quinta-feira, 13 de abril de 2023

80 organizações alertam governo para frear projeto de exploração de petróleo na foz do Amazonas

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80 organizações alertam governo para frear projeto de exploração de petróleo na foz do Amazonas

Representantes de 80 organizações da sociedade civil alertaram, ontem, 12/4, ministérios – Minas e Energia, Relações Exteriores, Pesca e Aquicultura, Povos Indígenas e Meio Ambiente e Clima – e órgãos do governo federal – Petrobras, Agência Nacional do Petróleo, Ibama e Funai – para que não seja emitida licença de extração de petróleo e gás na foz do rio Amazonas enquanto não for realizada uma avaliação ambiental estratégica para toda a região e se adotarem as medidas necessárias previstas na legislação. 

Segundo as organizações que subscrevem o ofício entregue ao Ministério das Minas e Energia, esse bloco é a porta de entrada de um projeto mais amplo, que pretende expandir a exploração e produção de petróleo e gás natural em toda a Margem Equatorial Brasileira.

“A abertura dessa nova fronteira exploratória é uma ameaça a esses ecossistemas e, também, é incoerente com os compromissos assumidos pelo governo brasileiro perante a população brasileira e a comunidade global”.

O documento reforça, ainda, o pedido para que sejam adotadas as medidas necessárias para a transição energética justa e inclusiva no Brasil.

O ofício traz o histórico da tentativa de licenciamento do bloco FZA-M-59, iniciado em 2014, quando a concessão da área era liderada pela britânica BP em parceria com a Petrobras.

Em 2021, a BP desistiu do negócio e a companhia brasileira assumiu 100% da concessão. Para que a exploração seja considerada, as organizações apontam os seguintes requisitos:

  • Elaboração da Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) para a bacia da Foz do Amazonas, pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e Ministério de Minas e Energia, com a efetiva análise sobre a compatibilidade da instalação da indústria petrolífera na região. Devem ser considerados os impactos cumulativos e sinérgicos de toda a cadeia produtiva sobre fatores ambientais e socioeconômicos e, também, o conjunto de blocos previstos pela ANP para a região, além de se garantir a transparência e ampla participação da sociedade;
  • Realização da consulta livre, prévia e informada dos povos e comunidades indígenas e tradicionais no Pará e Amapá, seguindo as diretrizes da Convenção OIT nº 169. Esse processo visa dar acesso à informação e participação sobre os impactos e riscos da instalação da indústria de petróleo na região, com a possível identificação de impactos ambientais e socioeconômicos ainda não avaliados e mitigados, notadamente os cumulativos, considerando o conjunto de blocos previstos pela ANP para a região;
  • Conclusão do estudo sobre a Base Hidrodinâmica da Margem Equatorial e a incorporação de seus resultados no estudo de modelagem de dispersão de óleo do bloco FZA-M-59; e
  • Demonstração da eficácia das ações de resposta transfronteiriça previstas no Plano de Emergência Individual em caso de acidentes com vazamento de óleo, considerando a necessidade de se comprovar a continuidade, de imediato, das ações de resposta em águas jurisdicionais da Guiana Francesa, por meio de documentos com esse conteúdo firmados com as autoridades locais e da França. 

Em suma, o pleito é de que não seja emitida licença de operação para nenhum bloco na bacia sedimentar da foz do Amazonas “enquanto não houver plena segurança técnica e jurídica para a tomada de decisão informada e precaucionária do órgão licenciador”.

Sobre a foz do Amazonas

A região da Costa Amazônica é um território estratégico para a conservação da biodiversidade, abrigando 80% da cobertura de manguezais do Brasil. De importância ímpar e reconhecimento internacional, essa região agrega ecossistemas únicos no mundo, que coevoluem, formando, assim, o estuário amazônico, ambiente rico em manguezais, ambientes recifais, economias e culturas locais.

rio Amazonas, elemento central desse sistema, representa o maior aporte de água continental no oceano e a maior descarga de sedimentos em suspensão, despejando anualmente 17% do total mundial. Toda essa pluma de sedimentos é considerada uma das maiores riquezas em nutrientes, abastecendo até áreas do Caribe e ainda considerada como um ecossistema de “carbono azul”, ou seja, que podem contribuir com o desejável balanço de CO₂.

