Desmatamento da Amazônia cai em janeiro, mas futuro permanece uma incógnita
Trata-se de um único mês de queda em meio a uma tendência de aumento do desmatamento de oito anos, com recordes consecutivos nos dois últimos anosPor WWF-Brasil
Dados consolidados dos alertas de desmatamento emitidos pelo sistema Deter do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) em janeiro de 2021 indicam uma queda de 70% na destruição da Amazônia no período.
Caso essa tendência se confirme ao longo deste e dos próximos anos, o Brasil poderá comemorar, já que a Amazônia é um dos principais reguladores do regime de chuvas do país, do qual dependem tanto nossa segurança alimentar como a energética, e também um dos mais ricos polos globais de biodiversidade, ainda pouco conhecido.
Como é a destruição da floresta que nos coloca entre os maiores emissores globais dos gases que estão causando o aquecimento global, manter essa tendência de queda no longo prazo contribuirá para que cumpramos e avancemos em nossas metas climáticas, como prevê o Acordo de Paris.
Porém, como diz o ditado popular, uma andorinha só não faz verão. Janeiro é mês chuvoso na Amazônia e, por isso, um período de retração no desmatamento. Além disso, trata-se de um único mês de queda em meio a uma tendência de aumento do desmatamento de oito anos, com recordes consecutivos nos dois últimos anos.
Mais que o desmatamento mês a mês, precisamos olhar tudo que já foi desmatado. Em 2019 havia apenas 79,83% da cobertura florestal original do bioma amazônico, segundo dados do Mapbiomas. Como a ciência calcula que a partir de 20%-25% a floresta perderá sua capacidade de auto-regulação, isso significa que já estamos na zona de risco.
Nesse processo, perderemos uma riqueza biológica incalculável e colocaremos em risco os milhões de pessoas que têm na floresta a base de seu modo de vida. Também colocaremos em risco de colapso a produção agropecuária e o abastecimento dos reservatórios de água e de geração de hidroeletricidade de todo o país.
Todo e qualquer desmatamento que acontece agora é perigoso, imoral e nos aproxima da catástrofe. Por isso torcemos para que a queda registrada em janeiro de 2021 não seja um fato isolado e se repita nos próximos meses e anos até alcançarmos o desmatamento zero –que é o único feito digno de ser comemorado.
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