sábado, 13 de dezembro de 2014

Dilma: Brasil é um país pacífico e assim continuará (País pacifico? kkk Só ser for pra ela e seus amigos... Com 50 mil assassinatos a tiros e facadas....imagine só se fossemos um pouquinho menos pacificos... )

Sex, 12/12/2014 às 12:51

Idiana Tomazelli

Dois dias após receber o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que apurou crimes e violações de direitos humanos que ocorreram no período de 1946 a 1988 - com foco na ditadura militar (1964-1985) -, a presidente Dilma Rousseff defendeu o fortalecimento das Forças Armadas brasileiras.



"O Brasil é um País pacífico e assim continuará. Isso, no entanto, não significa descuidar de nossa defesa ou abdicar de nossa capacidade de dissuasão", disse Dilma, tendo a seu lado o ministro da Defesa, Celso Amorim, e os comandantes dos três organizações militares: Marinha, Exército e Aeronáutica.



"Nossa capacidade de ampliar (a defesa) será tanto maior quanto mais bem equipadas estiverem nossas Forças Armadas e mais forte nossa indústria da defesa. Temos um patrimônio muito valioso para proteger", acrescentou Dilma, em discurso na cidade de Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro.



A presidente participou da inauguração do prédio principal do estaleiro de construção dos submarinos, integrante do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), onde foi recebida cordialmente pelos militares e aplaudida de pé pelo menos duas vezes por todos os presentes.



Acompanhada também pelo governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e pelo diretor-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, Dilma ressaltou que a modernização das Forças Armadas é um passo de um "necessário e estratégico processo".



Representavam ali as autoridades militares o comandante da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto, o comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Juniti Saito, e o comandante do Exército, general Enzo Peri.


"Um segundo objetivo estratégico para os investimentos que estamos realizando aqui é fazer de nossa indústria da defesa um vetor de inovação e de expansão da indústria do nosso País. Nós aprendemos com os países desenvolvidos que o poder de compra e os processos de modernização e reequipagem podem e devem ser instrumento a favor do desenvolvimento do nosso País", afirmou Dilma.



A presidente ainda ressaltou o potencial de transferência tecnológica e de formação de profissionais, empregando também mão de obra local, com o investimento realizado na região. "Aqui em Itaguaí nós estamos fazendo exatamente isso. Nossa parceria estratégica com a França nos garante transferência de tecnologia e formação profissional", disse.


"Estamos produzindo mais tecnologia, mais inovação, mais desenvolvimento industrial e sobretudo mais empregos no Brasil. Porque produzir mais empregos é um compromisso que devemos ter com nossa população, empregos de qualidade e que queremos cada vez mais que contemplem a população brasileira", acrescentou a presidente.


O conteúdo nacional empregado na obra, que integra o Prosub (programa de mais de R$ 28 bilhões), atingiu cerca de 95% de toda a construção do prédio principal, segundo o comandante da Marinha.



Comentarios

João Antonio Lopes, 13/12/2014 às 12:26
Pacifico, até quando presidente o povo se rebelar contra esta sua gestão que na mais nada menos é continuação da gestão do Lula, que única coisa de concreto que fez foi instiutir a robalheira no Brasil e aparelhar o governo para se auto defender dos maus feito praticados, criando inclusive a toga ve


celio de sousa, 13/12/2014 às 06:48

País pacifico? kkk Só ser for pra ela e seus amigos... Com 50 mil assassinatos a tiros e facadas....imagine so se fossemos um pouquinho menos pacificos...


neusa gardes, 12/12/2014 às 15:14
Esperemos que a tecnologia francesa seja melhor do que aquela utilizada na construção do navio petroleiro brasileiro Joao Candido, inaugurado pelo entao presidente Lula em maio de 2010. A propósito, onde eh que anda o tal navio?

Hidreletrica de Tapajós: Autodemarcação e a batalha pela fronteira Munduruku

Publicado em dezembro 12, 2014 por


Por Ana Aranha, Jessica Mota, em A Pública.


Indígenas proclamam a autodemarcação de terra que pode parar a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, a nova menina dos olhos do governo federal. Assentada em solo sagrado, a área seria alagada pela usina. “A gente não sai”, diz cacique


À beira do rio Tapajós, no oeste do Pará, a floresta estala sob os passos dos guerreiros Munduruku. São cerca de 20 homens fortes, com braços pintados com traços iguais aos da casca do jabuti. Eles trabalham em silêncio, as poucas palavras são ditas na língua materna, o Munduruku. Avançam com atenção sobre um perigoso manto que cobre o chão: cipós, galhos forrados de espinhos e troncos em decomposição. As pisadas são lentas e firmes. Sem pressa, os guerreiros abrem a mata para o campo de batalha.


Os Munduruku experimentam uma estratégia nova, inédita para esse povo cujo histórico de guerra antecede o primeiro registro de contato com portugueses, em 1768. Munidos de foices e facões, eles abrem uma picada de quatro metros de largura e sete quilômetros de extensão. Trata-se da autodemarcação da terra indígena Sawré Muybu.


Ceifada em meio à floresta alta, a abertura representa uma trincheira de defesa contra o avanço das usinas hidrelétricas planejadas para a bacia do Tapajós. Apoiada por ambientalistas e membros do judiciário, a fronteira Munduruku é o maior entrave que já cruzou a rota do governo Dilma Rousseff no projeto para a exploração da bacia do Tapajós.



Os indígenas conclamaram a autodemarcação de sua terra em outubro, depois de sete anos aguardando ação da Fundação Nacional do Índio (Funai). Foi o tempo que o órgão levou para elaborar um documento que reconhece essa área como de ocupação histórica e define os perímetros da demarcação: o “Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Sawré Muybu”. Desde que ficou pronto, em setembro de 2013, o documento está parado na presidência da Funai.



A reportagem da Pública teve acesso ao relatório com exclusividade e o publica na íntegra. São 193 páginas de minuciosa demonstração dos vínculos históricos que os Munduruku mantêm com esse pedaço de terra. O documento aponta que as 113 pessoas que vivem lá estão com sua “reprodução física e cultural” ameaçada pelo projeto das hidrelétricas. E conclui que “o reconhecimento da Sawré Muybu por parte do Estado é imprescindível para conferir segurança jurídica aos indígenas e garantir que seus direitos sejam respeitados”.



Saiba mais e leia o documento na íntegra.
O relatório é sensível porque a demarcação da Sawré Muybu pode inviabilizar uma hidrelétrica estratégica para o governo federal: a usina de São Luiz do Tapajós, que pretende ser a terceira maior do país com orçamento previsto em 30 bilhões de reais e potência máxima de 8.040 megawatts. O problema é que o projeto prevê o alagamento de partes significativas da terra indígena Sawré Muybu, inviabilizando a vida no local. Como solução, estudos recentes feitos pela usina sugeriram que os Munduruku sejam removidos da área. Em resposta, a Funai apontou que essa sugestão é inconstitucional e recomendou a suspensão do licenciamento da usina, conforme parecer interno de 25 de setembro ao qual a Pública teve acesso.



A remoção de indígenas é vedada pelo artigo 231 da Constituição. Em defesa da usina, o governo usa a ausência da demarcação como argumento para alegar que a terra da Sawré  Muybu nunca foi oficialmente reconhecida como Munduruku. O que desperta a ira de guerreiros e caciques de toda a bacia do Tapajós.

O portão de entrada do mundo

Um dos mais numerosos grupos étnicos do Brasil, o povo Munduruku é composto por mais de 13 mil homens, mulheres e crianças que vivem às margens dos 850 quilômetros do rio Tapajós e afluentes. A maior parte das aldeias deve sentir os impactos do projeto para a região. São previstas sete hidrelétricas na bacia, além de outras duas já em construção no rio Teles Pires, afluente do Tapajós na divisa com o Mato Grosso. Uma das mudanças previstas é a queda no número do peixe e da caça – itens essenciais para a sobrevivência desse povo. Por isso, em toda a extensão do rio há caciques e guerreiros mobilizados contra as usinas. Também há grupos a favor, formados por uma minoria que vive nas cidades.



Preocupados com os impactos no seu território como um todo, indígenas Munduruku de diferentes partes da bacia se uniram e elegeram a Sawré Muybu como um marco fundamental a ser defendido. Além das famílias que vivem lá, essa terra abriga o solo sagrado Daje Kapap’ Eipi, entendido como o local onde nasceram os primeiros Munduruku, os animais e o rio Tapajós. Dada sua importância espiritual e o contexto de conflito político, o local se aproxima do que seria uma Jerusalém Munduruku.



