quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Estudo identifica emissão de sons em espécies anteriormente consideradas mudas

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Estudo identifica emissão de sons em espécies anteriormente consideradas mudas

De 53 espécies observadas, 50 eram tartarugas; pesquisa não deixa claro se sons são utilizados para comunicação

Espécies como a tartaruga de cabeça grande do Rio Amazonas foram encontradas emitindo sons, inclusive nas comunicações com a proleArquivo pessoal/Gabriel Jorgewich Cohen




Zoe Sottileda CNN

13/11/2022 às 18:01

Se você ouvir atentamente, sua tartaruga de estimação pode ter algo a lhe dizer.

Um novo estudo publicado na Nature Communications identificou sons feitos por 53 espécies, muitas das quais se pensava anteriormente serem mudas. Cinquenta das espécies eram tartarugas, com tuataras (um tipo de réptil encontrado na Nova Zelândia), cecílias (um anfíbio sem membros) e o peixe pulmonado sul-americano completando o grupo.

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Gabriel Jorgewich-Cohen, principal pesquisador da publicação e estudante de doutorado na Universidade de Zurique, disse à CNN que a ideia da pesquisa nasceu quando ele leu sobre um projeto na floresta amazônica brasileira. 

Em 2014, um estudo descobriu que tartarugas gigantes sul-americanas encontradas na Amazônia usam comunicação vocal para falar umas com as outras — incluindo chamar seus filhotes.

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/estudo-identifica-emissao-de-sons-em-especies-anteriormente-consideradas-mudas/Ouvir as tartarugas-mãe chamando seus filhotes deixou Jorgewich-Cohen “super interessado” em identificar mais barulhos de tartarugas, disse ele. “Achei que talvez houvesse mais tartarugas por aí fazendo sons.”

O biólogo começou então a colaborar com um professor que desenvolveu um equipamento de som especializado para gravação subaquática. Ele começou em casa, gravando suas próprias tartarugas de estimação. “No começo, eu não esperava encontrar nada”, disse ele.

Mas, ao contrário de suas expectativas, ele “encontrou muitos sons”, disse ele.

A ideia logo se expandiu para um projeto de pesquisa maior. “A ideia era focar em animais que são comumente, historicamente, considerados não vocais”, disse ele. “Eu queria me aprofundar em reportar esses animais que não são conhecidos por vocalizar e tentar entender isso no quadro geral.”

Cada espécie foi registrada por pelo menos 24 horas. As gravações de áudio incluem clique, chilrear, assobio e ronronar.

Ele acrescentou tuataras depois de falar com uma especialista em répteis da Nova Zelândia que disse ter ouvido os animais fazendo sons durante o trabalho de campo. As gravações de áudio usadas na pesquisa documentam as distintas vocalizações rachadas do tuatara.

Os sons feitos pelas cecílias foram especialmente inesperados, disse ele. “Fiquei muito surpreso ao descobrir que eles produzem sons com frequência e de uma maneira muito engraçada”, disse ele. As gravações cecílias soam às vezes como um ronronar e outras como um arroto alto.

Ele também se surpreendeu com o amplo repertório de algumas espécies: algumas tartarugas “faziam muitos tipos diferentes de sons”. Outros, embora tivessem um vocabulário mais limitado, “não paravam de conversar”, repetindo frequentemente os mesmos sons.

E a pesquisa pode ter implicações mais amplas para nossa compreensão da biologia. Historicamente, “a principal hipótese era que os sons feitos por sapos, pássaros e mamíferos vinham de diferentes origens evolutivas”, explicou Jorgewich-Cohen. Esse fenômeno é conhecido como evolução convergente, quando as espécies se adaptam de maneira semelhante, embora tenham origens diferentes.

Mas a árvore genealógica evolutiva estendida construída pela equipe de pesquisa de Jorgewich-Cohen sugere que a capacidade de produzir sons “vem de uma única origem”, disse ele. O artigo afirma que a comunicação vocal deve ser tão antiga quanto o último ancestral comum dos vertebrados coanatos (vertebrados com pulmões), com aproximadamente 407 milhões de anos.

Comunicação animal

Além de registrar 53 espécies, Jorgewich-Cohen e sua equipe também usaram um conjunto de dados de comunicação acústica publicado pelo professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade do Arizona John Wiens e Zhuo Chen na Nature Communications em 2020.

