cana: “Bom dia, hoje amanhecemos tomando um banho de veneno do avião pulverizador da usina”.
De Brumadinhos e banhos de veneno será o governo Bolsonaro, mas não só o dele.

Roberto Malvezzi (Gogó)*, Articulista do Portal EcoDebate, possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco. Membro da Equipe de Assessoria da REPAM (Rede Eclesial Pan Amazônica)
www.robertomalvezzi.com.br


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/01/2019
"Brumadinho é Velho Chico, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/01/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/01/31/brumadinho-e-velho-chico-artigo-de-roberto-malvezzi-gogo/.

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Porque preferir alimentação natural, artigo de Roberto Naime


Porque preferir alimentação natural, artigo de Roberto Naime




alimentação natural
Foto: EBC

[EcoDebate] Existe antigo axioma popular que manifesta “se o alimento é puro, a mente também será pura, e se a mente é pura, o espírito será puro também”. Mas não é só por isso que se deve preferir alimentação natural, esta é apenas uma indicação.

Existe o crescimento em todo o mundo do interesse por uma alimentação equilibrada e saudável, mas ainda existe muita confusão a respeito de quais alimentos deve realmente ingerir ou evitar.

É sabido que a preferência por alimentos integrais produzidos de modo natural constitui adequada alternativa. São substâncias alimentares nas quais nada foi acrescentado como agrotóxicos e fertilizantes químicos e das quais nada foi retirado, como tende a acontecer com os produtos ditos “refinados”.

Podemos lembrar alguns que fazem parte destas substâncias alimentare. Os cereais integrais como arroz e trigo, os frutos secos como nozes, amêndoas, figos e amendoins, e as sementes de gergelim, abóbora, girassol. As frutas e hortaliças frescas e ainda os laticínios provenientes de animais criados em condições harmônicas.

Os cereais, como o arroz e o trigo, são uma excelente fonte de carboidratos ricos em amidos e fibras. Os farelos são compostos pela casca externa indigerível destes grãos, mas igualmente importantes e extremamente enriquecidos em nutrientes.

Os benefícios trazidos pelos cereais integrais e farelos à saúde são de grande relevância para o organismo.

Ajudam a regular o funcionamento do sistema gastro-intestinal, auxiliam a diminuir as taxas de colesterol no sangue e geram sensações de saciedade que pode levar à perda de peso, além de reduzir o risco de alguns tipos de câncer, especialmente os associados à obesidade, como no intestino e no estômago.

Mas não se deve exagerar ou extrapolar, e sempre deve ser mantido equilíbrio O ideal mesmo é consumir os farelos em alimentos com as substâncias das quais sejam gerados, como o arroz integral e o pão integral. Evitando assim ingestão pura.

Alimentação natural é a base da satisfação resultante da harmonia para a saúde.

Todo alimento que se ingere possui nutrientes os quais, no processo da digestão são absorvidos e passam a fazer parte de nosso organismo, de nossos ossos, do sangue, dos tecidos, da essência mais sutil de nosso metabolismo bioquímico. Os alimentos tem uma correspondência direta sobre o humor, temperamento, impulsos e pensamentos e ainda, com a energia para atividades em geral.

A alimentação é fundamental na qualidade de vida de todos os indivíduos. Independentemente de escolas de alimentação como a macrobiótica que determinação de digestão a partir da exaustiva mastigação do alimento, não se deve praticar absorção dos alimentos de uma forma mecânica, rápida, inconsciente, engolindo sem mastigar, ingerindo em pé, lendo ou vendo televisão.

Alimentação deve ser um ritual social e sensorial, uma celebração de vida, calma, paciente e persistente. Não pode ser modulada ou determinada apenas pelas agruras do tempo no atual estágio de vida da civilização humana.

É a vida que necessita ser celebrada quando a fantástica bioquímica de viver se expressa. Não se pode Cultivar na mente e no coração, pensamentos e sentimentos que bloqueiam totalmente a capacidade de assimilar o alimento de maneira mais equilibrada.

Deste modo o funcionamento do organismo é perturbado, pois nenhum processo pode continuar sua evolução natural adequadamente, não havendo nem a digestão, nem a absorção dos princípios nutricionais ou energéticos dos alimentos, nem a eliminação das toxinas pelo bolo fecal, urina ou suor.

