sábado, 9 de maio de 2015

Custo Dilma: 150 cargos em troca de votos

9 de maio de 2015

Custo Dilma: 150 cargos em troca de votos

Negociação entre governo e deputados que ainda votam com o governo é feita sem pudores


Dilma_Homenagem_PracinhasO governo Dilma continua a viver dificuldades para aprovar qualquer matéria no Congresso. Como os órgãos de investigação estão em alerta devido aos muito escândalos, restou ao PT conseguir os votos à moda antiga, oferecendo cargos abertamente em troca de votos. Vejam trecho da reportagem do jornal “O Globo”:

Para garantir aos aliados que os cargos pedidos sairão, mesmo que as nomeações não sejam publicadas na próxima semana, antes da votação da próxima medida do ajuste fiscal, o governo começou a avisar que todas as indicações já foram encaminhadas à Casa Civil. Esta, por sua vez, vem informando que também já autorizou o envio dos nomes para a triagem da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e aos ministérios que têm a prerrogativa de efetivá-las. Tudo isso porque os aliados tinham cobrado que as nomeações saíssem no Diário Oficial (D.O.) até segunda-feira.

A articulação política do governo já conseguiu negociar 150 posições na máquina federal. Nessa conta estão não só as novas indicações pedidas por deputados e senadores, mas também solicitações para que sejam mantidos em cargos-chave servidores que chegaram lá por indicação política. Mas poucos nomes já foram oficializados no DO. Além da alegada burocracia como fator de demora para efetivar as nomeações, uma parcela significativa dos cargos mais cobiçados, especialmente no setor elétrico, deverão passar diretamente pelo crivo da presidente Dilma Rousseff para serem efetivados.



A próxima semana é crítica para o governo Dilma, que corre o risco de passar o vexame de ver um indicado ao STF ser rejeitado pelo Senado.

Pindaíba maior que a prevista - VINICIUS TORRES FREIRE

Pindaíba maior que a prevista - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 30//04

A arrumação das contas públicas está ainda para começar, voltou praticamente à estaca zero. A queda da arrecadação de impostos frustra as metas de redução de deficit; quase um terço do pacote de arrocho enviado ao Congresso ora está indo para o vinagre.

Em uma conta rabiscada em guardanapo, o governo deveria poupar o equivalente a uns R$ 4,6 bilhões por mês (a simples média do superavit primário dividido por 12 meses). Não é, claro, assim que funcionam as coisas, mas o número pode servir ao propósito didático de mostrar o tamanho do problema.

Nos primeiros três meses do ano, o governo federal poupou RS 4,7 bilhões. Em tese, um terço das necessidades de economia para o ano inteiro, portanto.

O dinheiro que deixou de entrar no caixa do governo no primeiro trimestre bastaria para fechar a conta da poupança prometida para este início de 2015. A arrecadação federal caiu R$ 14,8 bilhões, comparado o primeiro trimestre deste ano com o primeiro de 2014. Esse dinheiro cobriria o superavit "médio" dos primeiros três meses do ano.

Uns 30% do valor do pacote de aumento de impostos e corte de gastos que o governo enviou para aprovação do Congresso pode ir para o vinagre. Essa conta é precária, claro. As estimativas do governo para os efeitos do pacote já eram um tanto vagas, os resultados reais são sempre meio imprevisíveis e, enfim, a gente tem remota ideia do que vai espirrar do Congresso depois de "n" emendas. Entendidos no assunto e contas de guardanapo indicam por ora uma perda de uns R$ 7 bilhões ou R$ 8 bilhões.

O grosso do corte de despesas do trimestre veio da redução do "gastos em obras", em investimentos, um talho de 31%, redução de R$ 7 bilhões. Parte grande desse esforço foi desfeita pela alta de despesas da Previdência e de benefícios sociais para pessoas idosas ou muito doentes (Loas), que cresceram R$ 5,7 bilhões.

Outro ganho importante do governo deveu-se à poupança de R$ 1,7 bilhão do dinheiro que era destinado a subsidiar as contas de energia elétrica, muito mais caras agora graças ao fim desse subsídio, corte, no entanto, necessário (grande parte dessa conta deveu-se às lambanças de Dilma 1 na administração do setor elétrico).

A arrecadação do governo afunda porque a economia encolhe, claro, e porque ainda se perde muita receita, encrenca devida às baixas de impostos concedidas pelo governo Dilma 1 ainda no finalzinho do ano passado, quando já era inegável o naufrágio das contas públicas.

O balanço dessa bossa desafinada é que parecem um tanto fúteis aquelas estimativas de que o "ajuste" dependeria em parte menor do Congresso, pois há variáveis demais para equações de menos nessa conta, por assim dizer.

A queda da receita vai fazer com que a arrumação das contas públicas dependa mais do Congresso ou, então, vai levar o governo a fazer um corte ainda maior em investimentos, talvez de 40% ou 50%. Essa alternativa degrada ainda mais a qualidade do ajuste e pode ainda até aprofundar a recessão.

Pior, um ajuste baseado em talhos brutais de investimentos costuma não durar; caso dure, emperra a atividade econômica. Ou seja, o problema do ajuste de 2016 começa a ficar mais encrencado também.
 
 

Empresa que pagou R$ 2 mi de consultoria para Palocci envolve diretamente chefe de gabinete de Dilma, que era ministra chefe da Casa Civil e presidente do Conselho da Petrobras.


Clique na imagem para ampliar.
 
 
O ex-ministro Antonio Palocci virou alvo das investigações da Operação Lava-Jato após o delator Paulo Roberto Costa declarar às autoridades que em 2010 foi procurado pelo petista para providenciar 2 milhões de reais para o comitê da então candidata Dilma Rousseff. O dinheiro, segundo ele, sairia dos do esquema de corrupção da Petrobras. O inquérito contra Palocci corre na Justiça Federal do Paraná, sob o comando do juiz Sergio Moro. Em Brasília o ex-ministro é investigado pelas consultorias milionárias prestadas após deixar a cadeira de ministro da Fazenda no governo Lula. 
 