Wiens, que não foi consultado para o estudo de Jorgewich-Cohen, disse à CNN que são necessárias mais pesquisas para estabelecer as origens comuns da comunicação vocal.

A pesquisa de Jorgewich-Cohen mostra apenas que as tartarugas e outras espécies estão emitindo sons — não que estejam usando esses sons para se comunicar, disse ele. No artigo, Jorgewich-Cohen e sua equipe escreveram que “a presença de um repertório complexo (presença de vários sons diferentes e/ou chamadas harmônicas)” indicava “significado comunicativo”.

Estabelecer que os sons são realmente uma comunicação significativa exigirá mais pesquisas, disse Wiens. Ele apontou para experimentos de reprodução, como quando os pesquisadores reproduzem gravações de dois sapos machos diferentes para uma fêmea ver o que a atrai mais. 

Experimentos como esses fornecem evidências mais significativas de que os sons são realmente usados ​​para comunicação, de acordo com Wiens.

E os critérios para o que os cientistas identificaram como comunicação acústica não eram claros, disse ele. “Em alguns desses casos, é difícil dizer que eles estão fazendo sons”, disse Wiens.

Ainda assim, o artigo é útil para mostrar que o mundo animal é realmente mais tagarela do que os cientistas pensavam antes.

“Eles documentaram mais coisas emitindo sons do que as pessoas tinham percebido anteriormente”, disse Wiens. “Esse é o primeiro passo.”

O próximo passo deve ser implementar experimentos de reprodução e outros testes “para descobrir se eles têm comunicação acústica ou não”, disse ele.

Daqui para frente, Jorgewich-Cohen diz que espera decifrar o que as tartarugas estão realmente dizendo umas às outras — se alguma coisa.

“Na maioria dos casos, nós apenas sabemos que eles estão fazendo sons. Não sabemos o que eles significam”, disse ele.

E “além disso, gostaria de entender um pouco sobre sua capacidade de cognição — como eles pensam, mais do que realmente o que os sons significam”.

Além disso, entender o papel que o som desempenha na vida das tartarugas pode ajudar a contribuir para os esforços de conservação.

“As tartarugas são o segundo grupo de vertebrados mais ameaçado de extinção, atrás dos primatas”, disse ele. “Quando pensamos em sua conservação, nunca consideramos o ruído humano como uma fonte de problemas, e acho que talvez agora devêssemos começar a considerá-lo, repensando como fazemos conservação.” 

Reportagem é interrompida por tromba de bebê elefante no Quênia

 

Reportagem é interrompida por tromba de bebê elefante no Quênia

O curioso animal de 4 anos de idade inspeciona o jornalista na cabeça e no nariz com sua tromba e gera risos entre a equipe; gravação foi feita em um centro de reabilitação de vida selvagem

Alvin Patterson Kaunda, repórter do canal KBC, tenta falar enquanto o bebê elefante inspeciona seu rosto com a tromba.
Alvin Patterson Kaunda, repórter do canal KBC, tenta falar enquanto o bebê elefante inspeciona seu rosto com a tromba.Reproduão/KBC

Gustavo Zanferda CNN

em São Paulo

Ouvir notícia

Um jornalista do canal de notícias queniano KBC teve sua reportagem interrompida por um curioso bebê elefante, que usou sua tromba para inspecionar o repórter durante a gravação.

“Eu senti a tromba fazendo cócegas, mas tentei manter a calma”, disse Alvin Patterson Kaunda.

Nas imagens, Kindani, o bebê elefante de 4 anos de idade, aparece usando sua tromba para tocar a cabeça e o rosto do jornalista, que não conseguiu conter a risada.

O animal faz parte do Sheldrick Wildlife Trust, um centro de reabilitação de vida selvagem sem fins lucrativos para elefantes e rinocerontes em Nairóbi, capital do Quênia.

O vídeo foi compartilhado na conta oficial do centro de reabilitação no Instagram.

Mesmo com a interrupção pelo simpático elefante, Kaunda conseguiu passar a mensagem. “As ações humanas estão destruindo habitats, dizimando todo o nosso ecossistema e interrompendo o ciclo da vida”, disse o repórter no vídeo.

“Sob os crescentes casos de seca, cabe a nós sermos guardiões de nosso próprio mundo natural, salvar nossa única espécie e fornecer um lar”, finaliza.