A forma como ocorre o relacionamento com os alimentos é a mesma como se determinam as diretrizes de vida.

Por esse motivo se deve imprimir rotinas que estabeleçam outra dinâmica com os alimentos ingeridos diariamente, pois neste procedimento se determina a qualidade de vida e a manutenção e incremento da saúde individual.

Existem muitas pessoas que adoecem, sem consciência que os seus males decorrem da maneira como se alimentam e dos alimentos adquiridos para seu uso e de seus familiares.

Alergias, doenças cardiovasculares, câncer, estresse, corrimentos, dores de cabeça, anemias, cálculos, depressão, ansiedade, hemorroidas, varizes, colites, prisão de ventre, gastrites, inflamações, sinusites, amigdalites, insônia, pesadelos, irritabilidade, cegueira, dermatites, diabetes, obesidade, são frequentemente decorrentes de desequilíbrios para os quais a alimentação contribui de maneira muito significativa.

Nos países orientais, as escolas de medicina sofrem profunda influência de doutrinas naturalistas, e desenvolveram ao longo do tempo, uma forte tendência a alicerçar a base de seus ensinamentos na alimentação vegetariana.

Considerando que os alimentos vegetais selecionados de acordo com critérios filosóficos e segundo seus feitos medicinais, são os mais adequados para a nutrição do homem.

Ensinam também que o consumo de carne e produtos derivados quando necessário, devem ser consumidos em menor proporção, buscando sempre o equilíbrio com a forma de vida de cada indivíduo.

É necessário que a alimentação humana resgate a escolha e qualidade das substâncias alimentares e volte a fazer de cada reposição de nutrientes, um ritual social e cultural de celebração de vida.


Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

Referência:

http://www.nossoespaco.ipt.com.pt/central/ene/x14yv92w.htm

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/01/2019

"Porque preferir alimentação natural, artigo de Roberto Naime," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/01/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/01/31/porque-preferir-alimentacao-natural-artigo-de-roberto-naime/


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Carta aberta de um guia turistico

Li algum comentário seu a respeito da tragédia de Brumadinho. Mas o que li não foi empatia com os que perderam tudo - alguns perderam suas casas; outros, seu gado e principalmente aqueles que perderam seus entes queridos. Você, seu canalha, não se preocupa com nada disso. Você usa a tragédia para uma agenda pessoal sua, baseada numa ideologia nefasta que tem um único objetivo: demonizar a única democracia do Oriente Médio. Ou talvez tenha uma outra: externar seu profundo racismo antissemita vomitando mentiras.
Sr. Canalha, ninguém dos seus aliados se dispôs a vir ajudar nossos sofridos irmãos de MG. Repito, NENHUM DELES.
Não apareceu ninguém de Cuba, que aqui estiveram mamando alguns anos. Ninguém da vizinha Venezuela. Nem da Coreia do Norte.
Tampouco seus Palestinos queridos, nem sequer os Libaneses, Egípcios, Sírios, Iraquianos, Turcos, Sudaneses, Argelinos, Omaneses, Marroquinos, Tunisianos, Líbios, Jordanianos, Malaios, Somalianos. E ninguém dos trilhardários Qatarianos, do Bahrein, de Dubai, de Abu Dhabi, do Kwait ou da Arábia Saudita.
Todos eles mamam bastante aqui - seja recebendo frango a preços infinitamente menores que os Brasileiros pagam, seja recebendo apoio nos diversos fóruns internacionais.
Mas recebemos ajuda de um paisinho pequeno, a única democracia no Oriente Médio, com uma população menor que a Cidade de São Paulo (na verdade, similar à população carioca).
Este país é Israel. Cercada por inimigos que a querem ver destruída, e mesmo ameaçada por terrorismo, mísseis, foguetes e suicidas, Israel retirou 130 de seus militares e os mandou para cá.
Ao invés de defender a população de Israel constantemente ameaçada, eles vieram aqui salvar vidas e trazer consolo aos familiares de quem as perderam.
Israel trouxe médicos, enfermeiros, engenheiros, cães farejadores e o equipamento sonar mais desenvolvido do mundo para ser solidária, para minorar sofrimento.
Mas você, Sr. Canalha, enxergou só o que gostaria de ver. Através de lentes manchadas de sangue e ódio você viu ingerência aonde há solidariedade, você viu ambição onde há doação, você viu manipulação onde há compaixão, você viu maldade onde há um ombro amigo.
Por isto, Sr. Canalha, exatamente por isto, é que sua ideologia nunca deu certo. Nas tiranias de esquerda, a população foge (Cuba, Venezuela, Alemanha Oriental de outrora) ou é prisioneira (Coreia do Norte, Albânia). Nas tiranias islâmicas só se vê perseguições, inexistência de direitos básicos, aprisionamento sem julgamento, perseguição a mulheres, a Cristãos, a homossexuais, a Curdos e a qualquer um que não reze por sua cartilha.
Finalizo aqui, Sr. Canalha, fazendo minha obrigação como Ser Humano com letras maiúsculas.
Eu agradeço a Israel por mandar a mais desenvolvida tecnologia em salvamento para o Brasil. Vieram a custo zero, deixando suas famílias, sua pátria, sua gente para se embrenharem na lama, na sujeira e nos dejetos com a sublime missão de ajudar. Muito obrigado a eles.
Já a você, canalha e calhorda, vá arder no inferno, junto com seus patronos Marx, Chávez, Arafat, Mao e seus similares. A única vez que você sujou suas mãos, foi quando quebrou sua fétida caneta, usada para difamar quem é bom e humano.
Desapareça da vida dos Brasileiros. Seria um ato de bondade, se é que você seja capaz de saber o que é bondade
(Texto de Marcos L Susskind. Guia de turismo em Israel. Ativista comunitário. Foi Diretor do Amor Exigente e Presidente do JACS-Brasil antes de transferir-se para Israel. É também palestrante voluntário junto a abrigos para idosos)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

