sexta-feira, 15 de maio de 2015

E ainda querem armar MAIS a população!Mortes por arma de fogo aumentam 41%



Estudo compara os anos de 2002 e 2012 e revela crescimento do número de assassinatos de jovens


Jurana Lopes
Especial para o Jornal de Brasília


Em dez anos, o número de mortes   por disparos de arma de fogo no Distrito Federal aumentou 41,1%.



 É o que revela a nova edição do  Mapa da Violência 2015 – Mortes Matadas por Armas de Fogo. O levantamento é de autoria do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz em conjunto com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Os dados são um comparativo entre os anos de 2002 e 2012.


Em 2002, o número de mortos por armas de fogo no DF foi de 569.  Dez anos depois,   saltou para 803, o que colocou a capital federal na oitava posição no ranking nacional.


O estudo também mostra que houve um crescimento de 23,2% na quantidade de óbitos na população jovem do DF, subindo de  396  para 488.  Em todo o País, uma em cada duas vítimas de armas de fogo tinha   entre 15 e 29 anos. Além disso, 85% das mortes   foram causadas por revólver calibre  38, de fabricação nacional.


Negros
Os negros   são as principais vítimas das mortes provocadas por arma de fogo no Distrito Federal. Para se ter uma ideia, em 2002, a incidência de homicídios a cada cem mil habitantes  da cor branca era de 91 mortes. Entre  a população negra, a taxa era de 593 vítimas. Em 2012, o número de brancos assassinados caiu para 77, e a taxa de negros vítimas de homicídios subiu para 715.


O secretário nacional de Juventude, Gabriel Medina, explica que, no DF, um jovem negro tem seis vezes mais chance de morrer vítima de uma arma de fogo que um branco. Enquanto isso, a média nacional é de 2,5 vezes mais chance. Segundo ele, a capital federal lidera o ranking de desigualdade racial.

“Somente um esforço conjunto de todo o governo pode reduzir essas taxas. O Mapa da Violência 2015 apresenta jovens e territórios específicos. Não se enfrenta a violência só com a polícia. É preciso combater o racismo, que é muito grande e tem causado a morte de muitos jovens negros”, afirma.


Na visão de Waiselfisz, autor do levantamento, o crescimento expressivo do percentual de jovens mortos   decorre da ausência de projetos   voltados  a eles. “O grande problema é que há todo um processo de abandono de políticas públicas dirigidas à juventude. A educação, por exemplo: nos últimos dez anos, o número de matrículas de jovens nas escolas praticamente permaneceu constante, não acompanhou o crescimento populacional. Tem muito jovem fora da escola, onde deveria estar”, avalia.

Educação é fator determinante
De acordo com o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, vários levantamentos comprovaram que as pessoas com mais anos de estudo têm menos chance de serem mortas por   arma de fogo. “No ranking de países, por exemplo, o Japão, que possui uma população com elevado nível de estudo, aparece em último lugar. Por isso, é necessário aumentar o número de políticas públicas e tornar mais rígida a retirada de arma de fogo da população. Arma não dá segurança para ninguém”, destaca.


Waiselfisz ressalta que, em uma briga, se houver uma arma de fogo envolvida, a chance de ocorrer  um óbito é grande. “Do contrário, se ninguém estiver armado, dificilmente haverá uma morte, pois é mais raro alguém morrer porque levou um soco”, exemplifica.

Dor de uma família
O irmão caçula de Ana Maria Soares, 24 anos, assistente de RH, faz parte da triste estatística   de jovens mortos no Distrito Federal por arma de fogo. Adriano Soares tinha apenas 16 anos quando foi assassinado, em abril de 2011.

“Meu irmão pediu para que o bandido não levasse a bicicleta dele e, por causa disso, levou um tiro na testa. Acabou que o assassino fugiu e ainda deixou a bicicleta. Isso é revoltante. Se ele matou meu irmão por causa da bicicleta, por que não levou de uma vez?!”, questiona.

De acordo com Ana Maria, Adriano faria aniversário na semana seguinte, dia em que foi celebrada sua missa de sétimo dia. O assassino  foi preso depois de algumas semanas. “Não existe uma lei que realmente pune quem comete um crime como esse. O assassino do meu irmão estava cumprindo regime semiaberto quando o matou. Ele já tinha uma condenação de 20 anos e estava na rua. Agora, ele deve ser julgado, receber uma condenação de mais uns 30 anos, mas logo estará solto”, reclama.

Ela completa dizendo que “até o delegado falou para a nossa família que era mais um criminoso vítima do sistema, oriundo de uma família desestruturada”.
Rotina após perda

Apesar de o assassino do irmão estar preso, a assistente de RH Ana Maria Soares desabafa:    nada ameniza a dor de sua família. Até hoje, eles  mantêm os pertences de Adriano como ele deixou. “Minha mãe não se desfez de nada. Ela troca o lençol de cama do quarto dele toda semana e visita o túmulo  em todas as datas comemorativas. É como se, para ela, ele fosse voltar. Meus pais vão ao quarto, olham as fotos dele, choram. O assassino está preso, mas isso não traz meu irmão de volta”, afirma.

Mão de Adriano, a dona de casa Rita Soares,   55 anos, passou um ano tomando medicamentos para conseguir dormir. Até hoje, se emociona ao falar do filho. “Adriano era um excelente rapaz: estudava, estava trabalhando. Era um garoto esforçado e obediente, nunca se envolveu em coisa errada. Eu nunca vou conseguir aceitar a morte dele. Tiraram a vida do Adriano de forma covarde”, lamenta.



Para Ana Maria, a sociedade ignora os jovens que estão abandonados na rua e isso tem de acabar para que haja uma redução no número de homicídios. “As pessoas não ligam para as crianças e adolescentes abandonados. É uma questão cultural. Aí, quando um deles se torna um criminoso  é que há uma preocupação. O problema é que a gente pensa que nunca vai acontecer. Quando ocorre é que passamos a ver as coisas de outra forma”, avalia.

Para ela, é necessário criar outras maneiras de ressocialização, pois a atual  faz com que os jovens saiam da prisão muito piores.

Dados nacionais

A cada uma hora, cinco pessoas foram mortas por armas de fogo no Brasil em 2012. Ao todo, mais de 42,4 mil vidas foram perdidas após disparos   nos dias daquele ano, o equivalente a 116 óbitos por dia, segundo o levantamento do Mapa da Violência 2015.

O estudo revela também que os jovens são as maiores vítimas das mortes por arma de fogo em 2012.  Das 42.416 pessoas que morreram no País em decorrência do disparo de algum tipo de arma de fogo, 24.882  foram de pessoas na faixa etária entre 15 e 29 anos, o equivalente a 59%.


Negros são maioria das vítimas no País


Em todo o País, entre as vítimas de disparo de qualquer tipo de arma de fogo, em 2012, 28.946 eram negras e 10.632, brancas. A diferença nos números mostra que a quantidade de vítimas desse tipo de morte foi 2,5 vezes maior entre negros do que entre brancos.

