segunda-feira, 25 de março de 2019

A ética e o urubu

A ética e o urubu

Na forma tradicional de se pensar a ética, os animais não humanos não são considerados dignos de respeito, a menos que sirvam a algum propósito, interesse ou necessidade humana. Naquele...


22/09/2010 às 06:00 

Por Redação 
 
Na forma tradicional de se pensar a ética, os animais não humanos não são considerados dignos de respeito, a menos que sirvam a algum propósito, interesse ou necessidade humana. Naquele modo de pensar, só são dignos de respeito os seres humanos, e a razão pela qual o são é o fato de serem dotados de razão. O cuidado ético destina-se somente àqueles que podem retribuir a ação boa com outra boa, ou ainda melhor. O fim para o qual a ética existe é apenas atender mais uma necessidade considerada genuinamente humana: dar e receber na mesma medida, a da justiça.


Fora do círculo da racionalidade capaz de retribuir o bem com o bem ou com algo ainda melhor, ninguém está contemplado na ética antropocêntrica. Assim, os filósofos tradicionais trouxeram ao longo dos séculos, para não dizer, dos milênios, uma concepção na qual animais não humanos e ecossistemas naturais não são objeto de consideração ou respeito moral.


No último quartel do século XX, influenciados pelos argumentos do teólogo britânico defensor dos animais, Humphry Primatt, o filósofo australiano Peter Singer, o cientista britânico Richard Ryder e o teólogo britânico Andrew Linzey rompem com a ética antropocêntrica racionalista e colocam na pauta do debate a questão da capacidade para sentir dor, sofrer e ter a integridade física e psíquica violada pela ação de agentes morais, como critério para se julgar se um ser merece, ou não, consideração moral.


Com essa virada, a ética deixa de seguir o eixo da racionalidade ou capacidade de retribuir o bem com o bem, e passa a considerar que nenhum agente moral tem direito de fazer o que quer que seja, caso sua ação implique causar dor, dano, sofrimento ou morte a qualquer ser dotado de sensibilidade e consciência. Os filósofos tradicionais não saíram de sua posição antropocêntrica, mas os críticos passaram a adotar o argumento da senciência para definir o limite da liberdade humana na interação com outros animais destituídos da forma humana da razão.


O conceito de dano e o de sofrimento abrem o círculo da comunidade dos seres capazes de serem afetados pelas ações dos agentes morais. Com esses dois conceitos cai a barreira que separa os humanos dos demais animais. Entre as ações mais capazes de causar dor, dano ou sofrimento a um animal, seja lá de qual espécie for, inclusive da humana, está o confinamento forçado. O animal é um ser vivo que se define pela liberdade física, no sentido de que provê seu corpo dos meios de subsistência através da capacidade de mover-se no ambiente natural e social próprio de sua espécie.


Em cada animal se forma a mente capaz de mantê-lo em vida às próprias custas. Sem essa liberdade, a de prover-se a si mesmo com os meios que sua espécie lhe dá, o animal sofre. Se tal privação se prolonga, não apenas o corpo do animal sofre alterações, mas também seu espírito passa a enfraquecer, como se fosse gradativamente privado da mente que se formou desde o dia do seu nascimento para mantê-lo vivo e preservar o bem próprio que isso representa para si.


Os seres humanos, ao longo dos dois milênios nos quais prevaleceu a ética antropocêntrica e hierárquica, pela qual se nega aos animais o estatuto de seres dignos de consideração e respeito moral, consideram que seres vivos podem ser aprisionados, usados, explorados e até mesmo mortos para atender quaisquer propósitos humanos, porque são destituídos de finalidade própria, dado que não possuem a racionalidade típica dos humanos.


Com esse pretexto faz-se de tudo com os animais, tratados como objetos dos quais nos apropriamos sem mais nem menos, como se não fossem seres vivos sensíveis, não tivessem uma mente própria de sua espécie, não vivessem para realizar os propósitos de sua espécie de vida. Os humanos chegaram a pensar com tal lógica, por muitos séculos, que isso também valia, mesmo em relação a outros humanos, considerados destituídos de alma: índios, negros e mulheres, por exemplo.


Tal lógica formata a mente da quase totalidade dos humanos, ainda em nossos dias. Animais são forçados ao nascimento sem que haja um ser humano interessado em suas vidas, apenas nos restos mortos de suas carcaças. Outros são forçados ao nascimento sem que haja um ser humano sequer interessado em que permaneçam em vida depois de serem exauridos por experimentos ditos científicos e médicos. Há animais que são forçados ao nascimento apenas porque humanos querem vendê-los como mercadorias, e com a mesma leviandade os descartam assim que apresentam algum “defeito”.


Mas a lista das coisas que podemos fazer injustamente aos animais não para por aí. Alimentação, experimentação, estimação e diversão não esgotam o leque de maus costumes adotados e seguidos por muitos humanos quando se trata da vida animal.


Como se não houvesse matéria suficiente nesse mundo para ser plasticizada, humanos que se dizem artistas passam a usar animais vivos para montarem suas “criações”. O animal é usado com a mesma naturalidade com a qual se usa matéria inerte, como objeto. Para isso, é preciso ser levado do seu ambiente natural, confinado num espaço artificial que emite estímulos olfativos, sonoros, visuais e táteis não apropriados ao bem-estar da ave transformada em personagem numa montagem tirânica, pois o único ser beneficiado com o sequestro do animal de seu ambiente natural e social específico é o próprio artista, cujo nome passa a ser estampado nos jornais, na internet e vira alvo da crítica dos defensores dos direitos animais.


A ciência, do mesmo modo que a arte, tem costume de se autoqualificar de neutra. Na arte, como na ciência, não há espaço para qualquer juízo de valor, a não ser que o cientista ou o artista tenham seus projetos recusados pelas agências financiadoras. Daí, sim, eles passam a emitir juízos de valor sobre os pareceristas que lhes negaram o financiamento de suas performances “criativas”.


