segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Quem faz a cidade somos nós.....da SEDHAB!!!!



Excelentíssimo Senhor Geraldo Magela Pereira
Secretário de Habitação, Regularização e Desenvolvimento Urbano - SEDHAB


Excelentíssimo Senhor Secretário,


Venho, por intermédio deste Ofício, informar Vossa Excelência das irregularidades que foram cometidas durante a realização da Etapa Local da 5ª Conferência das Cidades, na Região Administrativa do Park Way.

Como é do conhecimento de Vossa Excelência a reunião foi realizada no dia 24 de agosto na Escola de Vargem Bonita.

Segundo o Regulamento das Etapas Locais, em seu art.4º, “Serão considerados participantes da etapa local da 5ª Conferencia Distrital das Cidades, com direito a voz e a voto, as pessoas que se credenciarem” na forma do regimento interno.

O Artigo 5º por sua vez decide que "Serão considerados observadores os cidadãos que não pertençam a entidades, que queiram contribuir para o debate e participar da etapa local da 5ª Conferência Distrital das Cidades, com direito a voz e não a voto.”

Ora, tendo em vista a diferença entre os "participantes" e os "observadores" deveria ter havido por parte dos representantes da SEDHAB um controle, por mínimo que fosse sobre os presentes. No entanto, apesar das críticas de alguns moradores, não foi solicitada a apresentação, na hora do credenciamento, de nenhum tipo de comprovante de residência, de filiação a entidade profissional, sindical, acadêmica ou organização não governamental à qual o morador alegava pertencer. Os representantes da SEDHAB, organizadores do evento, aceitaram as declarações dos presentes possibilitando dessa forma, que inúmeros participantes se auto designassem moradores do Park Way e membros de associações, muitas das quais ninguém tinha ouvido falar antes.

Além disso, alguns dos participantes que saíram antes do termino "repassaram" seus crachás de identificação a penetras que nem sequer tinham sido cadastrados mas que puderam, devido `a falta de fiscalização da SEDHAB, votar e serem votados!

Senhor Secretário,

Como Vossa Excelência deverá recordar – pois estava presente – a Plenária da 4ª Conferência das Cidades foi invadida por uma claque, organizada e levada pelo dono de uma casa de festas, treinada para vaiar e ridicularizar os moradores regulares do Park Way que na ocasião defendiam legitimamente a manutenção dessa RA como um bairro exclusivamente residencial.

Para espanto da plateia, os representantes da SEDHAB – inclusive Vossa Excelência – nada fizeram para retirar do recinto os integrantes da acima citada claque, apesar deles estarem perturbando o bom andamento da Plenária e humilhando os moradores regulares do Park Way.
   
Durante a Audiência Publica da LUOS (Lei de Uso e Ocupação do Solo), também de iniciativa dessa Secretaria, a dona de uma escola irregular no Park Way contratou 50 elementos para fazer o mesmo: vaiar e ridicularizar os moradores do Park Way que querem manter o bairro como de ocupação apenas para fins residenciais.

Senhor Secretário,

Vossa Excelência tem ambições políticas. Segundo os jornais, pretende se candidatar  a Senador.  Para tanto, deverá convencer os eleitores da  integridade e da transparência com que cuida das questões de interesse público.

Atitudes que possam causar suspeitas de manipulações, que tenham pouca transparência, que permitam que grupos organizados – e provavelmente pagos por pessoas e organizações com interesses próprios, nem sempre alinhados com as reais demandas da sociedade local – imponham suas vontades não angariam a confiança da população para com a SEDHAB e, consequentemente para com seus responsáveis. 
          Segundo alguns moradores do Park Way, a Conferência das Cidades não procura a participação dos cidadãos como afirma em seu folheto. Seria apenas uma "pantomima" para respaldar a vontade dos aliados do Governo, razão pela qual os representantes da SEDHAB simplesmente ignoraram as colocações dos moradores sobre o falta de credenciamento adequado das pessoas que participaram do evento.

Tal falta de cuidado possibilitou aos "penetras" que votassem e fossem votados e a consequência de tal irregularidade é que uma moradora do Park Way, professora da UNB, com graduação em meio ambiente e mestrado em educação perdesse a votação no segmento de pesquisador (a) acadêmico(a) para a dona de uma creche irregular!


