quarta-feira, 12 de agosto de 2020

A relação entre o meio ambiente e a saúde em tempos de pandemia

A relação entre o meio ambiente e a saúde em tempos de pandemia

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O surgimento do novo coronavírus tem ligação direta com os problemas ambientais que o mundo enfrenta. O intenso avanço urbano, em conjunto com utilização desenfreada dos recursos naturais e a exploração dos biomas favorece muito o surgimento de doenças zoonóticas, aquelas transferidas de animais para humanos. Talvez esse seja o maior exemplo dos tempos atuais de como a ação ambiental tem papel fundamental na saúde pública.

Ainda assim, são poucas esperanças de que a lição sirva para mostrar a relação próxima entre saúde e meio ambiente. Pelo contrário: a pandemia da Covid-19 tem causado outros problemas ambientais que também geram grandes ameaças à saúde.

O foco total voltado à Covid-19 contribuiu para que o governo “passasse a boiada”, revertendo importantes medidas que ajudavam a proteger o meio ambiente brasileiro. Enquanto isso, a população, em isolamento social, sente mais do que nunca a falta que o contato com a natureza faz.
Sofia Vargas, editora do Guia de Bem Estar, ressalta as diversas pesquisas que relacionam a proximidade com a natureza e a amenização de transtornos mentais, como o estresse e a ansiedade:
“Na pandemia, a preocupação com a saúde mental cresceu exponencialmente, por conta do contexto favorável ao surgimento de transtornos. A falta do contato com a natureza, por conta do isolamento, ajuda a mostrar para a população e para o poder público como a manutenção de áreas verdes é uma questão de saúde pública e bem estar social”.
Outra consequência da pandemia para o meio ambiente que vai de encontro direto com a saúde da população é o aumento de resíduos. A falta de preparação de quase metade dos municípios brasileiros para lidar corretamente com o lixo se torna ainda mais perigosa em um período em que a população, por passar maior parte do tempo em casa, gera muito mais detritos. A consequente contaminação do solo e das águas tende a ser um ponto determinante no surgimento e disseminação de novas doenças.


Em longo prazo, as consequências ambientais da pandemia podem ser ainda mais desastrosas para a saúde pública. Devido à enorme recessão econômica, a tendência é que a atividade industrial volte com muita força, visando recuperar o tempo perdido, aumentando a emissão de poluentes e contribuindo para as diversas doenças causadas por este processo.

Com todas as atenções voltadas ao enfrentamento da Covid-19, e com a retomada econômica ficando em segundo plano, a exploração ambiental, que é a raiz do problema, acaba ficando ofuscada, perdendo espaço nas pesquisas. O desenvolvimento de tecnologias sociais eficazes também fica esquecido. Com isso, o ciclo se renova e o mundo todo continua constantemente com a saúde ameaçada, na iminência de uma nova pandemia.

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Geoglifos da Amazônia pré-histórica foram aterrados para plantio e pasto

Geoglifos da Amazônia pré-histórica foram aterrados para plantio e pasto



Geoglifo
Geoglifos da Amazônia pré-histórica foram aterrados para plantio de milho e para pasto (Foto: Marcos Vicentti/Folhapress)

Por Reinaldo José Lopes, da Folhapress
SÃO CARLOS – O paleontólogo Alceu Ranzi, da Universidade Federal do Acre, levou um susto ao observar imagens de satélite atualizadas de um sítio arqueológico que conhecia há vários anos. Os desenhos geométricos no chão da Fazenda Crixá II – indícios da presença de grandes centros rituais criados por grupos indígenas antes da chegada dos europeus à Amazônia – tinham sido parcialmente apagados.


“Revendo as imagens, dei de cara com o estrago”, contou Ranzi ao jornal Folha de S.Paulo. Representantes do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) constataram que os desenhos, conhecidos como geoglifos, tinham sido aterrados para o plantio de milho e pasto. Segundo o proprietário da fazenda, o aterramento teria acontecido por descuido de seus empregados, que haviam sido avisados da presença dos geoglifos no local.


Nas últimas décadas, pesquisadores como Ranzi e a arqueóloga Denise Schaan, que morreu em 2018, realizaram um intenso trabalho de mapeamento e análise dos geoglifos. Esses estudos colocaram as estruturas, que podem medir algumas centenas de metros de comprimento e são detectadas com facilidade por sobrevoos, entre os elementos arqueológicos mais importantes da Amazônia pré-histórica.


