quarta-feira, 17 de março de 2021

Amapá tem primeiro ninho ativo com filhote de gavião-real monitorado

 

Amapá tem primeiro ninho ativo com filhote de gavião-real monitorado

Ninho construído em um Angelim com tronco comprometido, fica próximo a um ramal e é monitorado semanalmente. Espécie está ameaçada de extinção

 

 REDAÇÃO - JORNALISMO@PORTALAMAZONIA.COM
20/01/2021 18:01 | Atualizado 20/01/2021 18:09

   

Acompanhar um ninho de gavião-real (Harpia harpyja) com filhote de dois meses na Comunidade União, em Porto Grande, município do Amapá, trouxe otimismo à equipe do Projeto Harpia, uma rede de apoio pela conservação da espécie de âmbito nacional e que nasceu no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). A espécie que está ameaçada de extinção no Brasil tem crescimento populacional lento e precisa de extensas áreas preservadas para sobreviver.

O ninho é o primeiro ativo com a presença de um filhote no Amapá, anunciado ao Projeto Harpia, segundo a coordenadora de campo do projeto, a pesquisadora do Inpa Tânia Sanaiotti. "Outros dois ninhos foram registrados entre os anos de 2009 e 2012 por pesquisadores de outros projetos Christian Andretti e Marcus Canuto, entretanto visitas realizadas por nossa equipe não encontraram a presença da ave ou do ninho desde então", contou Sanaiotti. 




Espécie está ameaçada de extinção, na categoria vulnerável.

De acordo com a tecnologista do Inpa e colaboradora do Projeto Harpia, Tania Pimentel, o ninho em Porto Grande fica próximo a um ramal, sendo um convite aos observadores de aves e amantes da natureza, e por outro lado uma ameaça à sobrevivência da família de gavião-real por estar exposta às pessoas que circulam em carros e motos. Pimentel e o fotógrafo Fábio Sian foram em novembro ver de perto a situação do filhote. "Este ninho com seu filhote deve ser valorizado pela sua raridade no estado, e um dos desafios é manter as matas na região do ninho, explicou Pimentel, bióloga com doutorado em Ecologia Aplicada.

O contato com o Projeto Harpia foi feito pelo técnico em extensão rural da Secretaria de Desenvolvimento do Estado do Amapá (SDR) Luiz Brito da Silva, que foi avisado sobre o filhote por um comunitário. "Parti em busca de encontrar instituições e parceiros que pudessem auxiliar na conscientização para a proteção do ninho e da família de gavião-real", conta Silva, que nunca tinha visto uma harpia.

Luiz visitou vários órgãos em Macapá-AP, e no Bioparque da Amazônia, Marina Macedo o informou sobre o Projeto Harpia e ela fez o relato da novidade pelo instagram do Projeto, e a coordenadora da articulação institucional, Helena Aguiar, encaminhou a demanda para a equipe de campo.

Considerado a maior ave de rapina do Brasil, o gavião-real, também chamado de harpia, ocorre nas Américas Central e do Sul, mas a maior população encontra-se na Amazônia considerando a ampla extensão de floresta ainda disponível no bioma. As principais ameaças são a caça e a perda de hábitat pelo desmatamento e plantio de soja. 

A espécie depende de florestas para construir seus ninhos em árvores bem altas. Em Porto Grande o ninho, que está a 30 metros de altura encontra-se em um angelim, e como o tronco está comprometido, a madeira não foi explorada, para sorte da família harpia. Em se tratando de uma árvore próxima a estrada expõe a harpia aos riscos de muitos viajantes desavisados e curiosos, ou mesmos os que passam andando pelo local.

O ninho é monitorado semanalmente pelo técnico de extensão rural da SDR e voluntários. A ideia é agregar parceiros durante 2021, já que o filhote dependerá exclusivamente dos pais para trazerem alimento até o seu primeiro ano de vida. No dia de campo acompanhado pela equipe, Silva contou que o macho trouxe uma preguiça para alimentar o filhote. "A sobrevivência do filhote dependente diretamente da sobrevivência dos adultos", ressalta Sanaiotti.

Preservar a árvore do ninho é uma das ferramentas de conservação da espécie realizada pelo Projeto Harpia. A espécie de águia retorna a cada dois ou três anos para se reproduzir na mesma árvore.