Para cada grupo de cem mil habitantes, a taxa de vítimas da cor branca ficou em 11,8 óbitos, enquanto a de negros chegou a 28,5 mortes – diferença de 142%.

Desde 1980

Ainda de acordo com os dados do Mapa da Violência, entre os anos 1980 e 2012, mais de 880 mil pessoas morreram vítimas de disparo de arma de fogo. Esse número saltou de 8.710, em 1980, para 42.416 em 2012, um crescimento de 387%. A taxa de crescimento populacional no mesmo período foi de aproximadamente 60%. Os homicídios  cresceram cerca de 550% de 1980 a 2012.  



Jovens
Entre os jovens brasileiros, o panorama foi ainda mais preocupante: houve crescimento de 463,6% no número de vítimas de arma de fogo, que se explica pelo aumento de 655,5% dos jovens assassinados, de diversas formas,  ao longo do período.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

Comentário

1.Existem muitos estudos sobre a cor das VITIMAS dos assassinatos no Brasil e a consequente vitimização dos negros.Gostaria de saber se já foi feita uma pesquisa sobre a cor dos CRIMINOSOS no Brasil? Será que os negros não seriam as vitimas preferidas dos homicídios porque eles também são os que assassinam mais?

Anônimo.

2.Concordo.Acho que deve estar havendo um equilíbrio.Os negros morrem mais porque também matam mais. 

Gilberto.

Copa: Prejuízo de 'elefantes brancos' já supera R$ 10 milhões


  • 19 fevereiro 2015
Estádio Mané Garrincha é considerado um dos 'elefantes brancos' da Copa
Crédito: Getty
O prejuízo de três "elefantes brancos" da Copa – os estádios Mané Garrincha (Brasília), Arena da Amazônia (Manaus) e Arena Pantanal (Cuiabá) – para os respectivos contribuintes já atingiu pelo menos R$ 10 milhões desde o fim do Mundial, de acordo com um levantamento feito pela BBC Brasil.

Os dados, de difícil acesso, são incompletos e portanto a conta é uma estimativa. Após três meses de contato com governos e administração dos arenas, a busca iniciada em dezembro não obteve um resultado exato para o balanço (custo de manutenção x arrecadação mensal) desses estádios desde o fim da Copa do Mundo.

A BBC Brasil procurou obter também informações sobre o quarto "elefante branco" do torneio, a Arena das Dunas, de Natal, sem sucesso.

Manaus, Natal, Cuiabá e Brasília não são cidades com tradição no futebol. Por isso, ao serem escolhidas como sedes da Copa do Mundo, despertaram críticas pelo alto investimento público em estádios que corriam risco de ficar sem uso.

Estádio Custo de construção Custo de Manutenção Arrecadação Prejuízo
Mané Garrincha R$ 1,7 bi R$ 600 mil/mês R$ 5,5 mi desde maio/2013 R$ 5,9 mi
Arena da Amazônia R$ 669,5 mi R$ 700 mil/mês R$ 1,5 mi desde agosto/2014 R$ 2,7 mi
Arena Pantanal R$ 628 mi R$ 300 mil/mês R$ 380 mil desde julho/2014 R$ 1,4 mi
Arena das Dunas R$ 423 mi Não informou Não informou -  



A maior dificuldade na busca pelas informações foi a de conseguir respostas com números exatos. Em Brasília, não se sabia quanto o Mané Garrincha custava por mês; na Arena das Dunas, esse valor é desconhecido até hoje; Cuiabá e Manaus foram os únicos que forneceram a informação algumas semanas depois que ela foi solicitada.


O valor da arrecadação ainda não havia sido calculado até o fim do ano passado pelos governos responsáveis pela construção dos estádios.


Passada a troca dos governadores no início deste ano, a BBC Brasil solicitou novamente as mesmas informações às novas administrações de cada Estado.


Com exceção da Arena da Amazônia, os outros três estádios estão passando por auditoria para investigar possíveis irregularidades nas contas, que pode indicar o valor real do prejuízo.

Veja a situação de cada estádio:

Mané Garrincha (Brasília)

"O custo de manutenção (do Mané Garrincha) é praticamente insignificante perto do que está arrecadando", disse à BBC Brasil Cláudio Monteiro, então secretário extraordinário da Copa em Brasília, em dezembro de 2014. "Pra quem seria um elefante branco, está sendo um estouro."
Estádio de Brasília está passando por auditoria e pode ser privatizado
Crédito: Portal da Copa
A conclusão do novo governo é um pouco diferente. O estádio de Brasília custa R$ 600 mil por mês, e o valor arrecadado no total desde sua inauguração, em maio de 2013, foi R$ 5,5 milhões. O prejuízo em 19 meses seria de R$ 5,9 milhões.

"O custo do estádio? Essa é a pergunta que não quer calar. Nosso levantamento está em R$ 600 mil, mas pode aumentar. A gente ainda está querendo saber qual é a cor desse elefante", afirmou Jaime Recena, secretário de Turismo do Distrito Federal – pasta responsável pela administração do Mané Garrincha.

O governo anterior, de Agnelo Queiroz (PT), terminou de maneira conturbada pelo excesso de gastos públicos. A administração do novo governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), iniciou o mandato com um rombo de quase R$ 4 bilhões, e a construção do Mané Garrincha faz parte dos "problemas" a serem administrados pela nova gestão.

O estádio em Brasília recebeu 28 eventos desde o fim da Copa até dezembro de 2014, sendo 12 relacionados ao futebol.

A lotação deles, porém, nunca chegou perto da capacidade máxima, de 72 mil lugares – o evento mais cheio foi o desafio Brasil x Argentina de futsal, com público de 56.578. Um jogo entre Botafogo e Atlético-MG pela última rodada do Campeonato Brasileiro chegou a ter 3.694 torcedores.
O novo governo espera o fim da auditoria para definir se irá privatizar o estádio ou não.

Arena da Amazônia (Manaus)

Atualmente, a Arena da Amazônia tem um custo mensal de R$ 700 mil e conseguiu ter bons públicos em jogos do Flamengo e de outros times cariocas. No entanto, apenas sete partidas aconteceram lá desde a Copa. O estádio foi inaugurado às vésperas do Mundial.
Sem times nas quatro divisões do futebol nacional, Arena da Amazônia tenta atrair equipes cariocas
Crédito: Getty
Em seis meses após o mundial, foi arrecadado R$ 1,5 milhão até janeiro de 2015, contando jogos do torneio amistoso entre Flamengo, Vasco e São Paulo no início do ano. O prejuízo até aqui seria de R$ 2,7 milhões.

"É a coisa mais simples fazer evento aqui", disse Aly Almeida, um dos responsáveis pela administração da Arena da Amazônia sobre o estádio. "Todos esses que já aconteceram eu nem levantei da cadeira para ir atrás."