Centenas de presos em operação da Interpol contra comércio de animais silvestres

 https://exame.com/esg/centenas-de-presos-em-operacao-da-interpol-contra-comercio-de-animais-silvestres/


EXAME 

Centenas de presos em operação da Interpol contra comércio de animais silvestres

A organização informou, ainda, a apreensão de quase 780 quilos e 516 peças de marfim de elefante, 1.795 répteis e quase meia tonelada de peças e produtos derivados de répteis

Foram apreendidos, também, 2.813 quilogramas de produtos marinhos (corais, enguias, pepinos-do-mar) e 1.190 tartarugas (Getty Images/Getty Images)

AFP

6 de dezembro de 2022, 20h08

Uma grande operação internacional contra o comércio ilegal de animais silvestres e madeira levou centenas de pessoas à prisão e provocou o desmantelamento de redes criminosas, anunciou a Interpol nesta terça-feira, 6.

A operação, nomeada "Thunder 2022", foi coordenada pela Interpol e pela Organização Mundial de Alfândegas (OMA) entre 3 a 30 de outubro. A ação mobilizou a polícia, alfândega e serviços de inteligência de 125 nações, um recorde de participação de países nesse tipo de operação desde 2017, quando começou a ser realizada.

A operação visava o cumprimento da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES).

Por meio de inspeções de rotina e verificações direcionadas, centenas de pacotes, malas, veículos e navios foram examinados, muitas vezes com a ajuda de cães policiais e scanners de raios-X.

De acordo com um balanço preliminar, foram realizadas 2.200 apreensões no âmbito da "Thunder 2022", além da identificação de 934 suspeitos e 141 empresas supostamente envolvidas em vendas ilegais.

Entre as apreensões, a Interpol registrou 119 felinos, 34 primatas, 136 partes de corpos de primatas, 25 chifres de rinoceronte, nove pangolins, 389 quilogramas de escamas e outros derivados de pangolins, 750 aves e mais de 450 partes destes animais.

A organização informou, ainda, a apreensão de quase 780 quilos e 516 peças de marfim de elefante, 1.795 répteis e quase meia tonelada de peças e produtos derivados de répteis.

Foram apreendidos, também, 2.813 quilogramas de produtos marinhos (corais, enguias, pepinos-do-mar) e 1.190 tartarugas.

A Interpol informou a apreensão de madeiras de jacarandá, cactos, orquídeas e toneladas de outras plantas.

"As operações são importantes para a segurança mundial, pois o tráfico de madeira e espécies silvestres não representa apenas um problema para a proteção" do meio ambiente, comentou o secretário-geral da Interpol, Jürgen Stock, citado no comunicado.

"Existem agentes que perdem suas vidas todos os anos, meios de subsistência são destruídos (...), governos são enfraquecidos e economias inteiras são destruídas", já que "os enormes lucros potenciais atraem o crime organizado e os terroristas", explicou Stock.

 

Países da Celac apoiam candidatura de Belém como sede da Cúpula do Clima da ONU

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IstoÉ



Países da Celac apoiam candidatura de Belém como sede da Cúpula do Clima da ONU


A COP-30 ocorrerá em 2025. A sede da conferência será escolhida neste ano, durante realização da COP-28, em dezembro, nos Emirados Árabes (Crédito: Ricardo Stuckert/ PR)

Estadão Conteúdo

24/01/23 - 16h45 - Atualizado em 24/01/23 - 18h29

Os países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) vão manifestar nesta terça-feira, dia 24, apoio à candidatura brasileira para sediar a Cúpula do Clima (COP-30) das Nações Unidas, na Amazônia. O gesto foi negociado pelo Itamaraty e consta no rascunho da Declaração de Buenos Aires, uma carta que será adotada entre os países-membros.

No texto da declaração os representantes dos países vão dizer que saúdam a candidatura brasileira, um indicativo de apoio em futuras votações no âmbito das Nações Unidas, conforme diplomatas a par das negociações.

+Uruguai propõe à Celac criar área de livre-comércio na região

A COP-30 ocorrerá em 2025. A sede da conferência será escolhida neste ano, durante realização da COP-28, em dezembro, nos Emirados Árabes.

A 7ª Cúpula da Celac, realizada na capital da Argentina, reúne representantes, como chefes de Estado e de governo, ministros e chanceleres, de 33 países latino-americanos e caribenhos. A edição marca o retorno do Brasil ao mecanismo de coordenação multilateral, do qual saíra no governo Jair Bolsonaro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou a proposta de uma conferência climática amazônica antes mesmo de assumir o atual mandato. Já no poder, formalizou Belém (PA) como cidade-sede, em 12 de janeiro. Antes, Lula vai convocar uma Cúpula dos Países Amazônicos.