 
 
 
 
 
As duas investigações tendem a se cruzar. VEJA teve acesso à lista de todos os clientes que contrataram a Projeto Consultoria desde que ela foi fundada, em 2006. São 73 empresas. Há de tudo um pouco: bancos, empresas da área médica, shoppings, escritórios de advocacia, usina de açúcar, empresas do ramo imobiliário, financeiras. Até uma associação de estilistas figura entre os pagadores. Ao todo, eles renderam ao ex-ministro 36,5 milhões de reais.
 
 
 
 
Um desses pagamentos merece atenção redobrada. Entre 2008 e 2010, Palocci recebeu 2 milhões de reais da Unipar e da Carbocloro, empresas do ramo petroquímico que hoje formam uma só empresa e que, àquela altura, tinham interesses importantes na Petrobras. Em depoimento prestado à Justiça, o doleiro Alberto Youssef revelou que a Unipar pagou 18 milhões de reais em propina ao esquema de corrupção que operava na estatal em troca de vantagens. 
 
 
 
 
Um e-mail ao qual VEJA teve acesso mostra que, em 2007, a petroquímica encontrava dificuldades em levar seus negócios à frente - e pedia ajuda à então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rouseff, que também acumulava o cargo de presidente do Conselho de Administração da Petrobras.
 
 
A mensagem foi enviada por Frank Geyer Abubakir, presidente da Unipar, a Giles Azevedo, então chefe de gabinete da Casa Civil, pedindo para "atualizar a ministra Dilma sobre as negociações entre a Petrobras e a Unipar que encontram-se em estágio avançado". 
 
 
 
 
 
Abubakir foi apontado pelo doleiro Alberto Youssef como responsável pelo pagamento da propina. Além de pedir ajuda à então ministra para apressar o processo, ele informa que os executivos da Petrobras estavam criando dificuldades - segundo as investigações da Lava Jato, o homem das dificuldades era Paulo Roberto Costa. "Tal fato nos deixou preocupados pois entendemos ser crítico o fechamento das operações em paralelo, conforme combinado anteriormente", escreve Abubakir. Ele não deixa claro o que seriam as tais 'operações em paralelo'.
 
 

3 comentários:

Anônimo disse...
Dilma é mesmo uma ladra.

IMPEACHMENT JÁ!!!
Anônimo disse...
Bem que a Mamulenga poderia seguir os passos da vice presidente guatemalteca e puxar o carro.
Tem o benefício de sair dos holofotes, além de sair das vaias...
Cordovero
fred oliveira disse...
As pontas se juntam. E que bom ver que alem do MPU da lava jato o de Brasilia entrou no pedaço para arrumar o pais. Nao existirao outros para ajudar?

Lula, muy amigo de Chávez. MP investiga rombo de R$ 500 bi no BNDES.



No dia 14 de abril, o economista Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, esteve no Senado para explicar os empréstimos do maior guichê do capitalismo de Estado brasileiro. Citou o apoio a 91 dos 100 maiores grupos nacionais, o financiamento à metade de todos os investimentos em infraestrutura no país e o estoque de empréstimo da ordem de R$ 263 bilhões, correspondente a 11% do PIB. Foi chamado 44 vezes de presidente. Chamou meia dúzia de senadores de Vossa Excelência. Talvez para mostrar quem está acima de quem no poder político brasileiro.

 
 
A próxima visita de Coutinho ao Senado será provavelmente diferente. Duas semanas após a tranquila exposição do economista, a oposição conseguiu as assinaturas suficientes para criar uma CPI destinada a investigar os bilionários empréstimos secretos do BNDES. Suspeita-se que algumas das operações tenham sido excessivamente camaradas – e algumas empresas especialmente privilegiadas. Ademais, a oposição quer investigar os indícios de que o ex-presidente Lula, conforme revelou ÉPOCA em sua última edição, tenha feito tráfico de influência junto ao BNDES, de modo a favorecer a Odebrecht, uma das empresas que mais obtiveram dinheiro do banco. 
 
O núcleo de combate à corrupção da Procuradoria da República em Brasília abriu investigação para descobrir se Lula atuou em favor da Odebrecht não apenas no BNDES, mas também junto a governos amigos do PT, os quais contrataram a empreiteira com dinheiro do banco brasileiro – algumas vezes após visitas do petista, bancadas pela Odebrecht, aos presidentes desses países. Lula, o BNDES e a Odebrecht negam qualquer irregularidade.
 
 

O que Mujica disse que não disse sobre o Mensalão do Lula.

sábado, 9 de maio de 2015


Acima, reprodução da notícia de hoje publicada no Jornal El País, o principal do Uruguai. Clique na imagem e clique aqui para ler a íntegra. Abaixo, a tradução do principal trecho, onde os autores confirmam a declaração e Mujica desmente. 

" Lula não é corrupto como se fosse Collor de Mello e outros presidentes brasileiros ", disse Mujica no livro de Tulbovitz e Dança. 

Ele contou, além disso,  que Lula viveu todo aquele episódio com alguma angústia e um pouco de culpa. 

"Neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagem ", lhe disse Lula pesaroso para Mujica e para Danilo Astori , algumas semanas antes de assumirem o governo do Uruguai. "Essa é a única maneira de governar o Brasil " , justificou. 

Eles tinham ido visitá-lo em Brasília e Lula sentiu a necessidade de esclarecer a situação. 

" O mensalão também é neste país, tudo é maior ", disse Lula , confirmam os autores . De qualquer maneira,  Mujica confessa sua admiração pelo presidente brasileiro , a quem considera um " cavalo bárbaro" .

Consultado por El Pais, Mujica disse ontem à noite :" Eu nunca falei com um brasileiro do mensalão. O que se passa é que eu não escrevi o livro. ". Após a apresentação no IMM , Mujica continuou autografando o livro. 

Antes de negar que falou em mensalão com Lula, Mujica ainda elogiou José Dirceu, dizendo que ele não é um delinquente e que é um formidável lutador. 
 
 
 
4 comentários

Inflação é a maior desde 2003. Parabéns, ex-presidente Dilma.