“Esse é o portão de entrada do nosso território, viemos proteger a terra para nossos filhos e netos. Para o futuro”, diz Saw Rexatpu, guerreiro e historiador Munduruku, ao fim de um dia de trabalho na picada da autodemarcação. “Nossos bisavós morreram lutando aqui e nós vamos pelo mesmo rastro. Se eu morrer aqui, deixo a minha história”. Ele viajou três dias para acudir ao chamado de Juarez Saw Munduruku, o cacique da aldeia Sawré Muybu.



Mas e se a estratégia der errado e o governo mandar sair? “A gente não sai”, responde o cacique, sem abalar o semblante tranquilo. E se a polícia tirar à força? “É o fim do nosso mundo, porque a gente só sai morto”.
O governo quer construir nove usinas na bacia do Tapajós e Teles Pires. Os impactos devem afetar as terras Munduruku como um todo.

Se a Funai não demarca, nós demarcamos

O projeto das usinas uniu os Munduruku aos ribeirinhos, que também vão sofrer impactos. Na picada, a aliança foi selada com a fundamental ajuda de Francisco Firmino Silva, o Chico Catitu, um sábio mateiro da comunidade Montanha e Mangabal.



O primeiro a se embrenhar no mato, ele deixava marcas para que os Munduruku soubessem onde abrir a picada. Sua técnica de mateiro era aliada às orientações do cientista social Mauricio Torres e do historiador Felipe Garcia, voluntários que manuseavam o aparelho GPS. Como referência para a picada, o grupo segue as coordenadas exatas do mapa para demarcação feito pela Funai e parado em Brasília.



Fora o caráter oficial, são poucas as diferenças entre o trabalho dessa equipe e uma demarcação oficial. O que mais difere as atividades é a ausência de condições mínimas de segurança. Sem a chancela do governo, são muitos os riscos na rota da equipe da autodemarcação.


A reportagem de Pública viu uma árvore com cerca de cinco metros de diâmetro e mais de trinta metros de altura caída no meio da floresta. Ao lado da base serrada, um pequeno ramal indicava a rota do madeireiro. Uma semana antes, em outro ponto da picada, os Munduruku foram cercados pelas motos e caminhões de um grupo de madeireiros. Dias depois, eles abordaram um grupo de 300 garimpeiros que extraiam diamante dentro da terra indígena. Avisados sobre a autodemarcação, os garimpeiros disseram que só saem de lá se a demarcação for oficial.


Os Munduruku já resistiram a muitos ciclos de pressão sobre o seu território e modo de vida. No início do século 20, foram as agências missionárias. Sem sucesso,  tentaram interromper a transmissão de sua língua materna e tradições. Entre as décadas de 40 e 60, o antigo Serviço de Proteção ao Índio instalou um posto de extração de borracha em terras Munduruku, em uma tentativa também mal sucedida de transforma-los em soldados da borracha. Mais recentemente, a preocupação vinha da invasão dos madeireiros e garimpeiros. Agora, a usina se soma a eles.



Ao marcar a floresta, indígenas e ribeirinhos materializam a fronteira física de uma disputa travada há mais de dois anos na Justiça. Similar à guerra jurídica que marcou o licenciamento da usina de Belo Monte (PA), o Ministério Público Federal já entrou com oito ações para exigir que as obras no Tapajós respeitem os direitos das populações locais.



A diferença nesse caso pode ser justamente o aprendizado no rio Xingu. Depois de ajudar a ocupar o canteiro de obras de Belo Monte em maio de 2013, os munduruku passaram a acompanhar como os indígenas de lá negociaram com a usina: trocando a pesca, a caça e o roçado por cestas básicas, picapes e outros bens oferecidos como compensação. O atual estado de dependência financeira das aldeias próximas a Belo Monte é uma lição que assusta os indígenas do Tapajós.


A vida na aldeia Sawré Muybu hoje tem dois turnos. Entre as atividades da autodemarcação e as reuniões, cacique e guerreiros correm para plantar mandioca e abóbora. Eles precisam conciliar a rotina da aldeia com o monitoramento dos movimentos do governo e da justiça. Sentem o baque das derrotas jurídicas, comemoram as vitórias, mas não param de articular as suas próprias frentes de defesa.


A autodemarcação teve início depois de uma tensa discussão com a ex-presidente interina da Funai, Maria Augusta Assirati. Em reunião filmada pelos indígenas em setembro, Maria Augusta admitiu que as usinas são o principal impedimento para a demarcação da Sawré Muybu. “Eu acho que essa terra indígena já deveria estar demarcada, o relatório já deveria ter sido publicado, mas isso não depende da vontade de um só órgão”.


 Ao ouvi-la ponderar sobre a importância da usina, o porta-voz Roseninho Saw Munduruku pediu sua renúncia: “No meu pensamento, se você não quer trabalhar na Funai, eu entregaria o cargo. Você não tem interesse em defender a nossa causa”. Maria Augusta chorou e garantiu que só permanecia porque acreditava ser possível reverter esse caso. Nove dias depois, ela deixou a presidência da Funai.

“Vocês nunca vão saber”

 

 Com uma organização política peculiar, os Munduruku cultivam o debate e nomeiam líderes para representá-los perante os pariwat (não-índios). Roseninho foi escolhido para ser porta-voz da Sawré Muybu e coordenador da associação Pahyhyp, que representa os indígenas do curso médio do Tapajós. Mas ele não pode tomar decisões sozinho. As palavras em português ditas em público são discutidas antes em Munduruku. A cada novidade, ele volta para a aldeia e ouve o grupo durante longas reuniões nas quais todos podem participar, até as crianças. A tradição política antecede a chegada das usinas. Ao menos uma vez ao ano, os Munduruku fazem uma assembleia geral que dura três dias e pode varar a madrugada.


Roseninho diz que não gosta da responsabilidade de representar o grupo fora da aldeia: é ele quem mais sente os golpes da guerra judicial. Foi o que aconteceu no início de novembro, em uma reunião com o procurador federal Luís de Camões Lima Boaventura. O procurador é uma das mais fortes vozes de defesa dos Mundururuku na justiça, já foi até condecorado guerreiro em um ritual. Mas, naquele dia, ele tinha uma notícia difícil para dar.


Depois de conseguir uma ordem da justiça federal para que a Funai publicasse o relatório da Sawré Muybu, ele soube que a Advocacia Geral da União havia derrubado essa decisão em Brasília. Ou seja, a Funai seguiria livre para sentar em cima da demarcação.


A notícia foi transmitida em tom grave pelo procurador, enquanto Roseninho e outros líderes ficaram atônitos. Por longos minutos, os Munduruku não esboçaram uma reação. Camões tentou quebrar o clima: “você não vai perder a voz agora, vai?” Mas o porta-voz só conseguiu verbalizar o silêncio: “eu não tenho palavras”.



No dia seguinte, Roseninho desembarcou abatido no porto de Itaituba, cidade mais próxima à aldeia. Ele falou entre lágrimas, em um raro desabafo: “Como que eu vou levar essa derrota para o meu povo? Como eu vou contar isso para o cacique?”. Cansado da ingrata comunicação entre índios e não-índios, ele conhece bem os limites dessa conversa, e nos deu um alerta: “O que vocês querem perguntar? Vocês querem saber a história Munduruku? Eu posso contar: o cachorro é o homem, a mulher é o peixe. Me diz como vocês vão entender isso? Por isso que eu digo: vocês nunca vão saber.”

O povo jabuti

 

Apesar do agito na aldeia com as discussões sobre a usina, os Munduruku da Sawré Muybu mantêm a rotina de ligação íntima com a terra. De manhã, mulheres varrem suas casas, que têm chão de barro, paredes de madeira cheias de frestas e teto de folhas de babaçu. Galinhas e cachorros rapidamente comem o que foi varrido para fora. Quase não há lixo não-orgânico. Os adultos cuidam do roçado, pescam e caçam. A água é tirada de um igarapé cristalino que banha a aldeia.


Ao sair da escola, as crianças correm de um lado ao outro e comem frutas do pé. A única birra que presenciamos foi a respeito do banho: “A mãe só me deixa banhar três vezes por dia!”, reclamou um menino que já havia estourado a cota num dia de calor e sol. Minutos depois, ele se jogou na água gelada do igarapé com um sorriso de orelha a orelha.