Um urubu tem direitos? Um humano tem direito de usar um urubu para fazer montagens performáticas numa exposição de arte? O que dá ao urubu o direito de não ser atormentado pelo artista? O que tira do artista o direito de atormentar o urubu?

Toda ação criativa implica uma intervenção humana na matéria fonte a partir da qual a mente criativa projeta ou inventa uma nova dimensão para aquilo que até então se julgava ser o “mesmo”. Novas formas nada mais são do que espaços novos, abertos para que a mente humana possa prosseguir com seus sonhos, escapando da imobilidade à qual sua materialidade parece lhe condenar (agradeço aqui ao arquiteto Américo Ishida a leitura de Mafesoli sobre o nomadismo…).


Mas, que sentido tem usar um ser vivo de outra espécie para plasmar uma realidade que, mesmo servindo à imaginação criativa ou à crítica criativa, possíveis à mente humana, de nada adianta ao animal sequestrado e confinado no espaço da mostra internacional de arte? Quando usamos outro ser senciente, que tem um bem próprio segundo o alcance e os limites de sua realidade biológica e, portanto, mental, sem que esse ser tenha qualquer proveito disso, estamos simplesmente, mais uma vez, explorando um animal para atender propósitos nossos, bastante triviais.


Uma coisa é interagir com seres vivos de outras espécies; outra, intervir em suas vidas de modo tal que sejam impedidos de gozar o que seu espírito ou mente lhe propicia. Nesse caso, nossa interação deixa de ser ética, pois implica uma inter-ferência, essa forma negativa de intervir na vida alheia ferindo-a ou trazendo-lhe prejuízos em vez de benefícios, ferindo, em vez de defender.


Não adianta alegar que o animal está sendo bem tratado, porque cada espécie animal só é bem tratada se não for privada da liberdade de buscar por si mesma os meios de que necessita para assegurar seu próprio bem a seu próprio modo. Isso vale para todas as interações humanas com todos os tipos de animais. Lutamos, no Brasil, para que nenhum circo volte a usar animais em suas apresentações. É preciso que nenhuma mostra de arte seja autorizada a fazer uso de animais para criar realidades absolutamente desnecessárias ao espírito dos animais.


Deixamos de ser éticos quando fazemos aos animais algo de que eles não precisam, pois isso significa que o único interesse buscado é o daquele que teve a ideia de usar um ser vivo em sua montagem, como se esse ser fosse um vivo-vazio. Descartes afirmou isso, que os animais são vivos-vazios ou autômatas, há quase quatrocentos anos. Mas nos últimos vinte anos se publicou imensamente sobre a mente, os sentimentos, as emoções, a linguagem, a consciência e a racionalidade específicas de cada animal. Por que o artista não lê nenhum desses livros?


Sua ação não está além do bem e do mal (Nietzsche). Se seu propósito, ao expor uma ave catartídea, é chamar a atenção dos visitantes para o fato de que esse animal se alimenta de cadáveres, por que o artista não se pôs ele mesmo na cena a comer cadáveres? Afinal, comer cadáveres lhe é algo bastante corriqueiro, habitual. Chamaria bastante a atenção dos passantes. Seu gesto seria olhado de forma indagativa.


 Poderia ter deixado o urubu em paz. Na natureza, o urubu faz uma faxina ao comer carnes em decomposição. Ao contrário, os humanos, em sua necrorexia, alastram lixo e sujeira pelo planeta afora, ao produzirem e abaterem animais para extrair matéria morta e ingeri-la como alimento. Um humano necroréxico bastaria para compor a montagem carnivorista. Urubus não podem escolher não comer carne decomposta. Humanos podem escolher não comer o que implica assassinato.

Liberte os urubu!” da Bienal do espetáculo

Liberte os urubu!” da Bienal do espetáculo


A 29ª Bienal de Artes de São Paulo foi inaugurada no último dia 25/09, com mais de 800 trabalhos de 148 participantes. Dias antes de sua abertura, já freqüentava as páginas dos jornais e os noticiários televisivos, transformando-se no que gosta de ser: um espetáculo.

Antes de qualquer coisa, vamos narrar três fatos ocorridos nestes últimos quinze dias, cujo centro é a Bienal:

1 - a OAB-SP oficiou um parecer junto ao Ministério Público solicitando que as obras do artista Gil Vicente fossem retiradas da exposição por incitação ao crime. São desenhos realizados entre 2005 e 2010, onde o autor aparece com um revólver ameaçando figuras políticas nacionais e internacionais, incluindo o papa. Curadores e autor protestaram.

2 - o argentino Roberto Jacoby teve suas duas obras retiradas da mostra, por solicitação do Tribunal Regional Eleitoral, por serem consideradas propaganda eleitoral. Ocorre que o argentino colocou duas fotos gigantescas de um carrancudo Serra e uma empolgante Dilma vestida com trajes coloridos. Autor protestou, curadores apoiaram o TRE.

3 - No dia da inauguração, um garoto com um spray, ao final do dia, sorrateiramente rasgou a tela protetora de uma instalação de Nuno Ramos, que mantém três urubus vivos dentro de um viveiro no vão central do prédio. O rapaz invadiu aquele espaço e escreveu simplesmente: “Liberte os urubu!” (sic) 


Logo em seguida uma confusão se armou e algumas pessoas, entre elas o pichador, foram parar na delegacia. 

A Bienal encerrou a visita do dia antes da hora, e a curadoria da Fundação Bienal emitiu uma “nota de repúdio” contra o ato de Rafael Pixobom, nome do rapaz.

O que significa tudo isso? Vamos recordar um pouco da história da Bienal.