Ações do Projeto Harpia

Para trabalhar a sensibilização ambiental com a comunidade, o Projeto Harpia doou dois livros produzidos pela Nitro Imagens, "Harpia" e "Projeto Harpia 20 anos" de autoria do fotógrafo João Marcos Rosa.e do escritor Gustavo Nolasco. Em linguagem acessível e com belíssimas imagens, as obras serão utilizadas em atividades possíveis durante a pandemia e nas aulas escolares quando forem retomadas de forma presencial.

Segundo Sanaiotti, o envolvimento da comunidade do entorno do ninho e de instituições do Amapá são fundamentais para que o filhote consiga sobreviver e se dispersar pela região, hoje com floresta fragmentada. "Conhecer a biodiversidade local é uma das formas de valorizar o patrimônio do município de Porto Grande e do Amapá", destaca a pesquisadora.

Vulnerável

A espécie Harpia harpyja está classificada na Lista Brasileira de Espécies Ameaçadas na categoria Vulnerável. Nos últimos dez no Amapá, houve quatro resgates de harpia por ações antrópicas, e em nenhum dos casos as aves puderam retornar as matas do Estado.

O quadro não é exclusivo do estado vizinho, no Amazonas somente durante a pandemia de Covid-19 em 2020 houve dois resgates. Um dos casos foi de um gavião-real alvo de disparos que foi a óbito, apesar dos esforços das equipes envolvidas do Centro Triagem de Animais Silvestres (Cetas/Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Icmbio) e clínica veterinária voluntária. O segundo resgate, um filhotinho, sobreviveu graças ao cuidados da equipe do zoológico do CIGS.

Projeto Harpia

Iniciado no Inpa, em 1997, o Projeto Harpia conta atualmente com vários grupos regionais e núcleos em outros biomas, unindo esforços de várias instituições. O objetivo é devolver à natureza o maior número de harpias possível, para que possam deixar sua contribuição genética para as populações da espécie no Brasil.

Mapear ninhos, sensibilizar proprietários particulares ou entorno de Unidades de Conservação é um dos caminhos para manter os sítios reprodutivos em pé e aumentar as chances de sobrevivência do filhote durante a dispersão. Atualmente 60 ninhos ativos são monitorados pelo Projeto Harpia nos biomas Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. "Temos ainda que ampliar a divulgação para os municípios do interior dos estados da Amazônia, captar recursos para as ações locais e buscar o comprometimento dos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental e uso da terra", conta Sanaiotti.

O Projeto recebe financiamento e doações nacionais e internacionais, como,Vale, Veracel no Brasil, ABUN (Artists and Biologists United for Nature), LogNature, Beauval Nature Association (França) e Zoológico de Nuremberg (Alemanha). O Instituto Últimos Refúgios, organização socioambiental e cultural sem fins lucrativos, abraçou o Projeto Harpia e está apoiando em áreas importantes, como a difusão científica e gestão de recursos. 

Pará reduz 90% do desmatamento no mês de janeiro em relação a 2020

 

Pará reduz 90% do desmatamento no mês de janeiro em relação a 2020

O balanço feito pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), com base nos dados gerados pelos sistemas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revela a redução de 90% no desmatamento no Estado do Pará, no mês de janeiro, em relação ao mesmo período do ano passado.

Entre as ações consideradas determinantes para o resultado, está a realização da Operação Amazônia Viva, que encerrou a oitava fase no final do mês de janeiro. Do dia 13 ao dia 30 as equipes da Força Estadual de Combate ao Desmatamento, formadas por policiais civis e militares, bombeiros, peritos e fiscais da Semas, estiveram em ação em nove municípios. Dessa vez, o trabalho foi concentrado em Senador José Porfírio, Anapú, Santarém, Distrito de Moraes de Almeida, São Félix do Xingu, Pacajá, Altamira, Novo Progresso e Portel.

"Nós estamos mantendo as equipes em campo todos os meses, sempre reformulando estratégias e analisando o comportamento dos desmatadores. Dessa maneira, conseguimos manter uma presença constante do Estado, nos locais mais vulneráveis aos crimes ambientais", acrescenta o Secretário de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Mauro O´de Almeida.