Conforme diplomatas, o Brasil manifestou o pedido de apoio a sua candidatura às demais nações da Celac para também verificar se havia outros interessados, entre os vizinhos e entorno, em sediar a COP-30.

“O apoio que estamos recebendo dos países da CELAC é indispensável para que possamos mostrar ao resto do mundo a riqueza de nossa biodiversidade, o potencial do desenvolvimento sustentável e da economia verde, além, é claro, da importância de preservação do meio ambiente e do combate à mudança do clima”, disse Lula, em discurso na abertura do encontro em Buenos Aires.

Durante o governo Jair Bolsonaro, o Brasil desistiu de receber a COP-25, em 2019. O Chile assumiu a organização, mas ela foi transferida para Madri, na Espanha, por causa de protestos sociais que causavam insegurança no país andino. Outros países como Colômbia e Costa Rica também assumiram mais posições de protagonismo nas discussões climáticas, no vácuo deixado por Bolsonaro.

Em declaração conjunta após reunião bilateral entre Lula e Alberto Fernández, o Brasil havia conseguido apoio da Argentina à realização da COP-30 em Belém.

 


segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Governo do Chile veta projeto bilionário de porto e mineração perto de reserva natural, habitat de pinguim ameaçado

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Governo do Chile veta projeto bilionário de porto e mineração perto de reserva natural, habitat de pinguim ameaçado

Governo do Chile veta projeto bilionário de porto e mineração perto de reserva natural, habitat de pinguim ameaçado

O governo do Chile, sob o comando do presidente Gabriel Boric, tomou uma decisão firme esta semana, aplaudida por ambientalistas. Foi vetada a construção de um complexo portuário, uma planta de dessalinização e a abertura de uma mina de ferro e cobre numa região próxima à Reserva Nacional Pingüino de Humboldt, ao norte do país, a 450 km da capital Santiago.

A reserva natural consiste em três ilhas e é habitat de 80% da população mundial do pinguim-de-humboldt (Spheniscus humboldti), espécie ameaçada de extinção. Além disso, vivem ali leões-marinhos, a menor espécie do planeta de lontra, assim como baleias.

Segundo a Andes Iron, empresa idealizadora do projeto Dominga, estimado em US$ 2,5 bilhões, as atividades iriam proporcionar milhares de trabalhos diretos e indiretos numa primeira fase e centenas de outros quando o porto e a usina de mineração entrassem em operação. A companhia afirmou que irá recorrer da decisão. Alega que a região é empobrecida economicamente e a população seria beneficiada com o empreendimento.

“O projeto Dominga não apenas cumpre, mas supera todos os padrões e está alinhado com os princípios estabelecidos pelo governo para projetos industriais e de mineração sustentáveis”, afirmou a Andes Iron em comunicado.

A previsão é que seriam extraídas 12 milhões de toneladas de minério de ferro por ano e 150 mil toneladas de cobre, em um período de 22 anos, tornando-se o maior empreendimento desse tipo no Chile.

Governo do Chile veta projeto bilionário de porto e mineração perto de reserva natural, habitat de pinguim ameaçado

Uma das ilhas que fazem parte do parque nacional: valor ecológico único
(Foto: César Villarroel/CONAF)

Desde que assumiu o governo em março do ano passado, Gabriel Boric já tinha demonstrado sua oposição ao projeto. Em 2017, a então presidente do Chile, Michelle Bachelet, também vetou os planos da Andes Iron. Todavia, seu sucessor, Sebastian Pinera, deu ordens para que a Suprema Corte reavaliasse a questão.

Investigações revelaram mais tarde que a família de Pinera esteve envolvida em negócios com a mineradora, realizados em paraísos fiscais.

“Estamos confiantes de que uma (decisão) robusta, baseada em evidências foi adotada aqui”, disse Maisa Rojas, ministra do Meio Ambiente. “O porto estaria em um lugar que tem um valor ecológico absolutamente único”.