Em 1951, o Museu de Arte Moderna de São Paulo lança a I Bienal Internacional de Arte da América Latina com 1.800 obras de 20 países. 

A ideia, presente nas artes desde o começo do século em Paris e em Moscou, era modernizar as artes plásticas, ideia esta que se multiplicou em todos os ismos dos movimentos modernistas mundo a fora. 


Nas primeiras bienais de arte de São Paulo, artistas de renome internacional foram apresentados ao público brasileiro: Pablo Picasso (trazendo em 1953 a sua obra “Guernica”), René Magritte, George Groz, Paul Klee, Mondrian, Jackson Pollock, os expressionistas alemães, e mesmo artistas como Van Gogh. 


Dos artistas nacionais destacaram-se Portinari, Alfredo Volpi, Di Cavalcanti, Lívio Abramo, Tarsila do Amaral, etc. Impossível citar todos os grandes artistas que expuseram suas obras nas Bienais do passado.

Pulando rapidamente para o momento presente. Ontem fui visitar a 29a Bienal de São Paulo no pavilhão do Ibirapuera. Os curadores tinham anunciado a participação de artistas de vários outros países e que o tema deste ano seria “Arte e Política”. Fui, com minha câmera fotográfica, para ver o que vinha por aí. 


Fazia muito tempo – uns 10 anos – que eu tinha desistido de ir às bienais. Pela mesmice das obras, pela repetição cansativa, e pela ausência de obras representativas das belas artes, nacionais e internacionais. 


A bienal se transformou em mais um apêndice do sistema monopolista das artes atuais, onde predomina quase absoluta a chamada arte conceitual.

Foi o que vi por lá ontem. Instalações que repetem padrões que vêm desde as primeiras instalações de cem anos atrás, ou seja, já não há mais novidades, apenas “releituras” nauseantes (arte contemporânea?); vídeos extremamente chatos (imagine colocar uma câmera num ponto estratégico da avenida Paulista e deixá-la lá por horas filmando o trânsito chato de São Paulo – e isso é apresentado como arte!); fotografias, fotografias espalhadas por todos os vãos do prédio, confundindo o público, que pode se perguntar: isto é uma Bienal de fotografia? 


E eu acrescento: será que já não se sente uma espécie de saudade da pintura figurativa e por isso a chamada arte contemporânea está repleta de fotografias? (fotografias figurativas, diga-se de passagem!)


Mas não é só e apenas isso. Falta o elemento principal presente no sistema de arte hoje, que inclui a Bienal de São Paulo: há o ESPETÁCULO! 


Sim, senhores, numa sociedade pós-moderna como a nossa que espetaculariza tudo, nada mais coerente do que a espetacularização atingir as artes visuais. 


"Liberte os urubu!" - a "arte" de Rafael Pixobom
É aqui que chegamos para tentar explicar o que aconteceu com os três fatos acima citados. 

Gil Vicente somente conseguiu expor seus agora famosos desenhos não porque eles tivessem qualidade técnica (que os têm – mas isso não é mais importante para a curadoria de arte atual), mas exatamente porque eles iriam “causar” polêmica, quando propõem a morte do papa, do Lula e do Ahmadinejad. 

O argentino, que não se sabe se sabe desenhar ou pintar, expertamente copiou e colou fotos de Serra e Dilma da internet, ampliou-as para os quatro metros de altura e aí está: conseguiu se sobressair, pois o TRE e os curadores disseram um NÃO, não às fotografias, mas à tentativa dele de apoiar Dilma. 


E o terceiro acontecimento, o do garoto com o spray na mão atacando a obra de Nuno Ramos, nada mais é do que uma reação de violência natural à violência da instalação que apresenta peças enormemente marrons, escuras e feias, em cujo topo das quais ele resolveu colocar três pobres urubus vivos. 

Por que? Será que não seria melhor, já que quer falar da violência na cidade, pintar um quadro que também contivesse três urubus pintados?

Para concluir, digo que realmente Afonso Romano de Sant’Anna, poeta e crítico de arte, tem razão: a instituição Bienal já era! 


Ela está dando seus últimos suspiros na Bienal de Berlim (que visitei em julho deste ano, completamente sem público, porque os alemães estavam mesmo é formando fila para ver obras de qualidade nos museus), e resiste ainda na Bienal de Veneza. 

Aqui em São Paulo, já deu sinais de exaustão, de morte ainda não anunciada, porque os técnicos que administram a Fundação Bienal querem de fato tornar a instituição uma grande fonte de renda! Fonte de inspiração, de beleza, de reflexão, de contemplação, de enlevamento da alma humana, sentimentos produzidos pela Arte verdadeira, já não são valores que interessam ao sistema da arte atual. 


Os valores são outros: os das Bolsas de Valores.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Livro infantil digital ensina tudo sobre alimentação

 

Livro infantil digital ensina tudo sobre alimentação

Época de férias é sinônimo de criançada em casa querendo brincar o tempo todo. Para ajudar nessa tarefa, órgãos ligados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolveram livros digitais para que as crianças aprendam se divertindo. Separamos um deles para você baixar gratuitamente.


A Codeagro traz ótimas informações para as crianças aprenderem a se alimentar, em seu livro “Brinque e Aprenda”. Na publicação são abordados temas como: Pirâmide dos Alimentos; Grupo dos Alimentos; Escolhendo os Alimentos; Aprenda Brincando e Cozinhe com Diversão. O intuito do livro é apresentar a elas uma alimentação saudável, que pode ser muito saborosa e divertida.


O livro é indicado para crianças a partir dos quatro anos, pois é a idade na qual tornam-se muito seletivas, querendo comer apenas doces, salgados, lanches entre outras guloseimas. Além de ensinar os pais a formarem bons hábitos alimentares nos pequeninos, sem que tenham de obrigá-los a comer verduras, legumes e frutas.