"Está havendo um equilíbrio tranquilo", havia dito ele, sobre as conta da arena em dezembro do ano passado.

Segundo o atual governo do Amazonas, a ideia da administração é abrir licitação para privatizar o estádio ainda no primeiro semestre desse ano. A cidade também entrou na disputa para sediar jogos de futebol na Olimpíada do Rio em 2016.

Arena Pantanal (Cuiabá)

Atualmente, o governo do Mato Grosso gasta R$ 300 mil por mês em manutenção com a Arena Pantanal, inaugurada em abril de 2014.

A Arena Pantanal recebeu 15 jogos de futebol em 2014 após a Copa, somando os das séries A, B, C e D. O lucro, no entanto, foi pequeno, já que a arena cobrou apenas R$ 50 mil de aluguel para os jogos da primeira e da segunda divisão e não cobrou pelos outros para "incentivar o futebol local".

Para piorar, o fluxo de receitas para cobrir os custos foi interrompido no fim de janeiro depois que a arena de 42 mil lugares foi interditada por conta de "irregularidades". A empresa Mendes Júnior, responsável pela construção, voltou ao local e está fazendo reparos.
Construída para sediar quatro jogos da primeira fase da Copa, Arena Pantanal está interditada para reparos
Crédito: Getty
Segundo a atual administração de Pedro Taques (PDT), a Arena Pantanal é "o menor dos problemas deixados pelo governo anterior". As outras obras prometidas para a Copa do Mundo – incluindo o VLT (Veiculo Leve sobre Trilhos), que foi licitada por R$ 1,4 bilhão e ainda está atrasada – não foram entregues e preocupam a atual gestão.

Em contato com a reportagem, o governo do Mato Grosso afirmou que está realizando uma auditoria tanto no estádio quanto nas outras obras da Copa do Mundo para investigar eventuais superfaturamentos.

Pelos cálculos da BBC Brasil, somente a arena já gerou um prejuízo estimado de R$ 1,4 milhão.

Arena das Dunas (Natal)

A Arena das Dunas é a única das quatro citadas que não é 100% pública. O estádio foi construído através de PPP (parceria público-privada) com a construtora OAS, que atualmente administra o local.
Arena das Dunas foi construída em uma PPP com a OAS e custou R$ 423 milhões
Crédito: Jobson Galdino / Portal da Copa
A concessão vale por duas décadas, e o Estado pagará por ela durante os próximos 17 anos. Nos primeiros 11 anos, o governo arcará com uma prestação de R$ 9 milhões mensais; do 12º ano ao 14º, serão R$ 2,7 milhões; e nos últimos três anos, R$ 90 mil.

Ao final de tudo, o governo terá pago mais de R$ 1,2 bilhão pelo estádio. O custo da construção foi de R$ 423 milhões.

A reportagem solicitou tanto à OAS quanto ao governo do Rio Grande do Norte os custos de manutenção e os valores arrecadados pelo estádio até agora. O governo disse que ainda não recebeu o balanço pós-Copa da construtora que, por sua vez, respondeu que as informações de custo "variam de evento para evento" e as de arrecadação "estão em apuração e serão auditadas".

A Arena das Dunas foi um dos mais utilizados entre os chamados "elefantes brancos" após a Copa. A média de público nos jogos de futebol foi de pouco mais de 9 mil pessoas – a capacidade é de 31.375 lugares.

Os elefantes brancos da COPA (construídos pelas empresas da LAVA JATO!).O absurdo desperdício de verba em um país tão carente como o nosso!

No lugar de um ensino de qualidade, de um atendimento medico público decente, nós, brasileiros ganhamos um montão de estádios de futebol hiper faturados, caríssimos e os estados que receberam esses "presentes de grego" não conseguem pagar nem a manutenção.

Este país é uma piada !Só que é uma piada que custa, senão a vida, pelo menos o futuro de nossos filhos!

Acordos ruins e taxas para uso fazem com que clubes se afastem. O estádio recebeu quatro shows após a reforma para a Copa do Mundo
 
Lucas Magalhães
lucas.magalhaes@jornaldebrasilia.com.br


No domingo, Brasília receberá o primeiro jogo da Série


A do Campeonato Brasileiro no ano. Apesar de estarmos apenas na segunda rodada do certame, a partida entre Atlético-MG e Fluminense traz um traço preocupante para os torcedores da cidade: o Mané Garrincha parece ter se tornado desinteressante para clubes fora do planalto central.



Em 2013, ano da reinauguração da arena para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, foram dez partidas do campeonato no espaço. Destes, oito tiveram participação do Flamengo. No ano seguinte, o número foi reduzido praticamente à metade, seis embates, sendo somente um do Rubro-negro.


Contribuem para a perda da atratividade, questões que envolvem a organização da partida. Cada clube faz um tipo de acordo, que varia entre receber um valor fixo, sem que haja participação na renda obtida pela bilheteria ou, em outros casos, quando a agremiação recebe um percentual caso o número de espectadores supere uma meta estipulada anteriormente entre o clube e a empresa organizadora.


O presidente da Federação Brasiliense de Futebol, Jozafá Dantas, conta que vários times têm procurado a entidade para sediar partidas em Brasília. O grande empecilho, entretanto, reside na taxa de uso do estádio.


“A taxa de 15% penaliza muito os clubes. Outros estádios cobram entre 20 e 50 mil reais, então não estamos sendo competitivos nesse sentido”, lamenta.


Sem carro-chefe
Depois de sediar nove partidas em Brasília, o Flamengo optou por mandos no Rio de Janeiro, também contribuindo para a diminuição do interesse de outros clubes pelo Mané Garrincha.
“O sucesso financeiro do Flamengo motivou uma busca muito grande por parte de outros clubes pela mesma arena. No momento em que o grande operador teve seu interesse reduzido, o estádio passou a sofrer com a diminuição no número de jogos”, sentencia o economista José Carneiro, professor da Universidade de Brasília.


Sobrevivência além dos jogos
Além de Fluminense e Atlético-MG, outra partida também está confirmada para o Mané Garrincha: Botafogo x Atlético-GO, que se enfrentam no próximo sábado, 23, em duelo válido pela Série B do Brasileirão.


Segundo o economista, o estádio não pode pensar apenas em futebol para se manter uma alternativa viável no futuro.


“Temos que ter uma solução local, de acordo com a situação da cidade. Precisamos achar aquele conceito de arena, com boate, bar, funcionando para que ela tenha vida sem jogos, mas com o interesse em trazer jogos. Sem essa solução, a tendência é que as coisas compliquem”, frisa.



Outro fator que contribui para a ausência de jogos pode ser o valor do ingresso. A entrada mais barata para o jogo de domingo custa R$ 80, e assim tem sido na maioria dos jogos no Mané.