O cardápio é sempre uma surpresa. Só se descobre quando os pescadores e caçadores voltam. As adolescentes limpam a carne e separam uma porção por família. Para cada dia que a reportagem passou na aldeia, houve uma carne diferente: tatu, jabuti, veado e os saborosos porcos do mato, conhecidos como caititu e porcão. A variedade de peixes foi tanta que perdemos a conta.
É difícil imaginar como será a sobrevivência dessa população em um ambiente com pouca oferta de caça e peixe.



Entre todas as incertezas trazidas pelas usinas, o maior medo é o de serem removidos para a cidade. “A gente não sabe viver como vocês” explica Aldira Akai Munduruku. “Sempre a gente viveu no meio do mato, caçando, pescando. Na cidade a gente depende do dinheiro. Se não tiver, a gente não come, não”. Grávida de cinco meses e mãe de uma menina de 2 anos, Aldira guarda a lembrança da fome dos anos em que viveu na cidade de Jacareacanga quando criança.



Nas histórias contadas pelos mais velhos, narrativas que misturam homens e bichos na mesma entidade, o jabuti é o herói mais presente. Graças à sua inteligência e estratégia, ele sempre vence a força e a prepotência dos inimigos: a anta, a sucuri e a onça. É para evocar essas habilidades que os guerreiros se pintam com traços iguais aos da sua casca.


As histórias do passado de guerras também são presentes. Na segunda metade do século 18, foram tantos os ataques a acampamentos portugueses, que por sua vez despertaram a reação dos agentes coloniais, que um dos afluentes do Tapajós ganhou o nome de rio das Tropas. Dessa época, eles levam a fama de “caçadores de cabeça”. Como o nome sugere, eles cortavam o pescoço do inimigo abatido e, após um processo de mumificação, enfiavam sua cabeça em uma lança, que era fincada nas fronteiras do território. A prática foi abandonada há mais de um século, mas os Munduruku evocam seu poder simbólico ao pintar essa imagem nas placas da autodemarcação.



Embora defendam seu território, eles não gostam do rótulo de violentos. “Os Munduruku são pacíficos. Mas, quando toca na ferida, aí fica bravo”, diz Deusiano Saw Munduruku, professor na escola de Sawré Muybu. O nome do movimento de resistência às usinas é Ipêreg Ayû, que significa “o povo que sabe se defender”. Roseninho explica: “O governo diz que nós somos ameaçadores. Mas nós é que estamos sendo ameaçados”.

Operações policiais levam a uma morte

Na história recente de tensões entre guerreiros Munduruku e forças armadas do estado brasileiro, os eventos mais violentos partiram não dos indígenas, mas do estado.



As aldeias do Teles Pires se engajaram ainda mais na resistência às usinas depois de uma trágica operação da Polícia Federal. Em novembro de 2012, Adenilson Kirixi Munduruku foi morto com um tiro na nuca que saiu da arma do delegado Antonio Carlos Moriel Sanches. Segundo denúncia do Ministério Público Federal, os Munduruku discutiam com o delegado para que ele não destruísse uma balsa de garimpo quando um indígena teria empurrado o seu braço. O delegado teria caído no rio e, então, disparado primeiro nas pernas e depois na nuca de Adenilson. O MPF denunciou o delegado por homicídio, mas ele foi absolvido.


“Ali foi o sinal: o governo tá vindo guerrear com os Munduruku”, diz Maria Leusa Cosme Kaba Munduruku, representante das mulheres no movimento Iperêg Ayû. Ela ficou assustada com o modo como a polícia reagiu depois dos primeiros disparos. Segundo a procuradora federal Janaína Andrade, os policiais foram agressivos ao imobilizar mulheres e idosos, gerando lesões graves. “Um senhor teve até fratura. No final, eles recolheram as cápsulas e levaram 17 indígenas presos, inclusive crianças”, afirma a procuradora. Em vídeos gravados pelos Munduruku, é possível ver a polícia disparando dentro da aldeia, em local cercado por mulheres e crianças. No dia seguinte, os indígenas também registraram o momento em que a aldeia chora ao encontrar o corpo de Adenilson.



Menos de um ano depois, os Munduruku tiveram outro encontro traumático com a polícia. Em março de 2013, os indígenas da Sawré Muybu encontraram biólogos fazendo o estudo de impacto ambiental para São Luiz do Tapajós dentro da terra indígena. Como não tinham sido consultados ou sequer informados sobre a entrada da equipe, os Munduruku expulsaram o grupo. A reação do governo foi desproporcional: “A polícia baixou aqui com helicóptero, dois barcos grandes e quarenta motores de popa [barcos menores]”, diz o cacique Juarez. Segundo nota do Palácio do Planato, a frota da Força Nacional de Segurança fora enviada para “garantir o apoio logístico e a segurança” dos pesquisadores.



A Expedição Tapajós, como o governo batizou a operação policial, durou um mês. Os jovens ainda lembram do barulho do helicóptero sobrevoando a aldeia. Os pais, assustados, trancaram as crianças em casa. As atividades de caça tiveram de ser suspensas. Pescar, só nas margens da aldeia. “Parecia que eles estavam esperando a gente fazer algo errado pra atacar. Lembrava muito o que aconteceu no Teles Pires, resolvemos ficar quietos”, lembra o cacique Juarez.  “Era como estar preso na aldeia”.



Ao receber as evidências de que os Munduruku estavam sofrendo intimidação militar dentro de sua terra, a justiça federal suspendeu o licenciamento da usina. A decisão, publicada em abril de 2013, foi em resposta a uma ação do Ministério Público Federal que tramitava desde setembro de 2012. O MPF já havia pedido a interrupção dos trabalhos por duas falhas no processo de licenciamento: a ausência de consulta prévia aos indígenas e ribeirinhos e a ausência da Avaliação Ambiental Integrada, estudo que mede os impactos do conjunto de usinas na região.



Dez dias depois, a liminar foi derrubada e a Expedição Tapajós seguiu seu curso. Para isso, o governo ativou o mecanismo da Suspensão de Segurança, o mesmo que garantiu o avanço de Belo Monte. Atropelando o trâmite normal da justiça, esse mecanismo aciona diretamente o Superior Tribunal de Justiça com o argumento de que a paralisação da usina gera “grave lesão à ordem, saúde, segurança e economia públicas”.

Para governo, licença ambiental é só etapa a ser vencida, diz procurador

Mesmo permitindo a continuidade do licenciamento, o STJ manteve a exigência da consulta prévia. O argumento se baseia na Convenção 169 da OIT (Organização internacional do Trabalho), da qual o Brasil é signatário, e que estabelece o direito das comunidades tradicionais em serem ouvidas. Apesar da obrigatoriedade em ouví-los, não ficou claro o quanto a fala dos munduruku e ribeirinhos será levada em conta dentro do licenciamento. Em tese, nessa fase o empreendimento deve ser escrutinado e, no caso de impactos mais graves, reelaborado.


Em tese, o Ibama pode até decidir pela inviabilidade da obra.



Mas o Ministério de Minas e Energia já sinalizou que a prática é outra. Em setembro desse ano, o órgão anunciou a data para o leilão da usina de São Luiz do Tapajós antes mesmo que a Funai desse seu parecer sobre o Estudo do Componente Indígena – o levantamento dos impactos para essas populações. O parecer do órgão indigenista é parte imprescindível do processo anterior ao leilão.


“Como podem antecipar esse passo? Estaria o governo prevendo que o Ibama dará ok ao empreendimento antes de sequer verificar os estudos?”, questiona o procurador Boaventura. “Parece que, para o governo, a licença ambiental é só uma etapa a ser vencida”. Depois que essa distorção foidenunciado pelo jornal O Globo, o leilão foi suspenso.



Por dez dias a reportagem de Pública tentou contato com os órgãos ligados ao governo e usina. O Ibama, a Aneel e o Grupo de Estudos disseram que não falam sobre licenciamentos em andamento. A Funai e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) alegaram falta de agenda. A Secretaria-Geral da Presidência não atendeu as solicitações da reportagem.

“Não abriremos mão de construir Tapajós”

Na segunda semana de novembro, enquanto os munduruku se preparavam para as primeiras reuniões da consulta, levaram um balde de água fria do ministro Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Em entrevista à BBC, Carvalho declarou que nada do que os indígenas digam vai impedir a construção da usina: “A consulta não é deliberativa. Ela deve ser feita para atender demandas, diminuir impactos. Mas não abriremos mão de construir [a usina do] Tapajós”.



A entrevista foi traduzida para o Munduruku durante reunião na aldeia Sawré Muybu, aquela que a usina vai alagar. Foi um dos poucos momentos em que conseguimos entender o que era dito, já que as palavras “ministro” e “diabo” aparentemente não têm tradução para o Munduruku.