“Conhecer os alimentos e saber distingui-los é muito importante. Por fim, é melhor educar a criança, para sentir prazer e apreciar o gosto dos alimentos saudáveis”, segundo a publicação. Clique aqui para baixar o livro gratuitamente.

Infância sem estresse: 4 atitudes em prol do bem estar infantil

Ser criança hoje em dia não está fácil. 


Crianças têm sofrido com a violência urbana e suas consequências – vivem em espaços reduzidos, em ambientes fechados, e na maioria das vezes conectadas à algum aparelho tecnológico, distante do ritmo orgânico do mundo natural.  

São submetidas cada vez mais cedo à pressão escolar e ainda arcam com agendas lotadas de atividades extracurriculares. Elas estão sendo enquadradas às demandas da sociedade contemporânea que está  preocupada com a formação acadêmica das crianças para o mercado de trabalho.

O resultado de tudo isso está nos consultórios médicos onde as queixas dos pais e filhos  aumentam a cada dia. Tornou-se comum crianças diagnosticadas com ansiedade, depressão, medo, etc. Nunca a infância foi tão medicada por males psíquicos.

Diante desse novo cenário, é preciso criar na rotina da criança pausas para respirar ao ar livre e vivenciar o lúdico. É preciso dar espaço para a alma se expressar, e a imaginação voar.

4 atitudes em prol do bem estar infantil 

 

1.Assegure todos os dias um tempo para a criança brincar livre, longe das telas
Brincar proporciona à criança o desenvolvimento de importantes habilidades – destreza corporal, escuta, interações sociais, equilíbrio emocional, etc. O brincar é um treino para amadurecimento e conquista dessas competências.


2.Reserve diariamente um período de contato com a natureza
Pesquisas pelo mundo afora revelam que mais tempo em contato com a natureza, regula hormônios, reduz a agressividade, hiperatividade e obesidade, entre muitos outros benefícios. Saiba mais, leia.


3.Garanta momentos de ócio, em que a criança fique sem fazer nada
Essa é a oportunidade que a criança tem de entrar em contato com seu mundo interior, exercitar a fantasia, a criatividade e desenvolver a concentração. A conexão consigo mesma promove a autoregulação e equilíbrio emocional.


4.Selecione uma horinha para a expressão do mundo interior da criança
Dê à ela papel, giz de cera, tinta guache, massinha ou argila para modelar, etc.
Nietzsche, dizia que “a arte existe para que a realidade não nos destrua”. A criança encontra na arte, uma forma de expressão do seu mundo interior, além de um exercício da força da imaginação.


Atitudes simples que não custam nada. Aproveite e desestresse também. Sente ao lado da criança e brinque um pouquinho.

Saiba como falar sobre diversidade com as crianças

Por Ana Lúcia Machado

Esse é um tema bem presente nos dias de hoje. Para estimular essa discussão com as crianças podemos começar olhando para o mundo natural. A diversidade é uma característica preponderante na natureza, onde a variação entre semelhantes é imensa. Ao observar por exemplo as folhas, vemos cores, tamanhos, texturas e espessuras diferenciadas numa mesma espécie.

Entre nós seres humanos também encontramos as mais variadas constituições e características físicas –  em relação a peso, altura, formato de rosto, tipo e cor de cabelo, de olho e ainda de pele. Todas essas variações fazem com que ninguém seja igual a ninguém. Somos semelhantes, porém diferentes uns dos outros.

A diversidade torna a vida surpreendente e revela a beleza existente em cada ser humano. Ser diferente é absolutamente natural. Reconhecer e valorizar as diferenças nos enriquece enquanto sociedade. Estar na roda da diversidade, lado à lado com as diferenças, é viver de maneira ética, e ser ético é nosso dever enquanto seres humanos.

Selecionamos algumas ideias  para abordar esse tema com a criançada:

1. Um simples passeio para observação da natureza é suficiente para aguçar a percepção das crianças em relação às diferenças existentes numa mesma espécie mineral, vegetal ou animal.

2.  Há muitas publicações infantis que apresentam a diversidade étnica de maneira lúdica, como por exemplo o livro  A cor de Coraline (Editora Rocco), do escritor e  ilustrador paulistano Alexandre Rampazzo.  O livro conta a história de uma menina que é surpreendida pelo amiguinho da escola que lhe pede emprestado o lápis cor de pele. Isso deixa a menina intrigada. Ela olha para sua caixa de lápis de cor e pensa:  Cor de qual pele?”.  A história se desenrola com muita imaginação permitindo importantes questionamentos sobre identidade, representatividade e a capacidade de se colocar no lugar do outro.

3. O projeto Humanae criado pela fotógrafa e artista brasileira Angélica Dass, é uma tentativa de mostrar e ampliar a paleta de cores de pele da espécie humana. Esse trabalho teve início em 2012 na Espanha, onde mora a artista, e já retratou mais de 3.000 voluntários em 15 países.


Outras iniciativas reforçam o trabalho de conscientização que precisamos fazer desde cedo com as crianças, saiba aqui.

A esta altura do contexto histórico-cultural, é  inadmissível enxergar o mundo de forma estigmatizada, não é mesmo?

Curso de Agrofloresta ensina a plantar alimentos sem desmatar

Que tal aprender a transformar uma área degradada em uma floresta cheia de vida, capaz de produzir diversos tipos de alimentos? Mais do que isso: que tal olhar para uma área verde e aprender a comunicação que existe entre as plantas? O permacultor Bento Cruz vai ensinar sobre o ciclo de abundância que existe na Natureza no Curso de Agrofloresta Sintrópica, no Sítio Pau d’Água, em Piracaia, a apenas 90 Km de São Paulo, no feriado de 19 a 21 de abril. “É possível plantar alimentos sem veneno e sem destruir a Natureza”, afirma Cruz. O foco desta edição será no cultivo de árvores de ciclo longo, como nozes e castanhas.

