quinta-feira, 4 de maio de 2023

Pesquisadores alertam que bitucas de cigarro despejam milhares de toxinas no meio ambiente






Pesquisadores alertam que bitucas de cigarro despejam milhares de toxinas no meio ambiente

Pesquisadores alertam que bitucas de cigarro despejam milhares de toxinas no meio ambiente

O número de fumantes no mundo todo diminuiu muito graças a campanhas de advertência sobre os efeitos letais para a saúde provocados pelos cigarros. Todavia, as bitucas ainda estão entre os dez resíduos mais descartados no meio ambiente. Na verdade, elas aparecem em primeiro lugar entre os lixos encontrados em ações de limpeza de praia, segundo uma pesquisa realizada pela organização americana Ocean Conservancy.

E se não bastasse isso, cientistas da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, fazem um novo alerta: jogadas no meio ambiente, bitucas de cigarro podem liberar milhares de substâncias tóxicas, além de micropartículas plásticas.

O que popularmente chamamos de bituca é o filtro do cigarro. Em exames de laboratório, os pesquisadores testaram em larvas de mosquitos aquáticos os efeitos das toxinas que se encontram no filtro depois de fumar, bem como das substâncias que estão nele desde o início. O resultado apontou um aumento de 20% na incidência de mortes entre as larvas.

Estudos anteriores já tinham demonstrado que peixes expostos a toxinas presentes em apenas dois filtros de cigarros morriam.

“O filtro está cheio de milhares de produtos químicos tóxicos e fibras microplásticas, então não é qualquer pedaço de plástico que está sendo descartado no meio ambiente. É um resíduo perigoso”, diz Bethanie Carney Almroth, professora de ecotoxicologia da Universidade de Gotemburgo.

A partir do ano que vem, uma lei na Suécia obrigará os fabricantes de cigarro a pagar pelo custo da limpeza de bitucas nas cidades. Entretanto, os cientistas não acreditam que isso será suficiente.

“A limpeza custa milhões de coroas [suecas] aos municípios, mas ainda haverá muitas pontas de cigarro no meio ambiente”, ressalta Bethanie.

Para a professora, a única solução é banir os filtros de cigarros de uma vez por todas! Segundo ela, além do descarte de toxinas, a bituca é uma ferramenta enganosa de marketing que dá ao fumante a sensação de que ele está sendo protegido.

O estudo completo sobre o tema, divulgado na publicação Microplastics and Nanoplastics, pode ser lido, em inglês, neste link.

Fatos sobre as bitucas de cigarro

– Filtros de cigarro foram inventados na década de 1950 e hoje são encontrados em 90% desses produtos;
– Estima-se que 4,5 trilhões de cigarros com filtro sejam fumados e usados a cada ano. 65% dessas bitucas não são descartadas em lixeiras ou cinzeiros;
– Bitucas de cigarro fumadas podem conter 7 mil produtos químicos diferentes, enquanto os filtros não utilizados contêm 4 mil produtos químicos, muitos dos quais são tóxicos;
– Cada filtro consiste em aproximadamente 15 mil fibras microplásticas. Um total de 0,3 milhão de toneladas de fibras plásticas são liberadas no meio ambiente a partir de bitucas de cigarro todos os anos; Isso é aproximadamente a mesma quantidade de todas as máquinas de lavar domésticas do mundo.
– Estudos mostram que os próprios filtros podem ser um perigo para a saúde do fumante porque as fibras plásticas podem se soltar e entrar nos pulmões.

Fonte: University of Gothenburg

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Foto: domínio público/pixabay

sábado, 22 de abril de 2023

Após tentar chocar uma pedra, a águia Murphy se torna pai adotivo de filhote órfão

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Após tentar chocar uma pedra, a águia Murphy se torna pai adotivo de filhote órfão

Após tentar chocar uma pedra, a águia Murphy se torna pai adotivo de filhote órfão

Essa é uma daquelas histórias que poderia virar filme sobre animais. Com muitas lágrimas, mas um final feliz. Murphy é um macho de bald eagle (Haliaetus leucocephalus), a famosa águia-de cabeça-branca, símbolo dos Estados Unidos. Ele chegou ao World Bird Sanctuary, no estado de Missouri, com uma perna quebrada, quando tinha um ano.

Após ser tratado e se recuperar, Murphy foi solto na natureza, mas pouco tempo depois, resgatado novamente, com uma asa quebrada. Infelizmente, ele nunca mais conseguirá voar, por isso está há 30 anos no santuário.