Senhor Secretário,

A organização da Etapa Local da 5ª Conferência das Cidades não foi representativa do Park Way, não demonstrou a vontade de seus moradores.

Ao contrário, as manipulações e irregularidades foram tantas que mais uma vez ficou demonstrado que "Quem faz a cidade somos nós, .....da SEDHAB!"

Respeitosamente, 

Flavia Ribeiro da Luz
Associação Park Way Residencial

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A Conferencia das Cidades descrita por um morador.Excelente!


A Conferência Distrital das Cidades e o Park Way

A expressão popular, nas manifestações de rua, ganhou destaque em todo o país e mesmo internacionalmente, demonstrando, inequivocamente, uma vontade de participação ativa nos destinos do país. Essa participação começa numa base territorial concreta e conhecida: a cidade onde moramos. Neste sentido, a Conferência Distrital das Cidades, adere, conceitualmente, à vontade da população.

No entanto, há uma distância entre o conceito e a prática ou, como diz o dito "na prática a teoria é outra". Pudemos constatar este afastamento numa experiência real: a etapa local da Conferência, realizada na Escola da Vargem Bonita, que teve a presença de apenas 150 membros da comunidade do Park Way, uma comunidade de cerca de 25 mil habitantes. Mesmo assim, este evento contou com a maior participação de todos os realizados até então, no GDF, mais do que no Lago Sul, por exemplo.

Esta básica estatística evidencia uma enorme falha no trabalho de mobilização realizado pelo Governo do Distrito Federal e coloca em risco a legitimidade da Conferência.

Mas os problemas não param por aí: no credenciamento, para o evento, não foi exigido qualquer documento que qualificasse o participante como representante de um segmento (movimentos populares, ONGs, Sindicatos,....) com direito a voz e voto ou simples observador, apenas com direito a voz. Pior, não houve limite de participantes por unidade habitacional, favorecendo grupos de interesses - como os denominados empresários do Park Way - que levaram funcionários para votarem e, assim, poderem apoiar assuntos de seu interesse e mesmo elegerem delegados à Conferência Nacional e ao Conselho Local de Planejamento.

No momento da eleição, apresentou-se uma senhora, dona de pré escola, como representante do segmento acadêmico - que pressupõe relação com entidade de ensino superior, com pesquisa e foco no tema urbano. Um associado de uma entidade de bares e restaurantes apresentou-se como representante sindical e assim por diante.

Durante quase onze horas, das nove da manhã às sete e meia da tarde travou-se um embate entre o grupo que defende a preservação do Park Way como uma área sensível, do ponto de vista ambiental, caracterizada fundamentalmente por habitações isoladas e compreendendo áreas rurais (Vargem Bonita e Córrego da Onça). e outro grupo associado às áreas "cinzentas" do Park Way, onde ocupações irregulares são considerados fatos consumados. Estão nesse grupo donos de casas de festas, de academias, de escolas, apart-hotel, comércios diversos, igrejas, ocupantes de áreas públicas e até mesmo detentores de uso de áreas rurais que apostam numa mudança de zoneamento que lhes possa oferecer uma valorização apropriável do lugar que hoje ocupam.

O embate de opiniões e de propostas era, certamente, o objetivo primeiro da Conferencia, mas pressupõe-se, num legítimo processo democrático, que a proporcionalidade da composição dos grupos confrontantes seja observada nos trabalhos e não desvirtuada por manobras espertas, realizadas no vazio dos regulamentos, da fiscalização ou da própria coordenação.

Há um aspecto político a observar, que não poderia passar desapercebido: alguns funcionários da Administração Regional, legítimos participantes da Conferência, com voz e voto, apoiaram, com votos, o grupo dos infratores, exatamente aqueles que deveriam ser objeto de ações repressoras do poder público, no cumprimento da lei estabelecida.

Acredito que estejamos ainda num processo de aprendizado, onde poder público e comunidade não estejam familiarizados com os instrumentos que permitirão, sem dúvida, uma gestão mais democrática das cidades. Porém também não podemos aceitar que grupos de interesse, favorecidos por este momento de crescimento desordenado, ocupem espaços de forma ilegítima ou mesmo ilegal. 