Governo do Chile veta projeto bilionário de porto e mineração perto de reserva natural, habitat de pinguim ameaçado

Grupo de pinguins-de-humbold na reserva nacional do Chile
(Foto: César Villarroel/CONAF)

*Com informações do site Phys.org

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Fotos: reprodução Facebook Corporación Nacional Forestal (CONAF)/Ministério da Agricultura Chile/César Villarroel

Pesquisadores encontram rochas formadas por plástico na Ilha da Trindade

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Pesquisadores encontram rochas formadas por plástico na Ilha da Trindade



Estudo em área de proteção ambiental contribui para o conhecimento de novas ocorrências de poluição e demonstra como o plástico está se integrando ao ciclo geológico no ambiente costeiro e marinho

O arquipélago pertence a uma cadeia de montanhas submarinas do Atlântico numa linha reta que vai do Estado do Espírito Santo em direção à África e possui uma área de 9,2 quilômetros quadrados. A Ilha surgiu há aproximadamente 3 milhões de anos depois de uma série de explosões vulcânicas. 

POR JÉSSICA TOKARSKI JAN 18, 2023 CIENCIA UFPR

O aumento da produção e do consumo de novos materiais, a partir do desenvolvimento tecnológico, tem ampliado a capacidade de os seres humanos influenciarem o ciclo geológico da Terra, tornando-nos capazes de alterar irreversivelmente esses processos. A poluição, encontrada especialmente no ambiente marinho e ocasionada, em grande parte, pelos materiais plásticos, pode alterar até mesmo os cenários de fauna e de flora do ambiente terrestre.

É o que sugere um artigo publicado por cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e de outras instituições brasileiras no periódico Marine Pollution Bulletin, da plataforma ScienceDirect (Elsevier). Os autores encontraram novos dados que comprovam que o homem está atuando como agente geológico e ocasionando a geração de novas rochas, a partir da poluição marinha.

Antropoceno – O impacto humano no planeta Terra é o campo de estudos dos pesquisadores do Antropoceno, perspectiva que representa o tempo em que a humanidade está se tornando o agente geológico ativo dos processos geológicos atuais. O tempo geológico, que embasa importantes teorias fundamentais da ciência moderna –como a Teoria da Evolução –, representa o reconhecimento de uma escala cronológica que subdivide os 4,5 bilhões de anos de história da Terra e é crucial para o entendimento da evolução do planeta, desde o seu início até como o conhecemos hoje.

O estudo relata a ocorrência de rochas idênticas às naturais mas compostas por plástico no Parcel das Tartarugas, região da Ilha da Trindade – ilha vulcânica localizada a 1.140 quilômetros de Vitória (Espírito Santo) e administrada pela Marinha do Brasil. O local é uma importante reserva marinha do Atlântico Sul e uma Unidade de Monumento Natural Brasileiro. As rochas constituídas por plástico foram identificadas próximo à maior região de ninhos da tartaruga-verde (Chelonia mydas) e de recifes de caracóis marinhos do Brasil.

Pertencente à chamada Amazônia Azul – área com riquezas naturais e minerais abundantes que apenas o Brasil pode explorar economicamente –, a ilha é habitat natural de aves marinhas e alberga um ecossistema frágil e único que inclui espécies endêmicas de peixes e diferentes conjuntos recifais.

A descoberta de Fernanda Avelar Santos, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFPR, aconteceu durante atividades de mapeamento geológico na Ilha.

“Identificamos quatro tipos de formas de detritos plásticos, distintos em composição e aparência. Os depósitos plásticos na plataforma litorânea recobriam rochas vulcânicas; sedimentos da atual praia compostos por cascalhos e areias; e rochas praiais com superfície irregular devido à erosão hidrodinâmica”, descreve a pesquisadora.

As rochas plásticas foram encontradas no Parcel das Tartarugas, localizado na Ilha da Trindade. 

Piroplásticos encontrados na ilha, processos naturais como a erosão atuam sobre as rochas plásticas e criam este tipo de fragmento.

Rocha plástica encontrada no estudo , formada pelo derretimento e posterior solidificação de plástico liberado no meio ambiente. 

Navio Patrulha Oceânico Apa (P121), a Marinha do Brasil mantém sua presença constante na Ilha da Trindade desde a décade de 50. 

Estabelecido em 1957 o Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade foi criado para garantir a posse como território brasileiro, servindo como base científica. 

A base conta com uma população rotativa de 30 a 40 pessoas entre militares e pesquisadores. 

Em 1890 a Inglaterra ocupou a ilha tentando transformá-la em um entreposto no Atlântico Sul, mas um acordo diplomático resolveu a questão em 1896. 

Vista da base científica mantida pela Marinha na Ilha da Trindade. 