O setor petrolífero avalia essa região como a fronteira exploratória no Brasil com maior volume potencial de reservas, podendo atingir 14 bilhões de barris de petróleo. Mas sua exploração, além de afetar o ecossistema, contribui com as mudanças climáticas, aumentando as emissões de gases de efeito estufa e outros poluentes, desviando investimentos de fontes renováveis de energia para campos de petróleo que, possivelmente, deverão ser desativados com o aumento dos preços de carbono e dos compromissos climáticos.
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*Este texto foi publicado originalmente no site do Observatório do Clima em 12/4/2023

Foto do satélite da Nasa

domingo, 9 de abril de 2023

Como matar vida selvagem tornou-se um jogo nos Estados Unidos

 https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2022/04/como-matar-vida-selvagem-tornou-se-um-jogo-nos-estados-unidos

Como matar vida selvagem tornou-se um jogo nos Estados Unidos

Pedidos de proibição aumentam à medida que controversos concursos de caça matam mais de 60 mil animais por ano.

POR RENE EBERSOLE

FOTOS DE KARINE AIGNER

PUBLICADO 5 DE MAI. DE 2022, 17:12 BRT

 


Competições de caça para matar animais selvagens como coiotes , linces, guaxinins, gambás e raposas por dinheiro e prêmios são cada vez mais controversas. Oito estados americanos os proibiram, e a legislação apresentada recentemente no Congresso dos EUA visa bani-los em terras públicas.

FOTO DE KARINE AIGNER

Aninhado em uma cabana camuflada ao amanhecer, Timothy Kautz aponta seu rifle para uma carcaça de veado colocada como isca em um vale coberto de neve e cercado por pântanos e florestas. Olhando para o celular, ele analisa um vídeo recente de uma câmera remota que mostra um canino marrom acinzentado com orelhas pontudas, focinho longo e estreito e cauda espessa mordiscando a carne do veado.

Mas, até agora, nesta manhã de fevereiro, o coiote não apareceu.

“Talvez ele tenha visto muitos de seus amigos serem baleados aqui”, diz Kautz, aquecendo as mãos com um aquecedor portátil a gás enquanto flocos de neve caem do lado de fora da janela. “Ele provavelmente estava sentado por perto quando abati um de seus amigos.” 

 Todos os anos, em fevereiro, os participantes da caça de três dias no Condado de Sullivan, nas Montanhas Catskill do estado de Nova York competem para matar a maior quantidade e os maiores coiotes do estado e de vários condados da Pensilvânia e Nova Jersey. Alguns recursos provenientes das taxas de entrada para a caça financiam programas de educação e conservação ao ar livre.





Agente do gabinete do xerife do Condado de Sullivan, nas montanhas Catskill, estado de Nova York, Estados Unidos, Kautz, 42, participa de um torneio anual de três dias no qual cerca de 400 caçadores disputam um grande prêmio de US$ 2 mil por matar o maior coiote.

Os Estados Unidos é o único país do mundo onde os animais selvagens são mortos às dezenas de milhares estritamente por prêmios e entretenimento, de acordo com a Humane Society. Estima-se que antes da pandemia de coronavírus, havia mais de 400 concursos anualmente, responsáveis por 60 mil animais mortos a cada ano. O Texas sozinho tem pelo menos 60 concursos anuais. Muitas competições oferecem uma variedade de vida selvagem como alvo, de guaxinins, esquilos, coelhos e marmotas a raposas, linces, arraias e corvos. Os coiotes, amplamente considerados um animal incômodo em todo o país, são o alvo mais popular. (Alguns estados mantêm conteúdos destinados a reduzir a vida selvagem invasora, como pítons-birmanesas na Flórida, porcos selvagens no Texas e ratões-d’água na Louisiana.)

 

Um competidor colocou uma carcaça de veado em uma trilha nevada de quadriciclo a cerca de 150 metros de uma cortina de caça para atrair coiotes necrófagos. Outros caçadores usam escopos noturnos de imagens térmicas especiais, dispositivos de chamada eletrônica e cães de caça.


As competições são cada vez mais polêmicas, criticadas como esporte sangrento. Até agora, oito estados – Arizona, Califórnia, Colorado, Maryland, Massachusetts, Novo México, Vermont e Washington – proibiram os concursos sob pressão de grupos de conservação e bem-estar animal. Os pedidos de proibição nacional ficaram mais evidentes depois que uma investigação secreta de 2020 da Humane Society revelou o surgimento de torneios de matança por meio de grupos do Facebook apenas para membros, levantando questões sobre se os concursos online violam as leis estaduais de vida selvagem e jogos de azar. No início de abril, o congressista Stephen Cohen, um democrata do Tennessee, e 15 co-patrocinadores apresentaram um projeto de lei para proibir concursos em todas as terras públicas.