Existem cerca de 800 deles no Acre e em regiões vizinhas do Amazonas, com formatos como quadrados, círculos e losangos, às vezes sobrepostos, formando figuras mais complexas. São delimitados por valas que podem alcançar 10 metros de comprimento e mais de um metro de profundidade.


As escavações realizadas até hoje em alguns deles mostraram poucos sinais de presença humana permanente no perímetro deles, com raros restos de cerâmica e outros artefatos. Por isso, a hipótese mais aceita hoje é de que as estruturas fossem construídas periodicamente como grandes centros rituais -terreiros para danças religiosas, por exemplo-, os quais congregavam boa parte da população pré-colombiana da região.


Trata-se, portanto, de mais um indício importante em favor da ideia de que, antes do contato com os europeus, os grupos indígenas da Amazônia tinham sociedades mais populosas e complexas do que as de seus descendentes de hoje.


Assuero Veronez, o dono da fazenda, afirma que os funcionários que trabalhavam na área, diante da necessidade de desviar constantemente das valas do monumento pré-histórico com o trator, obtiveram autorização do gerente da propriedade para aterrar as estruturas.


“O Iphan me notificou formalmente, embargou a área e me deu 15 dias para prestar esclarecimentos. Assumi a responsabilidade e me coloquei à disposição deles para reparar ou mitigar o dano -não sei o que é possível fazer tecnicamente para isso”, diz. Veronez argumenta também que não houve dano permanente a possíveis artefatos arqueológicos no local, já que bastaria apenas retirar a terra das valas em futuras escavações.


Em nota oficial, o Iphan destaca que já há geoglifos tombados em outros locais do Acre e que “está avaliando as medidas que serão solicitadas para mitigação e compensação do irreparável dano causado”. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal também foram acionados pelo órgão.

Amazônia ganha secretaria própria no Ministério do Meio Ambiente

Amazônia ganha secretaria própria no Ministério do Meio Ambiente


Amazônia Legal
Mudança no MMA dá maior relevância à Amazônia e a áreas protegida (Foto: Valter Campanato/Abr)
Da Agência Brasil
BRASÍLIA – Na manhã desta quarta-feira, 12, o Diário Oficial da União publicou o decreto com a nova estrutura do MMA (Ministério do Meio Ambiente). O número de secretarias permanece o mesmo, mas traz alterações para maior transparência, agilidade e eficiência na gestão ambiental. As mudanças entram em vigor em 21 de setembro para a devida transição entre as áreas.


Com a redução de níveis hierárquicos, o órgão procurou estar mais alinhado às boas práticas de gestão, com mais agilidade e eficiência na execução dos projetos estratégicos para a defesa Meio Ambiente, assim como melhor atender às necessidades do ministério em cumprir suas competências.
Ganha maior relevância temas importantes para o meio ambiente como a criação da Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais, a criação de uma secretaria para tratar de áreas protegidas e uma outra para tratar do Clima. Também foi criado um departamento específico para coordenar a política de educação ambiental e uma coordenação de Proteção e Defesa Animal.


Com a competência de coordenar as políticas de prevenção e controle do desmatamento ilegal, dos incêndios florestais, das queimadas, de recuperação, de uso sustentável e de redução da degradação da vegetação nativa em todo o bioma brasileiro, a Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais tem a missão de fomentar o mercado de pagamentos por serviços ambientais. Além disso, vai poder contar com investimentos privados nacionais e estrangeiros para estimular economicamente aqueles que protegem a vegetação nativa.

Com foco no desenvolvimento sustentável, as áreas protegidas deixam de ser um departamento e ganham status de secretaria. A antiga Secretaria de Ecoturismo passa a ser denominada Secretaria de Áreas Protegidas. Entre as atribuições estão a implementação de políticas públicas de áreas protegidas, as concessões de unidades de conservação federais e o turismo sustentável.


A Secretaria de Biodiversidade vem com duas novidades. A criação da Coordenação-Geral Nacional de Proteção e Defesa Animal, ligada ao Departamento de Espécies, visa proteger e defender animais que estão em situação de risco, especialmente animais como cães e gatos que vivem em situação precária e abandono. E a criação do Departamento de Educação e Cidadania Ambiental, que vai coordenar, acompanhar e avaliar a implementação da Política Nacional de Educação Ambiental.