Depois alguns resmungam que só trago más notícias. Dá pra comemorar mais essa aí? Pede pra sair, Dilma Ruimself:


Considerada a taxa oficial no país, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,71% em abril, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. O resultado representa uma desaceleração frente ao comportamento de março, quando o índice subiu 1,32%. Nos 12 meses encerrados em abril, a inflação chegou a 8,17%, a mais alta desde o período de 12 meses encerrados em dezembro de 2003, quando somou 9,30%.
A taxa de abril é a menor de 2015 e a primeira vez no ano em que o IPCA ficou abaixo de 1%. O resultado, porém, é o mais alto para abril desde 2011, quando atingiu 0,77%. E também muito acima da taxa de abril do ano passado, quando foi de 0,67%.

O IPCA acumulado nos quatro primeiros meses do ano, de 4,56%, já passa do centro da meta oficial de inflação do governo, que é de 4,5%. Ao mesmo tempo, a inflação de janeiro a abril é a mais alta para o período desde 2003, quando ficou em 6,15%. Em março de 2015, essa taxa ficou em 8,13%.

Analistas de mercado consultados pela Bloomberg News esperavam uma taxa média de 0,76% para abril, com estimativas entre 0,70% e 0,92%. Já para o resultado em 12 meses a projeção era de 8,23%, com números entre 8,13% e 8,14%.

A coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, destacou a desaceleração da inflação no mês de abril, ainda que a taxa de 0,71% não possa ser considerada baixa:

– A taxa de abril foi a primeira do ano que ficou abaixo de 1%. Houve desaceleração da inflação em abril, mas ela se sustentou na casa dos 8% no resultado acumulado em 12 meses. O primeiro trimestre do ano foi marcado por uma alta mais expressiva de preços monitorados, como energia elétrica, tarifa de ônibus e combustíveis. Mas essa influência permanece em abril, ainda que em intensidade menor.

ALTA MENOR DA ENERGIA; ALIMENTOS PUXAM IPCA

A desaceleração da inflação em abril, frente a março, foi puxada principalmente pela alta menor dos preços de energia elétrica. A energia, que tinha subido 22,08% em março, avançou 1,31% em abril. Apesar da desaceleração em abril, os preços de energia acumulam alta de 38,12% no ano e de 59,93% em 12 meses.

Já os preços de alimentos foram a maior influência para a alta de inflação em abril, com elevação de 0,97% e impacto de 0,24 ponto percentual. O resultado representou uma desaceleração frente a março, quando os preços de alimentos tinham subido 1,17%.

Vilão da inflação em 2013, o tomate foi o item com maior alta de preço entre os alimentos em abril, de 17,90%. No ano, o tomate subiu 48,65%. Também tiveram variação expressiva a cebola (7,05%), o feijão-mulatinho (6,55%) e o leite longa vida (4,80%).

Alguns alimentos importantes para o consumo das famílias, como batata-inglesa, feijão e frango tiveram queda de preço. Houve queda de 10,02% na batata-inglesa, de 8,38% na mandioca e de 2,78% na farinha de mandioca.

A coordenadora do IBGE, no entanto, explica que não é possível afirmar que esse recuo de preços reflita uma demanda menor:

– É prematuro afirmar que a demanda tem ligação com queda no preço de alimentos. Os últimos a terem impacto de demanda são os alimentos. Se há alguma restrição de renda ou de emprego que levem a reduzir o emprego, isso vai primeiro nos automóveis, que já está acontecendo, e nos eletrodomésticos – explica Eulina.

Várias regiões apresentaram desaceleração no preço de alimentos, mas isso precisa ser visto com reserva, segundo Eulina, já que no ano e em 12 meses o preço tem alta grande. Os preços de alimentos já subiram 4,51% no ano e, em 12 meses, 7,95%.

Goiânia tem a maior alta de alimentos no resultado acumulado em 12 meses, de 10,83%. No Rio de Janeiro, os preços de alimentos subiram 9,45%. Em São Paulo, a alta foi de 7,33%. A seca e o aumento de energia elétrica são apontados como razões para a alta dos preços dos alimentos. 

O segundo maior impacto no IPCA de abril veio do grupo saúde e cuidados pessoais, que avançou 1,32%, com fatia de 0,15 ponto percentual da taxa de 0,71% da inflação geral. A maior pressão veio dos preços de remédios – o principal impacto individual na inflação de abril –, que subiram em média 3,27% depois dos reajustes que entraram em vigor em 31 de março (com alíquotas de 5%, 6,35% e 7,70%, dependendo do medicamento). Além dos remédios, no entanto, também houve impacto dos preços de serviços médicos e dentários (0,93%), produtos óticos (0,91%) e plano de saúde (0,77%).

Já os preços de transportes avançaram 0,11%, diante da queda dos preços de gasolina (0,67%) e de etanol (2,33%).

PREÇO DE SERVIÇOS SOBE 8,32% EM 12 MESES

Os preços de serviços avançaram 0,72% em abril, perto da taxa geral de 0,71%. No ano, a taxa é de 3,28%, para um IPCA de 4,56%. Já no resultado acumulado em 12 meses, a taxa é de 8,32%, enquanto a inflação chega a 8,17%.

– Os serviços têm pressionado a inflação nos últimos anos. Nesses quatro primeiros meses do ano, no entanto, a alta de preços está abaixo do IPCA geral porque há pressão também de preços monitorados – diz Eulina.

A alta de preços monitorados desacelerou para 0,78%, frente a 3,37% em março. Em 2015, no entanto, a variação dos preços chega a 9,31%, mais que o dobro do IPCA de 4,56% do período. No resultado acumulado em 12 meses, a variação dos preços administrados também é bem superior à do IPCA, de 13,39%.

A inflação acumulada em 12 meses, de 8,17%, está bem acima do teto da meta de inflação do governo, que é de 6,5% ao ano. O próprio Banco Central avalia que a alta do dólar e a pressão dos reajustes de tarifas devem tornar mais difícil o combate à inflação. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada em 7 de maio, o BC admite que a esperada convergência para o centro da meta oficial — 4,5% — só deve ocorrer no fim do ano que vem. Antes, a expectativa era alcançar o objetivo ao longo de 2016. (O Globo).

Mantega, o maquiador contumaz, quis abafar o rombo na Petrobras.