Para mudar o cenário, José Carneiro compara a realidade brasileira com a de outros eventos mundo afora. “Em grandes eventos no exterior, o ingresso é caro, mas há muitos incentivos para que você chegue antes ao estádio e possa, por exemplo, almoçar no local antes do evento”, avalia.



Fatores extra-financeiros
Além de buscar maiores rendas, uma “aventura” em Brasília, também deve levar em conta outros fatores.

O economista cita que jogar em casa cria a vantagem de não precisar deslocar o time, evitando um desgaste desnecessário. “A recompensa financeira precisa ser muito maior do que você teria jogando no seu estádio”, resume, ao citar o que é necessário para que mandar um jogo longe de seus domínios valha à pena.

Mesmo com o cenário adverso, o presidente Jozafá Dantas afirma que mais jogos devem acontecer no DF. “Teremos jogos das Séries A e B em Brasília, mas queremos que o Brasília avance na Copa Sul-Americana para também jogar mais no estádio”, conclui.



Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

Morte e agressão paralisam apuração sobre lotações em SP; PCC estaria envolvido


O assassinato de uma testemunha e o espancamento de outra provocaram a paralisação de uma investigação do Ministério Público Estadual (MPE) que apurava os contratos da São Paulo Transporte (SPTrans), empresa da Prefeitura, com nove companhias de lotação da capital. 
Formadas por antigos perueiros, as empresas são suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).


O objetivo do MPE era verificar supostas fraudes em contratos da Prefeitura com as empresas, que não teriam capacidade técnica nem financeira para operar as frotas de lotações na periferia da cidade. Indícios apontavam para o uso das empresas para lavagem de dinheiro do crime organizado.
Uma das testemunhas que colaboravam com as investigações havia dito que os novos patrões estavam retendo parte dos pagamento que a Prefeitura fazia ao sistema.


Dessa forma, os cooperados tinham prejuízo e se viam obrigados a vender seus veículos. As novas frotas, que cresciam aos poucos, serviriam para dar capacitação técnica às empresas na disputa da futura licitação do transporte público do Município - o que vai ocorrer no mês que vem.


O primeiro ataque contra uma das testemunhas do MPE aconteceu no dia 6 de fevereiro. O perueiro Sérgio da Conceição Nobre de Oliveira, de 36 anos, estava na Rua Joaquim Marra, na Vila Matilde, zona leste, quando foi alvejado. O lugar fica próximo de uma das garagens da empresa Allianz (antiga Cooperativa Paulistana). "Eu ia ingressar com a ação dele. Já tínhamos conversado e ele estava disposto a colaborar com o Ministério Público", afirmou o advogado André Luis Lopes, que representa perueiros supostamente prejudicados.

O segundo episódio aconteceu no dia 8 de abril. Eram 23h40, quando outra testemunha foi atacada. Ela - cujo nome é mantido em sigilo - foi abordada por um homem mascarado quando voltava do trabalho para casa. "Sem dizer nada, ele partiu para cima", disse a testemunha, em depoimento ao MPE.

O criminoso deu um soco na têmpora da vítima, jogando-a contra um tanque de roupas. A surra continuou, até que os gritos da testemunha fizeram pessoas se aproximarem. O agressor se afastou. Entrou em um carro que o aguardava e fugiu.

Ao denunciar o ataque ao MPE, dois dias depois, a testemunha contou que a surra aconteceu depois que ela havia tentado denunciar as pressões contra os perueiros em uma audiência pública da Prefeitura para a apresentação do edital do novo sistema de transporte. A vítima afirmou que foi ameaçada pelo dirigente de uma das empresas: Valter Bispo. O nome dele consta como representante da empresa Transcap no contrato com a Prefeitura. Diante do caso, o MPE pediu a inclusão da testemunha no Programa Estadual de Proteção a Vítimas e Testemunhas (Provita). Ela não está mais na cidade.

A promotora Karyna Mori, da 6ª Promotoria do Patrimônio Público e Social da cidade, responsável pela investigação, disse ao jornal O Estado DE s. Paulo que, depois desse episódio, não teve mais como continuar as investigações sobre a fraude.

Segundo perueiros ouvidos pela reportagem, Oliveira teria sido um dos primeiros a rebelar-se contra a falta de pagamentos por parte das novas empresas e ameaçava ir à Justiça. Entre os perueiros, circula um vídeo de sua morte. As imagens mostram a vítima ensaguentada.

Desdobramentos
"Só me resta, agora, acompanhar o edital e a licitação do transporte para tentar identificar algum favorecimento às empresas, uma vez que, sem testemunhas, fico restrita à análise burocrática", disse a promotora. Por meio da assessoria de imprensa do MPE, o Gaeco confirmou que investiga os casos acompanhados por Karyna na área civil.

O MPE tem documentos que ligam a alta cúpula da facção criminosa PCC com a operação das peruas. A morte de Oliveira é investigada por um inquérito aberto pelo 21.º Distrito Policial (Vila Matilde).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Fonte: Estadão Conteúdo  Jornal de Brasilia

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Controle de Armas.Campanha alerta para o risco de acidentes com crianças e armas de fogo

Controle de Armas

11/05/2015


campanha_soudapaz_2015

A Guarda Civil Metropolitana e o Instituto Sou da Paz iniciam nesta segunda-feira (11) uma nova Campanha de Entrega Voluntária de Armas e Munições na cidade de São Paulo. A ação é focada na prevenção de tragédias envolvendo crianças e armas de fogo e terá quase 40 postos de entrega para facilitar a vida de quem quiser se livrar deste perigo.



Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 1200 crianças e adolescentes morrem por arma de fogo no país em acidentes, suicídios e outros eventos de intenção indeterminada todos os anos. Além disso, 70% dos homicídios no Brasil são cometidos por armas de fogo. Milhares de mortes poderiam ter sido evitadas se não houvesse uma arma por perto.


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“Não dá pra evitar que uma criança seja curiosa. Esse é o mote da nossa campanha para sensibilizar a população sobre o perigo de se ter uma arma em casa. Além de não garantir a segurança da família, armas escondidas são frequentemente encontradas pelos pequenos e resultam em centenas de acidentes fatais”, explica Ivan Marques, Diretor Executivo do Instituto Sou da Paz.


Neste ano a entrega de armas e munições está ainda mais fácil. Além dos 35 postos de entrega fixos da Guarda Civil Metropolitana, haverá também três postos provisórios instalados em Bases Móveis da GCM funcionando em dias específicos (veja tabela abaixo).