Todavia, no começo de março seus cuidadores perceberam que a águia tinha feito um ninho bastante simples e começou a chocar uma pedra – na vida selvagem, após a fêmea colocar os ovos, o casal se reveza no cuidado ao futuro filhote.

“Desejamos toda sorte do mundo a Murphy, mas não vamos contar a ele sobre a realidade da situação”, escreveu o World Bird Sanctuary em suas redes sociais na época. “Até hoje nunca vimos uma pedra eclodir”.

A história viralizou nas redes sociais, com milhares de internautas sensibilizados com o comportamento de Murphy.

De qualquer maneira, seus cuidadores explicaram que a águia estava bem. Não vive sozinha, tem a companhia de outras quatro aves da mesma espécie. Além disso, era só um impulso hormonal e que logo, logo, provavelmente iria deixar a pedra de lado.

“É apenas sua resposta hormonal à primavera. Murphy não está triste, então você não precisa estar. As águias americanas machos participam igualmente na criação dos filhotes, então esse é um comportamento natural para um macho”, esclareceram.

Mesmo assim, Murphy precisou ser transferido para um novo recinto porque estava se tornando muito agressivo com as demais águias para proteger sua “pedra/ovo”.

Todavia, como todo enredo de filme precisa de uma reviravolta, algo surpreendente aconteceu. O santuário recebeu um filhote de águia com poucas semanas de vida que tinha quebrado a asa, depois de cair do ninho por causa de uma tempestade.

Decidiu-se então que talvez Murphy pudesse usar seus instintos paternais para cuidar do novo filhote.

Num primeiro momento, o filhote ficou numa pequena gaiola, protegido, para se ter certeza que seria bem aceito pelo pai adotivo. Com a atenção focada na novidade, a “pedra/ovo” foi removida do ambiente discretamente.

E no dia 13 de abril, aconteceu a prova de que os laços entre os dois eram reais. Murphy alimentou o filhote!

“Todos no santuário estão emocionados com Murphy. Notamos nos dias após sua chegada que o filhote tinha uma pilha de comida intocada, mas a barriga cheia. Enquanto isso, Murphy pega um peixe de um tubo acima de seu ninho, que havia desaparecido – ipso facto – Murphy alimentou o filhote”, compartilhou o World Bird Sanctuary.

Após tentar chocar uma pedra, a águia Murphy se torna pai adotivo de filhote órfão

A história de Murphy em fotos: ele chocando sua “pedra/ovo’, a chegada do filhote
e a interação entre os dois
(Fotos: divulgação World Bird Sanctuary)

Aves de rapina como falcões e águias têm instintos parentais muito fortes e são conhecidos por adotar outras espécies.

Entretanto, o World Bird Sanctuary informou que o objetivo é que quando o filhote estiver mais velho e sua asa consertada, ele seja reintroduzido na natureza.

Na vida selvagem, entre 70% e 80% das águias morrem antes de se tornarem adultas, por volta dos cinco anos. Aquelas que conseguem passar dessa fase, podem viver em torno de 20 a 25 anos. Em cativeiro, entretanto, a espécie sobrevive muito mais tempo – 40 ou 50 anos -, por estar em um ambiente seguro, ter alimentação garantida e cuidados veterinários.

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Foto de abertura: divulgação World Bird Sanctuary

Após 20 anos, primeiro leão é visto em parque nacional do Chade

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Após 20 anos, primeiro leão é visto em parque nacional do Chade

Após 20 anos, armadilhas fotográficas registram primeira imagem de um leão em parque nacional do Chade

“Uma linda leoa, no auge e claramente com ótima saúde”. Foi assim que representantes do governo do Chade e da Wildlife Conservation Society (WCS) descreveram a imagem incrível e tão celebrada do primeiro leão observado no Parque Nacional Sena Oura depois de 20 anos. A espécie era considerada extinta localmente.

Localizado na fronteira com Camarões, ao norte da África Central, esse parque nacional sofreu com a caça ilegal desenfreada no passado. Todavia, há uma década ações de conservação e fiscalização começaram a ser implementadas e um dos resultados pode ser visto agora com esse registro.

O mesmo foi feito no vizinho Camarões, onde a população de leões vem aumentando no Parque Nacional de Bouba N’djida e possivelmente, indivíduos estão ampliando sua área de distribuição e recolonizando áreas onde viviam anos atrás.

As armadilhas fotográficas que flagraram a imagem da leoa fazem parte do programa da Wildlife Conservation Society na região.