Por isso, estamos denunciando, junto à Secretaria de Habitação, Regularização e Desenvolvimento Urbano do GDF, solicitando providências para colocar nos devidos lugares os legítimos representantes da sociedade civil organizada do Park Way.

Carlos Cristo
Arquiteto e Urbanista, 64 anos
Morador da quadra 17

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Rejeição ao Plano de Preservação do Conjunto Urbanistico de Brasilia-PPCUB

Pessoal,

Segue a íntegra do voto em separado apresentado pelos conselheiros representantes da UnB e do IAB no Conplan, rejeitando a aprovação imediata do PPCUB (Plano de Preservação do Conjunto Urbanistico de Brasilia).

Em seguida houve a decisão judicial de ratificar a suspensão das atividades do Conplan retroativamente a dezembro de 2012, anulando a sessão que teria aprovado o PPCUB.

Vamos monitorando essa situação, pois há indícios de que o GDF, para variar, irá ignorar a decisão judicial e encaminhar o PPCUB para a CLDF.


 
 
 
Encaminhamos abaixo para conhecimento voto conjunto dos Conselheiros do CONPLAN Paulo Henrique Paranhos – Conselheiro Titular, representante do IAB-DF, e Benny Schvarsberg – Conselheiro Titular, representante da UnB, referente à elaboração do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília –  PPCUB.
 
 
 
Brasília, 04 de setembro de 2013
 
 
VOTO dos Conselheiros Paulo Henrique Paranhos e Benny Schvarsberg
 
CONPLAN - 31ª Reunião Extraordinária
 
Assunto: elaboração do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília –  PPCUB.
 
 
Preâmbulos
 
Considere-se que:
1)      houve na 30ª Reunião Extraordinária uma rápida e superficial apresentação, centrada na mudança da estrutura das Áreas de Preservação em articulação com um novo entendimento das Escalas Urbanísticas que embasam o tombamento de Brasília;
2)       as mudanças realizadas pela SEDHAB foram apresentadas como de ordem formal e não de mérito ou conteúdo, portanto sem necessidade de passar por novas audiências públicas;
3)      na ocasião, o PL para o PPCUB foi apenas apresentado ao Conselho, segundo seu presidente em exercício, por recomendação do MPDFT, sem consistir em uma reunião para sua aprovação;
4)      o presidente do CONPLAN em exercício relatou que o Ministério Público não havia visto necessidade de se realizarem novas audiências públicas, fato ocorrido na reunião  em que estiveram na SEDHAB com a presença de representante do IPHAN, dos Ministérios Públicos Federal e Distrital, UNESCO e Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), e reforçou-o com o parecer de sua assessoria jurídica;
5)      ainda naquela 30ª Reunião Extraordinária, os votos dos Conselheiros Benny Schvarsberg (representante da UNB) e Thiago de Andrade (representante suplente do IAB-DF) foram contrários à remissão imediata à Câmara Legislativa do DF, com a contraproposta daquele conselheiro de se elaborar a contento o PPCUB, concluindo o Grupo de Trabalho constituído para sua revisão, composto por técnicos da Câmara Legislativa, da Casa Civil e SEDHAB, além de maiores consultas e diálogos com o IPHAN, atendendo às recomendações da Missão da UNESCO em 2012 sobre o PPCUB, para, somente após, submetê-lo às Consultas e Audiências Públicas previstas no Estatuto da Cidade, Lei Federal nº 10.257/2001, e na Lei Orgânica do Distrito Federal, para em seguida obter anuência do IPHAN e só após submetê-lo à CLDF;
6)      o presidente CONPLAN em exercício apresentou nova proposta em oposição à do Conselheiro Benny Schvarsberg, a de se aprovar em nova reunião extraordinária a remissão do novo Projeto de Lei para o PPCUB à CLDF, com uma semana de prazo para que os conselheiros o analisassem, proposta assim aprovada por maioria, com o dissenso destes conselheiros;
7)      o novo Projeto de Lei para o PPCUB não nos foi enviado conforme acordado na 30ª Reunião Extraordinária, do dia 22 de agosto do presente;
8)      na reunião extraordinária seguinte, 31ª, do dia 28 de agosto do presente, foi longamente debatida a pertinência da matéria, sem contudo, haver uma análise minuciosa do novo texto do Projeto de Lei Complementar ou sequer uma apresentação comparativa das mudanças realizadas pela SEDHAB entre o texto atual e o anterior;
9)      boa parte da reunião se concentrou na redução dos problemas do novo PPCUB à manutenção da criação da área 901 norte, sem estipulação dos parâmetros urbanísticos que a regerão, desconhecendo o teor do parecer do IPHAN, ofício 851/2012, que estabelece a vigência da NGB 01/86 para aquela área;
10)   nesse mesmo ofício o IPHAN manifestou-se definitivamente quanto à questão, estipulando a consequência da adoção dos parâmetros urbanísticos do Setor de Grandes Áreas vizinhos, ressaltando a necessária manutenção da simetria entre as Asas Sul e Norte e a relação de sua Escala Residencial com a devida transição para a Escala Monumental.
Pelo exposto acima, especialmente no item 7, quedamo-nos impossibilitados de apresentar uma análise detalhada dos pontos modificados no novo Projeto de Lei e com os quais não concordamos, mas apontaremos aqueles que nos pareçam, caros e que embasam o nosso voto.
 