Pressionado, Ministério do Meio Ambiente muda estrutura


Três secretarias passarão por mudanças com o objetivo de trazer verbas para preservar parques e também a Amazônia

12 ago 2020 05h10
atualizado às 07h43


BRASÍLIA - Pressionado a apresentar ações contra o desmatamento, o governo promoverá alterações na estrutura do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Três secretarias serão reestruturadas em uma tentativa de mostrar que temas como mudanças no clima, preservação de áreas protegidas e proteção da Amazônia são prioridades da pastas.
Ministro Ricardo Salles
09/10/2019
REUTERS/Adriano Machado
Ministro Ricardo Salles 09/10/2019 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters
As mudanças estavam previstas para serem publicadas na edição de hoje do Diário Oficial da União. Ao Estadão, o ministro Ricardo Salles disse que a estrutura havia sido pensada durante a transição e, que após um ano e meio de governo, foi preciso alterar as prioridades da pasta. Ele admite que o novo organograma é resultado da pressão de investidores e entidades da área ambiental. 

"Percebemos que algumas áreas precisavam ser modificadas para responder algumas demandas que são importantes e nós entendemos que passam a ser prioridade do ministério. Fomos entendendo isso ao longo desse último um ano e meio a partir dos desafios que a gente vislumbra não só em relação à Amazônia, mas também com o tema ambiental em todo o território nacional", disse Salles.

A Secretaria de Relações Internacionais passa ser nominada Secretaria de Clima e Relações Internacionais. Com isso, segundo Salles, a área passa a dar ênfase maior em intervenções para diminuir impactos ambientais, adaptação às mudanças climáticas e desertificação. "Todas essas ações com viés de ampliar o aspecto econômico. Precisa trazer dinheiro. O Brasil tem crédito, sobretudo, créditos florestais e aí temos mecanismos que agilizem isso."

A reestruturação também cria a Secretaria de Áreas Preservadas, em substituição à do Ecoturismo, que cuidará das 334 unidades de preservação do ICMBio. O órgão, que antes se resumia a um departamento, cuidará também das concessões de parques e englobará as ações voltadas para o turismo sustentável. "De um lado a preocupação ambiental, mas do outro agrega fatores econômicos para ter recursos para cuidar da área protegida."

A secretaria será responsável pelo projeto Adote Um Parque, que está sendo elaborado pela pasta, e propõe que cada empresa ou pessoa física possa ajudar a manter cada uma das 132 unidades de conservação federais na Amazônia. O valor de uma "adoção" foi fixado em 10 euros por hectare. Em troca, pelos termos ainda em discussão, o patrocinador usa a iniciativa como marketing, mas não pode explorar a área. Pelo projeto, o recurso seria aplicado em ações de fiscalização, brigada de incêndio, entre outros.

Já a Secretaria de Florestas passa a ser intitulada Amazônia e Serviços Ambientais, que junto com a área de Clima e Relações Internacionais buscará recursos em acordos internacionais e venda de carbono. Caberá ao setor a destinação das verbas na região dos nove Estados que compõem a Amazônia Legal. Criado há um mês, o Programa Floresta+, que prevê a remuneração para quem mantiver a conservação de áreas protegidas, será gerido por esta secretaria. "O projeto piloto é a Amazônia, mas a ideia é ampliar", disse Salles.

Veja também:

A verdade do desmatamento, por Xico Graziano
Estadão

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Brasil lidera ranking de países com maior perda florestal na última década


CONEXÃO PLANETA

 

Brasil lidera ranking de países com maior perda florestal na última década



Brasil lidera ranking de países que mais tiveram perda florestal na última década
O mundo tem mais de 4 bilhões de hectares de florestas, o que representa 31% da área total da Terra. Mais da metade (54%) delas está em apenas cinco países – Rússia, Brasil, Canadá, Estados Unidos e China. E um novo relatório lançado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) revela quais são as nações que mais tiveram progresso em conter o desmatamento e as que ainda enfrentam dificuldades para reduzir a destruição florestal.


De acordo com a “Avaliação Global de Recursos Florestais”, as áreas com perdas florestais estão aumentando, mas a taxa de devastação diminuiu.

O mundo perdeu 178 milhões de hectares de florestas desde 1990, uma área equivalente ao tamanho da Líbia. Na grande maioria, essas terras foram convertidas em solo para a agricultura. Todavia, a taxa de perda diminuiu substancialmente na última década, devido a uma redução no desmatamento em alguns países, além de aumentos na vegetação em outros, através de processos de reflorestamento e expansão natural das florestas.

A taxa de perda líquida de florestas caiu de 7,8 milhões de hectares por ano, na década de 1990-2000, para 5,2 milhões anuais entre 2000 e 2010 e atingiu o patamar atual de 4,7 milhões nos últimos dez anos.