A ciência considera que exista apenas uma espécie de leão no mundo, a Panthera leo, e duas subespécies: o africano e o asiático. Entretanto, a população desses últimos é muito pequena, são aproximadamente 600 indivíduos que vivem na área do Parque Nacional da Floresta Gir, em Gujarat, na Índia. 

Segundo a WCS, embora os leões sejam classificados em geral como ‘vulneráveis à extinção‘ pela Lista Vermelha da União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN), as populações na África Ocidental e Central são também pequenas e fragmentadas e diminuíram cerca de 66% desde o início dos anos 1990; por isso, regionalmente eles são tidos como ‘criticamente em perigo’.

“Os leões da África Ocidental e Central são geneticamente distintos das populações mais robustas da África Oriental e Austral e sua recuperação é especialmente valiosa”, ressalta a organização.

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Foto de abertura: divulgação WCS

quinta-feira, 20 de abril de 2023

O equivalente a quase mil campos de futebol foi desmatado na Amazônia, por dia, nos três primeiros meses de 2023

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O equivalente a quase mil campos de futebol foi desmatado na Amazônia, por dia, nos três primeiros meses de 2023

O equivalente a quase mil campos de futebol foi desmatado na Amazônia, por dia, nos três primeiros meses de 2023

destruição da Amazônia continua em ritmo desenfreado. A devastação da maior floresta tropical do mundo triplicou em março e fez o primeiro trimestre de 2023 fechar com a segunda maior área desmatada em pelo menos 16 anos, só ficando atrás do registrado nos primeiros três meses de 2021. Os dados são do levantamento divulgado nesta quinta-feira (20/04) pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

De acordo com o monitoramento feito por imagens de satélite, foram derrubados 867 km² de vegetação da Amazônia no mês que passou, área que equivale a perda de quase mil campos de futebol por dia de mata nativa. 

Um dado alarmante é que o desmatamento cresceu em praticamente toda a região. Oito dos nove estados que compõem a Amazônia Legal apresentaram aumento nas taxas de deflorestamento em março, com exceção do Amapá.

O Amazonas foi o grande “campeão” no ranking do desmatamento, com uma alta assustadora de 767%. Em março de 2022 havia sido registrado 12 km² de devastação, e no mês passado, esse número saltou para 104 km². Isso representa 30% de toda a área desmatada na Amazônia nos 30 dias do mês que passou.

Segundo o Amazon, o sul do estado é onde o desmatamento foi mais acelerado, em municípios próximos à divisa com o Acre e com Rondônia, na região chamada de Amacro.

“Quando analisamos as categorias de territórios onde está ocorrendo o desmatamento na Amazônia, o Amazonas também tem sido destaque negativo em relação aos assentamentos e às terras indígenas. Em março, seis dos 10 assentamentos e quatro das 10 terras indígenas mais desmatados na região ficam no estado”, destaca Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.

Depois do Amazonas, o Pará é o segundo estado que mais desmatou, com um aumento de 176% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na sequência aparecem Mato Grosso (51%), Roraima (115%) e Rondônia (450%), onde a destruição da floresta em março foi seis vezes mais alta do que a observada em março de 2022.

“Os governos federal e dos estados precisam agir em conjunto para evitar que a devastação siga avançando, principalmente em áreas protegidas e florestas públicas não destinadas. Há casos graves como o da unidade de conservação APA Triunfo do Xingu, no Pará, que perdeu uma área de floresta equivalente a 500 campos de futebol apenas em março. Será preciso também não deixar impune os casos de desmatamentos ilegais e apropriação de terras públicas”, alerta o pesquisador Carlos Souza Jr., do Imazon.

O equivalente a quase mil campos de futebol foi desmatado na Amazônia, por dia, nos três primeiros meses de 2023

Gráfico mostra o avanço do desmatamento na Amazônia

*O Imazon é um instituto nacional de pesquisa, sem fins lucrativos, composto por pesquisadores brasileiros, fundado em Belém há 29 anos. Através do sofisticado Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), a organização realiza, há mais de uma década, o trabalho de monitoramento e divulgação de dados sobre o desmatamento e degradação da Amazônia Legal, fornecendo mensalmente alertas independentes e transparentes para orientar mudanças de comportamento que resultem em reduções significativas da destruição das florestas em prol de um desenvolvimento sustentável

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Foto de abertura: Christian Braga/Greenpeace (floresta atingida pelo fogo em Porto Velho, Rondônia, em 2022)