O ex-ministro Guido Mantega, que se notabilizou por maquiar números, tentou também esconder a criminosa ordenha na Petrobras:


O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, tentou impedir a divulgação de um cálculo encomendado pela própria Petrobras que indicava perdas de R$ 88,6 bilhões no patrimônio da estatal.

A Folha teve acesso ao áudio da reunião do conselho da estatal realizada no dia 27 de janeiro deste ano. Mantega, que presidia o conselho de administração, diz que o cálculo, feito pela consultoria Deloitte e pelo banco BNP Paribas, era uma "temeridade" e bateu de frente com a então presidente da empresa, Graça Foster. A executiva defendia que o mercado fosse informado, o que acabou ocorrendo.

A atitude de Graça desagradou à presidente Dilma Rousseff e ela perdeu o cargo pouco tempo depois, sendo substituída por Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil.

"Acho uma temeridade divulgar esse número. Vai afetar o nosso rating, custo financeiro, a solidez da empresa por algo de que não temos certeza. Cria a possibilidade de que a Petrobras tenha um endividamento muito maior em relação a seu patrimônio", diz o ministro no áudio.

Durante essa reunião, que durou oito horas, Graça pediu a divulgação do número e contou com o apoio dos representantes dos acionistas minoritários. A então presidente da Petrobras estava preocupada em ser responsabilizada por omitir informações do mercado.

"E se a CVM me pergunta sobre esses números? Se existe, porque não divulgaram? Quem está escondendo esse número? De quem é a responsabilidade? Da diretoria ou do conselho?", diz Graça, ressaltando que tinha receio de vazamentos, porque "mais de cem pessoas tiveram acesso".

Em resposta a Graça, Mantega diz que a empresa "faz vários relatórios e nem todos são revelados".

Ele afirma ainda que "o que discutimos aqui está sobre regra de sigilo. Somos todas pessoas responsáveis. [O número apurado pela consultoria] não deveria vazar".

A proposta da diretoria da Petrobras na época não era reconhecer os R$ 88,6 bilhões em perdas no balanço da empresa, mas informar o cálculo em uma nota explicativa.

Quando finalmente divulgou seu balanço três semanas atrás, a estatal desprezou esse valor e admitiu ter perdido R$ 44,6 bilhões em patrimônio, principalmente pela má gestão e pela corrupção na construção de refinarias.
COMPERJ DE FORA

Durante a reunião, técnicos da Petrobras esclarecem que, na avaliação da Deloitte, a explosão de gastos na construção do Comperj foi tão grande que seu valor estava negativo em US$ 2,5 bilhões. "Não há valor de mercado. Se continuar a investir, vai afundar mais alguma coisa (perder dinheiro)", diz o técnico.

Na discussão com Mantega, Graça revela outro motivo para divulgar os números. No dia seguinte à realização do encontro, a Petrobras corria o risco de que 27 credores pedissem a antecipação do vencimento de US$ 19,3 bilhões em dívidas, porque a estatal não conseguia divulgar o balanço, uma obrigação estabelecida em contrato.

"Temos que negociar com esses credores. Pode ter chinês batendo na nossa porta cobrando todo tipo de coisa. Agora, quanto mais informação você mostra, mais chance tem de ser bem-sucedido."

BATALHA

A reunião do conselho foi uma verdadeira batalha. Mantega teve o apoio do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, da ex-ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e do professor da FGV Sérgio Quintela.

Já Graça contou com o aval dos representantes dos acionistas minoritários, Mauro Cunha e José Monforte, e do representante dos funcionários, Silvio Sinedino.

"Se não divulgarmos os dados, estaremos mentindo. Estamos vendo uma mudança de 180 graus no que foi discutido dois dias atrás, o que reflete mais uma vez a interferência do acionista controlador da companhia (o governo)", disse Cunha.

A ata da reunião, à qual a Folha também teve acesso, reflete o embate que ocorreu no áudio. No documento está escrito que Mantega "pontuou seu entendimento de que o valor justo dos ativos mostra-se inadequado".

Ao final do encontro, Mantega acaba concordando com a publicação do cálculo. Nos bastidores da reunião, o governo tomou conhecimento de que os representantes dos acionistas minoritários pretendiam protocolar o número na CVM caso ele não fosse divulgado.

Foi só nesse momento, às 22h, que Mantega permitiu que o cálculo fosse divulgado. Na ata, apenas o professor Quintella registrou formalmente sua posição contrária a divulgação.

Procurado, o ex-ministro informou que "o que importa é que, sob sua presidência, o conselho divulgou os dados, e que discussões internas fazem parte do processo de decisão da companhia". (FSP).
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Ovelhas vermelhas: caso mensalão pode ser reaberto, diz Marco Aurélio.



Diante da revelação do ex-presidente uruguaio José Mujica, é o que resta a fazer. Chega de manter o tiranete Lula no panteão da impunidade. Haja justiça:


O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que é possível reabrir o caso do mensalão diante da revelação de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ter conhecimento do esquema, conforme relato do ex-presidente uruguaio José Mujica revelado em livro. A obra Una Oveja Negra al Poder (Uma ovelha negra no poder, em tradução livre), escrita pelos jornalistas Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz com depoimentos de Mujica, narra que, em uma conversa ocorrida em 2010, sobre o escândalo da compra de apoio político no Congresso, o petista teria dito ao presidente uruguaio que aquela era "a única forma de governar o Brasil".

"Pelo Código de Processo Penal, é possível reabrir o caso diante de qualquer fato novo. Caberá ao Ministério Público tomar a iniciativa", disse Marco Aurélio Melo, um dos onze que julgaram o processo do mensalão. "A notícia é importante e não pode ser desconsiderada. Agora, se Lula sentir-se caluniado, ele pode processar o ex-presidente Mujica", ponderou o ministro do STF.

Mujica disse também aos autores do livro que "Lula não é um corrupto como [Fernando] Collor de Mello e outros ex-presidentes brasileiros, mas viveu esse episódio [do mensalão] com angústia e um pouco de culpa."