Vale lembrar que o cidadão não precisa se identificar para entregar a arma, nem dizer de onde ela veio, e ainda receberá uma indenização que varia de R$ 150 a R$ 450, dependendo do tipo de arma. Os postos provisórios funcionarão das 8h às 17h nas datas e locais abaixo indicados:



POSTOS PROVISÓRIOS


Verificar a data em que a Base Móvel estará em cada local.
Vila Mariana
11 a 15 de maio
Largo Ana Rosa
Mooca/Tatuapé
18 a 22 de maio
Praça Silvio Romero
Santo Amaro
25 a 29 de maio
Praça Floriano Peixoto
A Campanha é uma parceria da Secretaria Municipal de Segurança Urbana com o Instituto Sou da Paz e conta com apoio do Ministério da Justiça.


IMPORTANTE!

• Não é preciso se identificar e nem dizer de onde veio a arma.

• Além dos postos da GCM, São Paulo tem mais de 150 postos de coleta. Verifique o mais próximo de sua casa no site http://www.soudapaz.org/desarmasp/

• Portar arma é crime, portanto lembre-se de imprimir a guia que trânsito que autoriza o transporte da arma até o posto de entrega. (clique aqui iniciar o passo-a-passo)

• Separe a arma da munição e embale de forma que impeça o uso imediato.

• A indenização varia de R$ 150 a R$ 450, dependendo da arma.

• No posto, você cadastrará uma senha e receberá um recibo, com isto poderá sacar sua indenização em qualquer caixa do Banco do Brasil 24h após a realização da entrega.

• As armas serão danificadas.

Para mais detalhes sobre a Campanha acesse: http://www.soudapaz.org/desarmasp/e http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/seguranca_urbana/ou ligue 153.


A Campanha Nacional de Desarmamento é promovida pelo Governo Federal e os recursos para o pagamento de indenizações são do Ministério da Justiça. A ação é permanente e há postos espalhados por todo país.


Pela manutenção do Estatuto do Desarmamento (Não se deixe enganar! Ninguém está lutando ou se importando com a nossa proteção pessoal.Mais armas significa mais dinheiro para a indústria de armas, simples assim!Vejam quem está por trás do projeto pelo fim do desarmamento).

Indústria de armas financiou 21 deputados

Postado em 27 de novembro de 2014 às 12:06 am


Mais de 70% dos candidatos que receberam legalmente doações de campanha da indústria de armas e munições se elegeram em outubro. Dos 30 nomes beneficiados pelo setor, 21 saíram vitoriosos das urnas: são 14 deputados federais e sete deputados estaduais. Ao todo, fabricantes de armas e munições destinaram R$ 1,73 milhão para políticos de 12 partidos em 15 estados. Metade desses recursos ficou com candidatos do PMDB e do DEM, do Rio Grande do Sul e de São Paulo.


Os dados, aos quais o Congresso em Foco teve acesso em primeira mão, são de levantamento exclusivo do Instituto Sou da Paz, organização não governamental (ONG) de combate à violência, com base em dados registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


Apesar de identificar uma redução no volume de doações legais (R$ 1 milhão a menos do que nas eleições de 2010) e no número de congressistas financiados pelo setor (foram 13 federais a menos neste ano), o instituto vê a indústria de armas fortalecida no Congresso. E com um alvo certo e imediato: a revogação do chamado Estatuto do Desarmamento, que restringe o porte e o uso de armas de fogo em todo o país.


Dos 24 titulares da comissão especial incumbida de discutir o projeto que libera o porte e o uso de armas de fogo no país, dez receberam doações do setor para suas campanhas eleitorais neste ano. Ou seja, cerca de 40% dos integrantes. Outros seis suplentes do colegiado também foram financiados por fabricantes de armas e munições.


“A bancada da bala aproveitou o período eleitoral para avançar o projeto na surdina. Nesse sentido, desistiu de realizar seis audiências públicas país afora e optou por realizar apenas uma audiência, em 26 de novembro. Mais do que isso, o objetivo da comissão é votar o projeto de forma açodada, sem realizar uma discussão aprofundada com a sociedade civil, no dia 10 de dezembro”, afirma a ONG.


O projeto de lei (PL 3722/12), que será debatido em audiência pública na Câmara nesta quarta-feira (26), enfrenta resistência do governo, que prefere manter as diretrizes da atual legislação. Entre os pontos polêmicos da proposta está o número de armas que cada cidadão poderá adquirir e legalizar: até nove. O texto também aumenta o número de munição para portadores de armamento: de 50 balas por ano para 50 balas por mês.


“Por que um cidadão comum precisa ter nove armas e 50 munições por mês? O projeto é desastroso”, disse ao Congresso em Foco o cientista político e professor de Relações Internacionais Marcelo Fragano Baird, coordenador de projeto do Instituto Sou da Paz para a área de Sistemas de Justiça e Segurança Pública.


Para Marcelo, o financiamento de candidaturas tem objetivos explícitos. Entre eles, a aprovação de proposições como a que visa assegurar o porte de arma para o maior número possível de categorias (advogados, oficiais de Justiça, políticos etc), com óbvios propósitos comerciais. “Diversos projetos são apresentados por ano para modificar pontualmente o Estatuto do Desarmamento. De vez em quando eles conseguem algumas vitórias”, acrescentou.


O Instituto Sou da Paz lembra que alguns projetos aprovados no Congresso estenderam o porte de armas a outras categorias profissionais, como o referente aos guardas municipais – a lei proveniente desse projeto foi sancionada pela presidenta Dilma em agosto.

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Política

Desarmamento

Fim do Estatuto do Desarmamento é retrocesso, dizem especialistas

por Deutsche Welle publicado 27/11/2014 14h02 
 
 
 
Projeto de lei em tramitação na Câmara revoga estatuto e abranda regras de obtenção e porte de armas de fogo. Pesquisas apontam que quanto mais armas em circulação, maior é o número de homicídios 
 
 
Roosevelt Pinheiro / ABr
Desarmamento
O projeto de lei que revoga o Estatuto do Desarmamento foi discutido em uma audiência pública na Câmara dos Deputados com a presença de cerca de 200 manifestantes contrários ao desarmamento.

Heitor Reyes perdeu o filho em 2008. Alexandre Andrade tinha 18 anos quando, depois de uma briga de trânsito, foi baleado na nuca, na zona sul de São Paulo. O atirador usava um revólver adquirido ilegalmente.

"As armas de fogo que mais matam são as ilegais: elas são legalmente adquiridas, mas acabam caindo nas mãos do crime. E foi uma arma dessas que matou meu filho", conta Heitor, que hoje é presidente da Associação dos Familiares Vítimas de Violência.


Sua indignação está ainda mais profunda. Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados pretende revogar o Estatuto do Desarmamento, em vigor desde 2003, e estabelecer novas regras de obtenção e porte de arma de fogo. "É um absurdo ter uma lei que permita aumentar o número de armas em circulação", critica.


O PL 3722/2012 será votado em uma comissão especial em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. Segundo o Instituto Sou da Paz, dos cerca de 20 deputados nomeados, 11 tiveram as campanhas financiadas pela indústria armamentista nas últimas duas eleições.