 
Razões
 
O PPCUB é um instrumento múltiplo que engloba o Plano de Preservação explícito no título, atendendo à Portaria 299/2004 – IPHAN, o Plano de Desenvolvimento Local (PDL) e a Lei de Uso e Ocupação do Solo previstos no PDOT.
Ocorre que as críticas contundentes realizadas pelo IPHAN, Ministério Público, e por estes conselheiros, de que o PPCUB originalmente apresentado não consistia em Plano de Preservação, mas sim em plano de desenvolvimento, com forte componente de especulação com o uso do solo voltado a grandes empreendimentos imobiliários, permanecem atuais. Estes continuam pautando a nova proposta, apesar das benéficas alterações no entendimento das escalas e na reconfiguração das Áreas de Preservação.
Entendemos que, dada a sujeição à legislação federal que versa sobre os bens tombados e pela atribuição da União de salvaguardar o patrimônio nacional e aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil como signatário da Convenção do Patrimônio Mundial de 1972 da UNESCO, o PPCUB tem a obrigação legal de subordinar o PDL e a Lei de Uso e Ocupação do Solo do CUB ao Plano de Preservação e somente daí decorrer todo o entendimento das mudanças possíveis e das requalificações necessárias.
O novo instrumento contempla alterações, que por si só, constituem avanço no Projeto de Lei e melhor instrumentalização para a Preservação da Cidade, e mudam seu conteúdo, uma vez que reconceitua as Escalas, redefine o entendimento do território, redesenha os limites das Áreas de Preservação. Ou seja, há sim uma mudança de conteúdo e não somente de forma, portanto, será uma ilegalidade não submetê-lo a novas audiências públicas.
Contudo, apesar dos avanços resultantes das alterações, conforme informado pelas técnicas da SEDHAB, Rejane Jung e Lídia Adjuto, nas 30ª e 31ª Reuniões Extraordinárias, o restante do texto e das planilhas não foi alterado, permanecendo as Unidades de Preservação as mesmas, com os mesmos parâmetros.
Se é verdade que não houve outras alterações no projeto de lei original, podemos então criticar os pontos a partir do Projeto de Lei Complementar que nos foi dado a conhecer, que recebeu na Câmara Legislativa o número 052/2012.
Há naquele projeto de lei incongruências nas planilhas, com dados incompletos, além da ausência de documentos ou anexos que demonstrem as mudanças de índices propostos em relação às normas de gabarito e demais memoriais que regem os lotes atualmente.
Há ainda o que julgamos ser uma cortina de fumaça em torno da nova quadra a ser criada, SGAN 901, como se ela fosse o único ponto de conflito entre os diversos interessados na questão. As mesmas alterações de uso, gabarito e até de desenho urbano ocorrem amiúde na orla do Lago Paranoá e em outros setores da área tombada, principalmente na Escala Bucólica.
Ali, o PPCUB deveria ter como missão resolver definitivamente a indefinição histórica sobre o Projeto Orla, mas continua citando-o no corpo da lei sem maiores referências legais.