Segundo o relato, o caso do mensalão veio à tona durante uma reunião feita em Brasília nos primeiros meses de 2010. "Neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens", Lula teria dito ao uruguaio, para em seguida completar: "Essa era a única forma de governar o Brasil". Mujica afirma que o ex-vice-presidente uruguaio Danilo Astori também estava na sala e ouviu a declaração do petista.

Nesta semana, em entrevista ao El País sobre o lançamento do livro, Mujica classificou de "inexplicáveis" os escândalos de corrupção que ocorrem no Brasil. "A esquerda morre quando a cobiça por dinheiro entra na política. Por que a corrupção prolifera tanto? Parece sensato que pessoas de 60, 70 anos se emporcalhem com uns pesos imundos?", disse. "É inexplicável o que se passa no Brasil." (Veja.com).

É nosso, mas não dá para pegar - CARLOS ALBERTO SARDENBERG


O GLOBO - 30/04

Brasil perdeu a chance de licitar campos de petróleo no momento em que óleo apresentava os melhores preços da História


A Petrobras não está cumprindo os índices de nacionalização nos equipamentos que opera.

A Petrobras está atrasada na exploração de campos do pré-sal na Bacia de Campos, sofrendo por isso reclamações da Agência Nacional do Petróleo.

A companhia não está em condições financeiras de pesquisar e explorar novos campos, por isso vai se concentrar nos poços já em produção.

A estatal não tem condições de assumir novas responsabilidades na exploração do pré-sal.

Não é campanha do contra. São comentários feitos pelo presidente da empresa, Aldemir Bendine, em depoimento no Senado.

E deles se conclui que a Petrobras está simplesmente bloqueando novos investimentos no pré-sal. Assim: a legislação atual exige que a estatal seja dona de 30% de todos os poços do pré-sal e a única operadora de todos eles. Isso exige dinheiro, coisa em falta na companhia.

Como admitiu Bendine, se a ANP lançasse agora uma rodada de concessões no pré-sal, a Petrobras teria “dificuldades”, modo elegante de dizer que não tem recursos para fazer novos investimentos no que quer que seja, de poços a refinarias. O caixa “não é confortável”, explicou.

Perguntaram a ele se apoiaria a mudança na legislação, de modo a aliviar as obrigações da Petrobras e permitir que outras empresas, nacionais ou estrangeiras, comprem e explorem novos campos do pré-sal. Disse que não cabia a ele iniciar esse debate.

Mas está na hora de se iniciar, pois a situação é clara: ou se muda a regra atual, abrindo o pré-sal à exploração privada completa, ou não haverá novos investimentos ali até que a Petrobras se recupere, o que vai levar tempo.

Tudo considerado, verifica-se que a mudança na legislação do petróleo patrocinada por Lula e Dilma não cumpre nenhum de seus objetivos.

Deveria fortalecer a Petrobras, reservando para ela o filé do mercado. A companhia não tem nem para o picadinho de segunda.

Deveria acelerar a exploração da riqueza do pré-sal. Está travando.

Deveria nacionalizar os equipamentos. Produziu uma imensa confusão, e possivelmente corrupção, pois não há regras claras de como verificar a nacionalização de equipamentos complexos. Além disso, empresas locais não têm condições de atender às necessidades do setor, o que encarece e atrasa a entrega dos equipamentos.

Isso sem contar os cinco anos sem novos rodadas de concessão, de 2009 a 2014, enquanto se tratava de mudar a legislação. O Brasil perdeu a oportunidade de licitar campos de petróleo no momento em que o óleo apresentava os melhores preços da História.

Quando apresentou seu balanço, a Petrobras colocou R$ 44 bilhões como perdas em consequência de ineficiência, má gestão e mudanças no mercado.

Pois parece que o país perdeu muito mais que isso.

CRISE MORAL

Foi há poucos dias: o primeiro-ministro da Coreia do Sul, Lee Wan-Koe, renunciou em consequência de denúncias de corrupção.

A denúncia: teria recebido fundos ilegais em sua campanha para deputado, no valor total de R$ 80 mil — dinheiro que os promotores da Lava-Jato nem levariam em consideração.

O denunciante: um empresário que diz ter feito os pagamentos.

O empresário suicidou-se. No bolso de seu paletó, a polícia encontrou uma lista de nomes de políticos que haviam sido subornados.

O primeiro-ministro, que estava nessa lista, alegou inocência, mas disse que não tinha mais condições éticas de permanecer no cargo. Afinal, ele havia assumido o cargo prometendo “guerra à corrupção”.

Dois anos atrás, outro primeiro-ministro renunciou, ao assumir a responsabilidade pela ineficácia dos órgãos públicos na prevenção e no resgate às vítimas do naufrágio de um barco lotado de estudantes. Reparem: ele se considerou responsável pelos erros de funcionários de vários escalões abaixo e sobre os quais não tinha controle direto. Mas estava certo: ele tinha, digamos, o domínio do governo.

Por aqui, os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, são investigados no Supremo Tribunal Federal, e acham que isso não tem nada demais. Não largam o cargo porque certamente lá têm mais força para fugir das acusações.

E todo mundo vai deixando por isso mesmo.

Os conflitos se multiplicam. Renan, por exemplo, comanda o processo de aprovação de um novo ministro para o Supremo — ministro que irá julgá-lo.

Tem gente que acha isso moralismo. Mas está na cara que tem uma grave crise ética no país.
 
 

Governo pressionado - MERVAL PEREIRA



Andou meio em moda entre os petistas a avaliação de que o pior já passou. A presidente Dilma teria permanecido estável nos baixos índices de popularidade, segundo os trackings diários de pesquisas de opinião, o que significaria que ela havia chegado ao fundo do poço, de onde só poderia subir. Ledo e ivo engano, como diz o Cony.

As más notícias começaram a surgir aos borbotões. O salário dos trabalhadores teve uma queda recorde em fevereiro, a maior em 12 anos. O desemprego subiu pela terceira vez seguida. Após um déficit de R$ 7,4 bilhões em fevereiro, o governo central - que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central - registrou superávit primário de R$ 1,463 bilhão em março. O resultado representa uma queda de 54,3% na comparação com o registrado em março do ano passado.