Foto: Ascom Semas

O balanço da oitava fase indica que a área total embargada equivale a 3.161 hectares, o que corresponde ao tamanho de mais de 3 mil campos de futebol, colocados sob proteção. Os fiscais também flagraram 5 garimpos clandestinos. Entre as apreensões estão: 40 m³ de madeira, 6 veículos, 13 motosserras, 3 geradores, 9 motores usados nos garimpos. Além disso, foram 6 ocorrências feitas pela polícia civil e 2 pessoas presas em fragrante.

Levando em consideração os números totais das oito fases da operação, a Amazônia Viva já colocou sob proteção mais de 137 mil hectares de terra, o que equivale a uma área maior que a cidade de Belém. Também apreendeu mais de 6 mil m³ de madeira extraída de forma ilegal, 187 motosserras que eram utilizadas na derrubada de árvores foram retiradas da mata, 60 tratores/carregadeiras/escavadeiras que eram usados no desmatamento ilegal, 87 armas de fogo e 313 munições. Também foram destruídos 58 acampamentos usados pelos desmatadores para se abrigar e 44 garimpos ilegais foram interditados.

Para o titular da Semas, Mauro O' de Almeida, os resultados positivos são possíveis por causa da visão ampla e estratégica que o Governo do Pará tem mantido, com a criação do Plano Amazônia Agora: "Nós estamos mantendo as fiscalizações da Operação Amazônia Viva mensalmente, baseadas nas nossas análises constantes dos alertas de desmatamento, mas também estamos propondo soluções de desenvolvimento socioambiental com o Territórios Sustentáveis e o Regulariza Pará, que são outros eixos do PEAA. Dessa maneira, pretendemos alcançar o objetivo de preservar a floresta e garantir desenvolvimento social e econômico para a população", conclui o Secretário.

A Operação Amazônia Viva, faz parte do eixo de Comando e Controle, do Plano Estadual Amazônia Agora, coordenado pela Semas e tem o objetivo de conservar a floresta, aliada ao desenvolvimento social e econômico no campo. Entre as metas do plano, está a redução na emissão de gases do efeito estufa, para alcançar, até 2036, o patamar de emissão líquida zero. Para isso, o plano tem quatro pilares: Regulariza Pará (regularização fundiária e ambiental), Territórios Sustentáveis (apoio e fomento aos produtores rurais, além da recuperação de áreas degradas), Fundo Amazônia Oriental (fundo de captação de recursos para os projetos do PEAA) e Comando e Controle (Combate aos crimes ambientais com a Força Estadual de Combate ao Desmatamento). 


Cuidados para evitar acidentes com animais peçonhentos devem ser redobrados no período de chuvas

 

Cuidados para evitar acidentes com animais peçonhentos devem ser redobrados no período de chuvas

Higiene e limpeza, além de prevenir os peçonhentos também ajuda a controlar a presença do caramujo africano 

 

 REDAÇÃO - JORNALISMO@PORTALAMAZONIA.COM
14/03/2021 20:33 | Atualizado 14/03/2021 20:55

   

"Um ambiente limpo serve como barreira entre os animais peçonhentos e as moradias". A recomendação é do biólogo e coordenador do Setor de Acidentes por Peçonhentos da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), Edson Cruz, a respeito dos acidentes que podem ocorrer neste período, quando as chuvas se tornam mais intensas na região amazônica.

A Prefeitura de Porto Velho orienta a população para que evite contato com animais peçonhentos. Os cuidados são necessários porque a intensidade das chuvas faz com que escorpiões, aranhas, lacraias, cobras, entre outros, apareçam nas moradias.

Edson Cruz diz que, durante o período de muitas chuvas, os animais saem em busca de locais seguros, por isso a população deve prezar pela limpeza.

Segundo o biólogo, a melhor forma de evitar o contato com esses animais é manter limpas as áreas próximas às moradias. "O local sujo, com entulho, vegetação alta, por exemplo, serve como corredor para o animal chegar até as casas", adverte.

 

Fotos: Edson Cruz, Raul Pommer e Leandro Morais

Outra orientação dele é evitar deixar restos de comida na pia durante a noite ou jogar no quintal, pois este material é atrativo para baratas e ratos que, por conseguinte, atraem escorpiões, aranhas, lacraias e ratos, sendo que este último pode atrair as serpentes.

"A população tende a usar produtos químicos para tentar eliminar estes animais, mas este não é o meio correto", adverte o coordenador do Setor de Acidentes por Peçonhentos da Semusa.