Sabe-se, da vivência prática na gestão da cidade, que tal Projeto, realizado na segunda metade da década de 90, foi paulatinamente alterado por diversos instrumentos, leis, decretos, entre outros, com normas de gabarito editadas pouco a pouco, causando uma instabilidade jurídica e constantes embates com o IPHAN. É hoje um projeto desconhecido no seu todo, em virtude de vir sendo fragmentado casuisticamente nas últimas décadas.
Há uma desarticulação e desatualização entre o novo PPCUB e os projetos para as áreas centrais, já executados, aprovados ou em execução em virtude da Copa do Mundo de 2014 e para os projetos de mobilidade urbana que vêm sendo implantados após o PDTU, ligando o CUB às demais cidades do DF.
Os setores complementares a sudoeste, Setor de Múltiplas Atividades (SMAS), Setor Policial, Setor Hípico entre outros, estão mal definidos e caracterizados, pulsando ali intenções mais que conhecidas de adensamento descomprometido com a qualidade do espaço urbano, baseado em grandes lotes privados, em torno de um sistema rodoviário discutível e regional.
As áreas de gestão autônoma necessitam de melhores caracterizações e regulamentações.
Admite-se, entretanto, que existem áreas para essas intervenções globais e para retrabalhar o espaço público nas quais devemos centrar o debate, pois requalificá-las arrefece o mecanismo tradicional e grosseiro da especulação imobiliária: fragmentar e expandir o tecido urbano em áreas cada vez mais distantes da centralidade e da infraestrutura, gerando vazios ou áreas degradadas centrais que logo após pedirão por uma drástica intervenção.
Assim, acreditamos que o desenvolvimento que avilta algumas áreas centrais e certos pontos da orla, vedando o acesso público ao Lago Paranoá, mas principalmente a 901 norte, deva surgir nessas áreas hoje pouco qualificadas, mas dotadas de grande infra-estrutura, visando articulá-las à qualidade espacial das superquadras e das áreas de expansão residencial do Sudoeste e Noroeste. São elas, Setor de Indústrias Gráficas, Setor de Garagens Oficiais, Setor de Administração Municipal, os setores em torno da via W3 sul e norte, inclusive os Setores de Grandes Áreas e os SEPS e SEPN.
Mesmo a orla poderá contemplar operações urbanas, a partir de uma revisão global do Projeto Orla e da reconsideração das áreas ociosas em setores de clubes, especialmente o Trecho 03 do SCES.
Há que se debater e criar uma política habitacional para o CUB, reforçando o movimento de descentralização da oferta de empregos e atividades econômicas, com a complementação da oferta de residências no interior do Plano Piloto que sempre abrigará, pelo vínculo com o funcionalismo federal, uma grande proporção da renda do DF.
Aumentar o número de habitantes no Plano Piloto, de modo consequente e coerente será fundamental para as questões de mobilidade urbana regional, para a disseminação do modo de vida inaugurado pelo projeto de Lucio Costa, que, aliás, demonstrou essa grave preocupação no documento Brasília Revisitada, hoje anexo das leis que regulamentam o tombamento distrital e federal.
 