A Agrofloresta Sintrópica (ou Agricultura Sintrópica) é um conjunto de princípios e técnicas que integram em uma mesma área, a produção de hortaliças, frutas e madeira  nobre.

 A Agrofloresta Sintrópica é a prova da generosidade da terra, pois é capaz de curar um solo degradado, praticamente sem vida, e transformá-lo em uma floresta que produz alimentos de forma eficiente e otimizada.

Como é o curso de Agrofloresta Sintrópica?

Os participantes vão criar uma Agrofloresta Sintrópica do zero em um canteiro com foco em árvores perenes. Para isso, aprendem a fazer a leitura da paisagem. A presença de braquiária pode ser uma indicação do solo ácido, por exemplo. Usam, na prática, os princípios da agrofloresta, como sucessão natural (sequência de espécies que são plantadas para revigorar o solo até virar uma floresta), estratificação (quais plantas ocupam determinado espaço para melhor aproveitamento da luz solar) e senescência (manter a floresta sempre jovem com podas).

Em seguida, prepararam o solo com compostos e desenham os canteiros, de acordo com os princípios da agrofloresta. Neste curso, o foco será no cultivo de hortaliças e plantio e multiplicação de sementes crioulas, que correm risco de extinção. Haverá aula de poda e manejo de três safs criados nos cursos anteriores.

Um novo tema vai ser apresentado neste curso: a Inteligência Agroflorestal, que significa compreender a dinâmica e funcionamento das espécies e da floresta e, com isso, fazer uma leitura dos elementos que compõem o fazer agroflorestal. “É um exercício de observação e intuição”, afirma Bento.


Que tal aprender a comunicação que existe entre as plantas?

Vantagens da Agrofloresta

O método permite a recuperação de áreas degradadas, protege o meio ambiente e ainda gera renda ao pequeno produtor. O sistema promete ser uma alternativa à monocultura do agronegócio, que depende de agrotóxicos e desmatamentos para produzir.

Os sistemas agroflorestais podem auxiliar na conservação dos solos, das microbacias e áreas florestais. Dessa maneira o homem consegue se inserir no ambiente e passa a aprender com a natureza em vez de entrar em conflito ou destruindo-a. “É uma grande oportunidade do homem voltar a ser querido pela natureza e ter uma função importante para o planeta”, diz Bento. “Ela promove o despertar de um novo olhar, um novo entendimento da prática agrícola.”

Quem é Bento Cruz?

O permacultor Bento Cruz é discípulo de mestre Tupinambá, permacultor indígena, pioneiro em Agrofloresta ao lado do suíço Ernst Gotsch. Ele tem percorrido o Brasil, auxiliando as pessoas que querem deixar as cidades para morar de forma sustentável na roça. A Agrofloresta é um dos caminhos mais viáveis, pois começa a produzir alimentos já no segundo mês.

Sobre o Sítio Pau d’Água

O Sítio Pau d’Água é um Centro Coletivo de Cultura que tem o objetivo de colaborar com a construção de um novo Imaginário Social. São 3 alqueires, sendo que quase metade está sendo reflorestado. Conta com duas nascentes  e mais de 3 mil árvores foram plantadas nos últimos 2 anos. Saiba mais sobre a história do sítio clicando aqui.


SERVIÇO

Curso de Agrofloresta Sintrópica
19 a 21 de abril Com o permacultor Bento Cruz
Inscrições: cursos@kaminaricomunicacao.com.br
Whatsapp: (11) 97130-3335
Informações sobre valores, acomodações e inscrições, clique aqui.

CicloVivo e Eco Rede Social se juntam por um mundo melhor

 

CicloVivo e Eco Rede Social se juntam por um mundo melhor

O CicloVivo, maior site de notícias especializado em sustentabilidade no Brasil, acaba de se associar à Eco Rede Social. Através dessa parceria projetos de empreendedorismo ligados à transformação social e à economia criativa ganharão muito mais espaço nas páginas do site.


Além de unir um time de colunistas especializados, a Eco Rede Social possui diversas ferramentas que colaboram para que a sustentabilidade seja aplicada na prática. A plataforma reúne: site de financiamento coletivo (Eco do Bem), editora (Livro da Eco), programas educacionais (Curso da Eco), além de eventos e conferências que inspiram e promovem a inovação por um mundo melhor.


Com essa parceria, o CicloVivo passa a usar seu alcance para divulgar projetos e causas que estão em busca de apoio para saírem do papel e se tornarem realidade. O site abre as portas para apoiar e incentivar novos empreendedores e ideias transformadoras. “Para nós é um prazer nos juntarmos à Eco Rede Social nessa missão de valorizar o engajamento e mostrar toda a força que o esforço coletivo pode ter na promoção da sustentabilidade”, comenta Mayra Rosa, sócia-fundadora do CicloVivo.

A partir do mês de julho, quem entrar no portal identificará o selo da Eco Rede Social no canto direito da página, junto com uma série de conteúdos sobre os novos projetos e informações que ajudem a educar a população brasileira sobre o potencial do financiamento coletivo para a promoção da sustentabilidade.