Segundo ele, a prevenção pode ser feita com ações simples do dia a dia. "Antes de usar roupas, sapatos e toalhas, faça uma observação atenta. Também é recomendável distanciar as camas em pelo menos 15 centímetros das paredes. É importante fazer a limpeza embaixo de móveis e eletrodomésticos, no mínimo, semanalmente. Quem trabalha na zona rural deve, ao remover entulhos ou fazer jardinagem, usar luvas de couro e botas longas. Tudo isso ajuda a evitar acidentes com esses animais", recomenda.

 

Fotos: Edson Cruz, Raul Pommer e Leandro Morais

A higiene e limpeza, além de prevenir os peçonhentos também ajuda a controlar a presença do caramujo africano e do Aedes Aegypti (dengue, zika vírus e chikungunya) por causa da água acumulada.

Em 2020, foram registrados no município 171 casos de acidentes com peçonhentos, sendo 50% por serpentes, aranha (21%), escorpiões (15,8), lagartas (4%), abelhas (2%), outros (4,7%). Já em 2019, foram 245 ocorrências.

A maioria dos acidentes foi registrada na área rural e bairros na área urbana. O principal motivo é o desenvolvimento de alguma atividade com pés ou mãos desprotegidos.


O balanço mostra ainda que na maioria dos acidentes foram atingidos pés e dedos dos pés, pernas, mão e dedo da mão. "O uso simples de uma bota de borracha, por exemplo, evitaria cerca de 60% dos acidentes. Já o uso de luvas evitaria 22% dos acidentes", exemplificou Cruz.

Em 2021 foram registrados 31 acidentes, sendo: serpentes (17), aranhas (3), escorpiões (7), abelhas (2), outros (2). A primeira orientação em caso de acidentes é manter-se calmo, lavar o local da picada com água e sabão. Ainda é recomendado não fazer torniquete e não colocar nada sobre o ferimento e buscar atendimento médico.

Em Porto Velho, o local de referência é o Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cemetron). Se possível, o acidentado pode apresentar uma identificação do animal envolvido, que pode ser foto ou vídeo, desde que não cause nenhum tipo de risco ou atrase a busca médica. Quando há crianças e idosos envolvidos, são necessários cuidados redobrados.

 

Pirarucu é achado em rio da Flórida, nos Estados Unidos, e intriga autoridades

 

Pirarucu é achado em rio da Flórida, nos Estados Unidos, e intriga autoridades

Um pirarucu tem intrigado autoridades e moradores do estado americano da Flórida, nos Estados Unidos. O peixe, natural da bacia amazônica, foi encontrado no rio Caloosahatchee, dentro do parque Cape Coral's Jaycee, região conhecida pela prática da pesca esportiva, segundo informações da agência de notícias Associated Press.

Como o peixe foi parar lá ainda é um mistério, mas o achado levantou um alerta, já que o pirarucu é considerado um dos maiores predadores do mundo. A preocupação é que uma eventual propagação do pirarucu na região desequilibre o ecossistema local. Também conhecido como Arapaima, o pirarucu pode chegar a mais de três metros e pesar centenas de quilos.

Foto: Smithsonian

Em nota à Associated Press, a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida confirmou que um pirarucu morto foi encontrado no rio, mas pontuou que "não há evidências de que o pirarucu tenha se reproduzido" no estado.

A comissão completou explicando que os habitats do pirarucu são limitados por sua sensibilidade à água fria, já que eles gostam de viver em águas  calmas e com temperatura entre 26º e 32º Celsius.

Segundo a Dra. Katherine Galloway, bióloga da Nicholls State University, o pirarucu bota ovos entre os meses de fevereiro, março e abril, então pode levar mais tempo para eles estabelecerem uma presença.

Ela explica que o pirarucu se alimenta de peixes comercial e economicamente importantes para a Flórida, o que pode afetar o turismo e a economia da região.

As autoridades da Flórida orientam que, caso outro pirarucu seja achado, o peixe seja morto e, em hipótese alguma, devolvido vivo à natureza.

Exército desativa seis garimpos na Terra Yanomami e apreende avião, ouro e mercúrio em Roraima

 

Exército desativa seis garimpos na Terra Yanomami e apreende avião, ouro e mercúrio em Roraima

Garimpos ficam na região do Surucucu, conforme o Exército. Foram apreendidos 0,5 gramas de ouro e aproximadamente 1,2 kg de mercúrio.