 
 
Voto
Estamos perdendo uma grande oportunidade, a primeira chance de termos uma legislação para a área tombada coerente com as esferas distritais, federais e internacionais, com clareza e simplicidade na aplicação das normas e da fiscalização na ponta da lança do serviço público. Uma legislação que aponte para o futuro considerando o passado. E o futuro está na origem da concepção de Brasília.
Hoje ele nos aparece como um futuro de solidariedade, mobilidade, e responsabilidade com a coletividade. Do contrário pereceremos.
Em síntese, votamos CONTRA a remissão do novo Projeto de Lei para o PPCUB à Câmara Legislativa do Distrito Federal enquanto ele não:
1)      contemplar um debate técnico de alto nível envolvendo instituições como o IPHAN, UnB, IAB, UNESCO, dentre outras, atendendo recomendação expressa da Missão da UNESCO sobre o PPCUB em 2012;
2)      enfrentar os interesses privados no uso do solo;
3)       abrir-se ao debate qualificado e duradouro com a sociedade civil organizada,
4)      enfrentar com respeito e criatividade o problema colocado pelo tombamento de uma cidade moderna em construção.
 
 
 
___________________________________________________
Benny Schvarsberg – Conselheiro Titular, representante da UnB
 
 
___________________________________________________
Paulo Henrique Paranhos – Conselheiro Titular, representante do IAB-DF
 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Trapalhada da Terracap faz Brasília perder R$ 12 bilhões

Trapalhada da Terracap faz Brasília perder R$ 12 bilhões


Quem imagina que a construção do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, inicialmente orçado em 600 milhões de reais e que consumiu sabe-se lá já quantos bilhões, foi o principal projeto a levar a Terracap para o fundo do poço, está equivocado.
Na verdade, a estatal que cuida das terras da capital da República – hoje conhecida como Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal – afundou na lama por outro motivo. Quem quiser contar o prejuízo, vai somar mais de 12 bilhões de reais, com a conversão do dólar no câmbio flutuante.
A Terracap afundou na lama que ameaça engolir o próprio edifício sede da estatal como uma insaciável areia movediça, por trapalhadas e cobiça dos seus dirigentes. A crise de liquidez atende pelo nome de Cidade Digital, para onde estavam direcionados investimentos de bilhões de dólares.
Os recursos previstos para esse empreendimento deveriam ter gerado um campus de alta tecnologia liderado por grandes marcas multinacionais. Entre elas, a IBM, Microsoft, Google, Samsung.
Mas o assunto que deveria atrair dólares foi tratado pela Terracap como um simples Pró-DF ou coisa menor. A Terracap não soube corrigir o péssimo histórico que cerca aquela área e o desastroso plano de vender lotes aos gringos para faturar muito.
Assim, um grande complexo de empresas multinacionais saiu daqui para nunca mais retornar. E os bilhões de dólares começam a desembarcar em Hortolândia, cidade paulista de apenas 200 mil habitantes. Lá a IBM, que deu uma banana para o Distrito Federal e seus grileiros de ocasião, implantou o seu Global Command Center Brasil, onde circulam 18 mil profissionais e estudantes.
O CEO de uma dessas multinacionais não suportou ouvir a expressão dividendos dias antes de assinar um bilionário contrato. Estranhou a conversa do interlocutor. E reagiu dizendo que empresas societárias pagam dividendos a quem lhes compra ações, e não a quem achaca com o oferecimento de terrenos sem respaldo jurídico.
É mais uma história de irresponsabilidade e ganância para compor os anais do governo de Agnelo Queiroz. Após desfigurar o projeto original de atrair investimentos que poderiam somar aos cofres da Terracap cinco vezes mais aqueles investidos no Mané Garrincha, a direção da companhia cruzou os braços e tenta, com a velha prática, arrecadar migalhas vendendo áreas e imóveis de baixos valores, como uma mercearia de periferia.
Essa sim é uma herança maldita que vai ficar para as próximas gerações. E presidências.    

http://www.notibras.com.br/site/pt/editorias/brasilia/9999/Trapalhada-da-Terracap-faz-Brasília-perder-R$-12-bilhões.htm-
Mara Cristina Moscoso

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Consultoria prevê que PIB do DF cresça 1,3% ao ano nas próximas 5 décadas

Consultoria prevê que PIB do DF cresça 1,3% ao ano nas próximas 5 décadas

Estudo da Jurong foi apresentado em pleno extraordinário do CDES-DF, que também analisou as manifestações de junho
O Distrito Federal poderá ter um crescimento anual de 1,3% em seu Produto Interno Bruto (PIB) pelos próximos 50 anos, com a implantação de todos os projetos sugeridos no "Plano Estratégico e Estrutural para os próximos 50 anos - Brasília 2060". Essa é a previsão da Jurong Consultants, que elaborou o projeto apresentado durante o pleno extraordinário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Distrito Federal (CDES-DF).

Comentarios: 

"Soube que o projeto foi apresentado em inglês na CODEPLAN, sem tradução simultânea e sem nenhuma base consistente de informação. Como dizem, no papel cabe tudo... 

Hoje no Correio Braziliense aparece exatamente a construção do aeroporto de carga em Anápolis, que está na fase final. Fica perto da Belém-Brasília e estará na confluência da ferrovia norte-sul. Daí, fica difícil acreditar na cidade aeroportuária do lado de uma unidade de conservação que é a Estação Ecológica de Águas Emendadas. Onde está a comprovação que precisamos de mais uma cidade aeroportuária, quando uma está sendo construída a cerca de 150 km de distância do DF?