Os países que apresentaram os melhores índices de ganhos florestais foram China, Austrália, Índia, Chile, Vietnã, Estados Unidos, França, Itália e Romênia.

Outra boa notícia trazida pelo levantamento da FAO é que a área de florestas protegidas no planeta aumentou em 191 milhões de hectares, totalizando cerca de 725 milhões de hectares, 18% do volume de florestas na Terra.

“Embora a taxa de desmatamento tenha diminuído bastante nas últimas décadas, ainda permanece como uma fonte de grande preocupação. No ritmo atual, corremos o risco de não cumprir as metas para 2030 relacionadas ao manejo florestal sustentável”, ressaltou Anssi Pekkarinen, especialista da FAO em florestas.

“Precisamos intensificar os esforços para deter o desmatamento e assim, contribuir para a produção sustentável de alimentos, o alívio da pobreza, a segurança alimentar, a conservação da biodiversidade e as mudanças climáticas, mantendo a produção de todos os outros bens e serviços que as florestas fornecem”, enfatizou.

Brasil lidera ranking de países que mais tiveram perda florestal na última década
Gráfico mostra os países com maior áreas de florestas no mundo

Agora, as más notícias…

Na verdade, o relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação não traz nenhuma novidade. Outros levantamentos realizados por outras entidades já tinham apontado que o Brasil é o país que mais tem desmatado no mundo.

Há pouco mais de um mês,  um estudo com dados da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, publicado pelo Global Forest Watch, que divulgamos nesta outra reportagem, revelava que o Brasil aparecia em 1o lugar na lista das nações que tiveram maior perda árborea em 2019, assim como já havia acontecido em 2018. Nosso país contabilizou, sozinho, por um terço da redução global de florestas tropicais primárias no ano passado.

O levantamento da FAO confirma os demais estudos e coloca o Brasil no topo dos dez países que mais perderam florestas entre 2010 e 2020. Abaixo dele estão Congo, Indonésia, Angola, Tanzânia, Paraguai, Myanmar, Cambódia, Bolívia e Moçambique.

Brasil lidera ranking de países que mais tiveram perda florestal na última década

Ásia, Oceania e Europa tiveram aumento de suas florestas, enquanto África e América do Sul caminham em sentido oposto
*O relatório completo da FAO, com 186 páginas, você encontra neste link


Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Milhares de britânicos assinam petição pelo boicote da carne da JBS, associada ao desmatamento na Amazônia

CONEXÃO PLANETA

Milhares de britânicos assinam petição pelo boicote da carne da JBS, associada ao desmatamento na Amazônia

Milhares de britânicos assinam petição para boicotar carne da JBS, associada ao desmatamento na Amazônia
Nos últimos meses cresce o movimento internacional de empresas que não querem ter seus nomes ligados ao desmatamento da Amazônia e também, da pressão popular sobre o mesmo tema. Em junho mostramos que mais de 400 mil alemães já se engajaram em uma campanha que pede aos supermercados do país que boicotem produtos brasileiros se a ‘PL da Grilagem’ for aprovada. Agora é a vez dos britânicos fazerem algo semelhante.

Até este momento, mais de 70 mil pessoas assinaram uma petição online do Greenpeace UK exigindo que os principais supermercados do Reino Unido deixem de comprar carne da JBS, a maior produtora mundial do setor.

“A Amazônia e outras florestas estão sendo cortadas e queimadas e substituídas por fazendas de gado e plantações de soja para produzir carne. Esse sistema brutal está acelerando as mudanças climáticas, prejudicando os povos indígenas, destruindo nosso mundo natural e arriscando pandemias futuras”, diz o texto da petição.

A campanha acusa empresas como Tesco, Sainsbury’s, Asda, Burger King, McDonald’s e KFC de serem cúmplices do desmatamento ao comprar os produtos da brasileira JBS.

Em uma reportagem publicada pela revista Veja, com um ranking dos dez maiores desmatadores da Amazônia, entre os primeiros nomes da lista aparecem fazendas que fornecem carne à JBS.

Em resposta às acusações, a companhia afirma que “suas subsidiárias aderem à rígidas políticas de compras responsáveis em todas suas cadeias de suprimentos e compartilham do propósito de eliminar o desmatamento definitivamente”.

A petição do Greenpeace britânico pede ainda que as redes de supermercado substituam metade das carnes que vendem por alternativas vegetarianas até 2025.