Nos últimos anos, coiotes premiados no concurso em Catskills, co-organizado pela Federação de Clubes de Desportistas do Condado de Sullivan e pelo Corpo de Bombeiros Voluntários de White Sulphur Springs, pesavam cerca de 23 kg. Um dos dois primeiros coiotes abatidos por Kautz este ano registrou 22,06 kg. “É um cachorro grande”, diz ele, embora concursos anteriores o tenham ensinado a moderar seu entusiasmo. “Eu sempre sou derrotado por alguns gramas. Espero não ser derrotado este ano.”

Se Kautz não ganhar o grande prêmio, ele pode sair com US$ 500 pelo segundo lugar ou US$ 250 pelo terceiro. Os caçadores devem pagar US$ 35 para participar do concurso, valor que cobre o custo de um jantar de domingo e uma rifa de cinco dólares. Além de pagar prêmios, os lucros do concurso financiam programas ao ar livre para famílias e conservação ambiental. Além dos maiores prêmios, os caçadores competem pela caça mais pesada do dia (US$ 200), e há prêmios separados (US$ 100 cada) para mulheres e crianças. Para cada coiote qualificado, os caçadores recebem US$ 80. Prêmios e sorteios de prêmios são distribuídos no banquete. As prendas da rifa incluem armas de fogo, munição e dispositivos de alta tecnologia para atrair animais até a mira dos caçadores. Kautz já tem um plano para o que fará com o dinheiro do prêmio se vencer.

 

Timothy Kautz, um deputado do Gabinete do Xerife do Condado de Sullivan, fica sentado por horas em uma cortina de caça aquecida, esperando que um coiote se aproxime de sua isca de veado. Kautz participa da caçada regularmente desde os 14 anos.


As regras do concurso de Catskills estipulam que os coiotes devem ser mortos dentro da área designada, que inclui o estado de Nova York, cinco condados da Pensilvânia e um condado de Nova Jersey. Para validar que os animais foram mortos recentemente, a temperatura corporal deve estar entre 20 e 37°C. Espera-se que os competidores sigam as leis estaduais de caça, que permitem que os caçadores usem iscas, rifles de alta potência, lunetas de imagem térmica, dispositivos de chamada eletrônica e rastreamento com cães de caça.

Ao longo da história americana, os coiotes são recém-chegados ao estados do leste. No início dos anos 1800, os exploradores Meriwether Lewis e William Clark encontraram coiotes apenas a oeste do Mississippi, onde descreveram um "lobo da pradaria” do tamanho de uma raposa-cinzenta com uma cauda espessa e cabeça e orelhas de lobo. Desde então, os coiotes se mudaram gradualmente para o leste, preenchendo o vazio deixado pela extinção local de lobos e onças-pardas. Hoje, os coiotes do leste – maiores que seus ancestrais ocidentais porque cruzaram com lobos e cães domésticos – se sentem confortáveis ​​entre os humanos, prosperando até em algumas das maiores cidades e subúrbios do país, incluindo Nova York e Chicago.

As competições de caça de coiotes podem ter começado com a ideia de que exterminá-los ajudaria agricultores e pecuaristas, mas os defensores da vida selvagem dizem que há maneiras mais humanas de proteger o gado. Além disso, eles dizem que a acessibilidade de equipamentos de caça de alta tecnologia, incluindo visão noturna e armas de fogo de alta potência, transformou os eventos em matança gratuita.

“Os concursos de matança da vida selvagem não servem a nenhum propósito legítimo”, diz Kitty Block, presidente e CEO da Humane Society dos EUA “Coiotes, raposas e linces – animais essenciais para a saúde do nosso ecossistema – há muito são perseguidos por causa de equívocos usados ​​como desculpa para matá-los por diversão e para se gabar. Isso não pode ser permitido em uma sociedade civilizada, onde nossa vida selvagem desempenha um papel ambiental crítico”.

Pesando a caça

Uma tempestade de gelo seguida por um dia inteiro de chuva atrasa o início da caçada no condado de Sullivan deste ano em comparação com a anterior, em fevereiro de 2020, quando os participantes mataram um recorde de 118 coiotes. O evento começa oficialmente às 12h de sexta-feira e, ao meio-dia de sábado, o ritmo aumenta. Caçadores em picapes chegam com carcaças de coiotes embrulhadas em plástico e enfiadas em refrigeradores isolados para evitar que congelem nas temperaturas abaixo de zero do lado de fora. Há uma fila de coiotes mortos – línguas arrastando, pele manchada de sangue – no chão na estação de pesagem atrás do quartel, onde o cheiro fétido da morte se espalha pelo estacionamento.