MPT atribui tragédia de Brumadinho à mais grave violação de normas da história

investigação

MPT atribui tragédia de Brumadinho à mais grave violação de normas da história

Atuante na força-tarefa para enfrentar o crime socioambiental, instituição divulga nota contra a negligência da Vale e diz que vai apurar responsabilidades criminal, civil e trabalhista
por Redação RBA publicado 27/01/2019 16h41 
 
Cadu Rolim /Fotoarena/Folhapress
moradores observam o rio paraopeba.jpg
Moradores de Brumadinho observam de uma ponte as águas do Rio Paraopeba, dominadas pela lama da Vale

São Paulo – O Ministério Público do Trabalho (MPT) vai realizar um diagnóstico do crime socioambiental de Brumadinho, com vistas à apuração de responsabilidades criminal, civil e trabalhista, afirmou a instituição em nota divulgada neste domingo (27). Para a instituição, a tragédia representa um dos mais graves eventos de violação às normas de segurança do trabalho na história da mineração no Brasil.

O procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, constituiu grupo específico de trabalho para investigação e adoção das medidas de responsabilização cabíveis em relação aos trabalhadores vitimados e ao Meio Ambiente do Trabalho. “Essa tragédia demonstra a precariedade das condições de trabalho a que estão expostos os trabalhadores no Brasil e a imprescindibilidade dos órgãos de defesa dos direitos sociais”, disse Fleury. “Imperioso ressaltar que a grande maioria das vítimas são trabalhadores que perderam suas vidas nas dependências da empresa”.

No rompimento da barragem de Mariana, em 2015, o MPT investigou e apontou as irregularidades e as deficiências nas medidas de prevenção. As principais medidas não foram aceitas pelas empresas Samarco/Vale, na tentativa de acordo na via administrativa. Entre elas, verificar a estabilidade da mina, condições de higiene e segurança do trabalho e realização de estudos e projetos exigidos pelos órgãos fiscalizadores e pagamento de dano moral coletivo pelos prejuízos. Isso levou o MPT a propor Ação Civil Pública perante a Vara do Trabalho de Ouro Preto, em outubro de 2017, que ainda se encontra pendente de julgamento. Há audiência marcada para o dia 27 de fevereiro e pedidos de liminares, para acelerar o trâmite, não foram atendidos.



Confira a íntegra da nota:


O Ministério Público do Trabalho (MPT) vem a público externar a sua mais ampla preocupação com o rompimento da barragem de Brumadinho em Minas Gerais, que ocasionou um dos maiores acidentes de trabalho já registrados no Brasil.