Desde o ano passado, o Brasil tem sofrido reveses por causa de sua política ambiental. Em junho, uma rede de mercados sueca tirou de suas prateleiras produtos brasileiros por causa do excesso de agrotóxicos usados no país. No auge da crise dos incêndios florestais na Amazônia, em agosto, marcas internacionais suspenderam a compra de couro brasileiro e França, Finlândia, e Irlanda também fizeram ameaças de sanções comerciais ao devido ao aumento do desmatamento.
Este ano, as ameaças de boicotes e sanções comerciais continuam. Empresários e fundos de investimentos internacionais já alertaram o governo de Jair Bolsonaro que se o desmatamento continuar, irão retirar seu dinheiro do país.

Enquanto isso, as taxas de destruição da floresta crescem mês a mês. Julho teve aumento de quase 30% no número de queimadas na Amazônia e num único dia recorde dos últimos 15 anos. E nos bastidores, o Ministério do Meio Ambiente tentou reduzir a meta de desmatamento aprovada pelo Congresso em 2019, mas frente à divulgação pública da proposta, precisou recuar e desistir.


Foto: Instituto Homem Pantaneiro
Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Mais de 60 organizações apresentam ações concretas para combater a devastação da Amazônia, entre elas, uma moratória ao desmatamento

CONEXÃO PLANETA

Mais de 60 organizações apresentam ações concretas para combater a devastação da Amazônia, entre elas, uma moratória ao desmatamento

Mais de 60 organizações apresentam ações concretas ao governo para combater a devastação da Amazônia, entre elas, uma moratória ao desmatamento
Em qualquer país do mundo, organizações da sociedade civil são sempre importantes parceiras de governos para ajudar a propor soluções e combater problemas econômicos, sociais e ambientais que o poder público não tem capacidade de administrar sozinho. No Brasil, essas entidades sempre foram aliadas fundamentais para conter o desmatamento e realizar ações de preservação à biodiversidade.
Infelizmente, desde que assumiu o governo, o presidente Jair Bolsonaro e vários de seus ministros decidiram tratar essas organizações como “inimigas”. Através de decretos, membros da sociedade civil foram retirados de vários comitês e comissões que discutem medidas na área ambiental. E a contribuição de especialistas e acadêmicos, com anos de experiência, foi completamente rechaçada e ignorada.


Apesar disso, as organizações brasileiras não se intimidam e continuam dispostas a colaborar com o governo e o Brasil. Hoje, 62 delas divulgaram um documento em que propõem cinco medidas concretas e emergenciais para estancar o desmatamento da Floresta Amazônica, que mês a mês, apresenta altas recordes nas taxas de destruição da floresta (veja os atuais índices nos links para outras reportagens ao final desse texto).


“Todas as medidas elencadas na carta são factíveis. Algumas delas são inclusive obrigações constitucionais, que o governo não está cumprindo”, diz Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, uma das redes signatárias. “O objetivo é resolver uma situação aguda na qual o paciente — no caso, a Amazônia — está sob risco de vida para depois discutirmos as medidas estruturantes que permitirão a recuperação do doente. Algumas delas, aliás, já constavam no plano de prevenção e controle do desmatamento enterrado pelo governo Bolsonaro.”

O documento foi entregue aos presidentes da Câmara e do Senado, a investidores estrangeiros e a parlamentares brasileiros e europeus. No texto, os signatários lembram que o Brasil, no começo do século, conseguiu reduzir a taxa de desmatamento e ao mesmo tempo ampliar a produção agropecuária e o PIB.

“O atual governo, porém, não apresenta qualquer resquício de interesse ou capacidade em seguir este caminho. Suas ações baseiam-se em medidas falaciosas e campanhas publicitárias que tentam mascarar a realidade. Mesmo o envio de forças militares para a Amazônia tem sido pouco eficaz”, afirmam.

“Dentre as razões para toda esta situação está a postura irresponsável do Presidente da República, que pratica uma agenda antiambiental e anti-indígena perversa e declarada, atentando contra a própria Constituição. Como consequência, investidores e empresas internacionais ameaçam retirar seus negócios do Brasil, intensificando a crise econômica, ameaçando empregos e agravando o quadro de desigualdade e pobreza do país”, destacam.