John Van Etten, presidente da federação de desportistas, vestido com um boné de beisebol camuflado da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), macacão Carhartt, camisa de flanela e botas de borracha, é o homem da pesagem. Ele espeta os coiotes no intestino com um termômetro de carne para registrar a temperatura, depois prende correntes nas pernas dos animais e os pendura em uma balança. Enquanto estão pendurados, girando no ar, o sangue escorre na neve. Depois que o peso é registrado, Van Etten corta uma unha do pé de uma pata traseira – para garantir que ninguém entregue o mesmo coiote duas vezes. "As coisas que as pessoas fazem quando há dinheiro envolvido", reclama.

 Enquanto os competidores trazem seus coiotes para a sede do concurso - no quartel general do Bombeiros de Sulphur Springs - os animais são amarrados e pesados em uma balança digital. As regras estipulam que sua temperatura corporal deve registrar entre 20 e 37 graus para validar que eles foram mortos recentemente.


 


Microfones ultrassônicos comprovam que plantas emitem sons

 https://www.tecmundo.com.br/ciencia/262512-microfones-ultrassonicos-comprovam-plantas-emitem-sons.htm


Microfones ultrassônicos comprovam que plantas emitem sons

1 min de leituraImagem: Universidade de Tel Aviv

Quem conversa com as plantas pode não estar muito equivocado: uma pesquisa publicada em 30 de março na revista Cell mostrou que as plantas normalmente emitem sons quando expostas a uma condição de estresse. Além disso, cada padrão ultrassônico identificado pode ser associado a um tipo diferente de reação orgânica a diversos estímulos ambientais.

A descoberta foi registrada em caixas acústicas por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, que gravaram e classificaram os sons distintamente emitidos por plantas. Inaudíveis ao ouvido humano, os sons de clique, parecidos com o estouro de pipocas, atingem um volume semelhante ao da nossa fala, porém em altas frequências.

De acordo com a pesquisadora líder do estudo, professora Lilach Hadany, da Faculdade de Ciências da Vida Wise, antes de testar as plantas na caixa acústica, "nós as submetemos a vários tratamentos: algumas plantas não eram regadas há cinco dias, outras tinham o caule cortado e outras não eram tocadas".

Como foram gravados os sons das plantas?

O estudo teve início com a colocação das plantas em uma caixa acústica em um porão silencioso sem qualquer tipo de ruído de fundo. Usando microfones ultrassônicos, os pesquisadores gravaram sons com frequências entre 20 e 250 kilohertz, bem acima da frequência de 16 kHz que é a máxima detectável por um ser humano.

Concentrando-se principalmente nas plantas de tomate e tabaco, os cientistas começaram a testar se os sons dessas plantas são afetados pela sua condição atual. As gravações registraram plantas emitindo sons em frequências entre 40 e 80 kWz. Plantas não estressadas emitiram menos de um som por hora, enquanto as estressadas (desidratadas ou feridas) emitiram "dezenas de sons a cada hora".

Analisadas por algoritmos de aprendizado de máquina especialmente programados, as gravações mostraram que as plantas não apenas emitem sons, como esses registros podem ser "detectados por criaturas próximas, como morcegos, roedores, vários insetos" para obter informações relevantes, diz Hadany. "Acreditamos que os humanos podem também utilizar essas informações, com as ferramentas certas", especula.

Animais eram presos, acusados, julgados e condenados por crimes na Idade Média


Porcos eram os bichos que mais recebiam acusações.
Julgamento muitas vezes acabava com a pena máxima: forca.

  Giovana Sanchez

Do G1, em São Paulo

 

Ampliar FotoFoto: Arte/G1

Ilustração mostra porco prestes a ser enforcado. Na Idade Média, animais eram julgados como humanos e podiam pegar a pena máxima, de execução (Foto: Arte/G1)

Em 1386, um julgamento na cidade francesa de Falaise condenou o réu à pena máxima, enforcamento em praça pública, por cometer infanticídio – assassinato de criança. No dia da execução, o povo se aglomerou para ver o espetáculo. Pela importância da solenidade, o carrasco recebeu um par de luvas brancas. No centro do show estava a ré: uma porca. Sim, isso mesmo. A porca havia sido julgada e condenada à forca. Na Europa feudal, o julgamento de animais era comum, já que se acreditava que, se eles eram responsáveis por crimes, deveriam responder por eles.

O júri era igual ao aplicado aos humanos – e até a advogados os animais tinham direito. A interpretação da criminalidade animal provavelmente vinha das crenças judaico-cristãs. Em uma passagem bíblica, a morte por apedrejamento é citada: “E se algum boi escornear homem ou mulher, que morra, o boi será apedrejado certamente, e a sua carne se não comerá; mas o dono do boi será absolvido.” (Êxodo, capítulo 21, versículo 28).