“Um dos poderes da colaboração é que ao criar um espaço comum de cooperação, cocriação e compartilhamento surge um ecossistema com grande poder de atração e irradiação de iniciativas regeneradoras na sociedade. A relação entre cooperação e restauração é orgânica e se mostra cada vez mais presente na economia e no empreendedorismo Social. A parceria entre CicloVivo e Eco Rede Social potencializa esse espírito colaborativo sendo muito mais do que uma parceria, uma verdadeira relação sinérgica e simbiótica que produzirá efeitos benéficos para toda a comunidade que atua no campo da sustentabilidade e do bem viver”, explica Izabella Ceccato, fundadora e sócia-diretora da Eco Rede Social.


quinta-feira, 21 de março de 2019

Em 20 anos, o avanço do saneamento no Brasil pode reduzir gastos com saúde em mais de R$ 7 bilhões


Em 20 anos, o avanço do saneamento no Brasil pode reduzir gastos com saúde em mais de R$ 7 bilhões


Saneamento no Brasil e conservação da água – Melhor qualidade da água traz benefícios à saúde e à economia


esgoto

Com a maior reserva de água doce do mundo, o Brasil ainda sofre com a falta de medidas para a conservação desse recurso essencial para a vida e para a atividade econômica. Segundo o levantamento mais recente divulgado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SNIS), 35 milhões de brasileiros não recebem água tratada e mais de 100 milhões não têm acesso a coleta de esgoto. Ainda de acordo com o estudo, apesar de avanços no saneamento, apenas 45% do esgoto gerado no País é tratado. “Essa era uma pauta [esgoto] do século 19 que continuamos discutindo no século 21. Podemos comemorar algumas conquistas, mas ainda estamos muito atrasados quando falamos sobre a conservação da água”, afirma o doutor em Ecologia e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Marcelo Aranha.


O especialista lembra que investimentos para a conservação da água impactam positivamente na economia e trazem benefícios à saúde. “A conservação do recurso e ambientes mais limpos geram um entorno com condições humanas mais adequadas, diminuindo significativamente a disseminação de doenças ou a presença de agentes transmissores, como ratos e baratas”, explica. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cada dólar investido em água e saneamento resulta em economia de 4,3 dólares em saúde.


Várias cidades do mundo já verificaram na conservação da água resultados econômicos mais efetivos. Em Nova York (EUA), por exemplo, a manutenção da qualidade do recurso oferecido à população é feita por meio da proteção dos mananciais, conservação das nascentes e, com isso, precisam apenas de um sistema de filtragem e desinfecção para que a água esteja própria para o consumo. “Muitos países têm buscado manter a funcionalidade dos rios. O sistema desenvolvido em Nova York custou apenas 15% do que se gastaria com a opção tradicional de tratamento. Muitos exemplos comprovam que conservar é economicamente mais vantajoso que tratar o problema”, finaliza o especialista.


Economia bilionária
Considerando a projeção de avanço gradativo do saneamento no Brasil no período entre 2015 a 2035, estima-se que a economia na área de saúde, gerada pela redução de afastamento no trabalho e despesas no SUS, deve alcançar mais de R$ 7,2 bilhões no País, segundo informações divulgadas pelo Instituto Trata Brasil. Somente a coleta de esgoto para 100% da população, resultaria em uma diminuição de mais de 74 mil internamentos por doenças ligadas à contaminação da água.


Além do esgoto, a água também sofre com a contaminação industrial e o lixo que sobrecarrega os rios, favorecendo o assoreamento. “O resultado são inundações com muito mais frequência do que seria aceitável com as precipitações. Quando uma pessoa joga lixo no rio ou diretamente na natureza, sem considerar que esse ato traz um retorno à sociedade e a ela mesma, consideramos que esse comportamento é reflexo de um analfabetismo ambiental”, analisa o ecólogo.
Fonte: Rede de Especialistas de Conservação da Natureza

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/03/2019


"Em 20 anos, o avanço do saneamento no Brasil pode reduzir gastos com saúde em mais de R$ 7 bilhões," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/03/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/03/20/em-20-anos-o-avanco-do-saneamento-no-brasil-pode-reduzir-gastos-com-saude-em-mais-de-rdollar-7-bilhoes/.

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Estudo sugere que as mudanças climáticas limitam a recuperação florestal após incêndios florestais


Nova pesquisa sugere que a mudança climática torna cada vez mais difícil a recuperação florestal após incêndios florestais, o que poderia contribuir para a perda abrupta de florestas.

University of Montana*

floresta queimada

O estudo, “Wildfires and Climate Change Push Low-elevation Forests Across a Critical Climate Threshold for Tree Regeneration“, foi publicado em 11 de março nos Anais da Academia Nacional de Ciências e está disponível online em http://bit.ly/2HeZc8t .

Kimberley Davis, pesquisadora de pós-doutorado na WA Franke College of Forestry and Conservation na UM, e seus coautores examinaram a relação entre o clima anual e a regeneração pós-fogo de pinheiro ponderosa e abeto de Douglas em florestas de baixa elevação no oeste da América do Norte .

“Florestas no oeste dos EUA são cada vez mais afetadas por mudanças climáticas e incêndios florestais”, disse Davis, principal autor do estudo. “A capacidade das florestas para se recuperar após incêndios florestais depende do clima anual, porque as mudas de árvores são particularmente vulneráveis ao clima quente e seco. Queríamos identificar as condições específicas necessárias para a regeneração pós-fogo para entender melhor como a mudança climática vem afetando as florestas ao longo do tempo ”.

Os autores usaram anéis de árvores para determinar datas de estabelecimento de mais de 2.800 árvores que se regeneraram após incêndios no Arizona, Califórnia, Colorado, Idaho, Montana e Novo México entre 1988 e 2015. As taxas anuais de regeneração de árvores foram muito menores quando as condições climáticas sazonais, incluindo temperatura umidade e umidade do solo, limiares cruzados específicos.

Nos últimos 20 anos, as condições climáticas cruzaram esses limites na maioria dos locais de estudo, levando a um declínio abrupto na frequência com que as condições anuais são adequadas para a regeneração de árvores. Os resultados do estudo destacam como futuros incêndios em locais semelhantes podem catalisar transições de ecossistemas florestais para não-florestais.