As cinco medidas contra o desmatamento

  1. Moratória do desmatamento da Amazônia
    – Proibição de qualquer desmatamento na Amazônia por no mínimo 5 (cinco) anos, com exceções para ações de subsistência e de populações tradicionais, agricultura familiar, planos de manejo, obras de utilidade pública e de segurança nacional.
  2. Endurecimento das penas a crimes ambientais e desmatamento
    – Aumento de penas para o desmatamento ilegal, mandantes e financiadores de crimes ambientais, fundiários e invasão e comercialização ilegal de terras públicas.
    – Criação de força-tarefa para repressão a crimes fundiários, em especial grilagem de terras e invasão de terras públicas.
    – Criação de força-tarefa para a expulsão de invasores e o cessar de todas as atividades ilegais em territórios de povos e comunidades tradicionais, principalmente terras indígenas e arredores, como grilagem, desmatamento, roubo de madeira, garimpo, pecuária e mineração ilegal.
    – Congelamento imediato de bens dos cem maiores desmatadores ilegais do país.
    – Extremo rigor na aplicação da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998 e Decreto nº 6.514/2008), incluindo a realização de embargos e a destruição dos equipamentos utilizados para a prática de crimes ambientais.
  3. Retomada imediata do PPCDAm – Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal
    – Retomada imediata das medidas e ações governamentais previstas nos quatro eixos do PPCDAm (Ordenamento Fundiário e Territorial; Monitoramento e Controle;
    – Fomento às Atividades Produtivas Sustentáveis; Instrumentos Econômicos e Normativos), incluindo garantia de recursos e a publicação de cronogramas, prazos e plano de implementação, com prestação de contas transparente e participação social.
  4. Demarcação de terras indígenas, quilombolas e criação, regularização e proteção de Unidades de Conservação
    – Homologação imediata das terras indígenas já demarcadas.
    – Demarcação imediata das áreas indígenas com processos em trâmite no Governo Federal.
    – Proteção de todas as terras indígenas, independente de seu estágio de regularização, com atenção especial as terras ocupadas por povos em isolamento voluntário ou de recente contato.
    – Implementação e consolidação efetiva das unidades de conservação já criadas.
    – Criação de 10 milhões de hectares de unidades de conservação, considerando o mapeamento das áreas prioritárias, sítios de gestão integrada e novas áreas estratégicas para a conservação da biodiversidade e combate ao desmatamento.
    – Titulação dos territórios quilombolas. Reconhecimento e regularização dos territórios quilombolas requisitados.
  5. Reestruturação do Ibama, ICMBio e Funai
    – Restituição das competências e condições institucionais do Ibama e ICMBio para que retomem o seu protagonismo no combate ao desmatamento e crimes ambientais.
    – Realização com urgência de concurso para analistas ambientais do Ibama e ICMBio, destinados prioritariamente à fiscalização ambiental.
    – Substituição dos gestores das três autarquias que não são técnicos da área por pessoal especializado.
    – Restituição das responsabilidades institucionais da Funai, voltadas à proteção e promoção dos direitos indígenas, principalmente relacionadas com a demarcação e proteção das terras indígenas.
*Essas medidas emergenciais devem ser implementadas sem prejuízo de políticas estruturantes, como programas e projetos que visem o desenvolvimento sustentável, a retomada do Fundo Amazônia e Fundo Clima, os pactos com o setor produtivo e o reforço dos investimentos verdes, grande parte destes já previstos no próprio PPCDAm