 

Segundo a professora de literatura inglesa da Universidade da California e autora do recém-lançado "For the Love of Animals: The Rise of the Animal Protection Movement" ("Pelo amor dos animais: o surgimento do movimento de proteção animal", em tradução literal), Kathryn Shevelow, em entrevista ao G1 por e-mail, a tradição de julgamentos era especialmente comum na França. "Os crimes eram geralmente homicídio ou crimes sexuais, como de humanos que fazem sexo com animais. Nessa época, os homens consideravam os animais moralmente responsáveis por seus atos."

 

 

No livro “The criminal prosecution and capital punishment of animals”, inédito em português, o americano Edward Payson Evans examina detalhes de 191 casos do tipo. Segundo ele, os julgamentos ocorreram principalmente entre os séculos XV e XVII, sendo que o primeiro registro encontrado pelo autor data de 824, quando toupeiras foram excomungadas no Vale de Aosta, noroeste da Itália. O último caso, segundo o livro, foi em 1906, quando um cachorro foi julgado em Délémont, na Suíça. 

 

Em alguns casos, os animais obtinham clemência. O júri podia ser tanto eclesiástico como secular, e o crime mais comum era homicídio - mas também foram registrados roubos. Além dos porcos, entre os bichos citados há abelhas, touros, cavalos, ratos, lobos, gatos e cobras.

 

Porcos

Entre os animais acusados, os porcos estavam entre os que mais frequentavam o banco dos réus. Segundo escreveu Piers Beirne, professor de criminologia da Universidade de Southern Maine (EUA), em um artigo sobre o assunto, o motivo de os porcos serem comunmente acusados é que eles viviam livremente com os homens, e seu peso e tamanho faziam com que causassem problemas. 

 

O filme “Entre a Luz e as Trevas”, de 1993, mostra um advogado que viajou ao interior da França e acabou defendendo um porco em um julgamento. 

 

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sexta-feira, 7 de abril de 2023

Insetos na alimentação. Cem paises já os consomem.Defensores da matança de bois, frangos e porcos querem passar lei proibindo os brasileiros de terem acesso a tal tipo de alimento que já comprovou ter valor nutricional superior ao da carne

 https://www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2021/02/14/interna_bem_viver,1236860/insetos-na-alimentacao-a-espera-de-autorizacao.shtml

ALIMENTAÇÃO

Insetos na alimentação: a espera de autorização

Conhecimento ainda preso nas universidades, o consumo de insetos na alimentação humana exerce papel na questão ambiental, nutricional e medicinal

LM

Lilian Monteiro

 

14/02/2021 04:00 - atualizado 12/02/2021 09:12

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Conhecimento represado na academia, a introdução de insetos na alimentação precisa ganhar as ruas, ser discutido, informado e experimentado pela população, já que um dia estará no prato de grande parte das pessoas ao redor do mundo. A bióloga Patrícia Milano, doutora em entomologia pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que o Brasil é um país rico em oportunidades e conhecimento, porém isso ainda está muito preso dentro das universidades. “É preciso que a rede pública abra espaço para que na educação nas escolas se fale mais sobre alimentação humana com insetos, em controle de pragas com insetos, na importância dos insetos como polinizadores e, portanto, geradores de grande parte dos alimentos que consumimos.

 

Logicamente, podem ser vetores de doenças, como dengue, malária e doença de Chagas. “Porém, não se deve focar somente nestes casos e na importância do controle, mas ensinar que os insetos são bons e um alimento importante e riquíssimo para muitas espécies animais e também para os humanos. Os ganhos no consumo são muitos. Vão desde a questão ambiental, até a nutricional e medicinal, uma vez que eles podem até evitar doenças”, destaca.

 

bióloga Patrícia Milano, doutora em entomologia pela Universidade de São Paulo (USP), comendo uma torrada com torrada com larvas de tenebrio(foto: Arquivo Pessoal)

Patrícia Milano, que é pesquisadora e fundadora da Ecological Food, empresa que cria insetos para alimentação animal e humana, afirma que já existem espécies de insetos cadastradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para criação de animais, inclusive para que produtores de ração possam incluir insetos em seus produtos. Segundo ela, muitas pesquisas vêm sendo desenvolvidas nas universidades para que o conhecimento das espécies de insetos, as fases e as porcentagens a serem utilizadas nas rações sejam conhecidas e, futuramente, cadastradas.