"Com a revogação, estaremos na iminência de ter um avanço relevante dos homicídios no Brasil", diz o diretor executivo do Sou da Paz, Ivan Marques. "A afirmação de que os índices de violência ocorrem por causa de uma população desarmada é uma falácia das maiores."


O projeto de lei aumenta de seis para nove a quantidade de armas que podem ser adquiridas por cada cidadão. A aquisição de munições passa das 50 por ano previstas no estatuto, para 50 por mês. A indenização pela entrega voluntária de armas, que hoje chega a 450 reais, vai para, no máximo, 150 reais, segundo o novo projeto. E a idade mínima de aquisição de arma de fogo cai de 25 para 21 anos.


"As mortes violentas no Brasil ocorrem, sobretudo, na faixa entre 19 e 24 anos. Ou seja, a nova lei coloca a arma como algo possível, no meio da faixa etária que mais morre por homicídios no país. É um retrocesso enorme", diz Marques.


Para o autor do projeto, o deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB/SC), o principal ponto do projeto de lei é o fim da discricionariedade. O controle de posse de armas para civis, que hoje está a cargo da Polícia Federal, seria compartilhado com as polícias civis de cada estado.


"Hoje, o cidadão tem que passar por exame psicológico, teste de tiro, pagar taxas altas, e a decisão fica a cargo da Polícia Federal, que está sobrecarregada", diz Peninha. "Quantas pessoas poderiam estar vivas hoje se estivessem com uma arma na cintura, se pudessem ter se defendido?"


O projeto de lei que revoga o Estatuto do Desarmamento foi discutido em uma audiência pública na Câmara dos Deputados nesta terça-feira 26, com a presença de cerca de 200 manifestantes contrários ao desarmamento.


"A arma de fogo é um instrumento de morte e não de defesa", afirmou Paula Guerra Varela, da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. "O Ministério Público de São Paulo fez uma pesquisa, e concluiu que 83% dos homicídios no estado ocorrem por motivos fúteis."


Esse foi o único espaço de discussão da matéria com a participação da sociedade civil. De acordo com o Instituto Sou da Paz, os deputados da chamada "bancada da bala" fizeram uma manobra para que o projeto não precisasse passar por diversas comissões e consultas públicas. Em março, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN), se decidiu pela criação de uma comissão especial com a proposta "versar matéria de competência de mais de três comissões de mérito".


Segundo o deputado Peninha, Alves fez a proposta devido à grande quantidade de manifestações favoráveis à revogação do estatuto no site de internet da Câmara. "Conversamos e vimos que, como o estatuto do desarmamento já completou dez anos, está na hora de reavaliar essa política."


De acordo com a Câmara dos Deputados, o PL 3722/2012 está entre as principais enquetes abertas do portal da Casa, com mais de 197 mil votos. Se aprovado na comissão especial em dezembro, o projeto de lei segue para votação em plenário.


"Com a vinda dos novos deputados, o Congresso está mais conservador. Acho que essa renovação foi muito positiva. Vamos conseguir aprovar esse projeto", diz Peninha.


Quem é contrário ao desarmamento argumenta que os cidadãos se tornam reféns dos criminosos ao serem impedidos de se defender. "Os bandidos invadem as casas com a certeza absoluta de que não haverá reação, afinal de contas, o cidadão está praticamente proibido de ter uma arma na sua residência", diz o deputado Peninha.


Trabalhos feitos pelo pesquisador Daniel Cerqueira, diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia do Ipea, mostram, no entanto, que quanto mais armas em circulação, maior é a prevalência de homicídios. Um estudo premiado pelo BNDES mostra que a cada aumento de 1% de armas de fogo na cidade de São Paulo, a taxa de homicídios sobe de 1% a 2%.


"A conclusão é que a difusão de armas de fogo não tem nenhum efeito estatisticamente significativo para dissuadir os criminosos", explica Cerqueira. "Nos Estados Unidos, há um consenso de que mais armas em circulação geram mais homicídios. E uma maior quantidade de armas não faz diminuir a quantidade de crimes contra o patrimônio."


Outra pesquisa feita em parceria com o professor João Manoel Pinho de Mello, da PUC/RJ, mostra que o Estatuto do Desarmamento ajudou a poupar 13 mil vidas no estado de São Paulo; uma pessoa foi salva a cada 18 armas apreendidas. Nas regiões do país onde a campanha do desarmamento não foi efetiva, a proporção de homicídios foi oito vezes maior do que nos locais onde passaram a circular menos armas de fogo.


O pesquisador também verificou que 93 projetos em tramitação na Câmara dos Deputados tentaram modificar parcial ou totalmente o Estatuto do Desarmamento. "É uma verdadeira blitz da bancada da bala e da indústria armamentista para tentar desconfigurar o estatuto", alerta o pesquisador Cerqueira.
A Campanha do Desarmamento já recebeu 661.253 armas, de acordo com o Ministério da Justiça. 



Entre 2004 e 2010, foram recolhidas 550 mil armas, uma média de cerca de 90 mil por ano. A partir de então, os números despencaram, chegando a pouco mais de 15 mil armas entregues até 16 de novembro deste ano. Pela primeira vez, o número de novos registros – 15,7 mil, até 31 de julho, segundo a Polícia Federal –, ultrapassou a entrega voluntária de armamentos.


"A campanha esfriou. As campanhas publicitárias e o incentivo do governo para a entrega dessas armas perderam força. Esses foram alguns dos fatores que fizeram com que o número de entregas de armas fosse reduzido", avalia Ivan Marques, do Sou da Paz.


Ubiratan Angelo, coordenador de Segurança Humana da Ong Viva Rio, diz que a campanha tentou "tirar da cabeça das pessoas" a ideia de que ter uma arma de fogo é sinônimo de proteção individual. 


"Isso é uma balela. É uma propaganda de quem quer vender arma ou munição. Há um forte lobby da indústria armamentista", afirma. "A campanha tenta evitar que essas armas sejam roubadas e caiam na ilegalidade."


De acordo com o Centro Regional das Nações Unidas para a Paz, Desarmamento e Desenvolvimento na América Latina e no Caribe (Unlirec, na sigla em inglês), a campanha do desarmamento no Brasil é a segunda maior do mundo, ficando atrás da Austrália. Segundo a agência, a campanha do desarmamento fez com que a taxa de homicídios caísse de 27,4 para 18 a cada 100 mil habitantes, a primeira redução em décadas.


Estudos recentes feitos em países latino-americanos apontam que cerca de um terço das armas envolvidas em crimes são legalizadas e possuem registro. "Isso mostra a importância de prevenir que armas legais sejam usadas de forma ilegal ou irresponsável. A campanha do desarmamento no Brasil é um bom exemplo", avalia Amanda Cowl, diretora de Assuntos Políticos do Unlirec.