Com relação aos demais projetos, não existem pessoas em todo o DF para ocupar as 45 mil vagas que a " cidade digital " irá gerar de emprego. Isso já foi investigado, mas em nenhum momento verá o governador falar sobre isso. Teremos que importar mão de obra. 

Também a Jurong viu isso? Se nem na área de Tecnologia da Informação temos gente, imagina para CENTRO FINANCEIRO INTERNACIONAL... E por que não em São Paulo ou Rio de Janeiro??? Vamos importar mais gente de outros estados para trabalhar nisso??? (Mais carros, mais poluição, mais congestionamentos, menos agua, menos areas verdes)

Para variar, pagam rios de dinheiro em dólar para consultorias que não levam a nada. Apenas para gerar pilhas de papel. Será que não seria interessante também um PÓLO DE LANÇAMENTO DE PICARETAS PARA O ESPAÇO??? Acho que iríamos faturar muito, pois há demanda reprimida de todo o Brasil... Filas intermináveis por aqui.... Vamos sugerir no "PACOTE" da Jurong. Acredito que irão gostar. 

Com relação às manifestações, foi dito o óbvio. Qualquer jornal "estudantil" aponta as causas. Parece que o GDF faz ouvido de mouco, porque continua a tratar o nosso futuro restrito a gabinetes e reuniões em inglês... tomara que todos estejam entendendo o que eles dizem. Pelo que soube, muitos boiaram... 

A pergunta é se a Argentina, para falar de países próximos,  deixaria uma consultoria falar em inglês sem exigir que houvesse, no mínimo, tradução simultânea em espanhol. Uma exigência mínima, que o GDF deveria solicitar, para quem fatura nossos impostos "de brasileiros". 

E a transparência dos estudos que a Jurong está fazendo. Como chegaram as conclusões? Qual a base científica e técnica para isso? 

Entenderam o porquê do povo ir para as ruas e ira continuar nelas???? Exatamente para acabarmos, entre outras reivindicações, com as "Jurong's da vida" que apenas nos levam nossos impostos, e nos deixam milhares de páginas escritas que só servem para segurar porta em dias de "tempestades", as quais ainda veremos muitas. A diferença é que agora o povo não está mais em casa. Sai quando menos se espera... com ou sem chuva."




Sensação de que fomos mais uma vez enganados pelo Governo....

Prezados,

Conforme previsto, foi realizada no dia 24 de agosto, na Escola de Vargem Bonita a etapa local da 5ª Conferencia das Cidades.

O evento foi organizado pela SEDHAB com a colaboração da Administração Regional do Park Way. Foi solicitado às Associações Comunitárias que ajudassem na divulgação do evento.

Apesar do inicio da reunião ter sido marcado para as 8 horas da manhã de um sábado, os participantes eram numerosos. Segundo calculo feito pela Administração Regional do Park Way mais de 140 pessoas compareceram ao evento.

Segundo ainda a Administração Regional, a Conferência do Park Way foi a que teve o maior numero de participantes, o que teria motivado, inclusive, a vinda ao local do Secretário Magela, da SEDHAB.

Como vocês sabem, nessa etapa local da Conferencia iriam ser discutidos três tópicos: Habitação, Regularização Fundiária e Planejamento Urbano e Desenvolvimento Territorial Sustentável. Ao se cadastrarem os participantes deveriam escolher o tópico que gostariam de debater.

Logo na entrada, ao me cadastrar, percebi a primeira irregularidade: Os organizadores não estavam pedindo aos inscritos comprovante de residência  para provar  que eram moradores do Park Way.

Entendo eu que esse "esquecimento" poderia facilitar  a entrada no recinto de votação de claques contratadas pelos empresários, a exemplo do que ocorreu na ultima Conferencia das Cidades e na Conferencia da LUOS quando os empresários contrataram pessoas para vaiar os moradores do Park Way que defendiam a continuação da RA como um bairro exclusivamente residencial.

Com esse receio, chamei a atenção do Administrador Regional e de um representante da SEDHAB para o que eu considerava ser  um deslize da organização, mas nenhum dos dois deu a menor importância ao fato, gerando nos participantes insegurança quanto à transparência do processo, a ponto de ter havido , no decorrer dos trabalhos, questionamentos por parte dos moradores.

Será que a Administração Regional e a SEDHAB aprovam a contratação de claques para desequilibrar as votações de forma a prejudicar os moradores???