No acumulado do primeiro trimestre, de janeiro a março, o resultado primário do governo central caiu 65,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. O superávit primário ficou em R$ 4,485 bilhões, ante R$ 13,120 bilhões nos três primeiros meses de 2014, o pior superávit do período desde 1998.

O FMI prevê que o Brasil terá a maior desaceleração da economia em mais de duas décadas. O resultado é que a presidente não tem condições políticas para convocar uma cadeia nacional de rádio e televisão para falar ao povo no Dia do Trabalho. Melhor dizendo: o governo do Partido dos Trabalhadores não falará aos próprios no dia 1º de Maio, como sempre fez nos últimos 12 anos.

Tanto Dilma quanto Lula não têm mais condições de sair na rua sem que o ambiente esteja previamente controlado pelo esquema de segurança petista. Coube ao Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o responsável terceirizado pela política econômica do governo, lembrar aos políticos que o pior ainda não passou.

Levy, quando assumiu a Fazenda debaixo de desconfiança dos petistas, tinha uma bala na agulha: cada vez que sofria um ataque de desestabilização, lembrava que o país poderia perder o grau de investimento, o que seria desastroso.

Como essa ameaça foi superada no plano imediato, os inimigos desse estranho no ninho voltaram à carga, querendo reduzir o ajuste fiscal que ele montou como medida básica para retomar o caminho do crescimento que, já se sabe, será difícil: a previsão otimista para 2016 é um crescimento do PIB de 1%, devolvendo a queda que está prevista para este ano. Na melhor das hipóteses, sairemos desses dois anos de reajustes no empate de zero a zero, quando não no negativo.

Levy teve que voltar a mostrar o fantasma do rebaixamento ontem. Lembrou que o Brasil "está mais próximo dos bonds especulativos do que exatamente do investment grade". Se não fizermos o ajuste fiscal, a ameaça volta "a galope", advertiu.

O Ministro da Fazenda trata de coisas imediatas, como o fim de incentivos tributários, mais especificamente o programa de desoneração da folha de pagamento das empresas, que Levy chamou um dia de "brincadeira que saiu cara". O custo anual de R$ 25 bilhões não deu retorno na geração de emprego.

A redução dos benefícios trabalhistas e previdenciários é considerada essencial pelo governo para a realização do ajuste fiscal. Enquanto isso, a presidente Dilma se defronta com um obstáculo sério no Congresso, que é o embate político da regulamentação da terceirização.

O ex-presidente Lula está em campanha pública para que ela vete as mudanças propostas, alegando que elas precarizam o trabalho e retiram garantias trabalhistas, levando o mercado de trabalho para a era pré-Vargas, cuja legislação Lula tanto criticou em outros tempos. Os sindicatos estão em pé de guerra pelo país.

Mas uma boa parte da base aliada quer regulamentar a terceirização, como maneira de aumentar a produtividade da economia. O PMDB está dividido, mas pressiona Dilma a se posicionar. O momento não é de fazer bondades. Mas as maldades que são necessárias podem desestabilizar de vez o governo.


Telespectador acusa jornalista de ser financiado para falar mal do PT e recebe resposta ao vivo

    Publicado por em 9 maio, as 09 : 53 AM Print
    Telespectador acusa jornalista de ser financiado para falar mal do PT e recebe resposta ao vivo
    O crítico político Marco Antonio Villa, durante comentários políticos em jornal da TV Cultura, após criticar Lula e governo petista é questionado por telespectador sobre ser financiado pela oposição para criticar a sigla.


    O jornalista foi incisivo e categórico em sua resposta.


    Confira:


    COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO


    “Quem vota com o governo terá preferência”

    Aloizio Mercadante (Casa Civil) preconizando, sem acanhamento, o “toma lá, dá cá”



    PROGRAMA NA TV AZEDA RELAÇÃO ENTRE LULA E DILMA

    O programa do PT, veiculado semana passada na televisão, azedou outra vez a relação de Dilma com Lula. Ela descobriu só na última hora que o PT, com aval de Lula, decidira barrá-la no programa para evitar “panelaço”. Ela explodiu em palavrões, até porque havia se preparado para gravar sua participação, mas após o panelaço (o maior até agora) que se seguiu ao programa, Dilma substituiu a irritação por sorrisos.

    ABRAÇO DE AFOGADOS

    Dilma nunca acreditou que o desgaste é só dela, como Lula e o PT acreditavam, mas de todos os petistas. O último panelaço provou isso.

    REJEIÇÃO É COLETIVA

    O PT barrou Dilma no programa da TV certo de que sua reprovação de 87% garantia o panelaço, como se o partido nada tivesse com isso.

    CORPO MOLE

    A difícil aprovação da MP do ajuste piorou relação de Dilma com Lula. Ela o acusa de não ajudar em nada, e até de dificultar a aprovação.

    BOMBEIROS

    O desastre não foi maior, na votação da MP do ajuste, porque Michel Temer apagou o fogo e Eduardo Cunha ajudou, até para se credenciar.

    CALOTE NA FRANÇA, PODE. NA ODEBRECHT, JAMAIS

    Enquanto o governo Dilma aplicava na França um calote de R$ 435 milhões em 2014, deixando de pagar os helicópteros adquiridos em 2008, a empreiteira Odebrecht recebe seus pagamentos rigorosamente em dia. A empresa levou R$ 1,13 bilhão no ano passado pelas obras do estaleiro destinado a construir o primeiro submarino nuclear, decorrente de outro curioso acordo fechado com a França.

    2015 VEM COM TUDO

    Apesar de todos os escândalos, a Odebrecht segue feliz: nos primeiros três meses deste ano já levou mais R$ 39,5 milhões do governo Dilma.

    SEIS OU MEIA DÚZIA?

    O governo admite que não cumpriu obrigações com a França em 2014, mas nega o calote. “São restos a pagar de 2015”. Simples assim!

    ELEIÇÕES 2016

    Um ministro próximo a Dilma diz que Lula quer aproximar o PT de movimentos sociais já “prevendo a tragédia nas municipais de 2016”.

    DIZER O QUÊ?

    Questionado sobre a revelação do ex-presidente uruguaio José Mujica da confissão de Lula sobre o Mensalão, como “única forma de governar o Brasil”, o Instituto Lula se finge de morto: “Não cabe falar nada”.

