terça-feira, 3 de setembro de 2013

Durma com um barulho desses


Quem mora perto de casas noturnas se queixa da falta de tranquilidade durante as festas. É o eterno impasse entre quem deseja sossego e quem quer se divertir


 

Redação Jornal da Comunidade
Descansar, relaxar ou dormir em um ambiente próximo a uma festa barulhenta é praticamente impossível. Empolgado, quem está se divertindo simplesmente ignora o direito alheio à tranquilidade. Janelas tremem, a cabeça dói e não há sono que resista. Brasília, a exemplo de diversas outras grandes capitais brasileiras, convive com o impasse entre moradores em busca de sossego e proprietários de estabelecimentos comerciais noturnos de grande movimento. Bares, restaurantes, boates e casas de shows figuram na lista das recordistas de reclamações.

Foto: Sebastião Pedra/Cedoc – Bares e casas noturnas localizados nas proximidades de residências geram conflitos com os moradores e figuram na lista dos recordistas de reclamações.

Em cidades planejadas para grandes construções e casas de grande porte, como Lago Sul, Lago Norte e Park Way, as festas particulares promovidas em mansões produzem o som que incomoda os moradores. Já em cidades com ruas mais estreitas e com comércios muito próximos às áreas residenciais, como Guará, Cruzeiro e Sudoeste, os bares são os responsáveis pelo barulho.

Brunna Modesto, estudante de 22 anos e moradora da QE 4 do Guará, convive com o barulho noturno de um grande bar da cidade. Há alguns anos o estabelecimento passou por uma reforma e ganhou um espaço no subsolo, um pub que, segundo ela, aumentou o movimento no local.

“É difícil dormir com as pessoas conversando em voz alta nas mesas do barzinho, com a música e com as buzinas no estacionamento”, reclama Brunna. Ela mora no segundo andar do prédio, em frente ao bar. Porém, explica que a situação já esteve mais crítica. “As pessoas têm frequentado bastante o pub e lá as paredes vedam o som”, explica. A estudante conta que, apesar do barulho, o ambiente é tranquilo e raramente ocorrem confusões.

Brunna também se queixa do barulho durante os jogos de futebol. “Eles transmitem (os jogos) no bar com vários televisores. Normalmente no domingo, dia de descanso. Com o futebol, não há como conter o ímpeto do pessoal nas comemorações”, conclui a estudante.

O advogado Luiz Felipe Sá, 34 anos, mora na quadra 15 do Park Way. Próximo à residência dele há uma mansão onde frequentemente acontecem festas com a presença de grandes multidões. “Normalmente são eventos pagos, de grande porte, com bandas tocando ao vivo. A maioria vai até  a madrugada. Além da música alta, o som automotivo antes das festas é ensurdecedor”, desabafa o advogado.

Gustavo Cavalcante, gerente comercial da Paulo Baeta Empreendimentos Imobiliários, orienta as pessoas a pesquisarem bem a vizinhança antes de finalizar a compra de um imóvel. “Localização é fundamental. É importante passar pelo local em diferentes dias e horários”, diz. Gustavo cita que não é comum haver desvalorização financeira nesses imóveis, mas é possível que surjam pequenas dificuldades na hora da venda.


Academia faz festas e não respeita os horários

Algumas vezes os pedidos de silêncio e compreensão são ignorados. A PM do DF informou que o horário e o tipo de música executada no estabelecimento comercial devem estar de acordo com o alvará de funcionamento expedido pelas administrações regionais. Com relação à contravenção penal de perturbação da tranquilidade, todo cidadão que se sentir ofendido pode solicitar a presença da PM pelo telefone 190. 


Cabe ressaltar que é necessária a presença da parte ofendida para tal solicitação e deslocamento à delegacia.


Em Taguatinga alguns moradores também reclamam do barulho de certos estabelecimentos. A cidade é famosa por oferecer muitas opções de bares, restaurantes e boates. Mas o que tem tirado o sossego do supervisor de vendas C.B., 48 anos, morador da QNE 7, é uma academia.

Segundo ele, que pediu para não ser identificado, as atividades típicas do local, durante o dia e parte da noite, não roubam sua paz. Mas a cada 15 dias festas noturnas são promovidas no espaço e não respeitam horários.

C.B. explica que, apesar de morar em um prédio diferente daquele onde funciona a academia, os imóveis são no mesmo andar e separados por uma parede. “As músicas são de mau gosto e muitas palavras de baixo calão são gritadas na janela. É possível ver seguranças particulares nas entradas do prédio quando há evento. Tenho filhos adolescentes e me preocupo. Já liguei inúmeras vezes para a polícia e raramente vem uma viatura”, diz.

Ele acha que a ação da polícia poderia ser mais efetiva. “Quando os policiais são deslocados até aqui, o pessoal da festa abaixa o som e espera eles irem embora para retomar o barulho. Ficamos sem ter a quem recorrer”, diz. Ele conta que não é o único insatisfeito no prédio e todos têm medo de ser alvos de represálias.

Clayton Machado, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), explica que muitas vezes falta bom senso, também, a quem reclama do barulho. Para ele, o fato de Brasília ser uma cidade com endereços mistos (residências e comércios no mesmo prédio ou muito próximos) é responsável por boa parte das queixas. “No Sudoeste, por exemplo, os prédios comerciais são construídos para este fim. Mas o cidadão compra ou aluga uma loja nos andares de cima para usar como quitinete residencial e posteriormente reclama”, diz.

Clayton diz que é comum haver choques de horários nesse tipo de estabelecimento. “A pessoa chega em casa após as 18 horas querendo descansar, é um direito de todo trabalhador. Só que é nesse horário que os bares e restaurantes próximos estão iniciando o período de maior movimento”, conclui o presidente do sindicato

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