 

 PORTAL AMAZÔNIA, COM INFORMAÇÃO DO G1 RORAIMA
13/03/2021 08:30 | Atualizado 13/03/2021 08:30

   

Seis garimpos foram desativados durante ação do Exército nos dias 10 e 11 de março, na região do Surucucu, dentro da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Nos acampamentos, foram apreendidos uma aeronave, ouro, e garrafas com mercúrio, produto usado no processo de extração mineral.

Segundo o Exército, na quinta-feira (10) os alvos foram os garimpos do Capixaba, Hélio e do Rangel. Durante a ação, as equipes encontraram uma aeronave PT-JSS destruída que teria colidido em árvores durante uma tentativa de fuga.

Material apreendido pelo Exército no dia 11 — Foto: Divulgação/Exército Brasileiro

Além disso, foram apreendidos celulares, 14 munições calibre 12 e 20, GPS, 0,5 gramas de ouro e duas garrafas de mercúrio de 1,090g. Uma pista de pouso no garimpo do Capixaba também foi destruída, conforme o Exército.

Já na quinta-feira (11), a ação ocorreu nos garimpos do Espadim, Mucuim e Pau Grosso. Foram apreendidos quatro munições calibre 9mm e 38, dois carregadores de pistola .58 e aproximadamente 200g de mercúrio. Também foram destruídos três motores de garimpo e seis geradores.

A ação faz parte da Operação Verde Brasil 2 e foi conduzida pela 1ª Brigada de Infantaria de Selva, com apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), Polícia Federal, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO).

Terra Yanomami

A Terra Yanomami é a maior do Brasil, com mais de 9 mil hectares distribuídos entre os estados de Roraima e Amazonas, a região abriga 26.780 indígenas. A estimativa é que cerca de 20 mil garimpeiros ilegais estejam infiltrados no território.

Em fevereiro, o governador Antonio Denarium (sem partido) sancionou uma lei que libera o garimpo de todos os tipos de minérios em Roraima. À época, o governo afirmou que o texto não contempla áreas indígenas ou federais. A lei, no entanto, foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 20 do mesmo mês. 

 

terça-feira, 16 de março de 2021

Tubarão de águas profundas é um dos maiores animais do mundo que brilham no escuro

 


Tubarão de águas profundas é um dos maiores animais do mundo que brilham no escuro

NOVO ESTUDO DESCOBRE TRÊS ESPÉCIES BIOLUMINESCENTES DE TUBARÕES DE ÁGUAS PROFUNDAS, INCLUINDO O TUBARÃO-PIPA DE 1,8 METRO DE COMPRIMENTO.

Tubarão-lanterna-barriga-preta bioluminescente, observado de baixo para cima. Esses animais possuem células brilhantes em seu lado inferior que escondem sua silhueta dos predadores à espreita abaixo deles, produzindo luz suficiente para se camuflar com o ambiente.
FOTO DE JÉRÔME MALLEFET

Pesquisadores de tubarões que atuavam na costa leste da Nova Zelândia fizeram uma descoberta reluzente. Em um novo estudo publicado no periódico Frontiers in Marine Science, cientistas descobriram três espécies bioluminescentes de tubarão de águas profundas que produzem uma luz azul esverdeada suave com células especializadas na pele.

Uma das espécies, o tubarão-pipa, pode alcançar quase dois metros de comprimento, o que o torna o maior vertebrado bioluminescente conhecido. A lula-gigante, que pode alcançar um comprimento ainda maior, também é conhecida por emitir luz.

Leia também:

A bioluminescência havia sido documentada anteriormente em apenas uma dezena de espécies de tubarões e, por isso, essa descoberta aumenta significativamente nossos conhecimentos sobre a prevalência do fenômeno nesses e em outros animais marinhos, afirma Jérôme Mallefet, pesquisador associado da Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica e autor principal do novo estudo.

A expedição envolveu a captura de um pequeno número de tubarões-lanterna-barriga-preta, tubarões-lanterna-do-sul e tubarões-pipa da zona crepuscular do oceano, região escassamente iluminada que se estende por uma profundidade entre 200 e 1000 metros.