 

“Em relação à alimentação humana, o que sabemos é que não é proibido comer insetos no Brasil. No entanto, fazer produtos à base de insetos e disponibilizá-los para venda, isso é proibido, a não ser que esse produto tenha origem conhecida, tenha inspeção do Mapa e também autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).”

 

E por que isso? “Porque temos de ter segurança nos produtos que comemos, saber se os insetos incluídos nos produtos foram criados de forma limpa, do que se alimentaram, como foram abatidos, qual o tipo de processamento que sofreram até se obter uma farinha, a qual poderá ser acrescentada em massas de macarrão, por exemplo, se estão livres de micro-organismos, se podem ser tóxicos, se alérgicos podem comer, qual a porcentagem segura de utilização das farinhas de insetos. Todas essas perguntas serão respondidas ao Mapa e à Anvisa quando uma empresa solicitar a autorização desses órgãos e, assim, o consumidor saberá que come algo seguro. É preciso lembrar que, graças à atuação desses dois órgãos, somos um país que tem alimentos limpos, com qualidade superior a outros mais desenvolvidos”, afirma.

 

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A bióloga explica que a Ecological Food nasceu depois de 23 anos de trabalho com insetos. “Depois que terminei meus estudos e trabalhei em empresas de controle biológico de pragas, resolvi criar meu próprio negócio, mas com foco na alimentação. Criar insetos para alimentação animal, além de ser saudável para os animais, é saudável para a saúde do planeta. Portanto, tudo a ver com o fato de eu ser bióloga. Assim, nasceu a empresa. Os produtos da Ecological Food são de insetos criados de forma laboratorial, para o mercado pet. Tenho autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e comercializo grilos, larvas do besouro tenébrios e baratas.”

 

COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA 




Patrícia Milano destaca que a alimentação humana com insetos é uma realidade e cresce cada vez mais com muitas empresas na Europa, na Ásia e na Austrália. Para a bióloga, as pessoas têm de saber dos benefícios da criação de insetos para alimentação animal e humana, já que é uma produção que não desmata grandes áreas pode ser feita na vertical, como em prédios, não polui rios ou solo, pelo contrário, as fezes dos insetos servem de adubo para plantas, a produção não emite grandes quantidades de gases de efeito estufa e não exige grandes gastos de água.

 

“E no futuro próximo, as pessoas não precisarão ter medo de comer produtos à base de insetos. Se levarmos ao conhecimento delas que eles têm propriedades comprovadamente científicas, que podem combater a desnutrição infantil, como já ocorre na Malásia, combater células cancerígenas e ser um excelente suplemento alimentar, ser excelente para mulheres grávidas e lactantes, além dos esportistas, que precisam repor muita proteína e minerais, se a população tiver acesso a essas informações e confiança na forma como eles são criados acredito que colheremos muitos benefícios para a saúde de muitos.”

 

No entanto, Patrícia Milano faz uma ressalva: não é legal sair por aí coletando insetos e comendo-os sem um tratamento ou sem saber do que eles se alimentaram, como a formiga tanajura, ou içá, ou a larva do coquinho que se come na selva, são coletados na natureza e ingeridos. “Para comer insetos é necessário saber como eles foram criados, do que se alimentaram, se têm alguma toxina, quais as fases do inseto que podemos comer etc. Portanto, quando for autorizada a venda de insetos para consumo humano, seria importante as  pessoas comprarem de fontes conhecidas e seguras.”

  

GORDURA 

 

(foto: Arquivo Pessoal)

Embora o consumo de insetos já seja uma realidade em muitos países, no Brasil, por exemplo, ainda não existe uma legislação específica para criação, uso e consumo de insetos na alimentação humana, o que limita essa prática e colabora para a desinformação sobre o assunto

Rafael Ribeiro Soares Araújo, pesquisador e estudante de doutorado em biotecnologia da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop)

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 Rafael Ribeiro Soares Araújo, pesquisador e estudante de doutorado em biotecnologia da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), destaca que, quando se fala em um produto alimentício à base de insetos, é necessário que parâmetros e condições para criação, produção e processamento sejam regulamentados sob a forma de legislações, normativas e diretrizes para que orientem a produção e garantam a qualidade do produto e a saúde do consumidor. “Embora o consumo de insetos já seja uma realidade em muitos países, no Brasil, por exemplo, ainda não existe uma legislação específica para criação, uso e consumo de insetos na alimentação humana, o que limita essa prática e colabora para a desinformação sobre o assunto.”