Instituições que assinam a carta

  1. Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
  2. Observatório do Clima
  3. Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ
  4. Articulação Nacional de Agroecologia – ANA
  5. Conselho Nacional de Seringueiros – CNS
  6. Central Única dos Trabalhadores – CUT
  7. Associação Brasileira de Organizações não Governamentais – ABONG
  8. Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS)
  9. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
  10. Grupo Carta de Belém
  11. Rede Brasileira de Educação Ambiental – REBEA
  12. Rede GTA – Grupo de Trabalho Amazônico
  13. GT Infraestrutura
  14. APREMAVI
  15. Instituto Socioambiental – ISA
  16. WWF Brasil
  17. Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
  18. Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Imazon
  19. Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora
  20. FASE – Solidariedade e Educação
  21. Projeto Hospitais Saudáveis
  22. Uma gota no oceano
  23. SOS Amazonas
  24. Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – Idesam
  25. Mater Natura
  26. Engajamundo
  27. APREC – Ecossistemas Costeiros
  28. Climainfo
  29. Instituto Democracia e Sociedade – IDS
  30. Instituto Centro de Vida – ICV
  31. Instituto Internacional de Educação do Brasil – IIEB
  32. Amigos da Terra – Amazônia Brasileira
  33. 350.org
  34. Projeto Saúde e Alegria
  35. BVRio
  36. Grupo de Estudos em Educação e Meio Ambiente – GEEMA
  37. Rede de Educadores Ambientais da Baixada de Jacarepaguá
  38. Elo RJ – Rede de Mulheres Ambientalistas da América Latina
  39. Comitê Chico Mendes
  40. Terra de Direitos
  41. Memorial Chico Mendes
  42. Associação Etnoambiental Kanindé
  43. Defensores do Planeta
  44. Associação Agroecologia Tijupá
  45. Argonautas Ambientalistas da Amazônia (Belém-PA)
  46. Rede de Educação Ambiental e Políticas Públicas – REAPOP (Nacional)
  47. Teko Porã Amazônia (Belém-PA)
  48. Amazon Watch
  49. Instituto de Pesquisas Ecológicas
  50. Greenpeace Brasil
  51. Rede de Educação Ambiental da Bahia – REABA
  52. Associação Cultural APA Itacaré Serra Grande
  53. Associação Alternativa Terrazul
  54. Toxisphera – Associação de Saúde Ambiental
  55. Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária – AMAR
  56. Movimento SOS Cerrado
  57. Rede de Educação Ambiental do Paraná
  58. International Rivers
  59. Rede de Educação Ambiental da Costa Verde
  60. Rede de Educação Ambiental do RJ – REARJ
  61. Operação Amazônia Nativa – OPAN
  62. Fundação Amazônia Sustentável – FAS

Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Em novo clipe, Moby alerta para o desmatamento das florestas tropicais provocado pela indústria da carne

CONEXÃO PLANETA

Em novo clipe, Moby alerta para o desmatamento das florestas tropicais provocado pela indústria da carne

O músico, cantor, compositor e produtor norte-americano Moby é um super ativista pelos direitos dos animais há mais de 30 anos. Com seu novo trabalho, extrapolou um pouco esse cenário com a intenção de contribuir para a conscientização a respeito do desmatamento das florestas tropicais – entre elas, a Amazônia – e a luta pela preservação do meio ambiente e contra a crise climática.
Assim, lançou o single My Only Loveque integra o álbum All Visible Objects – com um clipe de animação que se passa na Amazônia e narra a separação comovente de uma onça-pintada e seu filhote – e de um menino e um adulto indígenas – em meio ao incêndio da floresta, provocado principalmente pelo agronegócio. Os caçadores também estão presentes (assista no final deste post).
“Parece que somos confrontados com novas catástrofes quase que diariamente, mas enquanto lidamos com esses horrores, a emergência climática fica cada vez pior. E sem as florestas tropicais, nosso planeta se tornará rapidamente um deserto devastador e inabitável”, ressaltou Moby no lançamento online, ontem, 5/8.

“Claro que quero chamar a atenção para a música, mas o objetivo deste vídeo é lembrar as pessoas que 90% do desmatamento das florestas tropicais e subtropicais é resultado da produção de carne e laticínios”, explicou.

“E há muita coisa que podemos fazer como não comprar óleo de palma, não comprar madeira de origem não ética e, o mais importante; parar de comprar carne e laticínios. Essa produção é a maior causadora de desmatamento no mundo!”.

 

 

Um brasileiro na produção 

 

Para o evento de lançamento, Moby convidou os produtores do vídeo e especialistas para falar sobre a animação e debater o significado do videoclipe, o desmatamento e a exploração animal.
O brasileiro Paulo Garcia, do estúdio de animação Zombie – responsável pela direção e roteiro do vídeo, que foi desenvolvido em parceria com a produtora londrina BlinkInk – disse que se sentiu muito orgulhoso de participar do projeto.

Trabalhar com alguém que sempre admirei é uma oportunidade incrível. Tornou-se ainda melhor quando a tarefa que ele dá é enviar uma mensagem ao mundo sobre o problema do desmatamento crescendo rapidamente em meu país de origem, o Brasil. Muitos artistas deram o seu melhor para que este videoclipe acontecesse. Música linda, efeitos visuais fortes, narrativa incrível”.
Todo o lucro obtido com a venda do álbum All Visible Objects será revertido para instituições defensoras dos direitos animais.