Quando Mallefet capturou um tubarão-pipa e observou-o se iluminar a bordo do navio de pesquisa, ficou surpreso. “Quase chorei quando vi… foi tão emocionante”, conta ele.

As duas outras espécies são um pouco menores do que o tubarão-pipa e todas são capturadas acidentalmente de vez em quando por pescadores. Nenhuma é considerada vulnerável à extinção, mas pouco se sabe sobre seu estilo de vida e biologia.

Diva Amon, bióloga de águas profundas e exploradora emergente da National Geographic, que não participou do estudo, afirma que ficou “pasma” com a descoberta. “Essas descobertas nos lembram do quanto ainda não sabemos nem entendemos sobre águas profundas e seus habitantes”, ressalta ela.

Seis de maio de 2010 — Os motivos misteriosos da emissão de luz por animais nas profundezas do mar e a quantidade de animais que possuem tal habilidade, conhecida como bioluminescência, continuam a intrigar os cientistas que estudam a evolução desse brilho natural.

Brilho no escuro

Em janeiro de 2020, Mallefet e uma equipe de cientistas da Universidade Católica de Lovaina e do Instituto Nacional de Pesquisa Hídrica e Atmosférica da Nova Zelândia passaram um mês a bordo de uma traineira em alto mar. Depois de capturar tubarões vivos com redes, os pesquisadores colocaram os animais em um tanque de água do mar, levaram-nos a uma sala escura e aguardaram para observar sinais de bioluminescência.

Devido ao estresse ou talvez à timidez, apenas alguns tubarões-pipa, tubarões-lanterna-barriga-preta e tubarões-lanterna-do-sul exibiram seu brilho azul-esverdeado aos pesquisadores, e foi coletada para análise uma amostra da pele daqueles que apresentaram o fenômeno.

A maioria dos organismos bioluminescentes, como vaga-lumes, dispõe de células ou órgãos especializados que contêm certas substâncias químicas, incluindo um composto denominado luciferina, que interage com o oxigênio e emite luz. Algumas criaturas luminosas, como o peixe abissal da ordem dos Lophiiformes, adquirem seu brilho ao servir como hospedeiros de colônias de bactérias bioluminescentes.

Os tubarões bioluminescentes emitem luz de células especializadas na pele, conhecidas como fotócitos, mas como ocorre exatamente esse processo é um mistério há muito tempo. Quando Mallefet e sua equipe analisaram as amostras de pele coletadas, não encontraram nenhum traço de luciferina ou bactérias bioluminescentes.

No entanto confirmaram que, assim como outros tubarões bioluminescentes, essas três espécies controlam suas emissões de luz por meio de hormônios, ativando a luminescência por meio de melatonina, substância química que ajuda a regular ciclos diurnos e induzir o sono em mamíferos. Embora os pesquisadores tenham conseguido determinar como os tubarões bioluminescentes controlam seu brilho, mais estudos são necessários para entender os mecanismos químicos responsáveis por esse fenômeno.

Por que emitir luz?

Em águas profundas, onde cientistas estimam que três quartos de todas as criaturas são bioluminescentes, ter a capacidade de emitir luz pode ser extremamente vantajoso. Os animais do fundo do mar usam a bioluminescência para fazer de tudo, desde atrair presas até dissuadir predadores. A bioluminescência pode até mesmo ajudar na camuflagem de animais de águas profundas.

Na zona crepuscular do oceano, que recebe quantidades mínimas de luz solar, os animais bioluminescentes podem esconder sua silhueta dos predadores à espreita abaixo deles, produzindo luz suficiente para se camuflar com o ambiente: um truque conhecido como contrailuminação. Todas as três espécies analisadas nesse estudo apresentavam concentrações elevadas de fotócitos em sua parte inferior, o que sugere que esses tubarões podem se esconder de predadores — que se acredita serem, basicamente, tubarões maiores — exatamente dessa maneira.

Entretanto os tubarões também continham fotócitos em outras partes do corpo e, portanto, a contrailuminação pode ser apenas um dos diversos meios pelos quais a bioluminescência é utilizada por esses animais. Por exemplo, os pesquisadores encontraram concentrações densas de fotócitos nas nadadeiras dorsais dos tubarões-pipa. O motivo disso é desconhecido, mas Mallefet especula que possa ser um recurso de comunicação entre tubarões-pipa.