Tendo sido ocupada por diversas vezes desde sua descoberta em 1501, a ilha sofreu com o desmatamento, do qual ainda não se recuperou. 

A ilha conta com a presença de 6 espécies de aves marinhas como o trinta-réis-das-rocas que procuram a ilha para se reproduzir. 

Praias como essa são conhecidas como local de desova da tartaruga-verde. 

Especialistas acreditam que o caranguejo terrestre (Gecarcinus lagostoma) foi introduzido na ilha e tornou-se uma espécie invasora. 


As rochas plásticas foram encontradas no Parcel das Tartarugas, localizado na Ilha da Trindade. 

Os plastiglomerados, análogos às rochas sedimentares, foram relatados pela primeira vez no Havaí, em 2014. Outro material identificado na ilha brasileira foi o plastistone, similar às rochas ígneas e com composição predominantemente plástica. O elemento foi encontrado recobrindo rochas vulcânicas existentes na região, que registram o último episódio de vulcanismo ativo no Brasil.

“Além disso, observamos piroplásticos, descritos pela primeira vez na costa da Inglaterra”, revela Fernanda.

Os materiais retratados no artigo foram visualizados em campo em 2019 e possuem, no máximo, duas décadas de existência. Amostras coletadas passaram por análises laboratoriais que permitiram reconhecer diferentes formas de detritos plásticos. A autora explica que o fenômeno local-único ocorre acima de dois tipos diferentes de substratos – que estabelecem a ligação entre o substrato geológico e as formas plásticas.

Antropoceno: a era das consequências promovidas pelos homens no tempo geológico

A principal contribuição do artigo é o reconhecimento de que os seres humanos estão se comportando como agentes geológicos e influenciando os depósitos sedimentares. Com base nas intervenções humanas, os autores alertam que é necessário questionar o que é verdadeiramente natural.

Para a pesquisadora e coautora Giovana Diório, mestranda em Geologia na UFPR, o atual comportamento das pessoas em relação à poluição marinha está provocando uma mudança de paradigma da Geologia clássica, que possui uma perspectiva pré-antropocênica, ou seja, que entende os processos antigos da história da Terra a partir de uma concepção baseada no período anterior à interferência significativa do ser humano nos processos naturais.

“As ocorrências mostram que o impacto humano, assim como os seus resíduos, estão tão presentes no meio ambiente que começaram a influenciar processos antes considerados essencialmente naturais, a exemplo da formação de rochas”, pondera Giovana.

“Ao longo do tempo geológico, os principais agentes transformadores dos registros da Terra eram naturais. Por exemplo, processos tectônicos e mudanças climáticas. No entanto, a ação humana nos tempos atuais está tão penetrante que está modificando o planeta de forma mais acelerada do que os processos naturais”, declara a autora principal do artigo, que exemplifica: “ao destruirmos montanhas para exploração mineral ou realizarmos a construção de estradas, em semanas ou poucos anos essa montanha pode ser aplainada. Em um contexto de erosão natural, esse processo levaria milhares ou milhões de anos”.

O processo de formação de uma rocha a partir da poluição marinha, por exemplo, é rápido e depende de três etapas, nas quais o ser humano atua como principal agente geológico: disponibilidade de lixo plástico no ambiente marinho ou costeiro; arranjo e deposição do lixo em um local da praia, que ocorre quando as pessoas juntam o lixo a fim de descartar ou fazer fogueira; e aumento da temperatura do ambiente por meio de fogo, que derrete o plástico interage com os sedimentos da praia formando cimento plástico e, consequentemente, essas rochas.

Para o geólogo Carlos Conforti Ferreira Guedes, professor do departamento de Geologia da UFPR e colaborador no artigo publicado, é necessário preservar estratigraficamente o impacto humano na Terra. A análise sedimentar e estratigráfica é o estudo e a descrição dos sedimentos e rochas sedimentares para interpretar como eles foram formados.

Ele explica que, com os materiais não-naturais, como lixo e plásticos, ocorrendo de forma indiscriminada na natureza, eles passaram a participar dos processos sedimentares e a se acumularem junto às rochas clássicas, ficando preservados no que se chama de registro geológico. “Quando os geólogos do futuro forem analisar as rochas deste período, poderão reconhecer o impacto humano na Terra pela identificação desses materiais não-naturais junto aos materiais naturais”, reflete.