Uma semana depois, quarenta homens e mulheres Munduruku marchavam em silêncio rumo à Funai de Itaituba. A três quarteirões do escritório, um guerreiro fez um sinal com o braço, ao que todos tiraram a camisa. Os traços do jabuti tinham sido reforçados, e agora davam a volta completa ao redor dos troncos e braços.



O grupo entrou na Funai e confiscou as chaves das portas e dos carros, exigindo a publicação do relatório de demarcação. “Queremos que Brasília demarque logo nossa terra, nós sabemos cuidar dela melhor que o Ibama ou ICMBio”, disse o cacique Juarez em referência aos encontros com madeireiros e garimpeiros.


Depois de sete horas de negociação, tudo o que conseguiram foi uma agenda de reunião com o novo presidente interino da Funai, Flávio Chiarelli Azevedo, para dali a oito dias. “Para ouvir as mesmas coisas de sempre?”, questionou Juarez. “Não vamos”. O grupo logo percebeu que o governo não estava muito preocupado com a ocupação da Funai de Itaituba e decidiu retornar à aldeia.



Apesar dos riscos de confronto, eles voltaram à autodemarcação. A etapa final será expulsar os madeireiros e garimpeiros, o que já foi feito por aldeias do rio das Tropas. Sem as respostas que precisam do estado, os munduruku concluem que resta a eles defender seu território. Seja qual for o invasor.

 A realização dessa reportagem só foi possível graças a uma bolsa da organização Mongabay.

Publicado no Portal EcoDebate, 12/12/2014

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"Dilma, é fácil tornar o Bolsa Família auto sustentavel!"

artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

Publicado em dezembro 12, 2014 por


Projeto gera energia limpa, capacitação da mão de obra e renda em condomínios do MCMV em Juazeiro (BA)

[EcoDebate] Dilma, se você quiser, é fácil superar o Bolsa Família. Basta observar o que foi feito aqui em Juazeiro da Bahia num programa que você mesma inventou: o Minha Casa, Minha Vida.


Com apoio da Caixa Econômica (a funcionária da Caixa que apoiou esse projeto trabalha na área social do Banco em Brasília), projeto elaborado por uma empresa privada, cada uma das mil casas do projeto ganhou no teto quatro painéis solares. Mas, ao contrário de guardar a energia em baterias, elas vieram com um conversor e plugadas na rede nacional de energia. Durante o dia as casas despejam energia na rede nacional. Pela noite invertem o interruptor e captam energia para suas casas. Resultado, o excedente é muito maior que a consumida, o que acabou gerando renda para as famílias.


Então, a associação criada passou a vender energia nos leilões comuns de energia desse país. Resultado, mesmo depois de descontada a energia captada para os períodos noturnos, cada morador tem recebido em média 80 reais por mês. Não tem subsídio, regras de mercado, portanto, rentável.


Ainda mais, as famílias não recebem toda a renda da energia, mas só 60%. Cerca de 30% vão para investimentos no condomínio e 10% para outras necessidades decididas pela comunidade.


Imagine você, Dilma, se todas as casas do Minha Casa, Minha Vida tivessem ao menos dez (10) placas de energia solar? Que festa não seria? O pessoal deixaria de depender do Bolsa Família – prato preferido dos adversários do teu governo – e seriam simplesmente produtores de energia. Imagine se esses projetos fossem estendidos aos assentamentos de reforma agrária, às comunidades quilombolas, às comunidades tradicionais, ou até mesmo para quem quisesse produzir energia a partir do teto de suas casas?


Portanto, você tem a faca e o queijo na mão. A experiência concreta já está comprovada. E você ainda estaria contribuindo com um ambiente limpo, menos CO2 na atmosfera, inaugurando uma nova era de tecnologias sociais e um novo modelo energético para o país.


Claro que isso seria feito num processo, sem prejudicar os mais pobres que ainda dependem do Bolsa Família.


Olha, se você não fizer isso, seu próximo sucessor jamais deixará de perder essa oportunidade.


Então, Mulher, aproveite.


Roberto Malvezzi (Gogó), Articulista do Portal EcoDebate, possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.
Publicado no Portal EcoDebate, 12/12/2014

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É de se perguntar o que Graça Foster faz na Petrobras. Ao que tudo indica, o seu papel é um só: acobertar Dilma Rousseff!

Blog do Coronel


É impossível que tamanha roubalheira como a que ocorria na Petrobras não fosse de amplo conhecimento da presidente da estatal, Graça Foster. Foram dezenas de bilhões roubados descaradamente. Escancaradamente. Pode chegar a uma centena o número de diretores, gerentes e assessores diretamente envolvidos em falcatruas absurdas. 
 
Bastaria que Graça Foster cuidasse de um só detalhe: os aditivos contratuais. E que tivesse uma planilha básica à sua frente, de uma folha, com cotações internacionais para não mais que vinte itens consumidos pela Petrobras. E comparar preços e prazos. 
 
Como a presidente de uma empresa do porte da Petrobras permite que obras tripliquem, quadrupliquem, quintupliquem de preço, como o Comperj e Abreu e Lima? O que está senhora fazia na Petrobras? Como permitiu, com todo o aparato de gestão que possui, desde sofisticados softwares até profissionais de primeiríssima linha, apoiados pelas maiores auditorias e consultorias do mundo, que a empresa fosse assaltada diante dos seus olhos? 
 
A senhora Graça Foster só pode estar cumprindo um único papel na Petrobras: blindar e acobertar Dilma Vana Rousseff, que hoje preside o Brasil mas que, antes, mandou na empresa como ministra das Minas e Energia, como presidente do Conselho de Administração e como ministra-chefe da Casa Civil. 
 
Apenas para comprovar o que estamos postando, leiam, abaixo, matéria de O Globo publicada hoje e respondam: tem como Graça Foster não ter tido conhecimento de tão escancarada cadeia de corrupção?

 
 
Os maiores valores contratados para as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) correspondem a empresas participantes do cartel que está sendo investigado na Operação Lava Jato. Sete das 16 empresas apontadas como principais integrantes do esquema abocanharam 58% do valor contratado: Toyo Setal (13%), Construtora Norberto Odebrecht (12%), UTC (10%), Queiroz Galvão (10%), Andrade Gutierrez (8%), Iesa (4%) e Engevix (1%). Esta é a conclusão da Comissão Interna de Apuração da Petrobras que avaliou 30 contratos firmados, no valor de R$ 21,8 bilhões, que representam 77% do total já contratado.

Em nove dos 30 contratos foram identificadas sucessivas revisões de estimativa de custos e preços após abertura das propostas, com justificativas inconsistentes. De acordo com a Comissão, as contratações feitas nem sempre seguiam o cronograma da obra. Muitas licitações foram feitas antes dos próprios projetos básicos. Além disso, com a justificativa de ampliar o leque de fornecedores, foram incluídas empresas sem capacidade para entregar o serviço.

Um dos exemplos é o da construtora Delta, que liderou o Consórcio Itaboraí, teve nota 2,1 no certame, muito abaixo da nota mínima exigida pela Petrobras, que é de 6,5. O contrato teve de ser rescindido por baixo desempenho. De quatro "convites" feitos à Delta para participar de licitações, a empresa assinou dois contratos, ambos rescindidos por mau desempenho.

 
A Toyo-Setal assinou dois contratos - um por convite e outro por inexigibilidade de licitação. A Jaraguá assinou dois contratos. Nenhuma das duas conseguiu concluir as obras e o mesmo aconteceu com a TKK Engenharia. De acordo com a Comissão, os convites permitiam mais flexibilidade na formação de consórcios, pois apenas a líder do grupo tinha de efetivamente estar na lista de "convidadas".

 
A Comissão ressalta que a rescisão de contrato com o consórcio da Delta levou à paralisação das obras do HDT de Nafta. A Petrobras reestudou o projeto e concluiu que era antieconômico. Com a desistência, equipamentos no valor de R$ 32,7 milhões estão encostados e sem uso. Além disso, a Delta reduziu drasticamente o número de trabalhadores alegando que tinha "produtividade arrojada" e a MPE cortou diversas vantagens trabalhistas que tinham sido acertadas com os trabalhadores.

 
De 17 projetos analisados, 11 tiveram licitação feita antes do projeto básico ter sido concluído. O Consórcio TE-AG (Techint e Andrade Gutierrez), por exemplo, segundo a Comissão, foi contratado numa negociação direta. A primeira licitação ocorreu em 2008, quase dois anos antes do projeto básico.