Agora, assista ao clipe de My Only Love, abaixo:
Fotos: Divulgação
Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Quase 3 bilhões de animais foram afetados pelos incêndios florestais da Austrália, revela novo estudo


CONEXÃO PLANETA

 Quase 3 bilhões de animais foram afetados pelos incêndios florestais da Austrália, revela novo estudo



Três bilhões de animais foram afetados pelos incêndios florestais da Austrália, revela novo estudo
“Um dos maiores desastres ambientais da história moderna”. É assim que cientistas de diversas universidades da Austrália consideram o que aconteceu entre o fim de 2019 e o início de 2020, quando incêndios florestais devastaram o país. Em um novo estudo encomedado pelo WWF-Austrália, chegou-se à conclusão que quase 3 bilhões de animais foram afetados de alguma maneira pelo fogo – mortos ou perdendo seus habitats.


No relatório Australia’s 2019-2020 Bushfires: The Wildlife Toll, cientistas das Universidades de Sydney, New South Wales, Newcastle, Charles Sturt e do BirdLife Australia afirmam que o real número de animais impactados é três vezes maior do que se pensava originalmente.


De acordo com os pesquisadores, as estimativas indicam que 2,46 bilhões de répteis, 143 milhões de mamíferos, 180 milhões de aves e 51 milhões de sapos foram vítimas, fatais ou não, dos incêndios.
Estimativas apontam que pelo menos 5 mil coalas morreram, ou seja, quase 12% da população da espécie.

“As conclusões iniciais são chocantes. É difícil pensar em outro evento em qualquer lugar do mundo em nossa memória recente que matou ou deslocou tantos animais ”, afirmou Dermot O’Gorman, CEO do WWF.

Ainda segundo O’Gorman, não há dúvida sobre a relação dos incêndios mais frequentes e devastadores com as mudanças climáticas.


Incêndios do começo do ano são considerados os piores da história

O fogo queimou 12,6 milhões de hectares de florestas e matas. Trinta e quatro pessoas morreram e cerca de 2.700 casas foram destruídas.


Fotos: Ryan Pollock (canguru) e Adam Dederer (incêndios)/WWF-Australia
Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em

Manifesto por uma educação ao ar livre e com a natureza

CONEXAO PLANETA

 

Manifesto por uma educação ao ar livre e com a natureza

Desde que o Instituto Romã nasceu, em 2004, as escolas sempre foram grande parte do público de nossas ações. Com a chegada do programa Ser Criança é Natural (que deu nome a este blog, lançado em 2015 pelo Conexão Planeta), as pessoas que trabalham com educação se aproximaram de nossas ideias, de nossas ações e formações. Desde 2013, tecer conversas com escolas, assessorar para mais natureza no ambiente escolar e ter a natureza como inspiração para todo o contexto educativo esteve cada vez mais presente.

Neste momento em que os espaços físicos das escolas se fecham, pensar num retorno às atividades neste lugar está diretamente associado a mais tempo e espaços ao ar livre, àreas mais amplas, arejadas e abertas.

Esse momento em que vivemos tem nos estimulado a fazer muitas reflexões. Quantos aspectos desse mundo estão mais visíveis! Quantas resistências a mudanças! Quantas aberturas o silenciamento provocado pela pandemia e, consequentemente, pela quarentena trouxe! E quantas possibilidades de construirmos um mundo mais inteligente, mais sensível, e, podemos dizer, mais racional também estão se abrindo!

Uma de nossas ações para dialogar com as pessoas que formam a comunidade da área da educação foi criar uma série de lives, entre elas uma série que chamamos de Ao Ar Livre, com as quais promovemos conversas sobre educação, natureza e novas rotinas (confira as conversas no nosso perfil no YouTube).

Do lado de fora da sala de aula

Além dessas lives, também estamos trabalhando em novos cursos e materiais para atender a demandas mais específicas. E, de tantas reflexões com diversas escolas pelo Brasil, elaboramos um manifesto: o Manifesto por uma Educação ao Ar Livre e com a Natureza.

É uma forma de atender aos educadores e pais que desejam essa transformação nas escolas e precisam de referências para prosseguir com consistência nos diálogos com as esferas de decisão.
Com ele, buscamos fazer convergir a realidade atual de grande parte das escolas – públicas e privadas – com o desejo de que os adultos do futuro possam lembrar de sua infância como momentos de alegria, entusiasmo, aprendizado corporal, descobertas e liberdade!
Quer aderir a este movimento?

O Manifesto está disponível no site do nosso programa Ser Criança é Natural, onde você pode assiná-lo por meio de um formulário. Você também pode baixar o arquivo em PDF.

Queremos muito que este manifesto seja útil a todos os nossos leitores e que você integre este movimento com a gente!
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