Apesar de ainda não ser possível definir os impactos dessas rochas compostas por plásticos para o meio-ambiente e como elas irão se comportar no registro geológico, Fernanda sugere que as Geociências comecem a considerar a ação humana, assim como os materiais antropogênicos, como atributos fundamentais nos processos recentes.

“Atualmente, os conceitos clássicos da Geologia consideram apenas os fatores naturais como preponderantes para definir termos, como a definição de rocha. Em uma perspectiva do Antropoceno, estes critérios precisam ser atualizados e integrar a ação humana como aspecto fundamental. Dessa forma, poderemos entender de que modo estamos impactando o sistema terrestre atual e buscar soluções para amenizar e construir um futuro geológico em harmonia com os sistemas naturais”, alerta a cientista.

O impacto humano no planeta Terra é o campo de estudos dos pesquisadores do Antropoceno, perspectiva que representa o tempo em que a humanidade está se tornando o agente geológico ativo dos processos geológicos atuais.

O tempo geológico, que embasa importantes teorias fundamentais da ciência moderna – como a Teoria da Evolução –, representa o reconhecimento de uma escala cronológica que subdivide os 4,5 bilhões de anos de história da Terra e é crucial para o entendimento da evolução do planeta, desde o seu início até como o conhecemos hoje.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Cientistas registram nascimento de milhões de tartarugas-da-amazônia, durante maior desova desses animais no planeta


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 Amazônia Bichos  




Cientistas registram nascimento de milhões de tartarugas-da-amazônia, durante maior desova desses animais no planeta

Um espetáculo da natureza que se repete todos os anos. E dessa vez, foi documentado através de vídeos e fotos pelos pesquisadores da Wildlife Conservation Society (WCS). Quando chega o final de setembro, milhares de fêmeas adultas de tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa) se reúnem em praias ao longo do rio Guaporé/Iténez, na fronteira do Brasil com a Bolívia. Lá acontece a nidificação anual e a eclosão dos filhotes, no que é considerada a maior agregação e desova de tartarugas do planeta.

A Podocnemis expansa é a maior espécie de tartaruga de água doce da América Latina: seu casco pode medir até mais de 1 metro e pesar cerca de 90 kg. As fêmeas colocam, em média, 100 ovos em cada ninho. São aproximadamente 60 dias de incubação, até que nasçam os filhotes entre novembro e o início de janeiro.

Na temporada de 2022, os cientistas da WCS, em parceria com a Ecovale, usaram drones para para estimar o número de tartarugas adultas e filhotes nascidos. Acredita-se que no ano passado estiveram ali 80 mil fêmeas.

“A nidificação anual e a eclosão da tartaruga-da-amazônia é um dos grandes espetáculos naturais da Terra. É visualmente deslumbrante, mas também extremamente importante ecologicamente para o ecossistema da Amazônia Ocidental”, diz Camila Ferrara, especialista em tartarugas do Programa WCS Brasil.

O objetivo do censo e monitoramento é traçar estratégias de proteção às praias de desova. É um esforço conjunto entre pesquisadores brasileiros e bolivianos.

Espetáculo anual da natureza
(Foto: Marcos Amend/WCS)

Antigamente, milhões desses quelônios eram observados nessa região amazônica. Historiadores relatam um verdadeiro “massacre” da Podocnemis expansa em séculos passados. Entre 1700 e 1903, algo em torno de 214 milhões de ovos foram coletados e enviados à Europa para atender à demanda por energia naquele continente. A espécie é um alvo fácil para a captura, uma vez que costuma desovar em praias, onde fica bastante exposta e vulnerável.

Além disso, a tartaruga-da-amazônia também é caçada por causa de sua carne.

Cientistas registram nascimento de milhões de tartarugas-da-amazônia, durante maior desova desses animais no planeta

Imagem aérea mostra as milhares de tartarugas no rio
(Foto: Marcos Amend/WCS)

Cientistas registram nascimento de milhões de tartarugas-da-amazônia, durante maior desova desses animais no planeta

Um filhotinho de Podocnemis expansa: a maior tartaruga de água-doce da América Latina
(Foto: WCS)

Atualmente na Amazônia podem ser observadas 21 espécies de quelônios, entre aquáticos, semi-aquáticos e terrestres. As tartarugas têm um importante papel em seus ecossistemas. Ao dispersar sementes, ajudam a regenerar a vegetação ao longo dos rios.

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Foto de abertura: Nikon Corporation/WSC)