 
Não bastasse isso, foram programadas unidades externas que, depois, tiveram de ser abrigadas em instalações. O custo de "hibernação" passou de R$ 1 bilhão. Segundo o gerente Marcelino Simão Tuma, ouvido pela Comissão, empresas abandonaram contratos por terem sido "mal convidadas" - não tinham condição de executar o projeto. Muitas não tinham sequer "nada a ver com o objeto a ser contratado".

 
Foi no Comperj que a Petrobras contratou a Pragmática, empresa de consultoria da família do então diretor de Abastecimento Paulo Roberto Cosa. O contrato foi de R$ 1,085 milhão por um ano de prestação de serviço de qualificação profissional e desenvolvimento de fornecedores. Muitas das empresas indicadas não conseguiram cumprir seus contratos.

 
Também nas obras do Comperj houve farra de aditivos contratuais. A Alusa obteve contrato no valor de R$ 1,460 bilhão, mas acabou recebendo 47% a mais (R$ 688,6 milhões) a mais devido a 15 aditivos. Num consórcio entre a Alusa e a MPF , o valor de R$ 235,7 milhões recebeu 10 aditivos. O prazo da obra era de 720 dias e os aditivos deram mais 1.007 dias. O preço inicial foi aumentado em R$ 6,433 milhões.

 
A CNEC WorleyParsons Engenharia fechou contrato de R$ 4,5 milhões e prazo de 630 dias. Os aditivos prolongaram mais 560 dias e elevaram o valor em 1,311 milhões. O contrato foi encerrado por decurso do prazo.

 
De acordo com as investigações internas, uma das construtoras fechou contrato de R$ 819,8 milhões por 440 dias e apresentou preço 37% menor do que o custo estimado pela estatal. Acabou assinando contrato sob alegação de "estar entre as maiores construtoras do país". Até maio passado, a empresa havia firmado 13 aditivos, que aumentaram o valor em R$ 360 milhões.

 
No relatório encaminhado ao Ministério Público Federal no Paraná, que centraliza as investigações da Operação Lava-Jato, são atribuídas responsabilidades por irregularidades a Carlos Frederico Trevia, gerente de relacionamento e comunicação; Francisco Pais, que foi assistente do ex-diretor Renato Duque; Heyder de Moura Carvalho Filho; Jansem Ferreira da Silva, Jairo Luis Bonet, José Eduardo Loureiro, Luiz Alberto Gaspar Domingues, Paulo Cezar Amaro Aquino e Roberto Gonçalves, além do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do gerente Pedro Barusco Filho.

Candidato à Presidência da Câmara em 2015, Eduardo Cunha defende continuidade das investigações sobre desvios na estatal


Recado dado
Nova CPI da Petrobras é ‘inevitável’, diz Eduardo Cunha

Publicado: 12 de dezembro de 2014 às 17:25 - Atualizado às 17:26

Entrevista com dep. Eduardo Cunha - Royalties
Eduardo Cunha diz que CPI atual perdeu sentido e defende nova investigação

Candidato à Presidência da Câmara em 2015, o deputado federal reeleito Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou nesta sexta-feira, 12, que considera “inevitável” a instalação de uma nova Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) na nova legislatura para investigar o escândalo de corrupção na Petrobrás.


Para o peemedebista, a atual comissão perdeu o sentido por causa das delações premiadas prestadas por acusados à Justiça, mas, quando teor das declarações vier a público, é normal que o Congresso queira “continuar a investigar” o caso. Cunha era um dos integrantes da atual CPI mista, cujo relatório apresentado pelo deputado federal Marco Maia (PT-RS) não pediu o indiciamento de ninguém.


“No momento em que houve as delações premiadas, esta CPMI morreu. Está morta porque não há o que fazer nessa CPMI. Vai investigar algo que não conhece”, disse o peemedebista, referindo-se a depoimentos como os prestados pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, nos quais foram citados inclusive parlamentares envolvidos no esquema.

“Conhecidas as delações, acho inevitável ter outra CPMI. Até porque, quem fez esta, conhecendo as delações, quer continuar a investigar”, acrescentou Eduardo Cunha.


Nesta sexta-feira, o deputado reuniu-se com parlamentares mineiros para pedir apoio à sua candidatura a presidente da Câmara. Antes do evento, Cunha encontrou-se com o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), com o governador de Minas, Alberto Pinto Coelho (PP), e com o governador eleito, Fernando Pimentel (PT), mas salientou que foram apenas visitas de “caráter pessoal”.


Eduardo Cunha deve disputar a Presidência da Câmara com Arlindo Chinaglia (PT-SP), nome apoiado pelo Palácio do Planalto. Mas o peemedebista ressaltou, em entrevista e no discurso que fez para os parlamentares – de diversos partidos, inclusive PT e PSDB -, que não será “em nenhum momento de oposição” à presidente Dilma Rousseff. “Também não serei em nenhum momento de submissão ao governo ou a qualquer poder”, declarou. (Marcelo Portela/AE)

Após pizza da CPI, PSDB quer o indiciamento de Graça Foster e João Vaccari


Petrolão
PSDB pedirá o indiciamento de Foster e Vaccari

Publicado: 13 de dezembro de 2014 às 0:30 - Atualizado às 0:51

Presidente da Petrobras, Graça Foster e tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Fotos: ABr e Estadão Conteúdo
Presidente da Petrobras, Graça Foster e tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Fotos: ABr e Estadão Conteúdo

Escalado pelo PSDB para apresentar relatório paralelo ao do pizzaiolo Marco Maia (PT) na CPMI da Petrobras, o deputado e promotor Carlos Sampaio (SP) pedirá o indiciamento do tesoureiro do PT, João Vaccari, e da presidente da estatal, Graça Foster. Segundo o tucano, Foster no mínimo cometeu falso testemunho e prevaricação: “Ela foi avisada dos desvios por uma ex-gerente antes da LavaJato, e nada fez”, conclui.

Operador do PT no petrolão, Vaccari apareceu nas CPIs dos Correios e Sanguessugas: “Incrível a vocação dele em ressurgir”, ironiza Sampaio.
O relatório paralelo fará referência ao falecido presidente do PSDB, Sérgio Guerra, também acusado de receber propina do esquema.

O parecer de Carlos Sampaio será submetido ainda na segunda (15) ao aval dos líderes dos partidos da oposição SD, DEM, PPS e PSB. Leia na Coluna Cláudio Humberto.

Travestido rapaz causa confusão em boate de Cabo Frio."Eu conheço esse rapaz há sete anos. Foi a primeira vez que eu vi ele vestido de mulher. Ele sempre foi no banheiro masculino. Os seguranças avisaram duas vezes que ele estava errado, que as pessoas estavam reclamando e mesmo assim ele foi outra vez ao banheiro feminino", disse.

12/12/2014 13h56 - Atualizado em 12/12/2014 15h14

Travesti é expulsa de boate após tentar usar banheiro feminino

Caso aconteceu em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.
Vítima tentou registrar ocorrência; dono da boate confirmou expulsão.


Heitor Moreira Do G1 Região dos Lagos
Uma travesti de 25 anos foi expulsa de uma casa noturna em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, após ter tentado usar um banheiro feminino.


Nesta sexta-feira (12), o presidente do Fórum de ONGs LGBTs da Baixada Litorânea declarou que vai abrir um processo administrativo para que o estabelecimento seja penalizado.


De acordo com Bárbara Whinter, vítima da discriminação, o caso aconteceu na quarta-feira (3), na boate The Best Etílico, que funciona no Boulevard Canal, um dos pontos turísticos mais visitados na cidade.

"Fui ao banheiro retocar minha maquiagem e fazer minhas necessidades e percebi que duas mulheres me encararam. Logo depois o segurança da casa chegou na porta do banheiro e disse que eu não poderia ficar ali, que eu deveria usar o banheiro masculino", disse Bárbara.

Mesmo discordando com o segurança, a jovem saiu do banheiro e voltou para pista de dança. Algumas horas depois voltou ao mesmo sanitário e mais uma vez o segurança disse que ela não deveria estar ali.

"Eu achei um absurdo ele ter voltado. Eu sou mulher. Tenho meus direitos. Fui discriminada. Ele não deixou eu voltar para pista de dança. Uma amiga minha teve que pegar minha bolsa na mesa, para que eu pudesse pagar minha conta e ir embora, porque ele mandou eu sair".


Dono da boate confirmou expulsão
O proprietário da casa noturna The Best Etílico confirmou que seguranças expulsaram a jovem. Por telefone, Osmario Martins disse que muitas clientes reclamaram e que teve que tomar alguma atitude.