“Árvores adultas podem sobreviver em condições mais quentes e mais secas do que as mudas, e nosso estudo descobriu que algumas áreas de baixa altitude que são atualmente florestadas não têm mais condições climáticas adequadas para a regeneração de árvores”, disse Davis. “Nessas áreas, o fogo de alta gravidade pode levar a transições do ecossistema de florestas para campos ou matagais.

“É importante entender como a mudança climática e os incêndios florestais afetarão a regeneração das árvores, porque as florestas são importantes economicamente, ecologicamente e culturalmente”, disse ela. “Pinheiros Ponderosa e Douglas são duas das espécies de árvores mais dominantes no oeste dos EUA, e são fundamentais para a indústria florestal regional. As florestas também contêm altos níveis de biodiversidade e fornecem uma variedade de serviços ecossistêmicos, como o sequestro de carbono e a regulamentação e fornecimento de água. Além disso, as pessoas adoram recriar em florestas, que é uma parte cada vez mais importante da economia nos estados ocidentais. ”
Referência:
Wildfires and climate change push low-elevation forests across a critical climate threshold for tree regeneration
Kimberley T. Davis, Solomon Z. Dobrowski, Philip E. Higuera, Zachary A. Holden, Thomas T. Veblen, Monica T. Rother, Sean A. Parks, Anna Sala, Marco P. Maneta
Proceedings of the National Academy of Sciences Mar 2019, 201815107; DOI: 10.1073/pnas.1815107116
https://doi.org/10.1073/pnas.1815107116

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/03/2019

"Estudo sugere que as mudanças climáticas limitam a recuperação florestal após incêndios florestais," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/03/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/03/18/estudo-sugere-que-as-mudancas-climaticas-limitam-a-recuperacao-florestal-apos-incendios-florestais/.

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Assembleia Ambiental das Nações Unidas adota compromissos por um futuro mais sustentável





Assembleia Ambiental das Nações Unidas adota compromissos por um futuro mais sustentável



crianças cuidando do planeta

·         No encontro ambiental mais importante do mundo, ministros acordaram um novo modelo para proteger os recursos degradados do planeta
·         Líderes concordaram em enfrentar a crise ambiental por meio de inovações e do consumo e produção sustentáveis
·         Delegados se comprometeram a reduzir de maneira significativa os plásticos descartáveis até 2030
·         A quarta Assembleia Ambiental da ONU aconteceu em uma atmosfera de luto após a queda de avião da Ethiopian Airlines com destino a Nairóbi 


Por Flora Pereira, ONU Meio Ambiente

O Mundo hoje preparou o terreno para uma mudança radical por um futuro mais sustentável, em que a inovação pode ser fomentada para enfrentar os desafios ambientais, o uso de plásticos descartável será significativamente reduzido e o desenvolvimento não irá mais custar tanto para o planeta. 

Após cinco dias de conversas na Quarta Assembleia Ambiental das Nações Unidas, em Nairóbi, os ministros de mais de 170 países membros das Nações Unidas entregaram um plano audacioso por mudança, comunicando que o mundo precisa acelerar os movimentos para um novo modelo de desenvolvimento a fim de respeitar a visão estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030. 

Preocupados pelas crescentes evidências de que o planeta está cada vez mais poluído, rapidamente se aquecendo e perigosamente esgotado, os ministros prometeram atender os desafios ambientais por meio do avanço de soluções inovadoras e da adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo. 

“Reafirmamos que a erradicação da pobreza, mudando aquilo que é insustentável, promovendo padrões sustentáveis de consumo e produção e protegendo a gestão dos recursos naturais que são base para o desenvolvimento social e econômico, são os objetivos fundamentais e as exigências essenciais para o desenvolvimento sustentável”, disseram os ministros em sua declaração final.

“Melhoraremos as estratégias de gestão de recursos naturais integrando perspectivas que englobem o ciclo completo da vida e análises que concretizem economias de baixo carbono e eficientes em relação aos seus recursos”.
 
Mais de 4.700 delegados, incluindo ministros do meio ambiente, cientistas, acadêmicos, líderes empresariais e representantes da sociedade civil estavam presentes na Assembleia: o corpo mais importante de meio ambiente a nível global, cuja decisão definirá a agenda das nações, antevendo a Cúpula de Ação Climática da ONU, em setembro. 

O evento também resultou no comprometimento dos ministros em promover sistemas de alimentação encorajando práticas de agricultura resilientes, enfrentar a pobreza por meio da gestão sustentável de recursos naturais, promover o uso e compartilhamento de dados ambientais, e reduzir sensitivamente o uso de plásticos descartáveis. 

“Nós vamos endereçar o dano causado a nossos ecossistemas pelo uso insustentável de produtos plásticos, promovendo a redução significativa de produtos descartáveis de plástico até 2030, e trabalharemos com o setor privado para encontrar produtos ambientalmente amigáveis e financeiramente acessíveis”, disseram. 

Para enfrentar as lacunas de conhecimento, ministros prometeram trabalhar para produzir dados ambientais internacionais comparáveis e ao mesmo tempo aprimorar os sistemas e tecnologias de monitoramento. Eles também expressaram apoio aos esforços da ONU Meio Ambiente para desenvolver uma estratégia global para dados ambientais até 2025.

“O mundo está em uma encruzilhada, mas hoje escolhemos o caminho que seguiremos” disse Siim Kiisler, Presidente da Quarta Assembleia Ambiental da ONU e Ministro do Meio Ambiente da Estônia. “Decidimos fazer as coisas diferentemente. Desde reduzir nossa dependência dos plásticos de uso único a colocar a sustentabilidade no seio de todos os desenvolvimentos futuros, transformaremos a maneira que vivemos. Temos as soluções inovadoras que precisamos. Agora temos que adotar políticas que nos permitam suas implementações”.