    ‘CONTRA A FAMÍLIA’?

    O indicado à vaga para o Supremo Tribunal Federal, Luiz Fachin, brincou com a crítica de que é contra a família. Casado há 37 anos, ele diz: “Não deixem minha mulher ler as críticas. Vai que ela desiste”.

    SEM PRESSA

    A Receita liberou consulta a um lote de restituições que caíram na malha fina desde 2008. Curiosamente, com taxa Selic alta, deixar a grana com o leão foi o melhor investimento do período.

    DOR DE CABEÇA

    Diante da crise energética, a Câmara criou a Frente Parlamentar Pela Valorização do Setor Sucroenergético, presidida por Sérgio Souza (PMDB-PR). O governo ficou incomodado. Sinal de que nasceu forte.

    RINDO DE QUÊ?

    Investigado na Lava Jato, o ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) perambulava pelo Congresso esta semana quando foi recebido às gargalhadas pelo amigão José Mentor (PT-SP), ex-réu do mensalão.

    HSBC LATINO

    Paulo Maia foi nomeado para comandar o banco HSBC na América Latina, e não no Brasil. O atual CEO do banco inglês no Brasil, André Brandão, ganha novo chefe, mas permanecerá no cargo.

    QUE PAÍS É ESTE?

    Assustaram autoridades da Aviação Civil as condições de trabalho de controladores no aeroporto de Vitória, sem local de descanso, além de gambiarras para solucionar problemas nas instalações elétricas.

    BRUTALIDADE TUCANA

    Tucanos no Congresso fingem que nem tomaram conhecimento da brutalidade da polícia do governo de Beto Richa (PSDB), no Paraná, contra sindicalistas e professores.

    PENSANDO BEM...

    ... com José Mujica admitindo conversas com Lula sobre o Mensalão, logo petistas acusarão o ex-presidente uruguaio de ser “coxinha”.


    PODER SEM PUDOR

    UM JOGO QUE SE DISPUTA

    Uma partida de futebol no Maracanã, entre as seleções do Rio e de São Paulo, homenageou a visita da rainha Elisabeth II ao Brasil, em 1968. Os paulistas venceram por 2x1 o "jogo da rainha", mas nem o gol de honra do craque Gerson fez a torcida carioca perdoar a atuação do juiz Amando Marques, francamente favorável aos visitantes. E o Maracanã lotado passou a gritar a plenos pulmões, sem parar, o palavrão representado pela sigla "f.d.p.". Gritaram tanto o xingamento que, na tribuna de honra, sem entender nada, a rainha da Inglaterra perguntou ao governador Negrão de Lima, a seu lado, o que afinal a torcida exclamava. O elegante governador achou melhor mentir:

    - A torcida grita "feliz disputa", majestade, para desejar um bom jogo.
     
     

    O lado errado - MERVAL PEREIRA


    O GLOBO - 09/05


    Quando o jurista Luiz Edson Fachin foi indicado pela presidente Dilma para a vaga aberta no supremo tribunal Federal com a aposentadoria precoce do Ministro Joaquim Barbosa, estranhei que ele tenha se anunciado partícipe de um grupo de "juristas que têm lado" na campanha presidencial de 2010, em apoio à eleição de Dilma.

    Juristas "que têm lado" não deveriam estar no Supremo, aleguei então, inclusive porque Fachin notabilizou-se por defender politicamente as ações do MST, o que seria, na minha opinião, influência negativa nos seus julgamentos no Supremo.

    Disse então que Fachin deveria explicar que história era aquela de "ter lado" e que deveria se comprometer com a independência em relação ao governo petista, explicando qual a diferença daquele Fachin de 2010 para o hoje indicado ao STF.

    Desde então, Fachin não para de se explicar e já garantiu aos senadores que não tem nenhum compromisso com o PT, que é a favor da propriedade privada, que não é amigo de Stédile, que não é a favor da bigamia, e assim por diante, em muitos casos contrariando frontalmente seus escritos e seus depoimentos.

    Sais apoiadores chegaram a comparar sua situação com a de Ayres Britto, que, nomeado por Lula em 2003 após ter sido filiado e candidato do PT a deputado portou-se com independência no mandato, tendo sido um dos protagonistas do julgamento do mensalão.

    O exemplo parece pertinente, mas as circunstâncias políticas são diferentes das de 2003. Ser filiado ao PT naquela ocasião significava, pelo menos na teoria, ser honesto politicamente, estar em busca de política com decência. Ayres Britto foi coerente com aqueles princípios, o que mudou foi o significado de estar ligado ao PT. Estar nesse lado hoje, para a maioria da sociedade, é estar no lado errado.

    Mesmo sem ser filiado ao partido, Luiz Edson Fa-chin tem atuação política muito próxima de uma ala radical do petismo que está sendo contestada cada vez com mais intensidade pela sociedade brasileira, e que já não tem o apoio da maioria do Congresso.

    O apoio do tucano Álvaro Dias é dessas atitudes provincianas que não deveriam ser levadas em conta. Não há dúvida de que Fachin tem notório saber, e o apoio de associações do Direito e da Academia só fortalece essa verdade. Mas não é isso o que preocupa o Senado.

    O STF é um Poder cuja composição deve obedecer a determinado equilíbrio político e institucional, não podendo ser capturado, pura e simplesmente, por indicações unilaterais do Executivo. Daí a importância do Senado, para contrabalançar o peso político da vontade da Presidência.

    E, se é natural que Dilma possa indicar alguém afinado com suas preferencias ideológicas ou políticas, deve-se considerar natural que o Legislativo, representado pelo Senado, exerça controle e avalie, discricionariamente, a dimensão política de uma nomeação.

    Para tanto, dispõe do conceito de conduta ilibada e gaza da prerrogativa inviolável do voto secreto em plenário. Cabe ao Senado apreciar e definir soberanamente esse pressuposto constitucional para o cargo de Ministro do STF.

    Se compete ao Senado definir o que seria a conduta ilibada que a sociedade espera de um magistrado da mais alta Corte do país, é possível que semelhante definição obedeça a critérios elásticos e atenda ao ambiente político-institucional de determinado momento histórico.