O dono da boate informou ainda que não tem nenhum problema em receber homossexuais, travestis ou transexuais.  "Eles só precisam respeitar as regras da casa".


Não conseguiu registrar ocorrência
Depois do ocorrido, Bárbara Whinter, foi à delegacia de Cabo Frio tentar registrar ocorrência de discriminação contra identidade de gênero. Chegando ao local, foi informada por um policial que "esse tipo de ocorrência não poderia ser realizada".

"Eu não entendi muito bem porque eu não pude registrar ocorrência. Eu me senti constrangida. Mas mesmo assim não posso deixar que esse caso caia no esquecimento", disse a jovem.


Delegado quer ouví-la
Sobre o impedimento em registrar a ocorrência, a assessoria da Polícia Civil disse que o delegado Lauro Coelho, da 126ª DP, em Cabo Frio, se colocou à disposição para atender a vítima na unidade. Ele irá avaliar a conduta dos servidores que estavam de plantão no dia.


A assessoria informou também que qualquer pessoa que não for bem atendida em alguma unidade pode entrar em contato com a Central de Atendimento ao Cidadão (CAC), pelos telefones (21) 2334-8823 e (21) 2334-8835.


Processo administrativo 
Rodolpho Campbell, presidente do Grupo Iguais e do Fórum de ONGs LGBTs da Baixada Litorânea, declarou que nesta sexta será aberto um processo administratvio junto à Prefeitura de Cabo Frio, baseado na Lei Municipal 2557 de março de 2014 que diz que " será punida toda e qualquer forma de discriminação, prática de violência ou manifestação atentatória contra o gênero, raça, manifestação religiosa ou crença ou orientação sexual na forma da presente Lei.


Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
A coordenadora geral de Promoção dos Direitos de LGBT da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Samanda Freitas, disse que as medidas necessárias precisam ser tomadas. "Vamos passar esse caso para os órgãos responsáveis no Rio de Janeiro. Temos uma parceria com o estado do Rio. Um estado que é considerado modelo nas políticas públicas de enfrentamento à homofobia e da cidadania para a população LGBT. Algo precisa ser feito", declarou.


Banheiro para travestis
De acordo com a advogada Tatiana Crispim, atualmente não há uma lei específica para afirmar se travestis possuem ou não o direito de usar o banheiro feminino de um lugar público ou particular. Mas mesmo sem a lei, a advogada aconselha que a pessoa não desista de denunciar.

"A vitima deve procurar seus direitos, ajuizando uma ação nos juizados especiais cíveis.

Tendo em vista o princípio da proporcionalidade e da razoabilidade para tentar amenizar o dano moral sofrido. Essa atitude só reafirma o preconceito e a discriminação. A nossa constituição federal no artigo 3 inciso IV, combate a discriminação, seja da espécie que for. Basear banheiro apenas por sexo não faz sentido", declarou a advoagada.

"Eu só quero viver como uma pessoa normal, comum, com direito de ter meus momentos de lazer sem ser discriminada. Eu sou gente", encerrou Bárbara Whinter.

Comentario:

Anonimo

Eu também não me sentiria bem repartindo um banheiro de mulheres com um travesti.Eles podem fingir que são mulheres mas não são, tem os músculos e a força de um homem o que nos assusta e faz com que nos sintamos ameaçadas em uma área onde deveríamos nos sentir protegidas.

Justiça determina bloqueio de contas de empresas suspeitas em cartel Casos aconteceram entre 1998 e 2008, em governos do PSDB, diz PF.


Sete empresas são suspeitas de fraudes em licitações de trens da CPTM.

Do G1 São Paulo
A sexta vara da Justiça Federal de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 600 milhões nas contas de sete empresas suspeitas de envolvimento no cartel de trens de São Paulo em governos do PSDB. O bloqueio foi encaminhado ao Banco Central pelo juiz João Batista Gonçalves no dia 5 de dezembro. As empresas serão notificadas nesta sexta-feira (12).


Os executivos e ex-executivos dessas empresas foram denunciados pelo delegado da Polícia Federal, Milton Fornazari, no inquérito que apurou fraudes em licitações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).


Eles são investigados por corrupção ativa, passiva, cartel, crime licitatório, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. O PSDB afirma que defende punição dos eventuais culpados, e que as apurações sejam estendidas às concorrências em outros estados e no governo federal.


Investigação
No dia 4 de dezembro, a Polícia Federal concluiu o inquérito do caso do cartel dos trens em São Paulo e encaminhou o caso para a Justiça Federal. No tPF conclui inquérito do cartel dos trens em SP e indicia 33 pessoasotal, 33 pessoas foram indiciadas por: corrupção ativa, corrupção passiva, cartel, crime licitatório, evasão de divisas e lavagem de dinheiro - os crimes podem ser diferentes conforme o indiciado.



infográfico cartel dos trens caso alstom (Foto: Editoria de Arte/G1)
As empresas envolvidas teriam, entre 1998 e 2008, durante governos do PSDB, feito um acordo para dividir entre elas contratos de reformas no Metrô e na Companhia Paulista e Trens Metropolitanos (CPTM).


Entre os indiciados estão executivos que, na época, trabalhavam em empresas multinacionais e também nacionais que, de acordo com a investigação, faziam parte de um esquema que, pelos cálculos do Ministério Público de São Paulo, provocou um rombo de R$ 834 milhões. Também há ex-diretores da CPTM e o atual presidente da companhia.


A PF diz que era um jogo de cartas marcadas. As empresas não só superfaturavam em até 30% o preço das obras e dos trens, como combinavam qual delas faria a proposta vencedora de determinada licitação. Pelo acordo, quem vencia a licitação subcontratava as perdedoras. Para o esquema funcionar, as empresas pagavam propina a servidores públicos. Segundo a PF, lobistas intermediavam os pagamentos.


O esquema foi denunciado pela Siemens. A multinacional alemã fez um acordo com o Comitê Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e, em troca de não ser punida, revelou como funcionava o cartel.


MP
No dia 5 de dezembro, o Ministério Público de São Paulo informou que entrou com uma ação contra supostas irregularidades em contratos de 2001 a 2002 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Referentes a manutenção de trens, eles vigoraram durante cinco anos e existe a suspeita de formação de cartel nas licitações.


O promotor do Ministério Público Marcelo Milani disse que o órgão pede, na Justiça, a anulação dos contratos e uma indenização por dano moral coletivo. No total, o órgão pede o ressarcimento de R$ 418 milhões para o estado. Além disso, o MP quer também a dissolução das 10 empresas envolvidas. Caso isso ocorra, as empresas teriam que fechar e não poderiam mais funcionar no Brasil.
As empresas presentes na ação do MP são: Siemens, Alstom, Caf (Brasil), Caf (Espanha), TTrans, Bombardier, MGE, Tejofran, Temoinsa, Mitsui e MPE.


Entenda o caso
A investigação começou a partir de um acordo de leniência (ajuda nas investigações) feito em 2013 entre umas das empresas acusadas de participar do suposto cartel, a Siemens, e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão ligado ao Ministério da Justiça.


O desdobramento das investigações mostrou, no entanto, que o esquema poderia estar funcionando muito antes da denúncia feita pela Siemens. O suposto pagamento de propinas a governos no Brasil pela empresa Alstom teria tido início em 1997, segundo apuração iniciada pela Justiça da Suíça.


Em 2008, o jornal norte-americano "The Wall Street Journal" revelou investigações em 11 países contra a Alstom por pagamento de propinas entre 1998 e 2003. As suspeitas atingiam obras do Metrô e funcionários públicos. Foi neste ano que o Ministério Público de São Paulo entrou no caso, pedindo informações à Suíça e instaurando seu próprio inquérito.


Também em 2008 um funcionário da Siemens denunciou práticas ilegais no Brasil à sede alemã, dando detalhes do pagamento de propina em projetos do Metrô, CPTM de SP e Metrô DF. Em 2013, a Alstom recebeu multa milionária na Suíça e um de seus vice-presidentes acabou preso nos Estados Unidos.


No Brasil, a Siemens decidiu então fazer a denúncia ao Cade delatando a existência do cartel. Em dezembro, a ação chegou ao Supremo Tribunal Federal. A investigação se ampliou e mostrou que o esquema poderia ser bem mais amplo do que se imaginava.