Como havia poucas pessoas interessadas no tópico Habitação, o mesmo se fundiu com Regularização Fundiária e aqueles que queriam debater esses dois assuntos foram encaminhados a uma das salas de aula da Escola de Vargem Bonita.

O nosso grupo era o de Planejamento Urbano e Desenvolvimento Territorial Sustentável. Fomos agrupados no pátio da Escola. As pessoas inscritas nesse grupo puderam falar e apresentar propostas dentro desse tema. Todas as propostas foram passadas a limpo e resumidas para serem apresentadas ao final dos trabalhos à aprovação da plenária.

Não resta dúvida de que o trabalho foi árduo, num ambiente bastante quente, principalmente no período da tarde, quando o sol adentrava o pátio, parcialmente apenas protegido por uma cobertura de zinco.

Devido ao grande numero de participantes e de propostas, o dia foi passando, o calor aumentando, não houve pausa para o almoço e até os coffee breaks foram encurtados numa tentativa de respeitar o horário fixado para o termino da Conferencia, o que no final não foi possível. A reunião só terminou após as 20 horas. Mais de 12 horas de duração!!!

Quando acabaram as apresentações das propostas, todos os  grupos se reuniram para a plenária  quando seriam apresentadas e votadas todas as propostas dos 3 tópicos debatidos.

Lamentavelmente naquela altura muitos moradores já tinham ido embora, exaustos, esfomeados, achando que tinham cumprido sua missão de defender o Park Way. 

Os representantes dos empresários, contudo não se retiraram,  assim como os representantes de chácaras irregulares. Formaram um bloco unido, coeso, contrario as aspirações dos moradores que querem manter o Park Way como é agora. Sem casas de festas e sem invasões.

Assim, nos foi impossível, no fechamento das propostas, contra argumentar e/ou vetar qualquer proposta apresentada pelos empresários, os quais, pela fusão com os moradores irregulares e a partida dos moradores regulares, tinham se tornado maioria.

Após a aprovação das propostas começaram as votações para Delegados e para Conselheiros do Conselho de Desenvolvimento Local. E essa foi a parte que eu considero a mais irregular da Conferencia.

De acordo com as regras pré-estabelecidas pela  SEDHAB só poderiam votar e serem votados os representantes de ONGS, do Poder Publico, do Setor de Pesquisa Acadêmica, de Sindicatos, etc... Contudo, por não haver fiscalização da  SEDHAB, os aliados dos empresários e dos moradores irregulares se auto designaram representantes de ONGs, de Sindicatos, de Associações, muitas das quais eu nunca ouvi falar. Não tinham de comprovar tal filiação! Acho que se um empresário se declarasse representante oficial do Papa a Sedhab aceitaria sua inscrição e de bom grado!

E a escolha, que deveria ser feita através de votos, foi feita, naquela altura, por uma plateia composta, na sua maioria, por aliados  dos donos de casas de festas,  muitos dos quais não tinham sequer comprovado que moravam no Park Way ou que representavam de fato algum segmento da sociedade civil. 

Foi por isso, pelo fato da votação ter ficado desequilibrada, que uma representante do segmento de pesquisa acadêmica, a Cristina Costa Leite, moradora da quadra 17, professora de geografia da UNB, com mestrado em gestão ambiental e doutorado em educação perdeu a votação para Conselheira de Desenvolvimento Local para a dona de uma escola irregular localizada no Park Way.

Espero que a SEDHAB averigue as credenciais das pessoas que ganharam as eleições. Comprove que a dona da escola tenha as credenciais necessárias a uma representante do segmento de pesquisa acadêmica.

Mas mesmo que isso seja feito com prudência e zelo, não validará as eleições, pois não houve nenhum tipo de controle sobre os eleitores que não tiveram de comprovar que eram realmente moradores do Park Way ou que eram representantes de ONGs, de Conselhos ou de Sindicatos para votar.

Então, embora a SEDHAB tenha afirmado que a 5ª  Conferencia seria representativa dos moradores do Park Way o resultado não foi representativo e os moradores voltaram para casa  com a sensação de terem sido mais uma vez enganados pelo Governo.


Atenciosamente,

Flavia Ribeiro da Luz
Associação Park Way Residencial

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