A constatação de que essas três espécies emitem luz “não é uma surpresa”, afirma David Ebert, diretor do Centro de Pesquisa de Tubarões do Pacífico dos Laboratórios Marítimos de Moss Landing na Califórnia, mas ainda assim é impressionante.

Isso porque os pesquisadores acreditam que muito mais espécies de tubarões provavelmente são capazes de emitir luz — Mallefet estima que talvez 10% das 540 espécies conhecidas de tubarões sejam bioluminescentes. Já Ebert acredita que até mesmo essa seja uma estimativa conservadora. Com os avanços futuros no campo de pesquisas sobre tubarões em águas profundas, “acredito que esse número aumentará ainda mais”, afirma ele.

Tanto Ebert quanto Mallefet torcem para que os tubarões de águas profundas recebam mais atenção futuramente, já que as criaturas e seu habitat são pouco estudados e estão ameaçados.

“Os tubarões são muito famosos por serem predadores ferozes graças ao filme ‘Tubarão’”, afirma Mallefet, “mas pouca gente sabe que os tubarões podem brilhar no escuro”.

Fonte: National Geographic Brasil

Pele de cobra artificial é nova arma contra o atrito

 

Pele de cobra artificial é nova arma contra o atrito

Redação do Site Inovação Tecnológica - 05/03/2021

Pele de cobra artificial acaba com o atrito
O material artificial (embaixo) reproduz com grande fidelidade a pele das cobras (em cima).
[Imagem: Pixabay]

Escamas contra a fricção

Pesquisadores desenvolveram uma técnica que permite fabricar peles artificiais com escamas, inspiradas nas peles das cobras.

O objetivo é lutar contra um dos maiores inimigos de todas as máquinas e motores: o atrito.

"O corpo de uma cobra é macio o suficiente para que ela possa se torcer em todos os tipos de formas. Ela também pode se mover muito rápido se necessário, em parte porque sua pele tem fricção tão baixa," explica o professor Yifu Ding, da Universidade do Colorado em Boulder, nos EUA.

Como fabricar escamas e montá-las uma por uma está fora de questão para qualquer aplicação prática, Ding e seus alunos desenvolveram uma técnica alternativa que eles batizaram de polimerização interfacial sólido-líquido (ou SLIP: Solid-Liquid Interfacial Polymerization).

O processo consiste em aplicar uma fina camada de material polimerizável sobre um substrato qualquer, como borracha ou materiais elásticos, chamados elastômeros. Essa camada endurece para formar uma estrutura muito parecida com as escamas de uma cobra, permitindo transformar uma superfície pegajosa em uma superfície fortemente escorregadia.

Pele de cobra artificial acaba com o atrito
Esquema do processo de polimerização interfacial sólido-líquido.
[Imagem: Mengyuan Wang et al. - 10.1021/acsami.0c18316]

Pele de cobra artificial

As escamas das cobras são formadas por diversas camadas, começando por queratina, que é dura e quebradiça, e transicionando gradualmente para materiais cada vez mais macios e flexíveis.

Essa combinação de duro em cima e macio embaixo ajuda as cobras a manter o atrito baixo sem perder a flexibilidade. Era essa característica que a equipe queria imitar.

Eles fizeram isto misturando pequenas moléculas em uma película de líquido e, em seguida, usando luz para fazer com que essas moléculas saiam da suspensão, de forma parecida com ervilhas se depositando no fundo de uma tigela de sopa. Uma vez lá, esses blocos de construção se infiltram no polímero PDMS e formam uma camada híbrida muito parecida com a pele das cobras.

"Nada adere a ela. Você pode tocá-la e seu dedo escorregará," conta Ding.

O objetivo agora é desenvolver o processo para que seja possível aplicar a pele de cobra sobre as juntas de robôs e máquinas de pequeno porte, que não exijam muito esforço mecânico do material polimérico.

Bibliografia:

Artigo: Snakeskin-Inspired Elastomers with Extremely Low Coefficient of Friction under Dry Conditions
Autores: Mengyuan Wang, Sujan K. Ghosh, Christopher M. Stafford, Adrienne K. Blevins, Sijia Huang, Jaylene Martinez, Rong Long, Christopher N. Bowman, Jason P. Killgore, Min Zou, Yifu Ding
Revista: Applied Materials & Interfaces
Vol.: 12, 51, 57450-57460
DOI: 10.1021/acsami.0c18316