Em 2014, o Cade ampliou o processo e passou a investigar licitações (de 1998 a 2013) em mais locais, além São Paulo e Distrito Federal. Entraram também nas apurações Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Transporte Escolar esquece criança dentro do carro e o garotinho morre de insolação.Tinha apenas 2 anos.Esqueceram porque "o menino era muito bonzinho!"

3/12/2014 11h00 - Atualizado em 13/12/2014 11h00

'Ela já esqueceu meu filho antes', diz mãe de menino morto em carro no Rio

Gabriel Oliveira, de 2 anos, ficou por quase duas horas dentro de veículo.
Mulher que fazia transporte teria esquecido a criança.


Do G1 Rio
Gabriel teria sido esquecido dentro de carro no Rio (Foto: Reprodução/Gnews)Gabriel teria sido esquecido dentro de carro no Rio


A mãe do menino morto após ficar quase 2 horas dentro de um carro que fazia transporte escolar irregularmente na noite de sexta-feira (12) no Rio disse que essa não foi a primeira vez que a condutora do veículo "esqueceu" a criança.

Gabriel Martins de Oliveira Alves da Silva foi achado desacordado dentro de um Gol preto em Vicente de Carvalho, no Subúrbio. Ele foi socorrido, mas já teria chegado morto ao hospital. Segundo a pediatra que atendeu Gabriel, ele teria morrido de insolação extrema, como mostrou a Globonews neste sábado (13).


A polícia suspeita que a mulher responsável pelo transporte da criança, identificada como Cláudia Vidal da Silva, de 33 anos, tenha esquecido o menino dentro do carro. De acordo com policiais, ela buscou o menino para levá-lo à creche, mas o teria esquecido dentro do veículo por volta das 10h de sexta. A motorista só teria lembrado da criança cerca de duas horas depois. Ela foi autuada por exercício ilegal da profissão.


Carla Oliveira, mãe do menino Gabriel, disse que essa não foi a primeira vez que ele foi esquecido (Foto: Reprodução/Gnews)Carla Oliveira, mãe do menino Gabriel, disse que essa não foi a primeira vez que ele foi esquecido


"Ela já esqueceu meu filho antes. Uma vez, ela teve a cara de pau de falar: 'seu filho é um amor, muito bonzinho, então, eu prefiro entregar todas as crianças primeiro e deixo seu filho por último'. Só que dessa vez ela não entregou", disse a mãe de Gabriel, Carla Martins de Oliveira, em entrevista à Globonews.

Até as 10h30 da manhã deste sábado, o corpo do menino Gabriel permanecia no Instituto Médico-Legal (IML), no Centro.

Motorista disse que teria desmaiado
A 27ª DP (Vicente de Carvalho) instaurou inquérito para apurar o crime de abandono de incapaz com resultado de morte. De acordo com a Polícia Civil, o veículo e as roupas da criança foram apreendidos e encaminhados à perícia. Os agentes investigam a versão apresentada por Cláudia de que ela teria passado mal e desmaiado e, por isso, a criança teria ficado no veículo.



Polícia investiga se Cláudia Silva teria esquecido o menino Gabriel dentro de carro no Rio (Foto: Reprodução/Gnews)Polícia investiga se Cláudia Silva teria esquecido o menino Gabriel dentro de carro no Rio


"Ela contou que estava a caminho da creche dele [Gabriel] para levá-lo como faz diariamente, quando teve um mal súbito, encostou o carro e desmaiou. Após acordar e retomar a consciência, infelizmente, o Gabriel já estava em complicações, certamente, já sofrendo de convulsão", disse o delegado da 27ª DP, Gustavo Castro.


Além de Cláudia, os investigadores já ouviram o depoimento da mãe da criança e de algumas testemunhas. Os agentes agora procuram imagens de câmeras de segurança instaladas na região que possam ajudar nas investigações.
Criança foi encontrada morta dentro de Gol preto na sexta-feira em Vicente de Carvalho, Rio (Foto: Reprodução/Gnews)Criança foi encontrada morta dentro de Gol preto na sexta-feira em Vicente de Carvalho, Rio (Foto: Reprodução/Gnews)

Políticos devem ser denunciados ao STF antes do fim do ano

 12/12/2014, às 20:21, por Gerson Camarotti

Em conversas reservadas durante sua passagem por Curitiba, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sinalizou que já na próxima semana deverão ser enviadas à Justiça Federal duas novas levas de denúncias contra investigados na sétima fase da Operação Lava Jato.


Nessas conversas, Janot transmitiu a segurança de que antes do fim do ano vai fazer também a denúncia dos políticos com foro privilegiado e que só podem ser investigados no Supremo Tribunal Federal (STF).


Detalhe: as denúncias devem incluir políticos com mandato de vários partidos, inclusive de oposição, e não somente de PT, PMDB e PP, legendas mencionadas na delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto Costa e na do doleiro Alberto Youssef, apontado como o chefe do esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.


Integrantes do Supremo Tribunal Federal já demonstraram preocupação com a possibilidade de a defesa dos denunciados buscar falhas processuais para tentar invalidar a investigação.

Acusação de SUBORNO: FAB anuncia suspensão de contratos com empresa norte-americana Dallas

Empresa admitiu ter subornado funcionários da FAB e do governo de RR.
Dallas Airmotive terá de pagar US$ 14 mi nos EUA por corrupção no exterior.

Do G1, em Brasília
A Força Aérea Brasileira (FAB) informou nesta sexta-feira (12) por meio de nota que suspendeu os contratos com a empresa Dallas Airmotive, dos Estados Unidos.

De acordo com a nota, os contratos serão rescindidos se as denúncias que envolvem a empresa se comprovarem. O texto também informa que a FAB abriu um inquérito policial militar para apurar o suposto recebimento de propina por militares.


De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Dallas Airmotive admitiu que, entre 2008 e 2012, subornou funcionários da FAB e do gabinete do governo de Roraima.

A empresa pagará US$ 14 milhões de sanção penal, segundo informou o Departamento de Justiça, por descumprir a lei norte-americana que pune empresas que praticam corrupção no exterior.

Nesta sexta, mais cedo, a FAB havia divulgado, por meio de nota à imprensa, que os dois militares suspeitos de terem recebido propina da Dallas não têm patente de oficial. Segundo a Força Aérea, um dos suspeitos é um suboficial, e o outro, um sargento. Os nomes dos militares não foram divulgados.

No comunicado, a Força Aérea afirmou que já apura os fatos a fim de identificar os responsáveis e os detalhes da denúncia. Caso o pagamento de suborno seja confirmado, a FAB diz que "todos os procedimentos para punição, previstos em lei, serão adotados".

Em nota, a Dallas Airmotive confirmou o pagamento de suborno e atribuiu as ilegalidades a funcionários que já estão fora da empresa.

Entre os mecanismos usados pela empresa para o pagamento da propina, segundo o Departamento de Justiça norte-americano, estavam acordos com empresas de fachada, pagamentos a terceiros e oferecimento de presentes aos funcionários, como pagamento de viagens de férias, diz o comunicado, que não cita os nomes dos envolvidos .

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela FAB:

NOTA OFICIAL

A Força Aérea Brasileira (FAB) suspendeu imediatamente a execução dos contratos que mantinha com a empresa Dallas Airmotive até o total esclarecimento das denúncias do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Se as acusações forem comprovadas, a FAB vai rescindir os contratos, com base no artigo 79, inciso XII da Lei 8666/93, buscando inclusive o ressarcimento cabível.

A FAB também instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar o envolvimento dos acusados, ainda não identificados.

Ressaltamos que a FAB repudia atitudes desta natureza e atua firmemente para coibir desvios de conduta de seu efetivo.

Juiz aceita denúncia do MPF contra nove investigados na Lava Jato, inclusive contra o dono da ENGEFIX (INFRAMERICA )

12/12/2014 17h09 - Atualizado em 13/12/2014 00h06


Com aceitação da denúncia, investigados passam a ser réus em processo.
Juiz Sérgio Moro vê indícios de corrupção ativa e organização criminosa.

Do G1, em Brasília
O juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça, aceitou nesta sexta-feira (12) denúncia oferecida na quinta (11) pelo Ministério Público Federal contra nove pessoas por suspeita de participação em crimes como corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Com a aceitação da denúncia, os nove se tornam réus em ação penal. Até a última atualização desta reportagem, ainda não havia decisão sobre os outros 27 nomes denunciados pelo MPF.


O MPF do Paraná apresentou na quinta-feira denúncia contra 36 investigados na sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal para investigar lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As investigações resultaram na descoberta de um esquema de desvio de dinheiro e superfaturamento de obras da Petrobras.