 

O pesquisador enfatiza que na natureza existe um grande número e variedade de insetos. Entre essa vastidão, os comestíveis podem ser apontados como uma alternativa eficiente para suprir a demanda por alimentos com alto conteúdo proteico. “Quando se fala em proteína, a indústria alimentícia para atender à demanda futura, já nas próximas décadas, precisará aumentar a produção de carne em pelo menos 20%. Esse aumento tem impactos ambientais, considerando o modelo clássico de criação de animais. A título de comparação em relação à quantidade de proteína produzida por hectare, para cada hectare usado para criação de insetos, são necessários 10 hectares para gerar a mesma quantidade de proteína bovina.”

 

Além da proteína, Rafael explica que insetos têm gorduras (ou lipídeos) em sua composição, sendo os dois principais constituintes. O grilo-preto (Gryllus assimilis), por exemplo, tem cerca de 22% de gordura, enquanto o tenebrio gigante (Zophobas morio) tem 44%. Um valor bastante elevado, que pode ser comparável ao conteúdo de gorduras presentes em nozes e sementes, por exemplo, como castanha-de-caju, amendoim, linhaça e coco. A composição da gordura desses insetos, em relação à composição de ácidos graxos, é ainda bastante atraente do ponto de vista nutricional, tendo em vista o equilíbrio entre ácidos graxos saturados e insaturados, semelhante ao óleo de palma.

 

E ainda, em relação à qualidade proteica, o grilo-preto exibe concentrações acima dos valores recomendados pela Food and Agriculture Organization (FAO) para a maioria dos aminoácidos essenciais. E todos podem consumir inseto ou produtos derivados, “com exceção claro, das pessoas que tenham algum tipo de restrição nutricional em relação à dieta, ou ainda se alérgicas a alguma proteína ou ao metabolismo dessas.”

 

Os insetos têm propriedades comprovadamente científicas, que podem combater a desnutrição infantil, como já ocorre na Malásia, combater células cancerígenas e ser um excelente suplemento alimentar, como já ocorre na China e Tailândia,  além dos esportistas, que precisam repor muita proteína e minerais”

 

INSETOS NA ALTA GASTRONOMIA?

 

Para o chef Felipe Caputo, é preciso um trabalho para tirar o preconceito sobre esse tipo de alimentação(foto: Débora Gabrich/Divulgação)



Que tal um carré de cordeiro em massala e capim-santo com farofa de formigas negras? Ou uma massa com molho de ervas frescas salpicadas e grilos fritos? Ou ainda gafanhotos cobertos com chocolate? Felipe Caputo, chef de cozinha especialista em comida mediterrânea, com passagens por restaurantes do naipe do Soho House, em Malibu, e o ABCV, em Nova York, reconhece que a primeira coisa que devemos pontuar quando o assunto é “insetos na gastronomia” é não só na alta gastronomia, mas existem vários países, mais do que imaginamos, que já têm a ingestão de insetos na alimentação. Para nós, ocidentais, é que é uma alternativa um pouco “diferente”. Mas várias pesquisas mostram que a refeição feita de insetos pode ser nutritiva e bem interessante.

 

Para Felipe Caputo, muito mais do que falar de insetos na alta gastronomia, é importante falar deles nas produções sustentáveis de alimentos. “Os frangos de granja são alimentados com milho e, muitas vezes, com soja e transgênicos. Eles poderiam ser alimentados com insetos. Existem estudos mundo afora tentando viabilizar uma produção de insetos para alimentar os frangos e animais das grandes produções agrícolas. Seria interessante fazer uma análise dos insetos dessa forma, já que traria um benefício maior para o mundo todo, pensando em uma produção mais sustentável.”

 

O chefe acredita que, com o passar dos anos e o crescimento populacional, é bem provável que os insetos ganhem muita força dentro da gastronomia e da alimentação humana devido ao seu alto valor biológico, baixíssimo impacto ambiental, além de ser nutritivos. Em diversos países africanos que lidam com o problema da fome há anos, por exemplo, a ONU tem uma lista de insetos recomendados para a alimentação. “Mesmo como chef que não cozinha com insetos, tenho consciência de que a grande barreira, principalmente no Brasil, é o preconceito. As pessoas ainda têm nojo e não querem nem experimentar.”