Marques defende que a arma na mão do cidadão "é nociva à sociedade". "A solução para a segurança pública deve ser coletiva e não uma decisão individualizada de cada cidadão com uma arma em casa, achando que poderá se defender."


O Instituto Sou da Paz enviou à Câmara dos Deputados uma carta aberta de protesto ao PL 3722. Secretários de Segurança de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo apoiaram a rejeição do projeto de lei.
  • Autoria Karina Gomes

40 milhões para o PT gastar em propaganda de ajuste fiscal mostram safadeza de quem pede “financiamento público”



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Como se as provocações do governo já não fossem suficientes, agora temos mais essa: segundo o Congresso em Foco, o governo vai gastar 40 milhões em campanha publicitária em defesa do ajuste fiscal. Mas esperem aí: não era só discutir a questão no Congresso? Claro que não, pois para o PT é preciso gastar verba estatal para não só limpar a imagem de Dilma como também poder investir em blogs sujos que destruam a imagem tanto do PMDB como do PSDB.



A ocorrência de provocações deste tipo mostram que o financiamento público de campanha já existe. Esses 40 milhões estão sendo gastos em favor do PT. Algum outro partido vai receber qualquer propaganda em seu favor? Não. Só o PT, que manda no governo.



A proposta do PT com o financiamento exclusivamente público de campanha é esta baixaria só que levada ao extremo: tendo fechado as torneiras de empresas privadas, o governo passa a decidir o jogo pelo uso do dinheiro estatal disfarçado de “publicidade institucional”, que sempre só vai ajudar o PT. Isso sem contar as diversas outras formas de aparelhamento estatal. 


Incluindo Lei Rouanet, verbas para blogs sujos, uso de malas diretas de estatais para campanha, “ajuda dos Correios” e daí por diante.


Agora você já sabe porque qualquer pessoa falando que é preciso “acabar com financiamento empresarial de empresas” é mal intencionada e desonesta.

A família que o Fachin defende, quer e protege--Vejam o que nos espera : Sem terrinhas se preparando para o exército do MST






Ocupação dos Sem Terrinha no MEC










PRACINHA DA FEB RECUSA-SE A RECEBER MEDALHA DE DILMA- -PARABÉNS MAJOR!!! UM HOMEM DE CARÁTER NASCE E MORRE COM ELE INTACTO - Jorge Santana (O nosso heroi mostra-se revoltado com a situação atual do país. "Já não tenho mais idade pra ter papas na língua. Vou lhe dizer, estou de saco cheio de ver meu país infestado por marginais, bandidos, homossexuais, travestis, comunistas e ambientalistas. Esse monte de vagabundo recebe Bolsa Família, bolsa isso, bolsa aquilo. Ora, trabalhar ninguém quer, né?")


Major Antenor Silveira Guedes, de 93 anos  - UM HOMEM DE FIBRA - UM HOMEM DE CARÁTER

PARABÉNS MAJOR!!!  UM HOMEM DE CARÁTER NASCE E MORRE COM ELE INTACTO - Jorge Santana
 
PRACINHA DA FEB RECUSA-SE A RECEBER MEDALHA DE DILMA

 
O GLOBO

 O ex-combatente da Força Expedicionário Brasileira, Major Antenor Silveira Guedes, de 93 anos, foi convidado pelo governo brasileiro a participar de um evento em homenagem aos soldados que estiveram na Europa na Segunda Guerra Mundial.  Antenor esteve no front juntamente com os pracinhas brasileiros contribuindo para a conquista do Monte Castelo, na Itália, em fevereiro de 1945, quando a FEB combateu o exército alemão por 3 meses, a sudoeste da cidade de Bologna.



Major Antenor recebeu muitas honras militares ao longo da vida, muito merecidas. É um homem de muitas estórias, e de muita coragem. "Lutei pela liberdade do meu país e do mundo. Hoje penso: será que foi em vão? Lutei pro Brasil virar esta grande merda? Um país infectado pelo lulo-comunismo? Valeu a pena?" diz o major. 




 "Fui convidado a receber uma medalha da presidente Dilma em comemoração aos 70 anos do fim da guerra. É claro que não vou. Não gosto de bandidos. O PT é isso, um partido de vagabundos. O Lula é o chefe do mensalão. A Dilma foi terrorista e metralhava as pessoas."



 

O nosso heroi mostra-se revoltado com a situação atual do país.  "Já não tenho mais idade pra ter papas na língua. Vou lhe dizer, estou de saco cheio de ver meu país infestado por marginais, bandidos, homossexuais, travestis, comunistas e ambientalistas. Esse monte de vagabundo recebe Bolsa Família, bolsa isso, bolsa aquilo. Ora, trabalhar ninguém quer, né?"
 


Dilma sofre derrota na Câmara - é possível derrotar Dilma, uma derrota irreversível, final


Governo promete veto a fim do fator, mas teme desgaste com derrubada

 

Corda bamba O Planalto avisou a ministros e líderes do governo que Dilma Rousseff pretende vetar a emenda que flexibiliza o fator previdenciário. O núcleo do governo, no entanto, admite que a medida deve abrir espaço para um desgaste triplo de Dilma. Além da impopularidade pela decisão de ir contra um texto defendido por aposentados, o governo avalia que o veto tende a ser derrubado —o que representa uma derrota política no Legislativo e uma ampliação do rombo da Previdência.


 
Letra morta Carlos Gabas (Previdência) tentou convencer os líderes partidários que a emeda apresentada não acabava com o fator —apenas o flexibilizava. Prometeu que o governo irá discutir o fim, de fato, do dispositivo.


 

Retrô O presidente do PDT, Carlos Lupi, tentou convencer sua bancada a apoiar o ajuste na Previdência. Disse que o texto não era tão ruim quanto o da medida de cortes em benefícios trabalhistas.


 

Ufa Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, conseguiu adiar reunião da Comissão de Constituição e Justiça nesta quarta-feira. O Planalto queria evitar a votação do projeto que concede reajuste ao Judiciário.
 



A pé O MEC precisou abrir um pregão às pressas para alugar 30 carros para transportar o ministro Renato Janine Ribeiro e dirigentes da pasta. A empresa que tinha o contrato reclamava de atrasos e decidiu não renová-lo.
 


Jogo… Senadores de oposição relatam que, nas visitas que fizeram aos gabinetes tentando cabalar votos, Fachin e a mulher, a desembargadora Rosa Fachin, dizem não comungar das mesmas preferências políticas.
… duplo Numa das conversas, Rosa teria dito que “chorou uma semana” quando o marido decidiu votar em Dilma e não em Aécio Neves em 2014. Quem ouviu não botou muita fé na história.
 


Treino Ao ouvir o placar da votação, disseram que o resultado era esperado. “O que vale mesmo é o plenário”, disse Tasso Jereissati (CE).
 