O Ministério Público dividiu os 36 denunciados em cinco diferentes ações. Nesta sexta, Moro aceitou denúncia contra os seguintes suspeitos de participação no esquema:
- Alberto Youssef, doleiro, acusado de chefiar o esquema de corrupção;
- Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras;
- Waldomiro de Oliveira, dono da MO Consultoria,;
- Carlos Alberto Pereira da Costa, representante formal da GFD Investimentos, pertencente a Alberto Youssef;
- Enivaldo Quadrado, ex-dono da corretora Bônus Banval, que atuava na área financeira da GFD
- Gerson de Mello Almada, vice-presidente da empreiteira Engevix (INFRAMERICA);
- Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor da Engevix
- Newton Prado Júnior, diretor da Engevix
- Luiz Roberto Pereira, diretor da Engevix.
Dos nove denunciados, três estão presos preventivamente: Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar em sua casa, no Rio de Janeiro; Alberto Youssef e Gerson Almada, ambos detidos na carceragem da Polícia Federal do Paraná.

Na decisão, o juiz afirma que, além do crime de organização criminosa, há indícios de crimes de formação de cartel; frustração à licitação; lavagem de dinheiro; corrupção ativa e passiva; evasão fraudulenta de divisas; uso de documento falso; e sonegação de tributos federais.

No documento, o juiz Sérgio Moro já marcou para o dia 3 de fevereiro de 2015 audiência para ouvir, além dos denunciados, a contadora de Alberto Youssef, Meire Poza; o operador das contas do Youssef no exterior e suposto "laranja" do doleiro, João Procópio; um dos donos da Labogen, Leonardo Meirelles; e os executivos da empresa Toyo Setal, Augusto Ribeiro Mendonça e Júlio Camargo. Estes últimos firmaram acordo de delação premiada com a Justiça.

Segundo o Ministério Público Federal, das 36 pessoas denunciadas, 23 são ligadas às empreiteiras Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, OAS  e UTC.


 

Entenda a Lava Jato
A operação Lava Jato começou investigando um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões. A investigação acabou resultando na descoberta de um esquema de desvio de recursos da Petrobras, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.
Na primeira fase da operação, deflagrada em março deste ano, foram presos, entre outras pessoas, o doleiro Alberto Youssef, apontado como chefe do esquema, e o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.


A sétima fase da operação policial, no mês passado, teve como foco executivos e funcionários de nove grandes empreiteiras que mantêm contratos com a Petrobras em um valor total de R$ 59 bilhões.


Parte desses contratos está sob investigação da Receita Federal, do MPF e da Polícia Federal. Ao todo, foram expedidos na sétima etapa da operação 85 mandados em municípios do Paraná, de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Pernambuco e do Distrito Federal.


Conforme balanço divulgado pela PF, além das 25 prisões, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão. Também foram expedidos nove mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a ir à polícia prestar depoimento), mas os policiais conseguiram cumprir seis.


VALE ESTE - Arte Lava Jato 7ª fase (Foto: Infográfico elaborado em 15 de novembro de 2014)


Funcionaria da PETROBRAS que sabia das irregularidades e ameaçou divulga-las foi DESTITUIDA do cargo.

2/12/2014 21h27 - Atualizado em 13/12/2014 00h02

Petrobras diz que funcionária fez ameaças após perder cargo

Segundo jornal, ela denunciou corrupção antes de operação da PF.
Ela foi transferida para Cingapura, mas teve cargo destiuído em novembro.

Do G1, em Brasília
A Petrobras divulgou nota na noite desta sexta-feira (12) na qual afirma que a funcionária Venina Velosa da Fonseca fez ameaças a superiores após ter sido destituída, no mês passado, do cargo de diretora-presidente da empresa Petrobras Singapore Private Limited, em Cingapura.


"A empregada foi destituída da função de diretora presidente da empresa Petrobras Singapore Private Limited em 19/11/2014, após o que ameaçou seus superiores de divulgar supostas irregularidades caso não fosse mantida na função gerencial", afirma o texto da nota.


Segundo reportagem desta sexta-feira (12) do jornal "Valor Econômico", antes mesmo de a Polícia Federal (PF) deflagrar em março a Operação Lava Jato, a diretoria da Petrobras já tinha sido alertada diversas vezes por Venina Velosa sobre a ocorrência de irregularidades em contratos da estatal.


Antiga subordinada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na Lava Jato, ela foi transferida para a Ásia, segundo o jornal, após denunciar o esquema de corrupção. Posteriormente, foi afastada.


'Responsabilizada por comissão'
Na nota da noite desta sexta, a estatal  informa que a funcionária foi responsabilizada por uma comissão que apurou denúncias de irregularidade na Refinaria Abreu e Lima (RNEST). A estatal não explica, no entanto, que irregularidade foi cometida por Venina Velosa da Fonseca.


“A empregada foi citada no relatório desta Comissão com referência a responsabilidades por não conformidades consideradas relevantes. O resultado foi enviado às Autoridades Competentes (MPF, PF, CVM, CGU e CPMI) para as medidas pertinentes”, informa a nota.

De acordo com a estatal, apesar de ter prestado esclarecimentos a esta comissão, a funcionária não havia mencionado as denúncias que depois vieram à tona."A empregada foi ouvida nesta comissão, momento em que teve a oportunidade mas não revelou os fatos que está trazendo agora ao conhecimento da imprensa", diz a nota.

"A empregada guardou estranhamente por cerca de 5 anos o material e hoje possivelmente o traz a público pelo fato de ter sido responsabilizada pela comissão."

Segundo o “Valor Econômico”, Venina, que é ex-gerente executiva da Diretoria de Refino e Abastecimento da Petrobras , denunciou aos diretores da empresa que havia ilegalidades em contratos e licitações. O jornal relata que, apesar das advertências, a direção da empresa não agiu para conter os desvios bilionários e ainda destituiu de seus cargos os executivos que tentaram barrar o esquema de corrupção.


Leia abaixo a íntegra da nota da Petrobras.


Esclarecimento
Com referência às matérias publicadas na imprensa a respeito de denúncias feitas pela empregada Venina Velosa, a Petrobras reitera que tomou todas as providências para elucidar os fatos citados nas reportagens. Não procede a afirmação de que não houve apuração por parte da Companhia em nenhum dos três casos citados por ela: RNEST, Compra e Venda de BUNKER e Irregularidades da Gerência de Comunicação do Abastecimento.


A Petrobras instaurou comissões internas de apuração, entre as quais uma referente aos procedimentos de contratação nas obras da RNEST, em 2014. A empregada foi ouvida nesta comissão, momento em que teve a oportunidade mas não revelou os fatos que está trazendo agora ao conhecimento da imprensa. A empregada guardou estranhamente por cerca de 5 anos o material e hoje possivelmente o traz a público pelo fato de ter sido responsabilizada pela comissão.


A empregada foi citada no relatório desta Comissão com referência a responsabilidades por não conformidades consideradas relevantes. O resultado foi enviado às Autoridades Competentes (MPF, PF, CVM, CGU e CPMI) para as medidas pertinentes. A empregada foi destituída da função de diretora presidente da empresa Petrobras Singapore Private Limited em 19/11/2014, após o que ameaçou seus superiores de divulgar supostas irregularidades caso não fosse mantida na função gerencial.


A Petrobras instaurou comissões internas em 2008 e 2009 para averiguar indícios de irregularidades em contratos e pagamentos efetuados pela gerência de Comunicação do Abastecimento. O ex-gerente da área foi demitido por justa causa em 3 de abril de 2009, por desrespeito aos procedimentos de contratação da Companhia. A demissão não foi efetivada naquela ocasião porque seu contrato de trabalho estava suspenso, em virtude de afastamento por licença médica. A demissão foi efetivada em 2013. O resultado das análises foi encaminhado para a CGU e MP/RJ e há uma ação judicial em andamento visando ao ressarcimento dos prejuízos causados à companhia pelo ex-empregado.


Após resultado do Grupo de Trabalho constituído em 2012, a Petrobras aprimorou os procedimentos de compra e venda de bunker, com a implementação de controles e registros adicionais. Com base no relatório final, a Companhia adotou as providências administrativas e negociais cabíveis. A Petrobras possui uma área corporativa responsável pelo controle de movimentações e auditoria de perdas de óleo combustível, que não constatou nenhuma não conformidade no período de 2012 a 2014.

Gerência de Imprensa/Comunicação Institucional



VALE ESTE - Arte Lava Jato 7ª fase (Foto: Infográfico elaborado em 15 de novembro de 2014)