O trágico acontecimento se repete há pouco mais de três anos daquele ocorrido em Mariana em 2015 e demonstra negligência com o cumprimento das normas de segurança no trabalho na atividade de mineração.

Desde o primeiro episódio, ocorrido em Mariana, em 2015, o MPT investigou e apontou as irregularidades e as deficiências nas medidas de prevenção e segurança no trabalho.

Naquele primeiro caso, as medidas preventivas que poderiam ter evitado inclusive essa nova tragédia do rompimento de barragens de rejeitos da mina Córrego do Feijão, da empresa Vale, em Brumadinho, na última sexta-feira (25) não foram atendidas pela empresa na via administrativa.
Entre elas, verificar a estabilidade da mina, condições de higiene e segurança do trabalho e realização de estudos e projetos exigidos pelos órgãos fiscalizadores.

Por esse motivo, o MPT propôs ação civil pública perante a Vara do Trabalho de Ouro Preto em 26/10/2017 que ainda se encontra em andamento, com audiência designada para 27/02/2019, tendo sido indeferidos os pedidos liminares formulados e que tinham por objetivo a prevenção de outros acidentes de trabalho, provocados por negligências no cumprimento das normas de segurança do trabalho.

Diante da gravidade da situação e da repetição de fatos trágicos, foi instituída força-tarefa integrada pelas instituições com atribuição sobre o caso, com a participação do MPT. A prioridade são ações de socorro. Em seguida, haverá o diagnóstico do desastre com vistas à apuração de responsabilidades criminal, civil e trabalhista.

A Procuradora-chefe do MPT em Minas Gerais, Adriana Augusta Souza, esteve presente em Brumadinho, externando imensa preocupação com o número de trabalhadores que podem ter sido vitimados e reforçando a importância da atuação interinstitucional articulada, destacando que: “Essa força tarefa vai nos possibilitar uma efetiva troca de informações e de dados, num esforço de consenso de estratégias e repartição de responsabilidades, segundo a legitimidade de cada órgão. Para além dessa atuação interinstitucional, entrará em ação no MPT em Minas um grupo de trabalho que nos permitirá cuidar do caso com a celeridade que ele requer”.

O Procurador-Geral do Trabalho, Ronaldo Curado Fleury, constituiu, no âmbito do MPT, grupo específico de trabalho para investigação e adoção das medidas de correção e responsabilização cabíveis em relação aos trabalhadores vitimados e ao Meio Ambiente do Trabalho. “Essa tragédia demonstra a precariedade das condições de trabalho a que estão expostos os trabalhadores no Brasil e a imprescindibilidade dos órgãos de defesa dos direitos sociais”.

Estima-se que este seja o mais grave evento de violação às normas de segurança do trabalho na história da mineração no Brasil. Procuradores do Trabalho já estão colhendo elementos iniciais para subsidiar o andamento das investigações e a responsabilização dos culpados.

Entre os três maiores segmentos econômicos no estado de Minas Gerais, a exploração mineral emprega grande número de trabalhadores submetidos aos mais diversos riscos à saúde e segurança presentes neste ambiente de trabalho. “Um novo acidente, em tão curto intervalo de tempo, preocupa sobremaneira os órgãos de proteção e sinaliza a importância das ações de fiscalização de rotina no meio ambiente de trabalho”, defende Adriana Augusta, que externou profunda preocupação com as vítimas e seus familiares. Registrou, também, preocupação com os operários que seguem em atividade em outras unidades.

A força-tarefa interinstitucional é também constituída pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Ministério Público Federal (MPF), Advocacia Geral do Estado (AGE), Defensoria Pública do estado, polícias Civil e Militar de Minas, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. Nova reunião está agendada para a próxima semana.

Imperioso ressaltar que a grande maioria das vítimas são trabalhadores que perderam suas vidas nas dependências da empresa.

Além de solidarizar-se com as vítimas, o MPT reafirma que continuará trabalhando, firme no compromisso com o primado do trabalho e com a concretização da dignidade da pessoa humana e do meio ambiente do trabalho hígido, parâmetros que condicionam a licitude das atividades econômicas, por expressa disposição constitucional.