A Assembleia começou em luto após o acidente de um voo da Ethiopian Airlines de Addis Ababa para Nairóbi, que custou a vida de todas as 157 pessoas a bordo, incluindo funcionários da ONU e outros delegados que estavam viajando para o encontro. Um minuto de silêncio foi realizado para as vítimas na cerimônia de abertura, onde as autoridades também prestaram homenagem ao trabalho de seus colegas.

No final da Assembleia, os delegados adotaram uma série de resoluções não vinculantes, rumo à mudança para um modelo de desenvolvimento diferente. Entre as resoluções, foi reconhecido que uma economia global mais circular, em que os bens podem ser reutilizados ou reaproveitados e mantidos em circulação pelo maior tempo possível, pode contribuir significativamente para o consumo e a produção sustentáveis.

Outras resoluções disseram que os Estados Membros poderiam transformar suas economias por meio de compras públicas sustentáveis ​​e instaram os países a apoiar medidas para lidar com o desperdício de alimentos e para desenvolver e compartilhar as melhores práticas nas áreas de eficiência energética e de segurança para a cadeia de frio.

As resoluções também abordaram o uso de incentivos, incluindo medidas financeiras, para promover o consumo sustentável e acabar com incentivos para consumo e produção insustentáveis, quando apropriado.

“Nosso planeta atingiu seus limites e precisamos agir agora. Estamos muito satisfeitos que o mundo tenha respondido, aqui em Nairóbi, com compromissos firmes para construir um futuro em que a sustentabilidade seja o objetivo final em tudo o que fizermos”, afirmou Joyce Msuya, Diretora Executiva Interina da ONU Meio Ambiente.

“Se os países cumprirem tudo o que foi acordado aqui e implementar as resoluções acordadas, poderemos dar um grande passo em direção a uma nova ordem mundial, onde não cresceremos mais às custas da natureza, mas veremos as pessoas e o planeta prosperarem juntos.”

Um dos principais focos da Assembleia foi a necessidade de proteger oceanos e ecossistemas frágeis. Os ministros adotaram uma série de resoluções sobre lixo marinho plástico e microplásticos, incluindo o compromisso de estabelecer uma plataforma multissetorial dentro da ONU Meio Ambiente para tomar medidas imediatas para a eliminação a longo prazo de lixo e microplásticos.

Outra resolução instava os Estados-Membros e outros atores a endereçar o problema do lixo marinho por meio da análise do ciclo de vida completo dos produtos e do aumento da eficiência dos recursos.
Durante a cúpula, Antígua e Barbuda, Paraguai e Trinidad e Tobago aderiram à campanha Mares Limpos da ONU Meio Ambiente, elevando para 60 o número de países adeptos da maior aliança mundial de combate à poluição marinha por plásticos, incluindo 20 da América Latina e do Caribe.

A necessidade de agir rapidamente para enfrentar os desafios ambientais existenciais foi ressaltada pela publicação de uma série de relatórios durante a Assembleia.

Entre as mais devastadoras, está uma atualização sobre a mudança do Ártico, que explica que mesmo que o mundo cortasse as emissões em consonância com o Acordo de Paris, as temperaturas do inverno no Ártico subiriam entre 3 a 5 °C em 2050 e 5 a 9 °C até 2080, devastando a região e desencadeando o aumento do nível do mar em todo o mundo.

O relatório ‘Ligações Globais – Um olhar gráfico sobre a mudança do Ártico’ alertou que o rápido derretimento do permafrost poderia acelerar ainda mais a mudança climática e inviabilizar os esforços para cumprir o objetivo de longo prazo do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global a 2 °C.

Enquanto isso, o sexto Panorama Global Ambiental, visto como a avaliação mais abrangente e rigorosa do estado do planeta, alertou que milhões de pessoas poderão morrer prematuramente devido a poluição da água e do ar até 2050, a menos que medidas urgentes sejam tomadas.

Produzido por 250 cientistas e especialistas de mais de 70 países, o relatório mostra que o mundo tem a ciência, tecnologia e finanças necessárias para avançar em direção a um caminho de desenvolvimento mais sustentável, mas políticos, empresários e o público devem apoiar e incentivar essa mudança.

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, que participou da cúpula na quinta-feira, disse que uma atitude sobre o uso insustentável de recursos não é mais uma escolha, mas uma necessidade.

“Como os Estados-Membros afirmaram durante os debates vibrantes, ao lado da sociedade civil, empresas, comunidade científica e outras partes interessadas, ainda é possível aumentar o nosso bem-estar e, ao mesmo tempo, manter o crescimento econômico por meio de uma mistura inteligente de mitigação do clima, eficiência nos recursos e políticas de proteção da biodiversidade”, disse ela.

Como evidência dos efeitos devastadores da atividade humana sobre a saúde do planeta, um clamor global por ações urgentes está aumentando. Enquanto os delegados se preparavam para deixar Nairóbi na sexta-feira, centenas de milhares de estudantes de cerca de 100 países tomaram as ruas como parte de um movimento de protesto global inspirado na estudante sueca Greta Thunberg.

Durante seu discurso na Assembleia Ambiental da ONU Meio Ambiente, na quinta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que os jovens estavam certos em protestar e que o mundo precisa dessa fúria para impulsionar uma ação mais rápida e mais intensa.

“Acreditamos que o que precisamos, dada a situação em que vivemos, são leis reais, regras que são vinculantes e adotadas internacionalmente. Nossa biosfera enfrenta devastação total. A própria humanidade está ameaçada. Não podemos simplesmente responder com alguns princípios que soem bem, sem qualquer impacto real”, afirmou Macron.

O Presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta também disse que o mundo precisava agir imediatamente para enfrentar os níveis recordes de degradação ambiental, insegurança alimentar, pobreza e desemprego.

“As estatísticas globais atuais são bastante preocupantes e as projeções para as gerações futuras são terríveis e exigem ações urgentes de governos, comunidades, empresas e indivíduos”, disse ele.