CONTRAPONTO Pelos cotovelos Ao participar de uma audiência pública na Comissão de Educação da Câmara, no início deste mês, o secretário de educação superior do MEC, Jesualdo Farias, ficou impressionado com o volume de perguntas feitas pelos deputados que assistiram à exposição:

 
—Quantos dias eu tenho para responder? —questionou o ex-reitor da Universidade Federal do Ceará, diante da demanda dos congressistas.
 


Otimista, a deputada Alice Portugal (PC do B-BA) tentou animar o secretário:
—Vamos lá! Confio plenamente no seu poder de síntese cearense…




Fonte: Folha de São Paulo


 

 

Câmara atropela governo e muda o fator previdenciário




Câmara dos Deputados muda forma de cálculo para a aposentadoria



 

Alteração do fator previdenciário e no auxílio-doença é derrota para o governo no dia da aprovação de outra MP do ajuste 


 

Mesmo depois de intensa negociação com promessas de liberação de mais de uma centena de cargos para deputados da base aliada, o governo sofreu nesta quarta-feira duas derrotas, entre elas, a que mais temia na votação do ajuste fiscal.  



A Câmara aprovou, por 232 a 210, novas regras que acabam com a aplicação automática do fator previdenciário no cálculo da aposentadoria pelo INSS, alteração proposta por um partido da base, o PTB. A mudança foi incluída na votação da medida 664, que endurecia as regras para concessão de pensões e auxílio-doença, o segundo pilar do ajuste fiscal.  


Agora, a alteração no cálculo do benefício vai a sanção presidencial, o que significa que a presidente tem a possibilidade de vetá-la. A rejeição, no entanto, poderia desgastar ainda mais a relação com o Congresso e os sindicatos. 



 

Os deputados também aprovaram a mudança de 30 para 15 dias do período que as empresas têm de bancar o auxílio-doença dos empregados afastados por motivo de saúde, em outra emenda apresentada por partido da base, desta vez o PP. O governo queria que somente após 30 dias de afastamento a despesa passasse a ser custeada pelo INSS.
 


O fator previdenciário foi criado em 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas todos os 45 deputados tucanos presentes votaram pela mudança que derrotou o governo. Entre 2000 e 2013, a economia com a aplicação do fator, estimada pela Previdência, foi de R$ 56,9 bilhões. Mesmo sob pressão do Palácio do Planalto, foram os deputados do PT que possibilitaram a derrota do governo. Nove deles votaram pela mudança e outros cinco não compareceram à votação. Caso todos os 63 parlamentares do partido tivessem acompanhado a orientação do governo, o fator teria sido mantido por um voto.
 


O ministro da Previdência, Carlos Gabas, acompanhou a votação no gabinete da liderança do governo, longe dos holofotes. Diversas vezes nos últimos dias, Gabas esteve com deputados de partidos aliados ao governo para pedir que rejeitassem o destaque, alegando que a presidente Dilma Rousseff irá criar um fórum específico para tratar de possíveis alterações nas regras previdenciárias, que serão enviadas ao Congresso em até 180 dias. Mas o apelo de Gabas não funcionou. 



Ministros da área econômica afirmaram ao GLOBO que defenderão o veto à mudança e que irão mapear os infiéis da base que ajudaram a aprovar o destaque. A promessa é que haverá retaliações. — A presidente Dilma pode até vetar, mas terá que pensar 10 vezes antes, porque seria um desgaste monumental para ela. No Senado, já temos quase todos os votos necessários para manter esse destaque — comemorou o autor da medida, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).
 

A votação da mudança no fator previdenciário começou logo após o governo ter aprovado o texto principal da Medida Provisória (MP) 664, que torna mais rígida a concessão de pensão por morte e auxílio-doença. Em seguida, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pautou a votação do destaque, sob protestos do líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), e do líder do PT, Sibá Machado (PT-AC).
 


Durante todo o dia, o vice-presidente Michel Temer, articulador político do governo, trabalhou junto aos deputados da base para evitar a votação. Temer ainda teria conseguido reverter cerca de 10 votos, mas o governo acabou perdendo em apertada votação. O Planalto pressionou para que o pedido de votação sequer fosse aceito, mas Cunha decidiu acolher a proposta de Faria de Sá, que previa o fim dos descontos na aposentadoria para aqueles cuja soma da contribuição com a idade seja 85 anos, no caso das mulheres; e 95 anos, dos homens.
 

Nesta quinta-feira, a Câmara irá finalizar a votação dos destaques. Depois, o texto vai à apreciação do Senado. O senador Walter Pinheiro (PT-BA) afirmou que vai trabalhar para aprovar a emenda que cria alternativa ao fator previdenciário. Pinheiro condicionou a aprovação das medidas de ajuste ao compromisso do governo de manter a alteração. — Eu e o senador Paulo Paim defendemos a aprovação dessa emenda no Senado e queremos do governo o compromisso de não vetá-la, como garantia para a aprovação das duas MPs do ajuste fiscal. Caso haja veto, vamos também trabalhar para a derrubada dele — disse Pinheiro.
 

A votação do texto principal da MP 664, na qual o governo havia obtido uma vitória mais ampla que a da semana passada, aconteceu em meio a muito tumulto e manifestação contrária nas galerias ocupadas por militantes da Força Sindical. Dos partidos da base aliada, apenas o PDT acompanhou as legendas da oposição e orientou o voto contra o texto principal da MP. O líder da bancada, André Figueiredo (CE), voltou a criticar a MP em plenário. O PV liberou sua bancada.  

Desta vez, apenas quatro deputados do DEM mantiveram o voto a favor do texto-base da MP do ajuste, mas cinco se ausentaram. Na semana passada, foram oito votos favoráveis, mas os 22 deputados da bancada estavam presentes. Entre os cinco ausentes, estão os quatro deputados que votaram a favor da primeira MP.



 Mantiveram o voto a favor do ajuste os deputados Rodrigo Maia (RJ), José Carlos Aleluia (BA), Cláudio Cajado (BA) e Marcelo Aguiar (SP). [esses nomes não podem ser esquecidos: devem ser escarrados na próxima eleição.]
 


O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), disse que o governo tem mais motivos para comemorar do que lamentar. Segundo ele, a aprovação do texto principal foi uma grande vitória. Ele condenou o procedimento do relator da MP 664 na comissão mista do Congresso, deputado Carlos Zarattini (PT-PT), que votou a favor do destaque de Faria de Sá. — O grande equívoco foi o relator ter votado. Eu sei disso — disse Guimarães.

 

Ele lembrou que a matéria ainda irá para o Senado, voltará à Câmara e a presidente tem a prerrogativa de vetar a alteração no fator previdenciário. Antes do anúncio do resultado, deputados da oposição voltaram a abrir uma faixa com dizeres que acusavam o PT de trair os trabalhadores. O deputado Zé Geraldo (PT-PA) tentou tirar a faixa e houve empurra-empurra entre os deputados,  contido pelos seguranças.

 
Fonte: O Globo