 

Felipe Caputo destaca que há no país uma Associação dos Criadores de Insetos, chefs biólogos reconhecidos e, mesmo assim, a maioria absoluta das pessoas acha que comer esse tipo de alimento soa estranho. “Num primeiro momento, temos de trabalhar a educação, ensinando as pessoas a não ter preconceito com esse tipo de alimentação. Um trabalho, literalmente, de formiguinha para ensinar as pessoas a comer formiga. Em países do Oriente, Ásia e África, já existem insetos na alimentação da população. Mais de 100 países já os consomem. Precisamos trabalhar esse costume e trazê-lo para a nossa realidade.”


https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-56999884

Mais informações sobre o assunto

A. CRUELDADE DA INDUSTRIA DE CARNE.

 https://conexaoplaneta.com.br/blog/por-tras-de-cada-pedaco-de-bacon-e-presunto-existe-uma-tootie-alerta-ong-australiana-em-nova-campanha/#fechar


Por trás de cada pedaço de bacon e presunto, existe uma Tootie”, alerta ONG australiana em nova campanha

Todo ano, mais de 5,5 milhões de porcos são abatidos pela indústria da carne, a maioria em câmaras de gás. As fêmeas são confinadas em gaiolas do tamanho de seus corpos, nos quais amamentam seus filhotes que, um tempo depois, desaparecem a caminho do abate. A crueldade vivida pelos animais criados para consumo não tem limite, por isso, a ONG Animals Australia se dedica a campanhas de conscientização.

Na mais recentemente, ela foca na crueldade contra os porcos, produzindo dois filmes de impacto para a TV: um meio macabro, de apelo forte, que causa desconforto ao apresentar “a difícil verdade” de fazendas e matadouros australianos; o segundo, mais leve e amoroso – daqueles que a gente sabe como termina, mas vai até o fim -, fala do papel que cada um de nós pode desempenhar nesse cenário. 

No primeiro vídeo, uma jovem mãe faz compras num supermercado com seu bebê e, de repente, se vê direcionada para um local escuro, onde leitoas confinadas em gaiolas apertadas amamentam seus bebês. Horrorizada, ela abraça seu filho, enquanto uma voz pergunta: “Você não sabia, não é?”, que nomeia a campanha e tem um site.

Esses animais são muito sensíveis – sencientes, como já revelaram diversas pesquisas -, sofrendo de depressão e ansiedade, que resultam da privação atroz que vivenciam, também das necessidades mais básicas. Depois de três anos, as porcas estão exaustas de tanta exploração, se tornando inúteis para a indústria e sendo mortas.

“Sabemos como foi difícil – muitos de vocês não sabiam a extensão do sofrimento a que os porcos são submetidos todos os dias nas fazendas e matadouros australianos. Mesmo agora, enquanto você lê isto. Conhecemos o sentimento de desespero. Que você se sente zangado, enojado, com o coração partido e traído por aqueles que, no final das contas, têm a ganhar com o sofrimento. Mas também sabemos o quanto você quer ajudar”, explica a Animals Australia nas redes sociais.

No segundo filme, um homem (Davo) dirige por uma estrada de terra quando avista um porquinho perdido. Na verdade, uma porquinha, que ele resgata com a intenção de encontrar seu dono. Depois de diversas tentativas – liga para todos que conhece no lugar -, finalmente o dono do animal o procura e ele combina de levá-la até sua fazenda.

Mas, ao chegar lá, desiste de entregá-la e volta feliz para casa em sua companhia, dando-lhe a chance de viver uma vida digna a seu lado e de sua família. Mas também permitindo-se viver uma nova e amorosa experiência com Tootie.

O convite da ONG com este vídeo é para que sejamos “herói para eles!”. Este é o slogan e a hashtag#BeTheirHero. Seu objetivo é ajudar a conscientizar o público consumidor e a criar leis que garantam a proteção desses animais e o fim de tanta crueldade.

A história de Tootie é tão linda que ganhou continuidade apresentando a relação da porquinha com os membros da família, inclusive o cachorro, enfatizando sua curiosidade e inteligência. Num dos filmes, Davo liga para um fast-food para pedir comida e, com a intervenção de Tootie, que está a seu lado, pede um lanche sem carne.

“Tottie é uma porquinha sortuda, e vive sua vida sendo vista como alguém, e não algo. Infelizmente, para mais de um bilhão de porcos no mundo, isso não é verdade. Por trás de cada pedaço de bacon e presunto, existe uma ‘Tottie’. E dentro de cada um de nós há o desejo de protegê-la”, destaca a ONG nas redes.

Os porcos são animais muito inteligentes, capazes de resolver quebra-cabeças, jogar videogames, além de aprenderem muito fácil em treinamentos, superando até mesmo nossos amigos caninos. 

A seguir, assista aos dois vídeos da campanha para a TV e, em seguida, um dos que dão continuidade à vida de Tootie com Davo e sua família.

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Foto (destaque): reprodução de vídeo