    Cabe ao Senado avaliar todos os aspectos subjetivos que envolvem a personalidade e a trajetória profissional do indicado ao STF. Por tais razões, o indicado precisa demonstrar cabalmente independência e autonomia. Não se pode ignorar que, tanto quanto a Presidência, o Senado participa ativamente da escolha do Ministro do STF, e não está vinculado politicamente à deliberação de Dilma, ou às opções ideológicas do PT.

    Mais ainda quando há concreto descumprimento da lei por Fachin, a atuação na advocacia privada concomitante com a de procurador do Estado. Ele fez concurso para promotor no PR com regras da lei estadual que permitia ao promotor atuar como advogado.

    Mas tomou posse no início de 90, quando a Constituição estadual já havia mudado em 89, e proibia o exercício da advocacia por promotores. Não há como justificar, na lei, a sua atitude e a de quantos outros agiram desse modo. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pode considerar a proibição indevida, mas é a lei estadual que deve prevalecer, não a tese da OAB.


    Eles sabiam de tudo (mesmo) - GUILHERME FIUZA--Ou seja: a única forma de governar o Brasil é roubar os brasileiros, enriquecer o partido e comprar a vida eterna no poder.

    sábado, maio 09, 2015


    O GLOBO - 09/05

    Segundo o companheiro Mujica, Lula lhe confidenciou que o mensalão era ‘a única forma de governar o Brasil’



    O ex-presidente bonzinho do Uruguai, José Mujica, contou que o ex-presidente bonzinho do Brasil, Lula da Silva, se sentiu culpado pelo mensalão. Está registrado e agora publicado em livro: segundo o companheiro Mujica, Lula lhe confidenciou que o mensalão era “a única forma de governar o Brasil”. Que ninguém tome isso ao pé da letra. Não é que o mensalão seja a única forma possível de governar. Tem também o petrolão e seus derivados. Ou seja: a única forma de governar o Brasil é roubar os brasileiros, enriquecer o partido e comprar a vida eterna no poder.

    Esse golpe está sendo dado há 12 anos, e há dez o Brasil brinca de se perguntar se Lula sabia. Eis a resposta entregue de bandeja pelo amigo de fé, irmão camarada Mujica: Lula sabia que a única forma de ficar no poder com um grupo político feito de pessoas medíocres, despreparadas, hipócritas e desesperadas por cargos e verbas era se fingir de coitado, chorar e parasitar o Estado brasileiro com todas as suas forças.
    O império do oprimido ofereceu ao país incontáveis chances de perceber a sua única forma de governar. Escândalos obscenos foram montados dentro do Palácio do Planalto, envolvendo os principais personagens do Estado-Maior petista. Hoje o Brasil é governado por uma marionete desse sistema único de governo (SUG), uma presidente solidária ao seu tesoureiro preso, acusado de injetar em sua campanha eleitoral dinheiro roubado da Petrobras. Uma presidente que exalta como heróis os mensaleiros julgados e condenados. E que presidiu o conselho de administração da maior estatal brasileira enquanto ela era depenada por prepostos do seu partido.
    Foi necessária a confissão de um companheiro uruguaio para desvelar o óbvio: eles sabiam de tudo. Tudo mesmo.

    Essa forma única de governar o Brasil só tem uns probleminhas: a economia acaba de registrar sua maior retração em 20 anos, na contramão dos emergentes e do mundo; a inflação avacalhou a meta e taca fogo na antessala da recessão; o desemprego voltou às manchetes, apesar das tentativas criminosas de esconder seus índices durante a eleição; a perda do grau de investimento do país está por uma unha de Levy, após anos de contabilidade criativa, pedaladas fiscais e outras orgias progressistas para esconder a gastança —a única forma de governar.

    Com inabalável firmeza de propósitos, o PT chegou lá: tornou-se o cupim do Estado brasileiro. Hoje é difícil encontrar um cômodo da administração pública que não esteja tomado pelo exército voraz, que substitui gestão por ingestão. O Brasil quer esperar mais quatro anos para ver o que sobra da mobília.

    Mujica disse que Lula não é corrupto como Collor. Tem razão. O Esquema PC era um careca de bigode que batia na porta de empresários em nome do chefe para tomar-lhes umas gorjetas. O mensalão e o petrolão foram dutos construídos entre as maiores estatais do país e o partido governante. Realmente, não tem comparação.

    Os cupins vão devorando o que podem — inclusive informação comprometedora. As gravações da negociata de Pasadena, presidida por Dilma Rousseff, sumiram. Normal. Dilma, ela mesma, também sumiu. Veio o Dia do Trabalho, e a grande líder do Partido dos Trabalhadores não apareceu na TV — logo ela, que convocava cadeia obrigatória de rádio e TV até em Dia das Mães. Pouco depois, veio o programa eleitoral do PT e, novamente, a filiada mais poderosa do partido não foi vista na tela.

    Quem apareceu foi Lula, o amigo culpado de Mujica, vociferando contra os inimigos dos trabalhadores, as elites, enfim, toda essa gente que não compreende a única forma de governar o Brasil. E os brasileiros bateram panela em todo o território nacional — o que algum teórico progressista ainda há de explicar como uma saudação efusiva ao filho do Brasil adotado pela Odebrecht.

    O ministro da Secretaria de Comunicação disse que é um erro vincular Lula e Dilma ao PT. Já o PT tenta parecer desvinculado do governo Dilma. Pelo menos isso: eles sabiam de tudo, mas não têm nada a ver uns com os outros.

    Em meio aos panelaços, foi possível ouvir o balanço da Petrobras contabilizando 6,2 bilhões de reais de corrupção. Ou seja: as informações da Operação Lava-Jato, que apontam o PT e a própria presidente da República como beneficiários do petrolão, foram oficializadas no balanço auditado da maior empresa brasileira. Pena Lula não ter conversado sobre isso com Mujica. Os brasileiros vão ter que perceber sozinhos: esta só continuará sendo a única forma de governar o Brasil se o Brasil não cumprir o seu dever de enxotar um governo irremediavelmente delinquente.